.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Minissaia: a peça mais revolucionária da moda completa 50 anos!

21 de julho de 2014

Minissaia: a peça mais revolucionária da moda completa 50 anos!

Por alguns ela (ainda) é considerada vulgar, indecente e deselegante. Mas o fato é que ela já se tornou um clássico da Moda. Uma peça de roupa que incomoda tanto só poderia mesmo ter nascido e se firmado entre os rebeldes: a mini saia! Nós, que já nascemos acostumadas à elas, talvez não imaginemos o quanto as minis foram revolucionárias.

Uma breve história
Após a segunda guerra mundial, a chamada geração Baby Boomer vivia numa Londres de efervescência cultural e de mudanças de costumes. O rock n' roll, a psicodelia, a pop art e os hippies eram alguns dos movimentos que surgiam. A jovem inglesa Mary Quant (que completou 80 anos em 2014) é considerada a criadora* da mini saia. Mary era fã do carro "Mini" e por isso a saia recebeu este nome. Desde os anos 1960, devido à Swinging London, Londres é considerada a capital da cultura pop e da moda para o mundo todo!
* o francês André Courrèges, inventor do vestido trapézio, também é considerado o criador da mini saia. Em 1965 ele lançou a "Mod Collection". Yves Saint Laurent e Pierre Cardin também fizeram coleções com a mini na mesma época.

Mary Quant diz que foram as próprias garotas de King's Road que inventaram a peça, que era fácil de vestir, simples e juvenil. Você poderia se mover livremente, pular e correr atrás do ônibus. Mary diz que apenas começou a fazer a barra na altura que as garotas queriam: bem curtas!

Mary Quant nos anos 60 e atualmente

Naquela época, havia todo este espírito libertário no ar, as mulheres revelaram seus joelhos e coxas pela primeira vez, o que foi visto como um sinal de rebeldia e emancipação.

Twiggy, modelo símbolo da Swinging London, viva com minis! O corpo magro entrou em voga para as mulheres da época para contrastar com os corpos rechonchudos de suas mães e avós. Um rompimento com as gerações anteriores consideradas antiquadas. Uma nova geração, novos hábitos, novo corpo!



Coco Chanel, uma mulher que em sua juventude foi à frente de seu tempo, quem diria, não aprovava as minis! Atualmente, a marca Chanel tem Karl Lagerfeld como diretor artístico desde 1983, e ele é um especialista em saias curtas. Karl cutuca, dizendo que Chanel, aos 80 anos, estava fora de moda e não entendia os anseios da nova geração! Outros dizem que ela não gostava de ver jovens no comando da Moda da época...

A Revolução
Antes da mini saia, a roupa era usada para esconder as mulheres de "apetites" masculinos, só que tais roupas não eram práticas e dificultavam os movimentos. A mini vinha como uma opção rápida e prática de se vestir, tornando a moda  mais divertida e decretando a morte da austeridade convencional.
Símbolo do feminismo da época, a mini saia, era uma forma de se rebelar, de reivindicar a sensualidade e a sexualidade. Isso, é claro, desagradava os pais das garotas que as proibiam de usá-la. Mas não tinha jeito, elas simplesmente pegavam seus vestidos e os cortavam!
A mini era algo tão novo que quando a peça  chegou aos Estados Unidos não havia um mercado pronto para recebe-la, mesmo assim, a juventude americana estava igualmente fascinada e ansiosa pela liberdade, buscando roupas menos rigorosas e uma elegância ousada.


A saia chegou a ser proibida em países como a Holanda, houveram protestos contra ela na França. Mas também houve protestos de mulheres exigindo o direito de usá-las! Uma peça que ganhou comoção popular porque mostrava um pouco mais do corpo feminino, sempre considerado um "objeto" a ser resguardado, já que os velhos hábitos diziam para as mulheres se vestirem de modo "decente", afinal elas passavam de ser propriedade dos pais para logo a seguir serem dos maridos. Demorou uns bons anos pros tabus caírem, a revolução de maio de 1968 ajudou nesse processo.



A Mini Saia hoje
Pelo fato de ser curta, muitos a associam à vulgaridade, o que de certa forma não é certo. A vulgaridade (assim como a elegância) é muito mais ligada à gestos e atitudes do que à uma peça de roupa específica.
Se nos anos 60, os corpos magros rompiam a geração baby boomer com a de seus pais, atualmente já está mais do que provado que todos os tipos de corpo podem usar a peça, mesmo as mais gordinhas [como mostramos aqui, aqui e aqui].
Usada com leggings ou meias calças, torna-se uma peça menos sexy e ousada, ao mesmo tempo que simboliza uma ambiguidade: liberdade + repressão.

Embora tenha sido um símbolo do feminismo e logo a seguir uma vítima do machismo - é comum dizerem que mulheres não devem usar mini saias porque elas não são peças "corretas" ou "são vulgares" ou ainda que "facilitam o estupro" e mais "n" motivos (todos ruins!) - nos dias de hoje, por ter se tornado uma peça clássica, ela já perdeu muito de suas conotações originais, se tornou uma peça ambivalente e até mesmo de militância, já que o feminismo atual luta pra que mulheres tenham direito de usar a roupa que quiserem sem serem julgadas ou atacadas. 

A Mini Saia nas Subculturas
Ao longo das últimas 3 décadas, a mini saia e as subculturas mantém uma relação estreitíssima! Se na década de 1960, a mini tinha fama de revelar e libertar os movimentos das mulheres e ser parte da cena Mod, na década de 1970 ela saiu um pouco de voga pra dar lugar às saias longas e esvoaçantes.

Mas em fins dos anos 70 e começo da década de 1980, elas retornam ligadas à cena punk e hard rock.

Garotas Punks: Mini saia e meia arrastão.
garotas punks


Catwoman, Poly Styrene e Ari Up: nas garotas punks a saia curta é desconstruída, 
tem influência fetichista e ganha ares agressivos.


Na cena hard rock oitentista, as mulheres assumiam sua sensualidade!

Logo a seguir, nos anos 90, reaparece na moda grunge, com seus vestidos camisola e no estilo Kinderwhore (com referências à moda dos anos 60). A saia curta da época misturava inocência e agressividade...


... no fim da década ganha status de sofisticação, muito bem ilustrada no filme "Clueless - Patricinhas de Beverly Hills". Poder, autoridade e segurança também foram associados à uma super mulher de sexualidade agressiva, popularizada pelo Girl Power das Spice Girls.


Na cena rock mais pesada: Kittie no fim dos anos 90 e no começo dos anos 2000, Amy Lee:


PJ Harvey ousa com uma mini saia de vinil!

Desde a década de 90, Shirley Manson é conhecida por usar saias e mini vestidos no palco.

A punk Broody Dalle, costuma usar calças, mas quando resolve mostrar as pernas usa vestidos de barras bem curtas!



Elas também são muito populares na cena punk atual. Nina Hagen é fã da peça!
 

Algumas mini saias de lojas góticas. Uma mini fica normalmente na altura da metade das coxas, seja ela com cós alto, médio ou baixo. Outra coisa que a caracteriza - especialmente nas saias de cós baixo - é ter entre 10 e 30cm de comprimento.




 Cyber Goth!


Em tempos atuais de retorno à feminilidade, a mini saia nunca esteve tão presente, mesmo na masculinista cena heavy metal já vemos diversas mulheres quebrando as barreiras estéticas da subcultura. Quando as cantoras começam a usar determinada peça de roupa, pouco depois as fãs tendem a imitar o estilo.

Cristina Scabbia, Liv Kristine, Sabina Classen, Sharon den Adel; Angela Gossow (saia curtíssima!), Grog, Liv Jagrell, Lzzy Halle.

E você? Também acha que as mini saias revolucionaram? Gosta/usa a peça?

*Texto feito baseado em pesquisa das autoras do blog. Se forem usar trechos ou como referência, citem o link como fonte pra não ter problemas com os direitos autorais ;)

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12 Comments

  1. Acho mini-saia muito linda.
    Adorei saber a história dela.
    Beijos, fica com Deus!

    www.simplesmenteabia.blogspot.com

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  2. Sempre quis usar,mas como sou muito moleca e não queria mostrar as roupas de baixo,o jeito era ousar menos nos comprimentos hehehe

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    1. Puxa Vivien, existem formas de não mostrar as roupas de baixo rsrs! Já existem calcinhas boxer feitas exatamente pra usar sob saias e vestidos e há a velha e boa bermuda de malha de ginástica. E tem também meias calças, ótimas pra usar nesta época de outono e inverno ;)

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    2. Ah meia calça era uma boa ideia...Mas não sei quanto a bermudas e shorts, pq lembro sempre das freiras do colegio falando "veste um short mininaaaaaaaa!!!!" hahahahahahaha :)

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    3. Verdade! Usar estas peças por baixo é uma espécie de repressão, de certa forma, mas pra mim, que não uso mais calças, são a saída mais prática! ;D

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  3. Vish, eu e a mini fazemos aniversário no mesmo dia u_û Eu sempre quis uma, notei que muitas vezes que quando não curto uma saia em alguém, eu sempre peso: "Poderia ser mais curta" Hehehe, realmente fica boa em vários tipos de corpos ;)

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  4. Concordo que o estilo e as atitudes da pessoa é que influenciam se vai ficar ou não vulgar!!!!
    Ótimo texto!!
    E eu amo minis!!!

    beiJUs
    http://feiffercereja.blogspot.com.br/2014/07/nao-posso.html

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  5. Ótima postagem! Então, de maneira geral gosto das minis, especialmente no contexto gótico e kinderwhore, acho mais delicado e dá uma quebrada no sexy da peça. Eu já fui mais fã de mini saia, tenho umas quatro peças no armário todas larguinhas, jeans, kilt e renda que eu amo. Mas ultimamente nem tenho usado, trabalhando em escolas e sem muito tempo para o lazer elas ficaram encostadas. Mas acho legal as meninas que tem estilo e usam, adorei os exemplos com a NIna Hagen e a Brody. Maria Brink também usa bastante, geralmente acompanhadas de converse e meia 3/4.

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    Respostas
    1. Também acho lindo na cena gótica e kinder!! Mas não desiste delas, uma hora você consegue desencostar =D

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  6. Outro exemplo super legal das mini saias foi a popularização no geek style, que mesmo sendo minis são sempre montadas com peças mais delicadas e sóbrias, mantendo o jeitinho nerd de ser :3 eu acho um amor. Mas sabe quando você acha um amor ~nas outras~ ? Faz pouco tempo que deixei a vergonha de lado e resolvi resolvi usar saias e vestidinhos. Eu achava que era muito magricela para saias u.u

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  7. Adoro minissaia. Uso sempre. Antes tinha vergonha por causa das pernas grossas, mas hoje uso justamente por isso. Acho que fica bonito em todo mundo. Só tenho problema em dias quentes com assadura. E nem calcinha boxer resolve :/

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  8. Amo minissaias e amei mais ainda saber a história da peça! Vê como a moda é interessante: uma simples peça tem tanta história, tanta revolução...
    E quanto aos anos 60, há uma tribo que eu acharia muito legal ver uma postagem aqui: Mod. :)
    Bjs

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