.Moda de Subculturas: Moda e Cultura Alternativa.

10 de fevereiro de 2016

A androginia de David Bowie e sua influência nas bandas de Rock


“Estou usando o rock'n'roll como um meio, acho que ele nunca foi bem representado.
Quero que seja o instigador de novas ideias para que as pessoas tenham novas perspectivas.
Eu sempre quis ser esse tipo de catalisador”.

(David Bowie no documentário David Bowie: Five Years in the making of an Icon)




A androginia de David Bowie e Ziggy Stardust:
quebrando conceitos e pré (conceitos)


A androginia define uma pessoa com a combinação de características culturais, tanto masculinas (andro) quanto femininas (gyne). Esse ser se identifica e define com sentimentos e comportamentos masculinos e femininos. É complicado definir qual o gênero de um andrógino por sua aparência, pois na maioria das vezes os homens usam adereços femininos e as mulheres masculinos, ressaltando a dualidade de gêneros. Ao contrário do que muitos pensam, a androginia não diz muito sobre a orientação sexual de alguém. Uma pessoa andrógina pode ser hétero, gay, lésbica, bi, trans...É um estilo de vida.

David Bowie foi a primeira referência autenticamente andrógina no rock e no pop. No glam era o que mais ostentava isso, talvez por ser o que mais tivesse características físicas naturais para tal estética. E o amor de Bowie pela androginia mexeu muito com as estruturas já abaladas na sociedade, desde a liberação sexual feminina nos anos 50/60, os estudos feministas, a abertura para estilos, como o rock que quebravam padrões de comportamento, o gingado de Elvis, a maneira que Chuck Berry tocava sua guitarra e a liberdade sexy de Ann Margret rebolando enquanto cantava. Os Beatles e Rolling Stones também fizeram parte da mudança, inserindo cabelos cada vez mais longos e atitudes cada vez mais loucas, sem perder o estilo e conceito de seus trabalhos.

A ideologia hippie mudou o mundo com a liberdade sexual, sua “pregação” pela paz livre de preconceitos e seus longos cabelos. Eles fizeram parte da estrada do glam rock. Mas nada tão enfático como foi o glam, em termos de conceito, quebra de estereótipos de gêneros e crítica.
O glam rock não foi apenas Bowie, mas ele é o mais icônico. O rapaz que era o melhor aluno de sua escola em artes desde criança, que pretendia fazer com a música o que Andy Warhol fez com a Arte. Ele abriu caminho para os homens do hard rock usarem maquiagem e apetrechos femininos sem duvidarem de sua masculinidade. Twisted Sisters, Kiss, Mötley Crue e Poison, só para ficar entre as mais populares.


No Arquivo N, Pedro Bial comenta que o músico sempre almejou a fama desde criança. Em outro vídeo exibido pela BBC, com apenas 17 anos defende o uso de cabelo comprido para os homens. Bowie havia participado de um protesto em 1964, através da “sociedade para prevenção da crueldade contra homens de cabelo comprido” que ele mesmo havia inventado. Já parecia um rock star na época, altamente influenciado por Mick Jagger que seria seu amigo posteriormente. E também já tinha percepção da importância do marketing e identidade para o artista, herdado diretamente das artes plásticas e estudos de artistas que considerava importantes. O cabelo comprido também foi um dos primeiros sinais da androginia que o popularizaria anos depois como um dos maiores ícones da cultura pop.

Na infância

Aos 17 anos


“Você mantém sua mãe em uma vertigem, ela não sabe ao certo se você é um garoto ou uma garota.(...) Você gosta de mim e eu disso tudo. (…) Você gosta de bandas quando elas tocam bem. Você quer mais e você quer rápido. Eles te poem para baixo, dizem que estou errado. Você pega as coisas você as coloca para cima. Rebelde, rebelde você rasgou seu vestido.
Rebelde, rebelde seu rosto é bagunçado. Rebelde, rebelde como eles poderiam saber? (…)

- Rebel, rebel (1974)

Bowie foi o primeiro Rock Star a se declarar publicamente bissexual. E quem o ajudou a ir para esse lado foi Angie, logo no primeiro álbum. Ela, também declaradamente bissexual, foi uma forte influência na construção andrógina de Bowie. Há uma lenda, não se sabe se é verdade ou não, que se conheceram porque estavam ficando com o mesmo cara. Também não formavam um casal comum, os gêneros dos dois parecem trocados, enquanto Bowie usa roupas e cabelos “femininos”, Angie se apropria de itens “masculinos”. Tudo isso segurando o filho Duncan Jones (na época Zowie) no colo. Uma nova família diferente dos padrões até então estabelecidos, um novo padrão comportamental incompreendido pela sociedade. Lembrando que tudo isso aconteceu no início da carreira dele, essas fotos são do ano de 1971.



Seja na fase Ziggy Stardust ou com suas outras personas, sempre abraçou a androginia. Ele fez disso uma bandeira pessoal que o acompanhou durante toda sua carreira. No vídeo de “Boys Keep Swinging” de 1979, aparece triplicado travestido como drag queen, na hora do coro.


A influência foi da trans Romy Haag, com a qual ele teve amizade e dizem por aí, um caso quando moravam em Berlim.

Obviamente, ele faz uma crítica aos privilégios que os garotos ditos “normais” possuem na sociedade.

“O céu te ama/ As nuvens se abrem por você/ Nada fica em seu caminho/
Quando se é garoto/ Você tem seu quinhão/ Quando se é garoto ”
- Boys keep swinging (1979)

Em 2013, lança o videoclipe “The Stars (Are out tonight)” dirigido por Floria Sigismondi. Inspirado na semelhança com Tilda Swinton, sua amiga de longa data, em que os dois brincam com a aparência e os papéis dos gêneros, o que é atribuído ao homem e a mulher seja esteticamente ou no comportamento. Bowie e Tilda interpretam um casal convencional que tem sua vida mudada ao se tornarem vizinhos de um casal de celebridades andrógino, interpretados pelos modelos Andreja Pejic e Saskia de Brauw (andróginos na vida real).

Da esquerda para a direita: Bowie, Andreja Pejic,
Saskia de Brauw e Tilda Swinton

Tilda e Bowie: troca de gêneros novamente revisitada

Há flashes no videoclipe de uma de suas personas, “Thin White Duke”
interpretado por outra modelo andrógina, Iselin Steiro.

Podemos observar também nesse vídeo que todos os personagens mudam, menos Bowie. É sabido que andrógina também é a aparência de Tilda e obviamente o músico traz à tona uma das questões que adora abordar. Após sua morte, surgiu rumores sobre trazer uma biografia dele para o cinema, em que Tilda é a principal cotada para interpretá-lo.

Sobre a androginia, Bowie diz que Ziggy Stardust era uma espécie de sacerdote mitológico. "Hoje eu posso falar isso, mas naquela época eu não sabia que a androginia de alguns sacerdotes tribais ao longo da História se devia ao travestismo natural. Só sei porque li os textos da Camille Paglia".

Camille Paglia, teórica de estudos pós-feministas atuais, afirma que Ziggy Stardust foi uma espécie de colosso que marca uma enorme transição entre os anos de 1960 e 1970. Para ela, os anos de 1970 foram uma época obscura em que a promiscuidade sexual foi praticada de uma forma nunca tão universal desde o Império Romano. Sexo sem consequências, sexo anônimo, pegação em clubes noturnos... Ziggy Stardust apareceu e se tornou uma prefiguração, quase o livro do Apocalipse. Uma alucinação do iminente fim do mundo.

David Bowie performs on stage on his Ziggy Stardust/Aladdin Sane tour in London, 1973.(Photo by Michael Putland/Getty Images)

Não concordo como Camille Paglia teoriza em seus estudos, ela diz que a mulher usa a androginia para anular o homem, assim ela pode ser como quer. Mas tenho que afirmar que Ziggy Stardust foi uma espécie de “alegoria” do fim dos tempos, pois todos os papéis divididos entre homem e mulher, os personagens que cada um ocupa na sociedade desapareceram. Bowie aparecia com Angela e não sabíamos qual deles era o homem ou a mulher, ou se eles eram ambos. A liberdade sexual de Bowie aflorava no palco através de seu figurino exibido, quase como um tapa na cara da sociedade. Na plateia garotos e garotas tentavam agarrar Bowie e ele fazia performances com seu guitarrista Mick Ronson no palco, com trejeitos explicitamente sexuais, embora isso fizesse parte apenas do imaginário sexual do público.


“Na época foi bastante natural para mim reunir todas as referências artísticas e culturais que eu adorava. Eu criei algo inteiramente artificial, mas era eficiente nos limites do rock'n'roll”.
(sobre Ziggy Stardust)

Bowie misturou referências estéticas variadas como Andy Warhol, Japão, moda, espaço, Lou Reed, Marc Bolan. “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, desde o início pretendeu ser um álbum conceitual grandioso. Criou para ele uma persona, um alienígena, chamado Ziggy Stardust. Ele vem à Terra com a intenção de passar uma mensagem de esperança nos últimos cinco anos de existência do planeta que iria acabar devido à escassez de recursos naturais.

“Eu tinha encontrado meu personagem, “Um homem contra o mundo” reverberava na minha cabeça. Era algo que eu tinha me apegado muito.”
(David Bowie em Five Years)

Com o alienígena Ziggy Stardust, demorava cerca de duas horas para se maquiar (igual o Gene Simmons do Kiss) e foi o primeiro artista pop a usar vestido curto no palco. O personagem tinha referência estética de Lou Reed, Marc Bolan e Iggy Pop, sendo construído após voltar de Nova York. Na reportagem da Vice, revela que o cabelo de Ziggy teve influência de um corte visto em uma revista de moda ou em um desfile de Kansai Yamamoto. Yamamoto foi o primeiro estilista japonês a desfilar em Londres, Bowie o conheceu e depois o convidou para criar um figurino especialmente para Ziggy. Uma das influências da criação foi o teatro Kabuki. Não se sabe se essa influência veio por causa da parceria com o Kansai Yamamoto, mas em uma fase do kabuki as personagens femininas eram interpretadas por homens. No começo, as mulheres interpretavam papéis femininos e masculinos. O kabuki possui muita semelhança com o conceito da reflexão sobre os gêneros de Bowie.


Kansai Yamamoto criando as roupas de Ziggy Stardust

Outra versão do porquê se interessou tanto pela androginia é oferecida por Angela. Segundo Angie, a contribuição dela para os conceitos de Ziggy Stardust foram enormes e ele nunca assumiu isso. Quando estavam juntos, teria sugerido que Bowie seguisse a linha andrógina e bissexual. Angie tinha tido suas primeiras experiências bissexuais na adolescência, isso foi uma inegável influência ao músico. Tirando os anos 80 e o envolvimento com os new romantics, o período mais rico de seus figurinos era quando estavam casados.

No início da carreira de Bowie, muitas de suas roupas foram feitas pela esposa que tinha aprendido a costurar no colégio interno. Ela havia cortado o cabelo mullet e platinado bem antes dele. Os dois cortaram ligações, provavelmente devido as revelações que Angela fez em livros lançados após o divórcio. Bowie era discreto e não gostou de ver exposto sua promiscuidade e até mesmo um suposto caso com Mick Jagger. Angie afirma que ele a baniu da indústria, tinha raiva dela e por esse motivo nunca iria admitir sua participação em seus conceitos. Outro rancor que possui foi a exclusão do filho deles, Duncan Jones. Bowie ganhou a guarda de Zowie aos nove anos, oferecida pela própria Angie, que diz ter tido o filho pois o cantor havia perdido o pai e os dois eram muito ligados.

Angie elaborando uma das roupas de Ziggy Stardust

O casal

Angie usando top com "seios" de cone antes de Madonna

Angela Bowie: estilo andrógino, sobrancelhas raspadas e cabelos com mullet antes de Bowie

Com o filho Duncan Jones, na época, Zowie.

Homenagem da Vogue América, em 2001

Em momento algum Bowie cita Angie como influência, ele atribuía ao Kansai Yamamoto a estética de Ziggy, mas ela contraria, diz que a ideia saiu das páginas da Vogue. De qualquer forma, Bowie foi adepto do colecionismo e até mesmo imitação, como um ser que mimetiza o espaço no qual está inserido sempre mudando de forma, mas apegado às diversas influências e inspirações vistas no decorrer da carreira como artista:

“Sempre achei que coleciono coisas, sou um colecionador. Acho que sempre colecionei personalidades e ideias”. (David Bowie em Five Years)

É um fato que o seu próprio biotipo, magro, com um rosto bonito porém estranho, além de uma hipercromia nos olhos resultante de uma briga, formavam uma fusão perfeita com o estilo andrógino, esquisito, colorido e ainda assim, melancólico de Bowie. Era outro tipo de beleza e era lindo: Oh! You pretty things!

Não podemos nos esquecer dos momentos que antecediam a entrada do personagem antes do show. Por causa de sua formação em artes visuais (estudou arte, música e desenho), Bowie sabia da força da performance artística e da criação de uma imagem. Declarou em entrevistas que pretendia fazer algo parecido com o que Andy Warhol fez nas artes plásticas, porém na música e em suas performances.

À esquerda Andy Warhol, artista admirado por Bowie (no filme de Jean Basquiat interpretando o próprio)

Bowie conseguiu juntar a estética do glamour e estranheza com a crítica da comunicação de massa tão exposta por Warhol. Anos depois ele declarou: “Não conseguia decidir se estava criando os personagens, se eles me criavam ou se todos éramos um só”. Ele tinha medo que essa confusão o levasse à loucura. Segundo o músico, a fama faz com que o homem se aproprie das coisas. A imagem que você passa não tem a ver com sua vida. "Já vi muitas imagens, porque, claro: é como retirar partes de vários filmes de um ator. Sou um contador de histórias, um escritor e escolhi representar no palco o que componho em vez de me apresentar como eu mesmo".

Em trecho de uma entrevista do documentário "David Bowie: Five Years", um repórter é repreendido por Bowie ao argumentar:
Repórter: - Você é diferente da maioria dos astros do rock.
Bowie: - Não sou um astro do rock. Não faço rock'n'roll.
Repórter: - Interessante.

Obviamente ele tinha uma impressão diferente sobre o que estava fazendo, suas criações estavam mais próximas da arte e da moda que do próprio rock'n'roll que era um meio.

O Ziggy Stardust era extremamente crítico, pois foi criado em plena corrida espacial. Enquanto o mundo via o acesso ao espaço sob o prisma alegre da novidade, duas nações lutavam pelo poder mundial com alta tecnologia e demonstração de quem seria precursor da chegada ao espaço, EUA ou URSS. Além disso, há uma revolução cultural presente na comunicação de massa (televisão, revistas, jornais e outros), David Bowie não deixará de criticar essa repetição de notícias que levam ao esvaziamento de sua importância, tendo como herança Andy Warhol, os teóricos da escola de Frankfurt e outros associados posteriormente à essa última. As transmissões de tvs em cores começaram a aparecer nos anos 60. E consequentemente a crítica de como atingia e formava opiniões das pessoas.

Assim como acontecimentos políticos presentes no momento em que a canção foi feita, logo depois de 69 o ano em que tudo aconteceu, da chegada do homem à lua pelos americanos e a chegada de duas naves soviéticas no espaço. Martin Luther King, defensor dos direitos igualitários, havia morrido em 68 e em maio do mesmo ano, havia acontecido a greve geral na França, uma insurreição popular em que participaram pessoas de diversas camadas sociais, etnias e idades. Bowie diz em "Five years": “Sou um bom observador da sociedade, e acho que encapsulo áreas todo ano. E tento demonstrar e fixar a quintessência daquele ano.”

Lança em 1973 um single com uma das mais belas canções de espaço: “Life on Mars?”. Escrita em 1971, é a visão do alienígena sobre o que está ocorrendo no mundo durante aquele momento. Em um tom irônico e melancólico ele deixa subentendido, questiona se existe vida (pensante) na Terra. Temos que lembrar que Ziggy é de Marte:



Ela está vidrada na tela prateada, mas o filme é tristemente chato pois ela o viveu dez vezes ou mais/ ela poderia cuspir nos olhos dos tolos/ quando eles pedissem para ela se concentrar nos marinheiros brigando no salão de dança/ Ah, cara! Olha aqueles homens das cavernas irem/ é o show mais monstruoso/ Dê uma olhada no homem da lei espancando o cara errado/ Ah, cara! Imagino se um dia ele vai saber/ Que ele está no show que mais vende/ Há vida em Marte?/ Está na testa torturada da América que Mickey Mouse virou uma vaca/ (...) Veja os ratos em suas milhões de hordas/ De Ibiza até os Campos nórdicos/ Governar o Reino Unido está fora de alcance/ (…) Mas o filme é tristemente chato/ Porque eu o escrevi dez vezes ou mais/ Está prestes a ser escrito de novo/ Enquanto eu peço que você se concentre (…)

Marte é o planeta masculino por natureza, regido por Ares (grego)/ Marte (romano) deus da Guerra. Então marte é domínio dos homens, das suas ações e impulsos de força. E até nisso Ziggy Stardust transforma seu conceito em algo peculiar e interessante.


David Bowie e suas influências:
da androginia aos conceitos artísticos, do hard rock ao gótico

Nos anos 70 para os 80 tivemos uma revolução chamada hard rock. Os homens tinham um lado masculino e outro que beirava o feminino. Ambos eram extremamente sexy. Como não lembrar de Nikki Sixx do Mötley Crue, devidamente maquiado com batom, blush e cabelos armados. No braço a inscrição “eat me”. Era um convite e ao mesmo tempo remetia à “Alice das Maravilhas” e ao mito da Esfinge: decifra-me ou devoro-te.


Essa herança irônica, sexy e andrógina foi diretamente herdada de Bowie e o glam rock. Ainda que isso não ocorresse tão ostensivamente como nos rockstars góticos e independentes, sem Bowie os homens nunca teriam tido “permissão” para percorrer territórios antes explorados apenas por mulheres, travestis, crossdressers, drags ou trans. Podemos dizer o mesmo dos personagens criados pelo Kiss, cada um ligado à personalidade de cada integrante da banda. Gene Simmons era “The Demon”, inspirado pelos quadrinhos, livros de ficção científica e filmes de terror que teve acesso ainda criança, quando acabou de se mudar para os EUA com a mãe. Paul Stanley criou “Starchild”, seu personagem com uma estrela no rosto porque sonhava em ser rock star. Peter Criss, adorava felinos e incorporou “The Cat”. Mas sem dúvida o mais parecido com Bowie (Ziggy Stardust) foi Ace Frehley, ele possuía a maquiagem de um ser extraterrestre e andrógino. O que todos tinham em comum era o gosto por glam rock e roupas que lembravam trajes espaciais saídos diretamente do heavy metal/hard rock. Kiss acrescentou peso e horror ao glam rock com suas roupas, botas e maquiagens.


Outro cantor influenciado foi Marilyn Manson no álbum "Mechanical Animals", de 1998. Em “The Dope Show”, vemos como ele se baseia na androginia não somente nas roupas, mas no conceito criando um videoclipe que suas genitais são modificadas, ganhando uma forma masculina porém antinatural. No encarte do CD, suas genitais são apagadas dando lugar à algo parecido com a genital de uma boneca, além de inserir seios. No início da carreira de Manson muitos chegaram a se perguntar qual era sua verdadeira identidade, homem, mulher ou trans. Manson incorpora o mito do andrógino alquímico, um ser mitológico semelhante ao ser humano porém hemarfrodita, que simboliza a dualidade, a perfeição e o ideal inalcançável (rebis).

Encarte do CD de "Mechanical Animals"

Imagem do vídeo "The Dope Show"

Além disso, Manson usava a ficção científica nos videoclipes para fazer críticas à sociedade e à indústria da música, a forma como manipula o artista. Se compararmos Fame de Bowie e The Dope Show, as duas músicas trazem discussões sobre o artista e a fama.

"Fama, (fama) faz um homem levar as coisas/ Fama, (fama) deixa-o solto, difícil de engolir"
- David Bowie (Fama, 1975)

"Te amam quando você está em todas as capas/ Quando não está, então eles amam um outro"
- Marilyn Manson (The dope show, 1998)


No videoclipe "The Dope Show", Manson é capturado e começa a conhecer de perto a indústria musical.


Nessa nova incursão em que encarnou Omega, um rock star que cantava hinos vazios sobre sexo, fama e drogas, ele abandonou a estética ostensivamente gótica do vinil, couro e preto para usar cabelos vermelhos, acessórios prateados, botas plataforma vermelhas e prateadas, brilhos e lantejoulas em visuais coloridos que lembravam muito Ziggy Stardust.

Incorporando Omega para "Mechanical Animals" em 1998

Repare a influência de Ziggy Stardust

Manson também chamou um estilista famoso para fazer as roupas de Omega, Alexander McQueen

Marilyn diz que Bowie mudou sua vida quando ouviu pela primeira vez Diamond Dogs. É inegável a influência do ídolo também na criação da persona de Manson. "Eu já tinha ouvido David Bowie na MTV. Mas não foi até eu realmente morar em Los Angeles, por volta de 1997, que alguém me disse para tirar um momento e ouvir alguma coisa além do Ziggy Stardust, Aladdin Sane e Hunky Dory. Então fui dar uma volta vertiginosa de carro por Hollywood Hills enquanto ouvia o Diamond Dogs. Toda a minha nostalgia instantaneamente virou admiração. Eu estava ouvindo-o cantar sobre ficção como uma máscara para mostrar sua alma nua. Isso mudou minha vida para sempre."

Manson também usou máscaras para mostrar sua alma nua, tal como Bowie.
A ficção científica também lhe agrada
.

Outro rockstar diretamente influenciado foi Brian Molko do Placebo. Bowie agiu como “madrinha” da banda iniciante abrindo vários shows para ele.


A banda Placebo nos anos 90 com Brian Molko ao centro: batom vermelho e postura feminina, bem ao jeito Nancy Boy

Segundo entrevista de Marcus Marçal para a Rock Press, o repórter lembra que David Bowie havia dito que Brian Molko é a “filha” que ele nunca teve. Molko então responde (rindo muito) que não era mais a filha já que Bowie tinha tido uma há um ano. Segundo o músico, Bowie é uma lenda e uma das principais coisas que ensinou é como ser um rock star, não ser um babaca e ainda se comportar como um ser humano. Além disso, ele passou por vários processos de reinvenção o que o habilitou a ter uma carreira extremamente longa. Para Molko, a maneira andrógina que escolhe ao se vestir é apenas expressão do que é, não estratégia de marketing. O fato dele ser confundido com uma mulher não o incomoda. "Quando me veem no palco e percebem que sou atraente mesmo sendo um rapaz, isso faz com que as pessoas se questionem sobre a natureza dos seus desejos. (…) nosso trabalho vai de encontro a qualquer forma de preconceito, seja ele qual for. (…) qualquer coisa que possamos fazer para combatê-lo é algo positivo. Basicamente significa não ter medo de ser quem é, e sim ter orgulho disso."


Molko introduziu muito do glam rock de Bowie em suas roupas no início, sempre pendendo para um lado gótico. Usava cabelos longos, maquiagem nos olhos, esmalte nas unhas, batom e vestidos no palco.


Ele tinha atitudes ousadas para homofóbicos: costumava beijar amigos como Ville Valo.

É inegável a influência do inglês em todos âmbitos da cultura pop, de Lady Gaga ao hard rock e metal. Não apenas pela quebra de preconceitos em relação ao estilo rock, mas sobre a criatividade em se reinventar sem perder jamais o conceito de suas músicas, de construir excelentes personagens que dizem muito sobre a época em que foram inventados assim como criar clipes fantásticos, participar de filmes cult onde poderia ser um duende (Labirinto), um vampiro (Fome de Viver) ou um jurado de uma competição entre modelos (Zoolander), porque Bowie podia ser qualquer coisa e o que ele quisesse. E esse é seu maior legado.




Artigo das autoras do Moda de Subculturas. É proibida a reprodução total ou parcial/plágio do conteúdo aqui presente sem autorização prévia. Para usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos, linke o artigo do blog como respeito ao direito autoral do nosso trabalho (lei nº 9.610). Compartilhar, divulgar, é permitido, nós agradecemos!


Referências bibliográficas:
Angie Bowie
Angie Bio
Bissexualidade de Bowie
David Bowie: Five years in the making of an icon
David Bowie hang On To Yourself documentary Pt.
Revista Rock Press, ano VI nº36 (agosto de 2001)  "Nem tudo que reluz é Placebo" - Marcus Marçal
Sobre desentendimentos de Bowie e Angie
Sobre Kansai Yamamoto
Sobre Romy Haag



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5 de fevereiro de 2016

Os recentes casos de racismo, machismo e intolerância no Heavy Metal

Durante toda essa semana muito se falou do caso de racismo protagonizado por Phil Anselmo. Seu gesto remete ao chamado White Power, que não é só racista com negros, é xenófobo, anti-semita e no Brasil engloba preconceito à nordestinos, punks e LGBT's.

Sites têm feito ótimos artigos sobre o caso, que me fez lembrar do porquê me identifiquei com o mundo do Rock: foi por causa de seu viés transgressor, um espaço onde o establishment era contestado e questionado. Um lugar onde se questionava a cultura dominante. Mas parece que algumas pessoas estão na cena alternativa, se declaram fãs de rock, mas não questionam nada, apenas reproduzem padrões, conceitos retrógrados e pensamentos prontos. Perderam a rebeldia. Essa é uma palavra aliás, que nem se ouve mais, ficou guardada na gavetinha dos anos 90.

João Gordo, do Ratos de Porão, que "deixou de ser punk" em 1986 devido à misturas sonoras em sua banda, recentemente declarou para o site G1 que "moleques seduzidos pela direita ficam nesse discurso de 'nazi papagaio', que tudo o que escuta ou lê na internet, pega e compartilha. A visão do brasileiro comum hoje em dia é a visão de um cara racista, nazista, intransigente e ignorante. E sem escolas fica mais complicado". Essa frase do Gordo é forte e polêmica, mas ele é o tipo de artista que há anos combate fascismo, racismo e preconceito abertamente. Uma atitude de permanecer fiel ao viés contestador e transgressor do rock, traços que as recentes gerações, ao se tornarem conservadoras, perdem. Pois não há como ser conservador e transgressor ao mesmo tempo. O conservador defende o status quo, e se uma pessoa dentro da cena rock está defendendo o status quo, se torna apenas um "papagaio" do pensamento de massa.

A one woman band Amalie Bruun, responsável pela banda Myrkur, que faz um som black metal atmosférico também sofreu intolerância recentemente. A artista, que canta, toca guitarra e baixo nas gravações e não usa corpse paint tem relatado experiências sexistas e recebido ameaças de morte de algumas pessoas que acham que o que ela faz não se encaixa no "extreme black metal". Fiquei pensando o quão incômodo não é para pessoas extremas e elitista, que uma mulher componha, toque todos os instrumentos de uma banda e misture sonoridades?  Eles a veem como uma afronta ao ponto de ameaçá-la de morte? Até que ponto está indo a intolerância pela liberdade artística dos que fogem aos padrões? A linha conservadora do Heavy Metal se incomoda com inovações sonoras, como não esquecer das tretas com o “nu metal”? Artistas destas bandas costumam ser chamados de “modinha”, “posers” e até mesmo de “viados” (!!)...


Fonte: MONDO Muerto

Unindo machismo, racismo e intolerância, decidi abrir espaço pra duas blogueiras alternativas que acompanho, a Gabriela e a Marcela. Elas costumam também postar textos críticos em seus blogs e já frequentaram a cena rock/metal. Seguem seus depoimentos sobre intolerância:


Gabriela, autora do blog Madessy
"Às vezes me sinto um pouco deslocada em meio a cena. Parece que ser negro e ouvir metal é um problema. Não dá para ser o dois ao mesmo tempo. Quando você diz que ouve metal para um branco, ele se assusta com a afirmativa e chega até duvidar dos seus gostos, como questionar a minha camiseta de banda, por exemplo. Ou melhor, solta aquela clássica "nossa, mas você tem cara que ouve um pagode". Agora se você diz a mesma coisa para outro negro, ele diz que você deveria escutar algum estilo musical que fosse da "cultura negra". Mas o que dói é lembrar que essas pessoas mal sabem que o Rock está inserido na cultura negra. Se hoje existe o heavy metal e todas as suas ramificações, agradeçam aos negros do blues e deixem de achar que o Rock foi feito pelos Beatles ou por Elvis Presley. Sabemos que muito das inspirações de grandes nomes do heavy metal provem de artistas negros que não tiveram o mesmo reconhecimento. É triste ter que afirmar isso o tempo todo. As pessoas tem que aprender que o rock tem suas raízes negras e que nada o mudará. Portanto, quando alguém quer questionar meu gosto musical, mando abrir um livro ou pelo menos dar uma pesquisada na internet sobre música. Simples assim.

Sobre a cena se tornar cada vez mais preconceituosa, percebo que muita gente está se inserindo neste meio sem entender muito bem qual é o seu significado. As pessoas não entendem que a "cena alternativa" tem esse nome não pela estética em si, não é só visual que conta, você também tem que pensar diferente e agir diferente. As cenas alternativas possuem uma visão vanguardista do mundo em geral. Se você se veste como um headbanger, todo no visu, mas tua cabeça é tipo daqueles velhos conservadores chatos, de que adianta fazer tudo isso? Você soa contraditório."

Marcela Ziemer, autora do blog Cinderela Smile
“É um assunto muito delicado, mas que não deveria ser, e que as atitudes que envolvem tal assunto jamais sejam abafadas. Comecei a frequentar a cena aos 15 anos, sou de uma cidade do interior conservadora. No começo não notei como era bastante elitista, machista e atrasada, até que aos 16 anos conheci um S.H.A.R.P. que me explicou como as coisas funcionavam. Vi como as pessoas se comportavam, e não compreendia do porque de tais posturas e posicionamentos, ninguém dizia nada, ninguém se projetava contra.
Aos 18 anos comecei a frequentar um local na cidade, reduto de nacionalistas, alguns me tratavam bem, outros me aturavam por conta da minha amiga, que era do padrão estético ideal no qual estes idolatravam. Ouvia coisas do tipo ''Ah você tem o rosto muito bonito, mas pena que você é Negra" ou "Sou racista mesmo, só converso com você por conta dos seus traços Europeus (?) e porque você é uma negra inteligente." Fora que na mesma época fui seguida na rua por um careca. Daí eu lhes pergunto: Porque diabos ainda ficamos quietos diante de tal postura? Não é algo que está correto.


O fato que ocorreu dias atrás, não diz respeito apenas sobre um movimento de supremacia racial, mas também ao assassinato de milhões de pessoas. Chacinas cometidas por um ideal confuso, que muitos romantizam. Muitos que ''apoiavam'' (assistam documentários sobre,é interessante) e faziam tal gesto naquela época, era pelo medo de ser morto, e não por apoiar seu amado ditador. Não podemos nos deixar levar por tal posicionamento, por conta do status de quem o fez e medo de repreensão. Ninguém merece morrer ou ser ofendido por ter determinada genética, eu sinceramente acho estúpida essa divisão de raças. Nem que seja ''uma piada interna'', não há graça em tal atitude mesquinha, e maquiar o racismo usando ''brincadeira'' como desculpa, é idiota.


Muitos reclamam que a cena aqui no Brasil anda morrendo, mas os poucos que possuem uma postura coerente são retalhados, e admito que parei de frequentar muitos lugares por conta disso, e sinceramente porque tenho medo. Não apoio muitas posturas de militantes chamados ''Africanistas'', mas também não apoio o que acontece na cena Metal, pois ouvi e presenciei coisas desagradáveis só pelo simples fato de'u eu ser negra. Não era por conta de'u ser magrela ou pouco atraente, mas era bem explicito que era por causa da cor da minha pele. Enquanto muitos deixarem passar e tratar isso como ''liberdade de expressão'', a impunidade vai reinar e o preconceito e intolerância vão permanecer. E para quem apoia tal conduta ultrapassada, não é porque as mulheres que abrem a boca para opinar são feias, invejosas e mal comidas, e muito menos os rapazes são gays ou virgens, nem tudo gira em torno da sexualidade! Mas quem abre a boca para opinar, está cansado de ser vitima, seja diretamente ou apenas como testemunha de tais atitudes toscas e imaturas."


Acho fundamental desconstruir o preconceito que negros não podem ser parte ou ouvir Metal. Seja pela origem negra do Rock, seja pela livre escolha da pessoas ouvirem o que ela se identifica. Lembrei dessas falas do Katon W. De Pena, vocalista da banda Hirax que diz que não ver negros na cena pode ser intimidador, mas ele ia aos shows de metal e encontrava desajustados como ele. Também já postamos sobre os Headbangers de Botswana, vale a pena a leitura, a história deles é incrível!! E pras meninas se inspirarem, tem Alexis Brown da banda Straight Line Stitich. Go Girls, Rock on!!

 



Concluindo
Surpreendentemente houve repercussão do caso Phil Anselmo entre os artistas, pois vivemos uma era em que artistas andam silenciosos, sendo comum a gente não saber o que alguém que a gente admira realmente pensa sobre as coisas.
Sabemos que nossos ídolos não são de pedra. São humanos com suas próprias histórias de vida, algumas vezes bem complicadas, vindas de lares violentos ou famílias desfeitas, suas vivências os levaram a visão de mundo um pouco mais obscura. Não podemos depositar toda nossa energia neles assim como não devemos seguir ao pé da letra o que eles fazem/dizem. Tirar os artistas de um pedestal é necessário. É difícil fazer isso, mas torna mais fácil uma abertura ao debate já que nossa mente não fica cegada pela idolatria.

Seria bom se finalmente a cena Heavy Metal começasse a reconhecer e falar de seus tabus, já que sempre houve uma negação destes temas. Há tanta coisa boa que o Heavy Metal trás aos seus ouvintes - como vemos no ótimo documentário Global Metal de Sam Dunn - que seria uma pena calar-se de novo e não colocar o dedo nestas feridas. Chega a ser louco como um estilo musical que canta tanto sobre guerras não quer falar sobre suas próprias guerras internas, e talvez o HM precise morrer de forma bem Gore/Deathgrind pra voltar atualizado com o século XXI. Um "nu (novo) metal" literalmente!


O documentário Global Metal mostra como o gênero se tornou mundial
sendo possível unir
diferentes religiões, raças e etnias.




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2 de fevereiro de 2016

Documentário: "Hit So Hard" - Patty Schemel (Hole) e as mulheres bateristas

Lançado em 2012, Hit So Hard é uma compilação de arquivos guardados por Patty Schemel. Aos 29 anos, em pleno retorno de Saturno, a americana vê sua vida mudar completamente ao se tornar a baterista oficial do Hole, bem no auge da era grunge. Suas histórias percorrem os bastidores mais internos, incluindo de dentro da casa dos próprios Cobains. É um documentário sincero, mostrando suas vitórias e fraquezas, igual a qualquer ser humano. 


Patty vai além, sendo o exemplo de tabus que não ficam parados nos anos 90, são assuntos que afetam o Rock até na atualidade. Ela descreve como foi se revelar lésbica nesse meio, inclusive há uma fala da cantora Susan Gottlieb (Phranc) onde joga a observação da sociedade achar que não há mais o que se lutar pelos direitos homoafetivos, que a liberdade sexual já foi conquistada e no entanto ela conhece no mínimo uns dez jovens LGBT's que não se sentem encaixados e sim, isolados do mundo.



O grande fio condutor desse documentário é a sua carreira como baterista. Ela conta que foi atraída pelo instrumento porque não havia mulheres tocando e achava aquilo super masculino, o que a levou a querer fazer também. Meninas são ensinadas a se sentar de pernas fechadas e a terem movimentos suaves, a bateria destrói esse conceito, pois as pernas ficam abertas e os braços fazendo movimentos enérgicos. 

"Eu escolhi a bateria porque não via mulheres tocando..." Patty Schemel 


Hoje, Schemel é considerada umas das melhores bateristas, só que essa trajetória não foi nada fácil. Passou por um grave assédio moral do produtor Michael Beinhorn durante as gravações de Celebrity Skin da qual a levou a uma séria recaída de drogas, tudo detalhado nas filmagens.


Em meio a todo o caos vivido, a lembrança em destacar que quase não há mulheres bateristas rende uma bela homenagem a diversos nomes pioneiros da cena, como Alice de Buhr (Fanny), Gina Shock (The Go-Go's), Karen Carpenter (The Carpenters), Debbi Peterson (The Bangles) e Kate Schellenbach (Lunachicks). Algumas aparecem dando depoimentos e afirmando essa falha na indústria que não é preenchida. A vida de Schemel representa não só a ela mas também toda uma geração de meninas que vem literalmente ajudando a construir para o futuro da música. Sua atitude não poderia ser mais punk rock!





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