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2 de maio de 2017

Pensata: Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais?

Neste fim de semana (30/04)  faleceu o cantor Belchior aos 70 anos de idade, há polêmicas envolvendo sua vida, o compositor tinha uma veia melancólica, irônica e questionadora que se revelava em várias de suas letras. “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”, imortalizada na voz de Elis Regina em 1976, é uma das principais composições de sua carreira e chega hoje para nos confrontar novamente em diversas questões.

Talvez a maior característica da adolescência seja a ruptura. A ruptura com a infância e com o universo dos pais. Os jovens tem a energia da mudança e são os primeiros a aderir às novidades que o mundo lhes apresenta, sejam elas boas ou más, várias vezes, sem filtro. Não queremos quando jovens, de forma nenhuma ser como nossos pais, que se tornam "ultrapassados".

Só que vamos ficando mais velhos, chegamos à faixa dos 30 anos e podemos ter nos tornado aquilo que combatíamos na juventude, repetindo os mesmos erros dos pais. Um alerta sobre o que realmente precisava ser mudado não foi e nem está sendo feito por nós. Nós evoluímos mas mas ainda há muito o que fazer.

No século passado, os jovens que não queriam ser como os pais 
se envolviam com subculturas ou movimentos juvenis.
Uma amostra sobre diferentes gerações e suas vestimentas.


Nos últimos anos vivemos o reflexo de tempos incertos não apenas no Brasil como no resto do mundo. Certo dia uma leitora disse que não gostava do blog abordando temas políticos ou ideológicos. Mas isso é possível? É possível falar de hippies, punks, skinheads, Riot Grrrls e beatniks sem falar de suas ideologias e o momento político em que surgiram? É possível falar de feminismo e não falar de políticas para mulheres? É possível ser alternativo e não falar de corpo político? Não há como separarmos o corpo, o que vestimos, de política. O corpo é político. Se você quer ter o direito de andar na rua como quer: políticas para isso. Se você quer trabalhar como quer, precisa ter um respaldo político: uma lei. Se você não quer apanhar na rua pelo que veste: políticas pra isso também. Não tem como separar o que almejamos como alternativos de direitos  que visamos adquirir. A política rege a sociedade, o nosso presente e  futuro. Se não nos interessarmos por principalmente como ela funciona iremos continuar vivendo como nossos pais. E portanto nada mais inadequado no momento do que sermos como nossos pais. A letra nos faz acordar para a realidade de que estamos empurrando para baixo do tapete certas situações que não deveríamos silenciar.

“O homem é um animal político. A função da política é impor limite às dores e às injustiças. É lutar por um mundo melhor, buscando conciliar permanentemente as diferenças. Não é função da política esmagar as diferenças. O pior resultado para as novas gerações diante do conflito que está vivendo o Brasil é que se termine com a conclusão de que a política não serve para nada”. - Pepe Mujica.

O sinal está fechado pra nós que somos jovens?
Muitos adolescentes não trabalham e não votam. Por isso é comum que quando um jovem se rebele seja chamado de "vagabundo", um termo bastante injusto já que não trabalhar não significa ser ocioso. O jovem não está fora da sociedade, ele está inserido nela, consumindo, absorvendo-a e interagindo, portanto ele está perfeitamente apto a questioná-la. A mente juvenil pode ter um leque de ideias questionadoras exatamente porque enxerga a sociedade sob um ângulo ainda não "viciado", diferente da mente de quem trabalha e já se robotizou em hábitos e deveres. Quando um jovem exige mudanças, ouve "você é jovem e ainda não tem maturidade"; o adolescente politizado "ainda não sabe do que está falando", permanece a ideia que ainda domina nossa sociedade de que o jovem não tem voz. Por isso alguns adentram em subculturas, canalizam esses questionamentos em grupos e se aproveitaram disso para ter voz através da música. 

Compor músicas e criar bandas foi a forma que jovens encontraram para ter voz.
Atingindo assim outros jovens com as mesmas angústias e questionamentos.
Joan Jett

Superado o esforço pra concluir uma universidade e adentrar no mercado de trabalho, o jovem enfrenta exigências descomunais para um iniciante na carreira, é um "sinal fechado". Quem são estas pessoas que geração após geração ceifam os desejos juvenis de mudança social e estrutural? São os mesmos que “se tornam como nossos pais”? É nosso destino após adentrar ao mercado de trabalho, nos tornarmos zumbis consumidores exatamente como criticávamos na adolescência? Simplesmente "sossegar" após adquirir certa idade? Mas não é isso mesmo que querem, que sosseguemos e paremos de incomodar o sistema, que aceitemos tudo calados e passivos?


Nossos ídolos ainda são os mesmos
"Ai hoje não tem mais bandas de rock como antigamente"- no passado eram as gravadoras que escolhiam 5 ou 6 bandas  pra se tornarem imensas e dominar o mundo. Elas definiam o que você iria escutar. Celebre o hoje, que você pode aproveitar e escutar o que você quiser e não o que o mercado fonográfico te impõe. Quantas bandas ótimas ficaram esquecidas porque não foram escolhidas pela indústria? O novo sempre vem

Outra musica de Belchior é Velha Roupa Colorida também interpretadas por Elis Regina. Velha Roupa Colorida, é  um sacolejo: acorde, que uma nova mudança em breve vai acontecer / E o que há algum tempo era novo jovem / Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer. Isso me faz pensar que devemos ficar em constante atualização, não devemos parar, estagnar e sossegar a mente quando ficamos mais velhos.

No presente a mente, o corpo é diferente pois a maturidade nos muda, é verdade. Mas essas coisas que te travam, que te fizeram acreditar que você deveria ser como seus pais, devem se tornar uma roupa que não serve mais.
Manter-se atualizado é uma evolução. Se adultos não queremos viver como nossos pais, precisamos deixar o passado acomodado para trás e trazer a mente  de volta para o inconformismo juvenil, não sei se faríamos um mundo diferente, mas pelo menos não deixaríamos mais certas situações passarem quietas. 

Recentemente a publicação The Economist usou uma frase de Kurt Cobain em uma matéria
sobre corrupção. Subculturas e política são interligadas. Kurt era jovem e suas músicas se direcionavam à outros jovens com as mesmas angústias.
"O dever da juventude é desafiar a corrupção."


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1 Comment

  1. Curiosamente, tava vendo agora pouco uma matéria na BBC falando sobre a crise e o desemprego, e tinha uma parte que falava que os mais afetados por essas coisas eram os jovens na faixa dos 18-24 (eu tô nessa faixa). Mais no final, veio a questão da dificuldade de inserção no mercado pela famigerada falta de experiência, e aí é que entra a parte que vc falou sobre o jovem "não ter voz": o ideal era que a energia e o desejo de mudanças do jovem fosse aproveitado pelas instituições de ensino, por programas governamentais e pelo mercado (trabalhando em conjunto) e canalizado pro benefício do próprio jovem e da sociedade como um todo. Acontece que a gente vive numa sociedade moldada por uns poucos que detêm o poder e que farão de tudo pra mantê-lo (políticos e gente das grandes corporações), e uma mudança dessas proporções é um pesadelo pra eles. Por causa da educação deficiente e do comodismo que vem com ela, tem muito jovem que ainda não percebeu isso, ou pelo menos é assim que eu entendo a situação. Mas é como tu disse: é preciso manter-se atualizado e deixar o passado de conformismo pra trás!
    Um beijo!

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