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29 de setembro de 2017

Última Quimera: Conheça o zine dedicado a informações sobre a subcultura gótica

Por que lançar um zine em tempos de informação fácil, rápida e democrática na internet?

Entendemos a importância que as novas tecnologias trouxeram para o compartilhamento de informações para o crescimento das subculturas, mas a internet também tem sido usada inclusive para a disseminação de desinformação e ódio. É verdade que as publicações impressas também não estão livres desse mal, mas em meio à links, tags, publicidade abusiva (e não sinalizada) e desvio de foco, as publicações impressas emergem como uma alternativa à esse caos de informação.


O trecho acima foi uma adaptação do texto que abre a primeira edição do zine Última Quimera, editado por Freon (Sad). Enquanto lia, balançava a cabeça concordando com tudo! Como é dito no texto original, mesmo uma subcultura tão citada como a gótica, ainda tem-se a necessidade de rediscutir e refletir sobre a identidade desta tribo no século 21. O zine nasce com a proposta de trazer conteúdo aberto, diverso, sem rivalidades e vaidades à todos que se interessem pelo tema.

Participei das duas primeiras edições e vou contar mais pra vocês sobre cada uma delas.


Última Quimera #1 - Março de 2017
Além da ótima introdução citada no início do post, o zine trás logo de cara um texto de Everton Alves "Rei Peste", com o seguinte questionamento: "Góticos: Crise de Identidade?" onde é abordado o que se tornou a subcultura gótica atualmente. A seguir, Coconut Sioux vem com o interessantíssimo "O Feminino e o Gótico", abordando o machismo na cena e o feminino no imaginário gótico.


O Programa Memória & Vida do Cemitério da Consolação é a entrevista da edição. Surgido em 2014, o projeto entende os cemitérios como potencial local de atividades artísticas, pedagógicas e turísticas a exemplo do que acontece em outros cemitérios do mundo como o Père-Lachaise em Paris. A edição finaliza com o texto "Um olhar sobre a WGT" do alemão Robert Forst falando sobre as mudanças no festival ao longo dos anos, a superficialidade dos "góticos de ocasião" que frequentam o local visando apenas serem fotografados e sobre como o evento necessita se reinventar.


Durante os anos de blog, sempre fui muito questionada sobre o significado da cor preta nas subculturas. Acabei desenvolvendo uma pesquisa própria, não publicada, é um assunto do qual serei estudante por muito tempo ainda. À convite de Freon escrevi um breve texto sobre o tema! É um artigo que vocês só encontrarão lá! É exclusivíssimo do Última Quimera. 

É a primeira vez que revelo um pouco do que pesquisei sobre o significado da cor preta nas subculturas.


Última Quimera #2 - Julho de 2017
Eu poderia dizer que essa edição se torna icônica. Quem tiver vai ter que guardar! Ocorre que nela estão duas matérias que considero registros históricos importantíssimos  para a história da subcultura gótica brasileira. Inicia-se com "Soulshadow - O fim de um ciclo" contando a história da lendária loja de música gótica  aberta em 1995 que se tornou a única loja física de discos especializada em gótico e EBM de São Paulo e talvez do Brasil.
 

Segue outro artigo que pra mim é o mais impressionante publicado até então: "Treibhaus - A primeira casa gótica do Brasil". Imensurável o valor desta matéria num país como o nosso onde é dificílimo encontrar informações sobre a história das subculturas nacionais. Um país onde não valorizamos a memória do passado. Com seu nome tirado do livro "Christiane F", Treibhaus foi abrigo para punks e góticos na São Paulo de 1989. 
Imaginem um mundo sem internet, onde você iria para encontrar pessoas que eram como você? E como ficaria sabendo de sua existência? Como eram produzidos os flyers, como eram as pessoas que lá frequentavam, como era o local por dentro, quais famosos deram as caras por lá, quais os nomes importantes da cena na época, tudo isso está na matéria! Minha dica é que poderia ser pensado seriamente no futuro alguém produzir um livro ou documentário sobre este local. 


O zine finaliza com um texto meu "O fim das subculturas", onde é levantando o que são as subculturas hoje, o que elas se tornaram com o advento da internet e uma abertura à reflexão sobre como serão de agora em diante.


Última Quimera é um respiro no meio do mundo virtual em que vivemos. Quem hoje produz conteúdo na internet tem que "concorrer" de forma extremamente desigual com "likes" pouco acrescentam na proliferação e manutenção da cultura alternativa. Um mundo de publicidade disfarçada, não sinalizada, e conteúdo efêmero prolifera. O conteúdo intelectual que propicia conhecimentos duradouros que servirão para a vida toda, ficam em segundo plano ou são desvalorizados.

É importante dizer que a cultura alternativa só se mantém viva se o conhecimento sobre elas for passado à frente. Se cada geração se envolver com esse conhecimento. Senão criamos um imenso espaço vazio propício para que desentendimentos, erros e preconceitos cresçam. Muitos não conhecem o básico do que é subcultura gótica, punk ou qualquer outra, isso acontece porque a informação que deveria ter sido passada adiante não foi. Então todos sabemos pela internet como uma menina gótica se veste, que marcas usa, como se maquia, como se penteia, mas o que sabemos sobre a cultura da subcultura? É neste momento que percebemos como zines e revistas que chegam focados em informações que enriquecem os debates são fundamentais!

Aproveito a ocasião para oferecer meus textos ou escrever artigos exclusivos a quem tenha zine e queira abordar cultura alternativa. Quem tem zine alternativo e quer me enviar uma edição pra conhecer, ou quem está se livrando dos seus (jogando fora mesmo) pode me enviar! É só me contatar que conversamos!

Infelizmente esse post sai um pouco atrasado, moro fora da capital paulista e recebi os exemplares do zine um tempinho atrás. Mas o zine segue ativo, novas edições virão! Fica aqui a dica para encontrá-los no Sebo Clepsidra.

O zine é distribuído gratuitamente. Vale pegar a publicação apenas se tiver real interesse na leitura. Publicações gratuitas às vezes são descartadas logo que a pessoa percebe que pegou algo que não lhe interessa, então é fundamental valorizar o trabalho mantido e apoiado por quem acredita na cena. ;)

Zine Última Quimera
Onde Encontrar:

Sebo Clepsidra
R. Dr. Cesário Mota Júnior, 296
Vila Buarque, São Paulo - SP


[Editado 09/10]: O zine também é enviado pelo correio, basta entrar em contato:
E-mail: ultimaquimerazine@gmail.com


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8 Comments

  1. AMEI muito esse post! Sempre tive curiosidade em saber mais sobre os zines, onde eu moro, não existe. Tenho muito interesse na leitura desses zines, será que se eu pagar o frete eles me enviam pelo correio?
    Obrigada por esse post Sana!
    Bjooo <3

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    1. Oi Nay! Escreve pra eles com essa proposta de pagar o frete, tô torcendo aqui pra dar certo.
      Obrigada a você <3

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  2. Ah! Aqui em Brasília não existem zines, :( e eu super fiquei interessada nesse ai. Como faço para pedir? Sei bem que é gratuito, mas será que eles não enviam via correio não? O.O ou um PDF responsa sobre o mesmo?

    Até mais! O/
    Karolini Barbara

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    1. Karolini, acredito que hajam zines em Brasília. Tempo atrás li uma matéria sobre uma "nova geração de zineiros" aí na cidade. Tem coletivos feministas que também produzem, dá uma procurada pelo Vulva Revolução.
      Manda email pro Última Quimera com sua proposta de pagar o frete, vai que dá certo! :D

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    2. Será que são Zines alternativos? Porque os Zines feministas e que tratam de revolução eu conheço, mas, queria algo diferente sabe? Eu falei mais do fato de ainda não ter encontrado Zines alternativos por aqui.

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    3. Oi Karolini!
      Tem meninas envolvidas no movimento feminista que tem background alternativo, aí seria o caso de ver se algum fanzine feminista tem uma abordagem mais punk, mais riot, por exemplo. Como a cultura alternativa é muito diversa, talvez fosse o caso de buscar informações no underground de cada cena e ver o que está sendo produzido e qual o enfoque. :)

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  3. Muito obrigado pelo apoio, Sana! A verdade é que, as vezes (devido os mesmos motivos citados na introdução), a gente sente que está escrevendo pra ninguém... Sendo assim, retornos como esse nos dão um novo ânimo e muita vontade de prosseguir com o trabalho!
    OBS: Enviamos pelo correio, só entrar em contato!

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    1. Oi Freon! Acho que esse sentimento existe em todos nós que nos dedicamos a escrever e produzir material. Eu que agradeço muito o convite e pode contar com a gente!! :)

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