.Moda de Subculturas: Moda e Cultura Alternativa.

22 de abril de 2015

Entrevista com Madame Sher (Leandra Rios)

A gente acompanha a carreira da Madame Sher como corsetmaker faz tempo, bem antes dela chegar ao mainstream. Ver o seu crescimento profissional num país que pouco se dá valor ao mercado de nicho é um estímulo para os alternativos que estão começando ou querem investir num negócio novo. Há tanto buracos para serem preenchidos na indústria, por que sempre apostar no mesmo? Nós sabemos do desafio que é criar algo que saia do padrão no Brasil, não é fácil montar um empreendimento aqui, mas se desistirmos nas primeiras barreiras, nada mudará. É preciso ter persistência, e mesmo com tudo do contra, há como se vencer. Assim, confiram nossa rápida entrevista com a Sher, que dividiu conosco sua visão sobre moda e varejo.


Quando e como surgiu o seu interesse e fetiche pelo corset?
O meu interesse em corsets vem da minha infância. Minha mãe trabalhava em casa fazendo vestidos de festa para um ateliê, e eu sempre mostrei forte preferências pelos que eram divididos entre saia e corpete e era obcecada pelos de amarração nas costas, tanto que obrigava minha mãe a fazer espartilhos para TODAS as minhas bonecas quando tinha 4 anos de idade [risos].
Aos 11 anos quando meu corpo se desenvolveu, decidi que queria usar algo para mais elaborado que um cinto para modelar minha cintura e dar uma silhueta mais dramática aos meus vestidos. Eu queria um espartilho verdadeiro, mas a única coisa que existia no mercado para essa finalidade eram cintas e até que fiquei momentaneamente feliz quando consegui comprar, porém não durou porque ela deformou em pouco tempo de uso e eu não tinha meios de comprar cintas indefinidamente, então engoli minha frustração e esqueci os corsets.
Foi só em 1998, com a popularização da internet que eu descobri que ainda existiam profissionais dedicados a confecção de espartilhos à moda antiga na Europa, porém naquela época era impossível para uma adolescente mandar fazer um corset sob medida fora. O valor em Libras mais taxas de importação ficava exorbitante se convertido.

Quando você começou, pegava o público mais gótico e metal, ainda nem tinha chegado a "moda pin-up". Você se considera ou tem afinidade com alguma subcultura? Quando você se interessou pela cena alternativa? 
Quando eu tinha 16 anos eu era chamada de gótica pela mãe dos meus amigos, mas naquela época eu nem sabia o que era, imagine! Também foi com o acesso a internet aos meus 17 anos que descobri e me encontrei na cena alternativa brasileira, naquele mesmo período acompanhava o que podia da cena gótica Londrina e ia ao delírio vendo as fotos dos figurinos. Cheguei a elaborar uma grife de roupas góticas no ano 2000, mas não deu muito certo. Eu sempre quis fazer roupas mais luxuosas e o público alternativo por ser composto naquele período por uma maioria muito jovem não tinha como consumir os meus delírios.
Já em 2003, eu tinha focado totalmente no desenvolvimento de corsets e a cena alternativa, tanto gótica (pelas festas do Carcasse), como fetichista estava aquecida e isso acabou colaborando com a exposição do meu trabalho com Corsets já que eu participava ativamente da organização de muitas festas. 

Sher em 2004. Foto retirada de seu perfil pessoal no Facebook.


Durante séculos, o corset ficou conhecido por ser uma peça de roupa que aprisionou o corpo da mulher. Isso inclusive se tornou um estigma da vestimenta. Tão forte que, até hoje, onde temos a opção de escolha, há pessoas que ainda o consideram castrador. O que você acha dessa visão? 
Existe uma tendência humana de buscar um culpado para evitar encarar a realidade como um todo. Não foi o corset que aprisionou a mulher. A exigência estética e social sobre o corpo feminino sempre foi impiedosa e se faz sentir até hoje, com muito mais força devido a explosão dos meios de propaganda e comunicação. Antes os corsets e demais peças de transformação externa da silhueta eram o principal foco, hoje as dietas, suplementações, exercícios e cirurgias plásticas, porém como essas são novidade, ainda não carregam tanto estigma.
No final das contas o espartilho é apenas uma peça de roupa que assume diferentes significados dependendo da forma que é utilizado.

Acompanhando grupos de corset, nota-se um grande interesse feminino no uso da peça para a prática de Tight Lacing. Mas o corset também pode ser usado como peça de estilo, sem um laço apertado. O que acha do uso do corset apenas como peça de estilo? Você é adepta?
Atualmente uso o corset muito mais como peça fashion. Sua imagem é contraditória mas que casa bem com a pluralidade da mulher atual. Acredito que estará sempre presente na moda, mesmo que em menor ou maior escala, por ser impactante e simbólico. Ao esculpir o torso destacando os atributos femininos e conferindo uma postura mais altiva à mulher o corset a transforma em ícone. Ao mesmo tempo que expõe a feminilidade, tem aspecto de armadura o que remete a uma figura sexualmente dominante e até mesmo agressiva. Mas o melhor é que o corset representa o duplo muito bem, existe a leitura da mulher solícita que se dispõe como objeto de desejo ao prazer alheio. 
O corset pode comunicar uma grande variedade de ideias e humores, a única coisa impossível a ele é a indiferença.

Peças Undebust encontradas no site da marca.


Você começou a grife porque não achava nada parecido no país. No Brasil, parece que os empresários têm medo de investir no mercado de nicho, eles preferem abrir mais uma marca “popular” do que algo com proposta diferente, conceitual. Acha que o consumidor tem dificuldade de ser individualista na hora de se vestir, preferindo seguir a massa ou é a indústria que não oferece opção?
A grande maioria dos empresários ou aspirantes nunca quiseram correr riscos. Espírito verdadeiramente empreendedor sempre foi raro e por isso sempre contou com reconhecimento. Agora com a difusão de internet e suas lojas virtuais é possível se dedicar a mercados de nicho com investimento reduzido. 
A questão cultural também tem um grande papel, pois é ela quem define os anseios do consumidor. 

Alguns modelos Overbust destacando a variedade da grife.


Durante muito tempo, foi normal que lojas e alternativos do país não quisessem se envolver com a grande mídia mainstream devido ao julgamento estético equivocado. Atualmente, isso mudou um pouco, já existem alternativos em canais de TV e reality shows. Você teve algum conflito interno por topar participar de programas mais populares ou encarou tudo como uma oportunidade de divulgação de seu trabalho? 
Na minha adolescência eu tinha uma grande aversão à mídia, tanto que recusei os primeiros convites para dar entrevistas, mas como o canal em questão iria levar a pauta ao ar de qualquer forma e naquela época existiam alguns aproveitadores querendo pegar carona na moda dos espartilhos sem comprometimento em dar informações para o uso seguro, eu acabei voltando atrás e aceitando o convite, por mera preocupação com o futuro dos corsets no Brasil. Eu não queria que se repetissem os erros históricos de produção em larga escala e abuso no uso. Minha paixão pelo corset estava, e ainda está, acima de uma questão meramente comercial.

Na mídia: Pitty, Fernanda Young, Adriane Galisteu 
e Gisele Bündchen usando corsets Madame Sher.
 


A nova coleção The Front Ladies, é inspirada em mulheres à frente de seu tempo com peças minimalistas mas com design. O corset é muito associado a momentos de erotismo. Você enxerga essa coleção como uma evolução do seu trabalho, uma forma de mudar conceitos e mostrar que a peça também pode ser usada em situações mais formais do dia a dia?
Eu sempre quis empurrar o corset um passo além do erotismo e anular a associação direta com lingerie. Depois de exorcizar os extremos do romantismo na coleção Beautiful Darlings com sua predominância de cores claras, elementos barrocos, boudoir e pitadas de steampunk, eu quis partir de vez para uma proposta mais madura e dar uma opção para os eventos limítrofes entre a formalidade e a informalidade. No dia-a-dia propriamente dito, poucas mulheres sustentariam o uso do corset à mostra. É necessária muita austeridade para rebater os preconceitos ao redor e geralmente na maioria dos ambientes de trabalho há necessidade de concentrar energia em outros objetivos.

Lina Bo Bardi, Émilie du Châtelet, Mata Hari, Anita Garibaldi, Marie Curie, Evita Perón, Amelia Earhart e  Helene Faasen e Anne-Marie Thus (AnneHelene) foram mulheres à frente de suas épocas que inspiraram a mais recente coleção.

Espero que tenham gostado da entrevista! :D
Vocês têm ou querem ter uma peça da marca? Qual seu modelo preferido?

E pra acompanhar o trabalho da Madame Sher, basta acessar o site oficial e a fanpage no facebook.


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17 de abril de 2015

Miniminou = Editorial Post Punk + peças Boho Witch!

Abrindo espaço pra não deixar de falar das maravilhosas peças da nova micro coleção da Miniminou!
Esse editorial ficou TÃO lindão que não dava pra deixar passar né??? Fora que ele pega dois assuntos que abordamos recentemente aqui, a estética Witchy e a maquiagem punk Cat Eye!

Leitores e fãs do blog tem 10% off nas compras da Miniminou, basta usar o cupom SUBCULTURAS

Alguns ítens do post estão sem links pois estão fora de estoque no presente momento, mas fiquem ligados que eles possivelmente voltarão!
Pra ver as imagens num tamanho maior, é só clicar :)

Colar Black Bat - Sutiã com Spikes 

 Anéis Diversos [clique]










Maxi Brinco Pentagrama - Colar Ouija

 
çocorr, esses vestidos!!! Vestido Skull Roses - Vestido Skull Black



E mais algumas dicas:


Então é isso meu povo, os produtos da loja esgotam rapidinho então, se curtiram algo, melhor não perder a oportunidade nem o desconto! Senão tem que esperar possível retorno ao estoque ;)


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* post parceria

16 de abril de 2015

Gisele Bündchen: a beleza diferencial que encantou McQueen

O assunto da semana na moda brasileira é a despedida de Gisele Bündchen das passarelas. Apesar do comunicado oficial marcar a data simbólica de seus 20 anos de carreira, a modelo poderá futuramente dar suas famosas passadas em desfiles, porém por questões mais específicas. Diante de todo esse burburinho, lembrei que um fato muito importante na sua profissão tem ligação com o universo alternativo! 

Gisele foi tentar trabalhar no exterior com apenas 16 anos. E assim como no Brasil, não foi um início fácil, encarou muita rejeição no mercado. Vocês sabiam que no começo chegou a ser apelidada de patinho feio? Mesmo alta, magra, loira e de olhos azuis, Gisele possuía "defeitos": seu nariz grande era julgado nada fotogênico, seu busto era do tamanho acima da média e mais as cobranças por estar longe da aparência Heroin Chic, padrão de beleza da época. 

Mesmo com tudo do contra aos olhos da moda, aos 17 anos, depois de ter feito 40 castings e ter recebidos só nãos, Gisele recebeu o sim de Alexander McQueen. O empecilho por não ter um visual Heroin Chic havia sido ignorado, e o estilista simplesmente a pediu que colocasse um salto alto e caminhasse para ver como desfilava. O diferencial da gaúcha que a fazia fugir dos padrões do momento, foi visto para os designer inglês como algo positivo. Debaixo de uma chuva artificial, a coleção Golden Shower Primavera/Verão 1998, se tornou uma marca memorável na vida profissional de McQueen, e catapultou para os olhares da indústria, e consequentemente ao sucesso, Gisele Bündchen.

A maior modelo de todos os tempos, dando seu grande passo na carreira por intermédio de um alternativo. De patinho feio a "The Body":

Além da passarela, Gisele apareceu também na campanha da marca:

Desfile completo:


Alexander McQueen é um nome que volta e meia citamos no blog, porque o estilista tinha background alternativo. Sim, ele era punk! Grande parte de sua ousadia criativa - além do domínio na costura, em especial a alfaiataria - vinha de sua inspiração nas subculturas. O "diferente" para o inglês não era enxergado como algo negativo, pelo contrário, era algo belo. E a seu modo traduziu para as passarelas essa visão. McQueen viu beleza no diferencial de Gisele. Para nós de cá, que somos superjulgados pela estética, pode parecer uma situação sem relevância, só que não foi para o meio. Ocorreram mudanças, ainda que insuficientes para o nosso mundo real.

O encontro de McQueen com La Bündchen é a prova de como os alternativos têm influencia no mercado, é uma pena que no final o que surge é um produto processado para a massa consumir, com conceito nulo. Resultado inclusive que o britânico tanto lutava contra. E o corpo de Gisele em vez de ser incluído como mais um tipo de beleza, a indústria o transformou em referência de cópia. 

Na moda de cem anos de Gilles Lipovetsky, do anos 60 para cá, sem dúvida alternativos têm feito mais história na moda do que se pode pensar! O sistema nos trata como se fôssemos insignificantes, mas a verdade é que estão de olho em cada passo nosso para vender seus próximos modismos. Cool hunters entenderão.

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15 de abril de 2015

Dicas de como se vestir para um Festival!

 * Post colaborativo com a loja alemã Queen of Darkness*
*Collaborative post with Queen of Darkness store *


O lendário Festival Monsters of Rock  terá nova edição nos dias 25 e 26 de abril na Arena Anhembi em São Paulo. Como parte do Projeto Colaborativo que tenho com a loja alemã Queen of Darkness, decidimos falar de festivais de verão em nossos países. Tive que fazer uma adaptação ao tema, pois não temos essa cultura europeia de centralizar os festivais no verão. Criei looks em cima do conceito tanto do Monsters quanto do Rock in Rio.

Mesmo que você encomende algo da QoD hoje, as peças não chegariam a tempo pro Monsters, então esse é um post de sugestões que podem te inspirar. Mas vale lembrar que para o Rock in Rio as roupas chegam a tempo, claro!!
Em festivais a gente fica o dia inteiro pra lá e pra cá e não dá pra usar algo que incomode. Conforto não significa falta de estilo, como mostro abaixo!


The season of summer festivals is coming in the northern hemisphere! But here in Brazil we will have super festivals from this month to november. So... here we go showing you options of How to dress for a Festival with QoD pieces!!
I took as reference the Monster os Rock Festival and Rock in Rio - which are a more rock and metal festivals, and tried to create the closest looks possible for both concepts. I chose comfortable pieces - as in festivals we stay all day back and fort all day. Comfort does not mean lack of style, as I show below!

Look 1: O clássico look rock n roll com minissaia! (Esse é meu preferido!). A blusa tem amarração lateral, ilhoses e tela rasgada, passa uma super atitude! Mini saia com cinto e zíperer e essa luva super impactante com spikes!

pra aumentar a imagem é só clicar nela!
Look 1: The classic rock n roll style with miniskirt! (This is my favorite!). The blouse has side mooring, eyelets and mesh with holes, expressing your super attitude! Mini skirt with belt and ziper, pantyhose  and a super impressive glove,  with spikes! (click on the image to enlarge) Top  - Gloves - skirt - pantyhose


Look 2: Pra quem gosta do conforto do shortinho - bem diferente esse modelo, com zíperes, amarração lateral e barra desfiada. Como é curtinho, sugeri colocar uma meia calça por baixo. A blusa é longa e de barra assimétrica, tem um pingente de cruz no decote que parece ser um colarzinho. Coloquei luva nos looks porque acho que esse é um acessório de impacto pouco explorado pelos alternativos aqui no Brasil mesmo nas estações mais frias.

pra aumentar a imagem é só clicar nela!

Look 2: For those who like the comfort of shorts - this is a very different piece, with zippers, side tie and desconstructed hem. For the girls who thinks is too short, I suggest putting a pantyhose underneath. The blouse is long and with asymmetric hem, has a cross pendant at the neckline that seems to be a collar. I put the glove on the look because I think this is an strong accessory.(click on the image to enlarge) Blouse - gloves - Short - pantyhose


Look 3: Esse é um look mais metal. Eu substituí as blusas de banda e os tops estilo corselet/sexy por uma blusa bem confortável, porque em festivais, conforto é tudo! Essa blusa é super estilosa, é um pouco transparente, longa, com manguinhas e correntinhas enfeitando. E dá pra controlar o comprimento com uma tirinha que franze ela. Os elementos mais metal ficam com a calça que lembra couro e os acessórios.

                                                  Blusa - Calça- pulseira - bracelete

pra aumentar a imagem é só clicar nela!

Look 3: This is a more metal look. This blouse is super stylish, is a bit transparent, long, with small chains and decorating sleeves. You can control the length with a strip. The metal elements are in pants and leather and accessories. (click on the image to enlarge) Blouse - Pants- bracelet - bracelet


Look 4: Mais conforto, desta vez com uma blusa mais despojada, bem soltinha. Legging com detalhes em couro e pulseiras.


pra aumentar a imagem é só clicar nela!

Look 4: More comfort, this time with a more flowing blouse. Leggings with leather details and bracelets with spikes. (click on the image to enlarge) Blouse - spiked bracelet, skull´s bracelet - Pants


As peças da Queen of Darkness demoram em torno de 30 a 40 dias pra chegar no Brasil. Por isso se você planeja usar algum look da loja em especial, precisa se programar antes. 
E que venham mais e mais festivais de rock & metal no Brasil!!


Pra ver mais peças, incluindo a coleção nova, é só acessar o site da loja: 


To see more items, including the new collection ones, just access the store site:
https://www.queen-of-darkness.com



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14 de abril de 2015

Floor Jansen: pelo fim da categoria "Female Fronted Metal"

Para nós aqui do blog, a subcultura heavy metal é uma das mais difíceis de ser abordada. Quanto mais estudo sobre esta subcultura e sua relação com as mulheres, mais percebo o quanto esse assunto é chato de ser abordado no Brasil, pois o nível de interesse no debate é muito baixo, além da falta de espaço (mídia/eventos) pra conversar abertamente sobre o tema (esse blog sempre será um espaço!).

Recentemente, em uma entrevista ao portal UOL sobre o tema eu disse que 
a expressão 'bandas femininas', usada ao longo dessa reportagem para dar voz às mulheres no cenário do heavy metal, pode ser interpretada como machismo disfarçado. Você não vê alguém falar 'bandas masculinas', por exemplo. Isso mostra que a mulher é vista primeiro como mulher e depois como profissional da música, o que não ocorre com os homens. O ideal seria que chamássemos de "bandas", independente de ser com homem ou com mulher.

E não é que ontem foi divulgada uma entrevista com Floor Jansen em que ela diz praticamente a mesma coisa que eu?? Que as mulheres são sempre lembradas primeiramente por serem mulheres e ser musicista vem em segundo lugar.


Minha voz não tem o alcance e nem a importância midiática para as garotas do que uma artista como a Floor tem! Acho que ela, muito mais do que eu, vive e enxerga esta realidade na pele. Só posso ficar muito feliz de perceber que estou no caminho certo do questionamento!


Sobre a entrevista da Floor
Quando perguntada sobre bandas como Nightwish serem chamadas de bandas "female fronted de symphonic metal", ela disse:

"Agora tem "symphonic metal" (na denominação) o que diz um pouco mais sobre a música que fazemos... Parece que às vezes há um gênero inteiro chamado "Female Fronted". Oh, então você está em uma banda female-fronted? Oh, sim, eu estou? Que raios isso significa? Porque Revamp é uma banda female fronted assim como Nightwish. Mas essas bandas não soam iguais em tudo. Arch Enemy é uma banda female-fronted assim como Delain. E elas não tocam o mesmo som. A única coisa que elas são é que são bandas de metal, mas seus estilos musicais são tão diferentes que não diz se há realmente uma menina cantando ou não. Então, isso não é importante. Não é surpresa que existem mais mulheres em bandas de metal. E elas não estão apenas como vocalistas. Tem bateristas, guitarristas, baixistas... Então... devo dizer, supere isso e chame apenas de symphonic metal, não importa quem está cantando."


A vida é um processo de desconstrução!
Em alguns sites e grupos, li que a Floor tinha se demonstrado machista em ocasiões do passado. Assim como o próprio Nightwish foi acusado por ser machista com a Tarja (dentre outras coisas) porque ela queria um espaço pessoal separado dos homens e por eles terem despedido a Anette pelo simples fato de estar grávida (a mulher e a decisão sobre seu corpo).
Ambos podem ter sido/são machistas em certas ocasiões, mas é aqui que entra um outro exemplo: o de evoluir.
Todos nós nascemos e fomos criados em uma sociedade em que reproduzimos atos preconceituosos sem pensar, o que acontece é que durante nossa vida nós devemos DESCONSTRUIR estes pré-conceitos. Algumas pessoas vão desconstruir mais do que as outras. E se a Floor teve atitudes machistas no passado, temos aqui um belo exemplo de que ela está aos poucos desconstruindo seu próprio machismo. 

Assuntos machistas não vem com um carimbo em cima, talvez por isso muitas meninas não percebam que ele exista. E a culpa sempre cai nas feministas, por os enxergarem. Só que toda mudança de antigos hábitos vem de rompimentos. E rompimentos vem de atitudes radicais que geram mudanças radicais. Algumas pessoas não querem e não aceitam mudanças, perder seus privilégios. Então se hoje a gente tem direitos, é porque tiveram os ousados do passado que deram os primeiros passos para romper paradigmas. Precisa-se reaprender a discutir temas tabus. Já passou da hora de algumas coisas começarem a ser debatidas com mais interesse pela nossa população, estamos muito atrasados!

Espero que a Floor (que é uma mulher que sai do padrão "feminino fofo" e lida com comentários e memes sobre seu tamanho e força), como musicista, faça com que mais garotas saiam da apatia e do comodismo e reflitam sobre o tema! Ela teve coragem de falar sobre o assunto polêmico pra uma plateia tão grande e comentários hostis já apareceram.
Eu envio minha compreensão pra essa mulher de atitude que está fazendo a sua parte, fazendo a diferença.


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13 de abril de 2015

Kiss-Off: O Canal de Maquiagem de Hayley Williams!

Recentemente Hayley Williams, vocalista do Paramore, inaugurou seu próprio canal para falar de beleza, o Kiss-Off



Como boa garota de atitude, Hayley vai falar não apenas de maquiagem inspirada em filmes punk rock mas conversar com artistas e saber de onde eles tiraram suas inspirações para montar seus looks!

Sobre maquiagem, a cantora alerta sobre o perigo de canais de beleza incentivarem mulheres à contornar nariz para parecer menor ou os lábios para parecerem maiores. Para ela, essa atitude reforça a ideia de que as mulheres nunca estarão satisfeitas o suficiente com o formato de seus traços naturais ou seja, estão sempre socialmente cobradas sobre sua aparência. Hayley não é expert em maquiagens perfeitas, na verdade, ela acha que as meninas devem é quebrar regras!



Ela quer que as jovens usem a maquiagem para se expressarem com coragem, sendo elas mesmas: 

Beleza é um sintoma de amor próprio, não é algo que você cria. Você precisa ir lá no fundo pescar o que te faz sentir poderosa, inteligente, valorizada, bonita, o que for. Realmente, vem de dentro

A mensagem é que você, ao invés de sair contornando o seu rosto pra se adequar ao que é considerado belo, deve realçar sua personalidade. Fazer da maquiagem algo divertido, sem seguir tendências e não ser "perfeitinho demais". "Você ficaria surpresa com o quão forte se sentirá ao quebrar algumas regras”.


Pelo bem de toda uma sociedade de pessoas incrivelmente únicas e lindas, queria que a indústria da beleza fosse menos focada em defeitos e mais no poder da individualidade. Nunca digo nunca, mas eu provavelmente não vou contornar meu rosto num futuro próximo”.

Assista ao episódio onde Hayley reproduz a maquiagem de 




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Fontes: http://www.paramorebr.com/2015/04/wwd-hayley-fala-sobre-kiss-off/
http://wwd.com/beauty-industry-news/color-cosmetics/paramores-hayley-williams-launches-beauty-and-music-video-series-10104044/print-preview/

http://juliapetit.com.br/beleza/hayley-williams-lanca-programa-de-maquiagem
http://populartv.com/beauty/hayley-williams-popular-tv/

12 de abril de 2015

Filme: The Fabulous Stains - Rock e Empoderamento Feminino

Ladies and Gentleman: The Fabulous Stains é um obscuro filme de 1982. A obra nunca foi oficialmente lançada nos cinemas, não teve nem lançamento em vídeo. Apenas foi transmitido tarde da noite em alguns canais à cabo nos EUA na década de 80. Somente no ano de 1998, teve sua primeira exibição oficial no Chicago Film Festival e em 2008 finalmente foi lançado em dvd.


O motivo pelo qual decidimos falar desse filme, é que ele nunca esteve tão atual. Foi uma obra à frente de seu tempo que fala sobre empoderamento feminino, fama e indústria da música.
Mesmo permanecendo na obscuridade, influenciou diversos artistas do Rock, que o assistiam através de gravações em fita VHS que passavam de mãos em mãos. Courtney Love e Jack White do The White Stripes (todas as bandas do filme usam apenas preto, vermelho e branco nas roupas) são fãs assumidos e o mais interessante: o filme serviu de inspiração para as meninas do movimento Riot Grrrl, especialmente Tobi Vail.

Filmado apenas três anos depois que a cena punk começava a definhar, a obra tem direção de Lou Adler (produtor do The Rocky Horror Picture Show) e roteiro escrito por Nancy Dowd. O nome da roteirista aparece na tela com o pseudônimo de Rob Morton.

Por conta do filme ser super difícil de achar, decidimos contar a história dele aqui. A obra é sobre a história da banda The Stains, formada pelas irmãs Corinne e Tracy Burns (Diane Lane e Marin Kanter) e a prima Jessica McNeil (Laura Dern).


Durante a gravação de um documentário em sua cidadezinha, Corinne “Third Degree” Burns, é entrevistada e se torna sensação por suas palavras e atitudes ácidas frente às câmeras. Órfã e sem emprego após xingar o seu chefe no restaurante fast food em que trabalhava, Corinne sai à noite e acaba assistindo aos shows da decadente banda glam The Metal Corpses e da bunda punk The Looters - formada por membros do The Clash (Paul Simonon) e Sex Pistols (Steve Jones e Paul Cook) com um vocalista (Ray Winstone) de estética Rockabilly.
Corinne, rejeitando a ideia de crescer numa cidadezinha onde não há espaço para criatividade e com pessoas de mente pequena, decide pegar sua banda e sair em turnê com os caras, que tem como tour manager, rodie e promoter um Rastafari que resolve os conflitos entre os roqueiros e os punks.

Pessoas de subculturas diferentes unidas pela música,  um ponto interessante de tolerância às diferenças que o filme toca indiretamente.

Sendo as únicas mulheres no ônibus, percebe-se a ousadia, o atrevimento e ao mesmo tempo fragilidade e insegurança das meninas, os próprios caras das outras bandas duvidam da capacidade delas. Logo no começo já temos uma cena explosiva:
Ao pisarem no palco para seu primeiro show, todos notam que as garotas não sabem tocar muito bem e começam a rir da cara delas. 


Mas isso não é problema, Corinne, ostentando um cabelo loiro e preto se assemelhando à um gambá, olhos maquiados de preto e vermelho, se dirige à uma mulher da plateia que a olha com desdém e diz:

"Você veio aqui pensando que veria um rockstar, ele se apaixonaria por você e te levaria pra longe dessa cidadezinha, mas você pode ser diferente de todas as outras garotas!
Otárias! Otárias!
Sejam vocês mesmas, esses caras riem de vocês!
Eles tem grandes planos pro mundo mas não incluem a gente!"


A seguir, tira seu sobretudo e revela estar vestindo uma blusa vermelha transparente, meias calças pretas, calcinha, meia e botinha. E aí vem uma passagem interessante: todos se chocam com sua pouca roupa. Mas ela está  usando seu corpo como forma de revolta e não como sexualização/objetificação. Com seu corpo, chama as mulheres que sentem o mesmo que ela pra se empoderarem:

"Sou perfeita, ninguém nesse buraco de merda vai me aborrecer porque eu não vou desistir.”


Essas frase é interessante pois demonstra que ela não dá a mínima pro julgamento de como está expondo seu corpo. Com toda esse atitude, logo as meninas da The Stains, se tornam uma sensação televisionada. Enquanto o jornalista da TV local foca no comportamento antissocial e na falta de talento de Corinne, a jornalista percebe que a moça chama as mulheres para o empoderamento e chama as Stains de uma nova voz inspiradora para garotas. A TV passa a acompanhar os passos da banda, numa prévia do que seriam hoje os reality shows.

Uma coisa que fica clara é que Corinne é autêntica, tanto que sua irmã e prima passam a se vestir como ela. Junta-se a isso o fato que os homens à sua volta não entendem completamente seu apelo. A chamam de um "conceito" enquanto que ela era uma menina real.

 "- Você tem inveja de mim. Eu sou tudo que você queria ser."
"- Uma b*ceta"
"- Exatamente!"

Ela percebe que os The Looters não seguram o público como sendo uma banda headline, e quer que as Stains seja a banda principal da turnê. Então, aparece um empresário ganancioso que a convence de que ela é a pessoa mais importante de todas. Persuadida, o sucesso sobe à cabeça, se torna arrogante e até rouba uma música do The Looters e toma como sua. O novo empresário começa a fazer dinheiro em cima do marketing da banda vendendo inclusive o look completo para as meninas se vestirem igual à ela.

The skunks (as gambás), as groupies das Stains:
"Em sua rebelião, elas decidiram claramente que a existência feminina não deve ser uma corrida para o túmulo, ou pior, para o supermercado".

Como vingança e raiva da garota, o vocalista do The Looters a chama de vendida e denuncia esse abuso à suas fãs, que a rejeitam quando ela sobe ao palco. As female groupies percebem que perderam sua individualidade em favor da conformidade e submissão ao imitar a estética de sua ídola.


Depois desse fiasco, a vocalista é novamente entrevistada pelo canal de TV, só que desta vez a jornalista não está presente. Uma discreta demonstração de machismo onde a profissional perdeu seu emprego por apoiar as atitudes de outra mulher ousada. O jornalista então pergunta sobre ela ter sido hostilizada pelas próprias fãs e Corinne, sem perder seu atrevimento, responde:

"Acho que toda garota deveria ganhar uma guitarra no aniversário de 16 anos".

Ao por os pés de volta à rua, o vocalista do The Looters a convida para sair em turnê com ele, indicando que ela seria sua namorada. Ela rejeita. Diz que não vai ser groupie de ninguém.

"É isso que devo fazer agora? Ser sua groupie?"
"Ajustar sua guitarra, ser sua senhora?"

Quando o rapaz se vai, Corinne finalmente entende qual sua importância quando vê passar numa scooter duas garotas vestidas como ela carregando uma guitarra elétrica.
E percebe que sua experiência não foi em vão, ela incentivou garotas a tocarem instrumentos montarem suas próprias bandas!!


"Eu já fui como você, um nada, mas eu não desisti" - finaliza Corinne sobre como se sentia nula em sua cidadezinha no interior e como ter tido a ousadia de tomar uma atitude drástica, a fez tomar as rédeas de sua vida.


E elas não desistiram mesmo, no fim do filme, existe um clip do que as Stains se tornaram dois anos depois: um grande sucesso e cada uma com seu visual próprio!


The Fabulous Stains, inspirador para garotas do rock, também é um uma crítica de como a cultura moderna explora os músicos, como eles podem ficar cegos pela fama e como empresários gananciosos podem destruir a carreira de uma banda. Também nos mostra como as meninas não eram levadas à sério como musicistas e finaliza meio que dizendo nas entrelinhas que as garotas não precisam ser groupies, elas podem e são capazes de ter suas próprias bandas! :D


Possíveis referências e influências do The Fabulous Stains:
O cabelo ao estilo gambá das atrizes do filme, pode ser uma referência aos cabelos reais das meninas punks, como na foto de Catwoman, no topo à direita.


O filme tem saído aos poucos da obscuridade e conquistado meninas com interesse em rock e em empoderamento feminino. Como a obra passou na TV americana durante as madrugadas, é possível que até mesmo um determinado visual o de Lady Gaga tenha alguma influencia da obra, afinal, o stylist da cantora, Nicola Formichetti é muito ligado em subculturas.

Comparação: Lady Gaga com o cabelo gambá ao estilo das Stains e underwear à mostra. A cantora ficou conhecida por usar com frequência calcinhas com meias-calças, visual característico da personagem do filme de 1982.

E mais recentemente, a homenagem de Hayley Williams.


Conta pra gente: já assistiu The Fabulous Stains?
O que achou da obra?

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