.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.

6 de dezembro de 2016

Moda de Subculturas: procuramos colaboradores!!

Olá queridos leitores!
Gostaríamos de convidar vocês pra fazerem parte do blog em 2017!
Literalmente!
Por isso, estamos abrindo espaço para colaboradores fixos ou esporádicos.


O mundo alternativo é muito, mas muuuuito amplo e não conseguimos abordar os temas tão diversos deste universo. Então nada mais justo do que chamar quem quiser falar sobre, aqui, no espaço que o blog disponibiliza para a participação dos leitores!



O que procuramos?
Pessoas que estejam interessadas em colaborar com o blog enviando artigos.


Como se candidatar?
Quem quiser se candidatar é só mandar e-mail contando um pouco sobre você e como/com qual tema pretende colaborar. Neste e-mail, vamos analisar sua proposta e passar mais detalhes sobre os artigos.
E-mails: 
modadesubculturas@gmail.com 



Como pode ser a colaboração?
Pode ser colaboração fixa ou esporádica.
No caso de colaboração fixa, com uma frequência de postagens, é possível ganhar uma biografia e links de contato na sessão "autoras".
No caso de colaboração esporádica, a biografia e os links de contato ficam na postagem.

Também abrimos espaço para quem estuda letras/tradução e queira traduzir algum artigo do blog!
Todos os posts publicados aqui podem ir para o portifólio profissional de vocês.

E os temas?
Temos bastante abertura quanto aos temas, contanto que sejam ligados ou interligados com o mundo alternativo.

Temas que você pode colaborar:
- Qualquer subcultura alternativa, exemplo: retrô - pinup - gótica - headbanger - punk - pós punk - gótico - rockabilly - psychobilly - subculturas ao redor do mundo etc etc etc!

- Você pode falar de música, de shows, de eventos, de arte, de livros, de filmes, de autores, de artistas, de cultura geral, de curiosidades, beleza, maquiagem, cabelos...

- Moda Alternativa (novidades, opiniões, desfiles, tendências), masculina, feminina, sem gênero...

- Assuntos sobre Moda (tudo que envolva moda e que tenha a ver com consumo).

- História da Moda.

- Você faz parte de uma banda? Que tal falar sobre sua cena?

- Você é modelo alternativa? Vem contar sobre essa atividade!

- Você usa um determinado estilo de moda alternativa e quer escrever sobre ele?

- Você tem uma empresa direcionada ao público alternativo? Vem contar como é seu projeto.

- Fez seu TCC com tema relacionado à esse universo? Manda pra gente um artigo!

- Temas sociais (preconceito, racismo, gêneros, feminismo), antropológicos, históricos, psicológicos também são aceitos. 

- Se quer desabafar uma situação de preconceito?

- Quer jogar um questionamento, uma pensata?

- Quer fazer a análise de algum tema?

- Quer falar como é a cena alternativa na sua região? (Queremos saber como são, onde vivem e o que fazem os alternativos desse brasilzão!!)

- Trabalha com tatuagem, piercings, modificação corporal? Vem compartilhar opiniões, experiências e novidades desta área com  a gente!

- Foi em algum evento alternativo internacional (exemplo: festivais como Wacken, WGT, M´era Luna etc) e quer contar tudo sobre?

- Fez uma viagem pra locais/ bairros alternativos do mundo e quer dividir a experiência? 


Você não precisa ser formado em moda, nem jornalista, nem especialista em subculturas ou moda alternativa, você só precisa ter a vontade de compartilhar um assunto, um tema, uma opinião com os leitores!


Não se preocupe com a escrita, a gente ajuda você a deixar o texto com o estilo do blog sem comprometer seu estilo de escrever!

Queremos fazer deste blog algo que todos os leitores possam participar, mais abrangente e diverso como a cultura alternativa é! 

Quem quiser colaborar manda e-mail
modadesubculturas@gmail.com
que a gente conta um pouco mais sobre!



Acompanhe nossas mídias sociais:

http://candycolor.com.br/site/


4 de dezembro de 2016

Dark Fashion: moda alternativa pra quem usa preto o ano todo!

Enquanto alguns se questionam se dá pra usar preto no calor, outros tem certeza que isso é possível por ser parte do lifestyle pessoal. Alguns destes, em algum momento já devem ter visitado o site da loja Dark Fashion e comprovado que não tem tempo ruim que a cor não se adapte. Desde um elaborado corset à uma simples saia de malha, a marca mostra toda uma versatilidade de peças que podem ser usadas o ano todo independente de qual lugar do Brasil você more. Basta escolher!

estilo heavy metal feminino - moda headbander

Uma coisa que eu acho muito legal na Dark Fashion é a personalidade da marca. Quer dizer, a identidade que a marca criou. Ficamos admirando marcas estrangeiras que lançam peças legais como a Iron Fist, Killstar, Disturbia, Hell Bunny - todas elas (e outras) tem uma identidade própria! O "problema" é que o sucesso destas marcas faz com que outras copiem seus produtos, gerando assim um modismo dentro do mercado alternativo e chega um ponto em que metade dos alternativos estão vestidos iguais, ostentando seja por status ou desejo, as mesmas marcas de roupas e acessórios. Quase um consumo "em massa" das mesmas trends. Ué, não seria a moda alternativa que ofereceria diferenciação? Pois é, parte deste mercado se rendeu ao esquema mainstream, resultado do mundo de hoje focado em consumo e poder de compra.

Recentes criação da marca: calças flare de cintura alta em malha!
calça flare em malha

Não importa se a asa de morcego tá sendo um sucesso no exterior, a Dark Fashion pode até pegar uma inspiração, criar algo também de morcego, mas pode crer que não vai ser mais uma de muitas cópias mais do mesmo que a gente vê por aí, vai ser adaptado ao estilo da marca!

As peças de pegada mais heavy metal estão sempre presentes.
O vestido, que tem referências à moda fetichista, recentemente teve sua modelagem aperfeiçoada.
blusinha headbanger com ilhós - vestido estilo fetiche

Cropped Tops estão na moda? Sim!
A loja criou peças adaptadas ao estilo da marca:
cropped top com amarração - cropped top alças cruzadas


As calças também passaram por uma reformulação. Agora ao invés de algodão - que por ser tecido natural desbota naturalmente, é feita num tecido muito usado na moda esportiva, que não desbota fácil e mantém a qualidade e conforto.
legging om ilhós - legging recorte couro

É bom que as marcas brasileiras, mesmo que se adequem aos desejos do mercado consumidor, não fiquem presas ao que o exterior está usando e sim, mantenham a liberdade de criar peças de acordo com o próprio conceito e diversidade nacional. Claro que nós, consumidores, também precisamos passar por um processo de transformação: aceitando e compreendendo mais nosso estilo de vida e não nos prendendo tanto em tentar ter um lifestyle incompatível com nossa realidade. A criação de uma identidade para a moda alternativa brasileira é fundamental, só assim olharemos e criaremos peças que satisfaçam o amplo e diverso público consumidor. Olhar mais para nós tanto quanto olhamos pro exterior.

Dark Fashion realizando meu desejo: luvinhas!! ♥ ♥
luvas de rendaluvinha de renda - luva longa de cirré


A blusa em tela voltou aos estoques com dois tipos de manga:
blusa de tela furadinha

Em recente guest post, Carolina Ribeiro autora do blog Alternativa GG, alertou para o fato que a moda alternativa aqui no Brasil foca muito em balada e pouco no dia-a-dia e uma das poucas marcas que fogem disso é a Dark Fashion. Eu concordo. E mais: infelizmente "moda alternativa" ainda é muito associada à adolescentes magrinhas, é comum que as peças sejam curtinhas ou super decotadas, impossibilitando que sejam usadas em ambientes de trabalho, por exemplo. E nisso a Dark Fashion também sai na frente, várias de suas peças podem ser adaptadas ao gosto da cliente, fazendo valer a pena o custo-benefício de cada uma.

moda headbanger feminina

Espero que tenham gostado dessa amostra de novas peças - tem mais na loja

Devido ao 9º aniversário da marca, durante todo o mês de dezembro várias peças estarão com desconto de 20% a 50% e com frete grátis acima de R$200,00.
 
E fiquem de olho no nosso Instagram que lá sempre posto dicas de peças da loja e pretendo trazer meus looks (recentes e de arquivo) usando Dark Fashion





Acompanhe nossas mídias sociais:

3 de dezembro de 2016

O retorno de Heitor Werneck, lendário estilista alternativo brasileiro

Após quase uma década afastado da moda para o tratamento de um câncer, o produtor cultural e estilista Heitor Werneck está de volta e, agora em dezembro, inaugura nova marca e loja em São Paulo.


Uma das pessoas que me serviu de referência quando decidi me tornar estilista alternativa foi Heitor Werneck. Neste post conto um pouco a história dele, seu passado punk (ele trabalhou com Vivienne Westwood) e sua veia criativa. Convido vocês a clicarem aqui e conhecerem a carreira e as criações dele pra complementar a leitura desta postagem sobre sua volta.

Heitor foi criador da marca Escola de Divinos, que havia voltado à ativa em 2010 (motivo do post citado no parágrafo acima) e que agora retorna novamente no dia 07/12, quarta-feira. A marca originalmente fez parte da história da noite paulistana vestindo clubbers, punks e todo mundo que curtia um visual super diferente. Werneck  também foi realizador do Pulgueiro, que reunia stands de marcas alternativas e modificação corporal. Fez trabalhos como figurinista numa série de produções da Rede Globo (‘A Viagem’, ‘Cara ou Coroa’, ‘Sai de Baixo’ e ‘Vamp’). Mas talvez muitos o associem como o criador do Projeto Luxúria, festa fetichista famosa na noite paulistana!


Na última década o estilista deu um tempo pra se dedicar ao tratamento do osteosarcoma, um câncer ósseo maligno que atingiu sua coluna, ombros e quadril. No decorrer de quase dez anos, submeteu-se a diversas cirurgias, além de sessões de acupuntura, fisioterapia, pilates, quimioterapia, radioterapia e RPG.

Este novo retorno da Escola de Divinos será em parceria com a sex shop Lovetoys, "Lovetoys by Heitor Werneck". Localizada na rua Augusta, 2.729, nos Jardins, em São Paulo. A coleção segue a mesma proposta da Escola de Divinos – peças confeccionadas à mão com predominância de látex e vinil, com destaque para espartilhos e corsets. A linha aposta no segmento genderless (sem gênero) e terá ainda itens exclusivos para os crossdressers. 

É aguardar pra ver as novas peças (estou super curiosa!) e quem estiver em Sampa não pode deixar de visitar a loja e ver de perto as criações do Heitor!
#ficadica


Acompanhe nossas mídias sociais:



http://candycolor.com.br/site/


27 de novembro de 2016

Joe Corré, filho de Vivienne Westwood e Malcolm McLaren queima históricas peças Punks criadas por seus pais.


"O Punk se tornou ferramenta de marketing para vender algo que você não precisa. A ilusão de uma escolha alternativa. Conformidade em outro uniforme." - Joe Corré


god save the queen shirt vivienne westwood
Joe Corré queima a camiseta "God Save the Queen", criação de seus pais na década de 1970.

Como já havíamos noticiado aqui no blog no começo do ano, Joe Corré, filho de Vivienne Westwood e Malcolm McLaren anunciou que queimaria a memorabilia punk herdada de seus pais, que chega ao valor de pelo menos 5 milhões de libras.

O motivo?
A cooptação da subcultura punk pelo mainstream.

Durante todo o ano de 2016 comemorou-se os 40 anos da subcultura Punk. Dentre estas comemorações o "Punk London" foi cheio de exposições, debates e palestras em museus, na British Library e no British Film Institute. Tudo aprovado e abençoado por ela, a "God Save the Queen", Rainha Elizabeth II.

"A rainha ter dado a bênção aos 40 anos do Punk foi a coisa mais assustadora que ouvi. É a apropriação da cultura punk e alternativa pelo mainstream... Ao invés de um movimento por mudanças, o punk se tornou uma peça de museu ou de atos de tributo. O punk nunca, nunca significou ser nostálgico - e hoje você pode aprender como ser punk num workshop no Museu de Londres." - Joe Corré 


Neste sábado 26 de novembro (data do aniversário de 40 anos da subcultura na Inglaterra), Corré queimou sua memorabilia num barco no rio Tâmisa acompanhado de sua mãe Vivienne Westwood. Em terra, houve protestos de punks querendo sabotar o ato que foi transmitido por live streaming.

 Joe Corré burning punk memorabilia
memorabilia punk queimando

Além de simbolizar revolta com a apropriação da cena musical pelo mainstream, bonecos de políticos ingleses como David Cameron, Theresa May e George Osborne foram queimados vestindo as roupas históricas dos primórdios da moda punk, junto com pôsteres, álbuns, cartazes e outras peças de época.

memorabilia punk on fire
Na faixa vermelha, corporações como Monsanto, Bayer e McDonalds são criticadas.

A hipocrisia está no centro desse ato de Joe Corré. Ele disse que nos últimos 40 anos houve um sequestro da anarquia no Reino Unido. Corré pediu aos que assistiam ao espetáculo para confrontar tabus e não tolerar hipocrisias ao mesmo tempo em que ele e sua mãe alertavam sobre os perigos de uma mudança climática. Sempre engajados em causas sociais e políticas, mãe e filho aproveitaram para colocar o lado ativista em prática pedindo que as pessoas adotem energia verde, que seria o primeiro passo para um mundo livre e "a coisa mais importante que você poderia fazer em sua vida".

Dizeres no barco: "Extinção! Seu futuro"

"Londres está sendo socialmente limpa e transformada num parque temático para corporações, cadeias de lojas e especuladores que não pagam seus impostos. Algumas pessoas estão muito preocupadas com o preço desses artefatos, mas a conversa que precisamos ter é sobre valores. O Punk proporcionou uma oportunidade para que a geração dos anos 1970 criasse uma saída - não confiando na mídia, não confiando nos políticos, investigando a verdade por si mesmos - o "faça você mesmo". O punk está morto e é hora de pensar em outra coisa". - Joe Corré

Esta fala de Joe Corré sobre o Punk estar morto e ser a hora de pensar em outra coisa, se liga com a fala de Kathleen Hanna sobre o movimento Riot Grrrl. Ela também não curte a nostalgia sobre e alegou que ao invés de tentar reviver o movimento Riot era melhor a geração atual criar um novo movimento. Fica aí a reflexão sobre estarmos mesmo cooptados pelo mainstream, sobre deixarmos de questionar e simplesmente aceitar o status quo, e sobre não estarmos criando coisas novas, apenas relendo o passado.


Vivienne Westwood apoiou o ato do filho e convidou os presentes para enfrentar a hipocrisia da política e das grandes corporações. Pediu que todos se engajem em causas ambientais. Um "faça você mesmo" a mudança, chega de ficar à mercê dos poderoso$.
 climate revolution


Durante o ano, tanto John Lydon quanto fãs de punk questionaram porque ao invés de queimar, Joe Corré não vendia as peças e doaria o dinheiro à caridade?
Corré respondeu dizendo que "quem irá comprar as peças?" - que por serem relíquias, são caras - "Elas vão parar na parede de algum banqueiro". Pelo valor, as peças não seriam compradas por punks reais e sim pela elite. Justamente a elite que explora o mundo.

Tudo isso está sendo documentado para um filme e segundo Corré, 80% dos fundos serão doados para causas ambientais e de mudança climáticas. Mas ele não queimou toda sua coleção, alguns itens de valor sentimental permaneceram, como as roupas que ele ajudou sua mãe a costurar quando ainda era um garotinho.

"O Punk tem sido castrado e neutralizado pelo setor corporativo e pelo Estado. Pendurado, esticado e esquartejado. Os jovens de hoje, jovens zangados, precisam de soluções reais, não do uniforme agora conformista, higienizado e esterilizado do punk. Não tem mais moeda. O Punk perdeu toda a sua mordida."- Joe Corré

Independente de ser contra ou a favor, algumas coisas são fato: a família continua com atitude punk. Continua questionando a forma que a sociedade funciona. Continua cutucando e abordando temas relevantes.

De alguma forma, Corré e Westwood mantém vivo o legado questionador dos primeiros punks. Talvez seja realmente a hora um engajamento em causas sociais que nos identificamos. A mudança pode vir de baixo, já que os de cima -  políticos e grandes corporações - não vão eles mesmos acabar com o próprio poder.  
Punk realmente não é nostálgico, como abordei neste artigo, os jovens dos anos 70 ironizavam o passado e queriam viver de forma diferente de seus pais. Não usavam a moda, criavam uma anti-moda. Não ligavam para o conceito tradicional de beleza: as meninas cortavam cabelos curtos e faziam maquiagens chocantes. Os rapazes rasgavam roupas. 

Queimar a memorabilia acabou sendo um ato punk! 
Punks desconstruíam conceitos. A queima desconstrói a importância histórica de um objeto, da roupa de museu; desconstrói o conceito de "relíquia", algo simbólico que deve ser salvo e guardado.
O ato foi provocativo. 
Foi mais um capítulo digno de registro dos criadores da subcultura Punk na Inglaterra.

Marketing ou não, eles aproveitaram para dar um alerta real sobre problemas ambientais que nossa geração enfrentará arduamente nas próximas décadas, enfrentaremos o caos se fecharmos os olhos. 
O "no future" será nosso fardo se não mudarmos o presente.



E você, achou polêmico? É a favor, contra, tem questionamentos? Acha que o punk está morto? Acha que virou marketing e moda esvaziada de sentido? Opine à vontade!



Acompanhe nossas mídias sociais:

16 de novembro de 2016

Todas as facetas do Punk │Minor Threat e o filme Suburbia

Os visuais punks são dos mais ricos, devido à várias subdivisões. Hoje em dia punk pode ser tanto usar roupa básica e ser cheio de tattoos (como o pessoal do hardcore) quanto ser um streetpunk ou ter um visual skinhead.

Artigo de Helena Machado, colaboradora e autora do blog Aliena Gratia.


“Nunca acredite em uma criança hardcore que
não tenha escutado punk rock”,


Roger Miret do Agnostic Front em uma clara influência do punk no hardcore, seja no som ou nas roupas
(básicas mas com o corpo tomado por tattoos).


Streetpunk e seu moicano colorido: 
uma característica da estética punk é a agressividade no visual.


Para os que tem dúvidas, aconselho ver um filme chamado “Suburbia” (1984) de Penelope Spheeris, boa parte dos estilos que falo estão lá, desde o pós-punk até o skinhead, passando pelos batons vermelhos e cabelos curtos desconectados que divas punks como Brody Dalle popularizaram. Voltando ao filme Suburbia, ele trata os punks como jovens deslocados na sociedade, com traumas e problemas domésticos. Esses jovens encaram sua escolha em ser punk como uma saída para seus problemas em casa. É em uma espécie de gangue, TR – The Rejects, Os Rejeitados (obviamente pela sociedade e família), que eles encontram pessoas que realmente os acolham em suas características singulares. Os jovens que inicialmente possuem atitudes agressivas e chocantes revelam-se verdadeiras crianças quando são colocados em situações difíceis. No TR, um serve como apoio ao outro e válvula de escape.

Suburbia: Punks de cabelos descoloridos ou muito pretos, jaqueta de couro, jeans rasgados, bondage trousers e coturno, influência skinhead do chapéu e bengala (ou taco no caso dos hooligans) visto em “Laranja Mecânica” (veja aqui), parkas dos mods, suspensório, careca e coturno típico dos skinheads. E até o pós-punk que já começava a dar as caras. Todos esses estilos, com a atitude “Do it yourself”, “Faça você mesmo”. Não tinha essa de comprar nada não…


Há também no filme a influência original dos punks de negarem as drogas, um princípio do que o Minor Threat (que é uma banda punk/hardcore) faria como precursores do início do Straight Edge. Entre os motivos de alguns punks serem contra as drogas, é que elas lembravam o mundo lisérgico dos hippies. Por isso também os punks cortam seus cabelos, cabelos compridos lembram hippies, que era tudo que eles negavam, uma geração que não deu certo [+ aqui].

A banda Minor Threat fundiu atitudes e peças do estilo punk, como a cabeça raspada, o coturno e o jeans rasgado à outras esportivas, como o tênis Vans (precursor dos skatistas), meia, munhequeiras e agasalhos esportivos. Embora muitos se esqueçam, o hardcore inicial foi muito influenciado pelos hooligans, que começavam a assistir jogos de futebol com roupas esportivas para não serem identificados como skinheads, que causavam confusão por onde passavam. Aí começa a ascensão da marca Lonsdale (a principal marca de agasalho dos hooligans/skinheads na Inglaterra ainda hoje).

A banda Minor Threat

Em Suburbia, personagem skinhead/punk que é contra o ato de um dos integrantes do TR usar drogas e acaba batendo nele por isso. Aliás a agressividade é uma das marcas deste, um dos mais marcantes do filme.


Outra cena marcante do filme é de quando esse mesmo jovem skinhead começa uma confusão em que as roupas de uma moça são arrancadas no meio de um show punk, logo após dele assediá-la. O vocalista da banda punk que está se apresentando (em um ato e revolta contra os jovens agressivos), fala para eles deixarem a moça em paz e curtirem o show numa boa. O que acaba não acontecendo e o show acaba. É por causa dessas atitudes que infelizmente não acontecem somente na ficção, que a sociedade acaba rotulando o punk de agressivo. Por causa de alguns indivíduos com uma postura agressiva todo o movimento fica marcado como agressivo. Eu penso que as pessoas são preconceituosas, não somente com o punk mas com outros gêneros do rock. A sociedade tem medo das pessoas do meio underground porque acabam ligando seu visual agressivo à atitudes agressivas de alguns. Mas esquecem que como em todos os lugares do mundo, há indivíduos de bom caráter e outros nem tanto.Não poderia ser diferente com o meio underground.

* Falamos [aqui] sobre como a agressividade adentrou na cena punk.



Outro filme em que a estética punk é abordada de maneira agressiva é no filme Taxi Driver (1976) de Martin Scorsese. A época em que o filme foi rodado coaduna com o período em que o mundo conheceu o punk. Foi clara a referência de Scorsese aos punks, como já foi dito em entrevistas do diretor, embora em nenhum momento Travis Bickle (Robert De Niro) declare ser punk. Travis é um motorista de táxi que de tanto ver coisas erradas na rua à noite, como a prostituição de crianças, se acha na obrigação de fazer algo, mesmo que esse algo não seja a coisa certa a fazer. Há uma mudança de atitudes do personagem e o seu estilo, corte de cabelo e parka militar é o ápice dessa mudança e revolta.



O punk continua influenciando muitas pessoas, elas estão por aí, embora nem todas tenham uma cara estereotipada de punk, preste atenção nos detalhes. E atitudes.




Artigo de Helena Machado em colaboração com o blog Moda de Subculturas. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo aqui presente sem autorização prévia do autor. É permitido citar o texto e linkar a postagem. É proibido a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, porém, a seleção e as montagens das mesmas foram feitas por nós baseadas na ideia e contexto dos textos. 


Acompanhe nossas mídias sociais:
Instagram Facebook Twitter Tumblr Pinterest  Google +  Bloglovin´       


http://candycolor.com.br/site/


11 de novembro de 2016

Style Tribes - The Fashion of Subcultures │ (Resenha + livros de Subculturas)

No século XX com o advento da industrialização e da globalização surgiu entre os jovens diversas subculturas. Elas ganharam interesse da mídia que as levaram ao mainstream e à indústria da moda. Estes são temas recorrentes aqui no blog, e neste post vou falar um pouco sobre livros de subculturas.

Capa e contracapa do livro Style Tribes - The Fashion of Subcultures

Às vezes me perguntam qual livro de subcultura uso e qual recomendo. Eu pergunto: "o que você procura?", daí posso direcionar a pessoa à determinadas publicações. Não uso um livro só, pois não conheço um livro de subcultura que abranja todas as questões relativas à moda, sociologia, antropologia e comportamento, tudo super completo. Existem obras mais acadêmicas e obras mais “leves” e direcionadas à determinado tema. Existem até livros bem superficiais que visam apenas a diversão. Ao longo desses anos de estudo, o que aprendi foi resultado da leitura de muitos sites ao redor do mundo, não apenas de subculturas, mas também de moda, de comportamento, de consumo, de história, de sociologia e antropologia para que as ideias possam ser ligadas e situadas. Muitas vezes, pessoas falando sobre suas vivências em subculturas nos fornecem de forma mais dinâmica informações não contidas em livros. Tudo isso resulta em análises que são conclusões pessoais de quem estuda um determinado tema.

Adorei o capítulo "Harlem Renaissence". 
Foi a primeira vez que vi essa subcultura em livro.

Existem centenas de livros sobre subculturas, mas nem todos falam exclusivamente sobre suas modas. Por isso o blog foi criado, pra focar na questão Moda, algo que na época não era tão fácil de achar. Existem ótimos livros de antropólogos e cientistas sociais sobre as culturas juvenis e por incrível que pareça, de todos as obras que li até hoje, nenhuma delas sanou 100% minhas dúvidas e curiosidades sobre moda, e talvez por isso mesmo sempre quero ir atrás do que não encontrei respostas, pesquisar e criar as próprias análises e artigos.
 

Conseguir um livro de subculturas pode ser uma saga. Você normalmente precisa importar. E sim, tem que estar disposto a gastar. É um campo de estudo caro devido à falta de material no Brasil. A média é R$100 por livro contando o frete internacional. Mas pode passar de R$200 por livros mais raros ou antigos. Isso explica porque a gente aqui do blog precisa daquele tempo pra postar sobre uma subcultura. O porquê de precisarmos do apoio dos leitores ou patrocínio de anunciantes que querem que o conteúdo permaneça num bom nível cultural e intelectual. E explica porquê a gente fica tão puta quando plagiam nossos artigos. Às vezes precisamos ler 3 ou 4 livros pra apenas um tema de pesquisa. É importante a gente ir criando este acervo de referência pra oferecer sempre o melhor. Somos exigentes mesmo. Cansei de ler artigo ruim sobre subculturas que eternizam clichés e estereótipos, criam preconceitos... um tema tão rico deve ser bem divulgado, para que mais pessoas que se dizem alternativas, possam entender as subculturas que pertencem e até mesmo as que criticam.


Outra coisa ruim dos livros de subculturas: eles ficam datados.
Quer dizer, aquele livro de moda gótica lindo que li 5 anos atrás hoje está metade vencido! Algumas infos históricas permanecem, claro, mas de cinco anos pra cá veja quanta coisa mudou na moda gótica! E veja quanta coisa aconteceu em termos de comportamento! Então tem isso também... A gente gasta uma grana já sabendo que daqui uns anos vamos ter que comprar um livro novo do mesmo assunto.
Talvez por ficarem datados (valendo como referência histórica) isso explique porque alguns livros não são relançados nem reeditados: porque é mais fácil criar um novo e atualizado.
Outra questão: vários livros são lançados por autores independentes, pessoas como nós que estudam e decidiram lançar suas obras por editoras pequenas, por isso não temos versões nacionais traduzidas e temos sempre que importar.

Existe um filme chamado "Northern Soul - No Ritmo da Vida"
que mostra o surgimento desta subcultura, vocês já assistiram?


Style Tribes - The Fashion of Subcultures
Sobre o livro Style Tribes - The Fashion of Subcultures, cujas páginas ilustram este post, ele foi lançado em 29 de setembro na Inglaterra e recentemente recebi minha edição. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a semelhança do nome do livro com o nome do blog (Fashion of Subcultures) pois eu ainda não tinha me deparado com o termo sendo usado de forma "oficial" em inglês; no Brasil, o termo foi cunhado por este blog*. 


O livro apresenta vários pontos que já tocamos aqui, como a questão da individualidade; sobre desde a década de 90 os estilos estarem mais misturados e sobre a cooptação das subculturas da moda mainstream - tendências do underground que viram alta moda. Tudo isso é abordado superficialmente em pouquíssimas páginas. Nossos artigos no blog são até mais profundos.
Fico de certa forma impressionada sobre como o blog está no mesmo nível de informação que vem sendo difundida no exterior, não é porque somos brasileiras que somos inferiores. Em alguns casos, talvez nosso trabalho aqui seja até superior, pois como eu disse ali em cima, quando saímos pra buscar informações, são exatamente elas que tornam uma postagem mais completa que o conteúdo de alguns livros que não sanaram nossas dúvidas. Seria bom ver os brasileiros valorizando mais o que é publicado no Br tanto quanto se empolgam por material estrangeiro. Quer dizer, se estão dispostos a pagar 100 reais num livro razoável, poderiam estar dispostos a investir alguns reais patrocinando bons blogs nacionais. Isso é o mais difícil até mesmo no mercado da moda: acreditar que não somos inferiores aos gringos e acabar com o vira latismo. Seria bom confiar mais no que produzimos e criamos e apoiarmos os diversos sites/blogs brasileiros que produzem o próprio material sobre cultura alternativa.

Mais sobre o livro:
A autora, Caroline Young, é escocesa, jornalista e escreve livros sobre moda e figurino. Para esta obra ela conta que a inspiração veio ao observar as criações em tartan de Vivienne Westwood, e a partir disso, do tartan como um símbolo subversivo, ela foi atrás de descobrir porque cada subcultura usa um estilo específico de moda. Ela conta que sua irmã mais velha frequentava festas Trance na década de 90 (subcultura presente no livro) e usava o visual daquela tribo. A autora se declara fã de Disco, que também tem seu capítulo, e comenta que recentemente a tribo em "voga" era os Hipsters com suas barbas e tatuagens.


O livro tem uma qualidade gráfica maravilhosa, as fotos são lindas (pra uma apaixonada por subculturas toda foto eu acho linda haha!) e aborda do século XX até hoje. E sim, não tem todas as subculturas, mas tem as “básicas” que encontramos em outros livros e outras mais recentes como os Emos e os Sapeurs e outras que nem sempre vemos facilmente como o Goa Trance e o Britpop!


A autora também comenta algo que abordamos aqui no blog: a questão de os jovens desejarem criar seus visuais em contraste com o de seus pais e mostrar pra sociedade o estilo que vestem, como que mostrando que existem, que importam: a moda sendo usada tanto como rebelião e autoridade quando pra expressar o individualismo.
As subculturas e tribos de estilo se organizam em grupos com características estéticas específicas que servem para as pessoas que se interessam pelos mesmos assuntos se identificarem e se reconhecerem uns aos outros, o que resultará, provavelmente, em amizade - daí, surgem os grupos.


Uma coisa que fiquei meio perdida foi com a foto da capa: duas blogueiras famosas vestidas de forma semelhante, tipo BFFs. Eu estava curiosa sobre qual tribo de estilo a autora as teria encaixado, mas a imagem não está contida dentro do livro. Isso me frustrou um pouco, porque ficou soando como "colocar na capa duas blogueiras estilosas e famosas pra atrair possíveis fãs e compradores”. Só que eu queria saber onde essas meninas se encaixariam nos conceitos da autora... fiquei no vácuo. 

Fiquei feliz de ver os Sapeurs, uma das minhas tribos preferidas!!

Mas fica aí a dica! De minha opinião é um livro legal, de pesquisa bem feita, ótimo pra decorar e folhear despretensiosamente suas imagens lindas. Em termos de conteúdo e detalhes há outros que prefiro por serem mais aprofundados - que inclusive costumo postar fotos deles no nosso Instagram ocasionalmente.

Ah e o livro tem apresentação da Shirley Manson! Achei um pouco técnica, vindo de uma artista com tanto estilo pessoal [aqui] e apreço por moda como ela, eu esperava algo menos teórico. Mas tá valendo! ;)


Ah e se vocês decidirem comprar o livro agora ou depois, comprem do
link do quadrinho
abaixo, é uma forma de vocês ajudarem o blog!! 




* cunhar: segundo dicionário, "tornar alguma coisa notável; adotar; tornar saliente".



Acompanhe nossas mídias sociais:
Instagram Facebook Twitter Tumblr Pinterest  Google +  Bloglovin´   





http://candycolor.com.br/site/


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Pin It button on image hover