.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: A primeira negra na capa da revista Gothic Beauty

10 de março de 2015

A primeira negra na capa da revista Gothic Beauty

A modelo Dolly Vicious acabou de fazer história. Se tornou a primeira negra a ser capa da atual edição da revista americana Gothic Beauty.


 Dolly Vicious tem 26 anos e começou a modelar em 2009.
Já fez fotos pra diversas lojas alternativas.


O fato é que, sendo uma revista mundialmente conhecida na cena, a Gothic Beauty, fundada no ano 2000, demorou 15 anos (!!) pra colocar uma negra em sua capa. Em 2009, na edição número 28, Amanda Tea se tornou a primeira negra a estar nas páginas da revista. Isso porque a própria, decidiu escrever para a publicação questionando o fato de nenhuma afro americana ter estampado as páginas da maior revista gótica do país. Assim, o editor decidiu publicar algumas fotos dela e uma pequena biografia.

 Amanda em 2009, nas páginas da revista e em trabalhos recentes como modelo:

A veneração da palidez na subcultura Gótica tem diversas razões não raciais, uma delas é o desejo de aparentar como um cadáver/vampiro. Quem tiver interesse em se aprofundar no assunto, esse texto da Gothic Station é uma ótima referência de leitura. 

Eden Lost, entrevistada na matéria
Voltando à edição recente da Gothic Beauty, a revista entrevistou três góticos negros. A modelo e estilista Eden Lost, Vincent  Alexander (dono de um clube gótico) e a escritora e atriz Lary Love Dolley, da qual são indagados se preferem ser chamados de "Afro Goths" ou de apenas "Góticos". Os entrevistados dizem que o termo é um grande leque que une góticos negros assim como o Afro Punk, mas que não é um rótulo definitivo. 
Na matéria, os entrevistados também falam sobre as críticas que recebem de outros negros por "ouvir música de branco" e de serem acusados de "tentar serem brancos" por não abraçarem sons normalmente associados com a raça, como reggae ou hip hop. E a mesma estranheza ocorre do outro lado: brancos que os encaram por não viverem o estereótipo da pessoa negra. Eden relata que se sentiu intimidada no festival WGT quando passou perto de Nazis e outra coisa que a preocupa é o crescimento no continente Europeu do nacionalismo e da extrema direita.

Mas tanto Eden quanto Vincent e Lary, falam da invisibilidade, da dificuldade de ver outros negros na cena gótica mais mainstream. Mas notam que na cena mais underground há um sentimento maior de inclusão especialmente na cena da cidade de Los Angeles, onde tem muitos latinos, asiáticos e mistura de raças. "Nós precisamos desafiar a ideia de que pele pálida é o epítome do gótico" diz Eden. "Precisamos deixar de supor que raças são um indicador do gosto de uma pessoa". "Não somos diferente de qualquer outro gótico, nós só queremos ser aceitos como somos", diz Vincent.

No final da matéria a revista Gothic Beauty anuncia que está aberta a falar e mostrar cada vez mais negros em suas páginas e redes sociais. 
Vamos acompanhar!!


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12 Comments

  1. Só acho curioso como que os góticos negros não podem ser apenas "góticos" como todos os outros, já tiveram que ir inventar um termo específico pra eles: afro gothic. Até incluindo encontram um jeito de segregar. tsc
    Mas, até que em fim os negros estão conquistando um espaço neste nicho. Já estava mais doq na hora.

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    1. Também pensei sobre isso Enoá! Acho que por isso mesmo os entrevistados não consideram nem o termo Afro Goth nem Afro Punk nomes definitivos... mas é de se pensar sim no assunto!
      Sim, passou da hora!!

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    2. Tb pensei isso Enoá!
      Não existe "latin gothic" mas existe o afro? Que coisa mais estranha!

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    3. Louco né? Pelo que entendi eles criaram o termo "Afro Goth" pra ter mais visibilidade, união, já que se sentiam invisíveis na cena. A Lary é dona do tumblr de mesmo nome. Uma pena a matéria ser superficial, eu teria milhões de perguntas a fazer pros entrevistados sobre esse e outros temas!

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  2. Demorou, mas finalmente apareceu!
    Essa modelo é lindona! *-*
    Acho que as revistas alternativas deveriam variar mais nas modelos que estrelam suas capas e páginas. Acaba ficando só uma panelinha que não dá chance para modelos diferente, de lugares diferentes, de "raças" diferentes (não gosto de usar a palavra raça, mas é que to sem outra palavra no momento).
    Eu, particularmente, acho um absurdo essa segregação que existe até mesmo nas escolhas musicais de uma pessoa. Só porque é negro, tem que escutar reggae ou hip hop, só porque é branco tem que escutar gótico ou outro "estilo musical de branco". Ai gente.. para.. a música e a moda estão aí pra romper com essas barreiras. É lógico que temos que valorizar nossas raízes, mas podemos também ir além delas para sermos nós mesmos. Isso não deve ser um limitador ou segregador.. Na minha opinião, isso só fortalece o preconceito.
    Enfim, a matéria parece que está muito boa! E tomara que mais negras apareçam nas páginas dessa e de outras revistas alternativas mundo afora!
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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    1. Mone, eu penso mesmo. Se você olhar as capas desta revista e de outras revistas alts, pode contar nos dedos quantas meninas de olhos castanhos aparecem! Ainda perpetuam sim a imagem da pessoa branquíssima de olhos claros e magra.

      Na verdade a Gothic Beauty não tem as matérias como ponto forte, eu considero as matérias da revista num geral bem fracas até. E esse parágrafo que escrevi no artigo é praticamente O artigo todo da revista pra vc ter ideia rsrs! A revista é boa pra falar de música e um pouco de moda e tem fotos lindas, mas é bem fraca no conteúdo escrito ;)
      Bjs <3

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  3. Já conhecia o trabalho da Dolly Vicious e da Amanda Tea, é incrível! Enfim, é uma honra ter pela primeira vez alguém para nos representar em uma revista alternativa, sinceramente achava que isto nunca iria acontecer... Mas assim como a Enoá, só não entendi porque que os góticos negros são perguntados se eles são afro goths ou goths, todos nós somos iguais... '-'

    Foi o que eu escrevi outra vez em meu post sobre a hipocrisia da cena underground como um todo. As pessoas querem fingir cagar regra e dizer que vai contra o mainstream, mas quando se fala em revistas, de metal principalmente, só tem mulher seminua e sempre dentro dos quesitos do que se diz o padrão de beleza, e o padrão de beleza é totalmente "mainstream". É foda...

    Beijos!

    madessy.com

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    1. Demorou mas aconteceu, ainda bem!! :D
      Pelo que entendi Madaha, eles criaram esse termo pra se tornarem um pouco mais "visíveis". Assim, unidos ganharam mais visibilidade na web. Tanto que agora se fala deles. Acredito que seja o caso daquele tipo de 'mal necessário', tanto que os entrevistados não acham que esse é um termo definitivo.

      No caso do underground que você cita, como eu tava falando pra Mone aqui embaixo, existem vários fatores que influenciam o comportamento de um grupo subcultural.
      Um dos que sempre se deve levar em conta é que a cultura alternativa não é independente da cultura dominante. Por isso valores machistas estão presentes na maioria delas. Ir contra o mainstream são raríssimos os casos ´de fato´, a não ser que a pessoa crie uma comunidade própria rsrs!
      bjs ;)

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  4. Verdade.. e deixa a gente revoltada né.. afinal de contas, se é alternativo, devia justamente parar de perpetuar esse padrão...

    Poxa.. que pena.. dava pra explorar bem matérias assim na revista.. mas mesmo sendo a matéria meio fraca, valeu por estar começando a quebrar os padrões. E vale pelas fotos também! ^^
    bjin

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    1. Mone, aí eu acho que depende. Nem toda linha "alternativa" quer romper com padrões, são poucos os que pregam esse rompimento. Mesmo porque o rompimento total influenciaria o modo que as pessoas viveriam.
      O mais habitual é a cultura alt. viver em paralelo com o padrão e no caso de subculturas, como já cheguei a comentar algumas vezes no blog, elas não são paraísos perfeitos já que tem suas "regras"- estas necessárias até mesmo para mantê-las vivas. No caso da sub goth, ela é cheia de "imperfeições" também, porque as subs são feitas de pessoas e pessoas erram também,né?
      Mas claro que valeu! Já tinha passado na hora né??
      Bjs!!

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  5. Daí que sempre tem os caras que já sabem de tudo e ficam dando esses nomes nada haver para coisas que já são feitas, só por uma pequena e qualquer diferença que seja. Afro Goth, cara, por favor néh, tenha santa paciência. A revista demorou mesmo pra por uma capa com uma mulher esplendida dessa, isso pra mim é de uma falta de informação tão enorme, que nem se mede, fora desse mundinho de panelinhas, tem vários outros passes, com góticos, e adivinhem só, a cor muda, ficam negros, amarelos, vermelhos... As pessoas acabam esquecendo o valor real do movimento, que não tem nada haver com etnias. Com certeza um grande passo para a moda goth, tomara que venham cada vez mais e mais assim.
    Sexo, Fraldas e Rock'n Roll

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  6. Por um lado, fico feliz de ver tamanha abertura dentro de um nicho. Por outro lado, é algo tão lento, e tão "OMGoth!!"...gostaria de não fosse algo tão chocante, fosse algo natural. Sonho em ver na capa uma gótica deficiente, ou albino, ou oriental (sem ser esteriótipo lolita, pq nem todo oriental é) e isso ser considerado lindo, não algo polêmico...Foi algo maravilhoso de se ver, as fotos são lindas! E concordo com a Mone - se é alternativo, não perpetue valores mainstream! Não traia o movimento!!!
    Lembrei que quando lançaram o clipe de Everybody, dos Backstreet Boys, vários dançarinos diferentes estavam com roupas "vitorianas", incluindo negros. E lembro de pensar "uau, um gótico vitoriano em uma pele de ébano como esta fica melhor que em pele branca!". Foi algo puramente estético, harmonia visual sabe? E aí quando vejo discriminações como esta, me toco de como ainda o caminho é longo. Para alguns é preconceito, para outros é questão de estética.

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