.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Março 2017

23 de março de 2017

A volta da Pochete e o que ela tem a ver com a Moda Alternativa

Quando pensamos em moda alternativa, logo nos vem à mente uma de suas características: a quebra de regras e a desconstrução do conceitos do senso comum. Quando decidi ser estilista, aprendi uma coisa muito importante: não ter preconceito com nenhum artigo de moda. O preconceito cria limite na criatividade, você nem sempre vai criar pensando em seu gosto próprio, e apreciando ou não uma peça, tudo volta! Renovado, claro. E sim, ela voltou: a pochete!

Em algumas subculturas como a Punk, as pochetes nunca saíram de cena.
pochete-moda-tendencia
©3rd Generation Nation

Quando temos consciência que tudo na sociedade foi construído, incluindo o que devemos achar belo e o que não, o que devemos considerar elegante e o que não, percebemos como o preconceito com itens de moda é desnecessário. Mas o que caracteriza pessoas de mente alternativa é termos por hábito o senso crítico e o questionamento, então faz todo o sentido duvidar do que é dado como "certo" ou "elegante". Em subculturas como a hippie, punk, grunge e clubber, a pochete esteve presente ao longo dos anos. Os modelos atuais de pochete aparecem cheios de pitadas conceituais e alternativas

Pochetes conceituais da marca Poch me


A origem do que viria a ser a pochete vem do século 15 em bolsas penduradas nos cintos, braços, ombros ou na diagonal no peito. Mas foi devido à Maison Pourchet, uma fábrica de bolsas que existe há mais de 100 anos na França, que surgiu a variação atual do nome. Populares mesmo, só nas décadas de 1980 e 90 e mesmo naquelas épocas elas eram ridicularizadas por alguns. Atualmente, seu retorno teve ajuda dos Hipsters, do resgate da moda noventista e já pode ser considerada uma peça retrô

 "Hipster" e a pochete inspirada no clubber noventista.


No mainstream lá por 2009, Marc Jacobs já sinalizava um interesse da moda pela peça, mas o momento que deu impulso ao seu retorno foi o desfile de primavera da Chanel em 2014:



Logo em seguida, postamos na Fanpage sobre este desfile e no dia 25 de setembro daquele ano, levantamos uma enquete sobre o retorno da pochete, que trouxe comentários que vão do amor ao ódio à peça.

https://www.facebook.com/modadesubculturas/photos/a.450325195010321.100445.207882219254621/764814843561353/?type=3&theater

https://www.facebook.com/modadesubculturas/photos/a.450325195010321.100445.207882219254621/779758258733678/?type=3


Na época, diversos sites de moda trouxerem como pauta as pochetes da Chanel, de lá pra cá, a atual coleção (foto à esquerda) ainda tem pochete!



Logo a seguir diversas celebridades apareceram usando a peça cuja opinião pública desacreditava sua volta.
Kylie Jenner / Rihanna / Sarah Jessica Parker / Kourtney Kardashian / Fergie

Versões elegantes no Street Style em 2016.
Fonte

Até o roqueiro Jared Letto tem sua preferida.


As pochetes e o universo alternativo
Várias marcas de pochetes as produzem de forma artesanal ou em pequena escala, só isso já as caracteriza como alternativas. Outras marcas estão ligadas em questões sociais, produzindo através de reaproveitamento de tecidos, uma das variações da moda sustentável e do slow fashion que evita criar mais lixo e desperdício. Alguns modelos atuais tem formatos conceituais, tanto que foram super usadas com fantasias de carnaval.

As pochetes da marca Dai Bags

As peças com glitter que foram sucesso no carnaval da Agora Que Sou Rica.

Sua vantagem é a liberdade que dá ao portador, para mulheres que vivem enredadas em bolsas, as pochetes dão braços livres quando precisa-se carregar coisas ou se divertir num festival. Somos ensinadas que ser elegante é se equilibrar em saltos altos e segurar a bolsa no antebraço, comportamentos que simbolicamente expressam fragilidade e movimentos deliberados, talvez por isso muitos acham "deselegante" uma mulher de pochete, porque ela quebra algumas exigências sociais, como a de sermos "#barbiezinhas".

 Peças artesanais da marca punk 3rd Generation Nation Shop

Em versões visualmente mais agressivas (e mais potencialmente vistas como "feias") as pochetes são parte da cena punk, heavy metal e crust. Mas o espírito faça-você-mesmo não morre e a aplicação de spikes é uma opção pra incrementar um modelo básico.

No topo, modelos à venda na loja Sourpuss.
Loja Sourpuss / Reprodução / Etsy

Casal em Harajuku.
©site Tokyo Fashion


É bem verdade que as pochetes podem virar moda de massa, como viraram as bolsas em formato de concha, mesmo assim não é uma peça unânime no gosto popular. Os alternativos estão aí pra mostrar que não existe certo e errado na moda. E nem bonito nem feio. O que existe é individualidade e cada um pode usar o que quiser :D

@The Goblin Queen


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14 de março de 2017

Capitão Fantástico, a subcultura hippie e a “vontade de fugir daqui”

No último fim de semana, assisti ao filme Capitão Fantástico. Para não entrar muito em detalhes e acabar dando spoilers para quem ainda não viu (visto que é um filme que estreou no cinema há pouco tempo), vou colar aqui uma breve sinopse que retirei do site Wikipédia:

Em meio à floresta do Noroeste Pacífico, isolado da sociedade, um devoto pai dedica sua vida a transformar seus seis jovens filhos em adultos extraordinários. Mas, quando uma tragédia atinge a família, eles são forçados a deixar seu paraíso e iniciar uma jornada pelo mundo exterior - um mundo que desafia a ideia do que realmente é ser pai e traz à tona tudo o que ele os ensinou”.


Quem assistiu e curtiu o filme Na Natureza Selvagem, de 2007, com certeza irá gostar muito de Capitão Fantástico. Eu definiria este último como uma espécie de continuação do primeiro. Bom, vou parar por aqui senão vou falar demais e estragar o filme para quem ainda não viu, mas posso dizer que são filmes que levantam questões muito interessantes, como a busca do “eu” em meio à sociedade de consumo.

Na Natureza Selvagem (2007)  


Capitão Fantástico (2016)

Um tema muito caro para várias subculturas é justamente o sentimento de não se encaixar nesta sociedade, estar deslocado, ser um estranho neste planeta. Frequentemente, a maioria das pessoas não entende seu estilo de vida, observam-te com preconceitos, fazem piadas e, em alguns casos mais graves, partem até para violência física. Ou seja, às vezes, você literalmente tem vontade de “sumir” do mundo. Alguns lidam bem com esse estranhamento vindo dos outros (confesso que teve época em que eu achava até engraçado), outros não. Neste caso, não me refiro apenas ao preconceito estético, mas também à intolerância em relação às suas ideias e visões de mundo; intolerância e preconceito estes que, muitas vezes, vêm da sua própria família. Este tema é bem abordado no filme, o que nos impulsiona à reflexão.

Capitão Fantástico e o estranhamento... 

Além disso, um tema comum nos dois filmes é o projeto para viver um novo estilo de vida, uma sociedade alternativa, bem ao estilo da subcultura hippie. Embora nenhum dos dois filmes fale diretamente sobre esta subcultura, é fácil encontrar elementos dela, como, por exemplo, a busca por uma vida na natureza, a fuga da sociedade de consumo, a construção e a criação de todos os objetos necessários à sobrevivência, a obtenção natural de alimentos (por meio do cultivo e da caça), além de viver de acordo com as suas crenças mais profundas.

Na Natureza Selvagem: a sobrevivência em meio à natureza

Embora tenham muitas semelhanças, elas param por aí, porque Na natureza selvagem fala sobre uma história real (recomendo muito o livro que deu origem ao filme, de mesmo nome, escrito por Jon Krakauer) enquanto Capitão Fantástico é uma história ficcional. Quanto às questões estéticas, Na natureza selvagem é bem mais amenizado na comparação, embora tenha alguns elementos chaves na história, como, por exemplo, o cinto usado por Chris, que representa uma linha do tempo de sua própria vida e da sua jornada em meio à natureza.


Já Capitão Fantástico apresenta uma estética bastante alternativa, com uma exteriorização do estranhamento dos personagens em relação ao que é considerado “normal”. O visual das irmãs mostra claramente uma influência hippie:

Em suma, os dois filmes são claramente influenciados pelos escritos de Henry David Thoureau (1817 – 1862), célebre escritor norte-americano, ícone da não-violência, do anarquismo do século XIX e da volta à natureza. Só para ilustrar, a abertura do texto clássico “A desobediência civil” é uma crítica aos governos instituídos:
Aceito com entusiasmo o lema “O melhor governo é o que menos governa” e gostaria que ele fosse aplicado mais rápida e sistematicamente. Levado às últimas consequências, este lema significa o seguinte, no que também creio: “O melhor governo é o que não governa de modo algum” e, quando os homens estiverem preparados, será esse o tipo de governo que terão. O governo, no melhor dos casos, nada mais é do que um artifício inconveniente (...).
 
Em resumo, o trecho fala da inutilidade do Governo na vida dos cidadãos e explora a ideia de se viver independente dos governantes, pois estes tiram as liberdades básicas das pessoas; além de desobedecer às regras impostas pela sociedade. Em outro livro, Walden ou "A vida nos bosques", podemos ler o seguinte trecho:

       “Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir na hora da morte que não tinha vivido. Não desejava viver o que não era vida, a vida sendo tão maravilhosa, nem desejava praticar a resignação, a menos que fosse de todo necessária. Queria viver em profundidade e sugar toda a medula da vida, viver tão vigorosa e espartanamente a ponto de pôr em debandada tudo que não fosse vida, deixando o espaço limpo e raso; encurralá-la num beco sem saída, reduzindo-a a seus elementos mais primários, e, se esta se revelasse mesquinha, adentrar-me então em sua total e genuína mesquinhez e proclamá-la ao mundo; e, se fosse sublime, sabê-lo por experiência, e ser capaz de explicar tudo isso na próxima digressão. Porque me parece que muitos homens estão terrivelmente incertos, sem saber se a vida é obra de Deus ou do demônio, e têm concluído com certa sofreguidão que a finalidade principal do homem aqui na terra é "dar glória a Deus e gozá-lo por toda a eternidade."

No fragmento acima, o autor defende a ideia de viver a vida de uma forma mais natural, em meio à natureza, longe dos governos e da sociedade de consumo, onde as pessoas poderiam ser quem elas realmente são, sem máscaras. Em síntese, é a mesma abordagem que os dois filmes citados defendem.

Enfim, encerro com a bela música de Eddie Vedder, Society, escrita para o filme Na natureza selvagem, que define bem o clima da produção:




OBS: Tanto a Desobediência civil como Walden são obras de domínio público e podem ser acessadas livremente pela internet.







Autora:
Nandi Diadorim. Historiadora e professora na rede municipal de ensino no Rio Grande do Sul. Guitarrista em uma banda de punk rock. Cachorreira, gateira, vegetariana, feminista...em suma, a incomodação em pessoa. 

Revisão textual: Valéria O´Fern



Artigo de Nandi Diadorim em colaboração com o blog Moda de Subculturas. É permitido citar o texto e linkar a postagem. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo aqui presente sem autorização prévia do autor. É proibido a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos; a seleção e as montagens das imagens foi feita exclusivamente para o blog baseado na ideia e contexto do texto.


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13 de março de 2017

Literatura Gótica: os clássicos de Edgar Allan Poe e Mary Shelley

Um sonho que se realiza! Edgar Allan Poe e Mary Shelley agora são parte do catálogo de nossa editora preferida! Ela mesma, a da caveira: DarkSide Books! Vamos todos falir mais um pouquinho com estas obras que precisam estar na coleção dos adoradores da literatura de terror ♥

É bem verdade que para os insiders do gênero, esses livros dispensam apresentações, mas gostamos tanto da DarkSide e seus trabalhos gráficos maravilhosos que vale um resumo. E mais: links pra quem já quiser encomendar os seus! Já  selecionei as ofertas dos sites parceiros do blog, então salve esse post nos favoritos! ;D


Lançamentos da coleção "Medo Clássico"

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Edgar Allan Poe

"É meia-noite. As asas de um corvo se misturam à escuridão. A velha casa em ruínas observa com janelas que pareciam olhos. Você jura ouvir a voz de alguém que já partiu para o outro lado, bem na hora em que um gato preto cruza seu caminho."

No século 19, a literatura gótica nos forneceu clássicas histórias de terror que são relidas até hoje em livros, filmes e nas artes: Tim Burton, Neil Gaiman, Iron Maiden e Green Day foram alguns dos que já homenagearam Poe. O autor ainda tinha H.P. Lovecraft como fã declarado. E assim como Lovecraft, Poe, nascido em 1809, é considerado pioneiro nos gêneros policial e da ficção científica. A vida do autor foi tão dramática quanto os contos que escrevia. Seu primeiro conto é de 1827 e o último de 1849, o ano em que faleceu.

Esta obra da Coleção Medo Clássico tem tradução por Marcia Heloisa, pesquisadora e tradutora do gênero e as ilustrações em xilogravuras feitas pelo artista gráfico Ramon Rodrigues. A edição limitada de luxo tem 384 páginas e é apenas o primeiro volume. SIM! A DarkSide vai lançar outro volume futuramente! Tem ainda o prefácio do poeta Charles Baudelaire, admirador confesso de Poe sendo o primeiro a traduzi-lo para o francês. E “O Corvo” na sua versão original, em inglês, além de reunir suas mais importantes traduções para o português: a de Machado de Assis (1883) e a de Fernando Pessoa (1924).
Segundo o release, "Os contos estão divididos em blocos temáticos que ajudam a visualizar a enorme abrangência da obra. A morte, narradores homicidas, mulheres imortais, aventuras, as histórias do detetive Auguste Dupin, personagem que serviu de inspiração para Sherlock Holmes."

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Frankenstein ou o Prometeu Moderno, Mary Shelley
"Frankenstein, ou o Prometeu Moderno" está completando 200 anos! Esta obra prima foi escrita por uma mulher: Mary Shelley, e se tornou um marco no romance gótico. Se liga no release pra sentir O vel dessa obra:

"Shelley costurou influências diversas, que vão do livro do Gênesis a Paraíso Perdido, da Grécia Antiga ao Iluminismo. O resultado é uma daquelas histórias eternas, maiores do que a vida. Leitura obrigatória em países de língua inglesa, Frankenstein é décadas anterior à obra de Poe, Bram Stoker ou H.G. Wells, e vem sendo publicado ininterruptamente desde 1818.

No verão de 1816, Mary e um grupo de escritores ingleses dividiam uma casa na villa Diodatti, na Suíça, os quatro aceitaram o desafio de escrever um conto de terror cada. Mary concebeu a origem de Frankenstein e curiosamente, Polidori escreveu o que viria a ser "O Vampiro", romance que serviria de inspiração para Drácula, de Bram Stoker.

Foi em 1931 que Boris Karloff deu um rosto definitivo à criatura no imaginário popular.  As referências estão em todas as partes: nos monstros da Universal Studios e da Hammer Films, na comédia musical de horror The Rocky Horror Picture Show, em filmes como Reanimator, inspirado no conto de H.P. Lovecraft, em séries e desenhos clássicos como A Família Addams. A lista é interminável. São tantas versões que é quase impossível não estar familiarizado com a história: Victor é um cientista que dedica a juventude e a saúde para descobrir como reanimar tecidos mortos e gerar vida artificialmente. O resultado de sua experiência, um monstro que o próprio Frankenstein considera uma aberração, ganha consciência, vontade, desejo, medo. Criador e criatura se enfrentam: são opostos e, de certa forma, iguais. Humanos! Eis a força descomunal de um grande texto."

A edição limitada tem mais quatro contos da autora traduzidas por Carlos Primati, estudioso do gênero. As ilustrações foram feitas por Pedro Franz, artista visual e autor de quadrinhos reconhecido internacionalmente. Mas quando foi a última vez que você teve a chance de entrar em contato com a narrativa original desse que é um dos romances mais influentes dos últimos dois séculos? Que tal agora, na tradução de Márcia Xavier de Brito?"

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“E agora, mais uma vez, desejo à minha hedionda criatura que viva e seja feliz.”  Mary Shelley



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12 de março de 2017

Crescer é abandonar o estilo alternativo?

Minha mãe e minha avó vêm me dizendo há um tempinho que já está na hora de eu começar a usar sapatos de salto e variar mais meu guarda roupa, porque já sou uma mulher e estou para entrar no mercado de trabalho. Quando comentei de uma professora minha ter sido punk quando jovem, já tacaram uma espécie de indireta: “Com o tempo a gente vê que não dá certo ser assim no meio da sociedade” – palavras aproximadas da fala original.

À medida que crescemos, é normal que seja cobrado de nós atitudes mais maduras como arrumar o quarto, ajudar nas tarefas de casa, ter responsabilidades para com nossas coisas e por aí vai. Beirando a adolescência, temos que deixar de ser criança; beirando a vida adulta, temos que ser ainda mais maduros e deixar de ser adolescente. Porém, é nesse ponto em que quem tem um estilo de se vestir diferente é cobrado para deixá-lo e ser mais “como os outros” – como se os pais não tivessem pegado tanto no pé assim antes pelo fato de serem jovens e de terem esperanças de que isso fosse apenas uma fase.




Mas até que ponto somos velhos demais para fazer algo? 
O que de fato nos torna adultos?
Copyright (c) Annah Rodrigues


Conheço pessoas com mais de trinta anos que ainda leem mangás e HQ’s, coisas altamente associadas, no pensamento popular, a um público bem mais jovem; têm idosos que praticam esportes radicais ou que continuam trabalhando com a mesma intensidade de quando começaram, rejeitando a aposentadoria. Todos eles fazem aquilo que querem, por mais que os julguem por seus atos e os pressionem a se adequar às normas – como agir e fazer coisas mais “adequadas” à sua idade.

A auto expressão através da vestimenta é uma maneira poderosíssima de mostrar quem somos, como nos sentimos e do que gostamos – e isso não tem idade. Visto-me como me visto pois as opções que a grande mídia me oferece não me apetecem. Se eu compro roupa em lojas comuns de departamento, garimpo com todas as minhas forças até achar algo que seja mais a minha cara ou que permita uma customização. No colégio, sentia-me deslocada no meio das outras garotas por não me identificar com aquilo que elas gostavam e até meus doze, treze anos, era praticamente a minha mãe que escolhia minhas roupas. Tomar uma atitude e fugir do convencional foi o jeito de eu me afirmar do jeito que eu sou.

Talvez as pessoas pensem que, sendo a rebeldia relacionada à imaturidade – ou seja, aos jovens, sem ser no sentido pejorativo – , logo o conservadorismo casa melhor com a maturidade, o que justifica exigências de mudança para quem está adentrando a vida adulta. Mas não seriam a autonomia e a forma consciente de enxergar o mundo que nos faz pessoas mais maduras? Como o modo que somos por fora interfere nisso?

Não, vó, não quero usar salto no dia-a-dia – até porque conheço as calçadas da minha cidade. E sim, mãe, meu chefe pode exigir trajes mais discretos, mas nem por isso eu vou me deixar absorver pela massa e me vestir como meus colegas de trabalho – ser adulto tem muito mais a ver com cabeça do que com aparência. 


Leia também: 
Adultos em Idade Produtiva - Criatividade tem limite de idade?
Subculturas não tem idade: Adultos que adentram no mundo alternativo 



Autora: Annah Rodrigues
Estudante de Design e técnica em Multimídia aspirante à ilustradora. Uma colcha de retalhos ambulante: gosta desde rock e cultura alternativa até coisas de época e animes. Usa sua introversão e sentimento de (des)encaixe para refletir sobre coisas aleatórias nas horas vagas e desbrava aos pouquinhos a cena independente de São Paulo. 
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11 de março de 2017

Qualidade e Engajamento no Moda de Subculturas (Pesquisa)


Ao contrário da pesquisa anterior, que visava conhecer o leitor, esta é uma pesquisa que busca conhecer nossos pontos fracos e colher informações para tentar melhorar nosso conteúdo e engajamento*. Críticas à respeito dos temas (construtivas e educadas, claro!) são bem vindas.
Esta pesquisa ficará no ar tempo determinado.
 

*Engajamento é:
- Envolvimento do leitor (se o leitor clica nos links, se tira um tempo para ler os artigos).
- Participação/Interação nos comentários (blog, face, instagram, twitter, tumblr etc)
- Se confia no conteúdo do blog e nas marcas que o blog divulga, etc.

5 de março de 2017

Coney Island Mermaid Parade: o Desfile das Sereias

Desde 1983, ocorre anualmente o Coney Island Mermaid Parade, um tradicional desfile de fantasias criado por Dick Zigun, no emblemático bairro praiano de Nova Iorque. A parada reúne milhares de espectadores na Avenida Surf à espera do Rei Netuno e da Rainha Sereia passar com sua comissão formada por cerca de três mil componentes enfeitados com trajes dos mais extravagantes possíveis que os seres do mar podem representar. 


Via Daily News

Segundo o site, o evento não possui fins étnicos, religiosos ou comerciais e tem como inspirações o Festival da Água na África Ocidental e os teatros de rua da Grécia e Roma Antiga. A celebração faz parte do circuito Coney Island USA, um movimento de preservação da cultura popular norte americana, e inclui também o Burlesque at the Beach, com shows de burlesco e vaudeville; Coney Island Circus SideShow, com apresentações de freakshow; Coney Island Film Festival, festival de filmes; e outras atrações que fazem o feriado de Verão da famosa ilha sacudir no mês de Junho. 













Fotos: Reprodução


A lembrança do desfile nova iorquino veio após o Carnaval 2017, onde um tema que se sobressaiu foram as Sereias - com direito a diversos tipos de fantasias e até blocos especializados - mostrando que o sereismo não é um modismo, ele chegou com força e promete ficar de vez, afinal, o Brasil possui o maior litoral do mundo, qualquer assunto que envolva o universo aquático contém possibilidades de muito sucesso. E não deu outra!

Quem sabe no futuro a gente não tenha algum Bloco de Carnaval tão conhecido como o Mermaid Parade é em Nova Iorque. Criatividade e inspiração não nos falta, né?



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