.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Subculturas e o conceito de Liberdade

16 de outubro de 2015

Subculturas e o conceito de Liberdade


"As subculturas não são perfeitas pois são moldadas de acordo com os interesses do grupo. As subculturas não se prepararam para mudar o mundo. Elas visam sobretudo criar um microcosmo paralelo no qual seus membros possam se divertir, um microcosmo com experimentações como regra e menos restritivos do que a sociedade em geral. Numa era pós-moderna, as subculturas parecem ser mais sobre a "negociação individual", do que uma "rebelião coletiva contra algo", como gênero e outros princípios estruturais da sociedade." Fonte: Livro Goth Culture

Quando vejo meus semelhantes, posso contar nos dedos (ou em nenhum dedo) quantos estão dispostos à se juntar e se rebelar contra algo. O mundo mudou e isso soa um pouco ultrapassado não é? A negociação individual das coisas que nos incomodam parece ter se tornado o caminho de luta das gerações pós modernas. 

Garotas punks

Um dos grandes desafios de quem estuda subculturas e moda alternativa (como nós rsrs), não é apenas acompanhar sua evolução, mas também, a analisar a forma como as gerações lidam com elas. A geração Y e a Z ainda são, talvez, nosso maior desafio:
Como devemos falar sobre subculturas para gerações tão individualistas?
Como devemos falar sobre subculturas para gerações que pegaram subculturas já "pulverizadas" pela moda?
Como devemos falar sobre subculturas para gerações alternativas cada vez mais parte do sistema?


Subculturas e o conceito de Liberdade
Já li opiniões de pessoas que dizem que subculturas aprisionam, mas se pararmos pra pensar, na real, ninguém é livre, afinal, vivemos dentro do sistema e não fora dele. Ser alternativo é viver entre dois mundos paradoxais. O próprio significado de subculturas diz isso, observem: 

Subcultura é o conjunto de particularidades culturais de um grupo que se distancia do modo de vida dominante sem se desprender dele.


Quem de nós é realmente livre??
A não ser que a pessoa vá morar numa comunidade isolada, e de certa forma nem assim será tão livre, pois poderá depender de hospitais ou governo em algum momento. São raríssimos os casos que pessoas ou um grupo conseguem "de fato" viver separados do sistema, sobreviver com aquilo que faz, como tribos não colonizadas.

Deathrocker e Pinup

Mesmo a gente sendo "contra" o sistema, a gente faz parte dele. 
No momento que precisamos de dinheiro para comprar comida, estamos inseridos no sistema. Se você precisa comprar seu remédio, está inserido no sistema. O que dá é para mudarmos a lei do sistema. Para se trocar todo o sistema, precisamos da população em geral. Precisa de grupo.
Como a cultura alternativa nem sempre é independente da cultura dominante, é aqui que se explica porque valores machistas e até conservadores estão presentes em muitas subculturas, como na heavy metal, por exemplo. Em contrapartida, subculturas advindas do conceito de contracultura tendem a ser mais abertas às diversidades, como a Punk.


"Cada um escolhe a prisão que quer viver". 
Um dos motivos de eu ter me identificado com subculturas foi a liberdade que elas me proporcionavam. Quem me aprisionava era o sistema tradicional.
A "prisão" que escolhi, foi me identificar com conceitos de contraculturas (a moda alternativa só reflete minhas escolhas). Eu até brinco dizendo que não me tornei alternativa, mas nasci - sempre senti meio "fora do lugar". Quando eu me identifiquei com a subcultura Rock me senti livre, sentia que tinha encontrado meu lugar! O rock me deu a liberdade de pensar como eu quisesse, me vestir como eu quisesse e ser como eu quisesse.
Na sociedade tradicional eu vivia tentando me encaixar como "bem comportada", vestida de acordo com as tendências moda, tentando ser uma "mocinha direita" inserida nos valores tradicionais... mas nunca estava no padrão de beleza, nunca com o "corpo ideal", pois sempre havia um defeito em mim que o sistema insistia em apontar na minha cara e me deixava infeliz.
No rock, eu podia ser como eu quisesse sem estar encaixada num padrão de beleza. Ser estranha ou diferente era reverenciado. No rock eu tinha o tal "microcosmo paralelo no qual eu podia me divertir, com experimentações e regras menos restritivas do que a sociedade em geral." O rock me dava a possibilidade de eu pensar por mim mesma. E, pensando por mim mesma, percebi várias atitudes ultrapassadas dentro da cena. Então o que faço? Me afasto do Rock? Não! Vivo o meu conceito de rocknroll dentro dessa liberdade adquirida. Uma liberdade que eu não teria na cultura dominante.
 

Punk e Scene

Até que um dia, nas curvas da vida, encontrei a Lauren e ela disse: "Se nos identificamos como alternativos, é porque de algum modo nos sentimos diferentes da sociedade em si. Posso dizer até por experiência própria. O Rock me atraiu por sua visão diferente do mundo, uma tribo excluída e diferente, assim como eu era, e ainda sou, por isso a identificação. Eu já era assim antes e acabei me interligando com subculturas que representam essa ideologia. Ser alternativo é que nem orientação sexual, você nasce assim, não se torna. É algo que não tem como largar, você é assim e pronto."

Independente de você ter "se sentido estranha" desde novinha ou só se interessado por cultura alternativa quando sua personalidade começou a aflorar na adolescência, ou se entrou nessa por causa de artistas, não importa: sua essência demonstra que você tem uma abertura à esse universo.

Não sei se você, que está lendo esse texto, se identifica com alguma subcultura ou não, mas tenho certeza que elas te influenciam de alguma forma.
Se você se inspira em moda alternativa: abra seu armário e retire TUDO que veio da moda das subculturas ou que tem referência de estéticas alternativas.
Lembrete: calça jeans também "veio" das subculturas.
O que te sobra??
As subculturas te deram liberdade e opções de vestimentas? Ou elas te deram uma "prisão" de estilo?
Subculturas te aprisionam ou o sistema te aprisiona?


É preciso separar o joio do trigo. Sempre existiram e sempre existirão pessoas dentro de subculturas que serão PURISTAS e, principalmente, IGNORANTES e ELITISTAS sobre as ideologias e os valores da própria subcultura que dizem fazer parte. É preciso maturidade pra lidar com isso. Um grupo de estraga prazeres não pode ser considerado referência de comportamento.

"Não me identifico com nenhuma subcultura, sou alternativa à elas."
Será??
Ser alternativo é alternar-se à cultura mainstream e não às subculturas.

Quando você não se identifica com alguma subcultura e mesmo assim se considera alternativo, você não está sendo "contra as subculturas" porque tanto você quanto as subculturas estão no mesmo barco. Você está alternando-se com o mainstream.

Você não precisa concordar e nem se encaixar 100% com tudo que as subculturas pregam (nem eu concordo/encaixo), não existe uma subcultura moldada à seu jeito e gosto. Não existe "subcultura individual". Não caia na ilusão de que ser extremamente individualista ou egoísta é ser mais livre do que uma pessoa que é de subcultura. 


Como há o tradicionalismo nas subculturas, as novas gerações encaram isso como imposições, igual ao mainstream faz com o resto. 
Tente enxergar pelo seguinte ângulo: por um lado o conservadorismo dentro das subculturas é uma defesa pelo medo de perder o conhecimento adquirido, ainda mais agora que as ideologias estão sendo eliminadas por modismos. O problema que temos que ficar de olho, é que muitos alternativos (inclusive sem subculturas) estão agindo como o sistema, criando imposições e excluindo pessoas. É uma linha tênue entre os dois mundos que deve-se tomar cuidado, uma das ligações entre alternativos e subculturas é terem sido de algum modo excluídos pelo sistema. Muitos alternativos estão à procura de acolhimento. Não é um paradoxo praticarmos a mesma atitude de exclusão que a cultura dominante?


"As subculturas não se prepararam para mudar o mundo"
A vontade de mudar o mundo nunca faltou, mas na inocência juvenil, não sabiam que o sistema é tão poderoso que se apropriaria delas para distorcê-las, enfraquecê-las e vendê-las como produtos vazios de significados. Assim, separados, desunidos, não temos poder de mudar nada. O individualismo, característica primordial das subculturas, se virou contra elas.
Essa questão do individualismo pós-moderno e as subculturas precisam ser ainda mais debatidos e explorados aqui no blog. Existem pessoas perdidas no conceito do que é uma subcultura, do que é o universo alternativo, se prendendo somente à Moda e não ao âmago e à riqueza que subculturas podem nos ensinar: a liberdade de ser como se é ao ponto de podermos mudar costumes sem perdermos nossa essência. 

O mundo já nos aprisiona,
quem somos nós para criarmos mais algemas?



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12 Comments

  1. Olá!
    Subculturas deveriam ser uma forma de liberdade de expressão e estilo, mas infelizmente, por causa das pessoas, também acaba segregando e excluindo pessoas, ao dizer, por exemplo, que mesmo numa subcultura você "não está fazendo certo", "não é bom o bastante" etc.

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    1. Lady, é isso mesmo. Dentro de seus contextos históricos, as subculturas surgiram como a opção de liberdade de estilo. Mas as gerações mudaram e o modo dessas gerações enxergá-las mudou.
      O individualismo e a intolerância à opiniões diferentes cresceu muito ultimamente. Por isso a grande confusão toda em cima da questão de que elas "aprisionam". É um conflito de gerações, informações se perderam no meio do caminho junto com a pulverização delas pelo mainstream. Quem aprisiona são as pessoas né? E estas nem sempre representam as subculturas. ;)

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    2. Ótimo texto. Levanta questões muito interessantes. Me dói muito ver pessoas dentro de uma subcultura levantando argumentos preconceituosos contra outras pessoas dentro do mesmo movimento. Estamos sendo julgados todo o tempo, mesmo no nosso próprio meio. Ouvimos a banda X e não a Y, portanto somos "posers", não nos portamos adequadamente, não nos vestimos da forma mais adequada. Imposições nocivas que enfraquecem o meio.

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  2. Sana, que texto maravilhoso! Eu mesma me considero uma alterativa, mas não me encaixo expecificamente em nenhuma subcultura. Tenho referências em subculturas como a japonesa e pinup, por exemplo. Misturei elementos religiosos católicos e se fez a mágica. De fato, é uma liberdade gratificante você finalmente usar o que gosta. você se sente mais confiante e as pessoas notam isso. Sou da geração Y, tenho 25 anos e meu processo de conhecimento pessoal ainda não está finalizado.

    De fato não há como fugir do sistema. Porém, como católica, me sinto realmente alternativa, pois vou contra a moda mainstrean vigente de "quanto menos roupa melhor" e contra uma "padronização" das moças de igreja que só usam calça jeans e a camiseta da paróquia. Sou introvertida e realmente o vestuário é sim, um meio de comunicação.

    "Não vos conformeis com este mundo"...

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    1. Isso! Exatamente! Fico muito feliz que você reconheça essa liberdade que o mundo alternativo te dá. Veja que criou seu próprio estilo baseado nas coisas que te agradam, usando a roupa como um modo de passar sua mensagem. Você cita a diferença de comportamento entre você e as outras moças da Igreja que, possivelmente tem uma visão mais regrada e talvez até limitada (de estilo). Daí percebemos que existe sim uma liberdade maior no universo alternativo/subcultural ;)

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  3. Aquele penteado .
    Aquela flor no cabelo .
    Aquele brinco de pedra lilás .
    Aquele batom vermelho .
    Aquele vestido branco .

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  4. O texto ficou muito bom, mas eu acho que tô meio perdida.. rs
    Eu me vejo como uma pessoa alternativa, busco referências em diversas subculturas, mas não me vejo pertencente a nenhuma delas exatamente porque acabo vendo sempre alguma coisa que não me agrada ou extrapolando o que aquela subcultura tem como "regra". Por isso sempre falo que muitas vezes as subculturas parecem também querer aprisionar dentro de um modelo que seria o certo para x subcultura.
    Que elas dão mais liberdade para cada um fazer, ser, pensar, vestir do jeito que quiser, é inegável, mas mesmo assim elas ainda querem que você tenha um certo "padrão alternativo" para x subcultura.
    Apesar de achar essas coisas, eu não sou contra as subculturas, porque como você mesma disse, eu sei que tô mesmo barco, do mesmo lado que elas. Afinal somos todos contra o pensamento dominante. Também não acho que sou mais ou menos livre que alguém de uma subcultura, só acho que sou aquilo que tenho vontade de ser sem dar direito a alguém falar que eu faço alguma coisa certa ou errada.
    Enfim, não sei se consegui explicar bem o que penso.. rs
    Mas eu gostei bastante mesmo do texto. ^^
    Apesar de não me sentir encaixada dentro de nenhuma subcultura, eu as admiro e me inspiro nelas todos os dias.
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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    1. Mone, não se preocupa! É super normal você se sentir "perdida" porque você é da geração que já pegou as subculturas pulverizadas e massificadas. A sua visão sobre elas já é a visão sem a ideologia e com foco na estética.
      A sua mente pensa as subculturas como algo que aprisiona porque você é da geração que vive o individualismo em alto nível, que tá curtindo o que elas oferecem de bom, sem viver o lado de ser parte de um grupo e lidar com conflitos que isto acarreta.
      Eu tô preparando outro post continuação deste que vai falar de individualismo.
      Só acho que "aprisionam" não é a palavra certa pra se dirigir à elas, porque quem tende a fazer isso é o mainstream, talvez a palavra certa seja que as subs "te limitem" em certos pontos ;)
      Bjs!

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  5. Não sei se é pq moro em uma cidade pequena, mas é muito comum ver grupos d amigos formados por pessoas que seguem subculturas diferentes. Aqui numa mesma roda vc vai encontrar pin-ups, headbangers, punks, dethrocks, hippies, indefinidos.. aqui tudo é meio junto e misturado.

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    1. Casillera, eles são jovens na faixa dos 14-25 anos? Se sim,a mistura é característica dessa geração, em breve sai um artigo sobre, fica ligada ;D

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  6. Na maioria das vezes sim, mas não é difícil encontrar quem já passou dos 30. Acho que todo mundo que se sente esquisito se junta em um lugar só. kkkk Estou aguardando o artigo. :)

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    1. Hmmm interessante ter pessoas da Geração X junto, tá batendo com minhas pesquisas :D

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