.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Agosto 2012

27 de agosto de 2012

Moda de Harajuko Invade o Reino Unido

A edição de setembro da edição inglesa da revista Marie Claire, trás cinco páginas falando sobre o sucesso dos estilos de moda alternativa do distrito japonês de Harajuko nas ruas do Reino Unido. Abaixo as scans e a tradução do texto.

Harajuku Hits the UK
Orelhas peludas, vestidos com babados e varinhas de fada... o estilo de rua de Harajuku no Japão é distinto - e que é cada vez mais popular aqui também. No maior encontro de Londres, nós perguntamos: o que faz as meninas locais tentarem o look Lolita?

Legendas da imagem abaixo: Bonecas Vivas: Britânicas obcecadas pelo estilo de Harajuku viajam por todo o RU para assistir o Hyper Japan em Londres.
Mundo das Garotas: A performancer Ruth Matsunaga e a fã de J-pop Lizzie Ooi na maior celebração da cultura japonesa no RU.


Sob a trilha sonora de electro-pop japonês, modelos pulam e caminham na passarela em looks exuberantes. Uma usa orelhas peludas e um Game Boy, outra é pendurado com correntes o suficiente para quebrar um scanner de segurança. Mas rivalizando com desfile, há uma massa de fileiras de público, muitos dos quais viajaram de todo o Reino Unido para participar desta celebração da cultura japonesa (ou J-culture) na London´s Earls Court. Amontoados de vestidos frou-frou e acessórios doces, elas são um mar de cupcakes. "Você parece um cruzamento entre a Barbie e Paloma Faith", digo a uma delas. "Obrigada!", ela diz.
Este é o Hyper Japão, onde as mulheres (e alguns homens) se reúnem todo ano para partilhar sua fascinação com tudo que é japonês, de mangá à J-pop (música pop japonesa), e para abastercer o estoque de Hello Kittys e produtos kawaii. Mas é a moda que toma o lugar central, especificamente os estilos de rua que se originaram em Harajuku, distrito de Tóquio.
Existem vários estilos distintos, mas o mais popular é o Classic Lolita e o Sweet Lolita que é caracterizado por vestidos de saia armada, rendas e babados da Era vitoriana. Depois, há o Punk Lolita, Gothic Lolita e muitos mais. Embora o termo Lolita tenha uma conotação sexual no Ocidente graças ao romance famoso de Vladimir Nabokov, seus usuários afirmam o estilo retrata o oposto. "Para mim, moda Lolita não infantiliza as mulheres", diz Tania Tanzil, fundadora do maior grupo Lolita do Reino Unido, o Frills & Frolics. "Isso me faz sentir mais recatada e elegante do que qualquer outra coisa." Ultrajante e definitivamente juvenil, a moda de Harajuku se originou no Japão na década de 1990 como uma reação às críticas das gerações mais velhas - assim como o punk no final dos anos 1970 (mas com ursinhos de pelúcia ao invés de alfinetes de segurança). No Reino Unido, as fãs britânicas misturam compras de rua com importações japonesas e peças de grife (Vivienne Westwood, com seus babados e acessórios em forma de coração, é a favorita). "No Ocidente, o conceito de fofura não existe", diz Kairi Mori, 23. "Eu gosto do fato de ser brilhante e vibrante, assim como eu." 


Legendas das Fotos abaixo: Fofura e personagens de desenhos,como Hello Kitty, são uma parte fundamental da cultura J-pop.
Felicity Clifton,28, de Romford, proprietária da empresa de acessórios Now, Voyager com sua irmã, Jess: "Importei meu vestido do Japão por cerca de £ 150. Eu me inspiro em estilos de rua de Londres e designers como Mary Katrantzou também, mas eu acho que há tantas tendências agora que as pessoas podem se sentir sobrecarregadas. Com a moda Lolita, você pode investir em peças-chave icônicos e usá-las por anos.


"Mel Philippides, 27, de Croydon, conselheira: "Hoje estou sweet Lolita, que são tons pasteis. Eu era uma moleca quando mais jovem, mas esta é uma maneira de desfrutar de ser feminina e garotinha."

Tania Tanzil, 25, estudante de mestrado: "Eu amo o artesanato e a qualidade das peças Lolita, e o aspecto de modéstia - eu me sinto como uma dama. Os estilos estão mudando - eu vi o Sweet Lolita evoluir a partir de um estilo mais old-school para um estilo mais exagerado. As estampas mudaram de simples cupcakes para arco-íris sobre castelos de sorvete com ursos de pelúcia brincando!"

Kairi Mori, 23, ilustradora, País de Gales: "Eu estou na moda japonesa por cerca de sete anos. Inicialmente, eu estava à procura de estilos de moda para inspirar minhas ilustrações. Na vida real, me visto semelhante à isto mas menos - as pessoas idosas tendem a pensar que sou adorável. Eles sempre dizem "Eu quero beliscar suas bochechas!"
 


Legendas das Fotos: Hyper Japan é uma chance dos amantes da cultura J-pop se encontrarem e compartilharem a paixão pelo estilo.
 
Vief Cornelissen, 24, estudante, Leeds: "Outros estudantes de Leeds amam meu estilo e minha família acha que os vestidos são femininos e únicos. Agora, quando eu volto para casa, meu pai diz: "Vejam, ela é uma obra de arte viva!"

Emer, 24 anos, de Dublin: "Eu sou totalmente diferente disso na minha vida cotidiana - eu não uso maquiagem e meu cabelo é extremamente curto, como um menino. Eu costumava usar Lolita, mas agora que eu estou mais velha eu só gosto dos vestidos, que eu uso casualmente sem a saia ou a peruca."

Ann-Sophie Vermeylem, 20, estudante, Bélgica: "Minha mãe e irmãs acham que [a moda Lolita] é imatura e cara, mas meu namorado gosta e, ocasionalmente ele se veste no estilo também, o aristocrático masculino".





Vale a menção: quem me disse que a Marie Claire UK estava com essa matéria na edição de setembro foi artista plástica e modelo alternativa brasilera Iluá Hauck da Silva. Graças à ela, a matéria está aqui no blog, em primeira mão no Brasil =)

26 de agosto de 2012

História da Moda: Visuais que Chocaram Épocas

Por séculos as roupas distinguiram as classes sociais e era praticamente impossível usar algo diferente do pré-estabelecido. As "bizarrices" da moda atual são leves comparadas com alguns dos estilos mais chocantes do passado - tendências que causaram clamor público, foram consideradas indecentes, decadentes e até mesmo antipatrióticas.
A moda algumas vezes se choca com a moral social prevalecente. Atualmente as mudanças de estilo acontecem tão rapidamente em nosso mundo moderno, que não paramos pra pensar duas vezes sobre elas. Assim, uma tendência de moda nova e radical atual, provavelmente não tem o mesmo valor de choque que teria tido há 100 anos atrás.

Macaronis
Eles ririam da cara do metrossexual atual e o que eles consideram cuidar da aparência. Um grupo de jovens aristocratas britânicos liderou o estilo em meados de 1700. Os Macaronis chocaram e escandalizaram - e se divertiam com isso.

Macaroni: Caricarura
Tudo começou com um grupo de jovens ricos que fizeram a Grand Tour pela Europa depois de terminarem a educação formal. Eles adotaram estilos extravagantes dos franceses e italianos, mas levando todos os detalhes para o extremo. Supostamente, o nome Macaroni surgiu porque eles tomaram gosto pelo macarrão, uma comida italiana pouco conhecido na Inglaterra até então, e eles diziam pertencer ao "Macaroni Club".

Altas, caras e de decoração elaborada, as perucas eram usadas com chapéus minúsculos empoleirados no topo que só podiam ser retirados com a ponta de uma espada. Casacos usados apertados e decorados com rendas, fitas e botões muito grandes. Coletes em estampas berrantes confrontavam meias brilhantemente coloridas. Sapatos estreitos e com exageradas fivelas decorativas. Os Macaronis desenvolveram sua própria forma de linguagem para impressionar, misturando estrangeirismos em francês, italiano, latim, inglês e usando uma pronúncia diferente para o horror de seus pais.
Eles eram um contraste com a moda masculina da época. A moda inglesa havia se suavizado desde o início do século XVIII, era uma alfaiataria simples que se desenvolveu a partir das roupas de campo. Casacos de seda pesadamente bordados e jóias não eram nada práticos para cuidar de uma propriedade rural.


Mas o que também escandalizou foi o fato de que os Macaronis eram obcecados pela moda em primeiro lugar. O século XVIII foi o período em que a moda se tornou de gênero e eles estavam destruindo esta regra. Por uma variedade de razões, naquela época, a palavra "Moda" se tornou um assunto de mulher. Um homem se envolver com tantos enfeites era visto como bobo e efeminado. Ao se envolver com  a alta moda, eles estavam tomando o lugar da mulher, o que foi muito escandaloso.
Mas foi uma moda passageira, a moda masculina rapidamente passou para estilos mais simples defendidas por Beau Brummell - o estilo dândi - que foi uma reação masculinizada ao excesso efeminado da moda Macaroni. Brummell acreditava que vestir-se bem vinha de detalhes impecáveis e da exibição sem ostentação. 


Chemise à la reine de Marie-Antoinette 
Retrato Original
O retrato ao lado chocou uma nação. Maria Antonieta, a rainha da França, já havia indignado os franceses em 1783 com sua opulência; agora ela escandalizava a todos com uma abordagem de roupas mais simples. Tão simples que a nação achava que ela havia posado para o retrato em sua roupa de baixo. A rainha adotou um novo modelo de vestido para combinar com o estilo de vida que ela estava levando em seu retiro privado no campo. O Petit Trianon era situado num recinto do Palácio de Versalhes e lá, várias cerimônias elaboradas da corte francesa foi abandonadas, incluindo a moda.

Maria Antonieta começou a usar um vestido leve, sem forma, chamado de gaulle. Ele era feito de camadas simples musselina, folgado e moldado por um cinto amarrado na cintura. Ele também não tinha os panniers habituais sob a saia, que eram muitas vezes tão extremos que os batentes das portas tiveram que ser ampliados para acomodar os vestidos. De tão leve, o vestido poderia se moldar em torno das pernas, o que era chocante no momento. Ele foi um contraste direto com a moda da corte, que era incrivelmente elaborada e exagerada de luxo. Quando Elisabeth Vigee Lebrun pintou a rainha em seu vestido novo e a obra foi exibida ao público, houve um grande escândalo. A simplicidade e leveza do vestido parecia muito com a chemise, que era uma peça básica usada por todos. Como resultado, o gaulle ganhou o apelido de "chemise à la reine".
Retrato refeito

Mesmo quando foi esclarecido que ela estava usando um novo estilo de se vestir, o furor público não diminuiu, a simplicidade da roupa era vista como um insulto à glória da monarquia, e rainhas francesas deveriam ser um reflexo da grandeza do rei.
O retrato teve de ser refeito, desta vez sem o gaulle mas com um vestido azul. Ela também foi acusada de tentar boicotar os comerciantes de seda franceses. Na época, eles eram uma parte vital da economia do país e, usando tecido importado, a rainha foi acusada de apoiar uma indústria têxtil rival.
Mas, apesar de inicialmente ser acusado de indecente, lá por 1790 as mulheres francesas e britânicas começaram a adotar os vestidos chemise de musselina. Ele foi o precursor dos estilos de moda do início do século XIX, bem conhecidos através das personagens das obras literárias de Jane Austen. 


Terno Bloomer
Ai de uma mulher que mostrasse o tornozelo em meados de 1800! Em boa parte do mundo as saias eram longas para proteger a modéstia de uma mulher, corsets eram apertados e restritivos e usar qualquer coisa remotamente masculina elevaria sobrancelha coletiva da nação - para dizer o mínimo. 
Daí a indignação causada pelo terno bloomer, mesmo que as estas calças compridas fossem amarradas no tornozelo e usadas sob saias longas. A menor aparicão dos bloomers sob a saia era suficiente para deixar as pessoas em um frenesi de desgosto. 
Desenhado por Elizabeth Smith Miller em Nova York em 1851 e defendido pela ativista dos direitos das mulheres Amelia Bloomer, o pequeno grupo de mulheres que os vestia o considerava uma alternativa saudável e racional para as pesadas saias da época. Os bloomers tornavam o andar de bicicleta e outras tarefas da vida diária muito mais fáceis.

Mas a sociedade não estava preparada para mulheres usando calças, mesmo que estas fossem quase totalmente escondidas sob uma saia. A peça se tornou uma declaração política e as usuárias foram atacadsas publicamente. "Bloomer" tornou-se um termo depreciativo, um nome lançado contra as que estavam envolvidas nos direitos das mulheres. As sátiras da época as desmoralizavam e ridicularizavam, caricaturas ilustravam mulheres usando calções e agindo como homens. A sociedade conservadora venceu e o terno bloomer voltou ao guarda roupa. Quando retornou décadas depois, não perdeu seu poder de escandalizar.
A maioria das pessoas ainda achava que estas calças roubavam das mulheres a feminilidade. No início de 1900, eles começaram a ser usados novamente, desta vez sem uma saia por cima. Foram adotadas pelas primeiras estudantes universitárias americanas, mas restrições ditavam onde e quando eles eram autorizados a serem vestidos: basicamente apenas no campo esportivo. 
Apenas na década de 1930 foi que as calças passaram e ser aceitas em outros lugares, mas ainda não eram aceitas na sociedade em geral. O impacto do bloomer foi um legado para que as mulheres pudessem usar roupas que melhor se adaptem às rotinas de sua vida sua diária.


Assim como com os Macaronis, a indefinição do estilo tradicional de gênero foi o que chocou as pessoas. Quando as mulheres adotaram uma peça mais masculina (os bloomers) elas eram vistas como querer ser como os homens, o que significava serem associadas com o gênero de mais poder. Quando os homens queriam se parecer mais com as mulheres - como os hippies da década de 1960 - as pessoas entenderam que eles estavam querendo descer na escala de poder. 

New Look Dior

O New Look
Hoje em dia é usando pouca roupa que muitas vezes se cria um furor, mas não foi o que aconteceu com Christian Dior em 1947 quando ele apresentou sua primeira coleção após a 2º Guerra Mundial em Paris. Chocadas e indignadas, as pessoas o consideraram antipatriótico simplesmente por causa da quantidade abundante de tecido usado para fazer saias longas e volumosas.
 
A guerra tinha acabado, mas vários países europeus ainda estavam passando por racionamentos. No Reino Unido, o governo fez uma ordem de restrição das roupas civis, proibindo o corte desnecessário de pano. Também definiu uma lista de restrições que alfaiates e costureiras tinham que trabalhar, ditando o número de botões, bolsos e da quantidade de guarnição que uma roupa poderia ter. Na época, a moda feminina havia se tornado muito estruturada e masculina, com ombros pontiagudos e influência de cortes militares, o que era um reflexo do trabalho que as mulheres vinham fazendo durante a guerra nas fábricas e nos campos na década de 1940.

Em contraste com tudo isso, o New Look de Dior tinha barras longas e saias rodadas acinturadas. Ele criou a silhueta ampulheta perfeita. Os tecidos usados por ele eram caros demais: cetins, lãs finas e tafetá. Com muitas pessoas ainda lutando bravamente pra sobreviver, o estilo luxuoso era considerado um insulto. Mas o estilista  foi apoiado por fabricantes têxteis que viram
o estilo como uma forma de aumentar seus lucros. O New Look foi também considerado um regresso à silhueta vitoriana, com a cintura fina e ombros suaves,  o que foi interpretado como o envio de uma mensagem para as mulheres: de "retorno ao lar", que muitos governos tentavam impor desde o fim da guerra, e aos poucos estas começaram a abraçar o novo estilo que influenciou a moda da década seguinte, como vocês puderam ler na postagem sobre a moda feminina de 1950



Estilistas atuais ainda citam o New Look Dior, como parte seminal da história da moda. E tanto na moda mainstream como na moda alternativa atual, o estilo retrô que imita o New Look está muito em voga, assim como o estilo de Moda Lolita carrega fortes referências do New Look também.

*Esta postagem foi baseada num artigo do site BBC News - Magazine, chamado "Fashion: History's shocking styles" escrito por Denise Winterman. Traduzi o texto e refomulei os parágrafos com alguns acréscimos escritos por mim.

23 de agosto de 2012

A Moda Vitoriana e Belle Époque na Exposição "Impressionismo: Paris e a Modernidade"

Consegui ir na exposição “Impressionismo: Paris e a Modernidade” que está no CCBB de São Paulo e logo seguirá pro RJ. Não queria ir lá somente para ver um tipo de arte que sou fã, mas também para estudar um pouco de história da moda, afinal uma das melhores formas de saber o que se vestia em determinada época é analisar obras de arte. A exposição pega a época do Early Victorian até a Belle Époque francesa.

Mas não esperem obras ricas em detalhes e com contornos definidos, o Impressionismo rompeu com as regras tradicionais da pintura (oba, rebeldia!) de retratar fielmente a realidade e temas nobres; o foco estava na luz e na cor. Abaixo separei umas obras interessantes na questão da Moda da época.

A primeira obra que se vê  na exposição é a de um de meus pintores preferidos: James Tissot! A obra "The Ball" (1885)  ilustra uma moça num lindo vestido amarelo chegando num evento social.


Na mesma sala, damos de cara com uma das obras mais famosas a retratar um dândi genuíno: a elegância aristocrata de Le comte Robert de Montesquiou (1897), obra de Giovanni Boldini.





Quando pensamos na Era Vitoriana, é comum nos lembrarmos dos trajes pretos de luto. E trajes negros não faltam na exposição! "Portrait of a woman - Mme Georges Hartmann" (1874) de Renoir; "The Wait" de Jean Beraud; "The Dubourg Family" (1878) de Fantin Latour; "Portrait of the Artist's Mother" (1871) de James Abbott McNeill Whistler, "Madame Darras" (1868) - de véu de tule - de Renoir  e "Les Bretonnes aux ombrelles" (1892) de Emile Bernard.
 
 
Lembram do post sobre moda infantil vitoriana? Nas obras abaixo temos exemplo de um bebê em trajes brancos e de um rapaz em roupa de marinheiro.
Adorei: Gustave Coubert fez seu auto retrato (1846) imitando a arte barroca. Já o auto-retrato de Leon Joseph Florentin Bonnat (1855) é um deleite para os olhos.

Cenas da vida: “O Banho” (1867) de Alfred Stevens mostra a mocinha tomando banho de chemise; o Moulin Rouge diverte as pessoas em “Scène de fête au Moulin Rouge” (1889) de Giovanni Boldini e na obra "The Quai Saint-Michel and Notre-Dame" (1901) de Maximilien Luce, dá pra ter uma noçãos dos trajes de várias classes sociais nas ruas de Paris.
E o que vestiam os mais humildes? “Camponesas Bretãs” (1894) de Paul Gauguin e "Peasant Girl Lighting a Fire" (1888) de Camille Pissarro, ilustram trajes camponeses do fim do século XIX.



Espero que tenham gostado das obras tanto quanto eu gostei.

17 de agosto de 2012

Convite para Evento: Revival da Independência do Brasil

O grupo Picnic Vitoriano SP convida a todos para o Revival da Indepenência do Brasil no Desfile de Aniversário do bairro Ipiranga em São Paulo (SP) que será no dia 16 de setembro às 09h.
Vale salientar que este não é um evento do PVSP e sim uma participação do mesmo no desfile cívico do bairro.
Os interessados em participar como população brasileira do Primeiro Reinado (1822-1831) deverão mandar um e-mail para picnic_sp@yahoo.com.br confirmando presença e se responsabilizar pelo traje. Serão aceitos apenas trajes puristas, releituras precisarão de aprovação prévia. No link abaixo encontram-se todas as informações necessárias:

Acesse: Revival da Independência - Todas as Informações 
Se você não pretende participar, está convidado(a) à assistir o desfile!

A pedido do PVSP escrevi um breve texto sobre a Moda Feminina no Brasil do Primeiro Reinado. Lembrando que, embora o Primeiro Reinado tenha sido durante a Era Romântica, devido ao Brasil não ter indústria têxtil, consequentemente não havia Moda no país e os tecidos e fashion plates vinham de navio com meses de atraso, então, os trajes da população brasileira lembravam bem mais os trajes da moda Império do que da Era Romântica propriamente dita, que estava mais presente na elite e na cidade do Rio de Janeiro, a única cidade do país que acompanhava a moda Européia de forma mais atualizada.
Há um tempo atrás também cedi ao PVSP um molde de vestido Império que vocês podem consultar aqui:
Para os rapazes, há um Guia do Traje Masculino 1822-1831.


Curitiba: Picnic Histórico 2012

Foi divulgado o flyer e as informações sobre o Picnic Histórico de Curitiba. Será domingo dia 18/11/2012 a partir das 14h no Parque da Barreirinha.
O dresscode já é conhecido de todos os que apreciam este tipo de evento: vai da Era Medieval até a Era Eduardiana com direito à releituras, inpirações, moda Lolita e moda Steampunk. É preciso levar também seu próprio kit de picnic!
Vocês podem ter acesso à todas as informações  nos links abaixo.

Sob convite da organização do Picnic Vitoriano Curitiba, cedi e escrevi alguns textos de História da Moda que vocês podem ler no link "Moda Histórica", sendo eles Moda na Era Medieval, Moda Vitoriana e Moda Eduardiana. Não deixe de acessar também os textos sobre Moda Renascentista e Moda Rococó de autoria de Denair Kalb.
Em breve, mais textos do Moda de Subculturas estarão lá. Aguardem! =)

Editorial "The Custom of the Country"

Adorei este editorial da Vogue América de setembro que faz um tributo à novelista Edith Wharton com a história de "The Custom of the Country". Além de ser literalmente uma das maiores obras literárias já escritas (tem 400 páginas), mostra um mundo onde a única carreira que uma mulher supostamente deve ter é o casamento. A história conta dez anos da vida de altos e baixos de uma mulher que tem obsessão por ascenção social e troca de marido quatro vezes para se manter sempre no topo da sociedade e claro, muda seus gostos e tipos de roupa pra se adequar. O vazio, o individualismo e a futilidade da protagonista acaba tendo um preço (você terá que ler pra saber hehe). A obra foi publicada em 1913 e o editorial abaixo tem roupas que são releituras e livres interpretações das roupas que se usavam no final do século XIX e começo do século XX. Bem inspirador pra criar trajes de releitura pra eventos históricos. E tem até participação de Elijah Wood.


16 de agosto de 2012

Estilo Alternativo: "Plus Size"!

Como vocês já devem ter visto, a postagem anterior foi sobre Moda Alternativa Plus Size, mais específicamente sobre dicas de moda pra cada tipo de corpo. Neste post separei algumas moças que admiro muito pelo modo como usam a moda alternativa de tamanhos grandes - algumas vezes seguindo as dicas de proporção corporal dada no outro post, outras, esquecendo completamente regras e apostando na atitude. Afinal, uma mulher com atitude suporta qualquer tipo de look, independente dela seguir um padrão de beleza ou não.

Começo com Tess Munster, ela talvez seja a modelo alternativa plus size mais obesa que conheço e se tornou famosa nos EUA por ter sua foto em outdoors espalhados pelo país para a divulgação de um reality show americano sobre mulheres obesas em dieta. Na época da foto, Tess foi entrevistada em revistas como People, Us Weekly e OK Magazine e ela não tinha uma aprência alternativa, mas depois disso parece que ela se libertou e assumiu seu verdadeiro (e livre) estilo!
Reparem que ela tem o corpo maçã com busto, barriga e coxas grandes e o que ela faz é usar saias curtas e marca uma cintura alta pra alongar a silhueta. O legging estampado não a "achata" porque ela usa um sapato combinando e uma saia bem curtinha. Na última foto, ela cria ilusão de ótica de cintura mais fina usando blusa de listras horizontais e saia com volume.
Acho-a lindíssima! Inspirem-se:


Teer Wayde também é modelo alternativa, mas estava em dieta e recentemente disse que saiu do tamanho "plus size". Mesmo assim acho justo citar seu estilo, afinal muitas moças que usam tamanho 42 também apreciam referencias. Ela valoriza seu corpo ampulheta marcando a cintura e usando decotes em V ou U.

Outra modelo alternativa é Kerosene Deluxe, profissionalmente ela faz bastante trabalhos pra cena fetiche e fotos ao estilo Pin-up mostrando que um corpo cheio de curvas também tem muita sensualidade! As estéticas retrô dos anos 1940 e 1950 caem muito bem em gordinhas.

Pouco mais de um ano atrás descobri o "Le Blog Big Beauty" da blogueira francesa Stephanie Zwicky e caí de amores pelo estilo dela. Embora tenha o típico corpo maçã, ela quebra muitas regras de moda (não é o caso das fotos selecionadas abaixo) e... dá certo! Isso porque ela tem muito senso de moda e sabe
combinar de peças.
Na 1º foto, reparem como o estilo 1920 fica ótimo neste e corpo e, esperta, ela combina o tom da meia com o sapato para alongar. Novamente o uso de saias curtas pra alongar e na 5º foto, a saia longa não achata a silhueta porque a cintura está super alta e a meia é da cor do sapato.
 

E finalizando com ela, que ajudou o mainstream a dar às gordinhas e à moda plus size uma atenção maior na mídia: a cantora Betty Ditto!


E aí? Vocês gostaram do estilo delas?

6 de agosto de 2012

Moda Alternativa Plus Size

Plus Size é um termo surgido nos EUA na década de 1970 e nada mais é do que um tamanho extra ou extra grande, específicamente a partir do tamanho  44.
Os obesos por muito tempo foram deixados de lado em se tratando de moda e tendências, mas com o aumento das medidas da população mundial, a indústria têxtil teve de se adaptar à esse nicho de mercado e assim, em anos recentes mais e mais lojas passaram a fazer roupas em tamanhos grandes seguindo as tendências de moda.

Quando falamos de “Moda Alternativa Plus Size”, a carência de produtos para esse público é tão ou maior que na moda dominante. A grande verdade é que nichos de mercado nunca serão abraçados completamente pelo mainstream. Uma grande vantagem é que a maioria das marcas alternativas nacionais trabalha com peças sob medida, então é possível que garotas acima do peso encomendem roupas no tamanho adequado. Porém várias marcas alternativas estrangeiras já apresentam opções de peças em tamanhos maiores produzidas em massa para pronta entrega.
 

Harmonizando a Silhueta
Por causa da largura corporal, as obesas tendem a ficar com a silhueta achatada. Mas existem dicas pra criar a ilusão de uma silhueta mais alongada:
- Tops e Vestidos transpassados disfarçam a barriga e criam cintura, assim como listras diagonais.
- Decote quadrado em busto grande os faz parecer menores, assim como decote em V para bustos médios e decote em U para todos os tamanhos de busto.
- Saias e vestidos na altura de um palmo acima dos joelhos, em formato “A” (evasê), reta ou lápis; se prefere saias longas procure marcar a cintura e usar decotes quadrados.
- Calças de caimento reto com a barra tocando no peito do pé.
- Usar roupas em tons escuros não significa usar só preto mas sim cores em tons fechados.
- Use meias calças em cores fechadas e evite as com estampas e desenhos de renda muito grandes. Mas há como usar meias calças estilosas e ainda assim ter uma silhueta alongada, basta usar salto e saia mais curta.


Proporção:
- Estampas devem ser proporcionais ao seu tamanho. Procure usar estampas na parte menor de seu corpo e deixe as peças lisas pra parte maior. O mesmo vale para as cores claras.
- É verdade que saltos alongam as pernas, mas a grossura do salto deve ser proporcional ao tamanho do seu corpo. Quanto maior em largura você for, mais grosso deve ser o salto.
- Assim como os saltos, a bolsa também deve acompanhar o tamanho de seu corpo, evite bolsas pequenas. Bolsas médias a grandes são ideais.

Apesar das dicas, o importante é você se sentir bem e segura com as roupas que usa. A grande verdade é que você pode vestir o que quiser, quebrando regras, pois beleza é antes de tudo atitude! Vista-se como gosta e use a maquiagem que te agrada. A única coisa que considero ser obrigatório é vestir-se de acordo com o ambiente em que irá. Isso não significa mudar ou eliminar seu estilo alternativo, apenas usar a roupa alternativa adequada.  

Dicas de Moda
Os Formatos de corpo feminino mais comuns são o Ampulheta, Oval (Maçã), Pêra (Triângulo), Retângulo e Triângulo Invertido.


Ampulheta: Neste corpo o ombro tem a mesma medida do quadril com a diferença aceitável de 5cm. Cintura é em média 20cm menor que o ombro/quadril. 
A cintura fina deve ser enfatizada e ao mesmo tempo pode-se chamar atenção para ombros e colo. Esse era o tipo de silhueta desejada na Era Vitoriana e nos anos 1950. Recomendo que da Era Vitoriana peguem apenas o tipo de saia e esqueçam a parte de cima que era muito fechada, já dos anos 1950, podem roubar o New Look completo.

Use:
Tops: cardigãs e suéteres inspirados no anos 1950; casacos ao estilo anos 1930; trench-coats com cintos; blusas regatas, blazers e casacos monocromáticos, tudo levemente acinturado.
Saias lisas ou estampadas em formato godê, evasê ou lápis.
Vestidos envelope/tranpassados ou acinturados como os dos anos 1940 e 1950.
Calças capri; calças de corte reto com cintura levemente baixa.
Acessórios: Cintos finos e médios. 



Evite: decotes altos e fechados ao estilo Vitoriano ou Eduardiano e cava americana, pois eles farão seu busto parecer maior e tirar a atenção da cintura fina. Evite a silhueta dos anos 1920 que foi feita pra mulheres sem curvas; roupas em forma de trapézio ou túnicas muito soltas que criam volume na cintura e no quadril; blazer ou casacos com ombreiras; saias de tecidos muito volumosos; calças justas e afuniladas. 


Pêra ou Triângulo: o ombro tem a mesma medida da cintura ou de 1 a 5cm maior que ela. Cintura menor que o quadril e quadril 10 ou mais cm maior que a cintura. Ou seja, parte de cima do corpo pequena, quadris largos e cintura fina. As roupas devem dar a ilusão de “aumentar” a parte de cima do corpo.

Use:
Tops: blusas acinturadas com ombros bufantes vão equilibrar a largura dos ombros com a do quadril; decote canoa; blusas estampadas e coloridas; listras horizontais; blazers levemente acinturados.
Saias longas ao estilo Vitoriano ou Eduardiano assim como as dos anos 1970; saias evasê com caimento suave e solto; saia lápis em tecido firme que afunile levemente em direção à barra; saias retas preferencialmente em tons escuros.
Vestidos em formato A (evasê) estilo 1960; vestidos estilo Império.
Calças de cores escuras e corte reto; calça risca-de-giz  com linhas finas.
Acessórios: Brincos, colares, pulseiras volumosas e broches chamam a atenção pra parte superior do corpo.



Evite: regatas de alcinha; frente única ou cava americana, que diminuem ainda mais os ombros; evite cores escuras na parte de cima quando estiver com a parte de baixo na cor clara; muitos detalhes na região do quadril; bolsos em saias ou calças com algum tipo de decoração ou bordado; comprimentos de saia e vestidos entre os joelhos e a panturrilha; saias plissadas; saias bufantes; tecidos grossos e pesados na parte de baixo; jeans super justo; cintos largos ou muito fininhos no quadril.

 
Maçã ou Oval: ombro menor ou igual à cintura, a cintura é igual ou maior que o quadril; e o  quadril ao menos 10cm maior que cintura. O corpo maçã costuma ter busto, barriga e coxas grandes. A dica é criar a ilusão de uma linha corporal mais longa/alta.
As roupas devem chamar a atenção para o colo e pescoço. Evite cobrir todo o corpo, quanto mais pele você mostrar, melhor. Uma das formas é usar decotes, mangas curtas e saias curtas + saltos. Usar tecidos de caimento suave e solto e looks monocromáticos.

Use: Roupas de épocas que não enfatizam tanto a cintura como as dos anos 1930, 1960 ou 1970.
Tops: decotes em V ou U; mangas aos estilo dos anos 1960; túnicas; camisas de botões verticais. Jaquetas
podem ser curtas pra criar uma "quebra" na silhueta simulando cintura.
Saias curtas e retas, sem pregas e com cós na cintura.
Vestidos retos e soltos de comprimento suave como os de esilo Império que dá ilusão de que seu tronco é mais fino e longo.
Calças de pernas retas ou pantalonas.
Acessórios: sapatos e sandálias altas e do mesmo tom da saia, meia calça  ou calça. Abuse de colares, brincos pesados ao estilo 1920 ou 1980 chamarão atenção para seu rosto e não para sua barriga.


 
Evite:
Regatas com alças finas, blusas que marcam o abdômem, blusas muito fechadas, roupas com listras horizontais, blusa por dentro da calça; saias com muito volume na barriga; vestidos anos 1950 ou que tenham qualquer tipo de volume na área;  calça legging escura deixa a perna muito estreita e realça a barriga; tecidos volumosos. 



Triângulo Invertido: A medida das costas e dos ombros é geralmente maior que a medida do quadril. Ouem tem esse formato de corpo precisa “criar” uma cintura, chamar a atenção para o colo e diminuir visualmente os ombros usando volumes na parte de inferior do corpo.

Use:
Tops: decote em "V" estreito e profundo, blusas de cores escuras e estampas pequenas ou verticais, modelagem blusê, blusas transpassadas. Blazers e casacos de lapela estreita e abotoamento simples.
Saias evasê, envelope, godê em tons claros ou com estampas grandes para dar ilusão de aumento nos quadris;
Vestidos godê, evasê, drapeados;
Calças com volumes, bolsos, estampas; modelagem reta ou pantalona.



Evite: saias retas e lápis; calças justas (cigarrete, skinny), blusas com ombreiras ou mangas bufantes, frente-única, tomara-que-caia


Retângulo: ombro igual à cintura  ou 1 a 5cm maior que ela,  cintura 1 a 10cm menor que o quadril, quadril mesma medida do ombro com diferença aceitável de  5 cm. Como ombros, cintura e quadril tem praticamente a mesma medida, é preciso dar foco à cintura ou ombros.

Use:
Tops aos estilo 1940 com ombros largos. Vale realçar ombros com ombreiras, mangas bufantes, pregas, blusas blusê, casacos ¾ ou 7/8 e blazers acinturados.
Saias retas, evasê, godê estampadas de cintura levemente baixa
Vestidos estilo anos 1920, vestidos largos como os de 1970, vestidos evasê (1960), vestidos enviesados (1930), vestidos tubinho.
Calças retas, bermudas retas e cintura mais baixa;
Acessórios: todo modelo de cinto para criar uma cintura.


 
Evite: saias lápis pois são retangulares como o corpo,  mini saias quadradas; roupas largas. 

Roupa de baixo (underwear): são importantíssimas pra quem está acima do peso. Sutiãs que sustentam seios grandes e bermudas que disfarçam imperfeições são ótimas pra quem não dispensa saias ou vestidos. Outra opção é usar body ou corsets como underwear, especialmente os underbust. Há linhas específicas de corsets para serem usados como roupa de baixo em marcas brasileiras.



Moda praia: os modelos de maiôs ou biquínis retrôs ficam muito estilosos em obesas, pois normalmente o busto é bem sustentado e a calcinha é de cós na cintura e lateral larga. Se optar por maiôs modernos, os cavados alongam o corpo. Use estampas proporcionais ao tamanho de seu corpo, de preferência de tamanho médio e fundo escuro. Recortes ou listras verticais ou na diagonal criam ilusão de ótica e afinam. 



Cabelos e acessórios são áreas que você nunca deve esquecer! Eles chamam a atenção para seu rosto, desviando o olhar. Você pode usar os acessórios que desejar e por mais careta que seja sua roupa, são eles que vão dizer à qual tribo de estilo você pertence. 



As imagens foram pegas das lojas: www.dominodollhouse.com, www.torrid.com, www.pinupgirlclothing.com.
Fontes consultadas para os textos do formato do corpo: www.dzai.com.br, www.fatorestilo.com, www.oficinadamoda.com.br, www.dicasdemulher.com.br, voutecontar.ne.

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