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16 de agosto de 2018

60 Anos de Madonna: relembre os looks da cantora inspirados nas subculturas

É bem verdade que Madonna não é uma unanimidade no meio alternativo e nem no meio feminista. E nem precisa ser, a ambiguidade é parte dos seres humanos. A própria cantora também se fez em cima de polêmicas e contradições. Hoje a chamada "Rainha do Pop" comemora 60 anos! Vamos aproveitar para relembrar algumas de sua apropriações estéticas que se relacionam com as subculturas e moda alternativa.

Foto: Steven Klein

É bem possível que os alternativos dos anos 1980 e 90 preferissem Cindy Lauper à Madonna. Naquela época sem internet, as notícias que recebiam vinham da mídia mainstream e Madonna talvez fosse 'pop demais' e na época era comum que muitos alternativos abominassem a música pop, que simbolizava a música corporativa empurrada goela abaixo.

Enquanto Cindy tinha um apelo estético muito próximo do que era considerado excêntrico: roupas extravagantes, cabelos e maquiagem supercoloridos, no começo da carreira Madonna tinha um visual que misturava um pouco de new wave e as telas arrastão típicas do punk e goth!


Podemos ver esse visual no clipe Into the Groove.


Nos anos 1980, Madonna era uma artista pop superfamosa, mas quando foi que ela veio a se tornar um mito? Quando veio a se tornar a performer que mudou a indústria cultural? 

O ano era 1990, e a turnê se chamava "Blond Ambition", é no próprio nome da tour que a revolução começa: a palavra "blond" sem o 'e' no final. O 'e' no final é uma flexão do gênero feminino (blonde = loira), Madonna coloca o nome tour sem um gênero definido. 

Na turnê Blond Ambition usando um Bullet Bra (leia matéria aqui)

É nesta década que surge a Madonna que usa e abusa d
o choque, da provocação, a Madonna dominatrix do álbum "Erotica", a Madonna que lançaria tendências e transformaria a indústria cultural. A cantora tinha consciência que a sociedade americana era careta e pudica, então nada melhor do que tocar em temas tabus. 


Turnê Erotica: inspiração sadomosoquista

Além disso, os anos 1980 tinham visto a ascensão da AIDS e lá estava Madonna acompanhada de gays mostrando que não tinha preconceito e nem receio de ser contaminada (não se sabia ainda exatamente como a doença era transmitida). E é justamente da subcultura gay latina e africana-americana que Madonna faz a cooptação da dança chamada 'Vogue', levando-a ao mainstream.


Foto: Fabio Gibelli Photography

Madonna sempre foi superfã de usar looks totalmente pretos (cor associada à rebeldia), desde o início a tonalidade é muito presente na sua estética. Não à toa, o visual gótico acabou atraindo a cantora. O estilo surge em momentos onde aborda sobre religião, espiritualidade, autoconhecimento, reflexão sobre a vida humana. Em 1989, apareceria no polêmico clipe 'Like a Prayer' usando um slip-dress com meias 7/8. Como é de origem católica é comum o uso de crucifixos e também para compor um visual mais dark, pinta os cabelos de preto. 


Em 1998, novamente, Madonna aborda a espiritualidade, foi num período introspectivo, talvez pelo nascimento da filha e também época em que se tornou budista, passou a fazer yoga e estudar Kabala. Nos anos 90 a gótica tinha longos cabelos negros escorridos, lembre-se de Angelina Jolie, e seria essa estética vista em boa parte da fase do álbum 'Ray Of Light'. Na maioria das apresentações surge com visuais completamente pretos, a diferença dos anos anteriores é que as roupas cobrem todo seu corpo, como se Madonna quisesse usar a ausência de cor para apagar o exterior e assim iluminasse o interior, vide as letras das canções bem reflexivas.

No clipe 'Frozen', a ideia era representar uma criatura do deserto, a encarnação da angústia feminina. A música da qual classifica como melancólica, é sobre estar frio e poder se abrir. Madonna encarna seu alter ego 'Veronica Eletronica' e quis formar uma estética que parecesse uma assombração. 'Ela é gótica mas é medieval. Ela é romântica, pré-rafaelita', revela. O visual foi criado a partir de um desfile do Gaultier onde a artista achou perfeita a combinação.



Madonna volta e meia revisita o visual gótico em aparições. As últimas mais comentadas foram no baile da Vogue, o MET Gala de 2016 e o mais recente sobre o tema Corpos Sagrados, Moda e a Imaginação Católica. 

Para outro baile do MET, de temática Punk, a cantora apareceu com este visual, onde todos os clichés da moda punk, aqueles que se tornaram elementos tradicionais, estão representados.


Além do gótico e do punk, Madonna também usou e abusou da estética fetichista, vestindo elementos como látex, cone e bullet bra, amarrações. Junto com Jean Paul Gaultier criou visuais icônicos, que tomavam proporções infindáveis tamanha polêmica que alcançava. Além da já citada turnê Blond Ambition, teve o documentário 'Na Cama com Madonna' e depois o álbum Erótica com o lançamento do livro Sex. Até hoje não há uma artista pop que consiga chamar tanta atenção igual Madonna fez no início dos anos 1990. Ela chegou a quase ter seu show proibido na Itália devida performance que incitava masturbação, mas bateu de frente com todos que ousaram censurar sua Arte.



Com JPG, que junto criou o visual icônico do Blond Ambition.

O escandaloso livro Sex, feito com o fotógrafo de moda Steven Meisel.

Mais recente num ensaio bondage com Katy Perry para V Magazine inspirado nas sessões de fotos de Bettie Page.

Madonna definiu para sua imagem o conceito de ser camaleônica, sempre mudar, nunca estagnar, mas curiosamente, se utilizando de elementos da moda das subculturas. O também camaleônico David Bowie foi o artista que mais a influenciou e a fez querer seguir na música. Quando muda-se para Nova Iorque, se joga na efervescência cultural da cidade, ficando amiga de grandes artistas contemporâneos como Jean-Michel Basquiat. A cantora também ajudou a propagar a imagem de ícone pop de Frida Kahlo, pois a pintora é uma das suas favoritas.



Numa época em que uma parte dos alternativos reproduz os conceitos da cultura dominante e não tem identificação com o ato de se rebelar, a cantora parece nunca ter deixado esse fato de lado e ao lançar seu álbum "Rebel Heart", soltou a frase:
"Uma rebelde é alguém que protesta, que questiona o que já está estabelecido  e pensa de forma diferente. E no fim do dia são os rebeldes como Martin Luther King, Nelson Mandela, Bob Marley e John Lennon, as pessoas que mudaram o mundo. Não dá pra ser um rebelde e não encarar as consequências. Como Michael Moore diz: "Não dá pra colocar o queixo pra fora e não esperar uma porrada". 

E foi isso mesmo que a cantora fez ao longo de sua vida: colocou o queixo pra fora. E foi daí que nasceu a lenda.





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Texto e curadoria de imagens: Lauren e Sana Skull.
Direitos autorais:
Artigo original do blog Moda de Subculturas. 
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Comentários via Facebook

2 comentários:

  1. Quanto tempo não venho por aqui! E deram uma repaginada legal, em?! Gostei!
    Madonna é a excentricidade em pessoa. Não foi a toa que conquistou o "cargo" de Rainha do Pop. Quando se fala em Rainha do Pop, lembra-se de Madonna. Agora achei bem interessante erra fissura delas pelas subculturas, eu havia visto, em um site anteriormente, o look ousado dela inspirado nas eras cristãs (ou algo assim), achei a cara dela. HUAHUAHUAHUAHUA
    Até a Lady Gaga perde para ela em quesito excentricidade.

    Jornal Informal

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    Respostas
    1. Oi Karolini! Bem vinda de volta!
      Demos uma repaginada pra melhorar a navegação via celular.
      A Madonna tem uma visão super estratégica de como aproveitar o que as culturas alternativas tem de melhor, além de ser uma mulher muito inteligente que soube construir estéticas e modificar comportamentos. Uma verdadeira influencer haha! :D

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