.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Estilo: Baby do Brasil

12 de fevereiro de 2014

Estilo: Baby do Brasil


"Todo mundo acha que crente tem que ser feio, pobre e morar longe. Eu estou dizendo que cristão pode ter cabelo roxo, roupa muito louca, unhas coloridas e o coração cheio de Deus, cheio do bem".


O Moda de Subculturas amplia seus horizontes sobre a abordagem dos alternativos. Hoje, decidimos falar sobre o estilo da cantora Baby do Brasil. Ela não pertence à uma subcultura específica, mas tem um estilo pessoal nada padrão e super autêntico. Baby se tornou evangélica no fim da década de 1990, criou a própria igreja e virou "popstora". Muitos achavam que ela ia abandonar o estilo e usar roupas conservadoras, o que não ocorreu.

Cabelos
O sonho de criança de Baby era ter o cabelo azul. Tudo porque ela cresceu vendo o desenho da Branca de Neve e seu cabelo preto azulado.
Um dia, quando estava nos Estado Unidos, ficou fascinada pelo cabelo roxo de uma moça, abordou a mulher e perguntou onde ela tinha comprado a tinta. Não deu outra! No fim dos anos 1970 Baby já havia tingido os cabelos de roxo, rosa, azul...

Barrada na Disney
Ainda no começo dos anos 80, a cantora e Pepeu Gomes foram impedidos de entrar na Disneylândia porque os cabelos coloridos chamavam atenção demais, o que deu origem à canção "Barrados na Disneylandia: 
Eu estava grávida de sete meses do meu quinto filho e fui com o Pepeu toda colorida, do cabelo até os pés, para a Disney. E, quando estávamos para entrar, vi um carrinho tipo uma prisão, era tão bonitinho que eu pensei ser um carrinho qualquer do parque. O cara começou a falar inglês comigo e eu não entendia nada. Uma pessoa traduziu para mim e disse que estávamos sendo barrados por chamar mais atenção do que os brinquedos do lugar. Adorei! Me acabei de rir!"
Naquela época, o cabelo estava metade verde e metade rosa, suponho que algo parecido com o que vemos na capa do álbum "Cósmica" de 1984.

Reparem também na foto as unhas, uma cor diferente da outra. 
Baby era à frente de seu tempo.


Numa entrevista para o site da Lilian Pacce, Baby diz:
 “Fui eu quem trouxe a cor (roxa) para o Brasil entre a década de 70 e 80”. Depois, Baby tingiu apenas as pontas do cabelo de azul bebê, mantendo a antiga cor na parte de cima. Segundo ela, a mistura representava uma fase importante da sua vida, mix de experiências e sentimentos: “A alegria da gravidez com a satisfação do sucesso profissional”. Em seguida, a cantora optou por deixar as madeixas completamente azuis, dessa vez em um tom diferente. Pra ela, isso transmitia a imagem de uma personalidade quase séria. Por último, Baby pintou os fios de violeta, cor que ela diz ter sido um aviso divino: “Ouvi que devia ser assim”. Descobriu na sequência que essa é a cor dos antigos sacerdotes e já mantém por 5 anos.



E por que cabelo colorido? 
Ela diz que é porque gosta, cores lhe dão inspiração. Baby tinge o cabelo com frequência, pois o pigmento desbota e mancha, fazendo com que ela só use travesseiro na cor violeta: "...sei que em um mês terei várias tonalidades, porque vai tingindo a cadeira, a casa, tudo…(risos). Como gosto da cor mais escura, passo o pigmento de 15 em 15 dias. Mas não tenho uma vaidade de terceira dimensão em cima disso. Esqueço de raspar a perna, de fazer a unha..." 



Roupas
E não foi apenas os cabelos coloridos que Baby manteve com o passar dos anos, o estilo também. Baby deixou o estilo hippie e tropicalista que tinha bem no início de sua carreira de lado e passou a usar roupas ecléticas, muitas com elementos alternativos, do punk e do rock. No começo dos anos 2000, Baby vestiu um macacão de vinil numa homenagem à Cazuza. Isso bem antes de o vinil se popularizar no mainstream (na época, ele estava restrito à cena alternativa) e Ivete Sangalo usar um. 


Ao olhar as fotos abaixo, com as roupas que Baby usa atualmente, caímos naquela questão abordada no post "Adultos e Moda Alternativa": existe roupa "pra jovem"? Existe limite de idade para se usar o que gosta? Ou quem impõe esse limite são os outros?  
Baby tem 61 anos, claro que por ser uma artista é BEM mais fácil manter a alternatividade, mas acredito que ela possa inspirar muitos de nós a não perder nossa autenticidade por mais que os anos passem.


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Artigo das autoras do Moda de Subculturas.
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5 Comments

  1. Não me ligo muito na musica dela, mas desde criança gostava do jeito que ela se vestia, era como uma inspiração, uma forma de mostrar que não importa quantos anos vc tem, se esse é seu estilo e te faz feliz se vestir assim é isso que vale. To me vendo, com a idade dela vou ta me vestindo assim mesmo, ate o cabelo vai continuar roxo.

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    1. Essa foi a intenção do post @Anônimo. Independente de estilo musical e religião, mostrar que é possível uma pessoa se manter autêntica e verdadeira ao seu estilo ao longo da vida. Se a pessoa é feliz se vestindo assim, porque não continuar? =)

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  2. SEmpre admirei o estilo dela,apesar de não curtir muito a musica que ela faz,acho q ela e a Elke Maravilha
    sempre quebraram padrões,pois sempre estiveram na midia e sempre foram autênticas.
    E eu acho q a pessoa tem que usar oq ela gosta,oque a faz feliz,a vida é uma só,algumas pessoas dão muito valor a roupas e estilo,usam qualquer coisa e estão de boa,já para outras existe essa necessidade de se expressar e gostam de estéticas diferentes,então usem e sejam felizes.
    vc me conheçe e sabe q eu faço parte dos 3 fatores:sou cristã,já tenho uma idade avançada rs,e uso oq me faz feliz.

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  3. O estilo dela é legal pra caramba e ela é bastante criativa para se vestir, o triste é que ela andou falando umas coisas muito homofóbicas por aí. :(

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    1. Aline, muitas religiões são contra a homossexualidade. Por isso mesmo nós focamos no estilo único dela e no fato de ter sido uma das primeiras - senão A primeira- a usar cabelo colorido aqui. Isso é o que é interessante para nós que estudamos moda alternativa.

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