Destaques

19 de dezembro de 2018

Resenha: 4º edição da revista Gothic Station- do Trad Goth ao Tribal Fusion

A revista Gothic Station chegou a sua quarta edição trazendo como capa o Tribal Fusion!  

A Gothic Station nº 4 seguiu com a proposta de abranger a diversidade da cena gótica, desta vez, logo após duas páginas iniciais com os lançamentos musicais, vem uma matéria de  grande valor sócio-histórico para cena brasileira: uma pesquisa que Henrique Kipper fez, nos moldes de um censo, sobre qual religião os góticos são adeptos. Os participantes - voluntários que responderam a um post no Facebook do Kipper - contaram suas experiências de conciliação entre religião e a subcultura, tema envolto em mitos na subcultura e preconceitos na sociedade, que muitas vezes tende a colocar góticos como "servos do mal" sem considerar que umbanda, espiritismo, catolicismo e religiões orientais são parte das expressões religiosas individuais. Um ponto interessante é que o resultado do censo gótico possui uma grande diferença quando comparado ao censo brasileiro oficial. Há depoimentos tanto relacionados a seguir uma religião diferente do resto da família quanto com relação a preconceitos sofridos dentro da própria cena.

Após as oito páginas dedicadas à religiosidade chegamos na entrevista com Amanda Palmer, um feito e tanto para uma pequena revista brasileira. Os fãs e admiradores da cantora e compositora podem ler suas opiniões pessoais sobre música, arte, sua relação com o feminismo e com seu marido Neil Gaiman.



A seguir vem a matéria que escrevi para esta edição. A história da subcultura gótica é um dos temas mais pedidos, então foi muito bom poder escrever sobre a temática de uma forma muito palpável: nas páginas da revista! O texto é sobre a estética Trad Goth. Conto sobre a origem da subcultura gótica no clube Batcave e a estética surgida naquele período assim como alguns exemplos de artistas que influenciaram (e influenciam até hoje) a moda gótica. Eu não contarei os detalhes aqui, espero que vocês adquiram a revista para ver o trabalho lindo que ficou (bem melhor que um post no blog!).


Após quatro páginas de entrevistas com a banda Back Long Arch, de Brasília, que faz um som darkwave e alternativo, chegamos na matéria de Turismo escrita por Iluá Hauck, intitulada "Os Sete Magníficos", os sete grandes cemitérios-jardins de Londres construídos na primeira metade do século 19. Iluá além de artista visual em ascensão em Londres, é uma das primeiras modelos alternativas brasileiras (se não a primeira) a modelar na Europa para famosas marcas alternativas, sendo também pioneira num estilo que está muito em voga hoje: a mistura de estética vintage com a gótica. Ela já esteve aqui no blog em uma entrevista exclusiva (veja aqui) num post suuuper antigo. Esta foi uma das matérias mais legais que li na revista, a arte tumular é algo que me desperta interesse assim como a história e cultura do da Era Vitoriana.



As páginas 30 e 31 trazem um resumo do Deepland Festival II, ocorrido em 13 de outubro de 2018, com bandas de toda a América Latina ligadas ao Gothic Rock e Darkwave. Ao folhear para a página seguinte, nos deparamos com a matéria de capa: "Tribal Fusion - Histórico e Tendências". Essa matéria teve origem aqui no blog (sim!), quando foi escrita pela colaboradora Melissa Souza, mas na Gothic Station atinge um patamar mais elevado, um lindo registro de um estilo de dança que fascina cada vez mais as mulheres alternativas. 


Das Ich, uma das bandas essenciais dentro do movimento Neue Deutshe Todeskunst, ligado à formação do WGT, ganha quatro páginas em uma entrevista em que conta um pouco de sua trajetória.

Uma das coisas que mais gosto da Gothic Station são as matérias sobre cinema. A sétima arte tem grande influência na formação da subcultura gótica e é sempre bom conhecer um pouco mais as referências. Nesta edição, creio que muitos vão apreciar a matéria que trás as obras de Poe por três cineastas europeus através do longa "Histórias Extraordinárias".



Como uma voraz leitora, nem preciso dizer que a sessão de literatura me agradou muitíssimo e tem tudo para agradar você, admirador das obras de Edgar A. Poe. Em cinco páginas dedicadas ao mestre, "O que faz dele um escritor extraordinário?" pergunta a autora da matéria, Luciana Fátima. O texto tenta buscar as respostas desta pergunta, abordando tanto a admiração de outros escritores sobre ele, quanto desenvolvendo uma ligação entre suas obras e personagens com sua vida pessoal.



A Gothic Station nº 4 é, assim como as edições anteriores, um respiro de arte e cultura alternativa. Tocá-la e folhear suas páginas é ter um material gráfico caprichado e principalmente ver que PESSOAS se dedicaram a escrever para oferecer um conteúdo que tomou tempo e dedicação de cada um. Mostrando que existem pessoas neste Brasil que são responsáveis pela criação de conteúdo e difusão de conhecimento sobre cultura alternativa. Só tenho a agradecer a todos que nestas quatro edições criaram um material que daqui há muitos anos ainda serão úteis a quem quiser se informar sobre moda e cultura alternativa.  

Neste momento, a revista precisa do SEU apoio! Precisa muito que as edições esgotem na loja para que a edição número 5 seja produzida, já que não há mais financiamento coletivo para a publicação. Por isso vou deixar abaixo o link da resenha de cada uma das edições e o link da loja.

Pra finalizar, preciso da ajuda de vocês com relação a revistas alternativas! Vou lançar algumas questões aqui e vocês respondem nos comentários com "sim" ou "não".
1. Você prefere uma revista alternativa no formato virtual?
2. Você apoiaria financeiramente uma revista alternativa virtual?
3. Você se interessa que a Gothic Station continue existindo de forma física?


Link da loja:



Link das resenhas:
Gothic Station #1
Gothic Station #2


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Direitos autorais:
Artigo original do blog Moda de Subculturas. É permitido compartilhar a postagem. Ao usar trechos do texto como referência em seus sites ou trabalhos precisa obrigatoriamente linkar o artigo do blog como fonte. Não é permitida a reprodução total do conteúdo aqui presente sem autorização prévia. É vedada a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos, não fazemos uso comercial das mesmas, porém a seleção e as montagens de imagens foram feitas por nós baseadas no contexto dos textos. 

14 de dezembro de 2018

Die Antwoord e Zef: a subcultura do branco pobre da África do Sul

Com o fim do apartheid na África do Sul, novas políticas foram criadas visando o apaziguamento das diferenças étnicas entre negros e brancos naquele país. É nesse ponto que a subcultura Zef ganha espaço. Atualmente é associada ao trio de rap Die Antwoord que orgulhosamente representa o estilo.

Yo-Landi Visser e uma de suas camisetas escrito "ZEF"/ Divulgação.

"Zef é o estilo azarão da África do Sul. Zef tem sido um insulto há muito tempo na África do Sul. Significa que você é um pedaço de merda" - Ninja, Die Antwoord

O Zef surge como consequência do empobrecimento dos brancos da África do Sul. Para entender como os brancos empobreceram precisamos voltar um pouco no tempo e contar de forma breve a história da colonização do país.

Os colonos holandeses chegaram na África do Sul no século 17 com o desejo de estabelecerem-se numa terra fora dos domínios britânicos, assim, ocorreu uma migração em massa de agricultores (os Voortrekkers), os "pioneiros", que desenvolveram sua própria linguagem e identidade. Os descendentes destes colonos são chamados de "Afrikaners". Em 1948 eles chegaram ao poder e o Apartheid foi instaurado.

O apartheid foi  um regime de segregação racial (1948 a 1994) onde os direitos da maioria dos habitantes foram cerceados pelo governo de minoria branca. Ocorria a divisão dos habitantes em grupos raciais: "negros", "brancos", "de cor" e "indianos". Na década de 1970, os negros foram privados de sua cidadania. Serviços públicos como saúde, educação e outros eram oferecidos de forma inferior aos negros enquanto os brancos ficavam com os melhores serviços.

Muitos Afrikaners trabalhavam na indústria do ouro na década de 1970, enriquecendo e levando um estilo de vida ostentatório. Apesar de uma vida financeira confortável, eram pouco educados e escolarizados. O termo "Zef" era usado para descrever a paixão destas pessoas pelo Ford Zephyr customizado de forma extravagante. O estereotipo do Zef era um bigode de morsa (bigodes super grandes) e um corte de cabelo mullet. 

Em 1994 ocorrem as primeiras eleições democráticas e consequentemente o fim do apartheid. A vida destes brancos muda radicalmente, levando-os ao empobrecimento. Sua cultura virou tabu, foi sendo desmantelada ganhando um significado de 'vergonha'. 

A recente geração de afrikaners de Joanesburgo reapropriou e parodiou esta cultura marginalizada. A cena cresceu em torno de  Die Antwoord, com Ninja, Yo-Landi e o DJ Hi-Tek que fazem rap em inglês, na língua Africaans (africânere dialetos locais.

"Zef é: você é o pobre mas você é extravagante. Você é pobre mas você é sexy, você tem estilo" - Yo-Landi

Zef: o visual do branco que entrou em decadência social com o fim do Apartheid

Características

O Zef envolve elementos que remetem à ostentação, como o uso de grillz nos dentes e a um visual barato associado à classe média baixa. 


As características do estilo Zef. / Reproduçao


Mullet, cuecas boxers estampadas, lentes de contato sclera, tatuagens de baixa qualidade, corte/penteado High Top Fade (o penteado do Ninja), jóias douradas, roupas over-sized (grandes para o corpo da pessoa), camisetas curtas estilo cropped (leia matéria aqui), pinturas no rosto e referências aos anos 1980 (as cores verde e rosa são frequentes) são habituais no visual do Die Antwoord.


Yo-Landi cheia de colares dourados e 
seu famoso corte de cabelo mullet. / Divulgação

Os estilos de Yo-Landi e Ninja passam a impressão de um visual de rua, marginalizado, casual, simplório e às vezes 'esquisito' e brega. As roupas de Yo-Landi costumam ter também um jeito infantilizado.


É importante salientar que o visual do grupo de rap remete a uma versão mais exagerada, uma paródia do comportamento 'pouco educado' dos Zefs que já foram bem de vida e perderam poder aquisitivo. Suas roupas com aparência de baratas e de modelagem simples se contrastam com os elementos de ostentação, como os acessórios em ouro.
A dupla estrelou o filme "Chappie" (2015) de Neil Blomkamp e manteve o visual Zef em cena associando-o a elementos cyberpunks e pós apocalípticos nas cenas de luta.


Fotos: Divulgação

Embora o Zef exista há décadas, foi com Die Antwoord que esta subcultura ficou mundialmente conhecida através da abordagem sarcástica dos artistas musicais. 

Seguimos no caminho de escrever sobre subculturas e estilos alternativos fora do eixo Europa / Estados Unidos. O Zef é apenas um dentre muitos.


E você, o que acha de 
Die Antwoord e do estilo Zef?



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