Destaques

17 de maio de 2019

1 Revista Alternativa + 3 Zines - Conheça a campanha de financiamento dos 10 anos do Moda de Subculturas

E lá se foram 10 anos produzindo conteúdo e distribuindo gratuitamente à todos que aqui visitam! <3

E como nunca te pedi nada, chegou a hora de pedir!
Criei uma campanha de financiamento coletivo para o blog, já que um aniversário assim não pode passar batido e sem registro!

Preciso da sua ajuda para criar além das habituais postagens no blog, um material comemorativo composto de uma revista alternativa com conteúdo inédito e três zines temáticos que você vai baixar e guardar como um material único e muito especial. O material estará disponível em outubro.



Você gosta da ideia de ter o material comemorativo?
Então vem apoiar!
É só clicar nesse link:




Se você não tem grana pra apoiar, tudo bem! Te convido a compartilhar esta postagem (ou os posts no Instagram ou Facebook) em suas redes sociais para quem sabe alguém se interessar.

Quem somos?


Moda de Subculturas nasceu da comunidade "Subculturas e Estilo", criada em 2006 no Orkut. Em outubro de 2009, o blog é criado com o intuito de tratar a Moda Alternativa com seriedade, sendo o primeiro blog alternativo brasileiro a mostrar a relação da moda alternativa com a moda dominante (mainstream) através de editoriais e desfiles de moda com referências à temas alternativos, mostrando também como as subculturas buscam suas referências em períodos históricos, abordando a história das subculturas e de estilos de moda alternativo. Também é um dos primeiros blogs alternativos nacionais a fazer parcerias com lojas alternativas, algumas delas estando presentes desde o primeiro ano. 

Com o tempo, acabamos por abraçar o universo e o mercado alternativo como um todo para maior abrangência de público, fazendo um trabalho único em nível mundial.

No Moda de Subculturas levamos a frase Riot Grrrl, "girls to the front" de forma literal! Somos um blog completamente desenvolvido e escrito por mulheres! São mulheres que se especializaram na moda das subculturas.

O que será produzido:


- Revista Moda de Subculturas - comemorativa dos 10 anos do blog SÓ com matérias inéditas! A lista completa do conteúdo sairá em breve, mas já adianto que tem muita gente legal envolvida (MUITO obrigada por toparem participar!!), tem história da moda alternativa, subculturas, modelos alternativas, entrevistas, matérias, colunistas profissionais com textos exclusivos e diversidade!! 

- Zine Riot Grrrl - não tem como um blog feito 100% por mulheres não homenagear as meninas criadoras do Girl Power, não é mesmo?

- Zine Dark Pin-ups - lembram daquela pesquisa que comecei em 2017 sobre as Dark Pin-ups? De lá pra cá a pesquisa nunca cessou e chegou a hora de vocês conhecerem o resultado!

- Zine Subculturas e Estilo - Neste zine, contarei um pouco sobre tribos, subculturas e seus visuais. O nome é uma homenagem à comunidade do Orkut que deu origem ao blog.

E ainda terá algumas surpresas!


Apoiando a campanha, você também apoia artistas mulheres que são as responsáveis por ilustrar todo o conteúdo relativo às comemorações dos 10 anos do blog!

Não é incrível?


Como será o material?
Infelizmente calhou do aniversário de 10 anos de ser na época da pior crise econômica do Brasil. Pra enxugar de forma super enxugada os valores, a revista será oferecida em formato virtual para os que apoiarem.

Oferecer uma revista impressa seria o ideal, mas sairia MUITO caro. Estamos numa realidade econômica ruim, tenho conhecimento que muitos dos leitores não tem condições de financiar uma revista impressa e optei por um enxugamento de custos com um apoio mensal em torno de 300 reais sendo possível doar a partir de 5 reais.

E SE?

E se os valores forem atingidos?
Vocês ganharão a revista em formato virtual + os zines.

E se valor mensal exceder?
Se o valor do financiamento exceder, vou conseguir fazer brindes maneiros, exclusivos, criados pelos parceiros.

E se o valor exceder bem, consigo fazer impressão de um zine (e quem sabe dos 3!).

Caso algum de vocês se interesse APENAS pelo material de forma física, é claro que é possível realizar, porém o preço unitário não será tão acessível, mas se fizer questão, eu posso após o lançamento fazer uma impressão pra você com o valor da impressão + o frete. Faça a doação que desejar no financiamento e depois basta abater o valor do resultado impresso.


Além disso...
Além disso tudo acima, até o fim do ano vai rolar umas coisas muito incríveis com as lojas parceiras!! Taí muitos motivos pra ficar de olho no blog e também nas redes sociais para saber de tudo em primeira mão! 


Conheça os valores:

Os valores que você pode doar vão de R$5 a R$50.
Todo mundo que doar vai receber o material.



O que o valor mensal cobre?
Taxa do site Apoia-se. 
Pagamento dos trabalhos de ilustração.
Realização do conteúdo.

Dúvidas: 
Utilize os comentários, será um prazer esclarecer!


+ 
No próximo post tem mais informações sobre as comemorações dos 10 anos que contará com a participação de VOCÊS!!

Ficou interessado em conhecer meu trabalho em revistas e zines pra ter uma ideia do tipo de material que produzo e sua qualidade?

Confira meu trabalho no Zine Última Quimera. Link 1 e Link 2.

Fui colunista das quatro edições da revista Gothic Station que você pode conhecer neste link: https://www.gothicstation.com.br/loja e pode ver a resenha da edição 1, resenha da edição 2, resenha da edição 3 e a resenha da edição 4.


Entrevista comigo na Gothic Station número 3:


Um pouco do meu portifólio em projetos de zine e revistas virtuais em parceria, mostrando minha experiência a respeito:

Zine Desviante: Consultoria; Revistas Kvlt Vision e Dark Cvul: matérias.

Revista World Wild - edição número 2


Conto com vocês nesta celebração! 



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Artigo original do blog Moda de Subculturas. 
É permitido compartilhar a postagem. Ao usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos precisa obrigatoriamente linkar o artigo do blog como fonte. Não é permitida a reprodução total do conteúdo aqui presente sem autorização prévia. É vedada a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, não fazemos uso comercial das mesmas, porém a seleção e as montagens de imagens foram feitas por nós baseadas no contexto dos textos. 

13 de maio de 2019

Moda e Museu: MET Gala | Camp: Notes On Fashion

A museologia da moda é minha atual área de estudo, por isso me senti à vontade pra trazer aqui uma postagem sobre o MET Gala que ocorre anualmente sempre na primeira segunda-feira de maio. Mesmo a festa tendo acontecido há uma semana, vale trazer aqui informações sobre o tema e exposição.

Violet Chachki de Moschino

O baile MET é daqueles eventos que no dia seguinte ainda está todo mundo comentando sobre os looks, o que reforça o senso comum de que a moda está sempre envolta a um grande evento tapete vermelho e celebridades. Mas por que um evento tão conceitual acontece num museu?

Lupita Nyong'o de Versace e Ru Paul (que não foi montado de drag!).

A justificativa é ser um baile de gala que visa encorajar doações da alta sociedade ao museu, promovido pelo departamento de moda do Metropolitan Museum of Art para o seu Costume Institute - a parte museológica que cuida da indumentária. Atualmente o local recebe o nome de The Anna Wintour Costume Center, em homenagem a editora chefe da Vogue americana que tem uma cadeira no museu desde 1995. A ideia de arrecadar fundos para o departamento foi de Eleanor Lambert em 1948, desde então, o evento acontece.

Laverne Cox de Christian Siriano; Aquaria de Maison Margiela.

O grandioso desfile temático de celebridades é uma forma de chamar a atenção para o museu. Logo depois, ocorre um cocktail e um jantar de gala. Na verdade, todas as celebridades que passam pelo tapete de entrada pagaram alguns milhares de dólares para participar do jantar, este ano com apoio financeiro principalmente da Gucci e da Condé Nast. Dinheiro esse que será investido no próprio local. 

estampa de fogo de Sophie Von Haselberg e Bete Midler.
Ambas de Michael Kors.

O evento também abre a exposição anual de moda por isso todos os convidados precisam se vestir de acordo com o tema, eles verão em primeira mão a exposição, antes que esta se abra ao público. 

Jared Leto e Saiorse Ronan, ambos de Gucci.

 "Pense em exagero. Pense em extravagância." - MET

Camp: Notes On Fashion
Afinal, o que significa esse tema? É bem verdade que o Camp é um tema complexo, tanto que muitos que passaram pelo tapete vermelho não pareciam ter compreendido o conceito, como por exemplo Katy Perry que na verdade usou uma fantasia (de candelabro) e Gisele Bündchen e seu vestido elegante porém nada extravagante.

Camp ou fantasia? Katy Perry de Moschino; Lily Collins (vestida de Priscilla Presley) de Salvatore Ferragamo; Kacey Musgraves de Moschino.

O uso do termo 'Camp' surge no século 17, na peça "Les fourberies de Scapin" (Artimanhas de Scapino) do autor francês Molière. A partir daí, o Camp se revela na corte de Versailles e posteriormente na subcultura queer até chegar aos nossos dias.

Janelle Monàe de Christian Siriano


O Camp é político.
Andrew Bolton, curador-chefe do Instituto do Traje do MET, diz que a escolha do tema foi por perceber um retorno do Camp na cultura geral e que o estilo tende a ganhar força “em momentos de instabilidade social e política, quando nossa sociedade está profundamente polarizada”. Já o diretor criativo da Gucci, Alessandro Michele, diz que o Camp é se expressar através de nossas roupas e, do ponto de vista político, ser quem você quer ser, independente do que os outros pensem.

Kim Kardashian de Thierry Mugler; Julia Garner de Zac Posen.

É nesse ponto que o Camp se liga com a cultura Queer: o Camp questiona gênero. Em história da moda é importante lembrar que o conceito de visual masculino que temos hoje em dia é muito recente. Por muitos séculos, os homens se adornaram tanto ou mais que as mulheres, usaram saltos altos, perucas, maquiagem e padronagens elaboradas.

Os que mais gostei de acordo com o tema: 
Harry Styles de Gucci e Dua Lipa de Versace.


O Camp na definição de Sontag
O MET usou como base o artigo de Susan Sontag publicado em 1964, o primeiro texto sério sobre o tema, que contribuiu em teoria e ajudou elaborar o conceito através de 58 definições. Para Sontag, o Camp explora o exagero, o divertimento, a ironia, a teatralidade, o pastiche... "uma maneira de ver o mundo como um fenômeno estético", "não é em termos de beleza, mas em termos do grau de artifício, de estilização”. Camp é também o estilo antes do conteúdo.

Cardi B de Thom Browne

Moda, arte e história se entrelaçam e através do visual podemos ver como o tema foi interpretado pelas celebridades e imaginar se também poderiam ser parte da exposição no museu. Todos nós amamos ou odiamos alguns looks e você pode dizer nos comentários quais considerou os mais Camps!


Ezra Miller de Burberry 


A Exposição
Embora poucas imagens estejam oficialmente disponíveis no site do MET sobre as centenas de objetos expostos (há muitas imagens em redes sociais), pelo pouco divulgado já é possível compreender o que a curadoria entende por Camp e por moda digna de museu. 

A exposição: sala onde os looks estão em "caixas" com fundos coloridos, com destaque para o headress de flamingo em primeiro plano.

E é nesse momento que várias peças acabam sendo reconhecidas por nós, como o icônico vestido de cisne da cantora Björk, o vestido de carne de Lady Gaga (em versão carne falsa), o sapato de plataforma arco-íris de Salvatore Ferragamo para Judy Garland, além de peças de John Galliano, Jean Paul Gaultier, Marc Jacobs, Karl Lagerfeld, Franco Moschino, Yves Saint Laurent, Anna Sui, Gianni Versace e Vivienne Westwood compartilhando o espaço com obras de arte como um retrato de Louis XIV, uma fotografia de Robert Mapplethorpe, além acessórios fantásticos.

             Marjan Pejoski 2000/2001; House of Schiaparelli 2018-19

                            Jeremy Scott, 2017; Moschino, 1989

Jun Takahashi 2017-18; Jeremy Scott 2018

Virgil Abloh, 2018; Gucci, 2016–17


O Camp é o amor pelo exagero, como Luis XIV, Maria Antonieta, os Macaronis e eu acrescentaria Drags (Kings e Queens) e várias outras estéticas alternativas - como os Clubbers, no conceito. Já são mais de 300 anos de cultura Camp e vem muito mais por aí!

E se você gosta da temática Moda e Museu, confere esses posts que já publiquei em anos anteriores: "Uma breve história dos Corsets", "A moda vitoriana e Belle Époque - Expressionismo e Modernidade" e "Gothic: Dark Glamour".





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29 de abril de 2019

Kenned Flautas Negra: conheça o fotógrafo que registra a cena alternativa em Angola.



Em 2017 a cena pós punk da cidade de Luanda, em Angola, fascinou boa parte dos alternativos brasileiros. O motivo foi a viralização de uma foto no Facebook de autoria do fotógrafo Kenned Flautas Negra. Na época, vi que um dos rapazes estava marcado na foto, e contatei-o, o que resultou numa das postagens de maior repercussão aqui no blog, a "Como é ser alternativo em Angola". Sempre que relembro esta postagem ela é muito compartilhada. Não sei o motivo pelo qual cada uma das pessoas se interessa em específico pelos góticos de Luanda, mas posso levantar algumas suposições.

Créditos: Kenned Flautas Negra

Apesar da internet, pouco nos chega de informação sobre as cenas alternativas que ocorrem nos países daquele imenso continente chamado África. A curiosidade de saber que num país historicamente tão próximo ao Brasil, a Angola, o gótico se faz presente, nos faz perceber que na cultura alternativa existe algo de universal, algo que não tem fronteiras, gerando uma sensação de irmandade, identificação e união por interesses em comum apesar das distâncias.

Embora mais da metade da população brasileira seja afro-descendente, temos pouca representatividade negra nas cenas alternativas brasileiras e os angolanos se tornaram mais uma referência para os que buscam se inspirar e se empoderar por aqui.

Um outro ponto que levanto, é o da cultura do "Faça Você Mesmo", algo que no Brasil, com o acesso à lojas alternativas nacionais e internacionais, com o acesso à roupas de lojas departamento onde conseguimos encontrar peças com cara de alternativas, perdemos muito do hábito de customizarmos e fazermos nossas próprias roupas. Os angolanos mantém viva a cultura DIY tendo um contato muito próximo com a roupa, fazendo com que elas carreguem um significado não apenas estético mas emocional, o de criar algo com suas próprias mãos. Vi algumas pessoas associarem o hábito ao que eram as subculturas em seus primórdios, como se os angolanos fossem um exemplo a ser seguido ao manterem viva uma cultura em extinção.

Customização / Créditos: Kenned Flautas Negra

Hoje trago novamente os angolanos ao blog, desta vez com o responsável pelas imagens de sucesso e que viralizaram, o fotógrafo Kenned Flautas Negra. Bateu a vontade de conhecer mais sobre quem está por trás do registro - que com certeza tem um poder histórico - da cena alternativa de Luanda. Acompanhem:

Moda de Subculturas: Como descobriu o interesse pela fotografia? 
O interesse pela fotografia surgiu quando estava a cursar Arquitetura numa de fotografar as casas para se inspirar, aprofundei a paixão.

MDS: E o que você mais gosta de fotografar?
Gosto de fotografar tudo que me chama atenção, e me deixam fotografar.

MDS: Você tem sido o responsável por registrar a cena gótica angolana. Você também é gótico?
Acho que sou gótico ainda. Registro góticos para contar histórias naqueles que virão depois de nós.

Créditos: Kenned Flautas Negra


MDS: Já foi convidado para fazer alguma exposição ou lançar livro? Se não, tem alguma vontade de fazer?
Já sim, exposição coletiva denominada "Visões" com a Lwiana de Almeida. Mas não era nada ligado a cena gótica, era ligado a fotografia de rua em foco a mulher rural e urbana.

Créditos: Kenned Flautas Negra


MDS: Como sua Arte representa a Angola? Tem algo específico que você gostaria que as pessoas de outros países prestassem atenção? 
Tento ser mais "sujo" possível de modo o pessoal saber que a coisa é feita na "banda". As minhas fotos contam histórias, "se não ouviu não viu bem..."

Créditos: Kenned Flautas Negra


Kenned Flautas Negra está traçando seu caminho artístico. É fato que ele já possui imagens históricas em suas mãos, registros documentais da uma cena alternativa local que podem continuamente circular em exposições. Com intenção de ser diverso, captar as variadas nuances dos lugares que circula, o fotógrafo tem tudo pra continuar fascinando a todos, capturando a luz e eternizando momentos com a certeza de que já deixou sua marca na história da cultura alternativa.




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22 de abril de 2019

Trapezia: moda retrô, pin-up e vitoriana | + Cupom de Desconto

Uma das sessões que mais gosto aqui no blog é a de entrevista com as marcas alternativas. Tenho a oportunidade de saber mais sobre quem está por trás das lojas brasileiras, do que gostam, o que pensam, de onde tiram suas ideias, quais as visões de mercado... conhecer o lado que não vemos quando acessamos os sites das lojas.

Esse espaço também é importante para dar voz aos empreendedores, para que eles falem sobre suas criações. Como blog alternativo, promover esse tipo de conexão entre as lojas e seus possíveis clientes - nossos leitores - é fundamental. Quem tem mídia alternativa ou quem tem visibilidade, faz bem em promover um segmento que tem chances baixas de aparecer na grande mídia (e muitas vezes nem quer) e que tem uma luta diária pela independência. A cultura alternativa sobrevive assim, com um apoiando o outro, não tem outra forma!




Hoje trago a entrevista com Thaís Viana, dona da Trapezia. Foi a última parceria que fechei antes de dar uma pausa (em parcerias, não no blog rs). Não imaginava ter tantos pontos em comum com ela. Daí vejo como é legal conhecer mais sobre quem está por trás de tudo! Se não rolasse essa entrevista talvez eu demorasse a saber que Thaís gosta das mesmas bandas que eu quando se trata da música da década de 2000. Senti uma conexão ao ler suas respostas e esse é o tipo de situação que valorizo muito!


A Trapezia
Antes de ir pra entrevista de fato, vale uma apresentação da loja e de nosso cupom de desconto:


CUPOM: SUBCULTURAS 


Cropped Top Caveiras by Trapezia


A marca surgiu em 2012 e tem duas formas de produção: à pronta entrega e peças sob encomenda que devem ser solicitadas pelo email: pedidos@trapezia.com.br O foco vai desde retrô/pin-up (vestidos super bem cortados!), passando pelo vitoriano (steampunk), rock/goth (acessórios) e cosplay (sob encomenda). 

À frente de tudo está Thaís, uma "menina mulher de 28 anos com carinha de 18 e de muita personalidade" que tinha o sonho de ser cantora e era parte de uma banda de rock que cantava covers de Epica, Lacuna Coil e Evanescence. Mas uma de suas maiores inspirações estéticas é Emilie Autumm, que como comentamos lá no #desafiodos10anos no insa do blog, foi uma das personalidades mais influentes na moda alternativa da década de 2000! 

Mas nem tudo é só peso na vida da Thiis, como é chamada pelo amigos, a estilista também tem um lado ligado ao romantismo do século 19, que se reflete em rendas, babados, meias calças e interesse em roupas de época, diz ela “Costumo dizer que nasci na época errada pois, sou apaixonada por roupas de época e todo aquele volume mas, gosto mesmo é da Era Vitoriana”.

Quem nunca teve a fase "dark" que todo mundo achava que ia passar? A da Thaís não foi uma fase, e seu caminho foi direcionado para Moda quando aos 15 anos aprendeu a costurar e foi criando peças à seu gosto. E foi através da costura que adentrou no universo do Cosplay - uma cultura onde pessoas se fantasiam de personagens e os interpretam - e passou a criar de uma outra forma: ao invés de corpos reais, agora criava para corpos fictícios.

Mas nada melhor do que ela mesma contar sua história com as próprias palavras, acho que vocês vão amar a conversa e a personalidade dela! Acompanhe:


Moda de Subculturas: Na biografia no site da loja, você diz que fez parte de uma banda de rock e chegou a fazer cover de bandas como Epica, Lacuna Coil e Evanescence. O rock foi o responsável por te inserir na cultura alternativa? Conta como você adentrou nesse universo.  

Thaís: Definitivamente sim, desde os meus 13 anos minha família não entendia o que me levou a curtir rock n' roll pois ninguém da minha família curte esta sonoridade. O pessoal gosta mais de música brasileira, no máximo meus tios ouviam Legião Urbana, Los Hermanos, Paralamas do Sucesso, foi o que eu cresci ouvindo na verdade. Mais tarde com uns 13 anos comecei a ouvir variados estilos de rock, Metallica, Nirvana, System of a Down, dentre outros... até ouvia o que não era rock (clipes que passavam na MTV), por exemplo Avril Lavigne hahaha... (gostava muito do estilo das roupas), mas na verdade verdadeira mesmo eu queria ser a Amy Lee, passava horas buscando referências de roupas dela e mandava fazer algumas coisinhas em costureiras de bairro pois, quem é dessa geração 2000, sabe muito bem que marcas internacionais e estilo alternativo não eram tão acessíveis. Em consequência, Evanescence me levou às bandas de Melodic Metal, o que me fez ficar fascinada por corpetes e por toda aquela atitude e estilos destas cantoras, pelo qual amo até hoje!


Thaís, estilista e proprietária da Trapezia

MdS: Você tem alguma formação na área de moda? O que estudou para criar a marca? 
T: Me formei na Faculdade Belas Artes em 2013/14, mas antes fiz curso de desenho com 15 anos e definitivamente desenho não é pra mim! Também fiz curso de costura com a mesma idade e fiquei um pouco revoltada com a máquina de costura hahaha (hoje somos amigas novamente!) e depois da faculdade fiz cursos de modelagem (pra mim é a parte que mais curto, a parte de criação e desenvolvimento). Quando estava prestes a me formar encontrei uma oportunidade de ter minha própria marca - parentes, amigos e até estranhos na rua sempre elogiavam meu estilo. Contei com a ajuda de um tio meu que é formado em Desenho Industrial e que ama tipografias. Na época meu briefing foi a Emilie Autumn (cantora, compositora e violinista que uma amiga do colégio me apresentou e que amo até hoje). A partir de algumas fotos e conceitos de marcas que apresentei para meu tio, chegamos no nome Trapezia e na tipografia do logo. Foi estudado o mercado alternativo superficialmente e alguns potenciais concorrentes, tivemos o cuidado de fugir do óbvio e de usar nomes que prendessem a marca a somente um estilo.


Bolsas da Trapezia


MdS: Sua loja lida com a estética de subculturas bem diferentes e às vezes até contrastantes, como retrô, cosplay, vitoriano e steampunk. Como é seu processo de criação, de pesquisa e referências para desenvolver as peças? 
T: O público de cosplay foi um dos que me motivou a criar a marca, encontrei uma oportunidade por gostar muito de figurinos de teatro e filmes e comecei a fazer o nome da marca desta forma. Antes de ter a loja online, eu prestava serviços de criação para este público. A inspiração da marca com certeza é a marca queridinha por mim, a Hot Topic, vejo um mix de produtos que sonho em ter um dia. As inspirações e processo das criações variam muito de coleção para coleção. Atualmente temos os vestidos e outras peças inspirados no estilo das pin-ups, mas num futuro próximo penso em agregar nas coleções muito mais do meu gosto pessoal e me inspirar total nas cantoras das quais admiro tanto.





MdS: Você tem paixão pela era vitoriana assim como muitos alternativos, porém roupas neste estilo são raras de encontrar nas lojas alternativas brasileiras. Você pretende um dia desenvolver alguma coleção releitura só com essa temática? Quais são as dificuldades de adaptar esse visual ao clima brasileiro? 

T: A pesquisa de história da moda nunca acaba, é fascinante! Mais especificamente comecei a curtir corsets e a história deles através das cantoras de melodic metal que o usam de uma forma moderna ou seja, em forma de releitura. De todos os períodos históricos, o que mais me identifiquei foi com a Era Vitoriana (tem muita coisa representativa e de valor neste período na minha opinião), o meu TCC da faculdade foi o tema "The Tudors - Dinastia Inglesa na Era Tudor" (tem no site o ensaio). Com certeza é uma meta, fazer ensaios e coleções com temas históricos, mas pode ser que demore um pouquinho no atual cenário da marca. Dificuldade total para quem mora em cidade onde o clima quente prevalece na maior parte do ano, mas brasileiro é guerreiro e nada nos impede de irmos a encontros vitorianos e steampunk não é mesmo?





MdS: Você desenvolve figurinos cosplay, em quê vestir personagens é diferente de vestir pessoas?  
T: O cosplay tem algo muito mais fantástico na maior parte do tempo, dificilmente me pedem personagens sociais, que usem roupas para usar no dia a dia. A modelagem, desenvolvimento e até os tecidos são bem diferentes do que quando desenvolvo uma coleção para a marca. Por exemplo, fazer figurinos e cosplays me permite ter uma liberdade de escolha de tecidos e texturas que às vezes para desenvolver uma roupa mais duradora e com maior conforto, em uma coleção não seria possível, como usar tecidos de tapeçaria ou plástico e e.v.a. Alguns cosplays precisa-se usar espuma, arames, a estrutura é bem diferente de uma roupa comum.





MdS: O nome Trapezia remete ao universo circense e você é fã dos visuais de Emilie Autumm, que mistura essa ideia de circo vitoriano com “boneca quebrada”, se você tiver que falar sobre estas duas paixões aos leitores, o que você falaria, por que eles te inspiram?   

T: Tem coisas que às vezes é difícil de explicar porquê exatamente temos algumas paixões, neste caso também não tive nenhuma influência de amigos ou parentes, simplesmente foi assim. Acho lindo também os freak toys, tenho uma mini coleção de Monster High (adoro o estilo das roupinhas), mas se eu tivesse espaço e pudesse, teria aquelas bonecas assustadoras que eu acho lindas, não sei exatamente porquê hahaha... Também sempre gostei de filmes de terror, principalmente os asiáticos... os filmes do Frankenstein, Drácula dentre outros, já assisti todos! E por outro lado também curto o estilo dos circos de antigamente, filmes como Chocolate e o Rei do Show. Gosto muito de toda esta parte histórica. Enfim, são mil e uma referências, acho que quando se trata de arte, para quem é artista uma coisa acaba levando à outra. Gosto de coisas fofinhas e também de coisas um pouquinho estranhas.




MdS: Quais são as suas dificuldades como empresa pequena para se manter em funcionamento? Quais os pontos altos de ter uma marca alternativa?  

T: A maior dificuldade é financeira, não conseguir atualmente desenvolver e poder ter marcas licenciadas como faz a Hot Topic por exemplo (um sonho), para criar muita coisa e viajar legal nestes temas. A outra dificuldade que o pequeno empreendedor enfrenta também é que ao produzir pouca quantidade de qualquer produtos (algumas vezes por não ter dinheiro para investir em alta quantidade e também por não ter onde armazenar muito estoque), é que tudo sai muito mais caro, o custo do produto fica muito mais caro do que grandes empresas. A vantagem de ter uma marca alternativa é de poder viajar nas criações e trabalhar com temas e assuntos que você ama, trabalhar em algo que se identifica não tem preço!


MdS: O que acha do mercado alternativo brasileiro atualmente?  
T:Trapezia está com a loja online em funcionamento desde 2017, ainda estamos amadurecendo com esta experiência mas existem muitas marcas brasileiras que já estavam em ação antes de 2013 e que agora estão colhendo os frutos e isto dá um orgulho enorme. Acredito que nós marcas brasileiras estamos conquistando nosso espaço. Ainda temos muito o que amadurecer para encontrarmos uma identidade, mas o cenário atual é de um público alternativo que consegue consumir moda alternativa muito mais fácil do que anos atrás.




MdS: Uma das questões que o blog aborda é sobre manter o estilo alternativo quando adulto. Você sente ou já sentiu alguma pressão para mudar de estilo por causa da idade?  

T: Ainda não senti na pele uma cobrança diretamente. Por trabalhar com moda as pessoas meio que esperam de mim um estilo alternativo, mas acredito que familiares e certas funções durante o ambiente de trabalho, a cobrança é hard. Mas minha família não fala muito não, minha avó já se conformou em ter uma neta meio doidinha haha, eu até que sou "comportada", não tenho nem tattoo e nem piercing (tenho problema de cicatrização e fibromialgia e confesso que tenho um pouquinho de medo de dar cagaditas haha), mas às vezes a maior cobrança vem de nós mesmo e esta sim é a mais difícil de conviver e lidar. Mas quanto a mudar meu estilo no momento não, se fosse pra ter alguma pressão seria "você precisa ousar mais". Acho demais as velhinhas que usam roxinho no cabelo e deixa roxo de propósito, acho demais senhoras que são rock n' roll, que tem um corte de cabelo diferente e etc... Acho que hoje em dia, as possibilidades são inúmeras e para as pessoas mais "evoluídas" e sem preconceito, nada disto mais importa.

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Para quem quer adentrar na moda retrô, mas com peças superadequadas ao nosso clima, pode dar os primeiros passos com as peças da Trapezia. De algodão leve apropriada ao calor brasileiro, os vestidos da marca são uma ótima opção. Destaco esse modelo com caveira dourada:




Eu já recebi o meu e me encantei com a peça, que serviu perfeitamente mesmo sendo um tamanho padronizado. Acho importante quando marcas alternativas se preocupam com o tecido, a modelagem, acabamento e uso da técnica, pois é isso que as torna peças de qualidade. 





Espero que vocês tenham gostado da entrevista! 

Não deixe de visitar o site da loja e me digam o que vocês acharam da Trapezia e se já tem peças da marca.



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