Destaques

6 de dezembro de 2019

Glamour Ghouls: conheça o sapato boneca criado em parceria do Moda de Subculturas com a loja Reversa

Como parte da comemoração dos 10 anos do blog, foi criado um modelo de sapato boneca em parceria com a loja Reversa, a maior loja alternativa do Brasil! 

Um modelo único no mundo, inédito e exclusivo!


O sapato

A ideia era que o calçado fosse no modelo boneca (confira aqui a historia do calçado), modelo que nós, autoras do blog amamos! É um clássico que nunca sai de moda. O desejo era que fosse em verniz. Não apenas porque é um material que caracteriza o sapato boneca historicamente, mas porque o verniz é um material resistente especialmente pra quem mora no litoral e sabe que qualquer roupa ou calçado em "couro falso" pode esfarelar ou mofar em poucos meses devido à maresia e alta umidade do ar. Então o verniz foi pensado de forma que o calçado tenha uma durabilidade temporal maior quando bem armazenado e conservado. Não foi apenas por uma questão estética embora sim, isso tenha sido levado em consideração visto que é um material que também remete à moda fetichista.

Sana (@sanakull) com o Glamour Ghoul / Foto: Bárbara Tomásia

Originalmente foi cogitado que o calçado fosse com o solado pata de bode (veja post aqui) que tem rolado muitos modelos no exterior, mas numa versão repaginada 2019. Mas acabamos optando por uma plataforma e salto que a Reversa já produz e que é superconfortável. Conforto era algo que estava desde o início na nossa mente.

Esse solado parece pesado mas é superleve! Salto 7,5 centímetros, plataforma 5 centímetros, resultando num salto "real" equivalente a apenas 2,5 centímetros. 
E tratorado - uma marca dos calçados da Reversa.
Foto: Sana (@sanakull)/ Foto: Bárbara Tomásia

Mas ele tinha que ter um 'edgy', algo que deixasse ele mais com nossa cara (minha e da Lauren). Então veio a ideia de colocar spikes em uma das tiras simbolizando várias subculturas que a gente ama. Pensei também em morcego, não apenas por ser um animal cujo formato está em voga na moda alternativa mas porque ele tem toda uma ligação com a cultura de terror que adoramos!

Foto: Sana (@sanakull)/ Foto: Bárbara Tomásia

Todo esse processo de desenvolvimento foi feito em conjunto com a Beatriz, proprietária da Reversa que foi opinando a respeito da viabilidade da forma, material e adornos.

Uma das ideias que ela trouxe foi que o morceguinho fosse de metal e fosse removível. Para que ele pudesse ser retirado quando a pessoa quisesse e também usado em outros calçados da Reversa como adorno. Ela também sugeriu as três tiras grossas. Sendo a da canela também removível.

Mas indo mais fundo, você pode usar os morceguinhos de outras formas que inventar: colocando numa gargantilha, numa pulseira... é um acessório pra você exercitar a criatividade! 

Uma amostra da versatilidade: dá pra usar sem a tira no tornozelo.
Modelo: Sana (@sanakull)/ Foto: Bárbara Tomásia


Formas de uso:
- Originalmente, com 3 tiras sendo duas delas adornadas com morcegos;
- Com as três tiras mas apenas uma delas adornada com morcego;
- Com as três tiras mas sem os morcegos;
- Com duas tiras, uma com o morcego;
- Com duas tiras, sem morcego;
- Com as três tiras, mas cruzando a segunda e a terceira tiras (a de spikes passando por cima)
- Alguma outra ideia que você tiver...


Lindo demais!!
Modelo: Sana (@sanakull) / Foto: Bárbara Tomásia

A seguir veio a escolha do nome. Processo tão importante quanto à criação!
Escolhi "Glamour Ghouls" pois a união de verniz e o salto tornam o sapato glamouroso, não um glamour clássico mas um glamour alternativo, já que diversas estéticas alternativas fazem uso desse material de forma muito elegante, já a sola tratorada dá um tom "não mexa comigo"! E "ghoul" porque os morceguinhos remetem à cultura do terror, à Maila Nurmi (Vampira), de uma garota obscura e misteriosa, ou seja: o calçado perfeito para todas as glamour ghouls brasileiras!

Modelo: Sana (@sanakull) / Foto: Bárbara Tomásia

Espero que tenham gostado de conhecer um pouco do processo de desenvolvimento do produto e a história por trás. Essa foi a primeira vez que criei um calçado e agradeço imensamente à Beatriz da Reversa pela oportunidade! É mais uma conquista na história do blog!

Nos conte o que acharam do Glamour Ghouls!

Versatilidade: um pé com 1 morcego outro pé com 2 morcegos pra ilustrar as possibilidade de uso. É você quem decide que tira ficará com morceguinhos!




Esse é o link do calçado no site: 

"Parceria exclusiva Reversa com o blog Moda de Subculturas! Sapato tipo boneca em verniz com três tiras e aplicações de spikes, perfeito para todas as Glamour Ghouls! Possui detalhe de dois passadores exclusivos de morcego e solado tratorado. Material do cabedal:Poliuretano, material sintético de origem não animal com brilho envernizado. Solado: poliuretano injetado, material sintético de origem não animal. Salto de 7,5cm e frente de 5cm Forma: Este sapato tem a forma normal. Peça o número que costuma usar. Conservação: Passe uma flanela macia umedecida com água e um pouco de detergente neutro suavemente pela superfície da peça para remover a sujeira. Evite molhar o produto. Não exponha ao sol."







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21 de novembro de 2019

Juventude, Subculturas e Feminismo: Conheça a história do Sapato Boneca (Mary Jane shoes)

O modelo de sapato conhecido como "boneca", também chamado de Mary Jane, é um clássico da moda! Cheio de história, o calçado está nos pés tanto de crianças quanto de mulheres adultas e já ganhou as mais diversas versões: desde o modelo icônico criado pela estilista Vivienne Westwood até modelos que remetem à inspiração fetichista em salto agulha. Hoje vocês vão conhecer um pouco mais sobre esse calçado que nunca saiu de cena na moda alternativa!


Modelo clássico em verniz da loja Reversa


O começo

O sapato boneca surge como um calçado unissex, especialmente feito para crianças. Vocês já devem ter visto a cena em que  John Kennedy Jr. bate continência no funeral de seu pai, o ex-presidente americano  John Kennedy,  em 1963. O garotinho vestia este modelo de calçado. Assim como a famosa atriz mirim de Hollywood, Shirley Temple, usou-os de 1935 a 38.


Shirley Temple usando sapato boneca.

O motivo das crianças serem vestidas com o modelo é fundamentalmente por conta de uma tira que passa por cima do peito do pé, que impede o calçado de cair dos pézinhos que aprendem a andar ou correm por aí. 

Conhecemos por "sapato boneca" aqui no Brasil, justamente pelas bonecas (normalmente de feições infantis) serem vestidas com este modelo. Já o hábito de chamá-los de "Mary Jane" surge apenas em 1902 vindo de uma personagem da tirinha Buster Brown, desenhada por Richard Outcault publicada no Herald em Nova Iorque até o ano de 1906. A tirinha foi de extremo sucesso nos EUA, tanto que foi capitalizado e modelos do calçado foram vendidos associados aos personagens. Esse nome americano também é popular aqui no Brasil. 


Tirinha Buster Brown onde o garotinho e a garotinha vestem "Mary Janes"

Características

Sua marca primordial é ser um sapato preto de verniz, mas o que de fato define o modelo é a presilha por cima dos pés, que pode ser abotoada, com velcro ou fivelas; saltos (originalmente) baixos e bico fechado e arredondado.

 Reversa, uma das principais lojas alternativas brasileiras, já lançou diversos modelos de sapato boneca, seja no modelo clássico, seja em variações:


Da juventude ao feminismo

Na década de 1920, o modelo passa a ser muito usado pelas mulheres, especialmente as jovens. Quem lembra do post sobre as Melindrosas? Mas é só a partir da década de 1930 que aos poucos a ideia de que era um calçado apenas feminino começa a se difundir.



O calçado também parece estar muito associado à emancipação feminina e ao feminismo, observa-se que todas as épocas que as mulheres tomaram as rédeas de sua posição política na sociedade, o sapato ascende como moda. Um exemplo bem forte disso é que na década de 1960, o período do terremoto juvenil na Inglaterra, o calçado reaparece nos pés das garotas... 




... e da famosa modelo Twiggy - ícone da década - e em lojas como a Biba (clica aqui pra ler nosso post sobre a loja!). O estilista Courreéges, considerado criador da minissaia, peça revolucionária, também utiliza o modelo em sua marca. 




Vocês também devem lembrar de ver este modelo de sapato sendo usado com meias brancas até os joelhos, ou meias estampadas em imagens dos anos 1970. 



Na década de 1990, permanece associado à juventude e rebeldia quando os vemos nos pés das meninas grunges como Courtney Love e Kat Bjelland, mais especificamente no estilo Kinderwhore, visual que exatamente fazia  a mistura de infância e vida adulta. 





Naquela mesma década o calçado virou moda, e é possível vê-lo em diversas atrizes de cinema. 
Curiosidade: leia nosso post "Por que os anos 90 estão tão em voga".





Não é novidade dizer que há décadas o calçado está presente na moda das mais diversas subculturas (abaixo, sapato boneca na moda lolita) e tem ganhado novo fôlego de uns cinco anos para cá. Definitivamente o sapato boneca não parece sair de cena tão cedo!




Nas subculturas o calçado ganha traços mais exagerados, como a adição de plataforma e salto Anabela ou saltos grossos. Assim como adornos dos mais diversos tipos, como pingentes. 




Recentemente postamos sobre o retorno do solado conhecido no Brasil como "pata de bode", vários daqueles sapatos tinham o modelo boneca. Clica aqui pra ler a postagem.




Isso nos leva de novo à seu simbolismo feminista, já que alguns consideram que estamos vivendo a quarta onda do feminismo e curiosamente, o sapato boneca voltou à moda há alguns anos.




E vocês, o que acham do calçado? 
Gostam do sapato boneca/Mary Jane?





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17 de novembro de 2019

Conheças as 13 novas peças da Dark Fashion (11 inéditas, 1 edição limitada e 1 peça que retornou!)

A parceria do blog com a Dark Fashion é de longa data, acompanha os dez anos do Moda de Subculturas! Gostaria que vocês continuassem nos acompanhando aqui e no Instagram, pois tem uma novidade incrível a ser divulgada em parceria com a loja no ano que vem! Quem apoiou a Vakinha vai saber em primeira mão em dezembro!   *_*
Enquanto a novidade não sai, vamos conhecer as novas peças!

Anota aí nosso cupom de desconto:
SUBCULTURAS

Lembrando que a Dark Fashion produz dos tamanhos PP ao EG3 ou sob medida, então não tem a desculpa de que a loja não vende seu tamanho. Se suas medidas não se encaixarem em nenhum dos tamanhos padronizados da loja, ou se não tiver certeza quanto ao seu tamanho, escolha o sob medida para um melhor caimento. O prazo de confecção das peças é de 8 a 15 dias úteis e peças em estoque o envio será de 2 a 3 dias úteis. 

CONHEÇA AS PEÇAS:
Vestido 5087 é em tela arrastão desenhada, com forro em viscolycra. Detalhes na barra do vestido em pontas (como asas de morcego) e alça de elástico regulável (você ajusta de acordo com o tamanho dos seus seios ou o decote desejado). Uma peça super confortável e perfeita para os dias mais quentes.



Vestido 5054 é viscolycra forrado - isso mesmo que você leu: forrado! A altura das costas é levemente maior que a da frente, as alças são em courano com brilho (material sintético) reguláveis por fivelas pra se ajustar a seu busto ou decote desejado. Esse vestido fica lindo com o harness (arreio) que está logo abaixo.


Vestido 5069 é evasê de manga curta com abertura no decote adornado com ilhóses e amarração por cordão. Faixa na cintura (para amarrar) com também detalhe em ilhóses grandes. 





Vestido 5075 é bem lindo! Em veludo, evasê com manga curta e a parte de trás mais comprida (mullet). Decote com amarração em ilhóses grandes e fita de cetim. Acabamento da barra com aplicação em renda. 



Saia 5050 (edição limitada) é ótima para aqueles dias super quentes do verão. É na verdade uma saia-short. Com short em viscolycra e por cima saia godê com bicos transpassados em tule de bolinhas. Cós alto duplo de 7 cm.



Saia 5040 também é na verdade uma saia-short. Com short em viscolycra e por cima saia godê com bicos transpassados em tela arrastão. Cós alto duplo de 7 cm.


Arreio 8200 confeccionado em material sintético, com argolas e gargantilha presos por tiras e rebites, a parte das costas possui regulagem por fivelas. 



Cinto 8540 é confeccionado em material sintético. Detalhes com argolas grandes presas por tiras e rebites, e corrente grossa de alumínio prata envelhecido. Regulagem por fivela de rolete.



Blusa 2040 tem manga curta em tela arrastão. Pra quem mora em lugar quente ou busca uma peça estilosa para passear no litoral, aí está!



Blusa 2540  tem manga longa em tela arrastão. 



Blusa 2532 possui manga longa estilo gótico, em renda.  



Blusa 2502 tem manga longa em renda.  




Destas três últimas peças com mangas compridas, a blusa 2540 fica perfeita em looks mais punks, deathrocks e pós-punk. A Blusa 2532, já é mais gótica, fica lindo pra quem curte visuais mais medievais ou romantic goth. Enquanto a Blusa 2502 é aquele tipo de peça atemporal, ou seja, que nunca sairá de moda, seja você jovem ou mais velha! Assim como a blusa 2532, é muito elegante pra compor looks mais formais.

Dentre as novas peças, uma antiga retornou! A saia mullet 5006 em viscolycra com cós alto duplo de 10 cm.Eu tenho essa peça e além de muito estilosa, é super fresquinha e confortável!




Conta aí nos comentários quais suas peças preferidas!! 


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24 de outubro de 2019

10 anos de Moda de Subculturas: Conheça a arte de Aline Lacroc, ilustradora do nosso zine Dark Pin-up!

Hoje vocês vão conhecer um pouco mais do trabalho ilustrativo da Aline Lacroc! Foi ela quem criou as ilustrações para o zine Dark Pin-up que em meados de novembro começará a ser enviado aos que colaboraram  com a Vakinha do aniversário dos 10 anos do Moda de Subculturas.

Conheci a Aline anos atrás através de seu blog Estilo Retrô Rock, onde desde julho de 2009 postava sobre seu estilo de vida, decoração, DIY, moda e cultura retrô e vintage. Há alguns anos ela desenha pin-ups, fazendo inclusive trabalhos de estamparia para lojas. Como admiradora do seu traço e da forma que ela aborda as temáticas nos desenhos, com pin-ups em atitudes super divertidas, convidei para colaborar com o projeto de aniversário do blog e agora, chamo vocês pra acompanhar a entrevista com ela pois vale a pena conhecer a artista por trás da arte! 
E fiquem de olho no Instagram dela para acompanhar as datas disponíveis para trabalhos comissionados.



Conta pra gente como você adentrou na arte do desenho? Frequentou algum curso?
Comecei a brincar de desenhar quando era mais nova e assistia animes na TV Manchete. Eu colecionava revistinhas e mangás e copiava os personagens para criar minhas próprias histórias. Nunca fiz curso de desenho, mas tenho vontade.
Muitas vezes olho desenhos mais antigos e vejo muitos erros que na época não percebi, isso significa que eu melhorei de lá para cá. Acho muito importante estudar anatomia, proporção, perspectiva, técnicas e materiais, para depois então, pensar em ter um estilo próprio. Eu tenho tanto para aprender mas minha rotina de mãe e meu trabalho me deixam com pouco tempo para praticar infelizmente.



Quais suas inspirações artísticas?
Minhas maiores inspirações vem do antigo tatuador Sailor Jerry, grande referência do estilo Old School, da ilustradora e também tatuadora Quyen Dinh. Já na comic art minha inspiração vem da russa Sveta Shubina como referência atual e das antigas artes de Eric Staton com suas mulheres poderosas em corsets e botas de cano longo. Me inspiro também nos cartoon antigos de Dan Decarlo.

Como foi o processo até chegar no estilo de desenho que faz hoje? E como você descreveria seu estilo de criação?
Dos desenhos que fazia copiando HQs até o bico que arranjei em um estúdio de tatuagem, tudo me influenciou a criar um estilo próprio.
Gosto de mesclar elementos da tatuagem old school com o mundo das pin-ups mid century. Não procuro fazer arte realista como alguns artistas de pin-ups consagrados como Gil Elvgren, pois gosto mais do  estilo cartoon . As HQs antigas eram impressas em poucas cores, com muito uso de traços grossos e sombras em nanquim preto e eu procuro manter essa característica no meu trabalho também. Atualmente meus temas preferidos são halloween, pin-ups e bondage.



Você pretende desenvolver produtos físicos ligados à seus desenhos, como pôsteres, adesivos, papelaria..?
Seria um sonho! Gostaria muito de desenvolver estes produtos, mas precisaria contar com ajuda de parceiros que já trabalhassem nessa área de produtos, pois desenvolver todo o processo é algo bem complexo e demanda tempo. Um exemplo de parceria que deu certo foi quando a marca retrô Rocket Clothing me chamou para desenvolver algumas estampas de camisetas.

Você já criou ilustrações para loja de roupas 'Rocket Clothing", como tem sido a experiência? Você também já criou pingentes com seus desenhos pretende investir mais em criação ligada à moda?
Trabalhar com a Rocket Clothing foi uma experiência incrível. Precisei aprender um pouco mais sobre ilustração digital para adequar os desenhos ao formato de impressão das camisetas. Fiquei muito orgulhosa do resultado final, principalmente porque a marca se preocupa muito com qualidade e acabamento dos produtos.
Já criei também alguns pingentes próprios de forma artesanal e até aprender todo o processo foram muitas peças pro lixo. Tenho em mente criar mais peças como essas, com temáticas mais góticas e fetichistas por exemplo. A escassez de produtos voltado para a moda rocker em geral me faz ter muita vontade de criar minhas próprias peças. Atualmente já temos algumas marcas como referência aqui no país que trazem moda retrô, rocker, gótica e rockabilly para um público que cresce cada vez mais e poder fazer parte disso é muito bom.


Falando em moda, você é uma das meninas que criaram os primeiros blogs de tematica retrô no Brasil. Hoje blogs pessoais já sairam de moda em detrimento de redes sociais como o Instagram, como você adentrou no estilo de vida retrô?
Tenho uma paixão muito grande pela história e o estilo mid-century, bem como a cultura do rockabilly. Acho que o estilo de vida tem muito a ver com as preferências musicais da pessoa, sempre gostei de rock e isso influenciou tudo  na minha vida.
Foi muito bacana ter o blog Retrô Rock e conhecer pessoas do país todo pela internet (e algumas pessoalmente), mas sinto que essa fase pra mim já passou. Ainda mantenho o blog no ar pois existem muitos posts que foram feitos com base em pesquisas que fazia na época para recontar um pouco da história dos anos 1950.
Agora meu hobbie passou a ser os desenhos e me sinto mais realizada assim. De qualquer forma, as amizades permaneceram e são justamente as mesmas pessoas que curtiam o blog que curtem minhas ilustrações. Pelo instagram é possível ter contato não só com o público quanto com outros artistas do mundo todo e de várias sub-culturas diferentes. 



Em 2017, a Aline criou estes adesivos super fofos pra ajudar na castração de gatinhos! Eu fui uma das que os comprei e hoje guardo-os com muito carinho! Tenho muito cuidado e admiração com quem cria arte alternativa! Então não deixem de acompanhá-la, de repente você pode ter a chance de comprar um de seus materiais quando disponíveis!

Espero que tenham gostado! Me digam nos comentários!




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9 de outubro de 2019

10 anos de Moda de Subculturas: "Subculturas e Estilo" a história que me trouxe até aqui.


Hoje o blog Moda de Subculturas comemora seus 10 aninhos!!


Neste ponto todos devem saber da nossa campanha da Vakinha, onde os apoiadores receberão 1 revista + 3 zines comemorativos (clica aqui), que fica no ar até dia 15/10 e em novembro os materiais e brindes estarão disponíveis aos apoiadores!

Difícil dizer qual o maior legado do blog nestes anos todos, acho que o principal foi tratar a moda alternativa com seriedade, mostrando que as subculturas influenciam a história da moda e são influenciadas por ela. Informar sempre respeitando a história das mais diferentes tribos, mesmo daquelas que não nos identificamos pessoalmente.

Um outro legado que considero importante, foi respondido numa das perguntas da minha entrevista para a revista Gothic Station #3: sem querer o blog cunhou o termo "Moda de Subculturas" no Brasil. Pode soar arrogante, mas é verdade.


Foram inúmeras vezes que ao longo destes 10 anos recebi mensagens de pessoas dizendo que: 
- se interessam por "moda de subculturas", 
- que o TCC é sobre "moda de subculturas", 
- que pesquisam "moda de subculturas", 
- que quer fazer trabalho de "moda de subculturas"... 
e assim vai...

Isso é fofo e curioso.
Fofo porque as pessoas se interessem no tema e curioso porque elas usam o nome do blog como referência para um assunto.

"Moda de Subculturas" é o nome do blog.
E moda das subculturas seria a grafia pra se referir ao assunto.
nome do blog virou um termo e se entranhou na cabeça das pessoas como um 'sinônimo' pra essa temática. 

Quando isso acontece, já sei que ali tá marcada a influência do blog em suas vidas, em sua forma de pensar, no seu interesse por pesquisa e principalmente na forma de se dirigir ao tema de moda alternativa. 
E por mim podem continuar usando o nome do blog, "Moda de Subculturas", pra se referir ao tema, não me importo! XD

Atualmente somos praticamente o único site/blog ativo no BR sobre o tema geral de subculturas, nossa presença está marcada na web. É uma forma muito forte de influencia. Será que alguém vai estudar isso algum dia? :P

_________


Como já estão cansado de saber, houve uma comunidade do Orkut que deu origem ao blog. São muito anos, as gerações mudaram e alguns que aqui visitam podem nem ter ideia de como foi a origem de tudo. Embora este ano o blog comemore 10 anos, faz treze anos que comecei a postar informações sobre moda alternativa na web! :O Meu interesse no tema vem de todo um histórico pessoal: foi o gosto por música (rock/metal) que me levou à cultura alternativa, ao desejo de saber mais sobre subculturas e posteriormente a criar minhas próprias roupas

Eu poderia dizer que "sou alternativa desde criancinha" pois cresci numa família roqueira e me sentia "diferente" desde nova (por ser questionadora de fatos sociais), mas isso seria absurdo, pois naquela idade eu não tinha o conhecimento e muito menos a consciência de todo um contexto em que a cultura alternativa se insere. Na minha opinião, ser alternativo não é gostar de Frankenstein e roupa preta quando criança, pois a cultura pop tem grande influência sobre nossa formação cultural ao longo de nosso desenvolvimento. Pra mim, ser alternativo é uma junção de fatores que quando criança eu ainda não tinha plena capacidade de compreensão. Só passei a me compreender como uma pessoa 'encaixável' na cultura alternativa quando adolescente, aprendendo e compreendendo seus simbolismos, códigos, ideologias e ações.

Meu interesse no tema me leva no começo da década de 2000 a estudar Moda, graduação que não era muito habitual aos que se identificavam com cultura alternativa. Hoje, o curso de Moda é uma opção onde pessoas "diferentes" encontram um porto seguro. Uma área em que podem ser si mesmos. Uma opção às carreiras tradicionais. Um curso que alternativos sentem que podem manter seus visuais, embora na vida real seja uma área difícil para empregos.

Munida de um pouco de conhecimento adquirido, fundei no Orkut a comunidade "Subculturas e Estilo", lá era a rede social onde todos estavam e logo conheci pessoas alternativas do Brasil todo que só agregavam! A comu surgiu em 2006 e permaneceu ativa até o fim do Orkut em 2013. Só não vou lembrar quantos membros tinha quando o Orkut finalizou, pois não tenho prints, mas eram milhares (perto de 5 mil se não me engano).

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Existe um problema com a internet, se você não "printa" ou não salva uma página da web, algumas coisas se perdem para sempre. Eu vi isso acontecer com a história do que produzi na web.

Desde que o Orkut não existe mais, perdeu-se o que produzi naquele lugar. Neste sentido, a internet também prejudica pesquisadores. Como recorrer a algo que não está mais lá? Como provar algo que não pode ser visto? Como confirmar uma informação que existe na sua memória mas que não há mais o registo virtual daquilo?

Com sorte, eu cheguei a salvar as páginas da comunidade e se não fosse por isso, dependeria da história oral e escrita de quem presenciou aqueles momentos. Não lembro o dia exato em que a Subculturas e Estilo foi criada, perdi essa informação, só lembro que foi em 2006 (entrei no Orkut em 2005). Achei um arquivo Word com os textos que lá postava e foi bastante interessante reler, são 35 páginas! Não me lembrava mais exatamente o que eu escrevia. E é um pouco disso que compartilho com vocês agora.

Comemorando os 10 anos do blog vamos começar antes do começo, com o print de um post com o texto do perfil da comunidade, de março de 2007 (a "Lady Skull" sou eu rs).


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Parte da descrição da comu foi adaptado de um livro de Patrice Bollon. Eu não faria isso nos dias de hoje. Mas estava começando a ler material acadêmico, então eu ainda não tinha uma abordagem adequada. Além disso, sabemos das complexidades dos termos "subculturas" e "tribos urbanas" e seus desdobramentos através dos teóricos. Tribos Urbanas é um termo que pegou MUITO no Brasil pós 1985, tanto que se usa até hoje. Mas eu não utilizava Maffesoli como referência, eu tinha lido Hebdige e estava pessoalmente envolvida com a cena Metal (uma subcultura). 
"Subculturas" era um termo pouco usado no Brasil (em prol de Tribos Urbanas) até recentemente (ainda é, em alguns segmentos), mas nestes últimos anos voltou forte a ser usado no exterior e na academia devido às ressignificações teóricas, o termo voltou à mídia estrangeira e fico feliz que eu tenha usado o termo no nome do blog pois ajudou na nossa ascensão e contextualização às recentes teorias. 

Atenção pra esse pedaço: eu tô chocada que nada mudou! 

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"absurdos que leio por aí", UI! 

Em muitos pontos eu fazia um tom meio didático, optei por essa abordagem porque na época não se encontrava muitas informações sobre moda alternativa no Brasil e os blogs eram fundamentais nessa questão. Eu falava de moda mainstream em paralelo com o conteúdo de moda alternativa, fazia questão de informar sobre MODA, que era vista com preconceito no meio alternativo, como algo fútil. Na verdade Moda ainda é visto como algo fútil, impressionante como cada nova geração repete as ideias do passado sem questioná-las! Eu queria quebrar isso. Queria mostrar que a moda não era só futilidade, que havia um outro lado, o lado histórico, o lado do significado das coisas, dos motivos...



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Hoje falamos muito de marcas e parcerias e a Subculturas e Estilo tinha a intenção de divulgar lojas alternativas nacionais, existia um tópico apenas pra isso. Nada mais justo do que compartilhar que é possível criar lojas e desenvolver o mercado daquela época.
Os que no passado criticaram o blog por fazer postagens comerciais - sendo que hoje no Instagram isso é habitual dos influenciadores - não deviam saber que desde 2006, divulgação de marcas já era um dos intuitos.



Clique nas fotos para aumentar.



Abaixo: Aquele momento em que no dia 17 de julho de 2006 postei sobre Deathrock de uma forma bem senso comum e percebi que em pleno 2019 nunca postei sobre o estilo no blog!  XD 
Eu não escreveria aquele primeiro parágrafo hoje em dia, além de mal escrito é duvidável, mas de resto eu manteria os tópicos melhorando a pesquisa... citei até a Bettie Page! XD



Clique na foto para aumentar.


Esse post abaixo é outro que hoje em dia eu não faria da mesma forma. A intenção era falar do Glam Metal (famoso Hard Rock/Hair Metal oitentista) e onde o glam estaria "hoje em dia" (naquela época, né) no rock/metal. E lendo esse post, me veio à mente que o Marilyn Manson era chamado, especialmente no exterior em algumas publicações de música (eu lia muito essas fontes), de "Glam Goth", termo que hoje não se usa mais pra falar dele...


Clique na foto para aumentar.


Óbvio que cometi equívocos ao longo dos anos e não tenho vergonha de dizer isso! Encontrar informações não era/é fácil, era/é preciso ficar traduzindo artigos do inglês, importar livros que nem sempre traziam as informações sobre moda. Ao mesmo tempo que abri a porta da busca do conhecimento, me envolvi com informações que variavam entre senso comum e ideias que ainda não estavam 100% desenvolvidas, às vezes sendo visionária e às vezes antecipando tendências e às vezes dando opiniões sobre assuntos que supostamente eu não deveria abordar por não ser da cena X. 

Encontrei pessoas que de forma nenhuma queriam colaborar, me achando muito intrometida, "folgada" e outros xingamentos básicos por eu ter interesse em conhecer mais sobre suas subculturas ou estilos de vida. Outros se ofereceram pra ajudar e quando viram que meu trabalho era sério e relevante ficaram  com raiva do conteúdo que mostrei à eles (não quero usar a palavra inveja, mas até poderia ser). Alguns queriam guardar suas subculturas como itens preciosos que não deveriam ser compartilhados, ainda mais por um blog assim... tão diverso e que falava de... Moda!! (algo fútil pra eles que não devem usar roupa nem adornos né? rsrs)

Bom, se as pessoas não compartilham informações com um blog que respeita as culturas alternativas, mas se abrem pra mídia dominante que fazem matérias erradas sobre esse universo, eles tiveram as opções e fizeram suas escolhas. 

Às vezes falar para um público menor, mais direcionado, faz mais efeito educativo do que pra um público amplo demais que vai cortar tuas falas. E pra uma mídia que vai alterar a linguagem informativa. De qualquer forma, sempre estive aberta ao diferente e ao que não entendo. E sempre vai ter os que não gostam da abordagem. Mas não podem dizer que não deixei o espaço aberto.

E o que aprendi com toda essa hostilidade? Que infelizmente em muitas pesquisas não terei ajuda das pessoas de certas cenas. É um processo que sozinha tenho que destrinchar estudando muito, fazendo com que um post demore até mesmo anos pra sair.


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Um dos primeiros banners do blog

Vocês podem navegar pelos primeiros posts do blog e ver como era minha abordagem bem senso comum das temáticas e como depois aquilo deu uma melhorada. Haviam até revoltas pessoais, coisa que hoje nem tem mais, pois levei pro meu blog pessoal, o morto-vivo Diva Alternativa

O blog já nasceu com o "Dark Glamour", termo que "criei" pra remeter à tudo que fosse obscuro e elegante, que simboliza muito o que aprecio esteticamente. 

Em 2011, usei pela primeira vez o termo "dark pin-up" aqui no blog.

A primeira vez que coloquei publicidade paga no blog foi no começo de 2013, embora parceria por permuta também seja praticada.

Capa em 2011/2012: papel de parede remetendo à "Dark Glamour".

Muitas mudanças ocorreram no caminho: testes de conteúdo, experiências... perceber que tipo de postagem não atrai o público...
Vejo muito bem que vocês não gostam de moda colorida né? hahahaha!! Mas é algo que tem que postar, especialmente se enxergamos algo relevante ali!

Vi diversos outros blogs alternativos que começaram antes ou junto desaparecerem, como o Sombria Elegância (2008 a 2010), Moda Trash (2008), Choose your Style (2008), Black Baroque (2013-2014), responsável por usar o termo "Retro Gothno Brasil; e outros que permanecem no ar como o Aliena Gratia/Desvianteh, desde 2008. Toda essa turma teve relevância na história da blogueiragem alternativa brasileira, além de claro, os blogs mais específicos, como os de moda Lolita e Gyaru.

Em 2012, a Lauren, a moça que era dona do blog Moda Trash me escreveu perguntando se podia ser colaboradora. Acabamos descobrindo muitas coisas em comum e a parceria intelectual deu tão certo que em 2013 ela virou colaboradora efetiva, uma co-autora, e desde então o Moda de Subculturas mantém duas autoras.

Logo se destacou uma nova geração de blogueiras, como a icônica época das blogueiras góticas e/ou alternativas: Gabi, Giovanna, Nayara, Mayara, Marcela, Rafaella, Bruna, Ariel, Rokaia, Lídia, Mone, Fernanda, Jaque, Thaís, Camilla, Alessanda, Suélen... entre outras - Nosferotika e Sandila - foram muito representativas e depois migraram para o Youtube.


Em 2016, concorremos no exterior com blogs de peso como Haute Macabre, como melhor blog no tema "Subcultura", sendo o único blog da lista em português, nossos leitores votaram em peso e fomos pra final!! Não ganhamos - claro, único blog em português numa eleição mundial - mas estranhamente não nos foi dito pelos organizadores qual nossa posição final. Algo que acho estranho até hoje XD

Vi o desenvolvimento das lojas alternativas do fim dos anos 90 quando tudo meio que se baseava em criações em torno da temática de bandas além da moda street (skate/surf); o começo de 2000 com as criações da Black Frost e outras marcas de pegada romantic goth; seguindo a década dos anos 2000 vendo-as se profissionalizarem cada vez mais; a década de 2010 e todas as experiências de tendências alternativas e cooptando o mainstream; chegando a 2015 em diante onde as lojas se profissionalizaram muito, criando suas próprias coleções e ganhando variedade, acompanhando os interesses das mídias sociais.

Acho muito importante apoiar quem está começando! Tenho muito orgulho de ter apoiado e divulgado aos leitores marcas alternativas. Mesmo que algumas marcas tenham depois deixado o blog, foram parte do nosso caminho!

Capa em 2014.

Certeza que nessa carta muita coisa ficou de fora, 10 anos é tempo pra caramba também pra esquecer das coisas que aconteceram!!

Mas acho que história do blog mostra bem que "influencer" não são só fotos lindas, existem os micro influenciadores e principalmente a influência intelectual - essa é uma forma muito potente de influência, pois muda a mente das pessoas, a forma de pensar. Uma pena que não sai na foto.

Não faço ideia do que será do blog nos próximos meses/anos, pois continuar na ativa está bastante difícil devido aos compromissos da vida real. Mas independente do rumo que tomarmos, esse blog já está na história da cultura alternativa nacional, modéstia à parte. Quem sabe um dia, no futuro quando alguém for pesquisar a história da moda, mídia e cultura alternativa no Brasil, se lembre de nós e possamos ser uma fonte oral e escrita da História?


Capa 2014 - 2017


Aqui acaba essa imensa carta de 10 anos e não esqueçam que nossa campanha de 1 revista + 3 zines comemorativos está chegando ao fim.

O conteúdo delas não estará disponível no blog!

Então clica no banner abaixo e garante seu material! Afinal, só se faz 10 anos uma vez!! <3

Grande abraço!

Assinado: Sana (@sanaskull)



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Artigo original do blog Moda de Subculturas. 
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