Destaques

17 de junho de 2021

Nova coleção da loja Reversa traz a bota Western Moonchild (que lembra uma pike). Vem conhecer a história dos pikes e como o Western foi parar no Goth!

Há poucos dias, a loja Reversa lançou a coleção Vampire Heart, e dentre os lançamentos  está a bota Western Moonchild, que chama a atenção não apenas por suas características ‘western’, mas por lembrar MUITO uma pike, aquelas botas góticas pontudas que eram bastante usadas no começo da década de 1980 pelos trad goths e que se tornaram um clássico da estética da subcultura, tendo perdurado as quatro décadas de existência da mesma, apesar de outros modelos de botas terem tido seus momentos de popularidade ao longo do tempo. 


CUPOM DE DESCONTO: MODASUB5 - válido somente para o mês de julho de 2021.



No Brasil, houve por muito tempo o desejo de um lançamento das pikes por ser dos modelos de calçados da subcultura gótica que ainda tínhamos carência. A  Western Moonchild embora não seja uma pike ‘pura’ possui suas características, como o cano alto, as tiras afiveladas e o bico fino.

Esse ‘Western/Pike” da Reversa, tem também as características da bota cowboy no formato do salto, no design (exclusivo) das fivelas e no desenho do bordado na cor prata. O legal é que o bordado trás um motivo místico, característico da marca: uma meia lua, que também é o logo da loja.




Dá uma espiadinha no ensaio da coleção!


Mas vamos contar um pouco de história: 
Por que os góticos inventaram de usar sapatos pontudos?

Este tipo de calçado remete às ‘poulaines’, que eram os sapatos medievais com pontas enormes. No começo do século 19 acontece um revivalismo medieval na Europa e este modelo é novamente trazido à moda. No começo da década de 1980, Dave Vanian da banda The Damned buscou inspiração nas histórias de vampiros e na moda masculina do começo do século 19. É assim que o modelo vai parar nos pés da subcultura. 

Lá por 1380, na era medieval, os sapatos muito pontudos eram chamados de ‘poulaines’ e chegaram a ter até 30 cm de comprimento, tendo uma sola de madeira para poder manter a ponta sem estragar ou perder a forma. Quem usava esse modelo com as pontas em tamanhos mais extremos eram os homens de classe alta, por não fazerem trabalho pesado. 


E como o western / cowboy foi parar na subcultura gótica? 

As botas de cowboy são um modelo de bota de montaria, são criações do século 19, tendo origem nos desertos do oeste dos Estados Unidos, sua função era proteger e manter o pé firme nos estribos durante a cavalgada, o salto evita o deslizamento, o cano alto protege dos matos altos e da água.

Na década de 1980, é fundada a banda Fields of Nephilim, cujo nome foi retirado da bíblia. Se encontra escrito no Gênesis que os filhos de Deus seduziram mulheres da terra e geraram uma raça chamada nefilim. Foram eles que ensinaram aos homens a guerra, a astrologia e a magia. Este mito também está presente nos Evangelhos Apócrifos em que o líder dos nefilim é comparado à Satã. A música ‘Moonchild’, da banda Fields of Nephilim, tem referência ao ocultista Aleister Crowley. Desta forma, as trevas e o misticismo se unem na banda.

Devido ao interesse da banda ao lado obscuro da cultura americana, eles buscaram também referência no oeste dos Estados Unidos. O visual da banda foi inspirado pelos filmes de faroeste do diretor italiano Sergio Leone, um visual cowboy americano de longos casacos de couro, calças e botas de montaria. Um pouco de farinha dava um aspecto gasto e empoeirado às vestimentas e ao chapéu de abas largas. Assim, a imagem do cowboy adentra a subcultura gótica.

A principal diferença do Fields of the Nephilim para outros góticos é a masculinidade. Enquanto na subcultura o visual andrógino masculino é popular e valorizado, o Fields of the Nephilim não tem nada de feminilidade, nada de efeminado… a banda trás o macho, o machismo dark e o cowboy predatório místico.


O que torna a Western Moonchild um modelo peculiar, é essa mistura interessante de elementos da estética da subcultura que vieram de caminhos e referências tão diferentes entre si e tem um resultado harmônico. Outra diferença é que a bota é um modelo que consegue 'neutralizar' o aspecto mais 'macho' das botas de cowboy, embora o salto, o recorte e o bordado estejam lá porém mais observados ao ver o cal~çado de perfil, quando se olha de frente, a maior referência é a da pike.

Se você é uma garota ‘dark’ interiorana, do campo, do sítio, da fazenda ou da cidade, pode ter certeza que o western das trevas existe, e essa bota é a prova disso! 


Algumas peças da coleção Vampire Heart


Postagem em parceria com a loja Reversa


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7 de junho de 2021

O que são tribos urbanas?

"Tribos Urbanas" é um termo popular no Brasil (e na América Latina) devido ao livro "O Tempo das Tribos" (1987) de Michel Maffesoli ter sido a única obra teórica lançada em língua portuguesa sobre pessoas que se unem com base em interesses comuns. 

Post original no instagram: https://www.instagram.com/p/CP1VE2ULV-j/

*Esse post é parte do projeto de comunicação educativa no nosso Instagram.


O termo foi apropriado pela mídia e comunicação (publicidade, jornalismo), popularizado no meio acadêmico, espalhado para a massa e caiu no senso comum. Muitos usam o termo “tribos” fora de contexto, desconhecendo a teoria Maffesoliana.


Existe diferença conceitual entre "subculturas" e "tribos urbanas", elas não são a mesma coisa.


As tribos urbanas estão presentes principalmente nas cidades urbanizadas, enquanto as subculturas podem também existir em áreas não-urbanizadas.

Para Michel Maffesoli, as 'tribos urbanas pós-modernas' seriam grupos de características como: fluidez, transitoriedade, forte ligação afetiva, pertencimento, localismo/proxemia, dispersão, não estáveis e efêmeros.


Por ser um conceito pós-moderno, "Tribos Urbanas" é associada ao neoliberalismo, que precisa de uma ideologia de identidades flexíveis para viabilizar modas consumistas cada vez mais rápidas, por exemplo. 


As tribos não se colocam fora do sistema, fazem uso dele. Usam o consumo a seu favor. É através do consumo de produtos específicos de determinados grupos que desenvolvem uma aparência como parte de sua identidade visual.


A partir do vestuário de moda, afirmam sua personalidade e constroem uma identidade a fim de se relacionarem com outros indivíduos, mesmo que essa aparência seja temporária. 


A intenção é se incluir dentro de grupos sociais primeiramente através do visual, o principal fator que determinará em qual grupo o indivíduo almeja a sua inserção social.


Fonte: KIPPER, H. A. A happy house in a black planet: introdução à subcultura gótica [livro eletrônico]. São Paulo: Edição do Autor, 2008.
MAFFESOLI, Michel. O Tempo das Tribos: o declínio do individualismo nas sociedades de massa. São Paulo: Forense Universitária, 1996b.


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1 de junho de 2021

O que são subculturas?

Segunda feira dia 31/05/2021 estreou no Instagram do blog, nosso Projeto de Comunicação Educativa. Ao longo dos anos, percebemos que falta no Brasil informação básica de grande alcance sobre conceitos científicos. O que existe é um grande senso comum sobre subculturas, o que não ajuda em nada. Então decidimos trazer uma sessão de conceitos científicos, porém de forma sucinta/objetiva e com linguagem simples. Além de subculturas, tribos e estilos alternativos, também traremos temas polêmicos e um pouco incômodos - o que é bom, porque o incomodo tráz reflexão sobre nossa construção social e identitária - que envolve politica (na cultura alternativa) e moda alternativa (lembram dos stories polêmicos sobre moda fetichista (rolou esse post aqui), foi uma treta das tretas, porque apontei que usamos muitos símbolos de opressão sem ter consciência, pois os naturalizamos (não só na moda fetichista mas em outras modas, como o retrô), o que chamam de 'ressignificação'. Mas será que realmente ressignificamos algo? O que conseguimos 'ressignificar' e o que não conseguimos? Já fica aí a reflexão. Separei um dos meses pra gente conversar sobre isso. Terá também as respostas das ótimas questões que vocês deixam neste post aqui e nas DMs.

O que tem de novo?
- Um perfil do Instagram mais informativo, educativo, direto/sucinto/objetivo.
- Facinho de salvar e compartilhar!
- Uma sessão de conceitos (científicos).
- Subculturas e Tribos
- Estilos Alternativos.
- Cupons de Descontos.
- Questionamentos sobre cultura alternativa.
- Temas políticos referentes à cultura alternativa.
- Respostas das dúvidas que vocês deixam nos posts.


Na sociologia, “cultura” envolve conhecimentos, crenças, artes, moral, leis, costumes e outras capacidades adquiridas pelo homem como integrante de uma sociedade.
Uma cultura é construída também em contato com outras culturas.
"Subcultura" são culturas presentes em culturas maiores, possuindo um conjunto diferenciado de valores, crenças, normas, padrões de comportamento, símbolos e representações próprias.
Ao contrário do que muitos pensam, o prefixo 'sub' não significa algo inferior.
Algumas subculturas desaparecem em pouco tempo, mas outras permaneceram por um longo tempo. Dentre suas características estão a translocalidade, a diferenciação consistente, identidade, comprometimento, autonomia.
Subculturas não são apenas urbanas, nem apenas juvenis e não são tribos.
Podemos também chamar as subculturas de “culturas alternativas” se tivermos em mente o que são “culturas alternativas”.

Fonte: KIPPER, H. A. A happy house in a black planet: introdução à subcultura gótica [livro eletrônico]. São Paulo: Edição do Autor, 2008.

Punks em Londres, 1983.


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8 de março de 2021

Spookies + Moda de Subculturas = Cupom de Desconto

Para o dia 08 de março, escolhi três mulheres do Rock que foram homenageadas pela loja Spookies que montou boards com os visuais marcantes delas. Vou compartilhar aqui com vocês!

O nosso cupom de desconto na loja é: SUBCULTURAS










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21 de fevereiro de 2021

Evan Rachel Wood e as diversas denúncias de abuso psicológico, sexual e físico contra Marilyn Manson

A atriz Evan Rachel Wood e outras ex-namoradas de Marilyn Manson denunciaram o cantor por abusos físicos, psicológicos e financeiros durante os relacionamentos que tiveram com ele. Nos últimos quatro anos, Evan vinha denunciando abusos e estupro sofrido por um ex que, pelos detalhes, suspeitava-se ser o Manson. A denúncia não era feita diretamente por questão judicial, já que Evan precisou de um tempo para entender o que havia acontecido e nisso, venceu o prazo de denúncia. Agora ela retorna ao conseguir testemunhas atuais.


Marilyn Manson é um artista de enorme influência. ENORME. É super criativo, tanto que, além de músico, é pintor, ator e escritor. Tem domínio da comunicação, é formado em jornalismo e trabalhou na área. É estudioso e sempre atualizado com os seus trabalhos. 

Como artista que também pinta, tem domínio de estética e assim foi abraçado pela Moda. Não pensem que a influência de Manson delimita-se musicalmente. A maquiagem, a roupa que muita gente está postando agora no Instagram, foi esse homem que lançou como tendência. "Meu figurino atrai as mulheres", disse Manson quando veio ao Brasil em 2007, ao lado de Evan. Ele sabia, e sabe, muito bem o poder que tem em influenciar. 



Por pouco não lançamos postagem sobre o estilo do Manson, porque a influência dele até hoje é impressionante! Principalmente entre mulheres e pessoas LGBT's. Só não fizemos porque daria conteúdo inédito a plagiadores (somos vítimas constantes deste ato antiético), mas existem os posts sobre Club Kids e Make Vamp que dão para se ter uma ideia. Então imagino o baque que deve ter sido estas denúncias para esse público excluído, marginalizado, e que havia encontrado acolhimento por ser quem era na arte de Manson.


A escolha dessa imagem de Evan no clipe "Heart Shaped Glasses" foi justamente por lembrar a personagem Lolita, uma menor que se relaciona com um homem bem mais velho. Em algumas reportagens, dizem que Evan começou a namorar Manson ainda menor de idade, e já tem outros casos citando o mesmo, inclusive, Manson está sendo investigado na Flórida por fazer parte de um caso de tráfico humano.


Outras denúncias semelhantes além das diferenças de idade entre Manson e as namoradas é de que todas eram fãs dele. A inocência da juventude e o fascínio por namorar seu próprio ídolo, um Rockstar, facilitou caírem em ilusões que a levaram aos abusos. Por isso, fica de alerta às jovens leitoras com menos de 20 anos que nos acompanham, prestem atenção quando forem conhecer pessoas que vocês admiram. Cuidado quando forem a camarins ou ônibus, evitem ficar sozinhas embriagadas, não se sujeitem a humilhações para conseguir ficar perto de ídolo. É assim que abusadores pescam suas vítimas.


Nazismo e Violência

Evan, que tem raízes judias, relata que Manson a fez vestir uma fantasia de Hitler e alertou para as tatuagens com símbolos nazistas do cantor: no braço direito há uma caveira "Totenkopf", no braço esquerdo quatro retângulos sobrepostos que formam uma suástica e no peito quatro letras "M", que também referenciam uma suástica.

Uma das três tatuagens do cantor, que segundo Evan faz referência ao nazismo. Shamaya, vocalista da banda OTEP também fez uma declaração pública dizendo que Manson é simpatizante do nazismo.



Esmé Bianco relata seu episódio de tráfico humano ao ter sido involuntariamente transportada Reino Unido para os Estados Unidos, onde ficou em servidão que incluía abuso sexual, físico e manipulações psicológicas. Ele controlava com quem ela deveria conversar (ela telefonava para a família escondida num armário) e teve cortes feitos com uma faca. Na filmagem do clipe de “I Want to Kill You Like They Do in the Movies”, ele a açoitou com chicote e depois usou um brinquedo erótico em seus machucados. O término do relacionamento se deu com a atriz fugindo da casa do cantor enquanto ele dormia, momentos antes ela havia sido perseguida por ele que tentou atacá-la com um machado.

A cantora Phoebe Bridgers disse ter ido na casa de Manson e declarou que o cantor falava sobre um “quarto do estupro” em sua residência e após isso, parou de ser fã. Além disso, há relatos de fãs embebedadas e levadas ao ônibus de Manson onde tiveram que tirar a roupa e terem seus seios e nádegas julgadas pelo cantor;  Ellie Rowsell, da banda Wolf Alice, relatou a ocasião em que o cantor filmava por baixo de sua saia. Ao questionar esse comportamento, teve que ouvir que 'ele faz este tipo de coisa o tempo todo'. A cantora questiona: "Se faz isso o tempo todo, por que vem sendo headliner de festivais há tantos anos? Quando iremos parar de passar pano para misóginos por eles fazerem sucesso?". 

Rose McGowan, endossou todas as falas de Wood. "Eu estou com Evan Rachel Wood e outras mulheres corajosas que se apresentaram. Leva anos para se recuperar do abuso e envio forças em sua jornada de recuperação. Deixe a verdade ser revelada. Deixe a cura começar".

E não apenas mulheres, o ator Corey Feldman relatou uma tentativa de manipulação ao uso de drogas por Manson, e que o cantor seria obcecado por ele há mais de 20 anos, declarando que viveu um 'pesadelo' numa noite (ele não deu detalhes). O guitarrista Wes Borland, que já esteve na banda de Manson, declarou ao site Blabbermouth que "Ele não é um cara legal. Cada coisa que as pessoas disseram sobre ele é verdade pra cara***, essas mulheres que estão indo atrás dele agora... foda-se, elas estão falando a verdade".

Fetiche da submissão 
A prática de fetiche tem a ver com relação hierárquica de poder (e submissão feminina), a estética Manson desde o começo é ligada ao fetichismo. O mesmo, aprecia a cultura retrô. E ao que tudo indica, esse fetiche se refletia no habito de submissão de suas namoradas. Em publicação no Instagram, Evan diz passou por uma lavagem cerebral e foi “manipulada para ser submissa”. 

Um padrão de namoradas
Manson também foi acusado por suas ex de modificar o visual delas, interferindo no estilo pessoal delas, moldando-as em uma aparência que o satisfazia. E qual seria essa aparência? Variava entre feticheretrô. Observem os looks abaixo, todas viraram uma espécie de "Dark Pin-up".



A declaração de Dita von Teese sobre Manson
Dita disse que ao contrário das acusadoras, seu relacionamentos íntimos com Manson sempre foram “inteiramente consensuais”. E que o abandonou por infidelidade e excesso de uso de drogas. 

Consequências

Após as denúncias, a gravadora Loma Vista encerrou contrato com o artista, assim como o empresário de Manson também encerrou relações. Quem também o largou foi Tony Ciulla, empresário do cantor desde 1996. O cantor também foi cortado de duas séries que participava.

É bastante problemático Manson usar a posição de artista e poder falar tudo que é monstruoso e violento com a desculpa de 'ser arte' ou 'ironia' mas na verdade ser seu real pensamento e desejo. 

Há de se considerar também, que enquanto mulheres são canceladas por um deslize na fala, artistas homens cometem crimes e violência contra as mulheres e não são 'cancelados' pelos fãs e principalmente pelas fãs. 


O Anticristo

Em entrevista ao Miami Herald em 2008, Manson disse “acho que sou muito pior fora do palco do que nele", na mesma entrevista, declara: “Não há nada mais de novo que possa ser dito sobre mim: Eu sobrevivi quando todos falaram que o tiroteio em Columbine foi minha culpa. Podem vir". Será que neste momento, o cantor está tão confiante assim?


Manson quis ser o Anticristo Superstar, mas só com as mulheres. Na época de Tiros em Columbine, momento perfeito para galgar o personagem ao mundo, amedrontou-se e sumiu. 


Referências:

https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/02/11/esme-bianco-marilyn-manson-monstro/
https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/02/12/marilyn-manson-trafico-humano/
https://istoe.com.br/estilista-diz-que-marilyn-manson-tentou-abrir-portal-demoniaco-e-apontou-arma-para-sua-cabeca/
https://www.terra.com.br/istoegente/edicoes/423/artigo62971-1.htm
https://whiplash.net/assuntos/marilynmansonassedio.html  




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18 de fevereiro de 2021

Loja Dark Fashion: Coleção Exotic + Cupom de Desconto

"Somos exóticas, únicas e perfeitas, cada uma ao seu jeito e com o seu formato de corpo!"


Assim é definida a última coleção lançada pela loja Dark Fashion. Eu sou suspeitíssima pra elogiar a loja porque é minha parceira desde o início do blog, além disso, há um ano lançamos uma coleção memorável de grande sucesso, a coleção Dark Glamour, clica aqui pra conhecer


Nosso cupom de desconto:

SUBCULTURAS


A nova coleção se chama Exotic e reforça a identidade visual característica das coleções da marca: muita renda, amarrações e peças confortáveis. E o melhor: pra todos os tamanhos e formatos de corpos. 

Convido vocês a acessarem o site da loja e conhecerem as peças com mais detalhes! Aqui vai uma espiadinha! <3












Modelos: Miriane Rodrigues e Desiré Ortiz
Fotos: Naiara Vasconcelos
Make: Magda Araújo
Criação e desenvolvimento: Nivia Larentis.




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6º edição impressa da revista Gothic Station está disponível para encomenda. Minha matéria é sobre Cybergoth!

A Gothic Station é uma revista de cultura gótica em que sou colunista de História da Moda (Alternativa) desde sua primeira edição em 2017. Para adquirir a versão física (impressa) de qualquer uma das edições, é preciso entrar em contato com o Instagram @gothicstation ou através dos contatos presentes neste link.

Para essa edição meu texto é sobre a história da moda Cybergoth. Lembrando que os textos que escrevo para a revista não são publicados no blog :)



É bastante importante que vocês apoiem projetos de conteúdo textual alternativo que visam informar e difundir a história das subculturas, tribos e moda alternativa. Sejam eles blogs, perfis, revistas, zines... Nós somos um nicho pequeno e só temos vocês. São vocês que nos orientam se vale a pena seguir esse trabalho ou não. Se há interesse, se há curiosidade... 

Não se iludam pensando que o mainstream vai abrir espaço pra nós, não vai. Só temos a nós mesmos. Por isso é que todo apoio à projetos alternativos e financiamentos coletivos são necessários.



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14 de fevereiro de 2021

A polêmica do Fetichismo no nosso Instagram: o tabu de questionar a prática resultou em catarse de mulheres, feminismo e ataques pessoais.

No dia 22 de janeiro de 2021, os stories de nosso Instagram bateram recorde de visualizações. O recorde perdurou até o dia 24/01. Tal fato me deixou estupefata, não apenas por conta do alcance, mas pelo interesse - positivo e negativo sobre o tema Fetiche


Quem acompanha o blog há tempos sabe que aqui não temos medo de tocar em tabus. Nossa função como comunicadoras da cultura alternativa é questionar, sempre! Tudo! Incluindo a própria cultura alternativa que não está livre de pensamentos retrógrados, machismo, preconceito e racismo - como vimos num dos posts sobre Subculturas e ConservadorismoPolítica e feminismo são também temas  que sempre estiveram presentes neste espaço. Mas isso é uma característica nossa (Sana e Lauren, autoras), pode ser que outros alternativos não tenham mínimo interesse em questionar nada.

Tudo começou quando fiz a divulgação em um post no feed da matéria que escrevi para a  5º edição da Gothic Station, chamada
"Moda Fetichista na Subcultura Gótica". E ao divulgá-la no story, recortei um trecho de meu texto e abri um questionamento (caixa de perguntas) a respeito da relação do fetiche entre homens, mulheres e moda. Abaixo a pergunta e a porcentagem das respostas, que comentarei a seguir.



Sobre a pergunta: observem que era direcionada à moda alternativa.
Resposta: 65% das pessoas disseram que a moda fetichista NÃO se direciona à mulheres.

Fiquei intrigada, estou desde 2002 envolvida com pesquisa de história da moda alternativa e existe mais moda alternativa fetichista direcionada à mulheres do que homens. Mesmo nas lojas especializadas em moda fetichista masculina, a quantidade de peças e modelos é inferior se comparado ao segmento feminino. Além disso, nas lojas direcionadas aos homens, ocorre uma quantidade maior de acessórios BDSM, algo que nem sempre acontece na moda direcionada às mulheres, que é mais focado em peças de estilo.

Abri uma caixinha e perguntei: "Conte aqui porque vc concorda ou discorda da frase".

E fiz nova pergunta (imagem central). E desta vez as respostas foram mais próximas do que sabemos ser a realidade da moda alternativa fetichista. 98% para mulheres; 2% para homens (acho que até é baixo demais, mas enfim, tudo depende do público que responde).



Tal questionamento resultou num caminho que eu não esperava. Poucas foram as pessoas que mandaram respostas relativas à moda alternativa. Muitas pessoas, mulheres - sejamos francas - aproveitaram o momento para desabafar. Desabafar sobre o quanto se incomodavam com a cultura do fetiche e BDSM e não se sentiam à vontade pra falar em público porque eram sempre criticadas. Então elas simplesmente silenciavam! E encontraram ali, naquele momento, a oportunidade de falar o que realmente pensavam sobre o assunto devido ao anonimato garantido. 

Comecei a compartilhar respostas. Com alguns comentários. Mas os fãs de fetiche (homens e mulheres) se incomodaram, e começaram a me mandar DM, fosse pra defender a prática, fosse para me xingar, fosse para me questionar, teve até mulheres tentando fazer uma espécie de ''gaslighting" comigo, em mensagens que tentavam fazer com que eu duvidasse de mim mesma. Mas eu conheço essas técnicas e não caí nesse discurso.

A quantidade de xingamento pessoal que passei a receber não foi brincadeira, foram vários minutos deletando DMs e bloqueando pessoas, pra limpar a fila e poder focar nas respostas que realmente tinham alguma opinião. Nem quando postamos algo contra a direita ou a extrema direita recebemos tantas mensagens agressivas.

Vou compartilhar algumas mensagem de mulheres que criticaram a prática, pois foram estas mensagem que acabaram levando ao segundo tema polêmico naquele dia: o feminismo. 





Esta seleção de respostas acima mostrou como parte das mulheres associam fetichismo à machismo,  misoginia e objetificação da mulher. Não acrescento aqui todas as DMs por ficar muito extenso, já que algumas mulheres colocaram junto relatos mais pessoais, optei por postar as respostas da caixinha por serem mais objetivas e resumem bem. Em um dos stories fiz o seguinte comentário, associado a um meme que vejo por aí: 


Uma seguidora viu esta resposta acima e não gostou, comento logo abaixo o caso dela. 

Então, levantei outros questionamentos, desta vez sobre feminismo: 



Fiquei impressionada positivamente com a porcentagem da resposta acima, inclusive algumas meninas mandaram DM comentando sobre livros de teoria feminista e se dizendo felizes pelo posicionamento e coragem do perfil em abordar o tema. "Coragem" foi uma palavra que apareceu em várias DMs, que só comprova o tabu que envolve a prática fetichista. Interessante, não acham?

Mas... observem a resposta à pergunta abaixo:



Essa porcentagem, ao contrário, me chocou! Fiquei impressionada com a quantidade alta das que disseram ser sim possível ser feminista e fetichista. Dois temas que colidem diretamente, sendo praticamente opostos. Ok que a resposta não permitia um 'meio termo', nem respostas que envolveriam 'não sei' ou 'tenho dúvidas sobre isso'. Foi de fato uma pergunta que não deu espaço pra ficar em cima do muro.

Neste momento destaco as respostas de uma seguidora sobre a pergunta "se o ato de fetichizar é para homens..." e ao meme "se deixa homem de pau duro...". Minhas respostas estão em preto. Para ver maior, basta clicar na imagem.




Bom, depois disso, os xingamentos vieram a respeito do feminismo. Vieram alguns comentários me chamando de "conservadora", de "radfem", de "não esperava isso de vocês" e coisas do tipo. Eu só pude pensar como falta informação aos seguidores que atacam com esses argumentos ad hominem. Não os culpo, nosso sistema não incentiva ao senso crítico, muitos de nós não tem acesso à leituras teóricas (embora tenha pdfs na internet) e existe uma parcela da sociedade que incentiva ataques às mulheres, inclusive dentro da esquerda. Desconfie sempre de quem ataca mulheres, existem motivos para isso.


Me chamou a atenção após essa abordagem feminista das minhas respostas, especialmente quando expliquei a diferença do feminismo radical, materialista e do 'feminismo liberal', o silêncio. Estava esperando DMs que comentassem o tema feminismo(s). Elas não vieram. 

Posso estar errada, mas atribuo parte do silêncio à possibilidade de que seguidoras podem ter percebido naquele momento que a referência de feminismo delas era o liberalizado. Incluindo mulheres que são de esquerda e/ou se alinham com o marxismo. Eu as compreendo, porque a liberalização feminismo é mainstream, está em todo lugar. Nos vende 'empoderamento' individualizado (ao contrário do feminismo que prega o coletivo). Crescemos com esse 'feminismo' e o naturalizamos. Para a maioria de nós, a liberalização do feminismo é 'o feminismo verdadeiro'. Mas esse 'feminismo' foi criado pela direita, serve ao sistema e não propõe mudanças estruturais na sociedade a respeito do patriarcado. Eu mesma acreditei no discurso liberalizado do feminismo por anos, afinal ele me cercava: na mídia, na música, nas artes, na cultura dominante em geral. No momento que decidi ir atrás da leitura das teorias feministas e não de matérias da internet, me libertei dele.


No momento em que paramos e vamos atrás das obras escritas feministas, tanto as clássicas quanto as mais recentes, percebemos que tem algo errado no feminismo liberalizado. E é neste momento que várias de nós, de acordo com nossas afinidades, tendemos mais a nos aproximar do feminismo radical, das feministas marxistas ou das feministas anarquistas, podendo explorar vertentes como feminismo negro, indígena ou amarelo, a depender das respostas que buscamos.  


A intenção com esse tipo de pergunta não é retirar a carteirinha feminista de nenhuma mulher que gosta da prática fetichista, elas é que sabem de suas vidas. Cada uma faz seu caminho feminista no seu ritmo. Como pessoa que gosta de questionar, entendo que às vezes a provocação à reflexão pode ser pesada demais. O feminismo destruiu muitas crenças que eu tinha, coisas que eu amava, mas o que recebi por estar liberta de pensamentos e hábitos que não eram meus (alguns adquiridos no meio alternativo) foi a emancipação intelectual. O caminho para ser livre pensadora não é nada bonito, é um constante refletir, questionar e encontrar as próprias respostas... 


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Este é um resumo bem resumido do que se passou naquele fim de semana e todas as questões que o tema fetiche proporcionou entre quem o aprecia e quem não o aprecia.

Relembro que tudo isso se deu por conta de um grande mal entendido, afinal era uma questão sobre Moda, mas esta se tornou secundária a partir do momento que as pessoas entenderam o meu questionamento como relativo à prática.

As mulheres aproveitaram o momento para serem catárticas e 'denunciarem' seus silenciamentos assim como suas associações do fetiche com machismo, misoginia e objetificação. Outros, fãs de fetiche, se sentiram incomodado com esse apontamento e mandaram DMs explicando do porquê na visão deles o fetiche não seria nem machista, nem misógino nem objetificador. Agradeço à todos que contribuíram com suas visões. Enriqueceu muito meus conhecimentos e com certeza serão úteis no meu trajeto.


Sobre a questão do feminismo, é um baita assunto. Muitas de nós reproduzimos imagens, falas e atos que são parte do discurso machista do que se espera de uma mulher: que elas estejam sempre dispostas a serem objetificadas. O corpo da mulher não é privado numa sociedade patriarcal, é público. Questionar isso não tem a ver com conservadorismo. 


No dia, perguntei se as meninas queriam dicas de leituras teóricas feministas, várias disseram sim. Pretendo postar aqui estas indicações, assim como uma explicação sobre porque o feminismo nada tem de conservador.

Saliento que o foco deste post foi a catarse das mulheres sobre o fetiche e o feminismo. Se o fetichismo, segundo seus praticantes, é igualitário, tem respeito e não tem hierarquia de gêneros, fica para ser abordado em outro post.


Impressionante é como um tema só (o fetiche, e nem chegamos no BDSM!) envolve tantos outros subtemas.


E você, acompanhou ao vivo essa polêmica?

Tem alguma opinião sobre fetichismo?

Como você enxerga a relação entre fetichismo e feminismo?



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Artigo original do blog Moda de Subculturas, escrito por Sana Mendonça e Lauren Scheffel. 
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