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26 de maio de 2015

The Slits: we are not typical girls (Punk + Feminismo)

Uma coisa é certa: não há como querer introduzir um post sobre Riot Grrrl sem antes citar o punk dos anos 1970. É nessa década que o grito feminista começa a ser ecoado pelas diversas vozes que representaram o movimento. Sem as mulheres do punk setentista, as 'garotas amotinadas' teriam enfrentado barreiras ainda maiores.

Não será detalhado todos os nomes que despontaram na época, pois assim como o Heavy Metal, futuramente artigos dedicados ao Punk serão lançados. Mas diante de toda ebulição atual em cima das Riot Grrrl - que segundo nossas pesquisas, ressurge devido a volta dos anos 1990 - e sendo imprescindível relembrar a sua base, mais dois grandes motivos nos fazem resumir em uma só palavra: The Slits.

O quarteto formado em 1976

A união inicial de Ari Up, Viv Abertine, Palmolive e Tessa Pollitt é de extrema importância para a combinação Punk + Feminismo, o que inclusive lhes renderam o título de "madrinhas" das Riot Grrrls. Elas não eram as únicas, porém foram uma das que mais provocaram, zombaram e, consequentemente, denunciaram o sexismo do Punk por meio de letras e atitudes que ultrapassavam os padrões moralistas do período.

Como revelou Ari Up à revista Dazed and Confused, em 2009: "Nos sentíamos naturalmente feministas sem falar sobre. Naquele tempo era esperado que você tivesse o cabelo perfeitamente arrumado e que fosse glamourosa, assim como as revistas diziam. Você não poderia ser naturalmente sexy. Eu sentia que nós éramos muito sexies por natureza. Se queríamos ser sexies nós éramos, mas não para agradarmos os homens. Simplesmente fizemos da nossa própria maneira. Por esse caminho, ameaçamos a sociedade. A caça às bruxas estava iniciada. Eu fui esfaqueada na rua só por causa do jeito que eu aparentava, por um cara que parecia o John Travolta". 

Ari Up contra a moda: desgrenhando ainda mais o cabelo

A fala de Up é comprovada pela repercussão do primeiro álbum da banda, The Cut, um marco no punk feminista. Nele, as integrantes aparecem na capa com os seios nus. "Eu acho que a capa do The Cut assustou as pessoas. Foi uma luta para que fosse realizado com essa imagem. Mas Chris Blackweel amou e a gravadora tinha assinado uma contrato declarando que nós tínhamos total controle artístico, então foi o que aconteceu. Enormes cartazes advertiam que o álbum era revestido por toda Londres. Houve um rapaz que bateu o carro depois de ver a foto. Ele tentou nos culpar pelo ocorrido e prestou queixa. Lojas de discos não o exibiam, o que deve ter contribuído para o fato de que não o vendíamos mais. Eu sempre tive raiva pelo álbum não ter sido maior do que era, mas você não pode se arrepender".


Toda essa revolução que as The Slits causaram, está sendo exposta à nova geração através do livro "Clothes, Clothes, Clothes. Music, Music, Music. Boys, Boys, Boys: A Memoir", biografia da guitarrista Viv Albertine, lançado em 2014. Na matéria de Sarah Jaffe, intitulado de "Por que o Feminismo precisa do Punk", reproduzimos trechos que mostram como a subcultura continua pulsante na inglesa.

"Nós crescemos durante o "paz e amor" dos anos 60, apenas para descobrir que há guerras por todos os lados, e o amor e romance é só uma enganação", escreve Albertine, que revela também que na mesma época, tudo parecia um engodo, a política não servia a classe trabalhadora, que o "sucesso" era uma farsa e que a melhor resposta era tentar chocar o mundo. O punk para Albertine foi um momento em que ela poderia ser apenas quem era - "uma rápida passagem no tempo em que era aceitável dizer o que se pensava".

No início como musicista, uma das maiores preocupações de Viv era não cair em estereótipos de banda só de meninas, mas quando entrou nas The Slits, se sentiu mais forte e revela terem sofrido agressões físicas dentro e fora dos palcos. "Nós quatro marchamos pelas ruas abaixo lado a lado e as pessoas passavam rápido no nosso caminho, ou cuspiam na gente, ou praguejavam e isso nos fazia rir", conta Albertine. "Éramos invencíveis juntas".

Viv tem Patti Smith como sua grande influência no Punk.
Hoje, a guitarrista é referência para Carrie Brownstein da Sleater Kinney.

A amizade com Sid Vicious também ajudou na escolha pela carreira musical

Dentre os efeitos das provocações, o grupo chegou a ser posto para fora de um hotel porque vestiam uma mistura de calça de couro com calcinha por cima, vestidos de borracha, além dos cabelos emaranhados e rostos manchados de maquiagem preta, uma clara demonstração de como a estéticas batiam de frente com os estigmas conservadores. "Se você vestisse como forma de expressão, você era um completo estranho e não havia tolerância para os estranhos naquela época. Nós iríamos pegar coisas como roupas de fetiche, botas de trabalho masculinas, olhos pintados de preto, meias de borracha e a saia de tutu dos meus dias de escola e colocar tudo junto. São signos de como ser uma garota, mas todos juntos e desordenados. E nós iríamos empurrar de volta nos rostos da sociedade masculina. Nós estávamos tirando sarro dele e expondo os clichés e o comportamento forçado que era para todos", diz Viv à MTV.

A aparência que desconstruía padrões; até a revolucionária minissaia não escapou

 Viv usando criações de Vivienne Westwood, Converse nos pés e vestidos com saia curtíssimas

É interessante que sendo uma compilação de memórias, muitos temas de sua vida ainda são pautas significativas mais de trinta anos depois, um enorme reflexo de que a luta das mulheres não acabou e está longe de ser finalizado. Em meio as suas declarações sobre maternidade, o câncer que teve no colo do útero, a sua volta ao punk há alguns anos, fez com que se deparasse com o pouco espaço existente no Rock as vozes das mulheres mais velhas. Esse é um grande dilema a se abordar já que, se ser alternativo não é só uma fase, por que só se emana juventude nas letras???

Além do livro de Viv Albertine, a história da banda também será revelada pelo documentário "Hear To be Heard: The Story of The Slits", só que este, ainda colhe financiamento, da qual pode-se contribuir pela campanha no Kickstarter, e assim terminar a produção. The Slits serão para sempre o eterno legado das meninas que como nós, jamais se sentirão simbolizadas na "Typical Girl". 




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6 Comments

  1. Isso sim que era ousadia. A essencia dessa epoca volta nunca mais :(
    http://www.cherryacessorioseafins.com.br/

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    Respostas
    1. A essência da época não volta, mas as pautas feministas que elas levantaram ainda são atuais. Ou seja, nesse sentido, nada mudou tanto assim :(

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  2. O que me parece é que quanto mais o tempo passa, mais medo as pessoas tem de ousar.. Você não vê mais tanta gente assim quebrando padrões loucamente e mostrando a sociedade o que ta errado. As pessoas se acomodaram de mais... O que me deixa bem triste por sinal.
    Muito bom o post!
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Hoje em dia são poucos os que quebram os padrões mesmo. Encaretamos.
      Mas repare que a ousadia delas tinha a ver com a situação da mulher na sociedade. Dos anos 70 pra cá, as pautas feministas ainda são praticamente as mesmas a se lutar. As bandas e as meninas de hoje precisam ver que subculturas também tem seu viés libertador, o punk tem muito a nos ensinar sobre feminismo e ousadia!

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  3. Admirável o esforço feito por estas mulheres. E pensar que foram agredidas pelas roupas que usavam! Bom, se pensar que ainda hoje isso acontece...
    Mas vamos pensar que a humanidade tem mais de 6000 anos como civilização centrada na figura masculina (e olha que esta data deve estar errada). Em 30 anos, estamos fazendo bastante coisa. Eu me mantenho otimista.
    Exemplos como estas mulheres sempre são bons para conscientizar!

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