Destaques

28 de maio de 2019

Wendy O. Williams: a mais pesada cantora na história do rock n' roll | Rainha do Shock Rock

A Rainha do Punk Rock, a Rainha do Shock Rock, a Alta Sacerdotisa do Metal. Tantos termos para tentar definir quem foi Wendy O. Williams, talvez deem alguma ideia da dimensão que foi a performance dessa artista que se estivesse viva hoje completaria 70 anos. "Eu amo música pesada e rápida. Eu não sou uma pessoa de fórmula, não faço músicas de fórmula. Sou viciada em adrenalina, um das poucos respiros de sanidade para mim nesse mundo insano".


A forma como se expunha nos palcos escondia uma pessoa tímida e reservada nos bastidores, a cantora não gostava de comentar sobre sua vida pré-Plasmatics, muito porque não tinha boas lembranças de sua infância solitária. Algumas coisas que se sabe era que nasceu na cidade de Rochester, em Nova Iorque, e seu nome era Wendy Orlean Williams. Seu pai era um químico que teve três filhas e desejava que todas tivessem empregos formais, o que contrariou suas expectativas. Em diversas entrevistas, quando perguntavam o porquê de ser assim, Wendy respondia sem hesitar: "Eu simplesmente não me encaixei, não deu certo, tive que quebrar algumas regras".


Aos 15 anos largou tudo, abandonou a escola, pintou o cabelo de loiro, perdeu a virgindade e foi seguir uma vida de hippie na estrada até o oeste americano (chegou a vender colares de miçangas e biquínis de macramê feitos à mão). Depois mudou-se para Europa, rodou por alguns países tendo diversos sub-empregos e voltou à Nova Iorque em 1976, onde descobriu um emprego através de um anúncio no jornal para o Captain Kink's Sex Fantasy Theater. Ela se interessou tanto em participar que foi se encontrar pessoalmente com o criador do show, Rod Swenson, um graduado em Yale com Mestrado em Belas Artes. Além do teatro, Rod tinha outra ideia: queria formar uma banda de rock incomum, desagradável e Wendy se empolgou tanto que queria ser parte disso. Os dois se juntaram ao projeto e também começaram um relacionamento.


The Plasmatics era uma banda que teve seu conceito idealizado e criado por Rod Swenson. Ele era empresário, compunha as letras, tirava as fotos, fazia de tudo, mas o grupo não teria a proporção que teve sem a grande presença carismática de Wendy, tanto que no início Rod pensava em colocar três cantoras, mas ninguém conseguiu acompanhar o ritmo, as outras sumiam diante dela. Em julho de 1978 houve a estreia com Wendy nos vocais, o guitarrista Richie Stotts e o baixista Chosei Funahara e mais alguém que chamaram para assumir a bateria. A repercussão no cenário underground foi imediata, logo a banda seria a que mais lotava shows no CBGB.


Foi só no final de 1980 que o Plasmatics seria conhecido do grande público quando Wendy pulou fora de um Cadillac em movimento que logo explodiu e voou fora do pier 62 em direção ao Rio Hudson. Esse seria um dos momentos emblemáticos e que marcaria a memória das pessoas sobre as apresentações da banda. As performances incríveis de Wendy continham a clássica marretada e destruição de tevês, rádios, carros e guitarras, essa última ela também cortava com uma motosserra ao meio e jogava os pedaços na plateia. O Cadillac era o modelo favorito para explodir e pichar nos palcos. Esses objetos eram alvos preferidos pois simbolizavam a cultura de consumo norte-americana da época, mas não foram os únicos alvos. "Parte do que fazíamos era uma massa de destruição de ícones consumistas, então a gente dava marretada em televisões e os carros escolhíamos os Cadillacs porque eles eram o 'sonho americano'", revelou Rod.


Video clip: The Damned


Wendy era uma rockstar que ia na contramão do que o rock mainstream apresentava nas décadas de 1970 e 80. Enquanto muitos exibiam suas riquezas por meio de suas mansões, carros e até aviões, Wendy era critica ferrenha ao consumismo. Não é que ela fosse contra as pessoas comprarem, o ponto que questionava era os produtos que a sociedade consumia, na maioria das vezes de forma alienada, sem saber os problemas que causavam ao meio ambiente e consequentemente a sua própria saúde, pois há venenos que empurram para a população consumir sem saber a verdade, principalmente em alimentos.

Força física que aguentava nos ombros o guitarrista.

Era comum em entrevistas elogiarem a forma física de Wendy, que iniciou no Plasmatics aos 28 anos de idade. Ela respondia que cuidava sim muito do seu corpo e que por isso tentava ser a mais saudável possível se exercitando e sendo vegetariana desde a adolescência. O fumo e a droga que hora fizeram parte de sua vida, não estavam mais presentes, era proibido até Coca-Cola. Pois é, Wendy fazia todas aquelas loucuras no palco completamente sóbria!




O Estilo de W.O.W
Esteticamente Wendy foi precursora de muitas modas. Quando começou na banda, tinha um cabelo loiro platinado com mechas rosas, pode-se conferir o visual no primeiro álbum 'New Hope for the Wretched'. Dizem que foi depois de Setembro de 1980 que Wendy cortaria seu famoso cabelo moicano, uma de suas maiores marcas registradas. Seria uma das primeiras mulheres a usar o corte, ficando a dúvida se seria antes até de Wattie Buchan, vocalista do The Exploited. Chegou a ter o moicano em duas cores, preto e loiro durante 1981 e 1984. No final do último ano voltaria ao cabelo comprido loiro e com franja, visto na capa de seu álbum solo W.O.W. Ficaria assim até o final da banda e nas raras aparições após o término, os fios estavam cacheados.


O guitarrista Richie Stotts costumava usar saias, inclusive tutu, bem ao estilo punk bailarina.

Já na parte das roupas havia uma questão interessante: Wendy era supersexy, suas peças eram sempre justíssimas, minúsculas, isso quando não estava só de calcinha fio dental e sutiã ou coberta de espuma de barbear. Mas ela tinha uma atitude tão forte no palco, uma presença tão agressiva, que essa sexualidade extrema não a transformava num simples objeto sexual da qual muitas mulheres no rock eram reduzidas nos anos 80, principalmente nos clipes de rock. Em uma entrevista, Wendy disse que o jeito dela se vingar dessa diminuição às mulheres era justamente não colocá-las em seus clipes como modelos e objetos, pelo contrário, nos vídeos do Plasmatics, Wendy era sempre o destaque lutando, fazendo acrobacias audaciosas e esmagando tudo no seu caminho.


Usava cone bra antes de Madonna. Joan Rivers a chamou de
"Joan Crawford num sutiã de torpedo".

Como crítica do consumismo, já naquela época Wendy era adepta do que hoje conhecemos como minimalismo. Segundo uma matéria oitentista à People, ela mal tinha produtos domésticos, nem mesmo telefone. Também não usava vestido e não comprava um novo par de calça havia três anos. "Estou mais interessada em ter um lugar para trabalhar minha voz e corpo do que ter móveis", disse à revista. Apesar da preferência em peças justas e curtas, Wendy dizia gostar de usar o que era confortável. Com influência do punk e do metal, muitas de suas roupas vinham do universo fetichista, amava estampas de animais como onça e zebra, jeans apertado e de cintura baixa, camisetas sem manga mostrando suas tatuagens, uma rebeldia para aqueles tempos, ainda mais vindo de uma mulher! Só não consegui confirmar se as peças de fetiche que usava e as jaquetas eram de couro ou imitação, pois ela era ativista dos animais e não usava maquiagens que faziam testes em bichos.


Os retângulos pretos tapando os seios eram uma forma de provocar a censura, já que Wendy foi presa algumas vezes por 'exposição indecente'. Sempre indo além, em vez das fitas, às vezes usava pasties com spike ou colocava prendedores de roupas nos bicos, ou quando não usava nada, tapava suas partes íntimas com creme de barbear, mas durante o show acabava derretendo, correndo o risco de ir presa por obscenidade.


Em 1981, Wendy foi exatamente presa por obscenidade num show em Milwaukee ao simular masturbação numa marreta. Enquanto era direcionada para a viatura do lado de fora, um policial a assediou sexualmente apalpando suas partes íntimas, o que resultou numa reação de defesa agressiva de Wendy. Nisso, outros policiais chegaram, a jogaram no chão, chutaram seu rosto, quebraram seu nariz e provocaram um corte de doze pontos em sua cabeça. Rod Swenson tentou impedir mas também acabou sendo agredido e Jean Beauvoir, que tocava com a banda na época, sofreu agressões físicas e verbais racistas. O caso repercutiu na imprensa americana, chegaram a ir à Corte e Wendy foi absolvida da acusação. No ano seguinte seria presa novamente pelo mesmo motivo e também absolvida.


Em entrevistas era comum perguntarem à Wendy se ela e a banda provocavam violência pelas atitudes que tinham no palco ao destruir objetos. A cantora respondia questionando que era normal estupro e assassinato no noticiário, mas não era normal quebrar tevês, o que deixava claro como as coisas na sociedade estavam fora de proporção. "Quanto mais você suprime, quanto mais você reprime, tudo o que faz é criar mais violência, no meio desse tédio vem a violência, vem os assassinatos e as reais doenças da sociedade".


Dizem que Wendy não curtiu o filme que atuou em 1986, Reform School Girls. 
Particularmente não gostei também. 


The Plasmatics durou dez anos e durante esse tempo houve a carreira solo de Wendy. O término ocorreu em 1988, trocando de vários músicos e lançando cinco álbuns: New Hope for the Wretched (1980), Beyond The Valley of 1984 (1981), Metal Priestess (1981), Coup d'Etat (1982) e Maggot: The Record (1987). A banda foi pioneira em misturar punk e metal, o que segundo Rod causou desagrado aos primeiros fãs que eram punks. Maggot foi considerado o primeiro Trash Ópera da história. Nesse período também fez parceria com Gene Simmons e outros integrantes do Kiss para seu primeiro disco solo W.O.W e com Lemmy Kilmister junto com Plasmatics no EP 'Stand By Your Man'.

Lemmy e Wendy

O final de vida da Wendy não seria nada bom, com o fim da banda ela se recolheu, ficou antissocial e quase não havia notícias dela, a pessoa mais próxima e quem confiava era Rod Swenson. Ela se sentiu perdida sem o Plasmatics porque foi pela banda que conseguiu se encontrar como pessoa. Mudou-se para Storrs, Connecticut em 1991, e dedicou-se a resgatar e cuidar de animais órfãos e feridos no Quiet Corner Wildlife Center. Estava obcecada pela morte tentando suicídio três vezes: uma em 1993, outra em 1997 e a última em 1998. Acabou falecendo com um tiro na cabeça no bosque onde ficava a casa de Rod, sendo o próprio que encontrou seu corpo. O óbito foi no dia 06 de Abril de 1998, tendo apenas 48 anos de idade.


Apesar da imagem agressiva nos palcos, fãs que tiveram oportunidade de conhecê-la disseram que a artista era supersimpática pessoalmente. Para Wendy, o rock era atitude e isso ela tinha muito, tanto que deixou muito homem rockstar no chinelo, diria até que GG Allin! Uma pena ter falecido tão cedo, e assim como vários outros nomes de mulheres, seu legado na história do rock precisa ser mais reconhecido e lembrado. Tá feita a nossa parte!

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19 de maio de 2019

A volta do Look do Leitor: 10 anos de Moda de Subculturas

Estamos comemorando 10 anos de blog!

No post anterior divulguei pra vocês a campanha de financiamento que vai desenvolver 1 revista alternativa + 3 zines temáticos! Se você não viu ainda, clica aqui pra conhecer!

Ao longo deste tempo ganhamos muitos leitores e talvez alguns deles não conheçam aquela que foi uma das mais famosas sessões daqui. Lembrando que naquela época não tinha Instagram, então aparecer aqui no blog era uma forma de mostrar um pouco dos estilos pessoais dos leitores!


Pra comemorar os 10 anos, a sessão Look do Leitor está de volta!!


Paula participou do Look do Leitor em 2013.

Foi através do Look do Leitor que conheci várias pessoas que acompanho até hoje, além de ter a oportunidade de conhecer a carinha dos leitores e como são as expressões de moda alternativa no país.


Como vai funcionar?

Os leitores que enviarem seus looks poderão ter eles publicados na revista dos 10 anos que será lançada em outubro!!

E/ou também nos stories/posts de nosso Instagram!



Como participar?

- Mande uma foto sua, a melhor que você tiver em termos de qualidade e resolução (PODE SER DE CELULAR!).

- Você deve contar sobre seu estilo e o porquê da escolha daquelas roupas do look.

- Deve dizer se é parte de alguma subcultura. Se não for, não tem problema, pule essa parte.

- Você deve colocar as seguintes informações: Nome ou Apelido, Idade, cidade/estado em que vive, profissão.
- Seu Face ou Instagram.

- Você deve enviar estas informações para o email:






Escreve pra nós!
Outra forma de você participar das comemorações é mandar sua mensagem pra gente contando a sua história com o Moda de Subculturas! Sua mensagem também pode aparecer na revista e em nossas redes sociais!

Junto com o relato, você precisa mandar seu nome, idade (se quiser) e cidade/estado e mais:
- Você precisa dizer no corpo do email que autoriza a publicação do texto. 
Você deve enviar o seu relato para o email: modadesubculturas.mkt@gmail.com

Não aceitaremos envio das mensagens e das fotos por Instagram, fan page do face ou enviados a outro email, ok?!

Dúvidas? Escreva nos comentários!


Quer conhecer a sessão Look do Leitor? Então clica aqui (foram 34 participantes)!

Camille e Thenebra no Look do Leitor

Yago e Karine no Look do Leitor



E não esqueça de apoiar o projeto dos 10 anos de blog!



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17 de maio de 2019

1 Revista Alternativa + 3 Zines - Conheça a campanha de financiamento dos 10 anos do Moda de Subculturas

E lá se foram 10 anos produzindo conteúdo e distribuindo gratuitamente à todos que aqui visitam! <3

E como nunca te pedi nada, chegou a hora de pedir!
Criei uma campanha de financiamento coletivo, já que um aniversário assim não pode passar batido e sem registro!

Preciso da sua ajuda para criar um material comemorativo composto de uma revista alternativa e três zines temáticos que você vai e guardar como um material único e muito especial. O material estará disponível em outubro.



Você gosta da ideia de ter o material comemorativo?
Então vem apoiar!
É só clicar nesse link:





Se você não tem grana pra apoiar, tudo bem! Te convido a compartilhar esta postagem (ou os posts no Instagram ou Facebook) em suas redes sociais para quem sabe alguém se interessar.

Quem somos?


Moda de Subculturas nasceu da comunidade "Subculturas e Estilo", criada em 2006 no Orkut. Em outubro de 2009, o blog é criado com o intuito de tratar a Moda Alternativa com seriedade, sendo o primeiro blog alternativo brasileiro a mostrar a relação da moda alternativa com a moda dominante (mainstream) através de editoriais e desfiles de moda com referências à temas alternativos, mostrando também como as subculturas buscam suas referências em períodos históricos, abordando a história das subculturas e de estilos de moda alternativo. Também é um dos primeiros blogs alternativos nacionais a fazer parcerias com lojas alternativas, algumas delas estando presentes desde o primeiro ano. 

Com o tempo, acabamos por abraçar o universo e o mercado alternativo como um todo para maior abrangência de público, fazendo um trabalho único em nível mundial.

No Moda de Subculturas levamos a frase Riot Grrrl, "girls to the front" de forma literal! Somos um blog completamente desenvolvido e escrito por mulheres! São mulheres que se especializaram na moda das subculturas.

O que será produzido:



- Revista Moda de Subculturas - comemorativa dos 10 anos do blog! Terá: Matérias exclusivas sobre subculturas e moda alternativa, entrevistas, ensaios com modelos alternativas, história da moda etc. O conteúdo completo (capa e índice) será divulgado em breve. Tem muita gente legal envolvida (MUITO obrigada por toparem participar!!), colunistas profissionais com textos exclusivos e diversidade!! 

- Zine Riot Grrrl - não tem como um blog feito 100% por mulheres não homenagear aquela que é considerada a primeira subcultura criada por mulheres e para mulheres. Neste zine, contaremos a história do movimento com ilustrações dos próprios zines da época. Vamos enaltecer as meninas criadoras do Girl Power

- Zine Dark Pin-ups - resultado de uma pesquisa iniciada em 2017 sobre um estilo que ficou conhecido como "Dark Pin-up". Esse será um material exclusivíssimo, autoral e com uma abordagem ainda inédita no Brasil, trazendo história, descrição e análise.

- Zine Subculturas e Estilo - O zine de 10 anos, prestará uma homenagem à comunidade 'Subculturas e Estilo', do Orkut, criada em 2006 e que deu origem ao blog. Seu conteúdo será do jeitinho que tudo começou: pequenos textos sobre o estilo de algumas subculturas. Este zine trará bonequinhas de vestir criadas por nossas ilustradoras.


Todo esse material será disponibilizado em primeira mão aos que apoiarem.


Apoiando a campanha, você também apoia artistas mulheres que são as responsáveis por ilustrar todo o conteúdo relativo às comemorações dos 10 anos do blog!

IMPORTANTE: 
Quem apoiou vai receber o material, independente de bater a meta!!



Como será o material?

Infelizmente calhou do aniversário de 10 anos de ser na época da pior crise econômica do Brasil. Pra enxugar de forma super enxugada os valores, a revista será oferecida em formato virtual para os que apoiarem.

Oferecer uma revista impressa seria o ideal, mas sairia MUITO caro. Estamos numa realidade econômica ruim, tenho conhecimento que muitos dos leitores não tem condições de financiar uma revista impressa e optei por um enxugamento de custos oferecendo o material no formato virtual.


Pra onde vai o dinheiro?

O dinheiro será direcionado para:

1. Taxa da Vakinha.

2. Criação do conteúdo do material:


- pagamento do trabalho das artistas mulheres que são as responsáveis por ilustrar todo o conteúdo relativo às comemorações dos 10 anos do blog. 

- Colaboradores (autores dos textos). 

- Apoio ao desenvolvimento das matérias (ensaios fotográficos, reportagens, entrevistas).



3. O valor excedente será contabilizado e analisada sua utilização para impressão de zine aos que apoiaram. O apoiador vai poder escolher qual zine quer impresso.




E SE?
E se valor exceder BASTANTE?
Se o valor do financiamento exceder um tantão, consigo fazer impressão de ao menos uma parte do material!


"É virtual? Mas eu queria físico..."
Caso algum de vocês se interesse APENAS pelo material de forma física, é claro que é possível realizar, porém o preço unitário não será tão acessível, mas se fizer questão, posso após o lançamento fazer uma impressão pra você com o valor da impressão + o frete. 


Além disso...

Além disso tudo acima, até o fim do ano vai rolar umas coisas muito incríveis com as lojas parceiras!! Taí muitos motivos pra ficar de olho no blog e também nas redes sociais para saber de tudo em primeira mão! 
Siga nosso Insta porque é lá que tudo está sendo divulgado:
https://instagram.com/modadesubculturas/


Dúvidas: 
Utilize os comentários, será um prazer esclarecer!


+ 


No próximo post tem mais informações sobre as comemorações dos 10 anos que contará com a participação de VOCÊS!!

Ficou interessado em conhecer meu trabalho em revistas e zines pra ter uma ideia do tipo de material que produzo e sua qualidade?

Confira meu trabalho no Zine Última Quimera. Link 1 e Link 2.

Fui colunista das quatro edições da revista Gothic Station que você pode conhecer neste link: https://www.gothicstation.com.br/loja e pode ver a resenha da edição 1, resenha da edição 2, resenha da edição 3 e a resenha da edição 4.


Entrevista comigo na Gothic Station número 3:


Um pouco do meu portifólio em projetos de zine e revistas virtuais em parceria, mostrando minha experiência a respeito:


Zine Desviante: Consultoria; Revistas Kvlt Vision e Dark Cvul: matérias.

Revista World Wild - edição número 2


Conto com vocês nesta celebração! 



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13 de maio de 2019

Moda e Museu: MET Gala | Camp: Notes On Fashion

A museologia da moda é minha atual área de estudo, por isso me senti à vontade pra trazer aqui uma postagem sobre o MET Gala que ocorre anualmente sempre na primeira segunda-feira de maio. Mesmo a festa tendo acontecido há uma semana, vale trazer aqui informações sobre o tema e exposição.

Violet Chachki de Moschino

O baile MET é daqueles eventos que no dia seguinte ainda está todo mundo comentando sobre os looks, o que reforça o senso comum de que a moda está sempre envolta a um grande evento tapete vermelho e celebridades. Mas por que um evento tão conceitual acontece num museu?

Lupita Nyong'o de Versace e Ru Paul (que não foi montado de drag!).

A justificativa é ser um baile de gala que visa encorajar doações da alta sociedade ao museu, promovido pelo departamento de moda do Metropolitan Museum of Art para o seu Costume Institute - a parte museológica que cuida da indumentária. Atualmente o local recebe o nome de The Anna Wintour Costume Center, em homenagem a editora chefe da Vogue americana que tem uma cadeira no museu desde 1995. A ideia de arrecadar fundos para o departamento foi de Eleanor Lambert em 1948, desde então, o evento acontece.

Laverne Cox de Christian Siriano; Aquaria de Maison Margiela.

O grandioso desfile temático de celebridades é uma forma de chamar a atenção para o museu. Logo depois, ocorre um cocktail e um jantar de gala. Na verdade, todas as celebridades que passam pelo tapete de entrada pagaram alguns milhares de dólares para participar do jantar, este ano com apoio financeiro principalmente da Gucci e da Condé Nast. Dinheiro esse que será investido no próprio local. 

estampa de fogo de Sophie Von Haselberg e Bete Midler.
Ambas de Michael Kors.

O evento também abre a exposição anual de moda por isso todos os convidados precisam se vestir de acordo com o tema, eles verão em primeira mão a exposição, antes que esta se abra ao público. 

Jared Leto e Saiorse Ronan, ambos de Gucci.

 "Pense em exagero. Pense em extravagância." - MET

Camp: Notes On Fashion
Afinal, o que significa esse tema? É bem verdade que o Camp é um tema complexo, tanto que muitos que passaram pelo tapete vermelho não pareciam ter compreendido o conceito, como por exemplo Katy Perry que na verdade usou uma fantasia (de candelabro) e Gisele Bündchen e seu vestido elegante porém nada extravagante.

Camp ou fantasia? Katy Perry de Moschino; Lily Collins (vestida de Priscilla Presley) de Salvatore Ferragamo; Kacey Musgraves de Moschino.

O uso do termo 'Camp' surge no século 17, na peça "Les fourberies de Scapin" (Artimanhas de Scapino) do autor francês Molière. A partir daí, o Camp se revela na corte de Versailles e posteriormente na subcultura queer até chegar aos nossos dias.

Janelle Monàe de Christian Siriano


O Camp é político.
Andrew Bolton, curador-chefe do Instituto do Traje do MET, diz que a escolha do tema foi por perceber um retorno do Camp na cultura geral e que o estilo tende a ganhar força “em momentos de instabilidade social e política, quando nossa sociedade está profundamente polarizada”. Já o diretor criativo da Gucci, Alessandro Michele, diz que o Camp é se expressar através de nossas roupas e, do ponto de vista político, ser quem você quer ser, independente do que os outros pensem.

Kim Kardashian de Thierry Mugler; Julia Garner de Zac Posen.

É nesse ponto que o Camp se liga com a cultura Queer: o Camp questiona gênero. Em história da moda é importante lembrar que o conceito de visual masculino que temos hoje em dia é muito recente. Por muitos séculos, os homens se adornaram tanto ou mais que as mulheres, usaram saltos altos, perucas, maquiagem e padronagens elaboradas.

Os que mais gostei de acordo com o tema: 
Harry Styles de Gucci e Dua Lipa de Versace.


O Camp na definição de Sontag
O MET usou como base o artigo de Susan Sontag publicado em 1964, o primeiro texto sério sobre o tema, que contribuiu em teoria e ajudou elaborar o conceito através de 58 definições. Para Sontag, o Camp explora o exagero, o divertimento, a ironia, a teatralidade, o pastiche... "uma maneira de ver o mundo como um fenômeno estético", "não é em termos de beleza, mas em termos do grau de artifício, de estilização”. Camp é também o estilo antes do conteúdo.

Cardi B de Thom Browne

Moda, arte e história se entrelaçam e através do visual podemos ver como o tema foi interpretado pelas celebridades e imaginar se também poderiam ser parte da exposição no museu. Todos nós amamos ou odiamos alguns looks e você pode dizer nos comentários quais considerou os mais Camps!


Ezra Miller de Burberry 


A Exposição
Embora poucas imagens estejam oficialmente disponíveis no site do MET sobre as centenas de objetos expostos (há muitas imagens em redes sociais), pelo pouco divulgado já é possível compreender o que a curadoria entende por Camp e por moda digna de museu. 

A exposição: sala onde os looks estão em "caixas" com fundos coloridos, com destaque para o headress de flamingo em primeiro plano.

E é nesse momento que várias peças acabam sendo reconhecidas por nós, como o icônico vestido de cisne da cantora Björk, o vestido de carne de Lady Gaga (em versão carne falsa), o sapato de plataforma arco-íris de Salvatore Ferragamo para Judy Garland, além de peças de John Galliano, Jean Paul Gaultier, Marc Jacobs, Karl Lagerfeld, Franco Moschino, Yves Saint Laurent, Anna Sui, Gianni Versace e Vivienne Westwood compartilhando o espaço com obras de arte como um retrato de Louis XIV, uma fotografia de Robert Mapplethorpe, além acessórios fantásticos.

             Marjan Pejoski 2000/2001; House of Schiaparelli 2018-19

                            Jeremy Scott, 2017; Moschino, 1989

Jun Takahashi 2017-18; Jeremy Scott 2018

Virgil Abloh, 2018; Gucci, 2016–17


O Camp é o amor pelo exagero, como Luis XIV, Maria Antonieta, os Macaronis e eu acrescentaria Drags (Kings e Queens) e várias outras estéticas alternativas - como os Clubbers, no conceito. Já são mais de 300 anos de cultura Camp e vem muito mais por aí!

E se você gosta da temática Moda e Museu, confere esses posts que já publiquei em anos anteriores: "Uma breve história dos Corsets", "A moda vitoriana e Belle Époque - Expressionismo e Modernidade" e "Gothic: Dark Glamour".



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