.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: A Edição de Maio da Elle e Diversidade na Moda: Bonito é ser diferente?

15 de maio de 2015

A Edição de Maio da Elle e Diversidade na Moda: Bonito é ser diferente?

Tem se comentado com muito entusiasmo na web sobre a "revolucionária" e "inovadora" capa da revista Elle deste mês de maio. A capa é espelhada e reflete a pessoa que segura a revista.

A capa diz:
"#Você na Capa"
"Assuma seu rosto, corpo e sua idade com orgulho"
"Menos tendência, mais estilo"

Mas a capa não é tão inovadora assim, em 1999, na virada do milênio, a Vogue UK publicou a seguinte edição, capa espelhada com os seguintes dizeres:

O futuro começa aqui.
"O novo corpo"
"As novas roupas"
"A nova você"

E por que falamos disso no Moda de Subculturas?
Por um motivo muito simples: o respeito à diversidade nos interessa!
Nós fomos um dos primeiros sites/blogs nacionais (incluindo mainstream) a fazer post sobre como a terceira idade está sacudindo o mundo e sobre moda plus size alternativa. Nós já falamos de alternativos com deficiência, albinos e sobre moda andrógina. E em 2010, cinco(!) anos atrás, já alertávamos sobre a moda estar em busca da diferença.

Uma moda e uma mídia mais representativa e inclusiva interessa a todas nós. 
Pois, querendo ou não, ser alternativo não é ser totalmente excluído da sociedade, é viver em paralelo à ela. E ser idoso, ser deficiente, ser andrógino não pode ser visto como cidadãos de segunda categoria!

Bonito é ser diferente?
Foi interessane a Elle Brasil ter colocado Ju Romano, uma linda blogueira plus size (numa pose que lembra a de Beth Ditto para NME de 2009), Magá Moura (que nós já entrevistamos) e outras seis mulheres fora do padrão em suas capas para tablet. Mas isso também nos levantou o questionamento: por que na capa para tablet e não na capa que vai pra banca?

Todos sabemos que a versão tablet será acessada por uma porcentagem pequena de leitores. Revistas são pagas por anunciantes e pensamos: será que os anunciantes estão prontos pra colocarem plus sizes, idosas, albinas, andróginas e alternativas como representantes de seus produtos nas capas de revistas de Moda??
Capas precisam ser aprovadas por anunciantes, ser aprovadas por empresas de moda, ser aprovadas por editores, capas que chegarão aos rincões deste país e farão a mulher comum do interior se identificar com o que vê. Numa capa espelhada, ela se refletirá. Vai achar legal e vai querer comprar pra se divertir em casa tirando fotos e fingindo ser ela na revista. Mas sentirá uma mudança real do mercado? Ela entrará numa loja e encontrará roupas pro seu corpo? Ela não enfrentará preconceito por usar uma estética diferente?

 Juliana Romano, Andreza Cavali e Magá Moura nas capas para tablet
Elle Brazil may 2015


De 1999 pra cá, o desejo não foi alcançado.
Será desta vez que o mercado mudará? Ou aceitar a diversidade é apenas mais uma trend? Assim, a Elle nos levanta novamente aquele debate que, se moda faz parte de um sistema capitalista, como saber se o "diferente" é mais uma jogada de marketing ou uma real mudança de mercado? Revistas que sempre castraram mulheres dizendo como elas deveriam ser, o que deveriam usar, que produtos de beleza disfarçarão sua idade, qual maquiagem a deixará com aparência rejuvenescida, agora dizem para elas se libertarem de tudo isso que promoveram?!

No documentário Fabulous Fashionistas que é sobre mulheres idosas com estilo, foi perguntado à um editor de moda sobre a abertura do mercado aos mais velhos e ele disse que essa "aceitação" é passageira. Isso nos deixou intrigadas, pois ele - diante do cargo que ocupa e como inglês, que é mais aberto as diferenças do que nós - mostra que o sistema vai ainda demorar muito para mudar a mentalidade.

A diversidade está na moda, isso é fato. Mas é difícil saber se a indústria da Moda mudou mesmo ou se está apenas curtindo a onda do momento, por isso ainda observamos com cautela. Temos receio de falar que o sistema da Moda tá mudando, porque em se tratando dela, tudo pode ser cíclico, a não ser que a população realmente fique em cima. Preferimos então apontar marcas que já nascem com esse conceito ou citar pessoas que isoladamente ou em grupo estão fazendo a diferença do que dizer que "a Moda" está fazendo tudo isso.
A moda vive do novo... Quando um "novo" surge, o antigo é deixado de lado. Torcemos para que o "bonito é ser diferente" não seja mais uma trend, seja algo palpável, duradouro e de fato, sentido na pele, no dia a dia.


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7 Comments

  1. Como sempre um texto bem analítico. Muito bom meninas!

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  2. Engraçado como a moda se apropria de determinadas estéticas de vez em quando.
    Às vezes os índios voltam a moda; depois a cultura indiana; depois a africana; depois os esquimós.
    E com isso também há empoderamento das mais idosas, das cabeleiras coloridas, dos dentinhos separados, das plus size. Será reflexo de uma sociedade que cansou do modelo velho?
    Pensar que década a década o esteriótipo de mulher perfeita mudava de maneira drástica mostra que esta tendência não é nova, mas seu alvo é. Quem está comprando as novas tendências? E quem tem dinheiro para comprar, mas não é atingido por elas?
    Eu não sei...Quero acreditar em mudanças, mas só creio se elas se mostrarem duradouras.
    Boa reflexão, ótimo post, aliás como sempre meninas!

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  3. O meu comentário foi barrado? Por quê? 💔😢

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    Respostas
    1. Rosana, não tem nenhum comentário seu além desse. Até olhei o spam e tá vazio. Não chegou mesmo. :o

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  4. Parabéns pelo post!
    Gosto muito de ler essas coisas. Espero pelo dia em que o jornalismo/mídia em geral sejam adeptos e tratem desse assunto com naturalidade!

    Beijos

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  5. Excelente post, como sempre!
    Bem que eu queria acreditar que isso não é só mais uma trend. Mas tenho observado que muitas empresas só tem entrado nessa questão do diferente, porque está sendo algo cobrado no momento. "Ah, você não aceita o diferente? Então não compro com você." E depois que a "poeira baixar", será que ainda vão se importar em pensar nos diferentes? Ou eles voltarão ao seu submundo da exclusão?
    Eu espero que isso não seja só mais uma moda e que a partir desse momento as pessoas passem a olhar com outros olhos os diferentes e abram espaço para essas pessoas se sentirem representadas. Mas acho difícil porque o padrão é o que enriquece os poderosos. Se todo mundo passar a se aceitar, o que serão das clínicas e marcas de produtos de estética, não é mesmo? O buraco é muito mais fundo, infelizmente. Enquanto o lucro for a visão e não o bem estar da sociedade, acho que essa será apenas mais uma moda passageira...
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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