.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Julho 2017

31 de julho de 2017

A influência das Subculturas nos Animes

Um dia pensava sobre quais teriam sido as minhas primeiras influências subculturais, porque muita gente me pergunta isso, sempre se referindo à bandas de rock ou outros estilos musicais. Pensando sobre isso, me dei conta que as minhas primeiríssimas influências foram os animes, que permearam minha infância e adolescência.

Sailor Mercury, de Sailor Moon

Sim, os animes! Aquelas animações japonesas que são super populares hoje em dia. Só que nem sempre foi assim... gostar de animes e mangas 15 anos atrás era carregar um estigma de excluído e esquisitão, principalmente se você fosse adolescente, visto que os animes eram vistos como “coisa de criança”. Os eventos para fãs eram raros, muito espaçados e se descobrissem que você frequentava-os, era bullying e perseguição na certa. Fazer cosplay (se vestir como os personagens dos animes, é bem popular nos eventos até hoje) e alguém fora no círculo descobrir, era enterrar completamente a sua vida social.

Hoje isso mudou completamente! Os animes são populares entre a gurizada, se eles não assistem, ao menos conhecem e sabem do que se trata, visto que atualmente há muita informação disponível sobre isso. Os eventos se multiplicaram de norte a sul do país, virando um negócio que move uma quantidade considerável de dinheiro (visto que os primeiros eventos do tipo no Brasil nem ingresso cobravam!). Ninguém precisa se envergonhar por fazer cosplay e há animes de todos os tipos disponibilizados atualmente na tv aberta, na fechada, na internet e no Netflix.

Shun, Cavaleiros do Zodíaco

Acredito que isso se deve à iniciativa das redes de televisão aberta, que após o estouro de alguns animes como Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Dragon Ball – todos da falecida TV Manchete – resolveram investir pesado nesse segmento, e bem, funcionou.

Mas onde estão as influências subculturais nos animes? Bem, primeiro, nos cabelos! TODO anime tinha alguém de cabelo colorido! Era praticamente uma coisa “normal” - como vemos nas imagens que ilustram a postagem. Se ninguém tinha um cabelo berrante em algum anime, isso sim era de se estranhar.

Trunks, Dragon Ball Z

Ayanami Rei, Neon Genesis Evangelion



Nana, Elfen Lied

Lucy, Guerreiras Mágicas de Rayearth

Os exemplos são infinitos! Depois quando me perguntam porque eu gosto tanto de cabelos coloridos, eu paro e penso: sim, toda a minha infância foi recheada de heroínas e guerreiras de cabelos coloridos. Não tinha como não gostar.

Existia também a questão das roupas: eram muito loucas, pelo menos para os nossos padrões ocidentais. Até os uniformes escolares japoneses e roupas tradicionais eram estilizados. Nós queríamos nos vestir todos os dias como esses personagens, e por isso boa parte dessa galera foi para os cosplays – você podia ser um personagem desse pelo menos por um dia. Após conhecer as subculturas nos damos conta que podemos nos vestir assim sempre – basta querer.

As roupas maravilhosas de Card Captor Sakura 



Vampire Princess Miyu: 
uma versão atualizada de um kimono


Influências góticas na Dark Chii, de Chobits, e na Black Lady, de Sailor Moon

Para as mais discretas, tinha o visual “garotinho” da Pan, 
 de Dragon Ball GT:
E o visual andrógino da Haruka Tenoh, de Sailor Moon.
Os exemplos aqui são infinitos também, tem para todos os gostos. Antigamente era complicado encontrar também roupas estampadas com temas de anime, e hoje tem até loja especializada nesse tema. 
Existe também uma influência de via dupla: os animes influenciaram a moda subcultural, mas a moda subcultural também influenciou – e muito! – os animes. Os casos acima, personagens como a Dark Chii e a Black Lady demonstram bem isso. Mas o melhor exemplo são as obras de Ai Yazawa: Princess Ai (baseado na vida de Courtney Love), Paradise Kiss e Nana. Já tem um post sobre esses trabalhos aqui e a influência de Vivienne Westwood neles. Dessas obras de Yazawa, a que mais me toca é Nana, por causa da estética punk e do enredo trágico. 


Teria muito mais exemplos para colocar, mas estes já são bem ilustrativos. Acredito que os animes tenham sido a primeira referência subcultural de muita gente, e lembro também que foi o primeiro tipo de música que eu me liguei. Música para mim era música de anime, não fazia a mínima ideia que existiam outros tipos de música que eu fosse gostar (risos!).
 

Então é isso! Eu queria saber também quais foram os animes que os leitores utilizam como inspiração de moda, porque certamente faltaram centenas nesse post. Escrevam aí!!



Autora: 
Nandi Diadorim. Historiadora e professora na rede municipal de ensino no Rio Grande do Sul. Guitarrista em uma banda de punk rock. Cachorreira, gateira, vegetariana, feminista...em suma, a incomodação em pessoa.




Artigo de Nandi Diadorim em colaboração com o blog Moda de Subculturas. É permitido citar o texto e linkar a postagem. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo aqui presente sem autorização prévia do autor. É proibido a cópia da ideia, contexto e formato de artigo. Plágios serão notificados a serem retirados do ar (lei nº 9.610). As fotos pertencem à seus respectivos donos; a seleção e as montagens das imagens foi feita exclusivamente para o blog baseado na ideia e contexto do texto.


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23 de julho de 2017

KILLSTAR x MARILYN MANSON: Coleção Nova e Cupom de Desconto

A Killstar acabou de lançar a segunda coleção em parceria com o cantor Marilyn Manson. E nós, como parceiros da marca não podemos deixar de divulgar! Todos os leitores do blog tem direito a cupom de desconto pra usar em qualquer compra na loja:

-> Cupom de Desconto/ Discount Code: SUBCULTURAS <-




A primeira coleção da marca com o cantor foi um pouco decepcionante para quem esperava algo mais "weird", afinal, Manson é conhecido por ter um visual único que utiliza elementos do grotesco. Ele literalmente assustava pessoas na rua quando apareceu na década de 1990! Parece que mesmo simplinha, focando mais nos logos da banda, a coleção agradou e abriu caminho para esta segunda colaboração, desta vez achei as peças bem mais interessantes.




Logos e capas de álbum continuam sendo estampas, camisetas de bandas sempre foram o básico do visual roqueiro, com valores acessíveis, mas na Killstar elas ganham um status de grife focando no público fã da marca e fã do cantor. Além de que, com o tempo estas peças virarão item de coleção.


A Killstar já pode ser considerada uma marca com turma fiel de seguidores, fãs do conceito e do estilo de criação. 

E justamente por causa do dólar alto é que fazemos questão de oferecer um cupom desconto aos leitores, é uma forma também de agradecimento por nos acompanharem <3

E vocês, gostaram dessa coleção?



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13 de julho de 2017

Dark Pin-ups/Retrô Goth: Procuramos voluntárias para responder questionário de pesquisa / "Dark Pin-up" Research questionnaire

Há tempos leitores me pedem artigo sobre o fenômeno estético das que chamamos informalmente de "Dark Pin-ups" ou "Retrô Goth" (termo cunhado no Brasil pela Erika Saad quando possuía o blog Black Baroque), no entanto, por ser algo relativamente recente -  embora as características estéticas já existam em outras subculturas - não encontrei nenhum estudo que falasse sobre essa "tribo" contemporânea. O estilo, surgido no exterior, está crescendo bastante aqui no Brasil e se tornou necessário para analisá-lo como fenômeno regional.

Para que possamos saber mais sobre suas origens históricas, estéticas e apresentarmos um material bem fundamentado em uma pesquisa e consequente criação de artigo, desenvolvi um questionário e preciso que meninas adeptas ao estilo se voluntariem à respondê-lo. Se você é adepta, se conhece alguma menina no estilo e se sente à vontade para nos ajudar, responda as perguntas e compartilhe com  elas este post, ou o link direto: https://goo.gl/forms/isDRnoAFgK8nA9f52

English: "Dark Pin-up" Research questionnaire https://goo.gl/forms/kLDCaeAdPB9IsyMo1

Agradecemos muito a ajuda! <3

Fonte: Marie Devilreux


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Pedimos que leiam e fiquem cientes dos direitos autorais abaixo:
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7 de julho de 2017

GOTHIC STATION: Campanha de financiamento coletivo para a segunda edição

Todos que apoiaram ou se interessaram pela primeira revista gótica brasileira, a GOTHIC STATION, vão ficar felizes em saber que já está ativo o projeto de financiamento coletivo para a segunda edição!

https://www.catarse.me/revista_gothic_station_2


A primeira edição teve como tema principal "Famílias Góticas", a segunda vem falando sobre uma característica da população brasileira: a diversidade étnica e como isso está presente na subcultura. Na primeira edição eu trouxe um artigo sobre a influência da Era Vitoriana na Moda Gótica e na segunda edição, o tema será a estética Medieval! Veja mais sobre a revista clicando aqui nesta postagem de apresentação.
Se você está interessado na primeira edição, pode comprá-la aqui pela loja ou adquiri-la junto com a segunda edição num dos pacotes do financiamento.


GOTHIC STATION
É a primeira revista brasileira impressa sobre a subcultura gótica, com artigos e reportagens sobre nossa realidade local e também sobre o que acontece no universo gótico mundial possuindo 48 páginas coloridas. Com o crescimento da população gótica no mundo todo e especialmente no Brasil, nada mais justo do que o surgimento de uma publicação direcionada à esse público.
A revista tem autoria de Henrique Kipper que aos 47 anos frequenta a cena gótica paulista desde 1990, é ilustrador, quadrinhista e professor de letras, escreveu o livro "A Happy House in a Black Planet: Uma Introdução à Subcultura Gótica", além de duas edições dos quadrinhos de humor gótico "Mondo Muerto". Com sua esposa Flávia, que é psicóloga e frequenta a cena Gótica desde 1995, o casal produz eventos desde 2004 e são DJs especializados em tendências góticas e darkwave, tendo produzido festas conhecidas em São Paulo como o Projeto Absinthe, Gotham City e o atual GOTHIC.

COMO APOIAR
Dessa vez vocês tem 40 opções de pacotes que incluem também camisetas, CDs, livros e quadrinhos com valores a partir de R$29,00 já incluindo o frete.




Imagem com alguns dos pacotes.

Aos que acham que falta apoio na cena para que esta continue se desenvolvendo, chegou a a hora então de apoiar este projeto nacional.  Se não tem cena gótica na sua cidade, sem problemas! A revista possui um conteúdo informativo e diversificado, promovendo mais conhecimento e conscientização, não importando em qual região do Brasil você viva os temas abordados são de interesse geral da subcultura. Você pode apoiar a cena nacional sendo um gótico solitário no interior. :D
É uma delícia poder pegar a revista e folheá-la quando quisermos, consultando ou compartilhando com os amigos.
Além de que, ao apoiar o projeto estará também apoiando o meu trabalho ♥

Se você por algum motivo não vai colaborar, compartilhe o projeto! Mostrar para mais pessoas que ele existe já é uma baita ajuda!!

https://www.catarse.me/revista_gothic_station_2

Vejo todos vocês na segunda edição! ♥




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3 de julho de 2017

Moda Alternativa Japonesa: o fim da revista Kera Magazine e da Gothic & Lolita Bible

Em fevereiro deste ano, foi anunciado o fim da revista japonesa FRUiTS que era focada no street style alternativo do distrito de Harajuku em Tóquio. O motivo do fechamento segundo seu editor, Shoichi Aoki, foi a gentrificação do bairro e o consequente desaparecimento dos jovens alternativos estilosos do local. No fim de março foi anunciado a finalização de outras duas importantíssimas publicações de moda alternativa, a KERA e a Gothic & Lolita Bible (uma lenda), o que partiu o coração de fãs ao redor do mundo.

Antes da internet, a forma de conhecer mais sobre moda alternativa era através de revistas que divulgavam lojas e tendências. E estas duas publicações são icônicas.

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KERA, fevereiro 2015 / Gothic & Lolita Bible #40

A KERA surge em 1998 focada em rock e moda punk, cada edição trazia além de editoriais de moda, fotos dos estilos de rua. A última edição foi em maio. Já a Gothic & Lolita Bible era publicada desde 2001 focando em um público específico, direcionada à subcultura Lolita e seus subestilos e trazendo moldes de roupas. O músico e estilista Mana foi um dos mais famosos divulgadores da publicação.

Mana nas páginas da Gothic & Lolita Bible

Ambas as revistas tiveram grande responsabilidade no desenvolvimento da moda alternativa japonesa ao redor do mundo. De lá pra cá apesar das mudanças no mundo, da "virtualização" de tudo, estas publicações ainda eram referência para admiradores do street style de Tóquio.

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Páginas da KERA mostrando a diversidade estética da moda de rua japonesa.

Ao contrário da FRUiTS que praticamente acabou - seu autor está apenas divulgando fotos em sites -, a KERA acaba sua versão física e se torna digital, ou seja, deixa de existir fisicamente e agora só existe virtualmente; já a GLB está suspensa e sua última edição foi na primavera japonesa. Dizem que hoje existem mais Lolitas fora do Japão do que dentro dele, sendo a China o novo ponto da subcultura. A mídia tem buscando formas de expressão nessa nova sociedade rápida de informações onde noticias se tornam obsoletas em apenas algumas horas. Estamos numa era de transição e o fim físico destas revistas é um reflexo disto tudo, desta mudança social. No Brasil, temos a sorte de ter uma revista alternativa circulando, é a Gothic Station, a primeira revista brasileira dedicada à sub gótica.

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KERA, dezembro 2014

Algumas fãs foram às lágrimas pelo fim das edições físicas. Eu as compreendo e creio que o chororô não foi por "uma revista" e sim por toda a simbologia histórica que aquelas publicações carregavam. Parte da história de uma subcultura acabou. Revistas alternativas são tão raras que é possível criar um culto ao redor delas que eram uma espécie de abrigo e reservatório de conhecimento das apaixonadas adeptas de moda alternativa.  

Gothic and Lolita Bible #40- #52

E não, a moda alternativa japonesa não acabou, mas está numa fase de mudanças. São tempos diferentes os que vivemos em termos de culturas juvenis. Claro que jovens continuam ousando em seus estilos pelas ruas, talvez um pouco mais ocidentalizados (?), com visuais menos extremos, menos impactantes, mas quando uma moda alternativa se ameniza muito, não duvide que um tempo depois tudo vire tédio e uma nova geração traga ousadia e extremismo de novo! É aguardar os futuros capítulos da história da moda alternativa.

E vocês gostavam da KERA e da Gothic & Lolita Bible?



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