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21 de maio de 2022

Shibari e BDSM como “arte e empoderamento”: Como o neo/liberalismo se infiltra discursivamente no feminismo.

Discussão iniciada a partir destes stories postados em nosso Instagram:




Shibari e BDSM como “arte e empoderamento”: Como o neo/liberalismo se infiltra discursivamente no feminismo.


Se Shibari é arte eu não sei. Porém a palavra “empoderamento” em sua origem e significado nada te ver com “poder individual feminino” ou algo do tipo - essa é a liberalização, deturpação do termo.

Como muito bem explicado por @tharathathaempoderamento” surge no sul global, quando mulheres se organizaram de forma criativa e efetiva para saírem de circunstâncias de pobreza e miséria. Coletivamente. Mulheres agindo de forma autônoma, política, econômica pelo bem delas e do entorno = empoderamento feminino.

Ao se apropriar e deturpar pautas e ideias revolucionárias feministas, o liberalismo intenciona transformá-las em discursos ocos, sem efeito de transformação político-social e, ao refletirmos sobre eles com mais profundidade, encontramos lacunas e dúvidas.

O “feminino” - interpreto como “para mulheres”. A historiadora Gerda Lerner, no livro A Criação do Patriarcado, diz que a mulher (o sexo feminino) foi o primeiro ser escravizado - dentro de todo tipo de coisas que vocês imaginam por escravidão. Técnicas de crueldade foram testadas nelas primeiro para que os homens pudessem aplicar as técnicas que deram certo nos seus inimigos conquistados em guerras. E como vimos, a origem do shibari se dá visando imobilizar, humilhar e torturar presos publicamente.

“Mulheres” são uma classe sexual, significa que possuem experiências de opressão em comum apesar das diferenças de raça, classe social e geografia. Um dos medos comuns às mulheres ao redor do globo é o da violência sexual que as torna hipervigilantes, como explica Graham no livro Amar para Sobreviver. Aquela história de "intuição" (feminina), que dizem ser algo "natural" ou "místico" nada mais é do que uma espécie de memória genética do medo constante, que pela hipervigilância gera uma capacidade de “prever” situações de perigo. Não há nada místico nisso, é estratégia milenar de sobrevivência.

Partindo do entendimento que a violência sexual contra a mulher envolve controle social, moral, psicológico, econômico, político e cultural, mulheres sempre sofreram violências masculinas, a novidade moderna é que no liberalismo elas "consentem" em performar de forma erótica violências históricas contra sua classe sexual.

Hitler tinha como símbolo pessoal o chicote. Ele gostava de ver mulheres fortemente amarradas. Não à toa que parte da referência estética da subcultura fetichista são quepes e sobretudos de couro ou vinil na modelagem da moda alemã fascista da década de 1940. Isso de forma alguma significa que seus adeptos são fascistas, ou nazis… no entanto, é preciso que seus adeptos tenham consciência que estão sujeitos à crítica política, e justamente por isso, desenvolveram suas defesas, as mais famosas delas são: “consentimento” e o argumento de “liberdade individual” - é aqui que chegamos ao liberalismo, pois “Liberdade individual” não significa sempre progressismo. Bugou, né? Pois é, este é um dos alicerces da política neoliberal.

"As políticas antirracistas, antifascistas e anticapitalistas dependem de um entendimento de que os oprimidos não buscam, precisam ou querem sua opressão. Somente aqueles que são homens brancos detentores de riqueza estão em qualquer posição de exercer consentimento verdadeiro a um sistema político que rotineiramente degrada, explora e controla todos os outros. O sadomasoquismo utiliza essa noção politicamente manipulativa de consentimento para se justificar." [Jeffreys*]

A construção social de hierarquia de poder, da relação dominante-dominado é típica do capitalismo, do patriarcado, do racismo. Reproduzir essa lógica na relação sexual é validar a existência de classes (a que deve ser oprimida e a que deve ser opressora) no âmbito privado. Embora muitas destas pessoas se denominem antissistema, antiopressões e até estejam envolvidas com movimentos sociais na vida pública.*

Teóricas do feminismo liberal SABEM que a opressão feminina é pelo sexo (suas obras apontam isso), no entanto, colocam a carga de responsabilidade de resolver as opressões históricas sobre os ombros da individua, da mulher. Por isso a corrupção do termo "empoderamento", foi uma bela saída discursiva para continuar mantendo as mulheres reproduzindo a filosofia patriarcal sem se dar conta.

“Por exemplo, feministas liberais se recusam a problematizar a prostituição, pornografia ou objetificação sexual, dizendo que essas atividades são uma escolha da mulher. Da mesma forma, o BDSM é visto completamente acriticamente, como apenas mais um item no menu sexual que as mulheres consentem ativamente em participar e obter prazer. O BDSM é entendido pelas feministas liberais como empoderador e transgressivo.” [Kiraly; Tyler]**

"A noção de que as mulheres podem consentir em uma cultura patriarcal precisa de uma crítica cuidadosa. As mulheres são socializadas desde o nascimento para agradar aos homens; internalizam a ideia de que devem sexo aos homens, e que eles devem apreciá-lo. Se o “consentimento” é entendido como um “sim” entusiasmado ou simplesmente não dizer “não”, faz pouca diferença quando consideramos como mulheres e homens são guiados em contrastar papéis masculinos e femininos com papéis de relações de poder e autonomia." **

"Na política feminista liberal, e é comum ouvir a afirmação de que poder escolher é o objetivo do feminismo e que as mulheres não devem julgar umas às outras pelo conteúdo de suas “escolhas”.

Essa retórica da escolha-como-libertação concentra-se no indivíduo, ignorando assim as maneiras pelas quais nossas escolhas são limitadas por nosso ambiente. Também evita os desafios de tornar a vida pessoal política, e de tomar uma posição que pode ser percebida como impopular, não sexy ou excludente." **

"Da mesma forma, nem todas as mulheres do mundo têm capital social ou financeiro ou estabilidade para poderem ‘escolher’ o que vão e não vão fazer, fato que o feminismo liberal, como um movimento principalmente branco de classe média, tende a ignorar convenientemente. Em uma sociedade onde o desejo sexual é definido principalmente como desejo masculino, que tipo de escolhas sexuais que as mulheres podem realmente fazer?"**

Construção do nosso imaginário sexual e erótico:


Nossos gostos são moldados. Não tem essa de “eu SEMPRE gostei disso”. Sempre?

Se o amor não foi o mesmo ao longo dos séculos e nem tem o mesmo significado em diferentes sociedades da atualidade, o que dizer do erótico e sensual? Também é algo que somos ensinados pela sociedade, com referências.

Tendo consciência disso, existem grupos de lésbicas e gays ao redor do mundo que não querem permitir visuais BDSM nas Paradas do Orgulho, por conta de crianças que lá aparecem com suas famílias. Todo ano acontece a tentativa de restringir esse tipo de vestuário e todo ano a resposta é: pode ter esse visual na Parada porque tudo depende do “consentimento". Porém sabemos que o cérebro em formação da criança tudo absorve e forma referenciais.

O modelo de sexualidade atual foi construída pelos homens do passado. Revistas femininas (hoje sites) em suas matérias ensinam mulheres a conquistar homens. E ocultam um detalhe: a sexualidade feminina anatomicamente é completamente diferente da masculina. O prazer sexual da mulher não precisa de homem para acontecer, pois sua anatomia separa prazer e reprodução, em uma das mais geniais criações da natureza: o prazer feminino é clitórico, é lá que estão as terminações nervosas e isso ocorre porque a natureza é inteligentíssima: pela vagina passa um bebê. Se houvesse terminações nervosas na vagina, a dor do nascimento seria insuportável. Para os homens não há essa divisão, e por isso criaram narrativas, invenções e mitos e o que mais quiserem inventar até os dias de hoje da mulher frígida, sem interesse, pudica e as mulheres acreditam porque a elas foi negado o conhecimento do próprio corpo. Acreditam porque foram colonizadas pelo imaginário erótico masculino. Não à toa, as empresas de brinquedos eróticos fálicos tem agora mulheres / influenciadoras como divulgadoras.

Produtos caríssimos. Mesmo mulheres não-héteros promovem acessórios fálicos sem se dar conta que esse é o discurso do prazer sexual masculino. E apenas recentemente na história surgiram brinquedos exclusivos ao clitóris, constantemente vendidos como "auxiliares" à penetração – mesma visão masculina da sexualidade feminina.

O fato do prazer sexual da mulher não precisar de homem pra acontecer, fez com que os homens criassem narrativas de que quem estava errada era a mulher. Freud chegou a dizer que o prazer clitórico era infantil e que a mulher adulta deveria ter “prazer vaginal” (invenção que se propaga ainda hoje). Mulheres chegaram a fazer cirurgia para retirada do clítoris na tentativa de “transferir” o prazer para a vagina. Algo impossível de acontecer dada o já explicado funcionamento da anatomia feminina que separa prazer e reprodução.

E porque fiz essa digressão imensa sobre sexualidade feminina?

Para mostrar como as mulheres ainda hoje não sabem como funciona sua anatomia e reproduzem o discurso masculino sobre o que e como seria a sexualidade feminina.

Ora, se isso acontece com o físico, imaginem com o imaginário? Podemos chamar isso de colonização do imaginário sexual e erótico.

E o BDSM entra nisso na medida em que é quase impossível afirmar qual desejo feminino “natural” ou “liberado" sem a influência da visão masculina.

Digo "quase" porque mulheres conscientes desta questão têm tentado descobrir.



Domme: Empoderada por ser dominante?


A "dominadora" não domina, pois está a serviço do homem masoquista.

Um homem submisso ainda é o centro porque a dor é o prazer dele. Uma dominatrix está dando exatamente o que ele quer. A domme emula a situação real de dominação masculina e submissão feminina, pois a coisa mais humilhante que homens podem imaginar em nossa sociedade é ser tratado como uma mulher.

Mesmo quando parceiros não heterossexuais se envolvem no BDSM, eles ainda estão replicando a dinâmica de poder da heterossexualidade: o dominante e o dominado.

Fora do âmbito privado, o homem submisso retorna à posição de poder enquanto as mulheres devem enfrentar subordinação social e sexual em sua vida cotidiana.**

O homem submisso é um mito e tem origem na pornografia.

O livre arbítrio é um mito para as mulheres num sistema patriarcal.

A moda cria uma imagem extremamente glamourosa dessa cultura.

“Se uma parte está sendo objetificada a outra está objetificando; porque ela tem o poder, a agência de objetificar. Isso automaticamente a coloca numa posição de hierarquia e de superioridade”.**

Frígida, conservadora, "mal comida", são xingamentos de cunho sexual que mulheres recebem ao apontar a incoerência discursiva dessa "arte". Mas ora, não é exatamente assim que as mulheres que não obedecem aos desejos dos homens foram chamados ao longo da história??

O que há de progressista em xingar mulheres da maneira mais secular conhecida: controlando sua sexualidade?

Nada de novo. Eles estão conservando um discurso milenar.

As mulheres podem controlar os homens? Se elas pudessem dominar os homens fora do espaço de controle, haveria femicídio? Violência doméstica?

Se as mulheres criassem suas próprias formas de expressar sua sexualidade, elas usariam de sugestões controladas de violência sendo elas o sexo que desenvolveu a hipervigilância como forma de sobrevivência?

Por que a agressão não é permitida fora destes espaços privados “consentidos”?

Resposta: porque existe uma moral social estabelecida a respeito da não violência. Porque socialmente sabe-se o que é violência.

Liberdade / sexual / escolha: nós fazemos escolhas, mas estas são moldadas e restritas pelas condições de desigualdade em que vivemos. Só faria sentido celebrar sem críticas o poder de escolha em um mundo pós patriarcado.

A “escolha” do feminismo liberal têm dificultado desafiar as instituições que atrasam o progresso das mulheres. Se você “escolhe” sua opressão, por que vai lutar coletivamente contra as opressões?

Ao sugerir que as mulheres já conquistaram sua liberdade, aniquilam qualquer possibilidade de revolta feminina e abalo do sistema.

O feminismo liberal está na mídia, artistas, na boca de influencers. E veio pra ficar enquanto o neoliberalismo atuar. Privilegiando escolhas individuais acima de tudo, não desafia o status quo. **

Para finalizar, deixo claro: existe uma variedade de subculturas dentro do termo “fetichismo”, creio ter ficado claro de qual falamos aqui especificamente.

A intenção principal neste texto é gerar reflexão. E isso toma minutos, horas, dias...


Aviso:

Manipulação emocional não tem espaço aqui. Mensagens  com tentativa de manipulação psicológica, assédio moral ou constrangimento não responderei e serão devidamente printadas e salvas para análise jurídica.

Esta mulher que vos escreve é intelectualmente insubmissa.


Referências:

LEIDHOLDT, Dorchen. “Where Pornography Meets Fascism”. WIN, 15 de março de 1983.

**Kiraly, M. & Tyler, M. 2015. Freedom fallacy: the limits of liberal feminism, Ballarat, Vic, Connor Court Publishing.

*SHEILA, Jeffreys. The Lesbian Heresy: A Feminist Perspective on the Lesbian Sexual Revolution. Spinifex Press, 1993.


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9 de fevereiro de 2022

A sofisticada cooptação da cultura alternativa pelo mainstream através de artistas como Anitta e Luisa Sonza ( + Cultura da Pornificação)

Nos últimos dias, circularam algumas notícias envolvendo a relação entre mainstream e cultura alternativa. Os temas são:

1. Anitta: Lançou clipe cheio de referências ao rock, gótico e cultura pop. Anitta foi emo quando adolescente e logo depois se lançou como artista do Funk. 

2. Luisa Sonza: Apareceu com roupas inspiradas na cultura hard rock e usando marcas alternativas nacionais e internacionais. 

3. Moda terror: Um post da FFW sobre uma "trend alert" de halloween fora de época foi bastante compartilhado. Ao que parece muitos alternativos curtiram por se sentirem representados.



Moda Mainstream x Moda Alternativa

Quando lancei o blog em 2009, havia o diferencial de mostrar a relação entre moda alternativa e moda mainstream. Foi isso que fez o blog ascender e se tornar um sucesso, era uma abordagem diferente. Eu mal falava de história das subculturas, isso veio depois. 

Ao longo destes 12 incansáveis anos por diversas vezes apontamos que a cooptação da estética alternativa/subcultural pelo mainstream é uma forma de despolitizar e, em alguns casos, enfraquecer o potencial revolucionário dos grupos alternativos.

Isso não é pensamento aleatório da minha cabeça, existem autores, teóricos e publicações que falam deste processo que ocorre há décadas. Quem acompanhou no twitter uma thread sobre Wokeísmo do perfil Pensar a História sabe do que falo. 

A melhor forma de você conter a rebeldia juvenil revolucionária é oferecendo produtos que a faze sentir "representada" e acolhida, aceita socialmente. E se assim se sentem, qual o motivo de lutar contra o sistema


Caso a caso

1. Anitta:

Fez um clipe com influencia e visual do rock, do gótico e da cultura pop americana. Usou marcas, roupas e visuais que carregam símbolos da cultura alternativa e de algumas subculturas. 

Em 2019 lancei um zine sobre o estilo Dark Pin-up, nele eu trago uma teoria sobre a origem desse estilo e aponto uma característica fundamental: o uso de ícones do terror americano. 

Quem é da área de Museologia ou de História, estuda Memória. Estuda-se quais são os tipos de memória e como elas se formam. Existe uma que se chama memória afetiva. Anitta, para conquistar o público americano investe em ícones de memória afetiva daquele país: ícones da cultura pop. E já que vivemos num mundo que a cultura americana domina nosso imaginário e nossos gostos, mexe também com a memória afetiva dos que aqui vivem, pois nosso imaginário é colonizado por esses ícones.

Isso não é a toa, é estratégia. As pessoas aceitam muito melhor o que lhes trás boas lembranças.


Se a cooptação é boa ou ruim? 

Depende muito se você encara a cultura alternativa como algo político ou não. 

Depende se você tem uma percepção politica, social, econômica liberalizada ou de raiz/revolucionária. 

Depende como é sua filosofia de vida: seu discurso é coerente com sua prática? Ou isso pouco te importa?

Depende qual o espaço você abre em sua vida para a contradição.

Cada um terá suas respostas.


2. Luisa Sonza:

Apareceu usando roupas inspiradas na cultura hard rock e usando marcas alternativas nacionais e internacionais.

Não é novidade nenhuma que artistas do pop quando querem soar "diferentes" usam peças alternativas (a gente também fala há uma década sobre isso). A moda alternativa tem sempre uma novidade criativa ou algum clássico atemporal que serve ao mainstream.

A questão da Luísa é um pouco mais complicada e de difícil abordagem em stories.  Luísa é conhecida por ser, enquanto artista, uma mulher hipersexu4liz4da e objetific4da.

Luísa apareceu usando uma blusa da banda KISS e um shortinho escrito na bund4: "piss", em português significa 'mij0'. Luísa está cada vez mais pornificada.



Não é de hoje que mulheres alternativas reclamam de serem objetificadas e fetichizadas.

E numa cultura cada vez mais pornificada isso tende a ser naturalizado.

Por que criticam-se tanto as "pirigóticas", mas aceita-se uma mulher adulta pornific4da com símbolos alternativos que leva a fetichização da estética das mulheres alternativas a um público muito mais amplo? 

Qual o impacto desse tipo de estética e mensagem simbólica em crianças e jovens fãs da cantora? 

O perfil @recuseaclicar trata sobre o impacto da pornografia na mente e na sociedade. Vale a pena visitar.



É importante que se saiba que artistas pops e influenciadoras mulheres também ajudam a colocar a mulher como um seres desumanizados. Mulheres também fazem esse trabalho. Mulheres também desumanizam outras mulheres e a si mesmas. 

Mulheres são capazes de dissociar partes de seu corpo. Isso é sintomático de como mulheres são educadas para serem o objeto de olhar e não, a pessoa que olha. 

A estética que Luisa Sonza adotou mostra claramente como mulheres são divididas na sociedade machist4: a pública e a privada.

A estética que Luisa Sonza adotou mostra claramente como mulheres são divididas na sociedade machist4: a pública e a privada.

Observe na imagem ao acima símbolos que comunicam a cultura da pornografia.


Story que publiquei no Instagram do Moda de Subculturas 



Moda Alternativa

Existem brasileiras cantoras de rock, de metal, de música gótica, existimos nós, mulheres alternativas: somos nós que sustentamos as marcas alternativas. Somos nós que estamos aguardando ansiosas toda nova coleção. Somos nós que divulgamos, no boca a boca, na indicação.

As mulheres do rock, sempre questionadoras, desafiantes, insubmissas, que usavam e ainda usam esses visuais do rock/metal/gótico não tem espaço na mídia dominante. A mídia se utiliza de artistas pop, moldadas ao mercado, sem poder questionador e as veste com visual rebelde. Enquanto as questionadoras estão lutando pra sobreviver no pequeno espaço que lhes resta, sempre tendo que provar capacidade.

Um artista pode dar visibilidade e trazer novos cliente, mas a fidelidade quem dá somos nós. 

Sem a consumidora alternativa uma marca deixa de ser alternativa. 

A moda alternativa tem suas próprias demandas e as demandas de seus consumidores.

A moda alternativa não precisa ser validada pelo mainstream. 

Nós não devemos reconhecimento ao mainstream.

Nós não devemos nada a eles. 

É o mainstream que precisa da moda alternativa.

Eles é que nos devem muito. 

Nos devem nossa história. 

Nos devem tudo que nos roubaram e enriqueceram com nossa criatividade.


A moda mainstream nos colonizou.

A moda mainstream nos colonizou.

Eles conseguiram o que queriam: nos dividiram, nos esvaziaram, nos cooptaram, colocaram o discurso deles sobre o nosso. 

Símbolos das subculturas podem ser muitos vendáveis. O mainstream lucra horrores, ganham status de cult, de lançadores de tendências. 

Aí você vai ver seus irmãos e irmãs alternativas e estão todos fodidos no underground. Vivem como classe trabalhadora. Por vezes precarizados. Por vezes trocando trabalho por produtos. Produzindo trabalho intelectual de graça.

Alguns deles e delas se disfarçam com a projeção de um estilo de vida burguês, porque ser pobre é um estigma.


A moda alternativa ainda existe? 

Até quando será possível falar de uma "moda alternativa" se tudo logo se torna mainstream?

Como é que o alternativo vende tanto no mainstream mas as pessoas alternativas são praticamente inválidas fora dele?


3. Moda terror: 

Um post da  FFW sobre uma "trend alert" de halloween fora de época foi bastante compartilhado. Ao que parece muitos alternativos curtiram por se sentirem representados.

Aqui retorno ao que escrevi nos stories anteriores: a cultura pop americana está inserida na cultura alternativa e, a cultura alternativa não precisa ser validada pelo mainstream. 

Se alternativos se sentem "representados" ou "validados" por umas blusinhas de terror vindas de grifes, olha sinceramente, é jogar a História Alternativa fora. 

Alternativos não precisam serem validados por ninguém. Aliás o propósito era justamente desenvolver um contaponto à aceitação social.

O propósito de ser alternativo era mostrar que as instituições, o sistema e sua coerção social que nos dirige à validação e aceitação, fossem quebrados.

Mas ao que tudo indica o pensamento liberal pós moderno se tornou o cavalo de troia da cultura alternativa.

Teve quem saiu por aí dizendo que estéticas subculturais são mortos vivos que sempre voltam pra assombrar. Mas essa frase está contida em um post nosso! É uma frase da historiadora Valerie Steele para a exposição Dark Glamour de 2008! A gente sabe muito bem quem consulta nosso conteúdo e nos invisibiliza. 

Nós já falamos do terror na moda mainstream diversas vezes, como no post do desfile da Moschino em 2019. Pena que nossos posts não são compartilhados como os do FFW não é mesmo? 

Quem dera tivéssemos tanto apoio e celebração quanto os sites mainstream.



Essa é outra luta dos perfis alternativos que não se rendem ao discurso liberal pós moderno: a luta contra a falta de memória, a manutenção da história alternativa, a disponibilidade em manter o contato entre os conhecimentos das gerações anteriores e os conhecimentos das novas gerações, a honestidade e a coerência entre pensamento e ação.

E sobre o terror, tão aclamado:

enquanto o discurso clássico e reproduzido é que ele é uma forma de lidar com a dureza da realidade ou de instinto de sobrevivência,  vocês já observaram quem sempre são as maiores vítimas?  Vítimas de serial killers, vítimas de acusações de bruxaria ou de estar possuído por demônios? Você sabe a resposta.

Dica: até matam os homens, mas as vítimas, o demônio é a mulher.




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6 de dezembro de 2021

Subcultura: Sapeurs de Brazzaville

Há mais de uma década, os Sapeurs viraram os queridinhos do mundo da moda e o bairro de Brazzaville, capital da República do Congo, virou o destino dos fotógrafos interessados em registrar essa subcultura. Não é por menos, os Chapéus podem pagar até 4.500 dólares em roupas de grifes europeias, como Dior, Jean Paul Gaultier, Armani, Kenzo, Gucci, Versace.



Metade da população do Congo vive na pobreza. Em uma cidade pobre como Brazzaville, o propósito é montar o look de forma a parecer rico. Os Sapeurs preferem vestir-se bem a comer bem. Economizam por anos, fazem empréstimos para comprar suas roupas de luxo. Podem emprestar roupas entre si e até comprar peças sob medidas de Boutiques da cidade. Criatividade é importante, ternos e smokings são coloridos e monocromáticos, a inspiração é nos dândis. 





Os sapeurs são da classe trabalhadora: policiais, costureiras, alfaiates, donas de casa, carpinteiros que precisam administrar bem o salário, por isso que no cotidiano usam as roupas comuns. As roupas extravagantes eles usam em seus encontros e para animar as ruas, onde são respeitados. Faz parte ter um comportamento delicado, educado e atencioso. 






Sapeurs vem de SAPE, “Societé des Ambianceurs et des Personnes Elegantes” (Sociedade de Criadores de Ambiente e Pessoas Elegantes), Há quem diga que a sigla na verdade vem do termo francês "sapes" (trapos), devido a origem da subcultura. 



Como começou? 

O estilo começou como uma emulação. Na década de 1920, quando os franceses chegaram ao Congo, trouxeram junto o mito da elegância parisiense, empregados domésticos desdenhavam das roupas usadas que recebiam dos patrões e passaram a usar seus míseros salários para adquirir roupas vindas de Paris imitando os patrões de forma exagerada. O estilo também era adotado por congoleses que passavam um tempo na França, estudando e ao retornarem ao Congo, mantiveram os trajes. 

Em 1960, o Congo conquista sua independência. Na década de 1970, o então presidente Mobutu Sese Seko passou a evitar todas as coisas ocidentais e baniu o terno, pedindo que as pessoas usassem roupas nacionais congolesas tradicionais. Jovens se incomodaram e passaram a usar o estilo sapeur de forma ainda mais extravagante, com regras de vestimenta (por exemplo, no máximo três cores ao mesmo tempo) e fazendo competições de elegância. Ainda na década de 1980, os sapeurs podiam ser banidos dos espaços públicos. 




Mulheres 

Existem mulheres que adotaram o estilo. Apenas no ano de 2010 o primeiro grupo feminino foi estabelecido, são chamadas de “Les Sapeuses”. Assim como em outras sociedades patriarcais, os papéis de gênero (comportamentos atribuídos ao sexo) foi o que impediu por muito tempo que as mulheres se sentissem confortáveis de participar da subcultura. 


Cuidar dos filhos e da casa, não ter liberdade de expressão são papéis de gênero impostos às mulheres. Desta forma, a adesão delas ao estilo foi através da persistência de serem aceitas. Sim, os homens teriam de aceitá-las. Assim como nas sociedades ocidentais (e talvez da maior parte do mundo), as mulheres precisam de concessão dos homens para estarem presentes em diversos ambientes da vida em sociedade. O machismo impediu as mulheres de fazerem parte da subcultura e elas só conseguiram por pressão. Com muitas petições, as mulheres exigiam o direito de serem sapeuses. 




Os grupos masculinos resistiram sob a alegação que não era apropriado mulheres se expressarem da mesma maneira que os homens. A solução foi elas criarem grupos exclusivos pra o sexo feminino, o que abriu as portas para que mais mulheres participassem da subcultura, pois se sentiam mais seguras e confortáveis num ambiente com outras mulheres. Os homens se sentiram pressionados: ou resistiam aos grupos femininos ou permitiam a participação delas. Após 90 anos de existência do estilo, em 2010, eles decidiram aceitar as mulheres. Uma grande conquista das mulheres numa sociedade em que não podem se expressar plenamente. As sapeuses também podem gastar milhares de dólares numa peça de moda grifada e vestem roupas tão sofisticadas como a dos homens e podem incluir algum detalhe local, como ráfias. Como ocorre em outras subculturas, a referência estética é masculina. 


Desta forma, as Sapeuses vestem ternos. E aqui abro um parênteses sobre a história das mulheres: “se vestir de homem” é uma estratégia utilizada por mulheres há milênios, como forma de adentrar em espaços proibidos à elas. Esta é uma estratégia milenar para ter acesso a ambientes masculinos, se vestir como eles é uma forma de romper uma barreira, uma tentativa de serem tratadas de forma mais 'igualitária'. Temos um exemplo muito conhecido desta estratégia que foi o das mulheres na subcultura heavy metal. Estes exemplos demonstram o poder da quebra de gêneros (estereótipos de comportamento ligados ao sexo), em que ambos os sexos poderiam - e deveriam - se vestirem como quisessem sem estarem presos à tais estereótipos. 







Segundo o antropólogo francês Remy Bazanquisa, Sape é uma consequência do intercâmbio cultural entre o Congo e a França iniciado no século 15 e perpetuado pelo colonialismo e ao longo das décadas teria sido uma forma de resistência colonial, ativismo social e protesto pacífico. 




Até que ponto os Sapeurs são de fato uma resistência colonial ao desejarem se vestir como os colonizadores, ativismo ou protesto pacífico eu não saberia opinar. O que percebo é que se sentem felizes neste processo. Se há um discurso político ao gastar 4 mil dólares numa peça de roupa, qual seria? Deixo com vocês e com os que estão envolvidos com estudos africanos essa análise. É um legado de imperialismo cultural, um legado pós-colonial?







Fontes: atualização em breve.


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17 de junho de 2021

Nova coleção da loja Reversa traz a bota Western Moonchild (que lembra uma pike). Vem conhecer a história dos pikes e como o Western foi parar no Goth!

Há poucos dias, a loja Reversa lançou a coleção Vampire Heart, e dentre os lançamentos  está a bota Western Moonchild, que chama a atenção não apenas por suas características ‘western’, mas por lembrar MUITO uma pike, aquelas botas góticas pontudas que eram bastante usadas no começo da década de 1980 pelos trad goths e que se tornaram um clássico da estética da subcultura, tendo perdurado as quatro décadas de existência da mesma, apesar de outros modelos de botas terem tido seus momentos de popularidade ao longo do tempo. 


CUPOM DE DESCONTO: MODASUB5 - válido somente para o mês de julho de 2021.



No Brasil, houve por muito tempo o desejo de um lançamento das pikes por ser dos modelos de calçados da subcultura gótica que ainda tínhamos carência. A  Western Moonchild embora não seja uma pike ‘pura’ possui suas características, como o cano alto, as tiras afiveladas e o bico fino.

Esse ‘Western/Pike” da Reversa, tem também as características da bota cowboy no formato do salto, no design (exclusivo) das fivelas e no desenho do bordado na cor prata. O legal é que o bordado trás um motivo místico, característico da marca: uma meia lua, que também é o logo da loja.




Dá uma espiadinha no ensaio da coleção!


Mas vamos contar um pouco de história: 
Por que os góticos inventaram de usar sapatos pontudos?

Este tipo de calçado remete às ‘poulaines’, que eram os sapatos medievais com pontas enormes. No começo do século 19 acontece um revivalismo medieval na Europa e este modelo é novamente trazido à moda. No começo da década de 1980, Dave Vanian da banda The Damned buscou inspiração nas histórias de vampiros e na moda masculina do começo do século 19. É assim que o modelo vai parar nos pés da subcultura. 

Lá por 1380, na era medieval, os sapatos muito pontudos eram chamados de ‘poulaines’ e chegaram a ter até 30 cm de comprimento, tendo uma sola de madeira para poder manter a ponta sem estragar ou perder a forma. Quem usava esse modelo com as pontas em tamanhos mais extremos eram os homens de classe alta, por não fazerem trabalho pesado. 


E como o western / cowboy foi parar na subcultura gótica? 

As botas de cowboy são um modelo de bota de montaria, são criações do século 19, tendo origem nos desertos do oeste dos Estados Unidos, sua função era proteger e manter o pé firme nos estribos durante a cavalgada, o salto evita o deslizamento, o cano alto protege dos matos altos e da água.

Na década de 1980, é fundada a banda Fields of Nephilim, cujo nome foi retirado da bíblia. Se encontra escrito no Gênesis que os filhos de Deus seduziram mulheres da terra e geraram uma raça chamada nefilim. Foram eles que ensinaram aos homens a guerra, a astrologia e a magia. Este mito também está presente nos Evangelhos Apócrifos em que o líder dos nefilim é comparado à Satã. A música ‘Moonchild’, da banda Fields of Nephilim, tem referência ao ocultista Aleister Crowley. Desta forma, as trevas e o misticismo se unem na banda.

Devido ao interesse da banda ao lado obscuro da cultura americana, eles buscaram também referência no oeste dos Estados Unidos. O visual da banda foi inspirado pelos filmes de faroeste do diretor italiano Sergio Leone, um visual cowboy americano de longos casacos de couro, calças e botas de montaria. Um pouco de farinha dava um aspecto gasto e empoeirado às vestimentas e ao chapéu de abas largas. Assim, a imagem do cowboy adentra a subcultura gótica.

A principal diferença do Fields of the Nephilim para outros góticos é a masculinidade. Enquanto na subcultura o visual andrógino masculino é popular e valorizado, o Fields of the Nephilim não tem nada de feminilidade, nada de efeminado… a banda trás o macho, o machismo dark e o cowboy predatório místico.


O que torna a Western Moonchild um modelo peculiar, é essa mistura interessante de elementos da estética da subcultura que vieram de caminhos e referências tão diferentes entre si e tem um resultado harmônico. Outra diferença é que a bota é um modelo que consegue 'neutralizar' o aspecto mais 'macho' das botas de cowboy, embora o salto, o recorte e o bordado estejam lá porém mais observados ao ver o cal~çado de perfil, quando se olha de frente, a maior referência é a da pike.

Se você é uma garota ‘dark’ interiorana, do campo, do sítio, da fazenda ou da cidade, pode ter certeza que o western das trevas existe, e essa bota é a prova disso! 


Algumas peças da coleção Vampire Heart


Postagem em parceria com a loja Reversa


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7 de junho de 2021

O que são tribos urbanas?

"Tribos Urbanas" é um termo popular no Brasil (e na América Latina) devido ao livro "O Tempo das Tribos" (1987) de Michel Maffesoli ter sido a única obra teórica lançada em língua portuguesa sobre pessoas que se unem com base em interesses comuns. 

Post original no instagram: https://www.instagram.com/p/CP1VE2ULV-j/

*Esse post é parte do projeto de comunicação educativa no nosso Instagram.


O termo foi apropriado pela mídia e comunicação (publicidade, jornalismo), popularizado no meio acadêmico, espalhado para a massa e caiu no senso comum. Muitos usam o termo “tribos” fora de contexto, desconhecendo a teoria Maffesoliana.


Existe diferença conceitual entre "subculturas" e "tribos urbanas", elas não são a mesma coisa.


As tribos urbanas estão presentes principalmente nas cidades urbanizadas, enquanto as subculturas podem também existir em áreas não-urbanizadas.

Para Michel Maffesoli, as 'tribos urbanas pós-modernas' seriam grupos de características como: fluidez, transitoriedade, forte ligação afetiva, pertencimento, localismo/proxemia, dispersão, não estáveis e efêmeros.


Por ser um conceito pós-moderno, "Tribos Urbanas" é associada ao neoliberalismo, que precisa de uma ideologia de identidades flexíveis para viabilizar modas consumistas cada vez mais rápidas, por exemplo. 


As tribos não se colocam fora do sistema, fazem uso dele. Usam o consumo a seu favor. É através do consumo de produtos específicos de determinados grupos que desenvolvem uma aparência como parte de sua identidade visual.


A partir do vestuário de moda, afirmam sua personalidade e constroem uma identidade a fim de se relacionarem com outros indivíduos, mesmo que essa aparência seja temporária. 


A intenção é se incluir dentro de grupos sociais primeiramente através do visual, o principal fator que determinará em qual grupo o indivíduo almeja a sua inserção social.


Fonte: KIPPER, H. A. A happy house in a black planet: introdução à subcultura gótica [livro eletrônico]. São Paulo: Edição do Autor, 2008.
MAFFESOLI, Michel. O Tempo das Tribos: o declínio do individualismo nas sociedades de massa. São Paulo: Forense Universitária, 1996b.


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