.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Abril 2015

30 de abril de 2015

Desmistificando a Renda: do trabalho ao glamour!

A maior herança das subculturas é a desconstrução de conceitos estéticos pré estabelecidos, afinal, o grande lance de ser uma pessoa alternativa é não usar ou não seguir as regras de moda de forma óbvia. A renda na moda alternativa pode sim subverter e ganhar muitas mais versões do que a glamourizada. É um tecido tão apropriado ao nosso clima, mas pouco visto sendo usado no dia a dia e creio que a resistência venha exatamente desse conceito tradicional de associar o tecido a glamour e a roupa de noite.

 Subculturas e subversão estética: a renda, tecido considerado glamouroso, 
é usada junto com vinil e spikes, ganhando uma imagem agressiva.


E como se desconstrói o conceito glamurizado da renda?
Aprender a enxergar as roupas por si mesmas (sozinhas) e não associadas à ideias pré estabelecidas ou estereotipadas.
Usando-a da forma (combinação com outras peças ou acessórios) que não costuma ser usada e/ou dando uma mensagem à seu look. Não precisamos ter "medo" do que os outros vão pensar, vai lá e usa, depois sinta o retorno. Se as pessoas olharem com curiosidade, você acertou!

Renda sendo usada de forma irreverente, de forma que a moda tradicional não usaria: combinando acessórios, fazendo misturas de peças e sem se importar se está "elegante", "belo" ou "socialmente aceitável".
 




Escolhi fazer esse post ilustrando com peças da Dark Fashion porque é a marca nacional que mais tem peças com o tecido, e ano passado fez uma coleção inteira com esse material. Cheguei a ler diversos comentários na página da loja, do tipo: "ah a coleção está tão chique e sofisticada. Acho que eu não usaria muito."

Resumindo: as pessoas adoram, mas por algum motivo, não se sentem "dignas" de usar. Por estarem tão acostumadas com o conceito tradicional, não conseguem enxergar os usos além. 
Por isso é importante que nos livremos de certas ideias pré concebidas de moda. Você não é fã de moda alternativa? Usar moda alternativa é se livrar de conceitos estéticos. E você pode sim, usar uma peça de renda, todo dia, SE quiser, das mais variadas formas.

Estamos na temporada outono/inverno e tentei selecionar peças adaptadas à estas estações. Separei 5 categorias de estilo, vamos à elas:

Corporate: peças que podem ser usadas no trabalho se este não for muito rígido com o traje.
Blusa de Veludo:Eu tenho e ela é super discreta e muito confortável. Ótima pra essa época do ano. Dá pra usar com calça (escura preferencialmente ou de tecido) e com saias (curtas, médias). Como tem veludo, sugiro que a parte de baixo do traje não seja jeans, seja algum tecido sem brilho de aparência mais elegante e formal.

Bolero de renda: quer vestir aquela blusa sem manga mas acha que tá expondo demais os braços? Coloca o bolero. Existem funções que essas mangas atrapalhariam por serem largas, mas vocês podem refletir e ver se se adequa à suas atividades. Pode ser usado também em alguma festa de trabalho.

Vestido Solto: usado no frio com uma meia calça e um salto, ficará muito elegante no inverno. Dependendo da cidade, tipo o Rio de Janeiro, sei que esse comprimento de barra é aceito em algumas empresas, então aproveitem. Também pode ser usada em alguma festa ou celebração da empresa.



Casual /Street Style
Seriam os momentos que você sai na rua pra fazer alguma coisa, seja comprar algo, bater perna, tomar um café, encontrar amigos e dar uma volta ou simples passeio.

Saia Mullet: só porque ela é linda e maravilhosa, suuuper a cara do nosso clima, confortável, dá pra usar com salto, com lita boots, com coturno, não tem jeito ela é um escândalo. 

Blusa em veludo com recortes: essa blusa também pode ser usada em shows, mas eu a imaginei pra rua, porque ela é estilosa demais pra ficar sendo usada apenas em ambientes fechados! O povo tem que vê essa belezura! As costas são de renda e na frente tem todos estes detalhes escândalo.

Legging com frente de renda: dá pra ser usada com a blusa citada acima ou qualquer outra blusa legal que você tenha no armário!

Saia com camada de renda: Essa saia é mullet, do tipo que combina com tudo! Tanto salto quanto coturno ou bota e blusinhas diversas. Super confortável dá pra usar no calor ou no frio com meia.

Luva 7/8
: escolhi essa luva clássica, por um motivo simples: quando você tá na rua às vezes precisa carregar alguma sacola ou pegar a carteira, é bom que ela seja ajustada e firme pra que não atrapalhe nestas horas.



Show/Casa Noturna/Evento Alternativo:
Momento em que dá pra divar MUITO, é o tipo de situação que não há limite estético que te segure!

Corpete overbust courano: cheio de detalhes, pode fazer par com a saia com bicos e renda já que ambos tem o mesmo tipo de amarração de fita. A luva com punho gótico/sino também pode compor look mas pode ser usada com qualquer outra peça da parte de cima que não tenha mangas.

Blusa estilo fraque: não tenho o que dizer dessa blusa, ela pra mim, já é a peça icônica da marca! Fala por si só! Não quero nem me imaginar andando na rua com ela porque o trânsito ia parar! (ou pescoços teriam torcicolo!)

Legging veludo com recortes em renda: estilosa e confortável, perfeita pra um show, acompanhada ou não da blusa citada acima!

Vestido roxo com renda: penso que cairia super bem pra eventos alternativos temáticos do tipo convenções de tatuagem ou algum encontro de grupos. Tem uma informalidade mas ao mesmo tempo tem sofisticação e personalidade.



Dramático: uma espécie de glamour alternativo.
Vestido com fita: eu usaria fácil fácil fácil num aniversário, numa festinha, jantar... Aí vai de você decidir se quer usar com uma sapatilha/sapato baixo fazendo um estilinho mais cool e confortável ou se vai investir num salto não muito exagerado (porque saltão de 15cm não é glamour né gentem, é ozadia).

Blusa de renda: usada por cima de um body, segunda pele ou regata... você decide. Embaixo pode ser calça escura, saia lápis, saia rodada...

Corpete: este é um dos corpetes mais discretos da loja sendo assim, é versátil, significa que se você adquirir, ele vai ser usado não apenas pra momentos de glamour como pra estilo de rua. Ele pode ser usado com um blazer e uma calça ou blazer e saia lápis, com saia de altura até os joelhos, saltos...

Luva de renda punho largo: coloquei essa luva porque esse punho dela é bem diferente, é quadrado. Ela pode tanto ser usada com o corpete - daí eu sugeriria uma saia mais lisa e discreta pro foco ficar na parte superior do corpo; ou pode ser usada como um acessório de estilo, se você tiver uma blusa preta com mangas médias e ajustadas, pode colocar a luva por baixo, parecendo que a luva é um detalhe da blusa.


Antes de terminar, vale lembrar que as peças da Dark Fashion são todas fabricadas no Brasil e feitas do tamanho PP ao tamanho único, como ilustrado na tabela abaixo. 


Esperando o quê pra desmistificar que renda só dá pra ser usada em momentos de sofisticação? Que tal começar a desconstrução deste conceito essa semana? Montem seus looks! :D

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27 de abril de 2015

Stooge BlackHeart ♥ Coleção Masculina

A atual coleção de outono da Stooge é chamada de  ♥ BlackHeart ♥

"Quando a luz se ausenta, a escuridão toma conta de tudo, mas se no ímpeto surge um raio de sol, este desperta as sombras de todas as coisas. Mesmo assim não tema, ainda que você não possa ver, nunca estamos sozinhos..."

Mês passado falei aqui o blog da coleção feminina e das peças que recebi e hoje vou focar nas peças masculinas. Os tons são basicamente preto e cinza, uma cartela de cores bem enxuta. Os responsáveis pelas estampas foram os artistas Monika Boo e Oberdam Eltz. Oberdam é tatuador e Designer gaúcho que fez as estampas escritas e de caveira. Já a Monika e uma tatuadora da Lituânia com foco no estilo neotradicional.

Links da Stooge


Vale lembrar que a Stooge é uma marca 100% brasileira. Ou seja, todas as peças são confeccionadas por aqui mesmo, gerando empregos locais. Eles investem em modelagem própria, estampas próprias (de artistas inclusive estrangeiros), embalagens próprias, vídeo, catálogo, lookbook e em brindes pros clientes. A Stooge oferece à clientes alternativos os mimos que uma grife mainstream oferece à seus clientes mainstream.
Ah e a marca agora tem peças em tamanho G e GG, que seria até o tamanho 46. Pra conferir as medidas, basta ir na loja, clicar no link da peça que você curtiu e clicar em "guia de tamanho". 


A marca já é conhecida pela variedade de peças e pelo trabalho com tatuadores que criam as estampas de cada coleção. E acredito que as estampas sejam justamente o diferencial dela, que tem um estilo mais street style/rock n roll com público bem abrangente.



Vamos à uma seleção de peças da Coleção Masculina! Como o clima já está ficando mais friozinho à noite, começo falando das jaquetas You Can´t - em estilo college, estampa nas costas e mangas em couro sintético, a magic key segue o mesmo padrão e a  basic black é a clássica jaqueta de brim, mas com spikes nos ombros .


As camisetas you can´t, dark deer e mystic skull casam perfeitas com as jaquetas, selecionei estas por terem cada uma um decote/tipo de manga diferentes mas tem outros modelos com outras estampas no site.

As regatas são dois modelos dessa coleção de outono. Em meia malha, temos a  nobody´s perfect e a good look black.


E não podia faltar os blusões! A lights eyes e dark deer ambas com estampas da tatuadora Monika Boo.


Tão legal que marcas alternativas nacionais também invistam em coleções pros boys! E bora repassar esse post pros amygos que curtem street style ficarem ainda mais estilosos!




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*Publipost

22 de abril de 2015

Entrevista com Madame Sher (Leandra Rios)

A gente acompanha a carreira da Madame Sher como corsetmaker faz tempo, bem antes dela chegar ao mainstream. Ver o seu crescimento profissional num país que pouco se dá valor ao mercado de nicho é um estímulo para os alternativos que estão começando ou querem investir num negócio novo. Há tanto buracos para serem preenchidos na indústria, por que sempre apostar no mesmo? Nós sabemos do desafio que é criar algo que saia do padrão no Brasil, não é fácil montar um empreendimento aqui, mas se desistirmos nas primeiras barreiras, nada mudará. É preciso ter persistência, e mesmo com tudo do contra, há como se vencer. Assim, confiram nossa rápida entrevista com a Sher, que dividiu conosco sua visão sobre moda e varejo.


Quando e como surgiu o seu interesse e fetiche pelo corset?
O meu interesse em corsets vem da minha infância. Minha mãe trabalhava em casa fazendo vestidos de festa para um ateliê, e eu sempre mostrei forte preferências pelos que eram divididos entre saia e corpete e era obcecada pelos de amarração nas costas, tanto que obrigava minha mãe a fazer espartilhos para TODAS as minhas bonecas quando tinha 4 anos de idade [risos].
Aos 11 anos quando meu corpo se desenvolveu, decidi que queria usar algo para mais elaborado que um cinto para modelar minha cintura e dar uma silhueta mais dramática aos meus vestidos. Eu queria um espartilho verdadeiro, mas a única coisa que existia no mercado para essa finalidade eram cintas e até que fiquei momentaneamente feliz quando consegui comprar, porém não durou porque ela deformou em pouco tempo de uso e eu não tinha meios de comprar cintas indefinidamente, então engoli minha frustração e esqueci os corsets.
Foi só em 1998, com a popularização da internet que eu descobri que ainda existiam profissionais dedicados a confecção de espartilhos à moda antiga na Europa, porém naquela época era impossível para uma adolescente mandar fazer um corset sob medida fora. O valor em Libras mais taxas de importação ficava exorbitante se convertido.

Quando você começou, pegava o público mais gótico e metal, ainda nem tinha chegado a "moda pin-up". Você se considera ou tem afinidade com alguma subcultura? Quando você se interessou pela cena alternativa? 
Quando eu tinha 16 anos eu era chamada de gótica pela mãe dos meus amigos, mas naquela época eu nem sabia o que era, imagine! Também foi com o acesso a internet aos meus 17 anos que descobri e me encontrei na cena alternativa brasileira, naquele mesmo período acompanhava o que podia da cena gótica Londrina e ia ao delírio vendo as fotos dos figurinos. Cheguei a elaborar uma grife de roupas góticas no ano 2000, mas não deu muito certo. Eu sempre quis fazer roupas mais luxuosas e o público alternativo por ser composto naquele período por uma maioria muito jovem não tinha como consumir os meus delírios.
Já em 2003, eu tinha focado totalmente no desenvolvimento de corsets e a cena alternativa, tanto gótica (pelas festas do Carcasse), como fetichista estava aquecida e isso acabou colaborando com a exposição do meu trabalho com Corsets já que eu participava ativamente da organização de muitas festas. 

Sher em 2004. Foto retirada de seu perfil pessoal no Facebook.


Durante séculos, o corset ficou conhecido por ser uma peça de roupa que aprisionou o corpo da mulher. Isso inclusive se tornou um estigma da vestimenta. Tão forte que, até hoje, onde temos a opção de escolha, há pessoas que ainda o consideram castrador. O que você acha dessa visão? 
Existe uma tendência humana de buscar um culpado para evitar encarar a realidade como um todo. Não foi o corset que aprisionou a mulher. A exigência estética e social sobre o corpo feminino sempre foi impiedosa e se faz sentir até hoje, com muito mais força devido a explosão dos meios de propaganda e comunicação. Antes os corsets e demais peças de transformação externa da silhueta eram o principal foco, hoje as dietas, suplementações, exercícios e cirurgias plásticas, porém como essas são novidade, ainda não carregam tanto estigma.
No final das contas o espartilho é apenas uma peça de roupa que assume diferentes significados dependendo da forma que é utilizado.

Acompanhando grupos de corset, nota-se um grande interesse feminino no uso da peça para a prática de Tight Lacing. Mas o corset também pode ser usado como peça de estilo, sem um laço apertado. O que acha do uso do corset apenas como peça de estilo? Você é adepta?
Atualmente uso o corset muito mais como peça fashion. Sua imagem é contraditória mas que casa bem com a pluralidade da mulher atual. Acredito que estará sempre presente na moda, mesmo que em menor ou maior escala, por ser impactante e simbólico. Ao esculpir o torso destacando os atributos femininos e conferindo uma postura mais altiva à mulher o corset a transforma em ícone. Ao mesmo tempo que expõe a feminilidade, tem aspecto de armadura o que remete a uma figura sexualmente dominante e até mesmo agressiva. Mas o melhor é que o corset representa o duplo muito bem, existe a leitura da mulher solícita que se dispõe como objeto de desejo ao prazer alheio. 
O corset pode comunicar uma grande variedade de ideias e humores, a única coisa impossível a ele é a indiferença.

Peças Undebust encontradas no site da marca.


Você começou a grife porque não achava nada parecido no país. No Brasil, parece que os empresários têm medo de investir no mercado de nicho, eles preferem abrir mais uma marca “popular” do que algo com proposta diferente, conceitual. Acha que o consumidor tem dificuldade de ser individualista na hora de se vestir, preferindo seguir a massa ou é a indústria que não oferece opção?
A grande maioria dos empresários ou aspirantes nunca quiseram correr riscos. Espírito verdadeiramente empreendedor sempre foi raro e por isso sempre contou com reconhecimento. Agora com a difusão de internet e suas lojas virtuais é possível se dedicar a mercados de nicho com investimento reduzido. 
A questão cultural também tem um grande papel, pois é ela quem define os anseios do consumidor. 

Alguns modelos Overbust destacando a variedade da grife.


Durante muito tempo, foi normal que lojas e alternativos do país não quisessem se envolver com a grande mídia mainstream devido ao julgamento estético equivocado. Atualmente, isso mudou um pouco, já existem alternativos em canais de TV e reality shows. Você teve algum conflito interno por topar participar de programas mais populares ou encarou tudo como uma oportunidade de divulgação de seu trabalho? 
Na minha adolescência eu tinha uma grande aversão à mídia, tanto que recusei os primeiros convites para dar entrevistas, mas como o canal em questão iria levar a pauta ao ar de qualquer forma e naquela época existiam alguns aproveitadores querendo pegar carona na moda dos espartilhos sem comprometimento em dar informações para o uso seguro, eu acabei voltando atrás e aceitando o convite, por mera preocupação com o futuro dos corsets no Brasil. Eu não queria que se repetissem os erros históricos de produção em larga escala e abuso no uso. Minha paixão pelo corset estava, e ainda está, acima de uma questão meramente comercial.

Na mídia: Pitty, Fernanda Young, Adriane Galisteu 
e Gisele Bündchen usando corsets Madame Sher.
 


A nova coleção The Front Ladies, é inspirada em mulheres à frente de seu tempo com peças minimalistas mas com design. O corset é muito associado a momentos de erotismo. Você enxerga essa coleção como uma evolução do seu trabalho, uma forma de mudar conceitos e mostrar que a peça também pode ser usada em situações mais formais do dia a dia?
Eu sempre quis empurrar o corset um passo além do erotismo e anular a associação direta com lingerie. Depois de exorcizar os extremos do romantismo na coleção Beautiful Darlings com sua predominância de cores claras, elementos barrocos, boudoir e pitadas de steampunk, eu quis partir de vez para uma proposta mais madura e dar uma opção para os eventos limítrofes entre a formalidade e a informalidade. No dia-a-dia propriamente dito, poucas mulheres sustentariam o uso do corset à mostra. É necessária muita austeridade para rebater os preconceitos ao redor e geralmente na maioria dos ambientes de trabalho há necessidade de concentrar energia em outros objetivos.

Lina Bo Bardi, Émilie du Châtelet, Mata Hari, Anita Garibaldi, Marie Curie, Evita Perón, Amelia Earhart e  Helene Faasen e Anne-Marie Thus (AnneHelene) foram mulheres à frente de suas épocas que inspiraram a mais recente coleção.

Espero que tenham gostado da entrevista! :D
Vocês têm ou querem ter uma peça da marca? Qual seu modelo preferido?

E pra acompanhar o trabalho da Madame Sher, basta acessar o site oficial e a fanpage no facebook.


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17 de abril de 2015

Miniminou = Editorial Post Punk + peças Boho Witch!

Abrindo espaço pra não deixar de falar das maravilhosas peças da nova micro coleção da Miniminou!
Esse editorial ficou TÃO lindão que não dava pra deixar passar né??? Fora que ele pega dois assuntos que abordamos recentemente aqui, a estética Witchy e a maquiagem punk Cat Eye!


Leitores e fãs do blog tem 10% off nas compras da Miniminou, basta usar o cupom SUBCULTURAS

Alguns ítens do post estão sem links pois estão fora de estoque no presente momento, mas fiquem ligados que eles possivelmente voltarão!
Pra ver as imagens num tamanho maior, é só clicar :)

Colar Black Bat - Sutiã com Spikes 

 Anéis Diversos [clique]














Maxi Brinco Pentagrama - Colar Ouija

 
çocorr, esses vestidos!!! Vestido Skull Roses - Vestido Skull Black



E mais algumas dicas:



Então é isso meu povo, os produtos da loja esgotam rapidinho então, se curtiram algo, melhor não perder a oportunidade nem o desconto! Senão tem que esperar possível retorno ao estoque ;)


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* post parceria

16 de abril de 2015

Gisele Bündchen: a beleza diferencial que encantou McQueen

O assunto da semana na moda brasileira é a despedida de Gisele Bündchen das passarelas. Apesar do comunicado oficial marcar a data simbólica de seus 20 anos de carreira, a modelo poderá futuramente dar suas famosas passadas em desfiles, porém por questões mais específicas. Diante de todo esse burburinho, lembrei que um fato muito importante na sua profissão tem ligação com o universo alternativo! 

Gisele foi tentar trabalhar no exterior com apenas 16 anos. E assim como no Brasil, não foi um início fácil, encarou muita rejeição no mercado. Vocês sabiam que no começo chegou a ser apelidada de patinho feio? Mesmo alta, magra, loira e de olhos azuis, Gisele possuía "defeitos": seu nariz grande era julgado nada fotogênico, seu busto era do tamanho acima da média e mais as cobranças por estar longe da aparência Heroin Chic, padrão de beleza da época. 

Mesmo com tudo do contra aos olhos da moda, aos 17 anos, depois de ter feito 40 castings e ter recebidos só nãos, Gisele recebeu o sim de Alexander McQueen. O empecilho por não ter um visual Heroin Chic havia sido ignorado, e o estilista simplesmente a pediu que colocasse um salto alto e caminhasse para ver como desfilava. O diferencial da gaúcha que a fazia fugir dos padrões do momento, foi visto para os designer inglês como algo positivo. Debaixo de uma chuva artificial, a coleção Golden Shower Primavera/Verão 1998, se tornou uma marca memorável na vida profissional de McQueen, e catapultou para os olhares da indústria, e consequentemente ao sucesso, Gisele Bündchen.

A maior modelo de todos os tempos dando seu grande passo na carreira por intermédio de um alternativo. De patinho feio a The Body:

Gisele também estrelou a campanha da marca:

Desfile completo:


Alexander McQueen é um nome que volta e meia citamos no blog, porque o estilista tinha background alternativo. Sim, ele era punk! Grande parte de sua ousadia criativa - além do domínio na costura, em especial a alfaiataria - vinha de sua inspiração nas subculturas. O "diferente" para o inglês não era enxergado como algo negativo, pelo contrário, era algo belo. E a seu modo traduziu para as passarelas essa visão. McQueen viu beleza no diferencial de Gisele. Para nós de cá, que somos superjulgados pela estética, pode parecer uma situação sem relevância, só que não foi para o meio. Ocorreram mudanças, ainda que insuficientes para o nosso mundo real.

O encontro de McQueen com La Bündchen é a prova de como os alternativos têm influencia no mercado, é uma pena que no final o que surge é um produto processado para a massa consumir, com conceito nulo. Resultado inclusive que tanto o britânico lutava contra. E o corpo de Gisele em vez de ser incluído como mais um tipo de beleza, a indústria o transformou em referência de cópia. 

Na moda de cem anos de Gilles Lipovetsky, do anos 60 para cá, sem dúvida alternativos têm feito mais história na moda do que se pode pensar! O sistema nos trata como se fôssemos insignificantes, mas a verdade é que estão de olho em cada passo nosso para vender seus próximos modismos. Cool hunters entenderão.

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15 de abril de 2015

Dicas de como se vestir para um Festival!

 * Post colaborativo com a loja alemã Queen of Darkness*
*Collaborative post with Queen of Darkness store *


O lendário Festival Monsters of Rock  terá nova edição nos dias 25 e 26 de abril na Arena Anhembi em São Paulo. Como parte do Projeto Colaborativo que tenho com a loja alemã Queen of Darkness, decidimos falar de festivais de verão em nossos países. Tive que fazer uma adaptação ao tema, pois não temos essa cultura europeia de centralizar os festivais no verão. Criei looks em cima do conceito tanto do Monsters quanto do Rock in Rio.

Mesmo que você encomende algo da QoD hoje, as peças não chegariam a tempo pro Monsters, então esse é um post de sugestões que podem te inspirar. Mas vale lembrar que para o Rock in Rio as roupas chegam a tempo, claro!!
Em festivais a gente fica o dia inteiro pra lá e pra cá e não dá pra usar algo que incomode. Conforto não significa falta de estilo, como mostro abaixo!


The season of summer festivals is coming in the northern hemisphere! But here in Brazil we will have super festivals from this month to november. So... here we go showing you options of How to dress for a Festival with QoD pieces!!
I took as reference the Monster os Rock Festival and Rock in Rio - which are a more rock and metal festivals, and tried to create the closest looks possible for both concepts. I chose comfortable pieces - as in festivals we stay all day back and fort all day. Comfort does not mean lack of style, as I show below!

Look 1: O clássico look rock n roll com minissaia! (Esse é meu preferido!). A blusa tem amarração lateral, ilhoses e tela rasgada, passa uma super atitude! Mini saia com cinto e zíperer e essa luva super impactante com spikes!

pra aumentar a imagem é só clicar nela!
Look 1: The classic rock n roll style with miniskirt! (This is my favorite!). The blouse has side mooring, eyelets and mesh with holes, expressing your super attitude! Mini skirt with belt and ziper, pantyhose  and a super impressive glove,  with spikes! (click on the image to enlarge) Top  - Gloves - skirt - pantyhose


Look 2: Pra quem gosta do conforto do shortinho - bem diferente esse modelo, com zíperes, amarração lateral e barra desfiada. Como é curtinho, sugeri colocar uma meia calça por baixo. A blusa é longa e de barra assimétrica, tem um pingente de cruz no decote que parece ser um colarzinho. Coloquei luva nos looks porque acho que esse é um acessório de impacto pouco explorado pelos alternativos aqui no Brasil mesmo nas estações mais frias.

pra aumentar a imagem é só clicar nela!

Look 2: For those who like the comfort of shorts - this is a very different piece, with zippers, side tie and desconstructed hem. For the girls who thinks is too short, I suggest putting a pantyhose underneath. The blouse is long and with asymmetric hem, has a cross pendant at the neckline that seems to be a collar. I put the glove on the look because I think this is an strong accessory.(click on the image to enlarge) Blouse - gloves - Short - pantyhose


Look 3: Esse é um look mais metal. Eu substituí as blusas de banda e os tops estilo corselet/sexy por uma blusa bem confortável, porque em festivais, conforto é tudo! Essa blusa é super estilosa, é um pouco transparente, longa, com manguinhas e correntinhas enfeitando. E dá pra controlar o comprimento com uma tirinha que franze ela. Os elementos mais metal ficam com a calça que lembra couro e os acessórios.

                                                  Blusa - Calça- pulseira - bracelete

pra aumentar a imagem é só clicar nela!

Look 3: This is a more metal look. This blouse is super stylish, is a bit transparent, long, with small chains and decorating sleeves. You can control the length with a strip. The metal elements are in pants and leather and accessories. (click on the image to enlarge) Blouse - Pants- bracelet - bracelet


Look 4: Mais conforto, desta vez com uma blusa mais despojada, bem soltinha. Legging com detalhes em couro e pulseiras.


pra aumentar a imagem é só clicar nela!

Look 4: More comfort, this time with a more flowing blouse. Leggings with leather details and bracelets with spikes. (click on the image to enlarge) Blouse - spiked bracelet, skull´s bracelet - Pants


As peças da Queen of Darkness demoram em torno de 30 a 40 dias pra chegar no Brasil. Por isso se você planeja usar algum look da loja em especial, precisa se programar antes. 
E que venham mais e mais festivais de rock & metal no Brasil!!


Pra ver mais peças, incluindo a coleção nova, é só acessar o site da loja: 


To see more items, including the new collection ones, just access the store site:
https://www.queen-of-darkness.com



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14 de abril de 2015

Floor Jansen: pelo fim da categoria "Female Fronted Metal"

Para nós aqui do blog, a subcultura heavy metal é uma das mais difíceis de ser abordada. Quanto mais estudo sobre esta subcultura e sua relação com as mulheres, mais percebo o quanto esse assunto é chato de ser abordado no Brasil, pois o nível de interesse no debate é muito baixo, além da falta de espaço (mídia/eventos) pra conversar abertamente sobre o tema (esse blog sempre será um espaço!).

Recentemente, em uma entrevista ao portal UOL sobre o tema, eu disse que: 
"a expressão 'bandas femininas', usada ao longo dessa reportagem para dar voz às mulheres no cenário do heavy metal, pode ser interpretada como machismo disfarçado. Você não vê alguém falar 'bandas masculinas', por exemplo. Isso mostra que a mulher é vista primeiro como mulher e depois como profissional da música, o que não ocorre com os homens. O ideal seria que chamássemos de "bandas", independente de ser com homem ou com mulher."

E não é que ontem foi divulgada uma entrevista com Floor Jansen em que ela diz praticamente a mesma coisa?? Que as mulheres são sempre lembradas primeiramente por serem mulheres e ser musicista vem em segundo lugar.


Minha voz não tem o alcance e nem a importância midiática para as garotas do que uma artista como a Floor tem! Acho que ela, muito mais do que eu, vive e enxerga esta realidade na pele. Só posso ficar muito feliz de perceber que estou no caminho certo do questionamento!


Sobre a entrevista da Floor
Quando perguntada sobre bandas como Nightwish serem chamadas de bandas "female fronted de symphonic metal", ela disse:

"Agora tem "symphonic metal" (na denominação) o que diz um pouco mais sobre a música que fazemos... Parece que às vezes há um gênero inteiro chamado "Female Fronted". Oh, então você está em uma banda female-fronted? Oh, sim, eu estou? Que raios isso significa? Porque Revamp é uma banda female fronted assim como Nightwish. Mas essas bandas não soam iguais em tudo. Arch Enemy é uma banda female-fronted assim como Delain. E elas não tocam o mesmo som. A única coisa que elas são é que são bandas de metal, mas seus estilos musicais são tão diferentes que não diz se há realmente uma menina cantando ou não. Então, isso não é importante. Não é surpresa que existem mais mulheres em bandas de metal. E elas não estão apenas como vocalistas. Tem bateristas, guitarristas, baixistas... Então... devo dizer, supere isso e chame apenas de symphonic metal, não importa quem está cantando."


A vida é um processo de desconstrução
Em alguns sites e grupos, li que a Floor tinha se demonstrado machista em ocasiões do passado. Assim como o próprio Nightwish foi acusado por ser machista com a Tarja (dentre outras coisas) porque ela queria um espaço pessoal separado dos homens e por eles terem despedido a Anette pelo simples fato de estar grávida (a mulher e a decisão sobre seu corpo).
Ambos podem ter sido/são machistas em certas ocasiões, mas é aqui que entra um outro exemplo: o de evoluir.
Todos nós nascemos e fomos criados em uma sociedade em que reproduzimos atos preconceituosos sem pensar, o que acontece é que durante nossa vida nós devemos, ou deveríamos, DESCONSTRUIR estes pré-conceitos. Algumas pessoas vão desconstruir mais do que as outras. E se a Floor teve atitudes machistas no passado, temos aqui um belo exemplo de que ela está aos poucos desconstruindo seu próprio machismo. 



Assuntos machistas não vem com um carimbo em cima, talvez por isso muitas meninas não percebam que ele exista. E a culpa sempre cai nas feministas, por os enxergarem. Só que toda mudança de antigos hábitos vem de rompimentos. E rompimentos vem de atitudes radicais que geram mudanças radicais. Algumas pessoas não querem e não aceitam mudanças, perder seus privilégios. Então se hoje a gente tem direitos, é porque tiveram os ousados do passado que deram os primeiros passos para romper paradigmas. Precisa-se reaprender a discutir temas tabus. Já passou da hora de algumas coisas começarem a ser debatidas com mais interesse pela nossa população, estamos muito atrasados!

Espero que a Floor (que é uma mulher que sai do padrão "feminino fofo" e lida com comentários e memes sobre seu tamanho e força), como musicista, faça com que mais garotas saiam da apatia e do comodismo e reflitam sobre o tema! Ela teve coragem de falar sobre o assunto polêmico pra uma plateia tão grande e comentários hostis já apareceram.
Eu envio minha compreensão pra essa mulher de atitude que está fazendo a sua parte, fazendo a diferença.






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