.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Dezembro 2015

28 de dezembro de 2015

As pessoas não suportam a diferença! #preconceitoaodiferente

Recentemente a leitora Evelyn Luz me mandou o relato reproduzido abaixo, publicado por Fernanda Takai em seu Facebook. No texto ela conta que usou um figurino inspirado em Edward Mãos de Tesoura para a gravação de um clipe de sua banda e foi hostilizada pelo visual ao caminhar por uma das ruas mais alternativas de São Paulo, a R. Augusta.
A ideia era compartilhar o texto na fanpage do MdS. Porém, percebemos a complexidade do assunto preconceito (já abordada por aqui 1, 2 ) e sabemos que cada um de nós passa por discriminações e assédios diários por sermos diferentes esteticamente da maioria da população.

Então, convidamos vocês para darem seus depoimentos sobre assédios e preconceitos que sofreram ao longo da vida apenas por ostentarem um visual fora do padrão. 
Você pode usar a hashtag #preconceitoaodiferente pra gente poder acessar e ler os depoimentos. Pode comentar aqui no blog também quantas vezes quiser, não se preocupem que temos a opção de anonimato, basta que no local onde diz "comentar como" você escolha a opção "anônimo". E se não tiver face nem twitter, também pode nos enviar email, modadesubculturas@gmail.com que postaremos na hashtag com os devidos créditos (avise se quiser se manter anônimo).

No post de Fernanda Takai podemos ver como nossa sociedade é intolerante. Porque não avançamos? É bom a gente pensar no quanto políticas e mídias conservadoras tiverem influência na formação do nosso povo nos últimos anos e, neste caso, os primeiros a sentirem o efeito maléfico, são os alternativos.

Infelizmente, por causa de toda a violência que permeia nossa sociedade, muitas vezes ficamos quietos por medo de revidar um insulto, alguns até se "amenizam" por receio do que podem enfrentar na rua se estiverem vestidos como querem.
Mas achamos que se a gente recuar, se intimidar, ficar calado, nunca iremos para frente!! Sabemos que dá medo, só que se ficarmos encolhidos, nada irá mudar. Uma prova disso são as recentes leis que tornaram crime de ódio a violência contra pessoas de subculturas no Reino Unido, e isso só aconteceu por pressão das vítimas, porque elas não se calaram!



Então, esse é nosso convite: 

Vamos contar nossos casos pra essa sociedade saber que sofremos preconceito sim! Não queremos mais que este preconceito seja invisível! 
Um cabelo, uma roupa, uma maquiagem, uma modificação corporal não justifica nenhum tipo de assédio!
Vamos aproveitar a liberdade que a internet nos dá e dar uns tapas de realidade a intolerância que os alternativos enfrentam todos os dias? 

Esse é um dos poucos espaços alternativos da internet e sempre mantivemos as portas (comentários) abertas pra quem quiser se manifestar livremente! 
Vamos tentar diminuir a invisibilidade do preconceito ao diferente e mostrar pra todos que ele existe sim e que não podemos mais nos calar!



Relato de Fernanda Takai publicado em 18.12.2015 sobre o vídeo clip "Vida Diet" do Patu Fu, gravado em 2010.

As pessoas não suportam a diferença
"Na última terça-feira, estive a trabalho na capital paulista. Fui gravar um videoclipe no melhor estilo pouca verba, muita vontade. A idéia era andar de madrugada pela Rua Augusta – que vai do luxo ao lixo – enquanto cantava uma canção que diz: “a gente se acostuma com tudo”. Ou quase… Eu usava uma maquiagem e um figurino que remetiam diretamente ao personagem Edward Mãos-de-tesoura. Vocês devem se lembrar dele. Uma versão moderna e mais sentimental do Frankenstein, acrescido do talento para cortar cabelos, plantas etc., em formatos bem originais. Fiquei irreconhecível. Até parece que cresci uns 20 centímetros com os cabelos muito arrepiados.

Comecei a caminhar lentamente, enquanto as cenas eram captadas. A cada minuto alguém passava de carro ou a pé e gritava alguma coisa como: “olha a loucona!”, “bicha”, “sai, macumba!”, “que ser é esse, meu pai?”, sempre em tom de escárnio ou reprovação. Detalhe: quando percebiam que era uma gravação, trocavam um pouco a postura ofensiva por um “quem é?”, “é da televisão?”. Continuamos a andar, cruzamos a Avenida Paulista e uns fãs passantes me descobriram por trás daquela personagem. Um taxista até gentilmente foi me seguindo por alguns minutos batendo palmas e dizendo que gostava do meu trabalho, mas teve que se retirar pois acabava interferindo nas imagens e eu nem pude olhar pra ele pois fazia uma longa seqüência com os olhos fixos na câmera…

Enquanto ia cantando e descendo a rua em direção à parte mais barra-pesada do lugar, ficava pensando como é difícil ser diferente nesse mundo. Seja pela roupa, o corpo, algum tipo de comportamento menos usual e nem por isso errado. Ser diferente é atrair olhares e pensamentos que a gente sente como espinhos. Mas o pior eu ainda ia sentir de verdade naquela madrugada.
O diretor queria gravar umas cenas num clube noturno que costuma lotar todas as noites. Logo chegamos ao lugar, que fica exatamente na área mais recheada de saunas, casas de espetáculos eróticos e hotéis de alta rotatividade. Ou seja, supus que haveria umas tantas pessoas também diferentes e que ali eu não chamaria atenção. Errado. Os mesmos comentários surgiram como farpas. Eu também não era daquela turma.

Conseguimos autorização pra entrar com a câmera na boate. Já no corredor de acesso, pressentindo a hostilidade, disse que era melhor a gente ir embora que as pessoas estavam me olhando feio demais. Me davam empurrõezinhos e se viravam resmungando qualquer coisa. O som era altíssimo e a iluminação precária. Quando começamos a gravar umas cenas em que eu apenas ficava na pista enquanto todos dançavam
. Alguém deliberadamente agarrou meus cabelos e me puxou com força. Estava escuro, lotado, e as pessoas pareciam todas iguais. Digo, vestiam-se do mesmo modo. Não consegui ter certeza de quem foi. Justamente nessa hora a câmera foi desligada para ser ajustada à quantidade de luz e ninguém da pequena equipe que estava lá comigo conseguiu ver o ataque. Imediatamente pedi pra irmos embora porque agressão física é o tipo de coisa que me faz perder a graça. Ou a gente parte pra cima ou foge. Eu fugi e fiquei com muita vontade de chorar. Nem tanto pela dor, mas pela constatação de que ser diferente é correr perigo. Não ser de uma determinada turma nos torna automaticamente alvos de um bocado de gente bruta e disposta a nos colocar no devido lugar pelas palavras e pelos atos ignorantes.
Minha filha tem um livrinho, que é um dos mais vendidos mundo afora, que se chama Tudo bem ser diferente. Não, Nina. Ainda não está tudo bem e pelo jeito nunca vai estar."

NUNCA SUBESTIME UMA MULHERZINHA (Fernanda Takai) 2007, Panda Books, 120 páginas. 



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25 de dezembro de 2015

Entrevista com Isis, proprietária da loja Miniminou

Não tem como negar que a Miniminou é uma das lojas de acessórios alternativos mais influentes aqui do Brasil. Com quase seis anos de idade, encontrou seu nicho ao oferecer produtos de qualidade, com acabamentos caprichados e boa parte deles feitos artesanalmente a partir de ideias e referências da proprietária. E é com a dona da marca, Isis, a nossa entrevista da sessão Mercado Alternativo de hoje!


"We are all skulls inside"



Conte-nos quando decidiu trabalhar com esse segmento e ter sua própria marca.
Isis: Nasci em uma confecção. Meus pais trabalham com moda desde o início dos anos 1970, já produziram acessórios de couro, roupas exóticas, jeans e todo o universo feminino. Meu pai largou a publicidade para ser o modelista/estilista para se juntar com minha mãe que sempre foi vendedora e montarem suas empresas. Tiveram algumas, então desde os meus 9 anos eu já sabia costurar alguma coisa, com 13 eu ficava de vendedora em uma das lojas deles e com 16 me apaixonei por webdesign e queria fazer T.I mas não tinha grana, então continuava trabalhando com meus pais mas também tendo meus próprios mini negócios, fazer e vender sabonete, trufa, revistas e CDs de cantores pop e por aí vai. Aos 17, fui trabalhar em uma fábrica de montagem no Japão, nesses esquemas que eles pagam sua passagem e estadia e você paga de volta com trabalho e fiquei lá por 1 ano. Quando voltei decidi mergulhar de cabeça no negócio dos meus pais que estava muito falido. Aos poucos, com muita criatividade foi se reerguendo, porém eu sempre tive problemas com minha mãe e nos desentendemos de vez em 2008.
Trabalhei de vendedora em boutique, tranquei a faculdade de Negócios da Moda que já não tinha condições de pagar e tentei outros negócios que não deram certo também, um deles eu acabei ficando com um estoque de bolsas de furoshiki (técnica japonesa) e precisava vendê-las, então pedi emprestado para minha irmã o pagamento para participar de um evento, mas arrisquei a colocar uma parte no estande de produtos que garimpei no centro com um dinheiro também emprestado e essa parte desse estande em abril de 2010 se tornaria a Miniminou.
As bolsas não venderam, os produtos da Miniminou sim, e era algo que eu sempre admirei, sempre achei diferente, foi ali que tomei a decisão de criar a Miniminou de verdade e ela seria virtual, sem roupas, por favor! (não queria mais ver roupas por muito tempo).


Focando em acessórios, a marca demorou alguns anos pra lançar roupas próprias, 
como a saia godê abaixo.


Como você definiria a Miniminou? Que tipos de itens a pessoa encontra na loja?
A Miniminou é um grande mix de produtos, gosto de pensar que todo produto que tenha na marca causará alguma reação em alguém que irá usá-lo. Desde o anel fofo de gatinho cheio de detalhezinhos até o vestido com o símbolo de pentagrama invertido nas costas, há quem ache algum produto fofo, meigo, lindo e aqueles (que eu acho os mais legais) que provocam medo, aflição e estranheza.
Sempre disse que a Miniminou não é voltada para um determinado público, nós mudamos com o tempo e seguimos mudando, não há regras para usar as peças, use o que goste e o que você acha interessante.

O vestido com pentagrama invertido nas costas é um dos sucessos da marca.

 
Como é o processo de escolha das peças a serem vendidas, é seu gosto pessoal, um "feeling"... há alguma influencia estética das subculturas?
Acho que muito disso aprendi com minha mãe, esse feeling do mercado, do comércio mesmo. Já a escolha das peças eu só imagino meu público alvo, que demorei um pouco pra entender o que ele quer, eu particularmente não usaria e não uso a maioria dos produtos da Miniminou, sou mais básica rs.
Muitas subculturas, se não todas, fazem parte do processo do desenvolvimento dos produtos da marca, tenho aprendido tanto nos últimos anos (o seu blog ajuda muito nisso), há muitas vertentes a serem exploradas, eu me encanto mais com o gótico e o punk e a partir desses pontos vou seguindo para outros meios, mas nunca querendo rotular um produto como de tal subcultura e pronto.


Algumas de suas peças são montadas de forma artesanal, só que o artesanato não é tão valorizado no Brasil exceto em um nicho que valoriza o personalizado, peças únicas. De que você acha que se dá esse desdém do brasileiro pelo artesanal? Você acha que a Miniminou está ajudando a mudar essa mentalidade entre seus consumidores?
Acho isso muito difícil, mudar a mentalidade das pessoas. Por mais que é dito na loja sobre as roupas serem produzidas aqui, muitos colares e chokers serem feitos manualmente por mim, muita gente crê e bate o pé que é tudo importado ou então que deveria ser o preço de um importado chinês já que é igual... 
A maioria não nota a diferença ou nem quer notar, o brasileiro prefere pagar mais barato sempre e acho difícil essa mentalidade mudar. Mas a Miniminou têm clientes incríveis que sempre valorizaram o nosso trabalho e acompanham a evolução da marca, aos poucos teremos mais clientes assim.


Colares são alguns dos produtos montados de forma artesanal.


Você também cria designs exclusivos, sua marca é influenciadora no nicho de acessórios alternativos no Brasil, como lida com as vantagens e os problemas que toda essa criatividade e influência trás?
É muito gratificante receber foto de cliente usando o produto, os feedbacks, e os comentários que as pessoas recebem por estarem com um produto diferente. Eu sou um pouco ingênua, nada que a marca lança de novo eu acho que será um sucesso mas normalmente é e isso me deixa feliz e vem mais um monte de ideias legais para lançar, aí resolvo arriscar mais, ousar mais nos produtos e tal.
Esse ano que rolou a parte mais chata que foi a cópia dos produtos de acrílico, eu não imaginava o sucesso que seria, produzi bem pouco mas era uma vontade que eu tinha há mais de ano, mas não achava fornecedor certo, nem o material certo, quando consegui lancei despretensiosamente e não muito tempo depois comecei a ver as cópias, foi algo assustador, surreal e decidi que o melhor era deixar pra lá e seguir com coisas novas, então dificilmente voltarei a lançar peças assim e aproveito pra pedir desculpas as clientes que compraram e mandam fotos com os produtos de acrílico, eu adoraria repostá-las nas redes sociais mas eu já não sei mais quais são as que compraram na Miniminou ou de outra pessoa e escolhi não fazer mais propaganda para os outros.


Alguns dos desenhos autorais em acrílico da Ísis para a Miniminou.


Há algum tempo vocês tem apresentado tecidos com estampas exclusivas. Isso ganhou destaque agora, na última coleção - que trouxe 5 modelos diferentes de desenhos elaborados. Como foi o processo pra produzir estampas exclusivas, porque isso foi um feito e tanto uma marca pequena e alternativa como a sua...
Primeiro fiz aquelas estampas corridas, sem pé na estamparia, a do morcego, do gatinho e da caveira com rosas e correntes. O primeiro pedido mínimo é de 150m por estampa, então na primeira vez fiz os 150m e fiz tudo em um modelo de vestido só. Aí vieram essas da última coleção, para conseguir passar o que eu imaginava para a ilustradora é um pouco difícil pra mim, o que acaba demorando mais, daí a estamparia cada hora mandava uma amostra mais estranha que a outra e até acertar foi também demorado.
Mandei pra oficina com os 2 projetos de vestido, o longo e o boho. Detalhe que essas estampas tem pé ou barrado, ou seja, o encaixe no corte é mais difícil e isso foi dito e foi cobrado a mais pela oficina, só que atrasou muito e não entregavam, tive que cancelar sessões de fotos 2x. Quando descobri, vi que não tinham respeitado os desenhos das estampas, ou seja, o desenho não estava na barra nem os outros estavam no sentido certo, um horror. Eu só chorava de desespero de ter visto tudo perdido. Mas já havia pedido na estamparia correr mais 50m de cada e foi isso que salvou, então tive que apelar pra outra oficina de última hora.
No final deu certo a coleção, mas infelizmente não consegui produzir o quanto queria e por isso as peças esgotaram muito rápido. Espero que a próxima produção não dê tanta dor de cabeça assim e a Miniminou consiga atender a demanda. Novas estampas e novos modelos já estão em processo de criação para o próximo ano. 


Um dos cinco modelos de estampa criadas pela marca lançadas recentemente.


Tantas pessoas incríveis vestem sua marca (@sarabellemarcoux, @danielecorpse, @roseshock), existe alguém que você gostaria de ver usando peças da marca?
Sonho mesmo seria a Kat Von D e Dita Von Teese, mas há de fato pessoas maravilhosas que tenho conhecido com o tempo e que considero tão incríveis quanto <3


O que acha do mercado alternativo (dificuldades e facilidades), tanto como consumidora quanto como empresária?
A Miniminou fará 6 anos agora em abril. Há 6 anos não tínhamos quase nada no mercado, encontrar qualquer produto com caveira ou que remetia ao rock era quase impossível, hoje isso é muito mais fácil, consigo encontrar tecidos prontos de caveira com mais facilidade, acessórios com um ar mais dark também e com qualidade um pouco melhor e pedir uma produção de 50 blusas de tricô com o desenho do baphomet já não assusta mais tanto as pessoas, até posso escolher o modelo de botão de caveira eu quero!
Mesma coisa para o consumo, marcas como a Schutz e Santa Lolla vieram com tudo com esse ar mais dark em suas peças, na Renner, C&A e Riachuelo sempre tem um cantinho "do rock".
A parte boa mesmo é a facilidade de se encontrar hoje em dia produtos mais legais, mas a qualidade ainda deixa um pouco a desejar.

Para os leitores que quiserem comprar seus produtos, onde eles podem encontrar e como podem entrar em contato? 
Agora a Miniminou só tem a loja virtual, esse é o foco da marca que com tantos anos de experiência é onde sabemos trabalhar melhor. Loja física é um sonho, mas distante, então todos os produtos estão disponíveis na loja http://loja.miniminou.com.br
O atendimento é feito sempre por e-mail, em breve por telefone também e fazemos o máximo para responder à todos nas redes sociais.



Espero que tenham gostado da entrevista! 
Foi um papo muito interessante que me fez compreender um pouco mais sobre o conceito da Miniminou, ver um pouco da empresa e do mercado pelos olhos da proprietária. 
Vimos que ela abordou alguns assuntos que a gente sempre bate o pé aqui no blog, como as dificuldades das marcas pequenas que criam suas próprias peças enfrentam em relação à criação de peças diferenciadas e de se manterem ativas - coisa que também foi comentada pela Nívia, da Dark Fashion [aqui] -  também ficando super claro o porquê das lojas alternativas autorais cobrarem o preço que cobram por suas roupas e acessórios: existe todo um processo de fazer uma ideia diferente se tornar real, num nível de trabalho artesanal além do trabalho intelectual e autoral.

Vocês podem acompanhar a marca também pelo Instagram @_miniminou

E quem quiser pode comentar dizendo o que achou da entrevista, se são clientes da loja (ou querem ser) e o que acham dos produtos :)


 

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21 de dezembro de 2015

Resenha: livro "Hellraiser" da DarkSide Books


"Como ouvira falar da caixa de Lemarchand? Ele não se lembrava. Na época era só um rumor - um sonho de uma redoma dos prazeres. E a rota para aquele paraíso? Disseram-lhe que havia diversas; gráficos feitos por viajantes cujos ossos há muito tinham se tornado pó."


Algumas semanas atrás a DarkSide Books me enviou o livro Hellraiser. Eu escolhi essa obra não apenas porque sou fã do gênero horror/terror quanto e porque já fazia muitos anos que eu tinha assistido o filme homônimo e não lembrava direito da história. E foi muito bom, pois pude ler a obra escrita pela primeira vez sem ficar comparando com alguma memória do filme. 


Pra quem não conhece, a DarkSide é a primeira editora nacional especializada nos gêneros de terror e fantasia. Teve uma época que foi muito difícil pra quem era fã destes gêneros (me incluo) achar livros aqui no Brasil, até mesmo os do popularíssimo Stephen King e um de meus autores preferidos do gênero, H.P. Lovecraft...
A DarkSide veio pra preencher esse vácuo, este nicho que sempre sofreu preconceito por tratar de temas assustadores. Acho que todo mundo agora está mais feliz porque quem é fã de terror sabe que muitas histórias são tão bem escritas que é injusto seus autores não terem a devida publicação e divulgação de suas obras.

Darkside:
- Site
- Facebook
- Tumblr



Onde Comprar?
Alguns links abaixo tem desconto :)


Hellraiser - Renascido do Inferno (The Hellbound Heart)
Hellraiser foi lançado pela DarkSide recentemente, em setembro, perto do aniversário de 30 anos da obra escrita por Clive Barker, criador dos personagens Cenobitas. Barker escreveu mais de 20 títulos de terror, e além de Hellraiser, Candyman e o filme O Último Trem são baseados em contos seus. 


Até o plástico bolha da DarkSide é preto :P


Bom, eu imaginava um livrão rsrs! Me surpreendi que é uma história relativamente curta e rápida de ler. Mas super envolvente e na verdade até prefiro assim, histórias diretas do que aquelas obras que enrolam e as coisas demoram a acontecer. A historia não para na verdade, você é que tem que se controlar pra não ler tudo de uma vez. Talvez o personagem que todo mundo associe com a obra seja Pinhead, um dos Cenobitas.

A arte da capa do livro lembra couro, é lindíssima!
E o desenho dourado é a caixa de Lemarchand em seu formato quando aberta. 

Hellraiser, "Hellbound Heart" em inglês, conta a história de um homem chamado Frank Cotton que é obcecado pelos prazeres do sexo e vai procurar uma tal "caixa de Lemarchand" porque ouviu falar que ela realizava os desejos de quem conseguia decifrar sua abertura.


"... Foi feita por um artesão chamado Lemarchand - um produtor de pássaros cantantes - na forma de uma caixinha de música de design tão elaborado que um homem podia passar metade da vida brincando com ela e nunca conseguir abri-la."
 
Hedonista, Frank é fissurado em todo tipo de sexo, incluindo os mais perversos, e espera que a tal caixa dê à ele prazeres carnais intensos por quanto tempo ele desejar. O que ele não esperava era que a caixa abria uma espécie de portal para o inferno e os demônios que lá habitam, chamados de Cenobitas, tinham uma visão um pouco diferente da de Frank sobre o significado de "prazer". Se Frank esperava mulheres eternamente dispostas ao prazer do sexo, ele encontra o sádico prazer infernal vindo através de muita dor e tortura. 

E por causa dessa relação com o sadismo, os trajes dos Cenobitas - muito bem observado nos 8 filmes do Hellraiser - tem inspiração fetichista S&M. Tema que é recorrente nas obras de Clive Barker.


"Suas feições eram tão terrivelmente escarificadas - as feridas nutridas até incharem - que os olhos eram invisíveis e as palavras corrompidas pela desfiguração da boca." descrição de um dos Cenobitas.


Passado algum tempo, o irmão de Frank, chamado Rory, e sua esposa Julia se mudam para a casa que Frank morava. A partir daí, Julia - que havia se apaixonado por Frank no passado - descobre que ele foi tragado para o inferno Cenobita e faz de tudo - até assassinatos - para trazer o ex-amante de volta. Outra personagem que vai fazer a história andar é Kirsty, amiga de Rory e apaixonada por ele secretamente. 


Uma coisa que vale dizer: ambas as mulheres, tanta Julia quanto Kirsty são as que fazem a história acontecer. E isso não é tão comum em obras de terror: ter mulheres como seres ativos e importantes e não meras coadjuvantes. Então, pra nós, mulheres fãs de terror, é algo que merece ser levado em consideração. Não tem aquele nhém nhém nhém de "mulher, você está imaginando, está emotiva, são seus hormônios" e blalablás pra diminuir a opinião feminina. Não! Elas tomam decisões sozinhas e sabem que o bem e o mal estão dentro de todas as pessoas e cabe a elas decidir quando e porquê usar seus lados sombrios.

Comparando com o filme de 1987, Clive Barker escreveu o livro já com a intenção de adaptá-lo ao cinema. Neste, é possível observar o figurino de inspiração fetichista, eu não pude deixar de associar com o figurino que bandas de black metal, como vocês devem bem lembrar, neste artigo explicamos que a moda heavy metal surgiu de referências fetichistas.


E essa relação com o Heavy Metal, gênero musical que abraça temas de terror, não para por aí. Clive Barker dirigiu o clipe “Hellraiser”, do Motörhead e o ator Doug Bradley - que interpreta Pinhead, narrou diversas músicas da banda Cradle of Filth.  

"Filmes de terror dos anos '80: quando demônios se parecem com bandas de metal"

E vocês, gostam de Hellraiser e de livros de terror?
O que acham de termos agora uma editora especializada no gênero?


Doug Bradley como Pinhead

Onde Comprar o Hellraiser?
Alguns links abaixo tem desconto :)


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20 de dezembro de 2015

Queen of Darkness: Novo site e nova coleção!

A loja alemã Queen of Darkness tá de site novo e parte da nova coleção 2015/2016 disponível!
Sobre o novo site, agora tá bem mais facinho de navegar, tá tudo separadinho em categorias (incluindo um link pras peças Plus Size) e quando você escolhe um tipo de roupa, exemplo: calças; aparecem todas as disponíveis sem você precisar ficar correndo páginas! O visual tá clean e as fotos estão padronizadas, todas com fundo cinza. E se você é leitora do blog e mora na Alemanha, o frete tá grátis pra compras acima de €75.

The German store Queen of Darkness has a new website and new 2015/16 collection available!
Now it's much more easy to navigate on the new site, it's all separated into categories (including a link to purchase Plus Size pieces) and when you choose a type of clothing, eg. trousers; it shows all available pieces on the same page! The visual is clean and photos are all with gray background. And if you're a blog reader and lives in Germany, there is free shipping for purchases over € 75.


Já sobre a nova coleção, lá na Europa é outono agora, então tem muita calça, manga longa e casacos e com o calor que tá fazendo aqui a gente nem quer saber disso né? :D 
Então eu separei umas peças que podem fazer parte de nosso futuro outono/inverno e que - quem sabe - entrem na wishlist de algum leitor. E o mais doido é que a coleção foi lançada no fim de semana e já tem várias peças esgotadas (mas vão voltar!!).

About the new collection, is fall in Europe right now, so it has a lot of trousers, jackets and long sleeve blouses, but we are suffering in "summer" heat here in Brazil so we live in this difference of seasons : D
So I separated some pieces that can be part of our future fall / winter 2016 and - who knows - enter the wishlist of the readers. And the crazier is that the collection was launched at the weekend and several pieces are already sold out (but they will come back to stock soon!!).

 

A blusa de tricô tem mangas removíveis!

Eu adorei essa manga longa com detalhes em tela arrastão e a hot pant tá linda! Bem rock n roll!




Novos acessórios:
Silver Necklace With Skeleton Hands Earrings Cross And Pentagram é pra usar um diferente em cada orelha!


E vocês, curtiram as peças? :D

And you, liked the pieces? Which are your favorites?



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17 de dezembro de 2015

O revival do clubber na moda contemporânea

Nos desfiles internacionais de 2014, um dos assuntos mais comentados na moda mainstream foi sobre a volta do clubber e da cena rave. Depois da pesquisa, observa-se que na verdade ele vem dando as caras já algum tempo, ficando mais fácil de se destacar em que pontos o movimento teve influencia.

Kabuki Starshine servindo de inspiração no Inverno 2012 de Meadham Kirchoff

Clubber no Verão 2015 de Jeremy Scott

A retomada pode ter iniciado com a explosão da Lady Gaga na mídia. O que destaca a sua estética é a forma conceitual, com forte referência na arte surrealista e na moda Kawaii. Porém, Nicola Formichetti era a grande cabeça por trás do visual da cantora, e como já escrito antes, o badalado stylist tem entre suas pesquisas as subculturas, não restando dúvida de que os clubbers fizeram parte desse moodboard.

Quem diria que uma kid underground teria seu visual copiado num editorial com Naomi Campbell e anos depois apareceria no clipe de uma das maiores estrelas pop!

Junto com o boom de Gaga, nasce em 2009 o reality RuPaul's Drag Race, o que ajuda a lançar de vez o revival da era clubber já que RuPaul fez parte da cena sendo uma dos mais famosas frequentadoras! Em seguida ao estrondoso sucesso do programa, começa a surgir o interesse da moda pelo anos 90 e aí vasculha-se tudo o que era febre nessa década.

 Miss Fame - participante da sétima edição - não remete aqui a Kabuki Starshine??

Hoje encontramos diversos artistas onde visivelmente encontra-se pegada clubber. De mainstream a alternativos está Brooke Candy, que mistura diversos estilos, sendo um belo exemplo da geração Y. Lembrando que posteriormente, Candy trabalharia com Nicola Formichetti. As coisas sempre se interligam!

Estética da cantora no início

 Acompanhada de Amanda Lepore, uma club kid original!


Moda Alternativa
É impressionante como tudo, mas tudo mesmo que representou essa fase está voltando. Os club kids usavam uma mistureba de elementos pois nela andavam turmas como Drags, Góticos, Pattys e Boys. Muitos eram envolvidos com o universo da Moda, Beleza, Arte e isso ajudava a enriquecer o figurino dos frequentadores o que a tornou uma grande fonte de modismos pelo mainstream. Veja quanta coisa vem dessa época!

Cores Neon (ou fluorescentes)

Em 2012, já tínhamos destacado entre trends alts o neon, porém não havia sido relacionado com o clubber. As cores estão presentes em tudo, principalmente em acessórios. Lembram daqueles brincos e piercings em forma de mamona e aquela pulseira que fecha batendo no pulso? Olha elas aí:


Holográfico e Metalizado

Um dos favoritos da última temporada! Como não amar? Inclusive a pochete, que ainda pouco se encontra aqui. Aliás, toda vez que eu vejo metalizado, lembro do trench coat babado que a Bridget Fonda usa em "Mulher Solteira Procura", filme de 1992.


Versões 2015:

Glitter

Surgindo em tudo: acessórios, roupas, maquiagens, cabelos, barbas e o que mais sua criatividade permitir.


Transparências

Quem não jogou fora aquela bolsa, casaco ou sandália transparente pode resgatar do armário djá! 


Plataformas

Remetem logo as Spice Girls, né? Mas os clubbers já usavam e abusavam. E eram gigantes!


Versões 2015

Pelo (ou pelúcia) sintético

Ficou superpopularizado por nomes como Gwen Stefani e Bjork. E também estavam presentes em várias vestimentas.


Versões 2015

Versão gótica da Queen of Darkness

Vinil

Em grande destaque, o tecido chama a atenção por causa do brilho que realça qualquer cor. Além do pelo, Gwen Stefani marcou presença de vinil como é o caso do famoso vestido vermelho usado na capa de Tragic Kingdom.


Versões 2015:



Estampas

Arco Íris

Hello Kitty

Smile

Versão dark KillStar

ET's e Unicórnios

Dentre as influencias que os clubbers tiveram, estavam os desenhos animados. O auge na década de 80 eram a Jem e as Hologramas, Meu Pequeno Pônei e a maior delas, Lisa Frank.


Versões 2015
Miçangas coloridas

Outra mania que a Lisa Frank lançou. O produto era direcionado às crianças, porém os mais velhos não resistiram e se encheram de pulseiras e colares.


Versões 2015

Miley Cyrus apareceu no desfile do Jeremy Scott cheia delas. Disseram que ela mesma fez o colar.

Chokers

Também falamos da retomada das chokers, como a estilo tattoo e a em tira de veludo. Agora, além do vinil, a de couro e argolas de metal também ganharam força. Repare a semelhança do acessório de Walt Paper na década de 90 e o da modelo Fernanda Ly na atualidade.


Versões 2015 da marca brasileira HauteXtreme

Piercing no septo

Tem uns dois anos que o piercing no septo virou febre e o motivo é nada menos que os anos 90. O club kid Walt Paper e uma das top sensações da época Sybil Buck destacam o modelo em suas faces.


Lady Gaga em 2013, quando surgiu antecipando a onda dark que vinha do mainstream. Munida de piercing e choker de argola:

Cabelos

O penteado knot (nó) ficou tão popular que até celebridades noventistas usaram. Aqui vemos Richie Rich e Gwen Stefani:


Hoje em dia ainda não se observa a mania igual a de 1990, mas algumas famosas apareceram, como Rihanna e Miley Cyrus:

Maquiagem

Sendo a essência dos kids a estética excêntrica, a maquiagem serviu de aliada nesse repertório. Um belo exemplo é Kabuki Starshine, que não tinha limite para criar sua imagem. Quanto mais colorido fosse, melhor.


Nos últimos anos houve um crescimento no interesse por makes coloridas e isso se deu por causa dessa cena. Diversas marcas alternativas entraram na vibe e adotaram coleções com os mais diferentes pigmentos, entre elas, destaco a SugarPill Cosmetics. A dona, Amy Shrinkle, iniciou a empresa em 2003, depois que elogiaram sua make, da qual tinha influencia nas performers dos clubes underground de drag queen que ela frequentava. 

Os produtos SugarPill se destacam pelos tons vibrantes e acentuam-se ainda mais quando unido ao glitter. Tudo a ver com o clubber.

Além dos coloridos, o batom preto também foi muito usado. É bem provável que seja influencia dos góticos que andavam no meio. 

Diferentes períodos: Amanda Lepore e Brooke Candy

A gente sabe que certos modismos de agora apesar de serem dadas como algo novo nada mais são do que antigos costumes rebatizados com outros nomes. Mesmo não sendo premeditado, o Seapunk reúne elementos que acabam se encaixando na tentativa atual de dar continuidade a cena clubber. Pena que acabou sugada pelo mainstream e mal deu tempo de ver sua evolução. Talvez os Scene Kids tenham sido crias bem distantes, pois também há certas semelhanças. O que resta é ficar de olho se alguma subcultura nascerá com esse revival de música eletrônica e estética alternativa.



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Artigo das autoras do Moda de Subculturas. Para usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos, linke o artigo do blog como respeito ao direito autoral do nosso trabalho (lei nº 9.610 de 19 de fevereiro de 1998). Tentamos trazer o máximo de informações para os leitores até a presente data da publicação. Todas as montagens de imagens foram feitas por nós.

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