.Moda de Subculturas: Moda e Cultura Alternativa.

24 de maio de 2015

Documentário : Quem paga o preço por suas roupas?

Dia 29/05 estreia um documentário que queremos muito assistir, chama-se "The True Cost", algo como "o verdadeiro custo". Segundo os autores, é um filme sobre as roupas que vestimos, as pessoas que as produzem e o impacto da indústria no mundo. O preço das roupas nunca foi tão baixo em toda a história da humanidade, em contrapartida, os custos humanos/ambientais nunca foram tão altos.
Então fica o questionamento: qual o verdadeiro preço do que vestimos??

"Eu fiz isso pelo valor de..." / "Eu comprei isso pelo valor de..." 


Alerta de cenas fortes no trailer, mas é a realidade de muitos...
neste mês outra fábrica de roupas desabou em Bangladesh [clique]


O Materialismo tem preço alto
O fast fashion viciou nossos hábitos de consumo com suas roupas baratas, então quando vemos uma peça com seu "real valor" - ou seja, feita sem trabalho exploratório, achamos elas "caras" e tendemos a reclamar e não comprar. Serão mesmo caras demais? Ou será que é o preço mais justo onde todos da cadeia de produção trabalham em condições dignas e isso, claro, faz o preço ter de cobrir as despesas?

E veja bem, não é condenar quem compra em fast fashion, não é isso gente! É sobre você pagar o preço real e não ser enganada por empresários gananciosos! Se você comprou uma roupa barata, você sabe que ela custou pouco pra ser fabricada. Mas pagar caro, numa "fast fashion grifada", por uma peça que custou centavos pra empresa... repense se você realmente precisa pagar um valor alto por aquilo que está enriquecendo o explorador. Isso ajuda a fazer com que a médio ou longo prazo, as empresas percebam que o consumidor não tem mais interesse naquele método de produção e mude. Não esqueça que você ainda tem muitos anos de vida nesse planeta e mudar de hábitos agora vai fazer toda a diferença no seu futuro.

E você se pergunta, mas por que essas pessoas aceitam trabalhar nestas condições?
O salário nestes países é muito baixo, e o que as empresas ocidentais oferecem pra pagar aos trabalhadores são salários mais elevados do que os observados em outras profissões do mesmo país. Assim, as pessoas se submetem a preferir esse tipo de serviço por ganhar mais e as empresas lucram absurdamente.


A cultura da moda vai sendo destruída...
Diversos estilistas estão estressados com a aceleração do processo de criar novidades, que acaba por limitar a criatividade e inovação dos designers, pois precisam concorrer com as fast fashion que copiam suas coleções. Se antes tínhamos novas silhuetas a cada 5 anos, hoje a moda recicla tendências do passado pela necessidade da venda rápida, alimentadas pelo marketing.

"As pessoas acabam não “saboreando” o que compraram e, pior, isto ensina aos jovens consumidores que a moda não tem valor." 
Li Edelkoort

Um dos reflexos desse novo desejo consumidor é o slow fashion, termo criado por Kate Fletcher em 2007, que une o sustentável, o "verde” e o ético na moda incentivando uma reflexão sobre a indústria do vestuário e seu impacto sobre o meio ambiente. 

O que é Moda Sustentável? Esse é um tópico que quero detalhar em outro post, mas adianto que são iniciativas que permitem justiça social e ambiental, que inclui redução da produção e do consumo. Uma mudança não apenas de hábitos mas de conceitos econômicos.

A trendhunter holandesa Li Edelkoort listou em seu “Manifesto anti-fashion” as razões que a motivam a acreditar que a moda do jeito que conhecemos hoje está obsoleta devido a essa imensa exploração de mão de obra escrava, produtos tóxicos ao ambiente e o ritmo desenfreado de produção e descarte sem pensar nas consequências ambientais e sociais.

Li ainda adiciona que esse hábito de roupas novas a cada quinze dias se reflete nos blogs de moda onde pessoas que tem conhecimento e repertório de Moda  são substituídos por blogueiros sem especialidade nem crítica profissional sobre o assunto, reforçando a ideia de que Moda não é importante e sim, o consumo.



Mas como reverter isso? Como será o futuro?
É possível que nós mesmos desenhemos o que queremos vestir. Haverão também as máquinas de impressão 3D, além da customização em larga escala, onde o cliente entra na loja, escolhe a roupa e a customiza lá mesmo. 

Queremos nos aprofundar cada vez mais em moda ética e sustentável porque acreditamos que esse é o futuro de uma indústria da moda mais justa não apenas com os seres humanos mas também com a natureza. Temos que (re)construir um futuro melhor pra todos nós, afinal, os recursos do planeta são limitados e a gente mora aqui. Falta d´água e mudanças climáticas já estão dando as caras... Mais de 20.000 litros de água são usadas pra produzir um quilo de algodão que fará 1 blusa e 1 jeans! Imaginem isso em larga escala!! Infelizmente os governos regulam a quantidade de água que a população consome, mas liberam as indústrias pra continuar gastando horrores, inclusive aqui no Brasil! Fiquem de olho nisso!  

Eu vi pessoas comentando que não é tudo "tão simples assim" de mudar. É realmente difícil mudar hábitos, mas pode-se começar com a SUA mudança de comportamento consumidor: pagando peças com seu "valor real"; cobrando/questionando a marca que você gosta sobre onde e como as roupas deles são produzidas, aliado à um consumo mais consciente e valorização do sustentável/alternativo/artesanal que pode ser mais caro, mas é mais duradouro e de fabricação justa. Jogar roupa no lixo de 6 em 6 meses está saindo de moda definitivamente.


   Você pagaria mais por uma roupa - ou o seu valor real - se soubesse que ela não tem trabalho exploratório? 



Para saber mais:
- Uma reflexão sobre a moda fast fashion
- Consumo Consciente, uma reflexão mais profunda

Estou lendo dois livros ótimos sobre o assunto e não vejo a hora de dividir com vocês o que aprendi! Quem se interessar:
- Moda Ética para um futuro sustentável
- Moda Sustentável, um guia prático

- Experimento da Fashion Revolution em Berlim que oferecia camisetas a 2 euros (cerca de R$ 6).
- Documentário espanhol “Vítimas da moda, do glamour a escravidão” mostra inúmeros produtos químicos perigosos usados no tingimento de peças sendo descartados nos rios.
 - Documentário "China Blue” de 2005 (meu primeiro contato com o tema!) foi feito sem a permissão das autoridades chinesas, mostra como as pessoas trabalham em fábricas e como os lucros são obtidos e mantidos nos países de primeiro mundo.



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22 de maio de 2015

Stooge: peças que estão saindo de estoque (aproveitem!)

Como vocês já devem ter visto, recentemente postamos sobre a nova Coleção da Stooge, a 
BlackHeart ♥ , fizemos um post sobre a coleção feminina e outro sobre a coleção masculina. Mas desta vez vamos falar sobre acessórios e peças de coleções antigas que estão ou com preço mais acessível ou podem ser as últimas peças.
Foi o que aconteceu com a minha maxi bolsa Clean & Bold. Ela era a última no estoque, mas ainda tem a toalha da mesma estampa disponível, incluindo a estampa lovely mermaid (pras leitoras sereias). A maxi bolsa wicked witch tá R$49,90.



Maxi bolsa Clean & Bold  com estampa ao estilo tattoo old school: em tecido, com forro e fechamento em zíper. Eu curti porque a estampa é meio que um barco afundando no mar e sereia safadinha toda seduzente. Tem a lenda diz que as sereias cantavam, atraíam marinheiros, os enlouqueciam e os afogavam. Achei o máximo ter tudo isso numa estampa.



As maxi bolsas, são maxi mesmo. Elas tem 40cm de comprimento por 50cm de largura e podem ser usadas tanto como bolsa "principal" quanto como bolsa secundária, aquela bolsa que você carrega algo extra. Como elas são grandes, servem inclusive pro caso de passar um dia fora ou como bolsa de mão no avião, pois cabe fácil uma muda de roupa e necessaires. A forma que mais uso as minhas é como bolsa extra, como nas compras, ao invés de ficar carregando um monte de mini-sacolinhas nas mãos, coloco elas na bolsa. Além de ser ótima também pra carregar um sapato baixo se eu estiver de salto.


As outras peças que selecionei são:

maxi touca (54,90) esta touca é coleção nova mas coloquei aqui porque é de utilidade no inverno que está chegando- saia pink skull (de R$ 117,90 por R$ 64,90) - top pink skull (54,90)



casaco red skull  (de 174,90 por 99,90) - camiseta skull adder (79,90)



Pra quem tem filhos pequenos:
vestido sublime baby. Touca skull ray  (29,90) - cachecol skull ray (23,90) ambos unissex pros seus filhinhos adotarem a caveirice!


kids rex - blusa bat wings (ambas 69,90). E essa estampa da blusinha da garota, não tem pra gente grande não?? *_*


E pros mancebos:
camiseta bizarre - miss gabriele (ambas 71,90)

Do meio pro fim [desde link] tem mais peças que estão saindo de estoque. O que vocês tem que ficar ligados é nos tamanhos, tem peça que não tem todas as opções.

Lembrando que a Stooge é de fabricação nacional ;)
Então, deem uma passadinha na loja pra ver outras peças que estão saindo do catálogo!


* Post Parceria

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21 de maio de 2015

A moda alternativa de Ammerman Schlosberg

Ammerman Schlosberg é uma marca nova iorquina que vem despontando no exterior por apresentar roupas irreverentes que provocam a seriedade dos negócios de moda. Seu último desfile repercutiu em canais de moda como Dazed and Confused, chegando a ficar na lista das dez melhores belezas da temporada de Inverno 2015, segundo a revista.

Tendo criadores ligados às subculturas, constroem coleções que fogem de abordagens convencionais. Para quem ama uma moda conceitual sem limites, a união dos melhores amigos Elizabeth Ammerman e Eric Schlosberg, chega como mais um nome para ficarmos de olho nas passarelas estrangeiras. Como bons alternativos, a pouca informação existente no site dá prioridade ao trabalho da dupla. Então, aqui vai uma rápida entrevista dos designers ao CR Fashion Book intercalado com imagens de suas obras.

Eric Schlosberg e Elizabeth Ammerman

Como vocês se conheceram? 
Eric Schlosberg: "Nós nos conhecemos na loja Seven New York, no SoHo. Elizabeth veio para fazer compras e eu já estava trabalhando lá. Pouco depois, ela foi contratada e nos tornamos rapidamente muito próximos."

Elizabeth Ammerman: "Começamos a sair o tempo todo e, eventualmente, decidimos começar a nossa própria linha por causa de interesses em comum e estética semelhantes".

Quais são as suas origens e como eles lhe ajudaram a chegar onde você está agora? 
ES: "Eu sou originalmente de Miami, que era um lugar superestranho para crescer. Há muito excesso e 'glamour' em todos os lugares que você olha - o que pode explicar o meu vício para brilhar. Além disso, o sul da Flórida tem uma enorme cena gótica. Foi onde eu encontrei o meu lugar, sem mencionar que estabeleceu minhas sensibilidades de moda."

EA: "Sou originalmente de uma pequena cidade do Texas. Era muito conservadora e não tinha muito como explorar conhecimento de moda e ir além. Quando fui para Nova York estudar, eu peguei o máximo de fantasias de escola que pudesse. Aprendi que a roupa pode ajudar a criar significado numa personagem e gosto de pensar que o que você veste é um suporte para suas experiências diárias."

Desfile Inverno 2015. Nomeada de "Hospital Peludo", a coleção traz uma mistura de Guro Lolita e referências médicas devido a família de Eric trabalhar na área:

O que inspira vocês? 
ES: "Eu sempre fui fortemente influenciado pela música. Sou um grande fã de Marilyn Manson. Ele e Twiggy Ramirez são meus ídolos desde a 4ª série."

EA: "Eu me inspiro em trajes históricos e Halloween. Eu também sou inspirada por praticamente todas as subculturas - Gótica, Lolita, Punk. Amo pegar estereótipos e dissecá-los."

Subculturas sendo destaque na passarela da marca:

Qual é o processo de criação de vocês? 
"Costumamos ter um tema dependendo do estado de espírito que sentimos para a temporada. Os pontos de foco não têm que necessariamente fazer sentido, mas isso é o divertimento dele - colocá-los juntos de uma maneira estranha que funciona. Na temporada passada pensamos que seria engraçado fazer uma coleção de Natal para a Primavera, que depois evoluiu para uma história sobre uma garçonete de 1950 que mexe com magia negra no celeiro do seu pai."

Quem é a mulher Ammerman Schlosberg?
"A mulher Ammerman Schlosberg é brincalhona, intelectual, sexy, poderosa, e definitivamente tem um lado obscuro. Ela sabe o que está fazendo."

Detalhe da coleção Verão 2015:

É tão bom encontrar jovens designers alternativos que conseguem resgatar na moda a ousadia das subculturas sem ter que ficar na neura de ser vendável ou não. Deixo vocês abaixo com um vídeo legal da dupla fazendo compras naquelas lojas americanas gigantescas de Halloween. Enquanto para os cidadãos comuns são só meras fantasias, Elizabeth e Eric mostram que para muita gente também são peças usadas no dia a dia.




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15 de maio de 2015

A Edição de Maio da Elle e Diversidade na Moda: Bonito é ser diferente?

Tem se comentado com muito entusiasmo na web sobre a "revolucionária" e "inovadora" capa da revista Elle deste mês de maio. A capa é espelhada e reflete a pessoa que segura a revista.

A capa diz:
"#Você na Capa"
"Assuma seu rosto, corpo e sua idade com orgulho"
"Menos tendência, mais estilo"

Mas a capa não é tão inovadora assim, em 1999, na virada do milênio, a Vogue UK publicou a seguinte edição, capa espelhada com os seguintes dizeres:

O futuro começa aqui.
"O novo corpo"
"As novas roupas"
"A nova você"

E por que falamos disso no Moda de Subculturas?
Por um motivo muito simples: o respeito à diversidade nos interessa!
Nós fomos um dos primeiros sites/blogs nacionais (incluindo mainstream) a fazer post sobre como a terceira idade está sacudindo o mundo e sobre moda plus size alternativa. Nós já falamos de alternativos com deficiência, albinos e sobre moda andrógina. E em 2010, cinco(!) anos atrás, já alertávamos sobre a moda estar em busca da diferença.

Uma moda e uma mídia mais representativa e inclusiva interessa a todas nós. 
Pois, querendo ou não, ser alternativo não é ser totalmente excluído da sociedade, é viver em paralelo à ela. E ser idoso, ser deficiente, ser andrógino não pode ser visto como cidadãos de segunda categoria!

Bonito é ser diferente?
Foi interessane a Elle Brasil ter colocado Ju Romano, uma linda blogueira plus size (numa pose que lembra a de Beth Ditto para NME de 2009), Magá Moura (que nós já entrevistamos) e outras seis mulheres fora do padrão em suas capas para tablet. Mas isso também nos levantou o questionamento: por que na capa para tablet e não na capa que vai pra banca?

Todos sabemos que a versão tablet será acessada por uma porcentagem pequena de leitores. Revistas são pagas por anunciantes e pensamos: será que os anunciantes estão prontos pra colocarem plus sizes, idosas, albinas, andróginas e alternativas como representantes de seus produtos nas capas de revistas de Moda??
Capas precisam ser aprovadas por anunciantes, ser aprovadas por empresas de moda, ser aprovadas por editores, capas que chegarão aos rincões deste país e farão a mulher comum do interior se identificar com o que vê. Numa capa espelhada, ela se refletirá. Vai achar legal e vai querer comprar pra se divertir em casa tirando fotos e fingindo ser ela na revista. Mas sentirá uma mudança real do mercado? Ela entrará numa loja e encontrará roupas pro seu corpo? Ela não enfrentará preconceito por usar uma estética diferente?

 Juliana Romano, Andreza Cavali e Magá Moura nas capas para tablet
Elle Brazil may 2015


De 1999 pra cá, o desejo não foi alcançado.
Será desta vez que o mercado mudará? Ou aceitar a diversidade é apenas mais uma trend? Assim, a Elle nos levanta novamente aquele debate que, se moda faz parte de um sistema capitalista, como saber se o "diferente" é mais uma jogada de marketing ou uma real mudança de mercado? Revistas que sempre castraram mulheres dizendo como elas deveriam ser, o que deveriam usar, que produtos de beleza disfarçarão sua idade, qual maquiagem a deixará com aparência rejuvenescida, agora dizem para elas se libertarem de tudo isso que promoveram?!

No documentário Fabulous Fashionistas que é sobre mulheres idosas com estilo, foi perguntado à um editor de moda sobre a abertura do mercado aos mais velhos e ele disse que essa "aceitação" é passageira. Isso nos deixou intrigadas, pois ele - diante do cargo que ocupa e como inglês, que é mais aberto as diferenças do que nós - mostra que o sistema vai ainda demorar muito para mudar a mentalidade.

A diversidade está na moda, isso é fato. Mas é difícil saber se a indústria da Moda mudou mesmo ou se está apenas curtindo a onda do momento, por isso ainda observamos com cautela. Temos receio de falar que o sistema da Moda tá mudando, porque em se tratando dela, tudo pode ser cíclico, a não ser que a população realmente fique em cima. Preferimos então apontar marcas que já nascem com esse conceito ou citar pessoas que isoladamente ou em grupo estão fazendo a diferença do que dizer que "a Moda" está fazendo tudo isso.
A moda vive do novo... Quando um "novo" surge, o antigo é deixado de lado. Torcemos para que o "bonito é ser diferente" não seja mais uma trend, seja algo palpável, duradouro e de fato, sentido na pele, no dia a dia.


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13 de maio de 2015

Neil Gaiman, imperfeições e máscaras sociais: "Finja um pouco de cada vez"

Há uma cobrança para que as pessoas retirem suas máscaras e sejam sempre as mais verdadeiras possíveis. Pitty cantava "tira a máscara que cobre o seu rosto. Se mostre e eu descubro se eu gosto do seu verdadeiro jeito de ser."
O verdadeiro jeito...
Para quem mostramos nosso "verdadeiro jeito"? Talvez só pra nós mesmas. Ou talvez você se mostre verdadeira, mas pode ser chamada de antipática, mal educada, louca... às vezes nem sabemos quem somos plenamente, como vamos mostrar nosso eu verdadeiro aos outros???

As máscaras sociais ao longo da história foram importantes pra evolução do homem, como proteção das hostilidades e como negociação com os inimigos. Mas a máscara também tem função ritualística em várias tribos, de forma positiva, homenageando ou personificando deuses e também são positivas no teatro, mil faces entretêm a plateia.

Nós nascemos e fomos socialmente construídos, cheio de obrigações sociais. O quanto da sua personalidade foi adquirido de seus familiares, da escola e do mundo ao seu redor? E o quanto disso você não se identifica, como por exemplo, a obrigação de estar sorrindo sempre, até quando não está a fim?? É a preocupação de passar a imagem de perfeição sendo que o que mais a gente faz é tropeçar no caminho. 

Nós ainda usamos as máscaras, mas veja bem, ela não precisa ficar só no rosto! Ela pode estar nos gestos, nas roupas, numa palavra, uma atitude... O fato é que, quanto mais evoluímos, menos precisamos delas pois a maturidade nos faz querer desprender-se cada vez mais. Porém, muitas vezes ainda precisamos usá-las para abdicar de quem somos em prol da boa sociabilidade. E é exatamente sobre isso que Neil Gaiman respondeu à um leitor de seu tumblr: mesmo usando uma máscara, você pode fazer o bem pra si mesma ou às outras pessoas.

O comics Rose and Thorn, de Tom Taylor e Neil Googe: a máscara que usamos para esconder nosso lado obscuro:



"Querido Neil, eu sou uma pessoa horrível. Como ser gentil, por favor?"


Neil Gaiman: Às vezes eu suspeito que todos nós somos pessoas horríveis. Ou, pelo menos, somos pessoas humanas. Mesma coisa. Nós somos impacientes, julgadores, irritantes e irritados, mal humorados, facilmente ofendidos e o resto.
Então, como ser mais gentil se ele não vem naturalmente?

Finja.

Finja um pouco de cada vez.

Porque não há realmente nenhuma diferença entre fazer algo legal para alguém só porque você é naturalmente santo e perfeito, e fazer algo legal para alguém porque você é secretamente demoníaco e tenta encobrir-se. Ainda é um ato de bondade e de qualquer forma, você ainda fez a vida deles melhor.

Sorria para as pessoas. Diga olá. Pergunte sobre suas vidas. Lembre-se sobre o que eles falaram sobre suas vidas. Faça pequenas coisas para tentar ajuda-los. (Eles não vão saber que você é horrível, não se preocupe. Eles só vão perceber que você está ajudando.)

Dê às pessoas o benefício da dúvida. Lembre-se que é mais frequente a estupidez da culpa do que o mal, que todos podem estragar (incluindo você) e o importante é aprender com isso.

Pense "O que uma pessoa boa realmente faz agora?" – e faça isso. Não bata em si mesmo quando você falha. Seja tão gentil consigo mesmo como você seria para os outros - mesmo que você tenha que fingir.

E boa sorte.


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11 de maio de 2015

Skateistan: empoderando meninas afegãs

Diante dos graves problemas sociais que o Afeganistão enfrenta, um lindo projeto surge renovando a esperança dos jovens oprimidos pelos conflitos da região: Skateistan. Iniciado em 2007 pelo skatista Oliver Percovich, o australiano despertou a curiosidade das crianças perante o desconhecido esporte nas ruas de Cabul, começando a dedicar-se ao ensino e assim criando uma pequena escola sem fins lucrativos no país. Dois anos depois e com ajuda de patrocinadores, concluiu um skatepark completo tornando Skateistan à primeira escola de skate do Afeganistão destinado ao ensino de alunos de todos os gêneros, sendo mais de 40% meninas. Hoje, recebe o título de organização não governamental internacional com sede também no Camboja e África do Sul. 


Segundo o site, o projeto abraça aprendizes de diversas origens étnicas e sócio-econômicas, dentre elas crianças que trabalham na rua e jovens com deficiência. Tem como objetivo não só ensinar o esporte, mas também proporcionar acesso à educação e com isso ajudar a desenvolver ferramentas para que a nova geração afegã possa ter oportunidades de conseguir fazer mudanças sociais futuras. Entre os valores do programa estão: qualidade, propriedade, criatividade, confiança, respeito e igualdade.
O fundador Oliver Percovich dando aula a uma menina

"Skateistan é apolítica, independente, e inclusive de todas as etnias, religiões e origens sociais. Skateistan pretende ser sempre um projeto social inovador e de qualidade."


Oliver reconhece o efeito que a iniciativa tem sobre as meninas afegãs. Em entrevista ao SpitFire Wheels, comenta detalhes como não apresentar imagens, vídeos, moda ou música do ocidente para que elas possam desenvolver sua própria cultura em torno do esporte. Fala também da visita de Louisa Menke, o que resultou nas alunas a acreditar que uma garota pode ser realmente uma boa skatista. Ressalta a importância de focar na educação das mulheres pois menos de 20% sabem ler ou escrever e revela que o skate já é o maior esporte feminino no Afeganistão, sendo 50% de participação feminina em atividades do Skateistan e 50% sendo funcionárias do local. 

Imagens: Jessica Fulford Dobson




Seria muito legal uma filial do Skateistan no Brasil, ainda mais que o esporte tem se desenvolvido com muita força no país, e a cada dia cresce a representação de grandes skatetistas brasileiras no circuito internacional, como Karen Jonz, Letícia Bufoni e Pâmela Rosa.

Simbora grrrls!

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8 de maio de 2015

O lançamento oficial da tintura Candy Color!

Recentemente aconteceu a festa de lançamento oficial da tintura Candy Color
Pra quem não sabe, a Candy Color é uma coloração profissional semi permanente em tons fantasia, com textura em gel e que dura em torno de 40 lavagens. É vegan, não testada em animais e sem ingredientes de origem animal. Está no mercado desde o fim de 2010 e de lá pra cá a fórmula foi modificada algumas vezes visando claro, melhorar o produto.



Festa de Lançamento

Após um básico processo burocrático, ano passado a marca finalmente conseguiu registro na ANVISA e com o recente lançamento oficial, veio uma nova embalagem, novas tonalidades e algumas tonalidades já existentes tiveram mudanças na fórmula - que foi desenvolvida por um colorista profissional que usa e conhece as tintas gringas há mais de 10 anos, com isso a Candy tenta cada vez mais se aprimorar para oferecer um produto nacional que se aproxime da qualidade das tintas estrangeira.


Pra quem nunca usou a Candy, ela é pronta para uso, não é necessário misturar com água oxigenada. Só que, claro, requer descoloração prévia, só funcionando em cabelos a partir do tom loiro. Cada cor necessita de uma base de descoloração apropriada para atingir o tom desejado (a marca envia um folheto explicativo e ilustrado). Essa é a nova tabela de cores:

*clique pra aumentar*

As três novas cores: Aluminum, Raven e Sky Pink.

Raven: é uma tinta de cor escura para cobertura emergencial. Sabe quando você vai numa entrevista de emprego e precisa "amenizar" sua cor? Deixar um pouco mais "discreto"? Então, a Raven cobre até 80% dos cabelos de forma temporária, saindo conforme as lavagens. Por exemplo, em um cabelo vermelho, o resultado será um vinho escuro. Em cabelos loiros ou de base muito clara o resultado é prata escuro. Pode ser necessária mais de uma aplicação para que a cobertura seja satisfatória. 
Veja: teste da Raven



Aluminum: é a tinta em tom cinza! Isso mesmo! Sabe aquele cabelo grisalho/prata? Com uma base bem loira, você vai conseguir essas tonalidades. A Aluminum também pode ser usada como matizadora como ilustra o quadro acima. E abaixo, a Belz usando Aluminum e Raven.
Veja: teste da Aluminum



Imagem de  Inspiração


E finalmente a nova tonalidade é a Sky Pink, que é um rosa clarinho! Se você, como eu é da turma das amantes do pink e precisava misturar a Royal ou a Magic Pink em creme branco, a proposta da Sky Pink é já ser num tom mais suave que agilize esse processo.


O Candy Color Mix permanece no catálogo, é uma base sem cor que serve para diluí-las. Por exemplo, um pouquinho de Blueberry com o Mix numa base loira bem clara vira lilás. Mas não esquece que pra ficar pastel, pastel meeeesmo, seu cabelo tem que estar praticamente branco/platinado! 



Eu tenho usado a Candy continuamente desde fevereiro do ano passado (mas em 2011 usei em mechas). Já usei Sweet Grape pura; Sweet Grape com Royal Pink; Sweet Grape + Magic Pink + mecha de Blueberry; Royal Pink com Magic Pink e ainda não vou dar meu parecer sobre a nova fórmula porque recém essa semana encomendei meus tubos! E dessa vez vou experimentar uma cor que nunca usei antes, estou super ansiosa, já entrei no processo de desbotar meu laranja com rosa pra deixar o cabelo loiro e testar a nova cor! *_*


A Candy Color tem sido bem aceita pelo mercado nacional e ficamos orgulhosas de ter no Brasil, alternativos abrindo empresas no ramo cosmético  ;)


Dicas: Você mora em alguma cidade/Estado onde existe um pessoal interessado em tintas fantasia mas não encontram pra vender? Você pode contatar e marca e ver se tem vaga pra ser revendedor(a) na sua região. Se você mora em SP, encontra a Candy em lojas da Galeria do Rock e na Endossa da R. Augusta. E ainda tem umas lojinhas na web vendendo a Candy na fórmula antiga com desconto pra renovar o estoque.


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6 de maio de 2015

Sandália Melissa: a Intolerância Estética como reflexo da falta de Cultura de Moda

O post anterior foi sobre a falta de cultura de moda e suas consequências. Neste artigo, vamos mostrar que uma dessas consequências é a intolerância estética. 
O  acessório que citamos naquele artigo são os modelos Animal Toe Vivienne Westood da Melissa, cuja ponta simula uma pata felina. Lá, falamos da diferença de um produto comercial, de um conceitual e da moda irreverente. A Melissa tem investido muito no lado conceitual, construindo Galerias de Arte aqui e no exterior. O conceito de irreverência tem caracterizado muitas coleções da grife. Porém, observamos que os calçados que saem fora do padrão, são verbalmente rejeitados pela clientela brasileira da empresa. 
Será que é falta de cultura de moda? Possivelmente. Existe a dificuldade de separar o gosto pessoal (achar algo feio ou bonito) da moda conceitual como expressão criativa de um designer. Moda esta que é uma especialidade do trabalho de Vivienne Westwood. A Rainha do Punk constantemente deixa de lado o senso comum em suas criações buscando novas formas e exotismo.

O animal toe tem a ponta imitando a pata de um felino

A cultura de moda nos capacita julgar uma peça irreverente sem levar em conta nosso gosto pessoal e considerando o design ou a história do criador. 

A única razão pela qual estou na moda é para destruir a palavra "conformismo".
Vivienne Westwood

Westwood é uma das pioneiras ao fazer o corset ser usado como peça de estilo. Então, toda vez que você ostentar na rua o modelo por cima da roupa (a peça é originalmente uma underwear), não esqueça de agradecer à Vivi.
Com suas ideias e criações à frente de seu tempo, ainda hoje suas roupas carregam aquele mesmo ar inovador de 40 anos atrás, quando criou o que conhecemos hoje como Moda Punk. Ela fez inclusive, camisetas adornadas com ossos de verdade! Atualmente luta pelo consumo consciente, por uma moda mais ética e recentemente empoderou mulheres na África através de um projeto de costura que dá controle à vida de mulheres marginalizadas que vivem na linha da pobreza.

 

Desde 2004, a estilista tem sua própria linha de sandálias na empresa Melissa. Algumas de suas criações para a marca são versões simplificadas ou modificadas em plástico de seus modelos em couro. Para muitas de nós, comprar uma Melissa desenhada pela Vivienne é a única forma de ter um sapato da estilista a preço acessível.


Versões em couro e em plástico (Melissa)


 

O mais intrigante de tudo isso é que as versões mais conceituais da Melissa não são peças baratas, indicando assim, que, supostamente, seus clientes possuem um nível mais elevado financeiramente, e não seria justamente pessoas desse nível que costumam ter mais cultura? Será que se essas pessoas tivessem a curiosidade de ir atrás da história da Vivienne, mudariam os olhares sobre suas criações mais conceituais?
Um dos países que mais usa e admira os calçados da inglesa é o Japão. Sim, o país do street style mais criativo do mundo. O país que inspira tendências tem pessoas que adoram usar moda irreverente. É de se refletir se nossa resistência ao irreverente vem da a falta de cultura de moda.

Calçados da Vivienne Westwood no street style


Melissa Ballet (e similares)
Esse é um outro caso que reflete a possível falta de cultura de moda em nosso país, pois é mais um exemplo do desrespeito à identidade visual individual. O âmbito novamente, não é discutir sobre gosto, pois cada um tem o seu, e sim, abrir um questionamento sobre saber julgar sem levar seu gosto pessoal em consideração.

A internet permite situações paradoxais. Ao mesmo tempo que forma amizades, debates, revela o lado preconceituoso e intolerante das pessoas quando se unem. O caso aqui é a forma que algumas meninas usam a Melissa Ballet (ou versões similares de outras marcas): amarrada por cima de meias 3/4 ou de calças jeans.
Disseram que era falta de "bom senso"...
"Bom senso" é algo socialmente construído. O que é bom senso na Moda hoje, não era há dois séculos atrás. E sem a quebra do bom senso, a moda alternativa não existiria.


O Brasil é famoso por ser um país conservador em termos de moda e de mulheres inseguras quanto à sua aparência. Mulheres que preferem vestir as tendências do que "ousar" criar um estilo próprio e talvez, diferente do habitual, tanto que o uso desse calçado de forma mais tradicional e "romântica" é muito mais aceito. 

Particularmente, o que impressionou no caso da Melissa Ballet foi a quantidade de pessoas alternativas (ao menos na aparência) criticando de forma bem agressiva, a forma que a mesma é usada pelas meninas.
 

Mas o que seria da  Moda Alternativa se não houvesse a desconstrução do que é correto, belo e ideal??

Não foram subculturas como a punk e a metal (nascidas em classes operárias)  que desconstruíram conceitos do bom senso na moda? O que seria dos nossos acessórios de spikes se um dia os punks não tivessem pego uma coleira de cachorro e colocado no pescoço?


Por muitos séculos a moda foi usada como divisão de classes. Tem sido dito que a sandália é um "item de funkeira e favelada". Nós que estudamos a Moda das Subculturas, já notamos como as subculturas das periferias brasileiras têm desconstruído e reconstruído estéticas do mainstream de forma muito peculiar. São jovens que quebram o uso comum de artigos de moda.  E às vezes essas modas de periferia estão tendo uma expressão estética de forma mais ousada que os auto intitulados alternativos... que estão cada vez mais "mainstreanizados".

Então, questionamos: qual o problema dessas meninas de classe popular usarem a sandália de forma "fora do padrão"? 

Por que não tenho visto alternativos brasileiros desconstruindo conceitos estéticos com a mesma ousadia e ferocidade? 
Por que nós estamos incomodados demais com as pessoas que têm usado a moda de forma irreverente?
Por que os "alternativos" julgam essas garotas se elas estão usando a sandália exatamente de uma forma "alternativa"?

Melissa e Zaxy (marca também da Grendene)

A gente quer ser respeitado pela individualidade e liberdade estética, mas rimos e fazemos piada de quem quebrou as regras do vestir. A gente quer o direito de usar uma plataforma de verniz ao meio dia junto com um corset e quer "proibir" uma sandália amarrada por cima da calça por ser falta de "bom senso"...

Ninguém é obrigado a gostar do estilo dos outros, com certeza! Mas fica difícil reclamar que o Brasil não respeita nosso individualismo estético quando vemos alternativos reproduzindo desrespeito, intolerância e também o preconceito de classe. Cultura de Moda... algo mais do que necessário...


E mais um questionamento: e se esse estilo tivesse vindo de algum artista ou sendo usado no street style japonês,
o julgamento seria diferente? 


E você, tem alguma opinião sobre?
C
onta pra gente! O espaço é livre também pra opiniões opostas às nossas, mas com respeito, ok?!



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4 de maio de 2015

A falta de cultura de moda e suas consequências

Ao ser lançado um novo acessório no Mercado, observamos a quantidade de comentários negativos advindos do design inusitado da peça. Surgiu então a vontade de se pensar mais sobre o assunto.
O âmbito não é discutir gosto, pois lógico, cada um tem o seu. E sim querer trazer informações de moda que talvez possam ajudar a compreender o conceito de um produto, ou até mesmo a irreverência de uma pessoa. A falta de informação, seja de qualquer assunto, nos torna mais vulneráveis, principalmente a cometer julgamentos errados. Por isso é sempre bom tentar desmistificar o que se desconhece.

Cultura de Moda
Acredito que seja de senso comum a importância da cultura numa sociedade, pois ela está entre os pilares da educação. E o mesmo vai ocorrer quando se refere à Moda. Pode parecer fútil reclamar da não valorização da cultura de moda num país onde a educação é tão precária, só que não é bem assim quando se conhece a profundidade do tema.
A falta de entendimento da área - igual a da cultura em geral - abre portas para intolerâncias sociais, que em casos extremos, pode levar até a morte. Alguns exemplos de atitudes reproduzidas:
- desrespeito à identidade visual de cada ser humano (sabe quando você usa algo incomum e ficam apontando e rindo?);
- desconhecimento do seu próprio estilo acarretando inseguranças estéticas, chegando ao ponto de ser facilmente convencido por opiniões alheias do que deve ou não usar;
- desvalorização de sua própria cultura por vira latismos;
- desconhecer sua voz e não questionar as armadilhas do mercado;
- ser levado pelo excesso de consumo e modismos por pensar que esse é o único meio de “estar na moda”, tornando-se uma fashion victim (vítima da moda).

 "Sem mais vítimas da moda", é o que diz a camiseta da estilista e ativista inglesa Katharine Hamnett


Moda conceitual x Comercial
Questão que causa bastante dúvida aos que estão do lado de fora do mercado. Vamos pegar o caso dos desfiles. A diferença básica entre moda conceitual e comercial é que uma está focada no conceito e outra mais em vendas.

Sabe aqueles looks que você pensa “mas que diacho é isso, quem é que vai usar um treco desses?”, então, o intuito dessas peças não é necessariamente o uso, seu grande foco é mostrar até onde vai a capacidade de criação de um designer. Mas o fato de ser conceitual não significa que não possa ser utilizada. Como dito no post O que é moda alternativa?, há pessoas com forte senso artístico e não possuem medo em ousar. Um belo exemplo: Lady Gaga.

Essa é uma moda que causa muita polêmica no meio, pois diversos estilistas consideram desnecessário a sua abordagem, já que moda significa business (vendas), e deve ser focada em agulha e linha e não em show. Se moda conceitual é relevante ou não para o mercado, aí vai depender da crítica de cada um.

Lady Gaga vestindo Comme des Garçons Inverno 2012
A editora de moda Anna Dello Russo com Moschino Inverno 2014


O lugar da Moda Alternativa
Apesar de existir alternativos de todos os estilos, a moda alternativa se encaixa no conceito do irreverente.  
E o que é irreverente na Moda? É uma estética que abandona o senso comum, está em busca de novas formas, fugindo dos modismos. Pode ser denominado de exótica, quando querem elogiar, ou de bizarro, quando partem para o insulto (se bem que nos chamar de bizarro é até um elogio, rs).

Pessoas com estilo irreverente são minoria, mas isso não diminui sua importância, pelo contrário, detém enorme destaque no mercado já que são as lançadoras de tendências. Como não gostam de usar o mesmo que a massa, procuram se diferenciar criando o que será no futuro novos modismos. A moda japonesa é uma boa demonstração desse fenômeno.

Alternativos também não curtem se vestir igual a massa, repare que somos atraídos por peças consideradas incomuns, ou conceituais, como explicado acima. Aquela bolsa em forma de morcego, um guarda-chuva com desenho de pentagrama, chapéu com contornos de teia de aranha... A moda alternativa está inserida na moda conceitual, não à toa, estilistas com background alternativo são grandes criadores de tendências (Marc Jacobs, Nicola Formichetti, Riccardo Tisci, Gareth Pugh e outros).

"Os movimentos sociais, impregnados de novidade na maneira de se vestir e de se comportar, acabam inevitavelmente gerando algum tipo de identidade visual que, por sua vez, é logo absorvida e transformada em elementos de moda. Incentivados pelo consumo e pelo sistema capitalista, o visual de roqueiros, beatniks, mods, hippies, punks, darks, góticos, clubbers, ravers, yuppies, skatistas, cybermanos e tantas outras tribos sociais acabaram sempre a serviço da gulosa e inconstante Moda."   Dicionário da Moda de Marco Sabino

Acredite, o que você acha esquisito hoje, amanhã poderá estar louca para comprar um! Acessório de cabelo com formato de orelha de coelho no desfile Louis Vuitton e amenizado pela Urban Outfitters:
Alternativos são atraídos por peças irreverentes e conceituais. Produtos Miniminou:


Look do Dia
O Look do Dia deveria ser uma vitrine de estilo e não de cópia completa, ou seja, no sentido de querer ser totalmente igual a blogueira em questão. Para um alternativo desprendido de regras pode parecer uma obviedade, porém, quando olhamos amplamente, percebemos que muita gente é facilmente induzida a querer aparentar quem não é, o que implica na falta de autoestima. Infelizmente no Brasil isso é bem comum, já que o sentimento de inferioridade atinge a nossa construção social.

Ao contrário da vibe tupiniquim, as estrangeiras posam para seus Looks do Dia sem muitas pretensões. Não costumam seguir tendências, raramente fazem parcerias com marcas e estão adaptadas ao ambiente em que vivem (um fator importante!). Estamos muito acostumados a olhar para o exterior e é necessário certa cautela, pois há grandes chances de frustração devido o nosso modo de vida ser diferente. 

Um punk americano não é igual ao inglês, a mesma coisa com um gótico alemão e um sueco. E por que deveríamos ser iguais? Claro que isso não impede de usar algo que lhe atraia esteticamente, gosto é gosto. Mas por exemplo: eu só uso roupa preta e me mantive assim mesmo com a sensação térmica de 50 graus na minha cidade em pleno Verão. Continuei com o meu gosto, o meu estilo, só que com adaptações. O importante é ter consciência pois assim você cria caminhos de manter a sua estética e não abandoná-la.

Alternativas internacionais: estilo próprio acima de tudo

Para terminar, é bom lembrar que foi se o tempo em que ter cultura de moda pertencia a elite. Pela internet, encontramos livros onlines gratuitos, sites e blogs muito bons com esse tipo de conteúdo. O Brasil é o país com a maior quantidade de universidades de moda do mundo, tá mais do que na hora de mostrar essa nova cara. Contamos com vocês! ;)


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