.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Novembro 2016

27 de novembro de 2016

Joe Corré, filho de Vivienne Westwood e Malcolm McLaren queima históricas peças Punks criadas por seus pais.


"O Punk se tornou ferramenta de marketing para vender algo que você não precisa. A ilusão de uma escolha alternativa. Conformidade em outro uniforme." - Joe Corré


god save the queen shirt vivienne westwood
Joe Corré queima a camiseta "God Save the Queen", criação de seus pais na década de 1970.

Como já havíamos noticiado aqui no blog no começo do ano, Joe Corré, filho de Vivienne Westwood e Malcolm McLaren anunciou que queimaria a memorabilia punk herdada de seus pais, que chega ao valor de pelo menos 5 milhões de libras.

O motivo?
A cooptação da subcultura punk pelo mainstream.

Durante todo o ano de 2016 comemorou-se os 40 anos da subcultura Punk. Dentre estas comemorações o "Punk London" foi cheio de exposições, debates e palestras em museus, na British Library e no British Film Institute. Tudo aprovado e abençoado por ela, a "God Save the Queen", Rainha Elizabeth II.

"A rainha ter dado a bênção aos 40 anos do Punk foi a coisa mais assustadora que ouvi. É a apropriação da cultura punk e alternativa pelo mainstream... Ao invés de um movimento por mudanças, o punk se tornou uma peça de museu ou de atos de tributo. O punk nunca, nunca significou ser nostálgico - e hoje você pode aprender como ser punk num workshop no Museu de Londres." - Joe Corré 


Neste sábado 26 de novembro (data do aniversário de 40 anos da subcultura na Inglaterra), Corré queimou sua memorabilia num barco no rio Tâmisa acompanhado de sua mãe Vivienne Westwood. Em terra, houve protestos de punks querendo sabotar o ato que foi transmitido por live streaming.

 Joe Corré burning punk memorabilia
memorabilia punk queimando

Além de simbolizar revolta com a apropriação da cena musical pelo mainstream, bonecos de políticos ingleses como David Cameron, Theresa May e George Osborne foram queimados vestindo as roupas históricas dos primórdios da moda punk, junto com pôsteres, álbuns, cartazes e outras peças de época.

memorabilia punk on fire
Na faixa vermelha, corporações como Monsanto, Bayer e McDonalds são criticadas.

A hipocrisia está no centro desse ato de Joe Corré. Ele disse que nos últimos 40 anos houve um sequestro da anarquia no Reino Unido. Corré pediu aos que assistiam ao espetáculo para confrontar tabus e não tolerar hipocrisias ao mesmo tempo em que ele e sua mãe alertavam sobre os perigos de uma mudança climática. Sempre engajados em causas sociais e políticas, mãe e filho aproveitaram para colocar o lado ativista em prática pedindo que as pessoas adotem energia verde, que seria o primeiro passo para um mundo livre e "a coisa mais importante que você poderia fazer em sua vida".

Dizeres no barco: "Extinção! Seu futuro"

"Londres está sendo socialmente limpa e transformada num parque temático para corporações, cadeias de lojas e especuladores que não pagam seus impostos. Algumas pessoas estão muito preocupadas com o preço desses artefatos, mas a conversa que precisamos ter é sobre valores. O Punk proporcionou uma oportunidade para que a geração dos anos 1970 criasse uma saída - não confiando na mídia, não confiando nos políticos, investigando a verdade por si mesmos - o "faça você mesmo". O punk está morto e é hora de pensar em outra coisa". - Joe Corré

Esta fala de Joe Corré sobre o Punk estar morto e ser a hora de pensar em outra coisa, se liga com a fala de Kathleen Hanna sobre o movimento Riot Grrrl. Ela também não curte a nostalgia sobre e alegou que ao invés de tentar reviver o movimento Riot era melhor a geração atual criar um novo movimento. Fica aí a reflexão sobre estarmos mesmo cooptados pelo mainstream, sobre deixarmos de questionar e simplesmente aceitar o status quo, e sobre não estarmos criando coisas novas, apenas relendo o passado.


Vivienne Westwood apoiou o ato do filho e convidou os presentes para enfrentar a hipocrisia da política e das grandes corporações. Pediu que todos se engajem em causas ambientais. Um "faça você mesmo" a mudança, chega de ficar à mercê dos poderoso$.
 climate revolution


Durante o ano, tanto John Lydon quanto fãs de punk questionaram porque ao invés de queimar, Joe Corré não vendia as peças e doaria o dinheiro à caridade?
Corré respondeu dizendo que "quem irá comprar as peças?" - que por serem relíquias, são caras - "Elas vão parar na parede de algum banqueiro". Pelo valor, as peças não seriam compradas por punks reais e sim pela elite. Justamente a elite que explora o mundo.

Tudo isso está sendo documentado para um filme e segundo Corré, 80% dos fundos serão doados para causas ambientais e de mudança climáticas. Mas ele não queimou toda sua coleção, alguns itens de valor sentimental permaneceram, como as roupas que ele ajudou sua mãe a costurar quando ainda era um garotinho.

"O Punk tem sido castrado e neutralizado pelo setor corporativo e pelo Estado. Pendurado, esticado e esquartejado. Os jovens de hoje, jovens zangados, precisam de soluções reais, não do uniforme agora conformista, higienizado e esterilizado do punk. Não tem mais moeda. O Punk perdeu toda a sua mordida."- Joe Corré

Independente de ser contra ou a favor, algumas coisas são fato: a família continua com atitude punk. Continua questionando a forma que a sociedade funciona. Continua cutucando e abordando temas relevantes.

De alguma forma, Corré e Westwood mantém vivo o legado questionador dos primeiros punks. Talvez seja realmente a hora um engajamento em causas sociais que nos identificamos. A mudança pode vir de baixo, já que os de cima -  políticos e grandes corporações - não vão eles mesmos acabar com o próprio poder.  
Punk realmente não é nostálgico, como abordei neste artigo, os jovens dos anos 70 ironizavam o passado e queriam viver de forma diferente de seus pais. Não usavam a moda, criavam uma anti-moda. Não ligavam para o conceito tradicional de beleza: as meninas cortavam cabelos curtos e faziam maquiagens chocantes. Os rapazes rasgavam roupas. 

Queimar a memorabilia acabou sendo um ato punk! 
Punks desconstruíam conceitos. A queima desconstrói a importância histórica de um objeto, da roupa de museu; desconstrói o conceito de "relíquia", algo simbólico que deve ser salvo e guardado.
O ato foi provocativo. 
Foi mais um capítulo digno de registro dos criadores da subcultura Punk na Inglaterra.

Marketing ou não, eles aproveitaram para dar um alerta real sobre problemas ambientais que nossa geração enfrentará arduamente nas próximas décadas, enfrentaremos o caos se fecharmos os olhos. 
O "no future" será nosso fardo se não mudarmos o presente.



E você, achou polêmico? É a favor, contra, tem questionamentos? Acha que o punk está morto? Acha que virou marketing e moda esvaziada de sentido? Opine à vontade!



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16 de novembro de 2016

Todas as facetas do Punk │Minor Threat e o filme Suburbia

Os visuais punks são dos mais ricos, devido à várias subdivisões. Hoje em dia punk pode ser tanto usar roupa básica e ser cheio de tattoos (como o pessoal do hardcore) quanto ser um streetpunk ou ter um visual skinhead.

Artigo de Helena Machado, colaboradora e autora do blog Aliena Gratia.


“Nunca acredite em uma criança hardcore que
não tenha escutado punk rock”,


Roger Miret do Agnostic Front em uma clara influência do punk no hardcore, seja no som ou nas roupas
(básicas mas com o corpo tomado por tattoos).


Streetpunk e seu moicano colorido: 
uma característica da estética punk é a agressividade no visual.


Para os que tem dúvidas, aconselho ver um filme chamado “Suburbia” (1984) de Penelope Spheeris, boa parte dos estilos que falo estão lá, desde o pós-punk até o skinhead, passando pelos batons vermelhos e cabelos curtos desconectados que divas punks como Brody Dalle popularizaram. Voltando ao filme Suburbia, ele trata os punks como jovens deslocados na sociedade, com traumas e problemas domésticos. Esses jovens encaram sua escolha em ser punk como uma saída para seus problemas em casa. É em uma espécie de gangue, TR – The Rejects, Os Rejeitados (obviamente pela sociedade e família), que eles encontram pessoas que realmente os acolham em suas características singulares. Os jovens que inicialmente possuem atitudes agressivas e chocantes revelam-se verdadeiras crianças quando são colocados em situações difíceis. No TR, um serve como apoio ao outro e válvula de escape.

Suburbia: Punks de cabelos descoloridos ou muito pretos, jaqueta de couro, jeans rasgados, bondage trousers e coturno, influência skinhead do chapéu e bengala (ou taco no caso dos hooligans) visto em “Laranja Mecânica” (veja aqui), parkas dos mods, suspensório, careca e coturno típico dos skinheads. E até o pós-punk que já começava a dar as caras. Todos esses estilos, com a atitude “Do it yourself”, “Faça você mesmo”. Não tinha essa de comprar nada não…


Há também no filme a influência original dos punks de negarem as drogas, um princípio do que o Minor Threat (que é uma banda punk/hardcore) faria como precursores do início do Straight Edge. Entre os motivos de alguns punks serem contra as drogas, é que elas lembravam o mundo lisérgico dos hippies. Por isso também os punks cortam seus cabelos, cabelos compridos lembram hippies, que era tudo que eles negavam, uma geração que não deu certo [+ aqui].

A banda Minor Threat fundiu atitudes e peças do estilo punk, como a cabeça raspada, o coturno e o jeans rasgado à outras esportivas, como o tênis Vans (precursor dos skatistas), meia, munhequeiras e agasalhos esportivos. Embora muitos se esqueçam, o hardcore inicial foi muito influenciado pelos hooligans, que começavam a assistir jogos de futebol com roupas esportivas para não serem identificados como skinheads, que causavam confusão por onde passavam. Aí começa a ascensão da marca Lonsdale (a principal marca de agasalho dos hooligans/skinheads na Inglaterra ainda hoje).

A banda Minor Threat

Em Suburbia, personagem skinhead/punk que é contra o ato de um dos integrantes do TR usar drogas e acaba batendo nele por isso. Aliás a agressividade é uma das marcas deste, um dos mais marcantes do filme.


Outra cena marcante do filme é de quando esse mesmo jovem skinhead começa uma confusão em que as roupas de uma moça são arrancadas no meio de um show punk, logo após dele assediá-la. O vocalista da banda punk que está se apresentando (em um ato e revolta contra os jovens agressivos), fala para eles deixarem a moça em paz e curtirem o show numa boa. O que acaba não acontecendo e o show acaba. É por causa dessas atitudes que infelizmente não acontecem somente na ficção, que a sociedade acaba rotulando o punk de agressivo. Por causa de alguns indivíduos com uma postura agressiva todo o movimento fica marcado como agressivo. Eu penso que as pessoas são preconceituosas, não somente com o punk mas com outros gêneros do rock. A sociedade tem medo das pessoas do meio underground porque acabam ligando seu visual agressivo à atitudes agressivas de alguns. Mas esquecem que como em todos os lugares do mundo, há indivíduos de bom caráter e outros nem tanto.Não poderia ser diferente com o meio underground.

* Falamos [aqui] sobre como a agressividade adentrou na cena punk.



Outro filme em que a estética punk é abordada de maneira agressiva é no filme Taxi Driver (1976) de Martin Scorsese. A época em que o filme foi rodado coaduna com o período em que o mundo conheceu o punk. Foi clara a referência de Scorsese aos punks, como já foi dito em entrevistas do diretor, embora em nenhum momento Travis Bickle (Robert De Niro) declare ser punk. Travis é um motorista de táxi que de tanto ver coisas erradas na rua à noite, como a prostituição de crianças, se acha na obrigação de fazer algo, mesmo que esse algo não seja a coisa certa a fazer. Há uma mudança de atitudes do personagem e o seu estilo, corte de cabelo e parka militar é o ápice dessa mudança e revolta.



O punk continua influenciando muitas pessoas, elas estão por aí, embora nem todas tenham uma cara estereotipada de punk, preste atenção nos detalhes. E atitudes.




Artigo de Helena Machado em colaboração com o blog Moda de Subculturas. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo aqui presente sem autorização prévia do autor. É permitido citar o texto e linkar a postagem. É proibido a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, porém, a seleção e as montagens das mesmas foram feitas por nós baseadas na ideia e contexto dos textos. 


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11 de novembro de 2016

Style Tribes - The Fashion of Subcultures │ (Resenha + livros de Subculturas)

No século XX com o advento da industrialização e da globalização surgiu entre os jovens diversas subculturas. Elas ganharam interesse da mídia que as levaram ao mainstream e à indústria da moda. Estes são temas recorrentes aqui no blog, e neste post vou falar um pouco sobre livros de subculturas.

Capa e contracapa do livro Style Tribes - The Fashion of Subcultures

Às vezes me perguntam qual livro de subcultura uso e qual recomendo. Eu pergunto: "o que você procura?", daí posso direcionar a pessoa à determinadas publicações. Não uso um livro só, pois não conheço um livro de subcultura que abranja todas as questões relativas à moda, sociologia, antropologia e comportamento, tudo super completo. Existem obras mais acadêmicas e obras mais “leves” e direcionadas à determinado tema. Existem até livros bem superficiais que visam apenas a diversão. Ao longo desses anos de estudo, o que aprendi foi resultado da leitura de muitos sites ao redor do mundo, não apenas de subculturas, mas também de moda, de comportamento, de consumo, de história, de sociologia e antropologia para que as ideias possam ser ligadas e situadas. Muitas vezes, pessoas falando sobre suas vivências em subculturas nos fornecem de forma mais dinâmica informações não contidas em livros. Tudo isso resulta em análises que são conclusões pessoais de quem estuda um determinado tema.

Adorei o capítulo "Harlem Renaissence". 
Foi a primeira vez que vi essa subcultura em livro.

Existem centenas de livros sobre subculturas, mas nem todos falam exclusivamente sobre suas modas. Por isso o blog foi criado, pra focar na questão Moda, algo que na época não era tão fácil de achar. Existem ótimos livros de antropólogos e cientistas sociais sobre as culturas juvenis e por incrível que pareça, de todos as obras que li até hoje, nenhuma delas sanou 100% minhas dúvidas e curiosidades sobre moda, e talvez por isso mesmo sempre quero ir atrás do que não encontrei respostas, pesquisar e criar as próprias análises e artigos.
 

Conseguir um livro de subculturas pode ser uma saga. Você normalmente precisa importar. E sim, tem que estar disposto a gastar. É um campo de estudo caro devido à falta de material no Brasil. A média é R$100 por livro contando o frete internacional. Mas pode passar de R$200 por livros mais raros ou antigos. Isso explica porque a gente aqui do blog precisa daquele tempo pra postar sobre uma subcultura. O porquê de precisarmos do apoio dos leitores ou patrocínio de anunciantes que querem que o conteúdo permaneça num bom nível cultural e intelectual. E explica porquê a gente fica tão puta quando plagiam nossos artigos. Às vezes precisamos ler 3 ou 4 livros pra apenas um tema de pesquisa. É importante a gente ir criando este acervo de referência pra oferecer sempre o melhor. Somos exigentes mesmo. Cansei de ler artigo ruim sobre subculturas que eternizam clichés e estereótipos, criam preconceitos... um tema tão rico deve ser bem divulgado, para que mais pessoas que se dizem alternativas, possam entender as subculturas que pertencem e até mesmo as que criticam.


Outra coisa ruim dos livros de subculturas: eles ficam datados.
Quer dizer, aquele livro de moda gótica lindo que li 5 anos atrás hoje está metade vencido! Algumas infos históricas permanecem, claro, mas de cinco anos pra cá veja quanta coisa mudou na moda gótica! E veja quanta coisa aconteceu em termos de comportamento! Então tem isso também... A gente gasta uma grana já sabendo que daqui uns anos vamos ter que comprar um livro novo do mesmo assunto.
Talvez por ficarem datados (valendo como referência histórica) isso explique porque alguns livros não são relançados nem reeditados: porque é mais fácil criar um novo e atualizado.
Outra questão: vários livros são lançados por autores independentes, pessoas como nós que estudam e decidiram lançar suas obras por editoras pequenas, por isso não temos versões nacionais traduzidas e temos sempre que importar.

Existe um filme chamado "Northern Soul - No Ritmo da Vida"
que mostra o surgimento desta subcultura, vocês já assistiram?


Style Tribes - The Fashion of Subcultures
Sobre o livro Style Tribes - The Fashion of Subcultures, cujas páginas ilustram este post, ele foi lançado em 29 de setembro na Inglaterra e recentemente recebi minha edição. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a semelhança do nome do livro com o nome do blog (Fashion of Subcultures) pois eu ainda não tinha me deparado com o termo sendo usado de forma "oficial" em inglês; no Brasil, o termo foi cunhado por este blog*. 


O livro apresenta vários pontos que já tocamos aqui, como a questão da individualidade; sobre desde a década de 90 os estilos estarem mais misturados e sobre a cooptação das subculturas da moda mainstream - tendências do underground que viram alta moda. Tudo isso é abordado superficialmente em pouquíssimas páginas. Nossos artigos no blog são até mais profundos.
Fico de certa forma impressionada sobre como o blog está no mesmo nível de informação que vem sendo difundida no exterior, não é porque somos brasileiras que somos inferiores. Em alguns casos, talvez nosso trabalho aqui seja até superior, pois como eu disse ali em cima, quando saímos pra buscar informações, são exatamente elas que tornam uma postagem mais completa que o conteúdo de alguns livros que não sanaram nossas dúvidas. Seria bom ver os brasileiros valorizando mais o que é publicado no Br tanto quanto se empolgam por material estrangeiro. Quer dizer, se estão dispostos a pagar 100 reais num livro razoável, poderiam estar dispostos a investir alguns reais patrocinando bons blogs nacionais. Isso é o mais difícil até mesmo no mercado da moda: acreditar que não somos inferiores aos gringos e acabar com o vira latismo. Seria bom confiar mais no que produzimos e criamos e apoiarmos os diversos sites/blogs brasileiros que produzem o próprio material sobre cultura alternativa.

Mais sobre o livro:
A autora, Caroline Young, é escocesa, jornalista e escreve livros sobre moda e figurino. Para esta obra ela conta que a inspiração veio ao observar as criações em tartan de Vivienne Westwood, e a partir disso, do tartan como um símbolo subversivo, ela foi atrás de descobrir porque cada subcultura usa um estilo específico de moda. Ela conta que sua irmã mais velha frequentava festas Trance na década de 90 (subcultura presente no livro) e usava o visual daquela tribo. A autora se declara fã de Disco, que também tem seu capítulo, e comenta que recentemente a tribo em "voga" era os Hipsters com suas barbas e tatuagens.


O livro tem uma qualidade gráfica maravilhosa, as fotos são lindas (pra uma apaixonada por subculturas toda foto eu acho linda haha!) e aborda do século XX até hoje. E sim, não tem todas as subculturas, mas tem as “básicas” que encontramos em outros livros e outras mais recentes como os Emos e os Sapeurs e outras que nem sempre vemos facilmente como o Goa Trance e o Britpop!


A autora também comenta algo que abordamos aqui no blog: a questão de os jovens desejarem criar seus visuais em contraste com o de seus pais e mostrar pra sociedade o estilo que vestem, como que mostrando que existem, que importam: a moda sendo usada tanto como rebelião e autoridade quando pra expressar o individualismo.
As subculturas e tribos de estilo se organizam em grupos com características estéticas específicas que servem para as pessoas que se interessam pelos mesmos assuntos se identificarem e se reconhecerem uns aos outros, o que resultará, provavelmente, em amizade - daí, surgem os grupos.


Uma coisa que fiquei meio perdida foi com a foto da capa: duas blogueiras famosas vestidas de forma semelhante, tipo BFFs. Eu estava curiosa sobre qual tribo de estilo a autora as teria encaixado, mas a imagem não está contida dentro do livro. Isso me frustrou um pouco, porque ficou soando como "colocar na capa duas blogueiras estilosas e famosas pra atrair possíveis fãs e compradores”. Só que eu queria saber onde essas meninas se encaixariam nos conceitos da autora... fiquei no vácuo. 

Fiquei feliz de ver os Sapeurs, uma das minhas tribos preferidas!!

Mas fica aí a dica! De minha opinião é um livro legal, de pesquisa bem feita, ótimo pra decorar e folhear despretensiosamente suas imagens lindas. Em termos de conteúdo e detalhes há outros que prefiro por serem mais aprofundados - que inclusive costumo postar fotos deles no nosso Instagram ocasionalmente.

Ah e o livro tem apresentação da Shirley Manson! Achei um pouco técnica, vindo de uma artista com tanto estilo pessoal [aqui] e apreço por moda como ela, eu esperava algo menos teórico. Mas tá valendo! ;)


Ah e se vocês decidirem comprar o livro agora ou depois, comprem do
link do quadrinho
abaixo, é uma forma de vocês ajudarem o blog!! 




* cunhar: segundo dicionário, "tornar alguma coisa notável; adotar; tornar saliente".



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9 de novembro de 2016

Beth Ditto e a segunda coleção da sua marca de moda

Beth Ditto lançou no início do mês a nova coleção de roupa da sua marca. Para o Inverno 2016, ela continua carregando a proposta de trazer uma moda sustentável, apresentando peças atemporais aos "tamanhos desqualificados pelas empresas de high-street e high-fashion". Os modelos permanecem bem na linha da Ditto, como por exemplo as estampas surrealistas que ela adora, mas acredito que o destaque tem sido o design pois as criações fogem do que costuma-se ver nas coleções plus size. Não é apenas um vestido de manga comprida, a modelagem possui detalhes que não o deixa tão simples. 






A campanha foi tirada em Los Angeles pela fotógrafa Hanna Moon e com estilo feito por Charles Jeffrey. Apesar da coleção ser de Inverno, as fotos tem um ar de Verão, o que evidencia a atemporalidade das roupas. As imagens têm um quê muito de anos 90, como aqueles editoriais de revista adolescente onde reuniam garotas, bem Sassy girls. Em entrevista a Dazed, Ditto fala rapidamente sobre o mercado plus e diz que houve mudanças, cresceu, mas mostra receio de ser cooptado pelo capitalismo, igual ocorre com o Feminismo. Mais uma visão interessante de como ela enxerga o tema e o jeito que pretende conduzir o seu negócio.







Ditto mostrando que a moda nem sempre é passageira! Curtiram?


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6 de novembro de 2016

Moda Alternativa Plus Size: os desafios de atender o público alvo

Várias marcas mainstream se especializaram em atender quem veste tamanhos grandes - acima do 44. Embora a mídia e a propaganda ainda sejam voltadas para o ideal do corpo magro, é possível entrar numa loja de departamento e encontrar uma sessão "especial" plus size (odeio com todas as minhas forças esse termo, mas é assim que somos classificadas na moda). E com as marcas alternativas, será que isso acontece?

*Artigo guest post de Carolina Ribeiro do blog Alternativa GG


Pinup Girl Clothing alternative plus size
®Pinup Girl Clothing

Através da minha vivência - sempre vesti, no mínimo, 44 e atualmente visto 50 - e também das pesquisas que sempre faço na área, notei que as roupas voltadas para o público alternativo fabricadas aqui no Brasil, em sua grande maioria, servem muito mais para eventos do que para o dia a dia. Os tecidos plastificados e sintéticos podem não se ajustar em todos os tipos de corpo, alguns não esticam, outros não possuem sustentação e a qualidade da peça nem sempre permite o uso contínuo.

Outro problema é que as lojas brasileiras não oferecem muitas opções de tamanho, o limite geralmente fica entre 42 e 44, no máximo. É quase impossível percorrer a Galeria do Rock, aqui em São Paulo, e encontrar uma peça na qual uma mulher plus size se sinta bem. Nossa opção é a combinação de calça + camiseta reta.



Moda Alternativa plus size
®Domino Dollhouse/Spin Doctor

Apesar das  críticas ao mercado mainstream que se apropria de símbolos e características das subculturas, tenho que ressaltar o fato de que somente através disso é que mulheres fora dos padrões conseguiram provar uma calça de couro confortável ou encontrar aquela blusa com spikes mais soltinha. Dentre as lojas brasileiras, a única especializada no público underground que nos contempla - até agora - é a Dark Fashion, que fabrica desde o tamanho PP até o EGGG e também sob medida.

Para fugir do óbvio é necessário fazer adaptações. Prefiro adquirir peças básicas e complementar a estética alternativa através dos acessórios e calçados. É preciso ser criativa quando veste acima de 44, porque a inclusão ainda não chegou pra nós nesse meio alternativo. 


®Kreepsville666 - Use o cupom de desconto SUBCULTURAS


* Artigo Guest Post de Carolina Ribeiro autora do blog Alternativa GG para o Moda de Subculturas. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo aqui presente sem autorização prévia do autor. É permitido citar o texto e linkar a postagem. Para colaborar com o blog ou publicar guest post sobre qualquer tema da cultura alternativa, entre em contato conosco por email.

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1 de novembro de 2016

SORTEIO: $100 em compras na PUNKRAVE (Halloween Giveaway)

 Em parceria com a loja, estamos sorteando $100 em compras 
na PUNKRAVE (Halloween Giveaway) 

-> Leia aqui nossa matéria sobre a loja
-> Site da PunkRave: http://www.punkravestore.com


Regras PUNKRAVE:
1. ser um membro/ter cadastro na loja: https://www.punkravestore.com/login.html
2. Seguir PunkRave no Instagram: https://www.instagram.com/punkravestore/
3. Seguir PunkRave no Facebook : https://www.facebook.com/Punkrave-store-1101940416566245/


Regras Moda de Subculturas:

1. Seguir o Instagram do blog: https://www.instagram.com/modadesubculturas/
2. Indicar 2 amigos no post oficial da foto no Instagram [aqui] para receber um número de participação.

EDIT: Pode marcar quantos amigos quiser, contanto que seja 2 em cada comentário. Quanto mais comentários você fizer, mais números recebe.
 
A vencedora será escolhida por meio do site Sorteou. O sorteio será feito dia 06/11 após as 20hr. A seguir, entrarei em contato com a vencedora (por DM e marcação) e tanto eu quanto a PunkRave vamos checar se as regras foram seguidas. Se em 24hr não houver resposta da DM, novo sorteio será feito.


http://www.punkravestore.com




Atualização 06/11/2016:
Vencedora: https://www.instagram.com/lieblos89/
Já contatei a vencedora por DM que tem 24hr pra responder. Se não houver retorno, novo sorteio será feito.
Obrigada a todos que participaram e até o próximo!!

 



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