.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.

23 de outubro de 2017

Everyday is Halloween: Peças por menos de R$70 e menos de $50 + Cupons de Desconto

Para muitos de nós, Halloween é o ano todo, significando que a temática de terror, bruxaria (e roupas pretas), misticismo e ocultismo é parte do estilo pessoal. Selecionei peças de nossas lojas parceiras assim como cupons de desconto. Mas é bom ficar esperto pois é bem capaz que no dia 31/10 apareçam mais descontos ou frete grátis nas lojas.

Aproveito e já anuncio aqui nossa nova loja parceira, a Ravenous! Em breve contarei um pouco mais sobre a loja numa postagem exclusiva! As peças abaixo vão de 28 a 30 reais. A partir de R$28,00 vocês podem usar o cupom "SUBCULTURAS" pare ter desconto.



A segunda dica é a loja Moon Black! Sabe quanto custam as camisetas abaixo? 35 reais! A saia godê é um pouco mais cara, 50 reais, vai mais tecido na fabricação desse modelo. Com o cupom "SUBCULTURA" vocês tem desconto.


As fãs da Reversa vão amar saber que também temos desconto na loja mais amada do Brasil, não é mesmo?? Nosso cupom na loja Reversa é MODASUB e as peças selecionadas abaixo vão de R$19,90 a 39,90.


A Dark Fashion não trabalha com estampas mas as roupas pretas são usáveis o ano todo por quem tem um estilo de vida mais dark. Por enquanto a loja não fornece cupom mas de 20/10 à 05/11 está com frete grátis nas compras acima de R$100,00. As peças selecionadas abaixo vão de 45 a 70 reais.


A Spookies é outra loja parceira. Você pode usar o cupom de 15% de desconto que o site oferece na primeira compra. Vale a pena se cadastrar na newsletter porque direto eles mandam cupons por email. As peças abaixo custam 49,90 e 54 reais.


Dentre as lojas parceiras estrangeiras, a Killstar dispensa apresentações, nosso cupom de desconto lá é "SUBCULTURAS" e as peças selecionadas abaixo vão de 27 a 49 dólares.

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A Kreepsville 666 é uma loja pioneira na estamparia de terror, absolutamente tudo lá tem a ver com o tema Halloween. O cupom de desconto lá é "SUBCULTURAS" e as peças abaixo custam de 4 a 35 dólares.

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Agora é contagem regressiva pra vestir o seu melhor look no dia 31!




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Artigo das autoras do Moda de Subculturas.
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21 de outubro de 2017

Um tributo a Carrie Fisher, a eterna Princesa Leia de Star Wars

Em dezembro de 2016 morreu um ícone do público nerd: a atriz Carrie Fisher, famosa por interpretar a Princesa Leia na série de filmes Star Wars. Ela foi vítima de um ataque cardíaco fulminante, aos 60 anos de idade.


Como fã de Star Wars, fiquei chocada com a notícia e demorei muito tempo pra realizar o que de fato tinha acontecido. A primeira coisa que me veio a cabeça é se Carrie já tinha finalizado a participação dela no próximo episódio da série, "The Last Jedi" (previsto para estrear em dezembro), porque eu não queria que transformassem ela em um holograma (embora o holograma de Peter Cushing em Rogue One tenha ficado ótimo).

Ícone da cultura pop:
Princesa Leia com o rosto pintado como David Bowie e com os dizeres "Rebel".

Alguns podem achar estranho eu estar aqui lamentando a morte de uma estranha, mas a Princesa Leia formou parte da minha personalidade e tenho certeza que ela formou a de muitas outras meninas e mulheres por aí. Ela nos mostrou o que era uma feminista mesmo sem nunca termos escutado essa palavra antes.


Leia mostrou que as heroínas podiam ser tão fortes e corajosas como os heróis, que elas podem se virar sozinhas, organizar seus próprios resgates, sem precisar que os homens as salvem (enredo do Episódio IV, "A New Hope"). Relembrando sempre que isso não era muito comum no cinema naquela época: a estreia da personagem foi no primeiro filme da série, Episódio IV, em 1977. E Leia foi uma das únicas Skywalker que jamais caiu na tentação do lado negro da Força, sendo uma personagem que foi fiel a si mesma durante toda a história da saga. E ensinou também que mulheres podem sim ser líderes da rebelião, generais e chefes de Estado da galáxia!


Leia: lugar de mulher é na rebelião!
Carrie_Fisher


Além de tudo, foi uma personagem em que eu, quando era pré-adolescente, podia me espelhar: ela tinha a mesma cor de cabelo e de olhos que eu, e para uma pré-adolescente, representatividade é tudo! Pra mim era um milagre ter uma personagem principal – que era muuuuuito legal! – que não fosse loira de olhos claros e não estivesse seminua nas cenas ação. Leia era rebelde, entendia de armamentos, era líder da rebelião. E além de tudo, usava umas roupas muito legais, sem apelo sexual. A única exceção é quando ela vira escrava de Jabba The Hutt, no Episódio VI, Return of the Jedi, o que é bem simbólico.

A maneira de humilhar a personagem é colocá-la de biquíni, vulnerável, exatamente o oposto do que ela é. No fim, a própria Leia é responsável pelo assassinato de Jabba, matando assim o seu algoz. 


E Carrie Fisher foi o rosto de tudo isso. Como ela mesmo já disse inúmeras vezes “eu sou a Princesa Leia, e a Princesa Leia sou eu”. Carrie era uma grande entusiasta de Star Wars. Dava com a língua nos dentes sobre os novos roteiros várias vezes, era engraçadíssima, escrevia super bem e passou a vida toda lidando com a bipolaridade, a depressão e a baixa autoestima, inclusive publicando livros e artigos sobre o tema.

Sobre o visual da personagem, a característica mais marcante são os coques laterais que identificam a referência à princesa em qualquer lugar que seja. George Lucas, o criador da série Star Wars, necessitava criar visuais alternativos para os seus personagens, já que a história se passa em outras épocas e em outros mundos. O visual da Leia necessitava ser rebelde, revolucionário, pois se tratava da líder da Aliança Rebelde. Segundo Lucas:
No filme de 1977, eu estava trabalhando duro para criar algo diferente que não era fashion, então eu escolhi um visual de uma espécie de "Pancho Villa" feminina, uma mulher com um aspecto revolucionário. Os ‘montes’ de cabelo dos dois lados da cabeça são característicos da virado do século 20, no México.” 
 
Os cabelos da Leia foram inspirados nos das guerrilheiras que participaram da Revolução Mexicana no início do século 20. Melhor referência que essa não poderia existir!


Confirmando a reapropriação que a personagem sofreu depois, como um ícone de resistência feminina e um símbolo rebelde, uma manifestação de mulheres americanas contra Donald Trump, em janeiro deste ano, fez várias referências à Leia:

“Princesa Leia não deixaria isso acontecer”

“Nós somos a resistência”

Pra finalizar, deixo algumas imagens do figurino nada convencional de Leia: muito branco, tons terrosos, estampas militares e roupas associadas ao guardarroupas masculino.



No Star Wars Celebration deste ano foi lançado um vídeo tributo à Carrie, pontuando algumas coisas que estão neste artigo. Segue:




Que a Força esteja com você Carrie!





Autora:

Nandi Diadorim.

Historiadora e professora na rede municipal de ensino no Rio Grande do Sul.
Guitarrista em uma banda de punk rock.
Cachorreira, gateira, vegetariana, feminista...em suma, a incomodação em pessoa.


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Artigo de Nandi Diadorim em colaboração com o blog Moda de Subculturas. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo aqui presente sem autorização prévia do autor. É permitido citar o texto e linkar a postagem. É proibido a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, porém, a seleção e as montagens das mesmas foram feitas por nós baseadas na ideia e contexto dos textos. 

20 de outubro de 2017

Killstar, Iron Fist, Sourpuss, Hot Topic, Dolls Kill e etc: como grandes lojas influenciam negativamente e positivamente a moda alternativa?

 

Qual a influência de grandes lojas alternativas como Killstar ou Dolls Kill na moda alternativa? Qual a relação da moda dominante com o mercado alternativo? Neste post levando algumas análises sobre a influência de grandes marcas na Cultura Alternativa Mundial.

 

Estilo Witchy + Harness = modas alternativas. (Foto: Killstar)

Um ponto levantado no blog com certa frequência é que nos anos 1990, tudo que restava de ideologia nas subculturas foi cooptado até o último suspiro pelo mainstream, isso associado à popularização da internet, provocou um esvaziamento ideológico e comportamental das subculturas musicais. Esse buraco do esvaziamento foi preenchido pela Moda, pela estética. Se as subculturas foram engolidas pelo mercado, nada é tão ligado ao mercado quanto a área de Moda.


Por que a Moda tem se destacado na Cultura Alternativa?
O contexto cultural que vivemos hoje, de individualismo e consumo, favorece a moda.
A Moda surge no fim da Idade Média ligada à burguesia, ao comércio e ao status social. A roupa que usamos é uma mensagem não verbal, normalmente a mensagem é:
expressão individual, diferenciação, status e/ou poder de consumo dentro de uma sociedade/grupo. Uma das coisas primordiais da Moda é ser um mercado, mexe com o desejo de ter algo para se tornar o que deseja ser.


A Moda está se sobrepondo à cultura das subculturas?
Pode ser, os indícios estão fortes. Uma amostra disso é que quem chega do nada pode pensar que ser gótico, por exemplo, é só estética. Jovens podem chegar nas subculturas primeiramente pela estética que lhes atrai visualmente, dando-lhes status e diferenciação no ambiente em que vivem. Quando alguns deles descobrem que cada subcultura tem uma cultura própria e não fazem questão de segui-la, se afastam mantendo apenas a estética pelo poder social que o visual fornece. Esse comportamento vem sendo identificado há pelo menos 20 anos, não é novidade, mas se intensificou na última década na medida que o individualismo e a "sociedade liquida" (Bauman) se impõem.

Algumas estéticas de subculturas tem fundamento e explicação para o uso de determinada peça ou maquiagem. Mas não é regra geral. Alguns visuais foram adotados meramente para chamar a atenção dentro de determinada cena ou um desafio sobre quem criava um visual mais diferenciado - a "estética como discurso", como auto afirmação, mas sem necessariamente um significado profundo por trás. A estética quando usada como diferenciação resulta em status.


Killstar, Iron Fist, Sourpuss, Hot Topic, Dolls Kill e etc: como grandes lojas influenciam negativamente e positivamente a moda alternativa?

Assim como ocorreu o esvaziamento ideológico e cooptação das subculturas pela cultura dominante de forma muito forte nos anos 1990 (embora o fenômeno seja anterior à isso), o crescimento de algumas lojas alternativas como Killstar, Iron Fist, Hot Topic, Sourpuss, Dolls Kill (por exemplo) fez com que elas passassem a produzir peças em grande escala para alimentar o mercado mundial de moda alternativa

Ter peças destas marcas dá status e diferenciação. É uma "diferenciação" entre aspas mesmo, já que se vestindo igual,
une-se os semelhantes, criando uma legião de fãs de determinadas grifes. Fãs de x marca/que só vestem x marcas - comportamento semelhante à cultura dominante onde determinadas pessoas só vestem grifes (Chanel, Gucci, Versace etc). Essas lojas alternativas não diferem muito de uma loja mainstream no sentido de que massificam determinadas estéticas e determinam tendências e modismos aos consumidores alternativos.


Pentagrama é Moda (Foto: Killstar)



Quando grandes lojas alternativas tem o mesmo tipo de processo produtivo que as lojas mainstream, elas ainda podem ser consideradas alternativas?

Enquanto lojas crescem e dominam o mercado, lojas menores, mais artesanais enfrentam dificuldade de se manter. Devido ao poder das grandes lojas que praticamente definem os modismos, as marcas menores sentem a "obrigação" de acompanhar as tendências para se manter no mercado. Sobrevive quem consegue atingir essa massa de alternativos ávidos por estar na moda. Algumas marcas menores que já possuem uma identidade bem definida se mantém, mas sempre competindo de forma desigual. As pequenas marcas precisam criar um padrão de qualidade e um diferencial ao cliente, quando o cliente se torna fã e a consumirá independente dos modismos.


Tem lado bom nestas grandes lojas?
Claro que tem! Elas empregam. Empregam pessoas alternativas. É uma oportunidade para estilistas, ilustradores, vendedores, fotógrafos, modelos, fornecedores e toda uma equipe que trabalha digitalmente.
Quem fez faculdade de moda e um dia sonhou trabalhar com moda alternativa pode um dia ser funcionário destas grandes marcas. Quantos alternativos se formam em moda anualmente e não encontram emprego? Grandes lojas podem ser a porta de entrada. Além de que, um bom departamento criativo é possível porque elas tem o dinheiro em caixa para desenvolver coleções incríveis. Estas lojas alternativas cresceram e se desenvolveram porque se adaptaram ao grande mercado, sabem que para se manter é preciso entrar no sistema da moda de vender status (seja qual nível que for), diferenciação (estilo) e um senso de comunidade (fãs da marca se identificando entre si).



A roupa como diferenciação, a marca como status. (Foto: Iron Fist)


Devo parar de consumir estas marcas? 
Você deve consumir o que gosta e se identifica. 
Este post é apenas para mostrar uma evolução mercadológica que ocorreu na história da moda alternativa. Mostrar que as lojas alternativas se adaptaram ao mercado (análise de 2013). Eu adoro as peças que estas lojas produzem, adoro a criatividade sem limite e ao mesmo tempo adoro peças de lojas menores, lojas artesanais, sou consumidora de ambas. Acredito que o importante é consumir de forma consciente, de acordo com o que você acredita.


O sistema de Imitação
Esse sistema da Moda adotado pelas grandes lojas encontrou nas redes sociais o local perfeito para espalhar o desejo de consumo de um determinado estilo de vida baseado na diferenciação: o Instagram.
Ao utilizar garotas populares no Instagram para divulgar os produtos mais "tops" do mercado de moda alternativa, a estética que as "influencers" divulgam se torna desejos de consumo para seus seguidores. Alimentando aí uma outra característica da Moda: a imitação
E caímos aqui exatamente no mesmo ciclo de moda da cultura dominante: Diferenciação (que dá) status (no grupo), consumo (o poder de consumir algo diferente) que resulta em (imitadores) que adotam o visual por status (voltamos ao começo do ciclo).

Para finalizar, vale lembrar que nada é tão preto no branco, existem centenas de nuances nesse processo todo. Gosto de olhar o lado positivo e refletir sobre os pontos negativos. Acredito que estas análises possam ser úteis aos que estão envolvidos com o estudo de moda, da história da moda alternativa e seu futuro. Como profissional de Moda, adoraria que houvesse mais mercado de trabalho para nós em marcas alternativas, no entanto isso não ocorrerá sem uma adaptação ao sistema de mercado dominante, isso é um fato e está fazendo parte do desenvolvimento da moda alternativa.



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Esta análise de  moda alternativa por elaborada por Sana, autoras do Moda de Subculturas.
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17 de outubro de 2017

Metal, Dark e Gótica: conheça as fusões da Dança do Ventre e Tribal na cena underground.


Com trajes diferentes dos estilos tradicionais folclóricos ou orientais da dança do ventre, além de cabelos coloridos, tatuagens ao longo dos braços, costas e barriga, piercings e todo tipo de joias e adornos, pode-se dizer que as dançarinas de tribal criaram uma porta de entrada para que se desenvolvessem fusões com os mais variados estilos musicais que não são necessariamente compostos por ritmos orientais, bem como estilizaram a dança do ventre de maneira exclusiva, trazendo novos elementos criativos para uma dança antiga. Aqui você pode saber mais sobre o estilo tribal de dança do ventre
 
 Dança do Ventre Tribal Fusion Rock Metal Gótica
Mahafsoun, dançarina de Tribal na fusão de Rock e Metal


Das subvertentes que se formaram, as fusões underground e obscuras ganharam espaço e se consolidaram, tendo como ícone a bailaria Ariellah Aflalo, da Califórnia-USA, responsável por disseminar a estética dark e gótica na dança do ventre e tribal.

Tribal Style,  Dança do Ventre Tribal Fusion Rock Metal Gótica
Ariellah Aflalo (USA) | Tempest (USA) | Sashi (USA)

Ariellah Aflalo com Anthony Jones



O movimento teve início na década de 1990, nascido do descontentamento das dançarinas com o estilo tradicional da dança do ventre. Em 2003, a dançarina Tempest, de Seatle-USA, fundou o site Gothic Belly Dance a fim de documentar o estilo que ganhava forma. A princípio, as fusões obscuras não se enquadravam numa categoria/terminologia próprias, as dançarinas se entregavam a experimentações contemporâneas da arte sem se ater a um padrão. Apesar de suas diferenças, muitos dos nomes notáveis da cena underground da dança do ventre e tribal se uniram em 2006 para dar à luz o DVD Gothic Bellydance, produzido pela World Dance New York, com sua sequência, Revelations, sendo lançada em 2007.


Teaser do DVD "Gothic Bellydance"



O período foi marcado também pelo surgimento de eventos dedicados exclusivamente às fusões dark e teatrais na dança do ventre e tribal, tais como o Gothla, criado por Tempest e Sashi na Califórnia-USA, considerado rapidamente como o maior festival para celebrar a cena underground da dança, com edições na Inglaterra, EUA, Espanha, Itália e Argentina, trazido para o Brasil em 2012 por Rhada Naschpitz da escola Esmahan, localizada no Rio de Janeiro. Além deste, outros eventos notáveis da cena underground incluem o Lumen Obscura (USA), ShadowDance (USA) e, no Brasil, o Underworld Fusion Fest, em Curitiba.

Teaser do III Underworld Fusion Fest





Subvertentes
A cena underground da dança do ventre e tribal se divide em fusões dark, góticas e teatrais, onde o dançarino tem a liberdade de criar histórias, invocar mitos, trazer um caráter ritualístico para sua dança ou simplesmente dançar a própria história, despertando toda sorte de emoções e sentimentos através da dança. Nas palavras de Tempest, a dançarina de fusões obscuras e underground é parte atriz, parte vampira, parte cigana, parte rebelde, parte feiticeira e parte sacerdotisa.
"Considero-me uma artista esquisita. O 'esquisito' me seduz. Meus movimentos estão impregnados de ideologias, de crenças. Meus compassos são pouco convencionais e cheios de misticismo, de oposição, de agressividade. Ocultismo, caos e luxúria são mesclados às minhas criações e retratados de forma crua, orgânica, uterina. Ao dançar eu tenho a chance de reviver certas experiências e traumas, trabalhando, aceitando e digerindo esses sentimentos. Eu gosto de olhar para o público e contar a minha história, compartilhar as minhas vivências." Holle Carogne em entrevista ao blog Aerith Tribal Fusion


 Dança do Ventre Tribal Fusion Rock Metal Gótica Tribal Fusion Tribal Style
Hölle Carogne (BRA)


Elizabeth Zohar & Cia



Dragonfly Tribe



Em meio a este cenário, temos as adeptas de fusões com rock e metal, estilos musicais que acabaram se destacando entre as dançarinas de fusões principalmente por serem convidadas a participarem de shows e festivais de músicas do gênero. O Rock Fusion enfatiza uma certa carga dramática inspirada no cenário da subcultura dark/gótica - tais como noir, industrial, burlesco, medieval e vitoriana - e urbana.

"Musicalmente, o Metal é um pouco complexo, por isso pode ser muito desafiador transmitir com o corpo todo o som, bateria e guitarra, sendo necessário por vezes quebrar o ritmo, pulando algumas batidas para seguir a letra e, de repente, seguir um solo de guitarra. No geral, dançar uma música que não possui uma dança específica requer muito treinamento e habilidade para transmitir a energia de acordo com o que estamos ouvindo. [...] Ousar dançar rock em uma sociedade que não está acostumada a ver isso tem seus prós e contras. Primeiro, como dançarinos, devemos entender que nem todo rock é 'dançável' e por este motivo devemos ter cuidado com as músicas que escolhemos, estudar o público a quem nos apresentaremos e compreender que esse público provavelmente não vai digerir sua proposta tão rapidamente. É preciso ser muito delicado ao subir em um palco de rock, com uma audiência rocker, é necessário oferecer um show de máxima qualidade para que vejam a arte que está além da dança de garotas com o corpo à mostra. É um verdadeiro desafio, mas cuidar da nossa imagem como dançarino é a coisa mais importante se o nosso objetivo é apresentar nosso trabalho de maneira digna como qualquer outro." Akzara Martini em entrevista ao site Metal & Rock Dance

 Dança do Ventre Tribal Fusion Rock Metal Gótica Tribal Fusion Tribal Style
Fusão Metal: Akzara Martini, Mahafsoun e Diana Bastet
No exterior, Mahafsoun (Canadá), a do meio, se tornou a dançarina de fusão rock e metal mais famosa da cena europeia, conhecida principalmente por seu trabalho com a banda portuguesa de música gótica "Moonspell". Além dela, também temos a Diana Bastet (Ucrânia), à direita, como uma forte referência em metal bellydance. Na cena tribal, Akzara Martini (Venezuela), à esquerda, é expoente de dark fusion e adepta de fusões com rock e metal.

Moonspell com Mahafsoun



Diana Bastet



Akzara Martini 



 
Dança do Ventre Tribal Fusion Rock Metal Gótica
Luiza Marcon (BR) - Projeto Napalm


No Brasil, temos importantes representantes do cenário underground, gótico e dark de dança do ventre e tribal. Além da já citada Rhada Naschpitz, do Rio de Janeiro, conhecida por incorporar movimentos de corvos em sua dança, dançarinas como Mariana Maia, Dayeah Khalil e Irene Patelli de São Paulo, Sabbanna Dark de Brasília, Holle Carogne, Bruna Gomes e Gabriela Miranda do Rio Grande do Sul e Gilmara Cruz de Curitiba, dentre outras, desenvolvem pesquisas e performances solo e em grupos, em parcerias com bandas e eventos.

Desrroche com Priscila Sobré



Patrula do Espaço com Sabbanna Dark



Dayeah Khalil e Samaa - Projeto Dark INfusion




Para visitar:
Madame Club - Projeto Sarasvati
O tradicional clube underground Madame, de São Paulo, recebe performances através do Projeto Sarasvati onde dançarinas de tribal da cena underground de São Paulo se apresentam regularmente.

 
Ana Dinardi



Dayeah Khalil



III Underworld Fusion Fest - Espetáculo "Death" em 21 de outubro
Como encarar a Morte? Como lidar com a perda de alguém importante? Como mirar suas fases? A humanidade, com diferentes crenças e ideologias, tenta dar sentido para essa fase do ciclo da vida. A "Morte" é o tema central do espetáculo "Death", com suas crenças, culturas, medos e mistérios interpretadas sob a óptica de cada bailarino. O espetáculo contará com a participação de convidados profissionais nacionais do Rio Grande do Sul, São Paulo e da cidade de Curitiba e convidados internacionais da Argentina e Espanha. 



Espetáculo Death: dia 21 de Outubro, sábado.
Teatro Zé Maria da cidade de Curitiba-PR, Brasil.
Realização: Aerith Asgard​.
Mais informações: http://underworldfusionfest.blogspot.com.br/
Contato: underworld.fusionfest@gmail.com
 

A Autora

Melissa Souza
(Várzea Paulista/SP) é bailarina, professora, coreógrafa e produtora na área de Dança Tribal, blogueira-criadora do Tribal Archive e integrante do Movimento TranscenDance. Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, atua também com assessoria de comunicação e mídias digitais para empreendedores e artistas. Dentre seus trabalhos recentes está a produção independente do Projeto Vídeo & Dança
.


Blog: http://tribalarchive.com


Artigo de Melissa Souza em colaboração com o blog Moda de Subculturas. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo aqui presente sem autorização prévia do autor. É permitido citar o texto e linkar a postagem. É proibido a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, porém, a seleção e as montagens das mesmas foram feitas por nós baseadas na ideia e contexto dos textos.



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10 de outubro de 2017

A evolução e influência do estilo "Punk Bailarina" dentro das subculturas até o mainstream

Um estilo superconhecido na moda alternativa foi resgatado por Jeremy Scott para o desfile Verão 2018 da Moschino, o último da marca. Nomeado de biker ballerina pelo estilista, esse é um look usado há muitos anos no meio underground e que hoje também está no mainstream, tornando-se até um clássico. Com os 40 anos do Punk, pretendia abordar novamente o tema e sem querer surgiu o momento perfeito para relembrar a icônica roupa.

tutu skirt - tulle skirt - saia de tulle - ballerina skirt
Imagens: Vogue
tutu skirt - tulle skirt - saia de tulle - ballerina skirt
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O desfile da Moschino não foi a primeira vez que o estilo apareceu nas passarelas. Jean Paul Gaultier no Verão 2007 e Betsey Johnson no Inverno 2014 também já mostraram suas versões.

tutu skirt - tulle skirt - saia de tulle - ballerina skirt

Ideias de biker ballerina para o dia a dia.
tutu skirt - tulle skirt - saia de tulle - ballerina skirt
Imagens: Google

Moda e ballet sempre possuiu forte ligação, designers sempre tiveram fascínio pela dança e seu figurino o que resultou em grandes parcerias e temas de coleções. Mas foi com a chegada do punk, na década de 70, que houve uma significativa reinterpretação do assunto. Cansadas do conservadorismo da sociedade inglesa, as The Slits aparecem batendo de frente com a visão castradora sobre o corpo e o comportamento da mulher. 

tutu skirt - tulle skirt - saia de tulle - ballerina skirt

Formadas em 1976, junto ao movimento punk que abraçou os protestos das jovens por meio da música e da roupa. "Se você vestisse como forma de expressão, você era um completo estranho e não havia tolerância para estranhos naquela época. Nós iríamos pegar coisas como roupas de fetiche, botas de trabalho masculinas, olhos pintados de preto, meias de borracha e saias de tutu dos meus dias de escola e colocar tudo junto. São signos de como ser uma garota, mas tudo junto e desordenado. E nós iríamos empurrar de volta nos rostos da sociedade masculina. Estávamos tirando sarro dele e expondo os clichês e o comportamento forçado que era para todos", revelou Viv Albertine à MTV.



Foi através do punk das mulheres que a saia de tutu, uma importante vestimenta do ballet, atividade incentivada as meninas desde cedo, ganha um novo olhar. Dali em diante, garotas punks e não punks passam a adotar a peça no seu guardarroupa. 

Zillah Minx da banda Rubella Ballet.
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Nina Hagen na década de 80 e atualmente.
tutu skirt - tulle skirt - saia de tulle - ballerina skirt
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Cyndi Lauper utilizou outros materiais que imitavam o efeito do tule.
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Madonna ajuda a levar o visual para o público de massa com o filme "Quem é essa garota?" de 1987. Repare que a jaqueta de couro e a meia arrastão já estão aliados a peça.
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Em 2004, ocorre um ápice quando Avril Lavigne adota o look no álbum 'Under My Skin'. Após o lançamento, a cantora passa a usar com frequência em eventos e apresentações, inclusive inspirando-se para coleções de sua marca de roupa.
tutu skirt - tulle skirt - saia de tulle - ballerina skirt
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No clipe 'My Happy Ending'.


Do outro lado, Amy Lee populariza no rock gótico/metal.
tutu skirt - tulle skirt - saia de tulle - ballerina skirt
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Lzzy Hale no Hard Rock.
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Mesmo atingindo diferentes cenas, Ariel Bloomer mostra
 que a existência no punk permanece com força.
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Por aqui, Baby do Brasil faz seu grande retorno se jogando nas diferentes cores e texturas da saia que não precisa mais ser feita de tule. O visual foi evoluindo conforme a criatividade das artistas.
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Atualmente, o mais famoso grupo a adotar foram as Baby Metal. 
Os looks passeiam entre elementos do punk e gótico.
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Uma prova de que não é só a música que quebra paradigmas, a moda também pode causar tal efeito. Depende da intenção de cada um. E o visual 'punk bailarina' atravessou até as barreiras das subculturas.





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