.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: A trajetória da Converse nas Subculturas

27 de novembro de 2014

A trajetória da Converse nas Subculturas

Há vários itens marcantes na estética do rock. Assim como o Jeans, o All Star nasceu fora das subculturas, mas se integrou de tal forma que é impossível não lembrarmos dele nos cenários. Hoje, o produto alcança fama no mercado de massa, diz-se que a cada 43 segundos, um par de Converse Chuck Taylor é vendido no mundo. Ainda assim, o espírito alternativo do acessório continua com tanta força, que seu desejo pelo nicho não foi adormecido. Afinal, podemos ilustrar a trajetória das subculturas através do tênis Converse! E é exatamente isso que vamos tentar mostrar nesse post.


O início:
A história do famoso calçado começa nos Estados Unidos, em 1908, quando Marquis Mills Converse funda a Converse Rubber Shoe Company. Mas só em 1917, é lançado o tênis de lona que, segundo o site, "seria o primeiro tênis de performance para basquete do mundo". Nomeado de Converse All Star, logo seria usado pelo jogador Charles "Chuck" Taylor onde cinco anos depois, faria uma longa e bem sucedida parceria ao apresentar em 1923, um repaginado All Star com as clássicas características que conhecemos atualmente. As primeiras cores produzidas seriam preta e depois branca, tons bem tradicionais.

Com o grande resultado dessa união, surgiria muitos mais em seguida, como a do atleta de badminton Jack Purcell, que traçou junto a empresa em 1930, um novo modelo batizado com o nome do jogador, tornando-se um sucesso igual ao de Taylor. 

Ao longo do tempo, versões do calçado iam aparecendo, ganhando diferente cores e formas, a exemplo do oxford lançado em meados de 1960, conhecido popularmente de all star de cano baixo. Em 1974, a marca aposta para o mercado o One Star, desenvolvendo forte interação com os skatistas por ser de baixa performance. As próximas colaborações seriam nos primeiros anos de 2000, entre o esportista Dwyane Wade e o designer de moda John Varvatos. 

Curioso em relatar o percurso é que nesse exato momento fale-se muito da roupa esportiva influenciando a moda mainstream, e justamente o grande destaque dessa interação é o tênis! Ou seja, abordamos o assunto na hora certa.

Nas subculturas:
Devido a ligação com o esporte, o calçado já tinha conquistado enorme popularidade. Então, para penetrar nas subculturas foi um passo, já que o tênis reunia vários itens atraentes aos alternativos, como durabilidade, conforto e preço baixo. Mas ainda assim, precisou do empurrão de ícones da música e do cinema, para enfim adquirir o adjetivo de rebeldia e ser associado a cena. 

A junção surge por intermédio de James Dean. Um dos maiores ícones da contra-cultura, o ator foi fotografado por Phil Stern usando um modelo Jack Purcell em 1955:


Tempos depois, em 1961, Elvis Presley seria visto no set das filmagens de Coração Rebelde calçando um Chuck Taylor:


O cantor americano reapareceria com o tênis, agora mais evidente só que em outro filme, Ele e as Três Noviças, de 1969.


Acreditamos que esses seriam os pontos cruciais para que a calçado penetrasse de vez no alternativo, já que ambos eram referências na subcultura Rockabilly. O que vem em seguida, é uma sucessão de grandes ícones de diversos movimentos surgidos em décadas posteriores.

No final dos anos 60, os Beatles, que se encontravam no auge da notoriedade mundial, também se apresentariam com o tênis americano. Inclusive o modelo faria parte de um momento marcante da banda: o último concerto deles, que ocorreu há exatos 45 anos, no terraço da Apple Records, em Londres.

É visto claramente que na apresentação de 1969, George Harrison usa um Chuck Taylor. Porém, olhando atentamente John Lennon, o cantor parece calçar um par de Jack Purcell:

Essa não seria a primeira aparição de ambos calçando Converse. Lennon e Harrison eram usuários frequentes no final da década. O guitarrista utilizaria o tênis por toda a vida.

Imagens de Lennon em 1967:

Harrison em 1969. O músico usa Jack Purcell e na foto à direita, veste um Chuck Taylor bicolor:

Mais velho, o ex-Beatle ainda usava o calçado:

Em 1971, Mick Jagger aparece utilizando a peça no seu badalado casamento com Bianca Jagger:

Em meados de setenta, o tênis Converse se perpetua mais ainda por uma subcultura que conseguiu externalizar de forma tão contundente a sua rebeldia. Antes de chegarmos nela, passamos pelo Glam Metal, que nos chama a atenção por uma apresentação específica do New York Dolls no programa Top of the Pops de 1973. O guitarrista Johnny Thunders parece usar uma versão salto anabela Chuck Taylor. 

O calçado de Johnny Thunders seria o primeiro modelo de salto??? Fica aí a questão.

Um par semelhante de Thunders surge nos pés da personagem de Garth Avery em Taxi Driver, de 1976: 

Após a curiosidade, chegamos ao cenário que mais se lembra a Converse: o Punk. Ou mais especificadamente: os Ramones. Só que existe um fato controverso aí. Parece que de início, a banda não usava tênis da marca. Analisando a imagem do primeiro álbum, só os pés de Dee Dee causam dúvida se está usando ou não um Jack Purcell, já os outros integrantes fica bem claro que estão com modelos de empresas concorrentes.


Mesmo com a incerteza no princípio, logo se dispersa quando Marky Ramone entra na banda em 1978, para substituir Tommy na bateria. O músico nunca tira seus pares Chuck Taylor pretos. 


Com o tempo, Dee Dee Ramone também assume seus Chuckies:

A banda depois com C.J. Ramone:

Além do famoso grupo punk nova iorquino, outros da mesma época fizeram jus a fama do icônico tênis. Estão nomes como The HeartBreakers, The Voidoids, The Replacements, The Avengers, Devo, The Dictadors, Dead Kennedys e muitos mais.


O sucesso é tão significativo que atravessa fronteiras. O punk britânico também sofre influência e assim encontramos facilmente pés adornados por Converses.

Os Sex Pistols eram grandes fãs e sem dúvida foram um dos que ajudaram a impulsionar ainda mais o calçado no movimento, já que a ascensão deles na mídia proporcionou uma rápida difusão de sua estética.

Chuckies eram os favoritos dos integrantes Steve Jones, Paul Cook e Sid Vicious:

Além deles, Joe Strummer do The Clash:

Jimmy Pursey do Sham 69:

Indo mais longe, a banda australiana The Saints:

É nessa fase também que se destaca o uso do acessório nas mulheres. Talvez não fossem as primeiras, mas no punk feminino de 70, encontramos com mais facilidade imagens das garotas do rock adornadas de Chuckies. Há de se lembrar que boa parte do figurino das punks era "emprestada" dos homens.

Joan Jett que fez do calçado uma marca registrada de sua estética:

Veja que na campanha de sua primeira coleção de roupas, o tênis não ficou de fora:

Assim como Jett, a guitarrista do The Slits, Viv Albertine com seus chuckies:

Atravessando gerações; Nina Hagen, Pj Harvey, Miki Berenyi:

E Brody Dalle:

Apesar da baixa em 80, o Punk voltaria ao ápice na década de 90 devido ao Grunge. O All Star surge mais velho, sujo e surrado do que nunca! E já com força nos pés de todos os gêneros.

Nirvana:

Kurt usou muito o calçado. Numa fase de extrema pobreza do cantor, chegou a ser um dos únicos pares que tinha. O tênis acompanharia o músico em vida, mas também na morte:

Mudhoney:

Alice in Chains e Eddie Vedder:

Sonic Youth:

Bikini Kill:

Apesar desse conhecimento, seria injusto colocar só o Punk como a única grande referência do calçado nas subculturas. O produto ultrapassou todas as barreiras e é visto com bastante evidência também no metal. 

Os irmãos Young do ACDC, que usam Chuck Taylors até hoje:

Dimebag Darrel do Pantera não vivia sem o seu. Tanto que a estátua em homenagem ao músico usa o modelo:

Type O Negative e Slash:

Membros da banda de Doro Pesch:

Sonic Syndicate:

Candace Kucsulain:

Crucified Barbara:

Shirley Manson, Anette Olzon e Krista Kat:

 Maria Brink e Lzzy Hale:

Amy Lee:

No Brasil:
É fato que com a popularização da Converse no rock americano, todos os países que adotaram as subculturas teriam entre suas referências de vestimenta o calçado. No Brasil não seria diferente. 
A gente sabe que vários artistas usaram e ainda usam o tênis, por isso vamos pontuar só algumas fases. Ao que tudo indica, o All Star chegou por aqui nos anos 80, mas conseguimos encontrar imagens de Sérgio Dias no final de 1960 com um modelo de vinil, fabricado na mesma década. Supõe-se que o músico tenha adquirido o produto no exterior. 

Sérgio Dias com os Mutantes no final de 1960:

O calçado ainda continua sendo utilizado pelo músico:

Vale lembrar que além de Dias, Rita Lee é uma grande usuária da peça e assim como Joan Jett, o acessório tornou-se marca de sua estética:

Aportado no país em 80, a conexão imediata não seria estranha. A eclosão do punk brasileiro logo faria do calçado integrante do movimento, vide a imagem da banda Inocentes em 1986:

Como revelado em show, Cássia Eller tinha predileção por um all star azul marinho. Em homenagem a cantora, Nando Reis escreveu a famosa canção All Star, demonstrando todo seu amor pela artista:

Representando a geração atual, a cantora Pitty:

Em 2008, a Converse completou 100 anos e lançou uma incrível campanha para comemorar a data. Chamada de Connectivity, as imagens reuniam artistas de diversas épocas e subculturas conectados pelo calçado. 


O vídeo da comemoração mostra artistas como Julian Casablanca, Pharrel Willians, N.E.R.D e Santogold cantando My Drive Thru.


Não é de se surpreender a participação de Julian já que o cantor junto ao The Strokes sempre apareciam usando modelos da marca. Ele só se tornou garoto-propaganda mais oficial, digamos assim.

The Strokes:

Mudança em 2000:
Em 2003, houve uma enorme alteração na companhia. Chegando a falência por não conseguir mais competir no mercado, foi comprada por uma de suas concorrentes, a Nike. Desde então, a empresa passou por uma mega revitalização, desassociando o tênis do basquete e reforçando como um calçado de estilo de vida. 

Quem assistiu o vídeo da Cássia Eller citado acima, reparou que ao mencionar a peça, a cantora o chamou carinhosamente de "tênis baiaba". Antes de 2003, o all star era um tênis meio que de segunda, até amaciar machucava horrores, seu preço era bem baixo, entre vinte e trinta reais. Só pessoas que tinham contato com exterior - seja pela música, viagens, etc - é que conheciam o tamanho de seu nome. 

Após a Nike comprar a empresa, a diferença ficou evidente. Hoje no varejo já existem milhões de Converses, o estilo que você quiser ter, inclusive customizar, pode-se obter. Não à toa, dependendo do tipo que você escolha, tem que vender um rim para se ter. 

Mas foi com essa visão que o calçado disparou e se embrenhou na cultura mainstream. Parcerias com grifes de moda como Missoni e Maison Martin Margiela mostram o investimento que tem sido feito para atualizar o tênis com as últimas tendências.        

Dentre as subculturas nascidas na década de 2000, nós podemos citar como adeptos dos Converses os emos e os Scene Kids. Abaixo, a Scene Queen Audrey Kitching  divando com um modelo azul escuro nas ruas de Tóquio, com um de plataforma e outro modelo repleto de spikes!


A estrela japonesa Kyary Pamyu Pamyu com sua versão plataforma, mostrando o alcance do acessório:

Mais Converse plataforma na moda de rua do Japão...

Independente de ser alto ou baixo, é bem interessante notar como os Converses conversam superbem com a estética ousada da moda de rua japonesa! Pra quem pensava que eles soam comum demais num look, taí a prova que não.


Devido a reprodução infindável nas ruas, a marca vem se modernizando ao máximo para atender os anseios de seus consumidores, ficando de olho em quais formas se sobressaem. Além dos pés, tem sido investido em roupa. Não há ainda um grande mix de variedade, mas se observa a vontade de crescimento por outras produções. Veja que dentre as peças vendidas está a jaqueta Varsity, um modelo superpopular na América desenvolvido em 1855 aos atletas da Universidade de Harvard e que estão de volta com força na última temporada internacional de Primavera/Verão 2015.

Jaqueta Varsity; um, dois e três:

Olhar todo o legado da Converse nas subculturas, nos faz refletir que diante das inúmeras brigas infelizmente propagadas entre alternativos, o calçado envolveu os pés de todos sem o menor preconceito e distinção. 

E aí? O all star também faz parte da história de vocês???


* Artigo original do Moda de Subculturas. Para usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos, achamos gentil linkar o artigo do blog como respeito ao nosso trabalho. Tentamos trazer o máximo de informações inéditas em português para os leitores até a presente data da publicação.
Todas as montagens de imagens foram feitas por nós.
Fotos: Google, Pinterest e Converse.
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9 Comments

  1. com certeza faz! hoje em dia eu não tenho nem um, mas na adolescência usei de mais, na época ter um all star era um dos poucos jeitos de mostrar q se fazia parte de uma subcultura, já que só os rockeirinhos usavam por aqui, bateu uma nostalgia danada esse post hehe :D

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    1. Verdade Nayara! A gente usar Converse era meio que um "sinal" que você era alternativo :D
      Nostalgia... me dá é vontade de ter uma coleção kkkkkk

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  2. Caramba, que post legal!
    Eu tive um All Star cano altíssimo preto que usei por um bom tempo. Na época era tão dificil achar um coturno de cano alto que me servisse, que quando bati os olhos nele resolvi que seria a solução. Mas como me machucava os pés!!!! O jeito foi vender o tênis para uma amiga que usava um número abaixo (e que o calçado não machucava) e juntar $$ para comprar coturno.
    Hoje já tem tantas imitações por aí, que eu já me enganei muitas vezes. O All Star ficou tão salgado para alguns, virou uma "grife de tênis", que dele só ficou mesmo o modelo com a biqueira de borracha e o espírito transgressor, porque o preço...
    Queria ver um post sobre aqueles tênis famoso loucos dos anos 90: o Adidas de maconha, o Rebook de couro tipo botinha...um túnel do tempo! hehehe

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    1. Eu nunca tive do altíssimo! Quando eu resolvi comprar um, a "Nike" colocou o preço nas alturas!
      Olha, All Star de cano alto não tem problema comprar número maior. Pq não tem como ele cair do pé! E também dá pra usar com palmilha de meio número.
      O Rebook ainda é usado no Rio Grande do Sul, sabia? Um ano que fui lá quase comprei um kkkkkk
      Bjsss

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  3. O all star me acompanha desde a infância,companheiro para todas as horas,uso até rasgados com dó de jogar fora,rsrs!Tinha 7,incluindo um de cano longo preto,dois rasgaram a ponto de não poder usar mais,só que eu os usei rasgados até abrir,é muita história pro trás de um tênis......

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    1. Ai que legal, que você usa desde criança!
      hahahaha pô mas usar rasgado e detonado é muito troo!! Aí é que fica legal! :D
      bjss

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  4. Aiai,Sana...foi mto gostoso ler esse post,me lembrou de quando eu só usava all star,tinha uns 5 pares,1 de cada cor,e dei conta de destruir todos de tanto usar! haushuahs E quando minha mãe conseguiu me dar o de cano alto?! que vitoria na vida, usava com uma saiona gode dela,ficava show, me sentia a amy lee baixa renda! haushaus
    Hj só tenho 1 vermelho,desses de cano "medio",mas sinto falta de ter 1 todo preto. Mas como hoje eu trabalho,acabei tendo acesso a outros sapatos (creeper-amooo-,coturnos,sandálias de verão não muito delicadas),e acabei deixando de lado essa fissura pelo converse...Meus filhos já tem seus all starzinhos, meu filho mais velho já tá no seu terceiro par!
    e é como a Nayara disse ali em cima: all star é o primeiro "passo" de quem se interessa pela estética das subculturas...com o tempo vc vai lapidando seu estilo, mas é ele que abre os caminhos...
    Lindo post,pra variar!
    Beijosss!

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    1. All Star bom é All Star destruído! :D
      "Amy Lee baixa renda" kkkkkkkkkk pôxa eu ainda acho lindo até hoje o de cano alto com sainha!! *_*
      Com certeza, ele tem essa imagem extremamente associada à subculturas e acho que todo mundo que começa a se interessar por elas logo adquire um par!
      Obrigada (agradeça à Lauren principalmente!)
      Bjs!!!
      Bjsss

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  5. Que post lindo!!! Meu calçado favorito!!!! Como fiquei feliz quando ganhei um, nossa foi muito bom. E amei mais a ainda o texto por ter os meus meninos do ACDC!!!!^^ Duas coisas que amo em um texto, impossível dar errado. Parabéns pelo post!

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