Destaques

Mostrando postagens com marcador Club Kids. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Club Kids. Mostrar todas as postagens
29 de janeiro de 2016

A nova cena Drag: do passado ao presente

A volta dos Club Kids e da cena Drag se dá pelo enorme sucesso do reality show Rupaul's Drag Race e consequentemente a retomada do movimento trans na mídia. Tem ocorrido coisas bem legais e uma delas é a abertura dada a uma nova geração de talentos, mas que também veio para resgatar a memória daquelas que iniciaram o caminho. E é isso que vamos fazer nesse post: unir a força do presente com a lembrança do passado.

O termo "drag" vem do teatro, e data de 1887, significando a saia que os atores usavam ao interpretar personagens femininos. A palavra acompanhada de "Queen" remete à cultura gay e "Drag King" seria o contrário, mulheres travestidas de homens. Foi na década de 1980 que a cultura drag saiu do gueto com ajuda dos Club Kids e apesar de fazerem muita piada com sexo, duas das características das drags são: uma atitude dessexualizada e terem um estilo ou marca pessoal.


Começando com RuPaul, da qual seu nome exótico foi retirado da revista Ebony, se tornou o maior símbolo de sucesso nos anos 1990. Mesmo com o passado difícil ao nascer na preconceituosa cidade de Atlanta, em 1993 foi capa da revista Time. Para o grande público, apareceu com o hit Supermodel of the World que invadiu pistas gays e héteros no mundo todo.

Em 1993, a jornalista Erika Palomino conseguiu entrevistá-la e na conversa saíram revelações como ser drag há 11 anos, "não me operei, não fiz plásticas, não tomei hormônios. É tudo atitude". Comentou sobre a cena na época: "as drags nos dizem que devemos valorizar a vida e celebrá-la e é uma resposta do mundo gay à tristeza da AIDS, temos o mérito de trazer de volta o glamour." E lembrou do hábito que adquiriu do seu passado: "quando eu era punk, na adolescência, usava cabelo moicano, então me acostumei a raspar a cabeça. Desde então não parei mais. Hoje raspo todo o corpo."

Uma curiosidade: Rupaul já esteve no Brasil em pleno carnaval de 1996. Usou peruca de um metro de altura e com seus 1,94cm e usando plataformas, ela chegava a quase três metros de altura!

Com o lançamento do reality em 2009, o programa alavancou a cena apresentando ao público de massa a nova geração que estava escondida nos palcos da noite underground. Apesar da tarefa difícil, damos destaque para Adore Delano, Nina Flowers e Sharon Needles.

Adore Delano e sua pegada alternativa: goth, pinup e rocker.

Nina Flowers e seus visuais que lembram as subculturas Glam Rock, Póst-Punk e Goth.

Participante da quarta edição, Sharon Neddles carrega influencia na estética de muitos artistas do rock e referência em personagens e temas que também serviram de fonte para os próprios rock stars. Ou seja, na sua montação há muito de Freak Show, aquela pegada mais trash e dark. Esse conceito vem de uma linhagem que nós amamos, que é a do Shock Horror e logo remete a dois nomes: Frank-n-Furter e Divine

Sharon Needles e seu lado Goth

O primeiro é personagem do The Rock Horror Picture Show, peça de teatro que se transformou no famoso filme cult, criando uma geração subsequente de fãs. Definido como "um doce travesti da Trânsilvania transexual e bissexual", Frank é uma mistura de tudo aquilo que chocava a sociedade conservadora dos anos 1970. O longa é um marco até hoje e deve ser revisto não só pela obra, mas pela situação de retrocesso que anda se vivendo mundo afora.


Enquanto Frank estava só nas telas, Divine fazia parte dela e da vida real. Musa do diretor John Waters, a parceria rendeu vários frutos, porém o maior destaque está em Pink Flamingos. As produções lado b elevaram o status de Divine e a tornou uma figura badalada na época frequentando até o Studio 54 (só entrava nessa boate quem o dono escolhia e os critérios eram: fama, beleza ou visual descolado). O mais louco da história foi descobrir anos depois que a personagem Úrsula de A Pequena Sereia é inspirada nela! Quem diria uma drag sendo referência em um filme infantil da Disney, hein? 

No Studio 54 com Andy Warhol

 Pink Flamingos

Referência para bruxa Úrsula em Ariel

No final de 1980 e início de 90 surgem os Club Kids. Igual anteriormente, alguns nomes se sobressaem, como é o caso de Richie Rich. Em 1999, Rich lança junto com Traver Rains a marca Heatherette causando o furor por apresentar coleções conceituais, com referências surrealistas, cheias de brilho e cores. As passarelas ferviam porque o desfile misturava tops como Naomi Campbell, celebridades polêmicas tipo Anna Nicole Smith e outras personalidades LGBT. Amanda Lepore, que também vinha dos Kids, participou ativamente dessa festa.


Hoje a marca não tem a mesma força que antes, mas estão aparecendo outras novas no mercado. A BCALLA é a queridinha do momento, sendo figurino de artistas underground e mainstream. Lady Gaga está entre as divulgadoras e agora Miley Cyrus, que é quase uma embaixadora de tanto que usa em eventos. 


Coleção Primavera 2015
FCA PHOTO
Já na parte de cima, Charlie le Mindu tem sido o nome na confecção de perucas, fazendo a cabeça das grandes artistas pop contemporâneas. Seu trabalho denominado de haute coiffure começou adornando as drags nos shows para qual Charlie trabalhava. Suas criações de fato são primorosas, não à toa o reconhecimento.


Acréscimos finais

Iniciamos falando de RuPaul e seu aparecimento nos anos 1990. Para se ter uma noção da popularidade que tiveram as drags no mainstream, filmes são lançados envolvidos com a temática. Rupaul fez participação em Para Wong Foo, Obrigada por Tudo. Não há como esquecer de Priscilla, a Rainha do Deserto e o remake noventista de A Gaiola das Loucas. 


Nos últimos anos, apesar de ser uma personagem transgênera, no filme Clube de Compras Dallas, Jared Leto interpreta Rayon da qual lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante e um belo discurso lembrando os que morreram por conta da AIDS. Isso se interliga com a fala de Rupaul sobre o resgate que as drags trouxeram depois do período obscuro na década de 1980. Além dele, nos anos 2000 para cá tem os longas Party Monster e Hedwig: Rock, Amor e Traição.


Nos palcos, nem todas as performers eram/são só drags, muitas também são transgêneras. Nas perdas de 2015, estava a atriz Holly Woodlawn que trabalhou com Andy Warhol e fez participação no seu filme Trash. Holly está marcada na história do rock por ser citada na famosa canção "Walk on the Wild Side" de Lou Reed. 


Com o falecimento de David Bowie, veio a lembrança Romy Haag que ficou conhecida na Europa pelo seu cabaret "Chez Romy Haag" da qual lhe rendeu ótimas amizades com celebridades e rock stars, chegando a virar musa de Bowie e o influenciado artisticamente nos anos em que passou em Berlim. 


Finalizando, um ressalto aos Drag Kings, que são as mulheres que se transvestem de homem. Na verdade, indo mais além, mulheres também podem ser drag queens. No Brasil, muitos consideram a Elke Maravilha como exemplo. Mas no foco das kings, as performances de Phantom são fantásticas. Sem muito o que comentar, somente assistir:


Que esse post tenha ajudado a abrir mais os conceitos de diversidade.
E
para quem curte uma boa montação, se joga!


Acompanhe nossas mídias sociais:
Instagram ☠ Facebook ☠ Tumblr Pinterest  ☠ Google +      


Leiam e fiquem cientes dos direitos autorais abaixo:
Artigo das autoras do Moda de Subculturas.
É permitido usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos, para isso precisa obrigatoriamente linkar o artigo do blog como fonte. Compartilhar e linkar é permitido, sendo formas justas de reconhecer nosso trabalho. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo aqui presente sem autorização prévia. É proibido também a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, porém, a seleção e as montagens foram feitas por nós baseadas no contexto dos textos.

17 de dezembro de 2015

O revival do clubber na moda contemporânea

Nos desfiles internacionais de 2014, um dos assuntos mais comentados na moda mainstream foi sobre a volta do clubber e da cena rave. Depois da pesquisa, observa-se que na verdade ele vem dando as caras já algum tempo, ficando mais fácil de se destacar em que pontos o movimento teve influencia.

Kabuki Starshine servindo de inspiração no Inverno 2012 de Meadham Kirchoff

Clubber no Verão 2015 de Jeremy Scott

A retomada pode ter iniciado com a explosão da Lady Gaga na mídia. O que destaca a sua estética é a forma conceitual, com forte referência na arte surrealista e na moda Kawaii. Porém, Nicola Formichetti era a grande cabeça por trás do visual da cantora, e como já escrito antes, o badalado stylist tem entre suas pesquisas as subculturas, não restando dúvida de que os clubbers fizeram parte desse moodboard.

Quem diria que uma kid underground teria seu visual copiado num editorial com Naomi Campbell e anos depois apareceria no clipe de uma das maiores estrelas pop!

Junto com o boom de Gaga, nasce em 2009 o reality RuPaul's Drag Race, o que ajuda a lançar de vez o revival da era clubber já que RuPaul fez parte da cena sendo uma dos mais famosas frequentadoras! Em seguida ao estrondoso sucesso do programa, começa a surgir o interesse da moda pelo anos 90 e aí vasculha-se tudo o que era febre nessa década.

 Miss Fame - participante da sétima edição - não remete aqui a Kabuki Starshine??

Hoje encontramos diversos artistas onde visivelmente encontra-se pegada clubber. De mainstream a alternativos está Brooke Candy, que mistura diversos estilos, sendo um belo exemplo da geração Y. Lembrando que posteriormente, Candy trabalharia com Nicola Formichetti. As coisas sempre se interligam!

Estética da cantora no início

 Acompanhada de Amanda Lepore, uma club kid original!


Moda Alternativa
É impressionante como tudo, mas tudo mesmo que representou essa fase está voltando. Os club kids usavam uma mistureba de elementos pois nela andavam turmas como Drags, Góticos, Pattys e Boys. Muitos eram envolvidos com o universo da Moda, Beleza, Arte e isso ajudava a enriquecer o figurino dos frequentadores o que a tornou uma grande fonte de modismos pelo mainstream. Veja quanta coisa vem dessa época!

Cores Neon (ou fluorescentes)

Em 2012, já tínhamos destacado entre trends alts o neon, porém não havia sido relacionado com o clubber. As cores estão presentes em tudo, principalmente em acessórios. Lembram daqueles brincos e piercings em forma de mamona e aquela pulseira que fecha batendo no pulso? Olha elas aí:


Holográfico e Metalizado

Um dos favoritos da última temporada! Como não amar? Inclusive a pochete, que ainda pouco se encontra aqui. Aliás, toda vez que eu vejo metalizado, lembro do trench coat babado que a Bridget Fonda usa em "Mulher Solteira Procura", filme de 1992.


Versões 2015:

Glitter

Surgindo em tudo: acessórios, roupas, maquiagens, cabelos, barbas e o que mais sua criatividade permitir.


Transparências

Quem não jogou fora aquela bolsa, casaco ou sandália transparente pode resgatar do armário djá! 


Plataformas

Remetem logo as Spice Girls, né? Mas os clubbers já usavam e abusavam. E eram gigantes!


Versões 2015

Pelo (ou pelúcia) sintético

Ficou superpopularizado por nomes como Gwen Stefani e Bjork. E também estavam presentes em várias vestimentas.


Versões 2015

Versão gótica da Queen of Darkness

Vinil

Em grande destaque, o tecido chama a atenção por causa do brilho que realça qualquer cor. Além do pelo, Gwen Stefani marcou presença de vinil como é o caso do famoso vestido vermelho usado na capa de Tragic Kingdom.


Versões 2015:



Estampas

Arco Íris

Hello Kitty

Smile

Versão dark KillStar

ET's e Unicórnios

Dentre as influencias que os clubbers tiveram, estavam os desenhos animados. O auge na década de 80 eram a Jem e as Hologramas, Meu Pequeno Pônei e a maior delas, Lisa Frank.


Versões 2015
Miçangas coloridas

Outra mania que a Lisa Frank lançou. O produto era direcionado às crianças, porém os mais velhos não resistiram e se encheram de pulseiras e colares.


Versões 2015

Miley Cyrus apareceu no desfile do Jeremy Scott cheia delas. Disseram que ela mesma fez o colar.

Chokers

Também falamos da retomada das chokers, como a estilo tattoo e a em tira de veludo. Agora, além do vinil, a de couro e argolas de metal também ganharam força. Repare a semelhança do acessório de Walt Paper na década de 90 e o da modelo Fernanda Ly na atualidade.


Versões 2015 da marca brasileira HauteXtreme

Piercing no septo

Tem uns dois anos que o piercing no septo virou febre e o motivo é nada menos que os anos 90. O club kid Walt Paper e uma das top sensações da época Sybil Buck destacam o modelo em suas faces.


Lady Gaga em 2013, quando surgiu antecipando a onda dark que vinha do mainstream. Munida de piercing e choker de argola:

Cabelos

O penteado knot (nó) ficou tão popular que até celebridades noventistas usaram. Aqui vemos Richie Rich e Gwen Stefani:


Hoje em dia ainda não se observa a mania igual a de 1990, mas algumas famosas apareceram, como Rihanna e Miley Cyrus:

Maquiagem

Sendo a essência dos kids a estética excêntrica, a maquiagem serviu de aliada nesse repertório. Um belo exemplo é Kabuki Starshine, que não tinha limite para criar sua imagem. Quanto mais colorido fosse, melhor.


Nos últimos anos houve um crescimento no interesse por makes coloridas e isso se deu por causa dessa cena. Diversas marcas alternativas entraram na vibe e adotaram coleções com os mais diferentes pigmentos, entre elas, destaco a SugarPill Cosmetics. A dona, Amy Shrinkle, iniciou a empresa em 2003, depois que elogiaram sua make, da qual tinha influencia nas performers dos clubes underground de drag queen que ela frequentava. 

Os produtos SugarPill se destacam pelos tons vibrantes e acentuam-se ainda mais quando unido ao glitter. Tudo a ver com o clubber.

Além dos coloridos, o batom preto também foi muito usado. É bem provável que seja influencia dos góticos que andavam no meio. 

Diferentes períodos: Amanda Lepore e Brooke Candy

A gente sabe que certos modismos de agora apesar de serem dadas como algo novo nada mais são do que antigos costumes rebatizados com outros nomes. Mesmo não sendo premeditado, o Seapunk reúne elementos que acabam se encaixando na tentativa atual de dar continuidade a cena clubber. Pena que acabou sugada pelo mainstream e mal deu tempo de ver sua evolução. Talvez os Scene Kids tenham sido crias bem distantes, pois também há certas semelhanças. O que resta é ficar de olho se alguma subcultura nascerá com esse revival de música eletrônica e estética alternativa.



Acompanhe nossas mídias sociais:
Instagram ☠ Facebook ☠ Tumblr Pinterest  ☠ Google +      


Artigo das autoras do Moda de Subculturas. Para usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos, linke o artigo do blog como respeito ao direito autoral do nosso trabalho (lei nº 9.610 de 19 de fevereiro de 1998). Tentamos trazer o máximo de informações para os leitores até a presente data da publicação. Todas as montagens de imagens foram feitas por nós.

© .Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa. – Tema desenvolvido com por Iunique - Temas.in