.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: As pessoas não suportam a diferença! #preconceitoaodiferente

28 de dezembro de 2015

As pessoas não suportam a diferença! #preconceitoaodiferente

Recentemente a leitora Evelyn Luz me mandou o relato reproduzido abaixo, publicado por Fernanda Takai em seu Facebook. No texto ela conta que usou um figurino inspirado em Edward Mãos de Tesoura para a gravação de um clipe de sua banda e foi hostilizada pelo visual ao caminhar por uma das ruas mais alternativas de São Paulo, a R. Augusta.
A ideia era compartilhar o texto na fanpage do MdS. Porém, percebemos a complexidade do assunto preconceito (já abordada por aqui 1, 2 ) e sabemos que cada um de nós passa por discriminações e assédios diários por sermos diferentes esteticamente da maioria da população.

Então, convidamos vocês para darem seus depoimentos sobre assédios e preconceitos que sofreram ao longo da vida apenas por ostentarem um visual fora do padrão. 
Você pode usar a hashtag #preconceitoaodiferente pra gente poder acessar e ler os depoimentos. Pode comentar aqui no blog também quantas vezes quiser, não se preocupem que temos a opção de anonimato, basta que no local onde diz "comentar como" você escolha a opção "anônimo". E se não tiver face nem twitter, também pode nos enviar email, modadesubculturas@gmail.com que postaremos na hashtag com os devidos créditos (avise se quiser se manter anônimo).

No post de Fernanda Takai podemos ver como nossa sociedade é intolerante. Porque não avançamos? É bom a gente pensar no quanto políticas e mídias conservadoras tiverem influência na formação do nosso povo nos últimos anos e, neste caso, os primeiros a sentirem o efeito maléfico, são os alternativos.

Infelizmente, por causa de toda a violência que permeia nossa sociedade, muitas vezes ficamos quietos por medo de revidar um insulto, alguns até se "amenizam" por receio do que podem enfrentar na rua se estiverem vestidos como querem.
Mas achamos que se a gente recuar, se intimidar, ficar calado, nunca iremos para frente!! Sabemos que dá medo, só que se ficarmos encolhidos, nada irá mudar. Uma prova disso são as recentes leis que tornaram crime de ódio a violência contra pessoas de subculturas no Reino Unido, e isso só aconteceu por pressão das vítimas, porque elas não se calaram!



Então, esse é nosso convite: 

Vamos contar nossos casos pra essa sociedade saber que sofremos preconceito sim! Não queremos mais que este preconceito seja invisível! 
Um cabelo, uma roupa, uma maquiagem, uma modificação corporal não justifica nenhum tipo de assédio!
Vamos aproveitar a liberdade que a internet nos dá e dar uns tapas de realidade a intolerância que os alternativos enfrentam todos os dias? 

Esse é um dos poucos espaços alternativos da internet e sempre mantivemos as portas (comentários) abertas pra quem quiser se manifestar livremente! 
Vamos tentar diminuir a invisibilidade do preconceito ao diferente e mostrar pra todos que ele existe sim e que não podemos mais nos calar!



Relato de Fernanda Takai publicado em 18.12.2015 sobre o vídeo clip "Vida Diet" do Patu Fu, gravado em 2010.

As pessoas não suportam a diferença
"Na última terça-feira, estive a trabalho na capital paulista. Fui gravar um videoclipe no melhor estilo pouca verba, muita vontade. A idéia era andar de madrugada pela Rua Augusta – que vai do luxo ao lixo – enquanto cantava uma canção que diz: “a gente se acostuma com tudo”. Ou quase… Eu usava uma maquiagem e um figurino que remetiam diretamente ao personagem Edward Mãos-de-tesoura. Vocês devem se lembrar dele. Uma versão moderna e mais sentimental do Frankenstein, acrescido do talento para cortar cabelos, plantas etc., em formatos bem originais. Fiquei irreconhecível. Até parece que cresci uns 20 centímetros com os cabelos muito arrepiados.

Comecei a caminhar lentamente, enquanto as cenas eram captadas. A cada minuto alguém passava de carro ou a pé e gritava alguma coisa como: “olha a loucona!”, “bicha”, “sai, macumba!”, “que ser é esse, meu pai?”, sempre em tom de escárnio ou reprovação. Detalhe: quando percebiam que era uma gravação, trocavam um pouco a postura ofensiva por um “quem é?”, “é da televisão?”. Continuamos a andar, cruzamos a Avenida Paulista e uns fãs passantes me descobriram por trás daquela personagem. Um taxista até gentilmente foi me seguindo por alguns minutos batendo palmas e dizendo que gostava do meu trabalho, mas teve que se retirar pois acabava interferindo nas imagens e eu nem pude olhar pra ele pois fazia uma longa seqüência com os olhos fixos na câmera…

Enquanto ia cantando e descendo a rua em direção à parte mais barra-pesada do lugar, ficava pensando como é difícil ser diferente nesse mundo. Seja pela roupa, o corpo, algum tipo de comportamento menos usual e nem por isso errado. Ser diferente é atrair olhares e pensamentos que a gente sente como espinhos. Mas o pior eu ainda ia sentir de verdade naquela madrugada.
O diretor queria gravar umas cenas num clube noturno que costuma lotar todas as noites. Logo chegamos ao lugar, que fica exatamente na área mais recheada de saunas, casas de espetáculos eróticos e hotéis de alta rotatividade. Ou seja, supus que haveria umas tantas pessoas também diferentes e que ali eu não chamaria atenção. Errado. Os mesmos comentários surgiram como farpas. Eu também não era daquela turma.

Conseguimos autorização pra entrar com a câmera na boate. Já no corredor de acesso, pressentindo a hostilidade, disse que era melhor a gente ir embora que as pessoas estavam me olhando feio demais. Me davam empurrõezinhos e se viravam resmungando qualquer coisa. O som era altíssimo e a iluminação precária. Quando começamos a gravar umas cenas em que eu apenas ficava na pista enquanto todos dançavam
. Alguém deliberadamente agarrou meus cabelos e me puxou com força. Estava escuro, lotado, e as pessoas pareciam todas iguais. Digo, vestiam-se do mesmo modo. Não consegui ter certeza de quem foi. Justamente nessa hora a câmera foi desligada para ser ajustada à quantidade de luz e ninguém da pequena equipe que estava lá comigo conseguiu ver o ataque. Imediatamente pedi pra irmos embora porque agressão física é o tipo de coisa que me faz perder a graça. Ou a gente parte pra cima ou foge. Eu fugi e fiquei com muita vontade de chorar. Nem tanto pela dor, mas pela constatação de que ser diferente é correr perigo. Não ser de uma determinada turma nos torna automaticamente alvos de um bocado de gente bruta e disposta a nos colocar no devido lugar pelas palavras e pelos atos ignorantes.
Minha filha tem um livrinho, que é um dos mais vendidos mundo afora, que se chama Tudo bem ser diferente. Não, Nina. Ainda não está tudo bem e pelo jeito nunca vai estar."

NUNCA SUBESTIME UMA MULHERZINHA (Fernanda Takai) 2007, Panda Books, 120 páginas. 



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15 Comments

  1. Eu estava com uma jaqueta de couro, uma saia longa preta, luvas arrastão, cabelo bagunçado(inspiração Robert Smith, Nick Cave, Siouxsie Sioux), um batom vermelho... Além dos olhares e dos risos, dois meninos atrás de mim ameaçaram me bater... Não bateram... Uma vez uma pessoa próxima, da família, disse que eu não conseguiria nada na vida por me vestir assim, por causa do que gosto (músicas, etc)... Outra vez fui para uma psicológa por razões que não estou a fim de expor, ela me disse que usar muito preto tiraria meu 'senso crítico', quando na verdade ela não devia julgar minhas roupas se me sentia confortável daquele jeito, ela devia se concentrar no real motivo pelo qual eu estava lá... As duas psicológas que fui tentavam mais mudar o modo de me vestir que se concentrar no porquê estava lá...

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  2. Poderia contar vários: de gente tentando me converter no onibus, de copo jogado cheio de cerveja, de menina me chamando de "coisa feia" na frente do bar.
    Acho que o mais dolorido vem de pessoas próximas. Aquele preconceito venenosos, lento, que faz estragos na auto estima. Por assumir uma postura coerente com o que realmente quero para mim, "amigas" se afastaram. Inclusive colocaram no Facebook sua opinião disfarçada de elogio, quando coloquei uma foto com pouca make, e cabelos presos, mas assumiram depois a vergonha que sentem por andar comigo. Por eu não ser como elas, sou pior que elas. Meu cabelo é um lixo, meu batom preto é modinha e com quem eu ando é vagabundo. E o mais absurdo é que elas maltrataram demais as pessoas que me apoiaram. Chamaram minha mãe de louca, meus amigos de incoerentes e simplesmente viraram as costas quando mais precisei. No trabalho então...Todos dizem ter medo de mim e me isolam, raras são as pessoas que me aceitaram.
    De parentes nem me estresso mais. Compreendi que nasceram em outra década. É muito para eles, e não os culpo por isso. Eu mesma posso cair nesta cilada de julgamento um dia, então não vou brigar com eles.

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    1. Mas vc não está sozinha, vc tem a mim e a todas as meninas q passam pela msm coisa e lutam pelos seus espaços *--------*

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  3. Me vi nesse relato =/ Uma vez quase apanhei por causa do meu visu tb, eu estava na beira da praia no entardecer. E passei emf rente a um quiosque, a mulher começou a gritar do nada comigo, eu nunca a tinha visto na minha vida, mas ela me jugou como emo e msm se eu fosse, ninguém tem o direito de agredir verbalmente ou fisicamente alguém . Ela dizia "não sabe se é rockeira ou se é emo" e jogou um lixo dela em cima de mim, ela dizia q ia me dar garrafadas... Mas eu apressei os passos, pq a gente nunca sabe se as pessoas estão com facas ><

    Outras vezes, era no meu antigo endereço, várias crianças gritavam toda vez q eu passava "Jesus te ama", "Sangue de Jesus tem poder", "vc precisa de uma igreja".

    Isso para não dizer quando diziam q eu era piranha, prostituta por usar corset na rua, mas agora q é tendência tudo mundo quer um XD

    Mas o q mais dói é vc ve uma pessoa q é alternativa, sofre as mesmas coisas q vc, reproduzindo essas coisas. Dói demais, vc ve uma pessoa q se denomina alternativa expalhando racismo, machismo e gordofobia por aí ><

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  4. Já vivi situações boas e ruins por conta do visual,lembro de um cara me perseguindo em 2006 quando eu estava indo para a aula de desenho.Mas o que vou relatar agora,nem tem muito a ver com visual,mas por ser da mesma forma discriminação.A geração dos nossos país,se divorciar/separar-se era um tabu e mau visto,ainda quando isso envolvia filhos.Minha mãe separou-se em 89,quando criança (na idade pré-escolar) eu nunca havia percebido tal exclusão por esse motivo,mas ia levando, afinal eu era pequena de mais pra compreender.

    Eu tinha uma amiga de infância, e não entendia do porque a mãe dela implicar comigo...achava que era racismo,então levava sem ligar muito.Anos depois vim a descobrir que a mãe dela não gostava de mim,pura e simplesmente por minha mãe ser separada e cuidar da gente sozinha.Fui educada por minha mãe e meu irmão mais velho,penso quantas crianças passaram pelo mesmo que eu,como há mulheres/homens que vivem num relacionamento ruim,apenas p/ não serem julgados.Já vi homens que que são pai e mãe julgados como ''moles''por assumirem o papel de mãe,ainda enfrentamos muitas lutas para firmar nosso lugar como alternativos e pessoas que vivem uma vida alternativa.Esse preconceito me marcou,ficava a pensar muitas vezes sobre esse assunto,e quantas vezes fui hostilizada pela mãe dessa minha amiga,só porque minha mãe decidiu sair de um relacionamento e nos educar sem a ajuda de um homem.Devemos respeitar as pessoas como são,o que devemos repudiar são atitudes que diminuem e menosprezam alguém pelo que ela é.

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  5. Depoimento recebido por email de uma moça que pediu anonimato.

    "Olá.
    Tenho apenas 15 anos, meus pais me privam de muitas coisas, inclusive de falar de coisas assim pela internet, por isso queria contar isso em anônimo ao público. O que ocorreu comigo foi no inicio desse ano. Tem dois anos que mudei a forma com que me visto e vejo o mundo, não é uma fase de adolescente pra chamar atenção, eu simplesmente gosto. Não são só as roupas em cores escuras, é a música, os livros, a cultura, os sentimentos por trás disso, tem tanta coisa envolvida e as pessoas apenas veem o que querem.

    Quando troquei meu guarda-roupa por um mais alternativo, quando troquei o rosa pelo preto, os longos cabelos castanhos pelos curtos cabelos vermelhos, livros de romance pelos fascinantes enredos de Edgar Allan Poe, eu percebi que me identificava com isso. Minha mãe faleceu quando eu tinha 10 anos, ela era assim, apaixonada pelo diferente, louca pelos filmes do Tim Burton, cantava as músicas das animações, fascinada pelos gatos pretos. Eu descobri que gostava disso também. Mas ninguém me apoiava, somente o teatro, as aulas eram meu suporte.

    Um dia, no inicio desse ano eu me inscrevi para uma audição para um grande grupo de atores, aqui em Porto Alegre, o que poderia ser o inicio de uma carreira. No mesmo lugar havia uma entrevista para jovens modelos e atores mais velhos. Quando cheguei me olharam dos pés a cabeça. Fiz a audição já que eu estava lá, mas minha vontade era de sair correndo. Quando sai dali, pediram que eu ficasse na sala de espera pra pegar uns documentos, o resultado saia em duas semanas. Quando sentei havia uma mulher que aparentava ter uns vinte e sete anos, uma garota de dezessete e uma de vinte. As três me olharam rindo e a mais velha disse "você não deveria fazer isso", eu olhei e perguntei "fazer o que?", ela me encarou e respondeu "sair de casa pra passar vergonha". Eu abaixei a cabeça, não sabia o que fazer, eu já tinha recebido olhares de "nossa, tão nova e já se veste assim" ou "que horror, cadê seus pais?", mas nunca sozinha, nunca onde eu precisasse enfrentar isso. A outra me disse "Como se você fosse passar em uma coisa como essa. Te enxerga, se te escolherem foi por pena". As três riram. Um pouco depois disso meu pai chegou, pra confirmar as inscrições, já que eu sou de menor, ele precisava autorizar. Eu não disse nada, meu pai diz que se eu quero me vestir assim, tenho que encarar as consequências (pergunto-me, porque tem que ter consequências, não podemos ser livres para sair na rua como queremos sem ter um olhar de reprovação de todos?).
    Depois de sair dali, eu cancelei a minha inscrição no site, aleguei que não estava mais disponível. Meu pai disse que tudo bem, vive dizendo que não sei o que eu quero. Mas a verdade é que eu questionei se podia ser verdade o que as garotas falaram. Fraqueza? Não sei. Mas sinto culpa por isso, podia ter sido uma grande oportunidade. Mas aprendi com isso e tenho uma nova audição em janeiro, não tão grande, mas pode ser uma boa oportunidade.

    Alegam que temos que ser normais. O que é ser normal? Julgar os outros pelo que vestimos? Se ser normal é seguir um padrão onde são todos iguais, estou feliz vivendo no mundo dos estranhos."

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    1. Cara, chorei lendo isso. Vontade de pegá-la no colo e fugir com ela.
      Eu morei em Porto Alegre, e pelos Deuses, tinha muita gente preconceituosa lá!!! Fiquei de cara com uma cidade tão rica em história de luta e inclusão ainda ter tanta gente de cabeça quadrada e, pior, intrometida para caramba!!!

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  6. Caramba, como me dói ler esses depoimentos, graças aos Deuses, nunca me aconteceu nada sério, e eu me habituei a ignorar opiniões desnecessárias, quando mais nova, a barra era um pouco pior, principalmente do lado familiar, até falaram que eu seria solteirona pelo resto da vida (como se isso fosse um problema...) que nunca ia arrumar um namorado me vestindo de um jeito tão esquisito, que eu era feia, e mais umas coisas que já não tem importancia. Tanto que por um curto tempo dei uma amenizada no estilo, o que hoje em dia eu me arrependo, a gente não deve mudar o que é e deixar de fazer/ser o que gosta pra tentar ser aceita por alguém.
    Hoje em dia eu sou muito feliz com o que eu sou, as vezes penso satisfeita, que me tornei exatamente o tipo de pessoa que eu gostaria de ter sido amiga quando mais jovem, e mano, isso não tem preço!
    Aí as criticas já não tem peso nem um, o pessoal aqui aceitou por fim que a fase não passará.
    Parabéns pela iniciativa MdS, as vezes a gente precisa desabafar um pouco pra que o fardo fique mais leve e esse foi num ótimo modo pra isso <3

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  7. O máximo que me aconteceu foi uma conhecida vir na minha foto do perfil do facebook e disse: "nossa, colega, essa sua franja... deixa crescer". Claro que eu não deixei barato e virou uma confusão. rs. Eu sou professora de escola pública e com os alunos é maravilhoso. Eles nunca me discriminaram, nem os pais. Mas enfim, acho que o grande problema do alternativo é ser levado à sério. Eu percebo que colegas me tratam de maneira infantilizada, mesmo tendo vivido três décadas já. Associam o estilo à irresponsabilidade. Fico pensando se aos 40 vou começar a ser respeitada ou ainda vão me julgar porra louca. Enfim, ser alternativo é resistir.

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  8. Não vou entrar em detalhes senão nunca mais acabo mas vou enumerar alguns casos:

    -Seguida no metro de Lisboa (Portugal) por 6 rapazes a comentar o meu cabelo e, entre outras coisas, a chamar-me maluca;

    -Seguida por 2 homens religiosos a dizer para deixar o demónio e me converter a deus;

    -Ser chamada de satânica por ter cabelo azul;

    -Receitarem-me comprimidos Prozac para uma suposta depressão (quando eu apenas me queixava de dores de cabeça. Turns out, era stress acumulado. Não vejo outro motivo para me receitarem isto além da minha aparência);

    -Dizerem-me que não sou um ser humano, porque "nenhum ser humano tem esses gostos" (dito por uma psicologa)

    -Seguirem-me numa loja a comentar a cor e o estado do meu cabelo (e vindo de pessoas loiras com raízes pretas lamento mas não admito).


    No entanto tenho uma amiga (aqui da minha aldeia), tambem ela alternativa, que foi agredida por um grupo e foi inclusive queimada com cigarros durante a agressão. Foi ao hospital e ninguem a levou a sério. Tambem foi pisoteada por um professor na escola e, apesar de haver filmagens, foi tudo ignorado.

    Deixo ainda estes 2 links do meu blog onde falo de dois casos que saíram nas noticias cá no meu país:

    Teste de SIDA sem saber: http://emonika.blogs.sapo.pt/e-eis-que-este-pais-so-pode-piorar-32388

    Criança rejeitada em creche devido às tatuagens do pai: http://emonika.blogs.sapo.pt/crianca-rejeitada-em-creche-devido-as-45607

    E este outro link com uma reportagem sobre tatuagens onde os entrevistados contam casos: http://www.rtp.pt/noticias/pais/candidatos-a-emprego-discriminados-por-terem-tatuagens-ou-piercings_v865599

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  9. Pior do que o preconceito vivido nas ruas é a intolerância dentro de sua própria casa. Moro com meus pais e desde os 10 anos me identifico com temas obscuros, tenho uma ligação estranha com a morte, paixão por esqueletos, fascinação pelo "horror" e isso nunca foi bem compreendido aqui. Atualmente tenho 21 e meus pais ainda perguntam "quando essa fase vai passar?" que é "coisa de adolescente" e "adolescente é assim mesmo." só que já tenho 21, né? Já não sou mais adolescente e por isso, acredito que talvez não me enxerguem como uma mulher. Com 13 anos meu pai me impedia de me vestir do jeito que eu achava melhor, e quando eu teimava, ele dizia que era fase e não me poupava de piadas. Com 17, eu entrei para um curso na faculdade que eu não queria fazer para agradar meu pai. Eu estava com a auto estima muito baixa e fazia tudo para agradar os outros. Já tinha sofrido em outros anos bullying na escola e meus pais diziam "eu te disse". Com 17, eu larguei me estilo e passei a comprar roupas e coisas de "gente normal" fiquei loira, tudo para me encaixar em algum lugar. Eu estava sendo quem eu não queria ser. Namorei um cara que era nerd e eu queria ser nerd também, mas não deu muito certo porque eu nunca fui nerd. Eu me sentia que não me encaixava em lugar nenhum. Aos 19, entrei em depressão e foi péssimo. Eu vivia para agradar aos outros e só me machucava. Em minha casa, todos achavam que era "coisa de adolescente" e frescura. Fiz tratamento e lá eu aprendi que devo ser quem eu realmente sou e que se foda. Não dava para viver uma vida que não era a minha e ser alguém que eu não era. Troquei o curso da faculdade, visto o que quero e sou quem eu sou, mesmo desacreditada. Passei a me vestir de preto novamente e me sinto bem assim. Meu pai já abstrai e tenta não reclamar mais. Quero muito tatuar a minha pele e colocar piercings, para isso, preciso arranjar um emprego e pagar do meu bolso, porque mesmo com o dinheiro de pequenos trabalhos que faço, meu pai me ameaça quando falo de tatuagem. É surreal.

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  10. Estou muito triste, cada vez menos existem pessoas com identidade visual nas ruas, por conta da violência e intolerancia geral no convivio famíliar, na escola, no trabalho, carregamos um visual que e sustentado por ideias, inspiracoes uma historia de vida e ideologia e nossos astros que tanto amamos,

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  11. Bom,desde os 12 eu comecei a andar no meio do rock e aos 14 comecei a me interessar pelo gótico;musical,cultural e visualmente falando.Naquela época,final dos 90,inicio dos 2000 era bem difícil vc ser alternativo,principalmente numa cidade de interior como a que eu vim.A gente não tinha referência de porra nenhuma direito,se virava como podia pra improvisar os visu já que ainda nem se pensava comercializar (pelo menos no mainstream) roupas e acessórios com o qual me identificava.Enfim,vestia um blazer preto de brexó beeem maior que eu(no lugar do sobretudo),saias longas (daquelas de cigana) tingidas de preto,coturno de exército e espartilho improvisado.Cabelos estilo Siousxie/Bob Smith ou então num moicano e colorido precariamente com qualquer anilina da vida.Na escola jogavam coisas em mim,me chamavam de bruxa(eu ria,afinal sou uma mesmo) e de sapatão (outra coisa que não me incomoda nem um pouco,apesar do termo ser tão chulo.Mas ai começaram as agressões físicas.Os surfistinhas da escola começaram a tacar chinelos e outros objetos em mim.Um tempo depois,ja com uns 19 também duas meninas de bicicleta,me seguiram e pularam da bike me empurrando contra um muro e iam me agredir me chamando de emo,eu puxei a corrente pra dar nelas e tinha um chaveiro do corinthians na chave,elas viram e falaram:é corinthiana,deixa passar!E sairam fora,mas me ralei toda do empurrão.No meio "alternativo" daquelas party hard tb ja ouvi gracinha por usar lente vermelha ou usar visu fetish.E em baladinha da Augusta tb,o povinho hypster fazendo piadinha e gritando bosta ou jogando cerveja ou bituca de cigarro.Aquelas coisas citadas por muitos como gente fazendo sinal da cruz,dando panfletinho de igreja,querendo converter naquele mais nojento proselitismo de cada dia,gente não respeitar em fila de mercado,banco,cara escroto perguntando se tb tenho piercing ou tattoo na xana,etc,eu ja nem conto.São aquelas violenciazinhas preconceituosas do dia a dia.Pior é ver gente que se diz "alternativa" cheia dos preconceitos e de se achar superior.E de como atualmente,vendo mesmo nas midias sociais como tá rolando um retrocesso,como a galerinha mais nova anda mais puritana e conservadora,apesar dos visuais mais "pesados" usurpados na nossa subcultura,mas sem nenhum conhecimento de porra nenhuma...

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  12. Adorei a iniciativa meninas!
    Vamos fazer um escândalo! Não vamos nos calar e deixar que pisem em cima da gente só por sermos diferentes da maioria.
    Bom, violência do tipo apanhar e ter coisas jogas em mim eu nunca sofri não. Ainda bem, já que isso poderia resultar em algo pior porque eu não iria me calar, mas aquelas pequenas agressões diárias, disfarçadas de conselhos ou coisas do tipo a gente sempre sofre, né!?
    Quando eu era mais nova eu não era alternativa não, mas olhando hoje posso dizer que sempre fui diferente. E por isso sempre sofri bullying na escola. Eu não era alternativa, mas era a cdf, a que queria estudar no meio dos outros qe só queriam conversar e bagunçar. Minha mãe era quem escolhia minhas roupas (e da minha irmã) e ela sempre comprava roupas com cintura bem alta e colocava a parte de baixo lá no umbigo sempre. Mais motivo de risadinhas, já que a moda era cintura baixa nas roupas. E coisas do tipo. E foi assim até que eu e minha irmã pudéssemos escolher o que vestir (gente, isso eu devia ter no máximo uns 7/8 anos...).
    Depois que passei a começar me vestir um pouco diferente, vinha as zuações e piadinhas na escola, na rua, em qualquer lugar. Quando o visu passou a ser mais alternativo, já fui seguida por segurança dentro de loja. E olha que tava com minha mãe. A ser olhada diferente em bancos e outros lugares.
    E claro, também teve a parte da família. Meus pais nunca me proibiram de vestir nada. Pelo contrário. Minha mãe sempre disse gostar do jeito que me vestia quando comecei a usar um visu alt. Mas do restante da família sempre vinham comentários chatinhos do tipo "é só uma fase", "essa roupa é estranha", "não sei porque só usar preto", até que chegou ao ponto de, quando eu passei pela minha fase emo, uma tia inventar uma história absurda sobre emos, sangues, seitas, trasas com 12 caras ao mesmo tempo e tal. Quando chegou nesse ponto minha mãe deu um fim nisso e até ficou um bom tempo sem nem conversar com essa tia minha. Tudo isso só porque eu perguntei minha prima se ela sabia onde vendia meias listradas na cidade dela...
    Enfim, no geral é isso. E sempre acontece né. Realmente, as pessoas não suportam o diferente. Mas na minha opinião, é porque o diferente tira essas pessoas do conforto do lugar comum delas. E elas não querem isso né. É mais fácil o conforto do que é "normal" do que as dificuldades de se auto-afirmar o tempo inteiro (como se realmente precisasse né...).
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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  13. Antes, quando era adolescente, ainda relevava, mas hoje em dia, morando sozinha, dona do meu nariz, da minha razão e da minha vontade, mando logo para casa do c...
    Sei que não é nada educado, mas quem fala o que quer, ouve o que não quer.
    Não tolero mais gente assim!

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