21 de outubro de 2014

Caveiras e Esqueletos: Moda e Tribos que se Conectam

Com o Halloween e o Dia dos Finados (Zombie Walk) próximos, este é o momento perfeito para comentar sobre a tribo Omo Masalai, da Pápua Nova Guiné. Mais especificamente, o que nos fez reparar nesse povo é o festival que denominam de Sing Sing, onde pintam seus corpos com desenhos que lembram zumbis para assim apresentarem suas danças da morte. É realmente impressionante a estética desse ritual porque logo nos remete ao cenário alternativo, da qual muitas pessoas traduzem, à sua maneira, o esqueleto humano, seja ele por maquiagens, eternizando em sua pele por meio da tatuagem ou simplesmente vestindo uma roupa estampada com ossos. E são dessas interpretações que vamos fazer a ligação entre tribos e culturas tão distintas, mas que de um modo fantástico acabam se unindo.

Omo Masalai; imagens que falam mais do que palavras:

A preparação para o ritual:

Moda Mainstream:
Ao contrário do que muitos possam pensar, foi a moda mainstream que reproduziu em costuras as primeiras formas do esqueleto. A década de 20 foi uma época marcada pelo surrealismo e o fascínio por temas mais obscuros, proibidos. Foi durante a efervescência cultural que a estilista Elsa Schiaparelli em parceria com Salvador Dalí, criou o vestido esqueleto em 1938, para sua coleção Circus. Isso daria o início das variedades de peças que iríamos ver ao longo do século XX inspiradas nas caveiras.

Vestido esqueleto de Elsa Schiaparelli:

Cinquenta anos depois, Alexander McQueen faria sua versão na Primavera de 98:

Já na Primavera de 2009, Christian Lacroix daria moldes de ossos os acessórios da sua coleção:

Dior na Alta Costura de Outono 2000, ainda sob comando de Galliano, em referência às caveiras mexicanas. DSquared2 Inverno 2010 e a bota com salto de vértebras. O colar de Yaz Bukey inspirado na África, Primavera 2012.

O vestido com aplicação de um bordado em forma de costelas assim como o vestido com as costelas formadas por tiras de tecido, ambos da Dsquared2 em 2010, são peças que foram muito copiadas por marcas alternativas desde então (3º foto).

Na Alta Costura de Inverno 2011, Iris Van Harpen cria uma nova forma para o vestido esqueleto. No ano seguinte, o modelo seria usado pela Chanel nas fotos da exposição The Little Black Jacket:

Jean Charles Castelbajc dando irreverência ao desenho na passarela Inverno 2011:

A moda alternativa com toque mainstream de Betsey Johnson, onde volta e meia usa a estampa nas coleções. Aqui, Primavera 2011 e Inverno 2012:

E coleção Primavera 2012:

Nas Subculturas:
Quando voltamos às subculturas, pode-se imaginar que ao ver imagens da tribo Omo Masalai, tenha vindo na memória a imagem de Rick Genest, ou Zombie Boy. A estética do canadense tem uma representação específica sobre a morte. As tatuagens demonstram sua transformação em zumbi, algo que ele se identificou na infância. Como disse em entrevista: "Minha arte corporal representa anarquia. Parecer estar morto enquanto vivo, é desafiar as própria leis da natureza".

Zombie Boy na revista Rebel Ink de 2013:

Porém, antes da existência de Genest, as provocações do movimento Punk a sociedade conservadora faria surgir artistas que se apresentariam com rostos pintados de caveira, é o caso de Michale Graves, ex-Misfits. A maquiagem é inspirada nos filmes B de terror das décadas de 1950 a 1970. A estética do americano se destaca como influência nas subculturas, principalmente pela importância que a banda tem no rock. Sua imagem é muito difundida no meio alternativo, sendo bem provável que também sirva de referência na beleza de certas coleções de moda. 

O cantor compondo o visual horror punk:

Algumas imagens de sua aparência pós-pintura. Além do rosto, Graves também usava peças de roupa com a estampa. Veja que ele se interliga a tribo mesmo não sendo próximos:

 Kyary Pamyu Pamyu e sua versão Kawaii. Segundo entrevista, a cantora diz amar filmes de terror, além de ter muitos lados obscuros.

Na moda alternativa, foi em meados dos anos 80 que a estampa de esqueleto teve seu ápice, quando Axl Rose - no auge do Guns N' Roses - surge com a jaqueta estampada por ossos. Com a grande evidência que o cantor tinha na época, o desenho alcança o mesmo e assim centenas de reproduções.

Axl Rose e sua famosa jaqueta:

Surgida em 2006, a marca cult e underground Kreepsville 666 tem seu foco voltado a criar peças sob temas de horror. Foi ela que reviveu, na cena alternativa, a ideia de um vestido-esqueleto, sendo super copiado depois. As mãozinhas de esqueleto também foram popularizadas por eles.


A estilista alternativa Louise Black vende suas peças artesanais pelo Etsy desde 2006. Ela é a responsável pela criação do corset-camafeu, esta peça autoral é uma das mais copiadas por marcas alternativas desde então.


As criações de Louise Black e Kreepsville influenciaram outras marcas a criarem peças com grandes estampas de esqueleto, como as versões da Restyle e Sweet Carousel Corsetry:


A Black Milk foi uma das pioneiras ao lançar 
a trend do body/maiô esqueleto alguns anos atrás:

Pouco antes da ascensão de Zombie Boy na mídia após desfiles Mugler e no clipe Born This Way de Lady Gaga, Alexandre Herchcovitch havia colocado modelos com makes de caveira no Inverno 2010 de sua marca masculina. O visual facial era reflexo de um dos temas da coleção: a Morte.


Já para o Inverno 2014, Luella Bartley e Katie Hillier fizeram do conceito Girl Power uma coleção com referências de luta, e assim lenços com a estampa surgiram, mostrando que a figura ainda permanece com força no mainstream.

Campanha e desfile da marca:

Claro que há muitos mais exemplos da gravura se difundindo na estética fashion, mas o interessante é observar a visão de cada estilista, subcultura ou tribo transmitem a ideia de Morte ou de memento mori. Diante das diferenças culturais existentes e que passam a impressão de grande distância entre eles, um mesmo assunto acaba os conectando e expondo que no fundo somos seres humanos inerentes ao tema. 

Em especial as subculturas, onde dizem que as mesmas estão em extinção pela rápida absorção do mainstream sobre elas, relacionar-se com uma tribo não colonizada, pode resultar em novas criações que as façam continuar contrapondo-se à cultura dominante. 


* Artigo original do Moda de Subculturas. Para usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos, achamos gentil linkar o artigo do blog como respeito ao nosso trabalho. Tentamos trazer o máximo de informações inéditas em português para os leitores até a presente data da publicação.
Todas as montagens de imagens foram feitas por nós.
Fotos: Google.

18 de outubro de 2014

Ethus: Coleção Mermaid Lindsay Woods

Há um tempinho atrás descobri a loja Ethus e o que me chamou a atenção foi a marca ser uma fast fashion direcionada ao público jovem e que oferece produtos diferenciados dentro de tendências não muito exploradas mas que tem o seu nicho de público. E tem uma meta interessante, que é oferecer peças a preços acessíveis (tem peça lá por R$29,90) além de ser fabricação própria e trabalhar com pronta entrega.


Eu entrei no site e fui dar uma olhada no lookbooks já feitos pela marca e gostei da pegada alternativa que existe desde a primeira coleção. Não é comum encontrar uma marca fast fashion alternativa ainda mais aqui, no Brasil, por isso é uma boa ideia apresentá-la aqui, pros leitores. A loja acabou de lançar uma coleção inspirada em Sereias com a Scene Queen e Barbie Humana brasileira Lindsay Woods. As cores são referência ao fundo do mar, mas a modelagem tem forte influência da moda da década de 90 nos cropped tops, tons neon, pastel e leggings por exemplo.  

Lookbook estrelado por Lindsay Woods


Nestas fotos notamos a forte influência noventista na modelagem dos cropped tops, na estampa holográfica brilhosa e no penteado com cabelos divididos ao meio e presos no alto enroladinhos. Do tema "Sereias" temos além da cor do cabelo e da maquiagem, tons de azul, verde e um leve brilho prateado. Interessante que até o background das fotos lembra imagens da década de 90.

 

Estampas florais também foram moda nos anos 90 mas aqui elas se revelam num design bem mais atual e claro, o que dizer das leggings, moletons e esportividade também super comuns na época?

 
 
 Brilho em tons neon e holográficos...

 Ethus Barbie Humana

A marca também tem uma linha masculina, separei umas peças:


Vale a pena fazer uma visita ao site e conhecer outras peças da marca, incluindo as coleções mais antigas. Muito bom saber que estamos tendo cada vez mais opção de roupas com referências alternativas no mercado nacional!

Alt Trend: Baby Doll Dress / Tee Dress

Que os anos 90 estão aí, relidos até não poder mais a gente já sabe. Mas eu ainda estou estupefata em como estão usando esta década como referência - às vezes até literal - muito mais do que outras épocas.
Embora o grunge, o kinderwhore, a estética Wednesday Addams (filme foi ao ar em 1991), as jelly sandals, a estética clubber (neon e holografia e brilho) também estejam por aí, também há um estilo mais punk/rock da época que ainda não foi explorado.

Como eu sou velha vivi a década de 1990 inteira, eu lembro de muita coisa e usei muita coisa que está em voga hoje. Uma das coisas que lembro de ter usado eram vestidos de malha que ficavam soltinhos no corpo, eles tinham cintura alta e logo caiam numa sainha franzida. Eu não sabia o nome deste vestido porque na época eram simplesmente "vestidos", mas hoje eu os encaixo tanto como Tee Dress - "vestido camiseta" porque a parte de cima deles pareciam uma camiseta (com manga ou regata) ou baby doll dress - nome que se dá à vestidos soltos como camisolas. Como a informalidade foi de praxe nos anos 90, estes vestidos eram popularmente em malha, mas haviam versões em outros tecidos também.

Eu tenho visto muito destes vestidos em lojas alternativas - mas ainda não os vi em lojas mainstream. Esta seleção de seis modelos ilustram bem a ideia de a parte de cima lembrar uma regata e a altura da saia ficar na cintura. Nos anos 90 eles eram de uma cor só ou somente a parte de cima com alguma estampa (o meu tinha listras marinho em cima e a saia era cinza). Neste revival da trend, a estampa tanto se localiza em cima quanto embaixo.
Fonte: Sourpuss

Aqui o modelo na cor preta, ainda em malha,cintura definida mas variando no tecido e no tipo de saia. Achei legal o terceiro, com estampa dos Sex Pistols. Destaque para o último modelo com jeitão meio envelhecido.


Estas são as peças que pra mim, se destacam por ter uma característica mais atual. Dos anos 90 permanece o formato de "vestido camiseta" (modelagem), mas as saias e principalmente o top tem estampas alternativas mais elaboradas e a saia recebe uma camada extra em um tecido transparente.

Fonte: Vestido 1Vestido 2

Foi difícil encontrar imagens deste vestido há 20 anos atrás pra ilustrar o post, mas depois de muuuuuuita pesquisa consegui encontrar este desfile da Chanel do começo da década de 1990! Legal pra comparar. Nos anos 90 as cores eram mais básicas e pastel, na moda alternativa atual, o uso de cores básicas não é obrigatório e foi investido em estampas mais vibrantes e irreverentes.


Desfile Chanel com Tee Dress, começo da década de 1990

Esses modelinhos são super adequados ao nosso calor da primavera/verão. Será que veremos eles por aqui ainda nesta temporada?
E vocês, usariam estes vestidinhos? 



* Artigo original do Moda de Subculturas. Se quiserem usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos, achamos gentil linkar o artigo do blog como respeito ao nosso trabalho. Tentamos trazer o máximo de informações inéditas em português para os leitores até a presente data da publicação.Todas as montagens de imagens foram feitas por nós.
Fotos: Loja Sourpuss e tumblr.

14 de outubro de 2014

Cabelos Coloridos: Cacheados e Afros

Voltamos aos cabelos coloridos, porém o tema agora é focado nos cabelos cacheados e afros por serem os tipos mais comuns entre as brasileiras, mas não encontrados com muita frequência por aí, ao menos em matérias da grande mídia. Se alguém achava que ter fios coloridos só é possível ou legal em quem tem cabelo liso, recolhemos três depoimentos de meninas que provam que não é bem assim não. É saber adequar ao seu estilo e gosto. Você pode ter a cor que quiser na sua cabeça, basta seguir os procedimentos e cuidados que o tipo de fio necessita. Então vamos lá!

Magá Moura é relações públicas, cool hunter, especialista em marketing de moda e blogueira. Ela usa tranças desde 2007 e passou a usar a cor rosa quando viu Rihanna com uma peruca da mesma tonalidade. Com seu estilo irreverente - que a gente ama! - essa linda cabeleira parou Londres na semana de moda, saindo em diversas mídias de street style ao redor do mundo. O exemplo da Magá nesse post é específico, pois ela usa um método sem descoloração e que não agride o fio. Interessante que além das tranças, muitas estrangeiras usam perucas como opção de mudança capilar, algumas por não quererem descolorir os fios, motivos de trabalho, etc. Ou seja, há sempre uma adaptação para algo que você curte, basta ter criatividade e se jogar!

 

Você curte alguma subcultura (punk, grunge...)? Se sim, alguma delas lhe inspira na estética?
Sobre subculturas, me identifico com a do Hip Hop, no fator musical, artístico e de estilo. Pode dizer que minhas tranças sofreram influência dessa subcultura sim.

As brasileiras têm cabelos mais enrolados do que liso, mas nem todas as mulheres assumem os fios naturais. Você sentiu alguma vez vontade de alisá-los para poder fazer cortes e penteados diferentes ou isso nunca te impediu?
Nunca senti vontade de alisar o cabelo, não acho que isso seja necessário para fazer coisas diferentes, é até mais fácil inovar no crespo do que no liso. Este "vício" em alisar das brasileiras não me representa [risos].

Você usa trança e não dreads. Como é o procedimento para deixá-lo colorido e de quanto em quanto tempo você muda?
Utilizo jumbo, uma fibra de cabelo artificial, para dar cor e o comprimento que quero. Compro em lojas especializadas, há diversas opções de cores, estou na fase rosa. A cabeleireira utiliza junto ao meu e as tranças duram até três meses, mas troco no máximo em dois.

Que tipos de cuidados você precisa ter com as tranças?
As tranças são super fáceis de manter. Meus cuidados são lavá-las bem apenas com shampoo anticaspa, já que o couro fica aparente e tem uma descamação muito maior, também utilizo um produto da Bed Head chamado After-Party que deixam elas mais macias e cheirosas.

Por último, ter tranças coloridas já atrapalhou no emprego? 
Nunca perguntei se podia usar ou não, quando trabalhava já chegava do meu jeito! [risos] ...Ninguém nunca reclamou!


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A Marcela tem 27 anos, é blogueira e trabalha como autônoma, inclusive sendo fotógrafa e fazendo sessões com modelos alternativas. Ao longo de sua vida, mudou várias vezes o cabelo, usando diversas cores sem o menor receio de ousar.


Quando surgiu a vontade de pintar o cabelo de colorido? Teve influência de algo, algum movimento, pessoa? 
Foi em 2004, quando eu ainda estava no segundo colegial. Uma amiga tinha o cabelo vermelho e me sugeriu pintar também. Logo de cara quis pintar de azul, mas por falta de profissionais que trabalhavam com cabelo afro (e conhecimento próprio sobre produtos compatíveis pois meu cabelo tinha relaxamento), acabei desistindo. Daí pintei pela primeira vez em 2008, com Violeta Genciana. Foi fácil pois pesquisei antes e meu cabelo naturalmente é um castanho médio avermelhado. Acredito que a influência mais forte, foi por conta do movimento Grunge.

Você mesma tinge ou frequenta algum profissional?
Eu mesma tinjo pelo fato de não confiar muito no trabalho de alguns profissionais. Muitos não possuem o cuidado de usar um bom produto, fazer teste da mecha e por vezes ultrapassam o tempo de aplicação. E por falta de conhecimento acabam por estragar o cabelo. Cabelo afro é complicado pois possuem vários tipos de estruturas (3C,4 A,4B e 4C) e nem todo cabelo segue a mesma rotina de tratamento.
Eu sei os produtos que uso, o que meu cabelo gosta e como devo proceder para ter o resultado desejado, já que uso química desde muito nova. Não recomendo, mas por conta de anos tendo à mão uma gama limitada de produtos para cabelos afros no mercado, adquiri o costume de cuidar em casa ou naquela cabeleireira de confiança quando a mesma tem conhecimento (algo raro). Hoje em dia no mercado há mais disponibilidade e variedade cosmética, mas nada substituí, na minha opinião, receitas passadas de geração para geração, com coisas que possuímos na nossa dispensa ou jardim.

As brasileiras têm cabelos mais enrolados do que liso, mas é difícil encontrar meninas como você, que usou/usa cachos coloridos. Você sentiu alguma vez vontade de alisar o cabelo para poder fazer cortes e penteados diferentes ou isso nunca te impediu?
Eu usava cabelo relaxado (para soltar os fios) e sinceramente não gostava, mas usar intervenção química para alisar não. Mesmo com relaxamento mantinha apenas a franja lisa pois sempre gostei de franja, e o resto com uma forma indefinida que eu achava interessante, por vezes alisava com a chapinha, mas nada tão regular. Em 2011, usei o cabelo "liso", pois abandonei a química e pranchava para facilitar na hora que eu queria deixar frisado... eu, sinceramente, no pouco tempo que fiz isso, me sentia mais limitada do que com meu cabelo naturalmente crespo. Cabelo liso é bonito, mas gosto do meu rebelde e armado, algo que alisando eu não teria.

Cabelos cacheados ou afros ressecam com mais facilidade. Que tipo de cuidados são necessários fazer antes e depois de uma descoloração, procedimento que danifica muito o fio? 
Cada cabelo é uma sentença, mas geralmente eu umectava com babosa ou óleo de amêndoas. Uso máscaras reconstrutoras a base de queratina. Isso duas vezes por semana, uso shampoo sem sal e com Ph baixo. Nunca descolori o cabelo de uma só vez, sempre o fiz gradativamente até conseguir o tom que eu queria, com pausas longas, pois a amônia muda a estrutura dos fios. Usando produtos de boa qualidade para descolorir e quando recorria ao retoque, apenas descoloria a raiz quando a mesma já estava bem evidente (uns quatro dedos para mais), não descoloria o comprimento. Quando queria mudar de cor, esperava a cor atual desbotar consideravelmente.
Uma coisa que tenho o hábito de fazer desde muito novinha é passar óleo de amêndoas doce (aquele que vende em farmácia) nas pontas, e nunca pentear o cabelo seco. Fazer hidratação com abacate também é muito bom (não é agradável, mas o cabelo fica ótimo!), usar óleo de mamona ou de semente de uva auxiliam bastante na hidratação, receitas que minha mãe passou pra mim já que ela morava em um povoado no interior da Bahia, e lá os recursos eram escassos na juventude dela.

Por último, ter fios coloridos já atrapalhou no emprego? 
A primeira vez que pintei em 2008, foi usando Violeta Genciana e eu trabalhava em comércio (e nem era loja de roupas). Antes de colorir, perguntei ao meu chefe se poderia. Ele liberou, mas que a cor fosse escura e fui lá e pintei. Na cidade que nasci, pessoas com cabelos coloridos não são aceitas em empregos convencionais, mas dias desses vi em uma loja de departamentos um rapaz de cabelo rosa, uma exceção. 


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A Julia Queiroz é uma carioca de cabelo cacheado, tem 30 anos e uma profissão não muito comum para alternativos: é harpista. Essa singularidade dela é ótima, pois torna-se um exemplo de como manter-se fiel ao seu estilo, mesmo tendo a necessidade de se adaptar nas horas do emprego. A sua paixão por pintar fios é tão forte que possui uma loja online, a Pin You Up, onde revende uma variedade de produtos, como tinturas Directions, meias-calças (inclusive tamanhos plus size), artigos de papelaria e acessórios. Tudo isso pode ser conferido também no face da marca, que entrega para todo o país.


Quando surgiu a vontade de pintar o cabelo de colorido? Teve influência de algo, algum movimento, subcultura, pessoa? 
Influência de desenho animado, talvez. Meu sonho de infância era ter o cabelo vermelho da Ariel, partir do vermelho fantasia pra outras cores é um passo. Mas a primeira lembrança de uma pessoa com cabelo colorido que eu tenho é a Rita Lee.

Você mesma pinta ou frequenta algum profissional? 
Os dois, depende só de quanto tempo eu tenho disponível. Fazer em casa dá um pouco mais de trabalho e leva mais tempo, mas enquanto o descolorante e a tinta agem dá pra adiantar afazeres, então quando eu estou mais tranquila de compromissos faço com uma profissional, mas quando estou na correria acabo fazendo sozinha mesmo.

As brasileiras têm cabelos mais enrolados do que liso, mas é difícil encontrar meninas como você, que tem cachos coloridos. Sentiu alguma vez vontade de alisar o cabelo para poder fazer cortes e penteados diferentes ou isso nunca te impediu?
Ainda tenho vontade na verdade, mas só de pensar no trabalho que dá ficar fazendo escova e chapinha eu acabo desistindo, além de não conseguir ficar mais de um dia sem lavar. Sou dessas pessoas que quanto menos trabalho, melhor.

Cabelos cacheados ressecam com mais facilidade. Que tipo de cuidados são necessários fazer antes e depois de uma descoloração, procedimento que danifica muito o fio? 
Por ser cacheado acaba dando um pouco mais de trabalho, mas o segredo é investir em bons produtos, tanto antes quanto depois da descoloração. Descolorante, tinta e cremes (e óleos) de qualidade são o melhor investimento, e hoje em dia a maioria deles são de ação rápida, então dá pra fazer qualquer passo do Cronograma Capilar no banho. E leave in sempre. Cabelo cacheado fica um fuá sem um leave in com ativador de cachos.

Por último, ter fios coloridos já atrapalhou no emprego? 
Sim. Eu tenho uma peruca castanha que uso quando toco em casamentos, recepções, eventos sociais em geral. Eu sempre ofereço as duas opções pra depois a pessoa não dizer: "ah, eu não sabia do colorido".

Esperamos que tenham curtido as entrevistas! Agradecemos a Julia, Marcela e Magá por terem concedido parte do tempo delas e dividirem com a gente suas dicas. Obrigada, meninas!

E você, tem cabelo cacheado ou afro colorido? Deixe seu depoimento nos comentários!

11 de outubro de 2014

Pergunta aos leitores: Comportamento

Desde o começo do blog, tenho uma tag que se chama "comportamento". Nesta tag, costumo expor algumas reflexões pessoais e mudanças comportamentais do mercado alternativo e das subculturas.

Meu primeiro post pessoal foi "Não sou mais tão estranha", de dezembro 2009 (para ler basta acessar a data no arquivo lateral). Mas meses depois, fui bombardeada de comentários positivos e até agressivos sobre meus post "Decepção na Galeria do Rock" (abril/2010). Lembro que na época esse post foi parar em uma comunidade do orkut e tive até que fazer uma resposta a ele, tamanha a comoção fora do blog. 

Talvez um dos posts mais famosos seja o "Adultos e a Moda Alternativa: Manter ou Abandonar o Estilo". Porém, o nosso mais recente post sobre comportamento, sobre um assunto seríssimo, chamado "Uma reflexão sobre a moda fast fashion" (set/2014) não foi tão comentado. Eu sinceramente achava que alternativos gostavam de questionar essa coisa do consumo, mas só uma leitora se interessou em desenvolver mais o assunto.

No post de aniversário do blog eu disse que haverão algumas leves mudanças por aqui e uma pergunta que quero fazer à vocês neste momento é: 
vocês se interessam pela volta de postagens relativas à reflexão e opiniões das autoras?

Nós duas temos muitos assuntos pessoais que gostaríamos de trazer à tona pois vemos poucos locais falando sobre, alguns inclusive relativos à cultura alternativa. Só que não sabemos se é de interesse de maioria esse tipo de postagem.

Se nós vamos separar um tempo pra escrever esses artigos (vulgo deixar de lado os posts de moda alt. momentâneamente) pra dissertar um pensamento, uma opinião, uma reflexão, gostaríamos de que realmente houvessem participações, debates, questionamentos, comentários vindos dos leitores. ;-)



9 de outubro de 2014

Sorteio de Aniversário: Ideal Shop!

Pois é gente, como foi anunciado ontem neste post, fechamos parceria com a Ideal Shop! o/
E como hoje é aniversário do blog, quem ganha prêmio é o leitor!! É muita generosidade hein meu povo?

Aproveitando o mês de Halloween... os prêmios são meio "temáticos":
- Camiseta Zombitch
- Colar Boca Vamp
- Presilha de Laço

 

REGRAS:

- Curtir a Fanpage do Moda de Subculturas: https://www.facebook.com/pages/Moda-de-Subculturas/207882219254621
- Curtir a Fanpage da Ideal Shop: https://www.facebook.com/idealshop
- Compartilhar a foto [esta]
- Preencher o cadastro abaixo (não esqueçam pois o sorteio é pelo blog!)

O sorteio será via Random.org dia 16/10 às 15h.
O sorteado será anunciado após a confirmação que o mesmo seguiu todas as regras.
Boa Sorteeee!!

_______ 


Edição 16/10/2014:

Print do sorteio via Randon:


Sorteada:
Parabéns Mayara Soares Souza!! =D
A Ideal Shop vai entrar em contato com você por email, fique atenta! ;) 


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