.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: As subculturas como produto: nem todo look preto é gótico

16 de julho de 2015

As subculturas como produto: nem todo look preto é gótico

Estes dias estava vendo o artigo do Buzzfeed sobre a Dani Corpse do Beauty and Brains e uma das primeiras coisas que pensei ao ler o título foi: "a Dani é headbanger, por que raios ela tá sendo chamada de gótica?". 
Daí lembrei, "Ah, é que ser gótica tá na moda..."
E é bem verdade, Dani inspira muitas meninas com suas maquiagens e visual Metal, mas o que eu quero abordar nesse post nem é a Dani em si. É que esse artigo do Buzzfeed é um "suave" exemplo de como as subculturas têm suas identidades deturpadas na mídia. 


Parece tolice implicar com headbangers chamados de góticos. Mas multiplique isso por todas as vezes que isso acontece ao longo dos anos ou troque as subculturas confundidas.


Todos vocês devem ter exemplos de subculturas mal apresentadas na mídia, seja por estereótipos em novelas, seja por convidados em programas de auditório e até mesmo por experiências próprias.
 

É comum leigos acharem que só porque você usa preto é automaticamente "gótica". Essa associação do gótico com a cor preta é o óbvio.
Se fosse há 10 anos, todos te chamariam de "emo" porque era a subcultura que estava na boca do povo.
E se a trend atual fosse ser headbanger, bem... não duvido que até os góticos seriam chamados assim na mídia...

Julgamentos comuns do mainstream:
Todo gótico só usa preto.
Todo "metaleiro" é satanista.
Todo punk é encrenqueiro.

Todo skinhead é nazista.
Toda lolita é infantilizada.

São as subculturas perdendo suas identidades próprias e sendo reduzidas aos estereótipos midiáticos. 



Jogaram tudo no mesmo saco em nome do capitalismo.

Pra vender roupa preta e batom escuro eles nos colocam lá em cima, como exemplo de estilo a ser seguido, em pautas sobre sobre "gótica suave", "batom escuro", "dicas de looks góticos", "vídeo com o make gótico" - que mostram bem como a estética de uma subcultura é amenizada e banalizada de forma TÃO velada visando a venda de produtos e acessos, que muitos (inclusive alternativos) nem percebem o quão nocivo isso é pra eles mesmos (incentivando consumo desenfreado e moldando o olhar à amenização) e  pra quem luta contra o reducionismo em relação à subculturas. 

Mas vai toda gótica viver numa família conservadora. Vai toda gótica encarar os assédios na rua. 
Vai lá, toda gótica, pedir um emprego. Veja se eles te tratarão com o mesmo respeito e espaço que a "gótica de boutique" que daqui há 8 meses já estará em outra trend?
Viver o "peso" de ser de uma subcultura encarando suas consequências, ser minoria de verdade ninguém quer!

Feminismo virou moda e está tendo suas pautas deturpadas. Agora, é (mais uma) a vez da subcultura Gótica, que está tendo sua essência substituída por consumo de produtos mainstream e cliques de acessos que valem mais um troco dos anunciantes. 

Subculturas não são produto! Subculturas são estilo de vida.

Sei que algumas de nós adoram os modismos "alternative inspired" porque é possível comprar coisas que antes não tínhamos acesso, mas é possível ao mesmo tempo sermos críticos com a cultura do consumo (leia: o Heavy Metal é mais que uma estampa em lojas de departamento) e com matérias que fazem a cultura alternativa parecer só mais um produto cool aos olhos dos outros. 
Questionem mesmo! Duvidem, repensem. E não perpetuem informações erradas sobre subculturas na web, porque é como dar passos pra trás no nosso desejo por mais respeito e espaço na sociedade.



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12 Comments

  1. que matéria tosca, me fez até ri. Isso marca bem aquilo que vc falou sobre estarmos em uma epoca onde tudo se resume em uma imagem. Coisa capitalista do inferno, para vc ser tão gótica quanto a moça tem q comprar cada acessóriozinho. Assim vc será hiper gótico. tosco, tosco, tosco.
    Eu q n sou gótica e nem headbanger fiquei meio ofendida, imagina quem é.

    E nossa, q bom q eu n sou a única q percebeu isso do feminismo! Pior q acabei me afastando pq n tenho muita paciência pra fica discutindo com gente q acha q sabe de tudo. É foda!

    Msm coisa com cabelos cacheados. Usei minha vida toda meu cabelo natural, aí a mídia se apropriou de um "foda-se" das meninas q cansaram de ter regras ditadas sobre seu cabelo. Agora tenho q ficar escutando de garota q voltou a usar o cabelo cacheado depois desse bum todo q eu deveria cuidar mais do cabelo, pentear de tal jeito pra ficar mais definidinho e com mais volume. Igual cabelo de blogueira q se aproveitou disso tudo pra ganhar dinheiro e produto de graça. Vejo nos grupos um monte de menina com quase 50 produtos (ou mais) pra cabelo pq acha q isso vai fazer ela fica com cabelo igual da blogueira.
    O q me resta é sair desses locais pq n tenho paciência pra isso.

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    1. Oi Mariana!
      Chato é que hoje tudo é válido pra números de acessos, cliques, buzz... um pouco de sensacionalismo aqui e ali. E nisso as subculturas entram no bolo, deturpadas.

      Oh, sim... notamos isso com o feminismo, até ele já virou "produto" em algumas empresas que estão querendo vender uma nova mulher... vender revista, vender sabonete... ih, são tantos os exemplos de marketing usando feminismo...

      Cabelos: é tipo saiu de uma regra e entrou em outra né? A regra do usar o produto x e ficarem todas com o cabelo igual. Não, obrigada! haha!

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  2. Sobre a confusão com subculturas, eu não me incomodo, até porque temos raízes muito semelhantes, apesar de algumas diferenças "gritantes" talvez... eu parei de me preocupar com isso porque inclusive nós mesmos misturamos estilos, falo isso por experiência própria. Eu não posso dizer que eu seja 100% gótica ou 100% headbanger... até porque eu tenho ambas subculturas como influência.

    Sobre a amenização das subculturas aí eu vejo problemas, e muito. As pessoas passam a evitar o "extremo". Quantas vezes a gente não ouço alguém dizendo: ah, eu curto muito seu estilo e tal... mas não usaria muito preto assim"... Semana passada uma menina veio me falar que ela "já teve uma época que era gótica igual a mim". Como se ser gótico ou sei lá o que fosse apenas por uma roupa preta e acabou... Logo falei pra ela que ela nunca foi gótica, pois se fosse não iria ser algo temporário e sim para toda a vida. Ser alternativo é um estilo de vida, falo isso sempre e concordo 100% com o que você disse.

    Esse negócio de gótica suave já tá abaixando um pouco, espero que suma logo hahaha! Odeio encontrar essas guria retardada vestindo as mesmas coisas que eu e achando que tá abalando... enquanto eu fico me sentindo uma idiota hauhsuahs

    Sobre o que a Mariana falou, esse negócio de assumir "o afro" as empresas estão usando desta modinha "do bem" para encher as meninas de produtos para ativar os cachos, um monte de frescura, pura hipocrisia, ninguém precisa de tanto produto pra cuidar de um cabelo... talvez se não tivesse existido a tal da "revolução dos cachos" talvez nem existiria metade dos produtos para cabelos cacheados "super úteis" existentes atualmente no mercado... Enfim, capitalismo é assim... se apropria do diferente pra se promover, assim como acontece com as subculturas.

    Adorei o post.

    Beijos!

    madessy.com

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    1. As similaridades entre as duas subs é algo que merece um post só sobre né, Madaha! A gente, que é do meio até pode não se incomodar porque sabe o que difere e une as duas subs.
      O "problema" a meu ver, é que a mídia chega à muuuuita gente, e se chega com infos erradas ferra tudo. Porque a pessoa tende a acreditar no que viu na mídia e não no que você fala :(
      E a sua geração é uma geração que não se liga à subculturas, isso é uma características forte em vocês. Vocês "surfam" entre elas ;)

      Chegou o verão acaba a gótica suave né? kkk Mas eu percebo essa onda de pessoas evitando o extremo ou não sabendo como lidar com ele ou ainda, estão tão acostumados a serem "amenos" que não sabem nem quando e onde usar o extremo (usem quando quiserem!).

      Essa questão do mercado de consumo da área de beleza também tá dureza...

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  3. Toda lolita é infatil - ohmygod, quantas vezes assustei pessoas falando que tenho emprego e pago contas kkk xD

    A única coisa que gosto quando algo que gosto vira mainstream é a facilidade de achar o produto no mercado (como meia rendada, saia de tule... que infelizmente só lançaram em cores meh).

    E esse post me fez lembrar da minha saída no último sábado. Resolvi usar um boater hat (não consigo lembrar o nome em portugu~es) com um vestido estampado de ursinhos de cola peter pan e vestido em A, uma bota tipo coturno. Eu me achando bem normal (afinal, sou lolita e estava sem anáguas e só de cores neutras) e vinham me tratando como sei lá... essas it-girl-gótica-suave ou sei lá o que pensavam o que eu era xD Acho que só tenho dom para vestir mainstream para ir trabalhar pq pego 3 onibus, sendo o primeiro as 6:20, daí visto que mais se aproxima de um pijama (calça jeans e blusa de malha).
    Enfim, cabou meu desabafo =X

    Parabéns pelo post! :3

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    1. Essa facilidade de encontrar as coisas é o que nos faz aceitar mais os modismos, já que não temos uma moda alternativa abrangente, o jeito é consumir do mainstream mesmo.
      hahaaha, devem ter pensado que você é uma fashionista moderninha :P
      Nossa, eu tb só tenho o dom de me vestir mais simples quando preciso pegar busão, senão, nada me segura!
      Desabafo bom, adorei!
      Bjs!

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  4. Sempre a amenização, sempre a deturpação... é assim que eles reduzem as subculturas pra transformar em algo que eles podem julgar, condenar, tentar ou não entender e, claro, vender.
    E isso, como você disse, é um problema. Porque acaba que nessa de tornar símbolos de algumas subculturas vendável, além de banalizar aquilo, ta influenciando a viver o modo de vida consumista da grande massa. É preciso muito cuidado e um olhar bem atento para não cair nas armadilhas do sistema capitalista...
    Adorei o texto! E concordo com tudo que você disse!
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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    1. É chato quando fazem essas misturas reducionistas todas, porque parece que só vai eternalizando os julgamentos errados. :(

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  5. Acho interessante a diversidade de conclusões, porém, é uma tema complicado de se tratar - minha opinião. Obviamente, não gosto do modo como a mídia deturpa a identidade das subcultura, mas como posso criticar a cultura do consumismo, se eu contribuo com o capitalismo? Sem a mídia, o mainstream "julga" a próxima tendência; com a mídia, o mainstream impõe.

    Enfim, dentro da mídia, são poucos aqueles que pertencem a uma subcultura e possuem uma boa notoriedade. Por ora, somente essas pessoas podem transmitir o real significado dessas subculturas, ou seja, ao invés de criticar a cultura daquilo que contribuo - por uma questão de acessibilidade -, eu prefiro QUESTIONAR a atitudes dessas pessoas que trouxeram a subcultura á mídia, de forma tão deturpada.

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    1. Marcela, acho que todos que se identificam com a cultura alternativa e não apenas só quem faz parte de uma subcultura pode questionar e criticar (pois críticas também podem ser questionamentos). A partir do momento em que todos estamos inseridos na cultura mainstream (como você bem notou), podemos exigir uma representatividade correta na mídia.

      É simples entender isso quando fazemos uma analogia com a causa Gay, por exemplo. Gays sempre sofreram preconceito da sociedade e da mídia e sempre fizeram parte da cultura mainstream. Eles se uniram - junto com os simpatizantes -e estão conseguindo mudar a forma que a mídia os representa.

      Eu penso que nós temos que fazer o mesmo com as subculturas, sabe? Se unir com os simpatizantes e exigir uma melhor representação pra diminuir os preconceitos e questionar mesmo, como você disse, as atitudes das pessoas.

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  6. A luta do século - mainstream X alternativo, sempre!
    A subcultura é uma cultura. Não é um visual, somente! Eu canso de explicar que eu ver anime, gostar de pomperô dos anos 90, não ter unhas de garra e gostar de praia (mas não de sol) não me faz menos gótica!
    Moda e modismo são distintos. Modismo gótico passa. Infelizmente, cria uma cultura na cabeça de alguns de que o normal dentro da subcultura é o que está sendo vendido, não o que ele cria. Na Semana de Arte Moderna, teve o Antropofagismo. Deveria continuar tendo! Devore o que vem de fora, mas devolva sua própria versão! Quem disse que batom preto é coisa de dark? Que coturno é coisa de punk? Às vezes, simplesmente a pessoa curte e acabou. Filtro.
    Esta do batom foi algo que me deixou entre a cruz e a espada. De um lado, opções. De outro, porque tenho que ter? Comprei porque fazer de lápis de olho estava sendo inviável. Mas se não fosse inviável, continuaria fazendo. Como faziam os antes de nós? Com carvão, com canetinha, com delineador. Tem que pensar também na forma de defesa que estamos fazendo: afinal, estamos adquirindo estas coisas, porque elas nos representam; mas será que precisamos?
    Este fim de semana fui almoçar num lugar bem tradicional, e senti aquele constrangimento no ar. Não era o batom, não era o colar de caixão. Era...meu vestido mostrando os quadris plus. Se eu ligo? Não. O plus size, os cachos, o veganismo, tudo está virando marketing! Eu fico de olho: até onde a pessoa está mantendo sua integridade? Um dos blogs que acompanhava critica compra desenfreada, mas compra da China! Outro falava em opções naturais, depois passou a usar só uma certa marca caríssima! Cadê o faça em casa? Aí fui cortando da minha lista diária, até deixar de lado. Mas nem todo mundo percebe.
    Ainda bem que passa. Mas fica uma ressaca.

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    1. Alternativo e mainstream tem andado muito juntos. O que me preocupa, é essa "venda" de uma imagem errada das subculturas na mídia - acho que só aumenta o preconceito, é muito reducionista.

      Quanto ao consumo, que você aborda e analisa muito bem no seu comentário, complica quando tudo se resume ao consumismo (ter) e não ao "comprar porque gosta e tá tendo a oportunidade".
      Eu comprei batom preto sem dó porque não conseguia usar o da Vult (o meu é péssimo, tanto que ficava parado). Tenho um lado psicológico que precisa ser agradado, que foi privado pelos anos que passei usando lápis de olho preto como batom, então um mimo, um prazer de passar um batom realmente preto, é ótimo.
      Quem não tem, pode passar delineador, lápis, só não pode se sentir mal por não ter! E é aí que entra o perigo do consumismo, às pessoas às vezes não tem condições, mas se endividam porque "tá na moda e preciso ter" ao invés de apelar pras receitas caseiras, adaptações ou DIYs.
      E junto disso, do consumismo, vem a ostentação.
      E o marketing é ligado ao consumo né?? Por isso eu sou muito pé atrás com muitos assuntos sérios que agora são "vendáveis". A crise de consumo mundial tá tão séria que agora vendem até "lifestyle" e "conceito". Dá pra perceber isso nos comerciais, que antes eram focado nos produtos e agora em pessoas sorrindo, felizes, bem resolvidas...

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