Destaques

10 de abril de 2019

Mulheres carecas: raspar os cabelos ainda é um ato de transgressão

Cabelos compridos são considerados um símbolo da feminilidade. Associados à juventude e virgindade, as meninas logo cedo tem contato com as histórias de princesas e donzelas de contos de fadas com longos cabelos. Em algumas culturas, o cabelo é tão poderoso que deve ser coberto em público e só revelado em aposentos privados por ser forte símbolo de sedução. 

A cantora Sinead O'Connor

Quando falamos em cabelos mais curtos logo vem à mente as melindrosas dos anos 1920, símbolos de independência e sexualidade feminina. Outra época em que ficaram muito em voga foi na década de 1960, quem não lembra dos cortes de Vidal Sassoon responsável pelos cabelos de  Mary Quant? E de Mia Farrow no filme "O Bebê de Rosemary" (1968)?
Na década de 1980 quando a mulher buscava cargos executivos e disputava mano a mano com os homens, os curtos são associados às mulheres independentes e ousadas! Grace Jones é um dos ícones do período e é dela a frase: "Minha cabeça raspada me faz parecer mais abstrata, menos presa a uma raça específica ou sexo ou tribo."

Garotas no festival Afropunk

Ainda no fim daquela década vamos nos lembrar de artistas como Sinead O'Connor que raspou os cabelos após os executivos de sua gravadora pedirem para ela adotar um look mais suave e sexualizado, com saias curtas e cabelos longos. Ela se recusou a ser parte de uma fantasia masculina. 
Sigourney Weaver em "Alien, A Ressurreição" (1992), reforça a ideia de mulher que adquire força e Natalie Portman em "V de Vingança" (2005) tem sua cabeça raspada por um motivo oposto: um ato de violência no momento que é transformada em prisioneira. A atriz revelou em entrevistas que após o término das filmagens manteve os cabelos curtos por um período por ter gostado do resultado, revelando que apesar de ter raspado pela personagem foi uma escolha que ela estava feliz em ter feito.

Fonte: Tokyo Fashion

Conversei com algumas meninas que rasparam a cabeça para saber um pouquinho mais sobre suas motivações e experiências. Percebi que a escolha não se limita a estilo, mas principalmente a uma sensação de liberdade e desapego às regras sociais, desconstruindo uma feminilidade construída na sociedade patriarcal, como bem dito por Iracema Doge, de 23 anos dona do canal Calabouço do Thexuga:
"Tudo começou no meu nascimento, assim que o gênero feminino foi designado para minha estrutura, ao nascer nem sabia que já tinha toda um propósito a servir, tinha regras a seguir e tudo isso nem se quer ter consciência do que estava acontecendo, crescemos em uma sociedade patriarcal que dita exatamente como devemos ser e agir antes mesmo de conseguir ter consciência disso. Ao decorrer do tempo isso foi começando a ficar mais nítido em meu cotidiano não só em questão de comportamento, mas também em como eu deveria me sentir. Quando tive a oportunidade de escolher como eu deveria me sentir, comportar e vestir, comecei a ter questionamentos sobre o porquê deveria seguir um padrão que foi estipulado a mim sem nem se quer pedir a minha permissão."

A mulher de cabelos longos como um padrão ideal de beleza ainda é bastante forte em nossa cultura. Cortar os cabelos - mesmo que seja só as pontas - pode provocar arrepios de terror em algumas garotas! Por isso raspar a cabeça ainda é considerado uma representação do inconformismo relativo às noções tradicionais de feminilidade impostas pelo patriarcado e suas definições de gênero. É um ato político.

Dentre todas estas questões, podem passar despercebidos pensamentos que são reproduzidos no passar de gerações: a mulher que "não cuida do cabelo", a que "não tem os cabelos bonitos" é criticada, demonstrando a exigência enraizada de ter de estar sempre perfeita aos olhos (e julgamentos) sociais. Cuidar de cabelo cansa sim! E cansa mais ainda se a mulher faz isso como obrigação para não ser considerada desleixada. 

As subculturas não estão livres destas exigências, já que cada uma delas também tem um ideal de beleza, sendo porém espaços onde a abertura a quebra de padrões é igualmente aceita, como segue me contando Iracema Doge, que desde muito nova se interessou por cultura alternativa especialmente a gótica, da qual passou a fazer parte e onde relata que:


"Adentrando cada vez mais na cena gótica, tive o desprazer de ainda me sentir submersa nas estruturas colossais do patriarcado, senti que ali mesmo ainda tinha resquícios de atingir certos padrões um exemplo disso é que neste processo todo eu ainda usava cabelo longo de franja lisa, uma característica que ainda era um padrão visto de fora da cena alternativa para o meio da subcultura gótica, esse padrão me incomodava não só nessas circunstâncias mas senti que isso fosse um reflexo moldado pelo tempo e que talvez eu não quisesse mais aquilo.

Dentro da subcultura gótica encontrei liberdade para me expressar, ser quem realmente eu gostaria de ser, encontrei apoio e também uma grande força de influência feminista. Perante a essa decisão tive força e muito apoio, meu cabelo estava na cintura quando decidi raspar e doar todo ele, não sinto arrependimento e tão pouco vontade de deixá-lo crescer novamente, senti que agora sim sou quem realmente um dia busquei ser e hoje me expresso melhor, me sinto finalmente livre e a partir de agora quaisquer decisão que tenho sei que não será por regras ou preceitos sociais."

Essa ideia da quebra dos padrões, parece ser o ponto mais comum entre as meninas que conversei. Acompanhem os relatos:


 Carolina Ribeiro: "Raspar a cabeça foi algo que eu sempre quis fazer, mas claro, nunca tive coragem. Em 2017 eu comecei a cortar meu cabelo bem curto, até que decidi: estava na hora de raspar, era naquela hora ou nunca. Por que raspar a cabeça? Eu estava num processo intenso de desconstruir a ideia de feminilidade e adotar uma estética que fosse condizente com meu modo de pensar, o que também incluía reduzir a maquiagem, o excesso de acessórios e certos tipos de roupas. Por ser uma mulher gorda, sempre ouvi que cabelo curto não combinava, porque evidencia o rosto (como se isso fosse uma coisa ruim). Talvez por esse motivo nunca encontrei muitas inspirações para raspar a cabeça. Então tomei coragem e eu mesma raspei em casa. Todos estranharam e muitos não entendiam minhas motivações, mas eu me senti liberta e maravilhosa. Chamava atenção? Muita! Ainda mais porque também deixei de usar maquiagem todos os dias, então muitas pessoas me perguntavam se eu estava doente. A sociedade ainda não aceita muito bem uma mulher que não performa feminilidade, infelizmente. Mantive a cabeça raspada durante 1 ano aproximadamente e só comecei a deixar crescer novamente por questões de trabalho. Embora a área da educação não exija abertamente, é notório o estranhamento de pais e alunos."


Lívia Stark: "Meu nome é Lívia, tenho 39 anos e sou professora de Arte da rede pública. Cabelo sempre foi algo que fez parte da minha mente criativa desde criança. Sempre quis ter penteados diferentes, cores diferentes... Tive como "modelo de beleza" os tipos considerados alternativos. E desde criança eu quis ter um cabelo curto e bem colorido, como o da Annie Lennox na época do Eurythmics. E sempre teve aquela história do "cabelo curto é cabelo de homem". Não ligava, queria porque queria. Mas por ser criança, obviamente não tive autorização pra cortar o cabelo ao meu gosto. Só tive essa liberdade aos 18 anos, e ainda fui escondida da família! Todo mundo achava que, por ser gorda, nenhum corte combinava com meu rosto, muito menos um curtíssimo. Mas não foi nada radical, foi um modesto chanel. Foi o que bastou pra eu me libertar do medo do julgamento alheio. A cada ano, o corte diminua um pouco. Porém, na primeira vez que raspei a cabeça, estava passando por muita pressão psicológica na faculdade. Surtei igual a Britney! Mas isso mudou minha vida. Crescemos num meio influenciado pela mídia e pelo machismo...e quando a cidade onde a gente mora tem ares de interior, a cabeça das pessoas não está aberta para coisas tão simples como "cada um cuide da própria vida" e as pessoas te olham feio se você foge do padrão. Eu diria que já nasci fora dele. Com o passar dos anos, a gente vai percebendo como algumas coisas simples são libertadoras. Recentemente voltei a raspar a cabeça mas sem nenhum fator estressante por trás desse ato, apenas pelo prazer de ser livre. Vi imagens de mulheres maravilhosas de cabeça raspada, totalmente desapegadas e resolvi que dessa vez rasparia a cabeça por que queria um descanso pra minha beleza! Sim! Pois cuidar de cabelo cansa! Querer ter cabelo de comercial cansa! Ouvir que homem não gosta de mulher de cabelo curto cansa! Comecei a ver beleza numa pessoa que antes odiava a própria imagem. Senti o alívio de não ter que acordar mais cedo só pra arrumar o cabelo num penteado aceitável socialmente. Jamais questionei a feminilidade de ninguém por causa do comprimento do cabelo e estou ainda mais certa disso agora, que desfilo alegremente com minha cabeça raspada, colorida, pelo trabalho. E não é por ser professora de arte que isso ficou mais fácil. No meu ramo tem pouca gente que foge do padrão. E muita gente fala que eu sou corajosa por ter raspado a cabeça... talvez eu seja, já que muita gente ainda se submete ao gosto alheio em vez de ser feliz. Como dito antes, aqui, no interior do Brasil, as pessoas ainda me olham feio. Devem morrer de vontade de perguntar que doença eu tenho! Raspar a cabeça é um vício! É prático demais viver assim, acordar e já estar pronta! E quando começa a crescer um pouco mais o cabelo, já corro pra aparar! Mas a melhor parte é a liberdade. Sou livre pra ser como eu quiser, pois o que os outros pensam sobre meu cabelo não me importa mais."

Jenifer Pino Da Silva:

"A ideia de raspar a cabeça me veio após decidir tatuar a cabeça toda, já não gostava de ter cabelo e seguir padrões de beleza, pois pensava toda mulher tem sua própria beleza.

E é dessa beleza incomum que quero ter e tenho hoje em dia, pois me amo assim, nem liguei para o que iriam falar, queria mais me sentir bem mesmo que fosse careca. 

Ser uma mulher careca já é (nossa que absurdo) ainda mais se for tatuada e diferente perante a sociedade é uma coisa que sempre quis fazer que era não mais cabelo, me sinto mais eu e maravilhosa todos os dias."

Como vimos, as motivações são diferentes, mas o importante neste processo todo é que a mulher tenha a liberdade de escolha sobre seus atos e que não se sinta mal ou culpada por não estar seguindo um padrão sobre como é esperado as mulheres aparentarem. 
Cabelo cresce, é verdade. E algumas vezes o processo de crescimento não é fácil, mas tenho certeza que quem passa pelo processo de raspar os cabelos consegue enfrentar muito melhor as complexidades relacionadas à se entender como mulher na sociedade e tornar mais empoderadas!



E você, já raspou os cabelos? 
Considera fazer isso algum dia? 

Conta sua história pra gente!




Acompanhe nossas mídias sociais: 

Direitos autorais:
Artigo original do blog Moda de Subculturas. 
É permitido compartilhar a postagem. Ao usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos precisa obrigatoriamente linkar o artigo do blog como fonte. Não é permitida a reprodução total do conteúdo aqui presente sem autorização prévia. É vedada a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, não fazemos uso comercial das mesmas, porém a seleção e as montagens de imagens foram feitas por nós baseadas no contexto dos textos. 

8 de abril de 2019

Dark Fashion: Coleção Dreams em detalhes | + Cupom de Desconto

É difícil falar da loja Dark Fashion sem rolar aquela pontinha de emoção. Neste 2019 que o blog comemora 10 anos, muitas memórias me vem à mente e uma delas é que eu conheci a Nívia, dona da loja, no Orkut quando ela nem tinha fundado a marca. Lembro que ela conversava sobre esse sonho de ter uma loja alternativa... A coleção Dreams, a mais recente, exala a realização daquele sonho! Devido ao uso do cirê - tecido brilhoso que lembra vinil - me tornei especialmente nostálgica, porque esse tecido estava muito em alta na moda alt de dez anos atrás.

Blusa 2028

Sempre me complico pra falar das marcas que gosto porque fica piegas, mas no caso da DF não me importo nem um pouco, pois sei o quanto há dedicação na melhoria da modelagem e da qualidade, na opção de tamanhos sob medida, assim como a tentativa de manter valores acessíveis apesar da crise braba.

E é justamente esses detalhes que queria mostrar pra vocês através de três peças lindíssimas. Cupom de desconto no final do texto.

O pacote: essa é uma tecla que gosto de bater. Você já ouviu falar do problema do lixo plástico? A Dark Fashion não vai te dar esse problema. As peças de roupas não vem embrulhadas em plástico, mas em papel e tecido. O papel vai se decompor rapidamente se jogado no lixo, mas o pacotinho de tecido você pode guardar suas roupas ou usar em viagens. Tornar a moda mais sustentável é um dos valores da marca.


O plástico que você vai encontrar está nos adesivos, por enquanto algo que ainda não dá pra mudar e que no fim a gente usa, guarda, passa adiante, mas não joga no lixo!




O que você faz com os cartões de visita das lojas? Guarda? Esqueça essa acumulação! O cartão de visita da Dark Fashion agora é um marcador de livro!! MARCADORES!! E com aquele toque de Halloween que a gente ama! Quer coisa mais útil que isso?? Tem como não amar as atitudes dessa loja?? <3



Blusinha de malha cirê tecnológica com efeito látex, vinil ou brilho molhado. Não desbota fácil e não esquenta por conter fios de poliamida em sua composição.  
Essa blusinha tem a pegada fetichista que está presente em várias peças da coleção. Detalhe para o arreio (harness) fake que desce da gola até o busto. 



Atenção para a perfeição destas costuras...


Blusa manga longa 2503 em tule arrastão [clique pra acessar na loja]
Se está esperando uma blusa de arrastão daquelas furadinhas vai se surpreender. Essa peça tem uma base finíssima em tule, que achei muito elegante, pois além de manter a peça "no lugar", dá um ar mais adulto e chique a quem escolhe usar a peça. Fora que dá pra montar uma infinidade de looks: punks, gótico, deathrock...



Tentando mostrar a finíssima camada de tule entre os 'furinhos'.


Tá calor aí? Acho que esse vestido vai cair bem! Em viscolycra e com uma tela arrastão desenhada por cima, dá aquela leveza e arejamento necessários pros dias quentes. 


A altura das costas é levemente maior que a da frente pra dar aquela descrição no sutiã e as alças em courano (material sintético) permitem que você regule a altura de acordo com o tamanho de seus seios. Que marca pensa em todos esse detalhes?? XD


Tentando mostrar o desenho...


 Não vou postar looks porque tá programado um ensaio com as peças! Aguardem! <3

E pra quem quer comprar qualquer peça na loja, o cupom de desconto na Dark Fashion é
SUBCULTURAS




Acompanhe nossas mídias sociais: 
Direitos autorais:
Artigo original do blog Moda de Subculturas. 
É permitido compartilhar a postagem. Ao usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos precisa obrigatoriamente linkar o artigo do blog como fonte. Não é permitida a reprodução total do conteúdo aqui presente sem autorização prévia. É vedada a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, não fazemos uso comercial das mesmas, porém a seleção e as montagens de imagens foram feitas por nós baseadas no contexto dos textos. 

7 de abril de 2019

Projetos alternativos de financiamento, porquê não recebem tanto engajamento quanto deveriam?

Ao longo de aproximadamente um ano e meio, participei de um projeto alternativo que para se tornar real precisou de financiamento coletivo. Tratava-se de uma revista que teve quatro lindas edições. Mas por que será que ela entrou em "pausa" por tempo indefinido? 


Revista Gothic Station #4

Minha experiência trouxe algumas revelações:

1. O pioneirismo nem sempre é compreendido em seu tempo.
A revista foi a primeira do gênero no Brasil (focando no Brasil e não no exterior) e se tornou uma espécie de cobaia. Um verdadeiro experimento. 

2. Um possível desinteresse das pessoas por informações geradas em modo físico (papel).
Eu não pesquisei cientificamente o assunto, mas acho os alternativos brasileiros não têm o hábito de consumo de publicações alternativas em papel.

3. "Por que pagar por informações que você pode conseguir "de graça" na internet?"
Na verdade, nada que se pega na internet é de graça. Paga-se pra ter acesso a internet (e não é barato) e as coisas tem dono sim. A questão seria mais sobre aonde o dinheiro merece ser investido, e me pareceu que não era numa publicação alternativa.

O cenário alternativo ao longo de sua história arranjou meios de se manter ativo em paralelo com o que acontece na cultura dominante (crises, problemas políticos). E um desses meios é uma rede de circulação de produtos que se desenvolve no nicho. Foi assim que as subculturas e estilos alternativos do passado chegaram até os dias de hoje!

Percebi que no período em que a revista esteve em circulação, foi muito bem recebida, vi muito apoio. Vi pessoas muito felizes com relação ao projeto. No entanto, essa boa receptividade não se refletia no financiamento online. Foi bastante complicado fazer os financiamentos fecharem. Nunca compreendi porque tão pouca gente financiava sendo que havia um público imenso interessado nos temas propostos. 

Mas o que me intrigou ao longo de todo o período foi porquê projetos independentes que visam fazer com que informação circule, não são tão divulgados/compartilhados quanto poderiam ser? 

Vejo pessoas alternativas inteligentes compartilharem tretas no Face ou no Instagram que geram centenas de opiniões; vejo várias situações pequenas que são compartilhadas como se fossem grandiosas (a famosa tempestade no copo d´água); vejo mulheres denunciando outras mulheres numa guerra pra dizer quem é mais oprimida que quem (somos TODAS oprimidas em algum nível. A rivalidade feminina é justamente uma reprodução dessa opressão! É perigoso cair no conto da luta individual. Para se exigir empatia primeiro precisa-se ter empatia. Dê as mãos à mulher que tem um sofrimento diferente do seu, isso é sororidade). 

Não vejo projetos que espalham cultura gerarem engajamento no mesmo nível que as tretas de redes sociais! Um projeto feito com tanto carinho, dedicação, envolvendo várias pessoas, que nos custava meses de trabalho... acabar por falta de financiamento foi bem triste... No meu ponto de vista, a história e cultura das subculturas deveriam ser tratadas como um legado a ser passado adiante! 

Com uma ideia na cabeça, resolvi fazer uma pesquisa nos stories do InstagramObservem as perguntas e respostas:



A maioria dos que votaram apoiavam a existência da Gothic Station em formato físico, mas infelizmente quando o financiamento estava ativo não houve apoio suficiente. Eu não tenho resposta para essa discrepância (para além dos "boicotes" que a revista sofreu) e nem sei se um dia terei. Lógico que uma pesquisa no Insta não é reflexo da situação em geral, mas dá uma ideia do que os seguidores do blog pensam.

E sobre a existência de uma revista virtual (pdf) e um apoio financeiro dela:



A julgar pelas respostas, uma revista alternativa virtual é bem vinda. E mais interessante ainda: seria apoiada financeiramente para se tornar realidade! Confesso que fiquei surpresa com o resultado. Adoraria investir num projeto assim, seria mais uma vez, experimental. O Instagram é legal, mas não envolve todos os leitores do blog, portanto a sua resposta para a pergunta abaixo é bem vinda. 

Você financiaria uma revista alternativa num formato virtual?


Buscando sempre várias formas de comunicar cultura alternativa!





Acompanhe nossas mídias sociais: 
Direitos autorais:
Artigo original do blog Moda de Subculturas. É permitido compartilhar a postagem. Ao usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos precisa obrigatoriamente linkar o artigo do blog como fonte. Não é permitida a reprodução total do conteúdo aqui presente sem autorização prévia. É vedada a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, não fazemos uso comercial das mesmas, porém a seleção e as montagens de imagens foram feitas por nós baseadas no contexto dos textos. 

29 de março de 2019

Estampa de fogo na Moda (Fire Flame Print)

A estampa de fogo virou moda mesmo! O seu retorno tem sido de, no mínimo, uns sete anos. Foi vindo aos poucos, em acessórios, roupas, num desfile ou outro até que pegou força de vez e hoje encontra-se em tudo, inclusive em produtos de beleza. Essa estampa possui uma história que une a moda mainstream e alternativa, o que é perfeito para o resgate de memória que a gente adora fazer aqui no blog.

estampa-chama-de-fogo-vetements

David Bowie, na segunda fase do alienígena Ziggy Stardust, criou em parceria com o estilista japonês Kansai Yamamoto o figurino com estampa de fogo que ficou consagrado na gravação ao vivo da apresentação "1980 Floor Show", de 1973. Esse modelo acabou se tornando um dos inúmeros looks icônicos de Bowie, sempre presente em exposições. A criação veio antes do também conhecido cabelo cor de fogo do artista, mostrando que sua influência continua firme na elaboração de tendências contemporâneas.



Na virada de 70 para década de 1980, a guitarrista Poison Ivy fazia o palco pegar fogo com as chamas estampadas em seu short curtíssimo. Nesse mesmo tempo só que do outro lado, Thierry Mugler incendiava as passarelas de Alta Costura com suas criações no desfile 'Les Infernales' de 1988. Em 1992, a estampa retorna no famoso motorcycle corset vestido pela modelo Emma Sjorberg no clipe 'Too Funky" de George Michael.

poison-ivy-estampa-de-fogo-short
Poison Ivy

thierry-mugler-corset-chama-de-fogo-les-infernales
Corset fogo da coleção 'Les Infernales' e a versão motorcycle no clipe 'Too Funky'.

harley-davidson-estampa-chama-de-fogo
A chama da Harley Davidson pela Made My Bunny.

O 'motorcycle corset' é inspirado nas motos da Harley Davidson. A companhia, que tem as chamas em seu logotipo, lançou motos e acessórios com a estampa. Por isso nos anos 1990 não se via só em roupas. O 'fogo' havia se espalhado em todo o tipo de produto, e ganhou força ainda mais com a revista Thrasher que também tem desenhado em sua logo chamas de fogo. O skate era um movimento em ascensão, e a revista junto com a Harley Davidson propagaram a estampa no underground e conseqüentemente, na moda alternativa.

Anthony Kieds no VMA de 1995.

igor-cavalera-bateria-estampa-de-fogo-sepultura
A bateria de Igor Cavalera no Sepultura.

marilyn-manson-maquiagem-chama-de-fogo
Marilyn Manson trouxe a maquiagem que tem sido muito copiada atualmente!

Nos anos 2000 a estampa permanece acesa pelas marcas alternativas, o mais interessante é que não foi muito na moda feminina e sim na masculina. O retorno mesmo ao mainstream veio com as famosas sandálias de chama da coleção Primavera\Verão 2012 da grife Prada. Isso já faz sete anos, mas como esses acessórios fizeram - e continuam fazendo - muito sucesso entre as celebridades, então volta e meia alguém aparece usando o calçado fazendo com que outras marcas apostassem de vez no desenho que está perdurando até hoje!

Coleção Primavera\Verão 2012 da Prada.

bota-estampa-de-fogo-vetements-louloux
Bota da marca Vetements e da brasileira Louloux.

As plataformas gigantes da Space Island e YRU.

Tênis Converse e Vans.

Os saltos altíssimos da Pleaser Shoes e Heels Bangers.

A perfomance de Katy Perry no Super Bowl de 2015 lembrou os figurinos de show do Elton John.

Nas passarelas: desfile Moschino e Asger Juel Larsen.

Roupa de látex em Kim Kardashian e Rita Ora de Meat Clothing.

No streetwear da Tokyo Fashion.

Blusão da parceria Kill Star + Rob Zombie e Vestido da Kreesville 666.

A estampa de fogo também é neon e colorida! Jaquetas Sugar Pills CLTH.

Gorros Cyber Space Shop.
O Verão nas peças de moda praia da Jade Clark.
óculos-escuros-chama-de-fogo-opening-cerimony
Óculos escuros com glitter da Opening Ceremony.
óculos-escuros-chama-de-fogo-meteórro-J-Zhong
Óculos 'Meteor' da marca Jillian Zhong.

No Brasil, encontra-se peças na loja @Reversa.

E os acessórios da marca @SarahRottenStore.

Em tempos de modismos, a estampa de fogo resolveu bater o pé e manter sua firmeza. Pelo visto permaneceu na hora certa, se observarmos a situação no mundo, principalmente política. E assim, até o bordão cearense vem ganhando a notoriedade que merece: "Pega fogo cabaré!"



Acompanhe nossas mídias sociais: 
Direitos autorais:
Artigo original do blog Moda de Subculturas. 
É permitido compartilhar a postagem. Ao usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos precisa obrigatoriamente linkar o artigo do blog como fonte. Não é permitida a reprodução total do conteúdo aqui presente sem autorização prévia. É vedada a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, não fazemos uso comercial das mesmas, porém a seleção e as montagens de imagens foram feitas por nós baseadas no contexto dos textos. 

Instagram

© .Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa. – Tema desenvolvido com por Iunique - Temas.in