Destaques

30 de dezembro de 2019

Conheça as peças criadas por Sana em parceria com a loja Sweet Sam [Corporate/Glam Goth]

Como parte da comemoração dos 10 anos do Moda de Subculturas, uma das propostas foi a criação de peças em parceria com lojas alternativas parceiras do blog! Hoje apresento as peças que eu, Sana,  desenvolvi em parceria com a Mine, da loja Sweet Sam.
Atenção! Devido ao lançamento, as peças estão com brinde + desconto de 10% por dez dias na loja! (até 09/01). Após esse prazo retornarão ao preço normal, e você poderá usar o cupom "Subculturas", porém o desconto do cupom é menor que o dado agora no lançamento.
Micro Coleção "Glam Goth", composta por 3 peças: uma blusa e duas saias.
Modelo: Sana @sanaskull/ Foto: @barbaratomasiafotografia 

Vocês já devem conhecer a loja Sweet Sam e recomendo a leitura da entrevista que fiz com a Mine pra conhecer a história, contexto e forma de criação da marca. É só vocês clicarem neste título: "Mine da Sweet Sam conta tudo sobre a marca e sua participação no programa Troca de Estilos".

O processo de criação 

Assim como Mine, me graduei em Moda. Ser estilista de Moda Alternativa é algo que deixei de lado por conta de trabalho e deveres acadêmicos, os 10 anos do blog me permitiram retornar à criação, desta vez com limitações. Por alguns anos fui estilista de uma marca alternativa de SP com total liberdade. Mas ao criar em parceria com lojas, várias questões precisam ser levadas em consideração, como pensar se peças terão a identidade da marca. Sou eu que devo me adaptar ao estilo da marca e não a marca ao meu estilo; passando pela viabilidade real das peças e seu potencial de venda. Por conta disso, foi fundamental trocar ideias com a Mine e receber as posições finais dela sobre as peças. 

Como resultado, optamos por lançar 3 peças em veludo que são intercambiáveis e formam dois looks. O nome do trio é "Glam Goth" e se compõe de uma blusa com manga de tule e duas saias. O veludo é um material que a marca já trabalha, o motivo da escolha do tecido foi por eu querer um material que remetesse à elegância. E veludo tem esse poder.
Outra coisa que eu queria MUITO era uma blusa que tivesse mangas inspiradas na manga bispo, transparentes. Eu adoro esse tipo de manga e até o momento da criação não tinha visto em marcas alternativas nacionais. Essa manga remete à moda dos anos 1930, que adoro! A década de 1930 é pouco explorada nas lojas daqui. Essa manga também foi usada na década de 1980 e retornou atualmente na alta moda com volumes imensos. Explico sobre ela mais abaixo. 

E por fim, duas saias: uma saia lápis clássica, que vai durar a vida toda porque nunca sai de moda. Ela cria visuais corporate goth, ou seja "gótico corporativo", pra quem trabalha e quer manter o estilo ou cria looks bem básicos para aqueles dias que você não está nada inspirada, já que a peça combina até com tênis. A outra saia é de fenda - também uma peça clássica, atemporal mas de pegada mais femme fatale, pra ir num evento, numa festa ou pra balada mesmo colocando aquela botona de plataforma. Uma saia que permite explorar seus extremos.

Importante: as peças da Sweet Sam são bem justinhas. Caso você não curta peças coladas ao corpo, peça para a Mine confeccionar com alguns centímetros a mais de sua medida. 
O veludo que a marca trabalha é bem fino, dá pra usar o ano todo, mas não recomendo em dias extremamente quentes (a não ser que você fique no ar condicionado, aí sim haha!)

Clique nos títulos em azul para acessar a loja. Nesta foto:
Modelo: Sana @sanaskull/ Foto: @barbaratomasiafotografia 

 Clique nos títulos em azul para acessar a loja. Nesta foto:
Modelo: Sana @sanaskull/ Foto: @barbaratomasiafotografia 


Detalhes da blusa Hollywood Glam e da saia Elvira
Modelo: Sana @sanaskull/ Foto: @barbaratomasiafotografia 


Blusa "Hollywood Glam" (com manga bispo)
Mangas volumosas fazem parte da história da moda, mas na década de 1930, período de crise econômica, o romantismo surge como uma forma de fuga com os rumores de uma nova guerra mundial.

Irenne Dunne com grandes mangas bispo, assim como e Rosalind Russel no filme Jejum do Amor.

O Glamour Hollywoodiano ajudou a propagar esta estética romântica e foi exatamente de Hollywood que tirei minha inspiração, já que adoro a moda dos 30´s, mas raramente vejo peças inspiradas no período nas lojas alternativas nacionais. Aproveitei a oportunidade! Agora a Sweet Sam tem uma peça com manga bispo na moda alternativa nacional!
A manga bispo é uma manga comprida, franzida e presa na altura do pulso, ficou popular a partir de meados do século 20, desapareceu da moda nos anos 1970 e retornou agora.

Minha inspiração: Barbara Stanwyck!
Foto: Scotty Welbourne

Enquanto a década de 20 trazia a jovem flapper, na década de 1930 essa jovem se transforma numa mulher madura e elegante, com roupas seguindo o contorno natural do corpo. Uma silhueta longilínea e ajustada, mas não apertada. E essa silhueta marca minha micro coleção com a Sweet Sam

A década de 1930 também viu surgir os conjuntos para o trabalho e o conjunto Corporate Goth é nosso lookinho dedicado ao lado profissional. O tecido usado na coleção também se liga com a moda da década de 1930: o veludo! Valorizando o luxo no dia a dia, nos anos 1930 elogiava-se o veludo "que não amassa, não enruga, é compactável e ultra elegante", foram as palavas de um artigo de 1936 do Literary Digest. E temos também as palavras do figurinista de Hollywood Walter Plunkett, declarando que "o veludo é epítome e símbolo de elegância".


Saia Lápis "Vampira"

Embora saias afuniladas já existissem no começo da década de 1910 impedindo as mulheres de darem passos maiores do que 5 centímetros [risos, mas é real], foi a coleção lançada em 1948 por Christian Dior para a "Ligne Envol" (Linha Lápis), que marca o surgimento da saia lápis. A saia era ajustada com uma pequena fenda atrás para permitir a mulher de dar um passo e assim, caminhar. Mas a peça só pegou mesmo em 1954 quando o estilista lançou a coleção "Linha H", mudando a ênfase da cintura (New Look) para o quadril. Essa silhueta era bastante diferente na época e conquistou mulheres como Marilyn Monroe que todos se lembram de seu andar "sensual" naquelas saias apertadas e difíceis de entrar...

Saia Lápis criada por Christian Dior.

A diferença é que a saia que criei em parceria com a Sweet Sam não é nada difícil de entrar e nem desconfortável já que é de veludo de malha e estica! As saias de Dior começavam com um cós na cintura natural e curvavam-se sobre os quadris e depois afunilavam as pernas logo no joelho ou mais abaixo. Exatamente como a saia que criamos! É uma peça cheia de história da moda! (como todo o resto da micro-coleção!)
A nossa saia recebeu o nome de "Vampira" em homenagem à glamour ghoul Maila Nurmi e seu quadril marcadíssimo! Minhas outras musas Bettie PageDita von Teese e Marilyn Monroe também mostram que a peça é um superclássico da moda que nunca vai ficar datado!



Saia de fenda "Elvira"

A saia de fenda tem a história bastante negligenciada, por isso é um grande prazer escrever aqui no blog já que não se encontram informações sobre ela em sites brasileiros dedicados à moda/história da moda.
A saia de fenda aparece no começo do século 20 associada à dança, especificamente ao Tango Argentino que na década de 1910 causava furor na Europa! Sua adesão na dança foi por ser uma peça confortável que permitia a mulher se movimentar (veja aqui algumas roupas da década de 1910). Essa moda do tango na Europa influenciou até mesmo o costureiro Poiret que logo estava criando vestidos com fendas "envelope". Os vestidos inspirados no tango eram mais soltos e tinham uma longa fenda central na saia que revelava calças por baixo.

Existem registros na cidade de Minnesota (EUA) de uma garota que foi presa por usar saia de fenda em 1913, depois de ficar atrás das grades a moça ainda foi levada para um sanatório! Esse modelo de saia era banido das ruas americanas pois era considerada indecente por mostrar muito as pernas. Isso me remete a diversos posts que temos sobre feminismo, onde vemos muito bem que para a sociedade, o corpo da mulher é considerado público e não privado. E as mulheres têm sua liberdade restringida apenas pelos homens considerarem seus corpos propriedade de todos, menos delas! E isso torna a nossa saia de fenda ainda mais poderosa: homenageia as mulheres que são donas de suas vontades!

As saias de fenda retornaram em outros períodos da moda: década de 1970, 1990 e agora, na época atual. Na cultura alternativa, é fácil relacioná-las com a personagem Elvira (leia a história dela aqui) e foi ela mesma que nomeou a saia da Sweet Sam:


E dá pra se inspirar também na elegância de Dita von Teese <3

História da Moda + Moda Alternativa: isso marcou a história do blog, se tornou nosso diferencial e agora se reflete na criação com a Sweet Sam! Demonstrando que os temas se unem e se completam!

Caso você adquira uma das peças ou as três e caso você também seja um colecionador de moda alternativa, estas peças fazem parte de um momento histórico do blog: a comemoração dos 10 anos. Tem valor agora e poderão ter no futuro! <3

o visual elegante de trabalho pra alternativa super profissional que não largou a trevosidade.
o visual glamouroso e femme fatale pra arrastar olhares em qualquer lugar que você vá.
Modelo: Sana @sanaskull/ Foto: @barbaratomasiafotografia 

* Lembrando que por ser lançamento as peças estão com um superdesconto, e depois vocês podem usar o cupom "Subculturas" com um desconto menor.



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É permitido compartilhar a postagem. Ao usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos precisa obrigatoriamente linkar o artigo do blog como fonte. Não é permitida a reprodução total do conteúdo aqui presente sem autorização prévia. É vedada a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, não fazemos uso comercial das mesmas, porém a seleção e as montagens de imagens foram feitas por nós baseadas no contexto dos textos. 


15 de dezembro de 2019

Entrevista com a Banda Scorcese: a cena indie em evidência

Scorcese é uma banda que surgiu em São Paulo, formada pela vocalista Thaís Amanda, o guitarrista Fabricio Goes, o baixista Rafael Vieira e o baterista Abner Eugênio. Eles iniciaram em 2016 e dois anos depois já lançariam o primeiro álbum "Broken Inside". Há muitas dúvidas que pairam sobre a situação do rock na atualidade, mas ainda assim, muitos não desistiram de tocar de forma independente, tema que fomos abordar com a Banda Scorcese que se encontra no início de carreira, além de outras questões da cena indie, influências, a garota da banda e como fica toda essa união.

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Foto: divulgação

Primeiro apresentem-se mais, contem sobre as influências, o porquê do nome Scorcese e o som de vocês.
Nós somos de São Paulo, adoramos pós-punk e temos uma forte influência dos anos 90 que foi uma ótima época para bandas alternativas no geral, e o vocal feminino se destacava bastante.

O nome do álbum é 'Broken Inside', percebi que as letras tocam muito nessa questão interna do ser humano. Nós vivemos uma epidemia mundial de depressão e suicídio, vocês estão olhando para essas questões?
Com certeza, o álbum foi inteiro escrito em um momento bem difícil de um dos nossos integrantes e mostra um diálogo interno cheio de questionamentos do porquê algumas coisas acontecem. Acreditamos que falta um pouco de amor e compreensão nesse mundo e o álbum mostra que apesar das dificuldades vale a pena lutar pelo que amamos, a música é isso, nos mostra a essência da alma de cada um e nos ajuda em momentos difíceis.


As canções são todas escritas em inglês e no instagram a comunicação boa parte também é feita no mesmo idioma. Já pensaram em escrever em português e ampliar mais o público?
Sim, sempre discutimos essa questão.
A banda nasceu com um desejo ambicioso de alcançar patamares internacionais, porém vemos o quanto é importante nos comunicarmos com o público nacional e estamos trabalhando nisso.

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Foto: divulgação

Fala-se tanto da situação do Rock no cenário musical, então vem logo a pergunta: como é ter uma banda no atual mercado? O que enxergam de caminhos e barreiras? Como é que estão conseguindo gravar álbum e clipes?
O rock no cenário mundial está meio complicado, acreditamos que os gêneros musicais têm o seu momento e tempo embora o rock não esteja tão em alta, vemos um grande desejo de mudança nas pessoas e o rock pode trazer isso.
Gravar e divulgar o trabalho nesse cenário é difícil, mas com dedicação e planejamento é possível fazer trabalho de qualidade e acreditamos nisso fortemente.

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Foto: divulgação

O termo 'indie' possui uma sonoridade bonita, mas acontece que ser independente tem seus momentos árduos, tem que se virar nos trinta toda hora. Recompensa o sacrifício? Há união no meio independente?
É difícil realmente, mas compensa o sacrifício. Temos muito amor pelo nosso trabalho e ver a recompensa do público conforme o tempo, vale muito para nós. Embora haja muitas questões ruins de união no cenário, conseguimos movimentar um grupo legal de bandas e amigos que nos ajudam a fazer acontecer.


Há uma reclamação da nova geração de que acha chato pessoas que se gabam de conhecer bandas que ninguém conhece. Essa é uma atitude muito indie, vocês carregam isso tbm?
Não, somos tranquilos em relação a isso. Todos fazem o seu trabalho e devem ser reconhecidos se assim o público julgar. Conhecer bandas diferentes também ajuda bastante a amadurecer a sonoridade, mas isso são influências internas do tipo “nossa olha a pegada daquela banda”.

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Foto: divulgação

O blog tem como foco moda das subculturas. Vocês gostam de ler sobre o tema, conhecer a simbologia das roupas? Preocupam-se com a parte visual e estética do grupo?
Nós gostamos muito no geral da simbologia e visual que a moda mais sombria traz. Tem uma questão cultural muito forte de época e isso ajuda a marcar e influenciar gerações. Eu, Thaís, particularmente coleciono filmes antigos e adoro ler sobre, lembro muito de como filmes tipo 'Elvira', 'Beetlejuice' e a 'Família Adamns' me marcaram de forma visual, pelas roupas e estilo excêntrico.

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Foto: divulgação

Por fim, Thaís, vou fazer uma brincadeira contigo. Vou perguntar a mesma coisa que sempre fizeram à Kim Gordon: como é ser a garota da banda???
Eu acho divertido para falar a verdade kk, acredito que tem uma importância legal mulheres vocalistas de rock. Todos somos bem conectados e os meninos me tratam com muito respeito.
No processo criativo isso ajuda bastante, não só pelo fator do sexo, mas pela diferença de comportamento e sentimentos. Eu particularmente sou uma pessoa mais melancólica e os meninos são um pouco mais extrovertidos do que eu e conforme puxo mais o processo para o preto e branco eles colocam um pouco de cor não só na banda mas na minha vida também.

Thaís possui uma voz bem marcante, singularidade que sobressai nas canções.


Links da Banda Scorcese:
Instagram/Scorceseband
www.scorceseband.com
soundcloud.com/scorceseband


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6 de dezembro de 2019

Glamour Ghouls: conheça o sapato boneca criado em parceria do Moda de Subculturas com a loja Reversa

Como parte da comemoração dos 10 anos do blog, foi criado um modelo de sapato boneca em parceria com a loja Reversa, a maior loja alternativa do Brasil! 

Modelo único no mundo, inédito e exclusivo!


O sapato

A ideia era que o calçado fosse no modelo boneca (confira aqui a história do calçado), modelo que nós, autoras do blog amamos! É um clássico que nunca sai de moda. O desejo era que fosse em verniz. Não apenas porque é um material que caracteriza o sapato boneca historicamente, mas porque o verniz é um material resistente especialmente pra quem mora no litoral e sabe que qualquer roupa ou calçado em "couro falso" pode esfarelar ou mofar em poucos meses devido à maresia e alta umidade do ar. Então o verniz foi pensado de forma que o calçado tenha uma durabilidade temporal maior quando bem armazenado e conservado. Não foi apenas por uma questão estética embora sim, isso tenha sido levado em consideração visto que é um material que também remete à moda fetichista.

Sana (@sanakull) com o Glamour Ghoul / Foto: Bárbara Tomásia

Originalmente foi cogitado que o calçado fosse com o solado pata de bode (veja post aqui) que tem rolado muitos modelos no exterior, mas numa versão repaginada 2019. Mas acabamos optando por uma plataforma e salto que a Reversa já produz e que é superconfortável. Conforto era algo que estava desde o início na nossa mente.

Esse solado parece pesado mas é superleve! Salto 7,5 centímetros, plataforma 5 centímetros, resultando num salto "real" equivalente a apenas 2,5 centímetros. 
E tratorado - uma marca dos calçados da Reversa.
Foto: Sana (@sanakull)/ Foto: Bárbara Tomásia

Mas ele tinha que ter um 'edgy', algo que deixasse ele mais com nossa cara (minha e da Lauren). Então veio a ideia de colocar spikes em uma das tiras simbolizando várias subculturas que a gente ama. Pensei também em morcego, não apenas por ser um animal cujo formato está em voga na moda alternativa mas porque ele tem toda uma ligação com a cultura de terror que adoramos!

Foto: Sana (@sanakull)/ Foto: Bárbara Tomásia

Todo esse processo de desenvolvimento foi feito em conjunto com a Beatriz, proprietária da Reversa que foi opinando a respeito da viabilidade da forma, material e adornos.

Uma das ideias que ela trouxe foi que o morceguinho fosse de metal e fosse removível. Para que ele pudesse ser retirado quando a pessoa quisesse e também usado em outros calçados da Reversa como adorno. Ela também sugeriu as três tiras grossas. Sendo a da canela também removível.

Indo mais a fundo, você pode usar os morceguinhos de outras formas que inventar: colocando numa gargantilha, numa pulseira... é um acessório pra você exercitar a criatividade! 

Uma amostra da versatilidade: dá pra usar sem a tira no tornozelo.
Modelo: Sana (@sanakull)/ Foto: Bárbara Tomásia


Formas de uso:
- Originalmente, com 3 tiras sendo duas delas adornadas com morcegos;
- Com as três tiras mas apenas uma delas adornada com morcego;
- Com as três tiras mas sem os morcegos;
- Com duas tiras, uma com o morcego;
- Com duas tiras, sem morcego;
- Com as três tiras, mas cruzando a segunda e a terceira tiras (a de spikes passando por cima)
- Alguma outra ideia que você tiver...


Lindo demais!!
Modelo: Sana (@sanakull) / Foto: Bárbara Tomásia

A seguir veio a escolha do nome. Processo tão importante quanto à criação!
Escolhi "Glamour Ghouls" pois a união de verniz e o salto tornam o sapato glamouroso, não um glamour clássico mas um glamour alternativo, já que diversas estéticas alternativas fazem uso desse material de forma muito elegante, já a sola tratorada dá um tom "não mexa comigo"! E "ghoul" porque os morceguinhos remetem à cultura do terror, à Maila Nurmi (Vampira), de uma garota obscura e misteriosa, ou seja: o calçado perfeito para todas as glamour ghouls brasileiras!

Modelo: Sana (@sanakull) / Foto: Bárbara Tomásia

Espero que tenham gostado de conhecer um pouco do processo de desenvolvimento do produto e a história por trás. Essa foi a primeira vez que criei um calçado e agradeço imensamente à Beatriz da Reversa pela oportunidade! É mais uma conquista na história do blog!

Nos conte o que acharam do Glamour Ghouls!

Versatilidade: um pé com 1 morcego outro pé com 2 morcegos pra ilustrar as possibilidade de uso. É você quem decide que tira ficará com morceguinhos!


Esse é o link do calçado no site: 


"Parceria exclusiva Reversa com o blog Moda de Subculturas! Sapato tipo boneca em verniz com três tiras e aplicações de spikes, perfeito para todas as Glamour Ghouls! Possui detalhe de dois passadores exclusivos de morcego e solado tratorado. Material do cabedal:Poliuretano, material sintético de origem não animal com brilho envernizado. Solado: poliuretano injetado, material sintético de origem não animal. Salto de 7,5cm e frente de 5cm Forma: Este sapato tem a forma normal. Peça o número que costuma usar. Conservação: Passe uma flanela macia umedecida com água e um pouco de detergente neutro suavemente pela superfície da peça para remover a sujeira. Evite molhar o produto. Não exponha ao sol."







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21 de novembro de 2019

Juventude, Subculturas e Feminismo: Conheça a história do Sapato Boneca (Mary Jane shoes)

O modelo de sapato conhecido como "boneca", também chamado de Mary Jane, é um clássico da moda! Cheio de história, o calçado está nos pés tanto de crianças quanto de mulheres adultas e já ganhou as mais diversas versões: desde o modelo icônico criado pela estilista Vivienne Westwood até modelos que remetem à inspiração fetichista em salto agulha. Hoje vocês vão conhecer um pouco mais sobre esse calçado que nunca saiu de cena na moda alternativa!


Modelo clássico em verniz da loja Reversa


O começo

O sapato boneca surge como um calçado unissex, especialmente feito para crianças. Vocês já devem ter visto a cena em que  John Kennedy Jr. bate continência no funeral de seu pai, o ex-presidente americano  John Kennedy,  em 1963. O garotinho vestia este modelo de calçado. Assim como a famosa atriz mirim de Hollywood, Shirley Temple, usou-os de 1935 a 38.


Shirley Temple usando sapato boneca.

O motivo das crianças serem vestidas com o modelo é fundamentalmente por conta de uma tira que passa por cima do peito do pé, que impede o calçado de cair dos pézinhos que aprendem a andar ou correm por aí. 

Conhecemos por "sapato boneca" aqui no Brasil, justamente pelas bonecas (normalmente de feições infantis) serem vestidas com este modelo. Já o hábito de chamá-los de "Mary Jane" surge apenas em 1902 vindo de uma personagem da tirinha Buster Brown, desenhada por Richard Outcault publicada no Herald em Nova Iorque até o ano de 1906. A tirinha foi de extremo sucesso nos EUA, tanto que foi capitalizado e modelos do calçado foram vendidos associados aos personagens. Esse nome americano também é popular aqui no Brasil. 


Tirinha Buster Brown onde o garotinho e a garotinha vestem "Mary Janes"

Características

Sua marca primordial é ser um sapato preto de verniz, mas o que de fato define o modelo é a presilha por cima dos pés, que pode ser abotoada, com velcro ou fivelas; saltos (originalmente) baixos e bico fechado e arredondado.

 Reversa, uma das principais lojas alternativas brasileiras, já lançou diversos modelos de sapato boneca, seja no modelo clássico, seja em variações:


Da juventude ao feminismo

Na década de 1920, o modelo passa a ser muito usado pelas mulheres, especialmente as jovens. Quem lembra do post sobre as Melindrosas? Mas é só a partir da década de 1930 que aos poucos a ideia de que era um calçado apenas feminino começa a se difundir.



O calçado também parece estar muito associado à emancipação feminina e ao feminismo, observa-se que todas as épocas que as mulheres tomaram as rédeas de sua posição política na sociedade, o sapato ascende como moda. Um exemplo bem forte disso é que na década de 1960, o período do terremoto juvenil na Inglaterra, o calçado reaparece nos pés das garotas... 




... e da famosa modelo Twiggy - ícone da década - e em lojas como a Biba (clica aqui pra ler nosso post sobre a loja!). O estilista Courreéges, considerado criador da minissaia, peça revolucionária, também utiliza o modelo em sua marca. 




Vocês também devem lembrar de ver este modelo de sapato sendo usado com meias brancas até os joelhos, ou meias estampadas em imagens dos anos 1970. 



Na década de 1990, permanece associado à juventude e rebeldia quando os vemos nos pés das meninas grunges como Courtney Love e Kat Bjelland, mais especificamente no estilo Kinderwhore, visual que exatamente fazia  a mistura de infância e vida adulta. 





Naquela mesma década o calçado virou moda, e é possível vê-lo em diversas atrizes de cinema. 
Curiosidade: leia nosso post "Por que os anos 90 estão tão em voga".





Não é novidade dizer que há décadas o calçado está presente na moda das mais diversas subculturas (abaixo, sapato boneca na moda lolita) e tem ganhado novo fôlego de uns cinco anos para cá. Definitivamente o sapato boneca não parece sair de cena tão cedo!




Nas subculturas o calçado ganha traços mais exagerados, como a adição de plataforma e salto Anabela ou saltos grossos. Assim como adornos dos mais diversos tipos, como pingentes. 




Recentemente postamos sobre o retorno do solado conhecido no Brasil como "pata de bode", vários daqueles sapatos tinham o modelo boneca. Clica aqui pra ler a postagem.




Isso nos leva de novo à seu simbolismo feminista, já que alguns consideram que estamos vivendo a quarta onda do feminismo e curiosamente, o sapato boneca voltou à moda há alguns anos.




E vocês, o que acham do calçado? 
Gostam do sapato boneca/Mary Jane?





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