20 de novembro de 2014

O Fim da XtraX e da Odium Clothing: Por que lojas alternativas fecham?

Manter uma loja alternativa no Brasil é algo de muita coragem e perseverança. Não apenas pelos altos impostos quando se é legalizada, quanto à se manter pra um público tão pequeno. Não à toa, muitas começam na informalidade e se mantém assim por anos até que possam pagar os registros de legalização. Nestes 10 anos que estou envolvida com moda alternativa, sei que mesmo quem se mantém informal nem sempre consegue sobreviver. Eu vi muita marca alternativa fechar, lojas que faziam suas próprias peças. O fechamento se dá por diversos motivos, desde pessoais, até falta de grana, passando por mal planejamento ou administração, má divulgação e inclusive peças que embora tinham boa ideia de modelagem e estilo, não tinham qualidade, seja no tecido ou no acabamento. No mundo de hoje, não dá pra oferecer produto meia boca, a concorrência é muito grande. A profissionalização, os estudos, ajudam a aprender sobre empreendedorismo, preço e qualidade, que são fundamentais pra manter uma marca funcionando. Criar e ter ideias maravilhosas, conseguir colocá-las em prática, chegar ao público e se manter, é um imenso desafio.

E quando se trata de grandes lojas alternativas estrangeiras? Porque elas fecham?
Um pouco difícil de saber já que não somos parte do grupo de convivência, mas  é possível chegar à conclusões baseadas em pesquisas e análises do mercado atual.
O ano de 2014 não foi feliz pra duas grandes lojas estrangeiras conhecidas mundialmente, a alemã X-tra-X e a sueca Odium Clothing.

A XtraX Underground Fashion foi uma das primeiras lojas alternativas estrangeiras que conheci há mais de uma década. A loja tinha como público alvo a subcultura gótica em suas vertentes mais tradicionais, sua base era a venda de peças com sua marca própria, a Bat Attack,
acessórios e calçados de outras marcas alternativas.
A XtraX foi fundada em 1991 e em 1995 já recebia clientes do mundo todo, dois anos depois, com 4 lojas na Alemanha, seu catálogo de roupas já continha mais de 200 páginas (dando uma ideia do tamanho da variedade de produtos da loja!), catálogos estes que eram produzidos mensalmente.

Os estilos góticos tradicionais da Bat Attack.

Em 2011, por meio de amizades, acabei por conhecer o diretor de marketing da XtraX. Naquele ano a loja estava comemorando 20 anos (isso mesmo!) e lançou a coleção Doro Pesch "Love me in Black" (título de uma música dela). Falei sobre esse material, assim como a biografia e o aniversário da loja no post "20 anos da loja alemã XtraX".



Meu material da loja agora é relíquia.

Era super comum a XtraX patrocinar artistas, dentre as bandas que foram garotos propaganda estavam Craddle of Filth, The 69 Eyes e Dimmu Borgir. Na verdade a loja adorava patrocinar e se auto divulgar por todo tipo de bandas: góticas, de horror punk, psychobilly, deathrock, heavy metal... todo estilo tinha espaço na loja.


Como eu visitava o site com algum frequência, notei que nos últimos anos a quantidade de peças próprias foi diminuindo e a quantidade de peças de outras marcas alternativas foi aumentando. Assim como também houve uma espécie de "diminuição" de peças góticas em favor de peças mais "moda alternativa num geral".
Em abril deste ano a loja fechou. 
A maior loja alemã (e talvez da Europa continental) de moda underground. Num país que tem uma cultura gótica e metal super estabelecida (a Alemanha hospeda o WGT e o Wacken), a loja teve seu estoque foi queimado em festivais e outras lojas parceiras.
O fim da XtraX foi o fim de uma era da história da moda alternativa.

Não é possível afirmar 100% o que fez a XtraX fechar, mas vejo vários fatores, como a crise econômica europeia recente, visto que seu público consumidor não era apenas alemão, mas europeu num geral. Mas porquê, dentre tantas lojas que poderiam fechar, foi justamente a maior da Europa?
Há outros possíveis motivos que eu levanto aqui:
- a decadência do interesse do público pela moda e cultura gótica tradicional em favor de estilos alternativos mais pulverizados. É notável que hoje existe um desinteresse pela estética gótica tradicional e pela inserção fiel na subcultura. A XtraX deu sinais que esse desinteresse pelo gótico tradicional estava caindo entre seu público consumidor quando colocou no seu catálogo marcas de moda alternativa que não eram parte desta estética.
- A intensa produção asiática e a prática de dumping* pela China, pode também ter acabado com a loja, já que sua marca, a Bat Attack, era produzida na Alemanha, ocorrendo assim uma impossibilidade de concorrer com os preços de marcas concorrentes que utilizavam produção asiática.
- A não atualização no tempo certo dos anseios e desejos do consumidor.

Não é regra, mas quando você está há 20 anos inserido numa subcultura e vive dentro dela, pode ser difícil enxergar além, talvez se crie um "mundinho próprio". Quando uma loja foca em um público específico e esse público diminui ou está buscando comprar em outras lojas, é preciso ter um jogo de cintura pra se atualizar com os anseios desse novo consumidor. Se não se atualiza, fica pra trás.

Já o fechamento da sueca Odium Clothing, acredito se encaixar nas mesmas causas da XtraX. 
A Odium existia há 10 anos e era uma das mais conhecidas lojas online também de moda gótica tradicional! Sim, de novo a tal "moda gótica tradicional". A Odium também produzia suas próprias peças e tinha inclusive uma linha em vinil e verniz assim como vestidos de festa.
Foram imagens da Odium que usei quando fundei em 2006 a comunidade no orkut que daria origem à este blog. Desde 2005, a loja tinha como modelo alternativa oficial a Sanna Bernehed (xará!) também conhecida como Nephania. Duas outras modelos góticas também faziam direto o catálogo, a Elin Strigå e a Lenka Violetta.


As conclusões acima são análises pessoais, levantando pontos que lojas alternativas enfrentam como dificuldade ao longo de sua existência. E espero que façam o empresário brasileiro refletir sobre a maleficência do dumping* praticado na Ásia, que não afeta só a gente aqui não! Está sendo maléfico pra Europa também! Mas que empresário resiste à produzir suas peças na Ásia à preços baixos e depois revendê-las a um preço como se a peça tivesse sido fabricada em seu próprio país para ter uma margem de lucro maior? Ou seja, é um comportamento que os grandes empresário precisam mudar porque vira uma bola de neve que derruba até economias de países que pareciam "seguros".
*Dumping é uma prática em que China vende seus produtos por preços super baixos até eliminar os concorrentes. Quando os concorrentes fecham por não conseguir competir, a China fica com o monopólio do mercado e eleva os preços até o valor que bem entender.

Eu não afirmo que estilo gótico mais tradicional da subcultura, está sumido. É claro que ainda existem diversos trad goths em torno desse mundo, mas não tantos quanto antes. Eu mesma não vejo na rua góticas em seus modelitos tradicionais há muito tempo...
É fato também que a moda gótica atual é um apanhado de tendências e misturas com a estética de outras subculturas. Fica até difícil classificar.
A fragmentação das subculturas, algo tão adorado por muitos, trás esse lado negativo: a decadência ou fim mesmo que temporário de uma estética e o fechamento de marcas.


O caso Lippy (Drew Bernstein)
Neste ano, também tivemos uma das mais tristes perdas na cena alternativa: o suicídio de Drew Bernstein, mais conhecido Lippy, figura lendária na cena alternativa americana. O suicídio de Drew foi bem próximo ao de Robin Williams e levantou entre nós do MdS, o questionamento sobre o tão pouco debatido é o tema da depressão, ainda considerado um assunto tabu para nossa sociedade.


Lippy ao longo dos anos...

Lippy emergiu da cena Hollywoodiana do fim dos anos 70. Frequentava tanto as cenas glam rock quanto deathrock. Usava make-up branco, botas imensas, colar de caveira e trajes negros. Com idéias na cabeça, aos 21 anos, já na década de 1980, perguntou à um lojista se ele compraria leggings estampadas com caveira, o lojista topou a experiência. Drew foi pra garagem de sua casa e criou uma estampa de caveira junto à um punhal. Sem a mínima noção de moda, desmontou um par de leggings pra ver a modelagem e o tecido que precisaria. Comprou o suficiente pra fazer 200 peças e, se a venda não desse certo, ele mesmo faria uso das mesmas. As calças foram um sucesso!

As icônicas leggings com adaga e caveira nunca saíram de linha.


Com espírito empreendedor, Lippy percebeu que Londres estava usando muito vinil preto e passou a criar, em Los Angeles, uma jaqueta de motoqueiro do mesmo material. A seguir, percebeu que as pessoas queriam jeans com stretch e lá foi ele criar os seus. Após 3 anos, deixou a garagem de casa e abriu duas lojas em LA, chamadas "Lip Service" sendo uma em Melrose outra em Hollywood Boulevard. E foi assim que a banda Guns 'N' Roses descobriu a loja e uma massa de roqueiros, góticos e punks americanos viraram clientes. Com o passar das décadas, a loja criou submarcas, mas seu legging de caveira com a adaga, nunca saiu de linha.

Encontrei na minha coleção um catálogo da marca, 
com peças ao estilo gótico tradicional...

É impossível saber ao certo, o que levou ao suicídio de um empresário tão criativo e visionário como Lippy. Mas soube por fontes confiáveis que anos atrás, devido à problemas financeiros, ele vendeu a Lip Service e isso o entristeceu muito, mesmo se mantendo como co-proprietário. Deve ser muito difícil ver algo que se criou e que se fez crescer, decaindo. Não duvido que também nos EUA, as lojas alternativas estejam sofrendo com a crise econômica e com o reflexo do dumping, pois basta uma breve olhada na etiqueta de algumas lojas alternativas gringas e leremos "made in China".

Independente do sucesso de sua empresa, Lippy se manteve fiel até o fim à comunidade underground de onde ele veio. Ele não bebia nem usava drogas, sendo um dos primeiros straight edge. Suas lojas e empresas ainda são formadas por roqueiros, góticos e punks.

A XtraX e a Odium, são exemplos que não queremos como futuro de lojas alternativas, mas ao mesmo tempo são exemplos que devem ser levados em conta de como desde já criar um plano B, C, para se adequar às mudanças de economia e do comportamento consumidor.
Lippy nos mostra que ter uma marca alternativa é trabalhar com uma paixão, com algo que se ama, algo que é parte de si mesmo.

É estranho quando lojas que você admirava, que fizeram parte das referências deste blog, deixam de existir. É como se você também fosse parte do sonho alternativo de alguém e não desejasse nunca que um dia um sonho chegasse ao fim.

Terminamos com uma frase e desenho do Lippy, feitos no muro do escritório da loja, que define o que é trabalhar com Moda Alternativa: "Não é um trabalho... é uma aventura!"


Dia da Camiseta de Banda: concorra a 3 camisetas da Ideal Shop!!

Pelo 3º ano consecutivo, dia 21/11 a Ideal Shop vai fazer o Dia da Camiseta de Banda!
"O “Wear Your Old Band T-Shirt To Work Day” (Dia de vestir sua camiseta velha de banda para ir ao trabalho, em tradução livre), foi criado pela BBC Radio 6 em 2008 para incentivar a galera a usar aquela camiseta clássica no trabalho e propagar o espírito rock´n roll por este mundão afora."

Assim, o evento nacional, é uma ação junto com os clientes e fãs da Ideal, em que eles vão para escola, trabalho ou passeio, vestindo alguma camiseta velha de banda. 
Quem quiser participar, basta enviar uma foto usando a camiseta no lugar que você estiver. Mas tem que ser uma foto criativa, hein! 
As fotos enviadas vão para a fan page da Ideal,  e o/a dono/a da foto mais curtida ganha 3 camisetas novas da loja.  :D
O resultado sairá no dia 24/11 às 15hrs.
 
O concurso é muito simples, facinho de participar! Quero ver todo mundo vestindo uma camiseta de banda, tirando uma foto e mandando pra loja! Eu vou estar lá votando nas fotos que mais curti! 
 

19 de novembro de 2014

Como manter o estilo alternativo em dias quentes?

Esta é a pior época do ano pra mim, primavera/verão significa lojas cheias de peças coloridas, estampadas e floridas (nada contra, mas não é meu estilo!) numa profusão de cores às vezes com combinações absurdas. Eu não tenho uma personalidade tão esfuziante assim, embora, na medida, eu goste de "alguma cor" num look.
Estes são os meses que menos faço compra de Moda por impulso, pois é difícil encontrar as araras de roupas pretas. A gente sabe que moda democrática é (ainda) um mito no Brasil, democrática pra quem? Quantas vezes você saiu pra comprar algo de seu gosto ou tamanho e voltou de mãos vazias? Muitos de nós, por consequência do clima acabam abandonando elementos alternativos de suas estéticas neste período, mas outros mantém a luta pelo direito à auto-expressão. Pra estes, sobra a pergunta:

Como manter o estilo alternativo em dias muito quentes?


- Crie o hábito de checar as etiquetas de composição das roupas (ou a descrição da peça na loja virtual)  antes de comprá-las. 
Tecidos naturais como algodão, cambraia e malha de algodão são os mais comuns. Tem também seda e linho, mas estes são tecidos mais caros. E rami, juta e cânhamo que são mais incomuns. Tem a viscose/raion que é uma fibra artificial mas que é feita de material natural (celulose), sendo assim, ela é sempre fresca, eu adoro peças que tem viscose na composição! 

Vestido 1, 2 e 3 (todos Sourpuss Clothing)


Vestido 1 e vestido 2 (ambos Stooge)

Saia 1 (Stooge) e saia 2 (Dark Fashion)

Quanto mais sintético o tecido, mais quente é a roupa. Mas existem alguns tecnológicos como os usados em roupas esportivas e o poliéster oco que deixam as peças mais frescas. Dentre os tecidos sintéticos eu sugeriria os que são transparentes como crepe, chiffon, organza, rendas (tem renda de algodão também). 
Já deixei de comprar peças legais porque sabia que não ia rolar usar no verão. Isso é consumo consciente, investir sua grana em peças que sabes que vai usar de verdade!


- Opte por modelos de roupas mais soltas e fluidas no corpo.
No calor, se puder deixar o jeans um pouco de lado, seria legal. Optem por modelos de calças, shorts ou bermudas em algodão (existem muitos modelos); peças em malha radiosa (não gruda e não aquece); leggings de malha de algodão.
Saias e vestidos nem precisa recomendar, né? Existe underwear específica pra evitar imprevistos basta comprar um modelo adequado à seu gosto e necessidade! Eu adoro as bermudinhas de marcas nacionais de lingerie que são perfeitas e frescas pra acompanhar saias e vestidos. 

Vestido 1 e vestido 2 (ambos Miniminou)


- Preto, branco ou cores?
Como já foi dito acima, se faz questão de não abandonar o preto, opte por comprar peças que tenham tecidos naturais ou sintéticos adequados ao clima. Desta forma, poderá usar seus pretinhos básicos diariamente. 
Mas nós já temos lojas alternativas que oferecem peças estilosas em cores e estampas diferenciadas.

Blusa 1 e blusinha 2 (Ideal Shop)

Camiseta 1 (DasRosenrot) e camiseta 2 (Apátika)

Quando a gente faz questão de usar a moda como auto expressão, é fundamental que nossos gostos possam ser expressados pelo que vestimos e é ótimo saber que a moda alternativa evolui a tal ponto que pode nos oferecer cada vez mais opções!

18 de novembro de 2014

Look do Dia Alternativo - Lady & Punk

Hoje montei um look alternativo todo com produtos da Ideal Shop, fiz tudo combinandinho em tons de preto, branco e vermelho. Feminino, mas ao mesmo tempo com um toque punk na estampa! Usei como base o vestido roller derby que é de um tecido super apropriado pros nossos dias quentes e de cara tem uma estampa muuuito legal!
Pra acessorizar, a carteira Dollface com alça que dentro tem espaço pra cartões e celular; uma gargantilha com tachas (elas voltaram à moda, adooooro!) e um relógio vermelho. Tudo complementado pela bolsa da Pitty com os escritos "ainda me restam três vidas pra gastar" e claro, um livro! O escolhido foi Na Estrada com os Ramones!
Clique na imagem pra aumentar.


A Ideal Shop tem frete grátis pra compras acima de R$99,90! :D


15 de novembro de 2014

O que é Moda Alternativa? E Pessoas Alternativas?

Nunca se viu tanto as palavras "Moda Alternativa" ou "Alternative Fashion" na internet, popularizado e espalhado pelas redes sociais (tumblr, facebook, pinterest, etc)... e este blog escreve sobre isso o tempo todo. Mas afinal, o que é moda alternativa?*

"Moda Alternativa" é um termo genérico que representa multiplicidade de estilos em que,
ao menos uma vez, este(s) estilo(s) se destacou da moda comercial mainstream.
 
A Moda Alternativa, como roupa: não é funcional, não é prática, não segue tendências, não é modismo. Costuma vir de pequenos empresários independentes, artesãos ou feitas em pequena escala. O fator artístico/criativo é muito importante, assim como a roupa ser usada como uma forma de auto expressão, fora do que é considerado apropriado ou elegante e desafia a concepção do que é considerado belo.


Toda moda de subcultura é moda alternativa 
MAS nem toda moda alternativa é moda de subcultura.
  

Complicado? Vamos tentar explicar:

Nas subculturas:
1. O termo "moda alternativa" é comumente associado à subculturas (punk, gótica, metal etc). Existe uma linguagem estética visual de comunicação que é parte do código dos grupos subculturas. Esses códigos estéticos rompem com os costumes da cultura popular. As subculturas costumam ser associadas à rebelião, juventude e idealismo. O visual "certo" é muito importante para ser aceito nestes grupos, pois carrega os tais elementos simbólicos. 
Mas não se limita à isso. Moda alternativa também pode ser uma anti-moda (punk) ou uma não-moda (grunge). A música é algo que define as subculturas, assim, a cópia ou a influência do estilo pessoal de artistas, moldam a forma como fãs se vestem, como por exemplo, Marilyn Manson, cujos fãs são chamados de Spooky Kids por se vestirem como o ídolo, gerando uma estética característica.


Fãs do Marilyn Manson (página do livro The Disciples)

Exemplo 2: Moda Alternativa Gótica
 
 A garota da imagem apresenta um código de comunicação das vestimentas 
que num julgamento à primeira vista a caracteriza como sendo parte da subcultura gótica. 
roupas pretas + acessórios + maquiagem + calçado que são símbolos da subcultura em questão.



Sendo assim, uma pessoa pode usar moda alternativa e SER parte de uma subcultura.


Moda Alternativa fora das Subculturas: 
2. Há um outro tipo de moda alternativa, que segue a mesma definição dada acima (3º parágrafo) e não precisa ser associada com subculturas.

Como pode uma pessoa usar moda alternativa e não ser parte de uma subcultura?
Simples:
Pessoas com grande interesse artístico ou por moda, tendem a usar looks alternativos à moda dominante. Pessoas com grande senso estético e artístico, que sabem o que gostam e não se importam com a opinião alheia. Normalmente trabalham em áreas artísticas ou de design, mas há exceções.

As senhoras da imagem a seguir, podem ser consideradas adeptas de moda alternativa mesmo que elas não pertençam à subculturas. 
Suas roupas apresentam elementos artísticos, usam peças não-funcionais (por ex. chapéu sem a função de proteger do sol, apenas como adorno) e seus looks demonstram um grande senso estético particular baseado em seus gostos pessoais.

 
Moda Alternativa é limitadora?
 NUNCA!
Se uma moda é limitadora ou impõe padrões, ela não é alternativa. 
É mainstream. Simples assim. 


Não confundir moda alternativa com roupas "alternative-inspired"
vendidas em lojas e grifes mainstream.
(moda alternativa de fato, é feita em pequena escala)



Quem pode ser chamado de "Pessoas Alternativas"? 
Muito difícil de explicar sem generalizar! Apelarei para a generalização mas quem se interessar em detalhar o assunto, pode fazê-lo nos comentários.
Mas vamos esquecer a moda por um momento e focar apenas nas pessoas em si. 

Assim como acontece com a moda, pessoas alternativas não vivem o padrão de pensamento/hábitos da cultura dominante em alguma das áreas de suas vidas. 

Pessoas Alternativas:
- Membros de uma subcultura como já citado acima (pode durar uma fase ou a vida toda).
- Pessoas que são parte de uma minoria com hábitos diferenciados (pessoas que praticam nudismo, medicina natural, veganos, poligâmicos, pessoas que moram em eco-villages etc).
- Pessoas que tem uma filosofia de vida diferenciada do padrão cultural vigente (religiões como amish, indus, hare-krishna, paganismo, etc).
- No geral: pessoas que vivem (vivem mesmo, literalmente!) seus pensamentos e questionamentos fora do padrão: pessoas que não vivem o paradigma tradicional.


Moda Alternativa e "pessoas alternativas" tem em comum serem uma minoria dentro de um todo.
Mas esse assunto é muito amplo, cada tópico pode ser destrinchado em vários outros fatos e questionamentos. Na medida do possível apresentaremos eles aqui no blog.


* Neste post, consideramos os conceitos tradicionais dos termos, suas mudanças e variedades deixaremos para outro post.
** Artigo do Moda de Subculturas, postado originalmente no blog Diva Alternativa dia 19/08/2014. Se quiser usar trechos do texto como referência em seus sites ou artigos, achamos gentil linkar o artigo do blog como respeito ao nosso trabalho.

14 de novembro de 2014

Joan Jett lança sua primeira coleção de roupas em parceria com a Tripp NYC e a Hot Topic

A cantora Joan Jett acabou de lançar sua primeira linha de roupas! :D



A Joan Jett X TRIPP NYC Fashion Collection for Hot Topic, é parte da comemoração dos 25 anos da loja americana Hot Topic, que atua em shopping centers e tem mais de 600 pontos de venda na América do Norte.



Joan Jett é um ícone feminino do Rock n Roll. Foi guitarrista da banda Runaways tocando ao lado de Lita Ford e Cherie Currie. Chegou a ser rejeitada por 23 gravadoras que não curtiam a ideia de lançarem uma mulher que tocasse guitarra, até que se tornou a primeira mulher a criar uma gravadora independente, a Blackheart Records. A cantora tem clássicos como "Bad Reputation", "I Love Rock N 'Roll", "I Hate Myself for loving you" e "Crimson and Clover". Joan é considerada a responsável pela quebra de barreiras para as mulheres na cena rock e continua sendo uma referência para as garotas ainda hoje. 

Para criar as peças, Joan chamou os estilistas e amigos de longa data Daang e Ray Goodman. Daang e Ray fundaram a marca Tripp NYC no começo da década de 1980, marca esta que é conhecida por  inspirar-se sempre na cena rock and roll underground de New York. 
Joan disse que há muito tempo tentava lançar uma coleção e finalmente conseguiu! E disse  ainda que colocou seu "próprio eu" nas roupas, com muito minimalismo, rock n roll, ousadia em tons escuros e também androgenia "porque eu não tenho um monte de curvas". 
E justamente pela androgenia, a linha de roupas é voltada pra homens e mulheres: "Eu conheço um monte de meninos que usam roupas de mulheres e tocam em bandas de rock. Eles gostam de vestir roupas de meninas porque por vezes são mais legais que as roupas dos homens".

Vídeo do making of:



 
 

Para a coleção, foram criadas oito peças-chave (ilustradas abaixo) que são consideradas básicas para um guarda roupas roqueiro e combinam entre si. São peças independentes e atemporais, mas ainda modernas, com detalhes especiais - em couro vegetal, metal ou amarrações.


 

Nós do MdS adoramos! São peças realmente atemporais e clássicas dentro do conceito do Rock n Roll!! 
E vocês, curtiram??

13 de novembro de 2014

Novas peças para o verão na Dark Fashion!

A Dark Fashion lançou recentemente novas versões de peças já existente pra aumentar as opções aos clientes e também trouxe de volta algumas peças que estavam fora de catálogo.

A blusa 2536, com manga longa, criada para a coleção de inverno, ganha duas versões para esse verão, uma em manga curta e outra sem manga. As blusas são soltinhas e confeccionadas em viscolycra, que é uma malha leve e super confortável pro calor.



Outra peça soltinha em viscolycra é a blusa 2008 que tem detalhes navalhados e ilhóses nos ombros. Acho essa a peça com maior versatilidade para locais de uso, tanto pra uma celebração ou simplesmente pra um passeio. Os ilhóses dão o clima rocknroll.



A blusa 2015 que era em algodão, ganhou duas versões em lycra cirrê: uma com um navalhado central como destaque e outra com navalhado no decote e nas laterais do corpo.


Alguns outros modelos que eram originalmente em malha de algodão ganharam versão em cirrê, como a blusa 2036 que tem um detalhe de recorte e amarração ovalada no busto. A blusa 2315, na minha singela opinião fica bem interessante em malha brilhosa, ganha um ar mais "heavy metal" e a blusa 2032 é  meu destaque nesta lista, pois parece ser aquela peça que dá pra usar o verão todo tanto com calça quanto com saias!



E por fim as blusas 2070 e 2071 em algodão, versão com manga curta e sem manga.


No decorrer dos próximos meses mais peças serão lançadas no site para o verão, então, fiquem de olho! :D
 

*publipost

11 de novembro de 2014

Look do Dia Alternativo: Ideal Shop

O Look Alternativo Ideal de hoje, montei pensando no clássico dos clássicos da cena alternativa: um look pretinho básico!

A camiseta tem estampa inspirada no filme que muitos alternativos adoram: Brilho Eterno de Uma mente sem lembranças! A saia é da Stooge em estilo retrô com cintura alta, botões na frente, estampada com caveirinhas prateadas. Como acessórios o já tradicional Converse All Star, uma pulseira em spike duplo, anel de gatinho e pra complementar, um livro: "As boas fadas de Nova York" uma história maluquinha que envolve choques culturais, brigas de rua entre gangues de fadas, o fantasma de um rock star em busca de sua guitarra perdida e que tem Neil Gaiman (autor da série de HQs Sandman) tecendo elogios à obra na introdução do livro, dizendo: "é um livro para cada menina com o cabelo tingido em casa e asinhas de fada que não consegue se lembrar mesmo do que aconteceu ontem à noite...”. Outra coisa legal nesse livro é que a edição brasileira tem a capa ilustrada pela artista Silvana Mello, um dos grandes nomes da arte contemporânea brasileira :D





Espero que tenham gostado e semana que vem tem mais Look Ideal, com outro estilo e outras possibilidades, já que a loja tem uma infinidade de produtos e não faltam opções pra todos os gostos. Lembrando que o frete é grátis para compras acima de R$99,90. ;D

*Publipost

6 de novembro de 2014

Look do Dia Alternativo: Black Frost

O calor de verão já está dando as caras em plena primavera e pra essa semana, minha dica de Look do Dia são peças da Black Frost adequadas ao clima, pra quem faz questão de usar preto e sair no style mesmo nos dias quentes.

Procurei indicar as peças com os tecidos mais frescos da loja, em malha, porque né, não vou indicar uma peça que não condiz com a realidade. Então, separei:

Vestido 401: alça, decote profundo e saia soltinha. O legal dessa peça é que ela não tem aquele estilo "balada", pode ser usada de dia, em variadas situações tranquilamente. Os rebites um pouco acima da cintura se destacam e são a referência rock/metal do look. 
Já o vestido 402 é bem mais marcante mas igualmente adequado ao verão. É uma peça mais estilosa e não sei dizer o que é mais interessante: as pontas assimétricas ou o decote com amarração!


A blusa 124 é minha favorita da coleção veludo. Por mais incrível que possa parecer, ela não é quente como supõe-se, porque esse veludo é uma malha. Essa é a blusa da Black Frost que mais uso, a considero até mais fresca que alguns modelos justos em malha cirré, então é por isso que ela está aqui. Na foto, a Alexandra usa a peça com a amarração bem aberta, mas por experiência própria, é possível sim fechar mais a amarração, deixando poucos centímetros aberto, aí vai do gosto. ;)



*publipost

4 de novembro de 2014

Alternativos com Deficiência

Como cidadãs e insatisfeitas com certas imposições da sociedade, costumamos reclamar muito. Por um dado momento, até frequente, perante a diversos descasos que vive-se diariamente, falhamos ao esquecer dos nossos privilégios, principalmente diante das pessoas com deficiência. 

De forma singela, sem tirar a voz e sendo apenas aliadas, dedicamos um post de pesquisas reunindo exemplos de diferentes abordagens na moda e nas subculturas sobre o tema, seja por meio de projetos, gente que se destacou, famosos ou não, tudo para demonstrar o quanto o assunto é rico e ajudar a dar um chega pra lá no capacitismo. Essa é uma matéria inovadora na cena alternativa, esperamos que apreciem o conteúdo e agradecemos muitíssimo a Vívien e a Sylwia pelos depoimentos concedidos ao blog. Obrigada meninas!

Masami Orimo:
Masami Orimo tem 52 anos e é vocalista da banda punk Shampoo, fundada quando ela tinha 16 anos. É considerada a primeira cantora pop cyborg do mundo, pois sua perna artificial funciona como um instrumento musical. Masami diz que não pretendia se tornar uma cantora cyborg, mas foi assim que as coisas aconteceram. Muitos veem perder a perna como uma tragédia completa, só que ela viu uma oportunidade de melhorar a si mesmo e sua arte. 
A cantora diz num texto em primeira pessoa: "sempre fui louca por música, passei anos na cama do hospital após sofrer um acidente de carro aos 10 anos de idade. Passava o tempo ouvindo o rádio ao invés de ir pra escola. Há quatro anos desenvolvi câncer na mesma perna e ela teve que ser amputada. Pensei que minha carreira estava terminada. Mas minhas raízes estão no punk e eu sei que pode haver beleza no não convencional. Quando o punk surgiu, eu sabia que era o tipo de música pra mim, eu me sentia protegida. O punk me fez uma pessoa livre!"
A ideia de colocar uma corda de violino na prótese veio quando estava de cama, em 2009, com hepatite e teve que parar de ensaiar sua música. Assim, convidou um amigo metalúrgico pra produzir a "perna instrumento". "É uma perna robótica. Há toda uma engenharia nela. Mais e mais pessoas com essas próteses estão esculpindo-as e decorando-as como obras de arte. É um movimento legal, bem Sci-Fi!".

Helen Of Troy: 
Em Londres, no final dos anos 70, muitos personagens se destacaram na cena punk inglesa, é o caso de Helen Wellington-Lloyd, conhecida também como Helen of Troy. A sul-africana dividiu moradia com Malcolm McLaren, o que lhe rendeu amizade com o empresário e assim circular pelo ambiente punk. "Nos tornamos amigos imediatamente, provavelmente porque nos vimos como desajustados na sociedade", disse em entrevista. 
Helen tem acondroplasia, uma das causas do nanismo. Era uma das componentes principais do Bromley Contingent, um grupo de fãs que seguiam os Sex Pistols, ajudando até a criar a primeira logo da banda onde depois foi finalizada por Jamie Reid. Em 2001, o nome de Helen ressurge na mídia após leiloar peças exclusivas do seu acervo de roupas pela famosa casa de leilões britânica Sotheby.


Amy Purdy e seu trabalho com Nikki Sixx (baixista do Motley Crue): 
Para quem viveu "sexo, drogas e rock n' roll" à toda intensidade e tocou músicas com palavras sexistas nos anos 80, é surpreendente ver a mudança de filosofia apresentada por Nikki Sixx mais de 30 anos depois. Após sua experiência traumática de quase morte, o músico resolveu expandir o olhar pela arte descobrindo a fotografia. Por ela, Nikki encontrou a beleza além das formas tradicionais impostas, e assim, começou a se expressar através da lente sua admiração por todos os tipos de corpos. Em entrevista ao Dr. Drew, Sixx comenta que ao conhecer Amy Purdy, a inspiração foi muito além da fotografia, e sim em diferentes níveis de sua vida. Revela também, que após o resultado de um lindo trabalho com Purdy, ao ver uma revista listando as cem pessoas mais lindas, ficou tão irritado que escreveu a canção "Lies of the Beautiful People". O músico possui um tumblr dedicado a esse seu outro lado artístico e lá poderão conferir mais histórias, inclusive com moradores de rua.


Jillian Mercado:
A campanha Primavera 2014 da Diesel teve repercussão na mídia após ser veiculada a imagem de Jilian Mercado. A nova iorquina de 27 anos, foi a modelo preferida de Nicola Formichetti no editorial que teve como foco a união de diferentes culturas juvenis. Jilian enviou fotos de brincadeira para seleção do casting e surpreendeu-se ao ser convidada a participar. Mas saiba que essa não foi a entrada dela no mercado da moda. A americana estudou no conceituado Fashion Institude of Technology, tendo trabalhos em grandes locais da área e hoje ocupa o cargo de editora da revista online We The Urban
Jilian tem distrofia muscular e usa cadeira de rodas desde os 12 anos, porém isso não a impediu de fazer o que queria. Estudou moda sabendo da mente restrita do mercado em relação a estética, mas a persistência foi seu maior foco e revelou que apesar de tudo, a indústria sempre a acolheu muito bem. Além da "nova" carreira como modelo, a americana tem um blog incrível, Manufactured 1987, onde expõe seus olhares sobre tudo o que "envolve o universo fashion". 


Melanie Gaydos: 
Nascida com a rara doença genética displasia ectodérmica, da qual afeta seu físico, Melanie Gaydos desafia os padrões de beleza trabalhando na profissão mais condenada a tal ato, a de modelo. A americana é uma "sobrevivente", como revelou ao Daily Beast, ao ter sido criada numa família de alcoólatras e pelos anos de maus tratos da sociedade devido a sua aparência. Porém, Melanie não se rebaixou aos deboches alheios e enfrentou os paradigmas humanos. A carreira na moda começou por volta de 2011, enviando seu portfólio para um fotógrafo que admirava, obtendo resposta com o convite a posar. A partir daí, a estética que a fazia odiar tirar fotos, tornou-se um prazer. A modelo vem ganhando destaque no mercado europeu, participou do clipe Mein Herz Brennt da banda alemã Rammstein, só que ainda não foi o suficiente. Ela sabe que a Moda tem receio de apostar em seu diferencial, e isso não a intimida chegando até a questionar a indústria: "Se você tem medo de correr riscos, por que está na moda?". Melanie tem um grande desafio pela frente, mas diante dos percalços que já passou na vida, não será esse que a fará desistir.  


Viktoria Modesta: 
Viktoria Modesta tem 26 anos, é ucraniana e reside em Londres. É modelo alternativa, cantora, compositora e stylist. Viktoria foi vítima de negligência médica no momento de seu nascimento, que resultou num problema com sua perna esquerda, ficando 7cm menor que a direita e mais fina. Isso a fez passar a infância em hospitais resultando em 6 cirurgias. Em 2007, já residindo em Londres, decidiu voluntariamente pela amputação da perna. O que muito podem enxergar como algo absurdo, Viktoria enxergou como algo positivo e como uma forma de melhorar sua qualidade de vida. A modelo sentiu que fez a escolha certa. Ela diz: "Eu sentia que tinha que esconder minha perna e nunca fui capaz de usar sapatos de salto alto ou abertos, ou usar saias curtas no verão. Agora me sinto mais completa, mais confiante, e sinto que tirei algo em mim que estava errado, não perdi algo saudável. Agora me sinto natural e normal. As próteses de pernas NHS são tão avançadas e realistas, posso andar e correr, além de ter os modelos salto alto e planas, um guarda-roupa inteiro de pernas! Então, eu não poderia estar mais feliz."
Viktoria começou a carreira como modelo alternativa aos 15 anos, principalmente por causa do seu rosto e estilo. Ela escondia sua deficiência porque não queria decepcionar as pessoas, mas superou isso. "Para muitos, ser deficiente significa que você está limitado e assume que há uma barreira entre você e conseguir as coisas que deseja. Eu simplesmente não vejo dessa forma. Pra mim, é sobre fazer o melhor de si e se concentrar no que você pode fazer, focar e alcançar. Minha experiência pessoal é que, quando você se comporta de uma forma positiva, as pessoas não reagem a você de forma clichê. É muito triste que a maioria do mundo ainda esteja preso em uma forma antiga e paternalista de pensar a deficiência. Eu acho que as pessoas com deficiência - ou como quiser chamá-las - detêm o poder de mudança. Por eu ser positiva, com um espírito forte e não mostrando sinais de auto-piedade, vitimização ou exigindo tratamento especial, eu realmente acredito que há chances de pessoas com deficiência obter o respeito e reconhecimento que mais desejo."



Nick (cadeirante do Rock N Roll Bride!):
Em abril desse ano, o site RocknRoll Bride publicou o casamento de Nicola e Nick. Nós ficamos fascinadas pela história do Nick, que sofreu um acidente há 14 anos e tinha apenas 6 meses de vida, mas como podemos ver, ele contradisse a medicina e está aí!
A noiva, Nicola, diz que "nós dois somos um pouco alternativos. Nick nunca desistiu de seu moicano e das linhas barbeadas em seu rosto e eu adoro a cena rockabilly. Nosso casamento foi uma espécie de festa do chá vintage do Chapeleiro Maluco". A festa foi toda adaptada para um cadeirante, mas Nick quis se superar e fez questão de "andar" assistido pelo seu fisioterapeuta e um amigo, até o altar. Ele treinou secretamente e estava determinado a surpreender a futura esposa. No altar, para a noiva não ficar em pé e o noivo sentado, o casal se sentou em duas cadeiras antigas e todos os convidados ficavam sentados na mesma altura. 

Além do moicano, Nick mostra sua irreverência punk no tênis allstar e estampa da calça, com um alterofilista desenhado. O próprio Nick é adepto de musculação e se exercitar foi uma de suas terapias para superar o trauma do acidente.


Vívien Garbin:
A Vívien tem 31 anos e é a única brasileira que faz parte da matéria! Sua deficiência ocorreu em 2012-13, após uma doença rara e de difícil diagnóstico. Hoje, tem paraparesia no pé direito e em parte do pé esquerdo e usa uma órtese sob medida. Ela diz: "Não tenho problemas em ser chamada de deficiente física. A palavra deficiente incomoda porque cria-se ao redor dela aquela lei velada de "pessoa que atrapalha a sociedade". Para mim, quem atrapalha a sociedade é gente que pensa desse jeito! Eu convivo bem comigo mesma."
Desde novinha ela tinha um pé no alternativo. Nerd, descobriu o metal, o rock e suas vertentes. Sempre gostou de roupas em tons escuros: "Eu curto tudo dark. Aprecio o gótico vitoriano, o dandismo, o medieval, mas já usei e curti muito o punk, o grunge e o rock. Eu cresci nos anos 90, época que as 4 vertentes andavam muito juntas. 
Vívien revela que após se formar e entrar no mercado de trabalho, precisou amenizar seu visual e se sentia sempre infeliz com a aparência, mas durante os meses que ficou de cama, teve tempo pra pensar sobre si mesma e o que lhe fazia bem. Chegou à conclusão de que ser alternativa era o que a deixava feliz, não tinha que "se encaixar". As pessoas são preconceituosas por ela ser deficiente, então ser alternativa é só parte do pacote. Sobre encontrar roupas adequadas à sua deficiência, ela conta: "Eu tenho muita dificuldade em achar roupas. Calças skinny me incomodam e machucam pelo atrito com a órtese. Comprei várias calças flare e mandei fazer boca de sino em outras. Gosto de usar saias longas com rodado largo, soltas, de tecidos que não aderem. Calçados não podem ter salto e tem que ser sem detalhes". Ela também curte roupas sociais e alfaiataria, tanto que acabou de criar um blog pessoal, onde dentre outras coisas também pretende falar sobre sua estética. Eu a parabenizei pela ideia do blog, pois acredito ser pioneiro no Brasil cujo diferencial é retratar uma alternativa com deficiência. 
Sobre ser deficiente no Brasil, ela comenta: "Me considero abençoada por ser uma deficiente que tem mais independência, consigo ir as compras e andar sozinha. Tem dias até que consigo dispensar a órtese e ir de bengala, se for acompanhada. Mas antes de usar a órtese, passei um tempo em cadeira de rodas, e como é sofrido! Embora as lojas coloquem rampas e corrimão, os produtos não ficam em uma altura confortável para pegar, e as gôndolas ficam muito próximas, você não consegue passar por elas! Usar elevadores é um suplício, cansei de ir em lojas de departamento e não poder subir porque o elevador estava lotado de carga e ninguém tirou de lá. Cansei de esperar alguém não deficiente usar o provador de deficientes, porque ele é mais espaçoso. Os lojistas não querem te defender na maioria das vezes e fazem vista grossa. Se você reclama, fazem cara de que você é o problema. Andar nas ruas é muito dificil. Tenho que dar passinhos de gueixa. Daí a subir num ônibus ou na calçada e ser empurrada sempre. Até tento me impor por ser alta, mas não adianta. Até chute na órtese levei de criança querendo saber do que era feito -  e a mãe achando engraçadinho. O Brasil melhorou, sem dúvida. Mas às vezes o próprio ego é o mais importante. Muitas vezes chorei ao tentar passar numa calçada e não conseguir por faltar rampas, estacionarem sobre elas, não estarem niveladas, não respeitarem meu tempo no semáforo. Por que as pessoas não percebem quanto sofrimento geram com isso? Espero que quem leia o teu blog perceba que as pequenas coisas que burlamos no dia a dia fazem diferença a outras pessoas."


Sylwia VamppiV:
Essa é uma moça que encontramos por acaso nas leituras de blogs alternativos internacionais, Sylwia VamppiV Blach. 
A Sylwia é uma jovem polonesa autora de histórias de horror, que tem dois livros publicados em seu país. Interessada em literatura, vampirismo e criminologia, não à toa assina Sylwia "Vamppi". Em seu blog ela diz ser apaixonada pela vida e adora mostrar seu estilo superalternativo já que tem paixão por moda. Ela quer mostrar que pessoas com deficiência, no caso dela, uma mulher que dirige cadeira de rodas, não precisam usar calças gigantes e blusas horrorosas, ao contrário, em seus looks ela usa diversas peças incríveis e ainda complementa que você não precisa ter um monte de dinheiro pra se vestir da forma que gosta. Sylwia usa moda alternativa no geral, mas tem uma leve preferência por peças mais góticas. 

É a primeira vez que Sylwia aparece num blog no Brasil e ela ficou muito feliz com o nosso interesse em mostrá-la na matéria. Ela foi muito prestativa e superdedicada a explicar a situação dela apesar da barreira da língua!
Esse é o depoimento que concedeu ao Moda de Subculturas: 
Sobre como ela prefere ser chamada, de uma pessoa que tem uma "deficiência" ou "necessidades especial": "Pergunta difícil, eu nunca pensei nisso! Eu geralmente uso "deficiência". Em polonês é uma palavra bastante normal. Uso cadeira de rodas, então eu sou deficiente, isso é tudo. Mas "necessidades especiais" parece "ok" tambémEu tenho SMA (Atrofia Muscular Espinhal) e uso cadeira de rodas elétrica todos os dias.
Sobre seu estilo, ela diz: "Eu posso descrever o meu estilo como uma mistura de nu goth, rock e um pouco das tendências atuais. Eu não acho que é muito difícil encontrar roupas, não preciso de roupas especiais "adaptadas". Toda mulher tem algum problema com sua figura. E cada uma tem que encontrar roupas que lhe caiam bem. Eu também". 
Sobre a estrutura polonesa para deficientes: "Você sabe: ele [o país] não é perfeito. Mas a Polônia é muito acessível para pessoas em cadeiras de rodas. Às vezes eu fico com raiva quando qualquer clube, pub ou teatro não está disponível para cadeirantes. É triste. Mas eu vejo que tudo está realmente mudando, as pessoas com deficiência começam a sair de suas casas. E o meu país enxerga isso. Acho que daqui a alguns anos vai ser muito bom. Atualmente é ok".

 Créditos das fotos: 1. Weronika Achrem; 2. Klaudia Woźniak; 3.Paweł Błach
4 e 5  Weronika Achrem; 6. Agata Bączkiewicz 
por favor não peguem as fotos da Sylvia aqui do post e distribuam por aí, contatem ela antes e peçam autorização, ok? :)

Projetos

All Walks:
Fundado em 2009 pela modelo Erin O'Connor, a consultora de moda Debra Bourne e a comentarista de moda Caryn Franklin, o projeto All Walks Beyond The Catwalk desafia a indústria por mudanças em relação a ideais de corpos e beleza inatingíveis. Sabendo do impacto que o mercado tem no psicológico de homens e mulheres, as embaixadoras contam com o apoio de grandes nomes da área, como Stella McCartney e Vivienne Westwood, com a tarefa de estimular o meio, "celebrando a diversidade e a individualidade na moda - na frente e por trás das lentes". 
A proposta tem dado tão certo que em 2012, criou-se com apoio da revista ID Magazine o concurso Diversity Now!, onde premia jovens talentos da moda britânica por trabalhos que promovam o mais amplo tipo de estéticas. Como diz Debra Bourne: "A moda é chata quando todo mundo parece o mesmo".


Lado B Moda Inclusiva:
Para terem ideia da importância desse mercado, segundo o IBGE, cerca de 45,6 milhões de brasileiros declararam possuir deficiência. O número é a prova da quantidade de consumidores que existem e que está sendo pouco aproveitado.
Por tal motivo, foi criado o Lado B Moda Inclusiva, com intuito de oferecer a esse público uma moda até então não existente. O projeto fundado pela fisioterapeuta Dariene Rodrigues, tem objetivo de integrar mais as pessoas com deficiência à sociedade por meio da moda, fornecendo roupas funcionais que facilite o usuário na hora de se vestir, dando maior mobilidade, independência e autonomia de escolha. O programa também oferece um concurso e há pouco tempo apresentou sua sexta edição. Tendo interesse em participar no futuro, acesse o site do evento Moda Inclusiva e fique atento aos detalhes da próxima inscrição.



No Brasil, costuma-se de um modo geral, dar maior foco em segmentos consolidados no mercado, principalmente aos que já exportam. Mas o país é gigantesco e há milhares de consumidores que não estão sendo olhados com mais atenção. Esperamos que o conteúdo desse post sirva de alerta para empresários, ou aos que pretendem ser, que observem os nichos que faltam e assim procurem um diferencial em vez de ser mais um na praça. Não está fácil a situação do varejo nacional, portanto invistam em outras alternativas! Temos certeza que público não faltará. 


* Artigo original do Moda de Subculturas escrito por Lauren e Sana. Para usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos, achamos gentil linkar o artigo do blog como respeito ao nosso trabalho. Tentamos trazer o máximo de informações inéditas em português para os leitores até a presente data da publicação.
Todas as montagens de imagens foram feitas por nós.
Fotos: Google, sites linkados, fontes originais.

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