.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Novembro 2015

29 de novembro de 2015

Pensata: Os crimes de ódio contra subculturas e o preconceito velado

Esta semana vocês devem ter visto circulando nas redes sociais que na cidade de Leicestershire, na Inglaterra, virou crime de ódio os abusos verbais e físicos dirigidos a pessoas que fazem parte de subculturas.


Já tinha abordado esse tema na página do face ano passado, e conversando com uma amiga que mora na Inglaterra - pra entender melhor a história e não romantizar o fato, antes que as pessoas digam "ah vou me mudar pra lá" ou "nossa que avançados esses ingleses" - ela me disse que o norte daquele país é mais pobre, conservador e consequentemente, mais violento. Então gente, acredito que nenhum lugar é o paraíso e a gente tem que cair na real que se uma lei precisou ser criada, é porque os índices de violência com pessoas diferentes são altos. Esta mesma amiga disse ser muito raro ouvir falar de violência contra subculturas em cidades mais ao sul, como Londres e outras cidades maiores e cosmopolitas. Então percebemos que quanto mais convivência com diversidade, mais informação e menos pobreza, o preconceito diminui.

O legal seria se não precisasse existir lei, né? Se precisou existir é porque as agressões aos alternativos costumavam ser ignoradas pelas autoridades. Na teoria, se uma lei diz que todos são iguais, não precisaria existir segmentações. Mas a gente sabe que é mais fácil criar uma lei complementar do que mudar o comportamento do povo. É mais fácil e rápido punir do que educar. Ensinar o respeito, a tolerância aos diferentes leva tempo e até gerações para mudar comportamentos e às vezes esquecemos de planejar nossa sociedade à longo prazo. A violência e a punição são sempre mais rápidas e portanto se faz necessário esse amparo às vitimas de preconceito subcultural.


Há décadas polícias e governos de vários países reprimem as subculturas com a desculpa de que elas são feitas de pessoas descoladas das normas e valores sociais. Era muito comum na Inglaterra dos anos 1980, por exemplo, punks serem acusados de crimes que não cometeram e terem seus eventos musicais cancelados por venderem peças fetichistas ou serem de esquerda. E os hippies, que foram a primeira subcultura de classe média, não sofriam tanta violência física policial, mas eram vigiados constantemente por causa do LSD. Nem mesmo os clubbers escaparam da perseguição por causa da circulação de traficantes nos clubes, tanto que a subcultura acabou por repressão do governo americano.

Aliás, o suposto uso de drogas e envolvimento com seitas satânicas é a "desculpa" que mais usam pra perseguir e assediar alternativos. Além de considerarem que ser alternativo é algo que precisa ser "curado".
E esse pensamento é incentivado de forma super velada em programas de auditório, em programas de moda que mudam o look dos alternativos... são doses homeopáticas que suavemente infiltram na mente das pessoas que alternativos estão errados e precisam ser consertados, porque "consertar" uma pessoa é mais fácil do que mudar a mente preconceituosa de milhares. "Você ficou muito melhor com essa roupa clássica!", aham, mas e daí? Por que as pessoas não podem simplesmente ser como querem ser? 
Por que o diferente incomoda tanto? 
Talvez porque sintam que não podem nos controlar. Temos vontade própria.
E quando um sistema sente que não pode controlar as pessoas, ele sente medo. Sente medo porque pode perder seu poder. Então o que esse sistema faz é veladamente ensinar ao povo que pessoas diferentes precisam se tornar iguais para serem controladas. Nada mais perfeito que um povo manipulado.


E então de forma disfarçada as pessoas vão sendo ensinadas que o diferente não é certo, que ele precisa ser neutralizado para impedir o impacto positivo dessas pessoas na sociedade. Quando elas começam a se destacar positivamente, de alguma forma são enfraquecidas, seja pela moda mainstream, pelas autoridades ou pela mídia, para que percam seu poder de mudança social.

E a criminalização do preconceito contra subculturas só ganhou força na Inglaterra por insistência da família de Sophie Lancaster, uma jovem assassinada em 2007 por ser gótica. Seus assassinos, dois rapazes adolescentes, estão em prisão perpétua.
Chega a ser até um pouco parecido com aqui no Brasil que só depois que alguém inocente morre e a família não deixa quieto, põe a boca no mundo, que o governo decide fazer alguma lei. A mãe de Sophie, chamada Sylvia, luta para que ataques contra pessoas que são parte de subculturas alternativas sejam classificados como crimes de ódio em todas as cidades do Reino Unido. E alega que muitos alternativos não denunciam essas violências pois sentem que não serão levados à sério. Ela já conseguiu com que 9 cidades inglesas adotassem essa lei.

Não descobri nenhum dado oficial sobre violência física de "pessoas normais" contra pessoas de subculturas no Brasil. Vocês conhecem casos assim?? Contem-nos!
Casos de violência verbal e psicológica é mais fácil de ver e conhecer, até mesmo dentro das famílias, acho que todo mundo tem um caso pra contar sobre isso.

Mesmo que você não seja de nenhuma subcultura, não custa lembrar: é por causa de várias delas que tivemos a emancipação feminina, liberdade artística, sexual e religiosa, reformas políticas e de direitos humanos. Quando tomamos conhecimento disso, entendemos porque tantos querem nos "neutralizar"

Pra quem se interessar, ano passado fizemos uma série de posts sobre preconceito contra alternativos:
- O preconceito com as estéticas alternativas
- Sobre preconceito e autoconfiança
- Sobre Esquadrão da Moda e Mude meu Look
- O estilo de Abby Sciutto e Penélope Garcia



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28 de novembro de 2015

Caneca Mágica da personagem Vampira (Maila Nurmi)

Recentemente a loja catarinense Billy Willy me enviou uma caneca mágica da personagem Vampira, que era interpretada pela atriz finlandesa Maila Nurmi na década de 1950.
A personagem virou cult e hoje é um dos ícones de estilo de várias subculturas. 


"A personagem Vampira surgiu ao acaso, quando, em um baile de máscaras, um produtor de Tv achou interessante a fantasia que Maila Nurmi usava. Ela foi convidada a fazer parte de uma série televisiva, conhecida como The Vampira Show, que teve duração de um ano. A personagem Vampira apareceu em várias séries e filmes, fazendo aparições importantes."

A caneca é "mágica" porque é toda preta, mas revela a estampa quando enchida com liquido quente.

Funciona assim: a caneca é completamente negra, mas fica meio "acinzentada" ao receber o líquido quente e aí passa a revelar o desenho de forma gradual, de baixo pra cima, como podem ver no micro vídeo demonstrativo que fiz:



À medida que a caneca esfria ela volta a escurecer lentamente. E fica toda preta imediatamente se você jogar água da torneira nela na hora de lavar. Vampira sendo companhia até na hora de tomar bebidas quentes! :D


Um fato curioso é que Maila Nurmi chegou a processar Cassandra Peterson por considerar sua personagem Elvira uma cópia. Polêmicas à parte, ambas são incríveis, Vampira é mais magra e "fria" e Elvira mais sexy, voluptuosa e engraçada. 
Além da Vampira, a Billy Willy também tem canecas mágicas na estampa da já citada Elvira, de Lily Munster, Nosferatu (essa deve ser muitcho loko ver o personagem aparecendo!), Gomez e Morticia, Noiva de Franknestein, The Munsters entre outras como a Queens of Darkness, ou seja, tem personagem gótico ao gosto de todo mundo!



A loja tem também canecas "normais", incluindo do Edward Scissorhands,  Beetlejuice, Família Addams e diversos outros produtos de decoração como os quadros de filmes e de bandas.

É difícil encontrar lojas de decoração alternativa, então sugiro uma visita ao insta da loja pra ver os produtos. A Billy Willy tinha loja física na cidade de Araranguá em Santa Catarina, mas agora atende só pela web.

E aí, qual personagem da caneca mágica é seu preferido?



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22 de novembro de 2015

O que é uma modelo alternativa? + Dicas de como se tornar uma modelo alternativa!

Neste post vou tentar falar um pouco sobre o que é uma modelo alternativa e também listar dicas básicas que podem ser úteis pra quem quer entrar nesse ramo.
* Estou escrevendo "modelos alternativas" no feminino porque nesse universo a maioria é mulher, mas meninos: entendam que se refere à vocês também, que querem ser modelos alternativos. Ok? ;)



O que é uma modelo alternativa?
São modelos com estéticas alternativas ao padrão de beleza mainstream; quem faz parte de subculturas ou das ditas minorias, como transgêneros, albinos e deficientes, por exemplo. Assim sendo, modelos alternativas podem/devem ser diferentes da noção tradicional de beleza.

A modelo alternativa "vende" sua
personalidade/atitude e estilo próprio. 

Modelos alternativas são literalmente pessoas fora do padrão. Todas as 3 mulheres abaixo são modelos alternativas agenciadas no Reino Unido. Podemos dizer com certeza que o "ser diferente do padrão" é seguido à risca!


Repare em mais estas modelos agenciadas na Europa. Tatuada, modificada, a moça de cabelo verde não tem todos os dentes e a plus size.

 

Modelos alternativas precisam ser magras, "gostosas", de cabelos coloridos, tatuadas e com piercings?
Não! Mas este é um conceito que infelizmente, a própria cena alternativa está impondo em alguns meios, talvez por falta de informação ou por estar absorvendo hábitos do mainstream (na chamada anulação das subculturas e neutralização das estéticas alternativas) e da americanização de nossa cultura (o padrão de beleza "perfeitinho" que a gente imita, costuma vir dos EUA e não tanto da Europa).

Uma garota pode não ter nenhuma tatuagem e ainda assim ser modelo alternativa, temos vários exemplos de sucesso no meio:
Morgana Threnody in Velvet, Ophelia Overdose e Miss Mosh são alguns exemplos. Viktoria Modesta também é deficiente (contamos a história dela aqui).

Características alternativas de estilo independem de ter tattoo ou não. Uma modelo sem tatuagem pode pegar mais trabalhos por sua suposta neutralidade e pelo foco do olhar ir direto pra roupa e não para suas modificações corporais.

Modelos plus size tem sido requisitadas para este "nicho" de mercado que vem crescendo em diversos países.


Precisa ter cabelo colorido? 
Não. Mas é fato que meninas com cabelos castanhos são raras na cena. Cabelos loiros ou tingidos de preto também são um tipo de modificação capilar. O cabelo colorido em tom fantasia não é obrigação. É seu estilo pessoal ter cor fantasia? Se sim, então vá em frente!


As fotos das modelos alternativas são caricatas?
Não. Pessoas alternativas não são caricaturas. Pessoas alternativas tem estilos próprios e estes estilos, por vezes, são super elaborados. Quem tende a achar que pessoas alternativas são caricaturas é o pensamento mainstream enraizado em nossa sociedade (vide tantos programas de TV que visam mudar o estilo dos alternativos por acharem que estamos "fantasiados").


Conceitos de modelo mainstream x modelo alternativa:
Uma modelo mainstream PRECISA ter fotos neutras no composite para que a empresa que a contrate a imagine vestindo a situação do trabalho (foto/desfile), afinal, ela é um cabide. Ela é um manequim. A modelo alternativa NÃO PRECISA ter fotos neutras. O que "vende" a modelo alternativa é a sua aparência, personalidade e estilo pessoal. Portanto, as fotos de composite de modelos alternativas as apresentem mais elaboradas, representando seu ESTILO PESSOAL. A empresa vai contratar a modelo alternativa por seu estilo já pronto e não pela sua neutralidade.

A modelo mainstream precisa ser camaleônica pra fazer os trabalhos. A modelo alternativa não precisa obrigatoriamente. Se uma pessoa diz que não vai contratar uma modelo alternativa pra um shoot porque o composite dela está muito caricato ou elaborado, dá a impressão que este empresário não está pronto pra entender o conceito de modelagem alternativa. Ele precisa se desprender do conceito mainstream, abrir a mente e aí sim entender o trabalho alternativo. Falarei mais dessa relação confusa com o mainstream mais abaixo.


Uma modelo alternativa precisa ser agenciada?
Não. Existem meninas que preferem não ter agente e trabalhar por si mesmas através de contatos de moda, fotografia, arte etc.

 Dommenique Simone (pontas) e Manaka (meio)


Suicide Girls e dos sites Alt-Porn
O site Suicide Girls apresenta meninas nuas ou semi nuas em poses sensuais ou eróticas. Mas tem recebido críticas por antes ser um espaço para diversidade corporal e hoje estar mais padronizado (no sentido mainstream da coisa). Uma das críticas é que por baixo de cabelos tingidos e tatuagens, sua seleção de "suicides" são meninas com rostos simétricos, pele clara e magras ou meninas cheinhas que não chegam ao ponto de ser consideradas plus size. Na cola do Suicide Girls, existem diversos outros outros alterna-porn sites para as meninas que apreciam esse tipo de fotografia

A brasileria Loretta Vergen

Existem modelos que preferem não fazer trabalhos alt-porn ou mais sensuais por não ser seu perfil e isso precisa ser respeitado pelo fotógrafo ou empresa contratante.
É preciso lembrar que não apenas as agências/sites tem suas responsabilidades, os fotógrafos também tem. Existem "alt photographers" que reforçam os padrões de beleza mainstream assim como reforçam o machismo (objetificando as garotas em todas as fotos). Numa breve visita a diversos sites e editoriais, podemos contar nos dedos (ou nem conseguir contar) quantas meninas tem narizes grandes, queixos "diferentes", rostos assimétricos e corpos fora do padrão. Se a modelagem alternativa é abraçar diversos tipos de corpos, incluindo os de beleza considerada exótica ou "estranha", porque não vemos tantas modelos assim atuando? Quem faz a seleção que exclui estes perfis diversos?


Diz-se que fotógrafos são as pessoas de muito peso no segmento de modelagem alternativa, pois normalmente parte deles a ideia do shoot e como querem que a modelo aparente.


Modelos Alternativas fazem trabalhos mainstream?
Acredito que se uma empresa mainstream contrata uma modelo alternativa, esta estará dentro de um contexto. Seja num contexto de representatividade das diferenças, seja um conceito que a marca tenha estabelecido para a coleção atual. Modelos alternativas podem ser contratados também para filmes, séries e clipes que exigem personagem com tais estéticas.

Ex: Ludmila Houben para Coca Cola, o slogan era "o legal é ser diferente". O alternativo dentro do contexto/tema da campanha.


"Se uma estética se torna de massa, deixa de ser alternativa. O mercado alternativo é pequeno. Essa é a natureza de propostas alternativas. Se a proposta fosse grande, se o mercado fosse grande, não seria mais alternativo, seria mainstream." Iluá Hauck, modelo alt brasileira radicada em Londres

Existem dúvidas à respeito da forma como a moda mainstream enxerga modelos alternativas. É fato que existem diversas modelos fazendo trabalhos no mainstream. Apesar da abordagem mente aberta das agências, tem sido um desafio para elas convencer  as empresas a aceitar o diferente. Caímos no mesmo questionamento que levantamos sobre a revista ELLE com a campanha #VocêNaCapa dentro do contexto de revistas de moda e publicidade mainstream: será que eles estão aceitando MESMO o diferente? Será que eles realmente nos enxergam como consumidores? Será que vão nos colocar como principais em anúncios de pasta de dentes, molho de tomates... Será que estão prontos para abraçar modelos de todos os tamanhos, formas e aparências? Ou apenas nos usam para vender suas marcas como "cools" mas na vida real não nos aceitam nem como funcionários de suas empresas por nosso visual?
Existe um caminho muito longo a percorrer até que cabelos coloridos, piercings e tatuagens importem menos do que quem você é como pessoa.

Modelo albina, tatuada e com cabelo azul: o mainstream está pronto para elas?


Precisa ser fotogênica?
Tem gente que diz que sim, que modelo precisa ser fotogênica. Mas... será? Se é alternativo, não precisa ter obrigação da fotogenia. O "estranho", "diferente" e "bizarro" precisa ser aceito nesta cena! Se existir a limitação da fotogenia, estaremos reproduzindo um conceito mainstream e isso não contemplará a diversidade alternativa.


O que faz uma modelo alternativa ser considerada profissional?
A resposta é simples: ter feito trabalhos profissionais.
Traduzindo: ter modelado para lojas, ter trabalho publicado em mídia (sites, jornais, revistas) e/ou receber pagamento pelo seu trabalho.

A brasileira Mone Venzel


Ser modelo alternativa é um rótulo?
Ninguém gosta de rótulos, mas categorizar às vezes é necessário, seja para estudos, seja para selecionar trabalhos. As pessoas precisam fazer sentido. Os contratantes precisam escolher uma modelo que tem um estilo x que represente sua marca. Exemplo: o contratante precisa de uma moça com aparência punk, ele vai procurar meninas que se categorizaram como "punks". Infelizmente a categorização ainda não foi eliminada de nossa sociedade.


É possível seguir numa carreira de modelo alternativa e se sustentar sozinha?
Isso parece ser raro, inclusive no exterior. Normalmente elas tem um emprego "normal" ou  atuam também como dançarinas, atrizes, musicistas, alt-porn ou cam model stars, além de profissões tradicionais. Pelo mercado alternativo ser pequeno, existe muita oferta e pouca demanda de trabalho, dificultando a sobrevivência única pela modelagem alt.

Uma das raras modelos que não tem um emprego comum durante o dia é Betsy Rose, que também é atriz e dançarina burlesca. Mas ela tem cabelo preto (cor socialmente aceita) e nenhuma tatuagem. 


E modelos alternativas mais velhas? Existe espaço para elas aqui no Brasil? Ou continuaremos reproduzindo o conceito mainstream da juventude eterna?
A maioria das modelos alts que vejo atuando no Brasil com mais visibilidade estão na faixa de 15 a 25 anos, mas todas conhecemos ao menos uma garota/garoto na faixa dos 30 anos (e até 40) que tem muita atitude e representatividade que poderiam ser abraçadas pelas lojas/eventos, afinal, esse pessoal mais velho viveu a era de ouro das subculturas, tem repertório e tenho certeza que personalidade não falta à elas!

Adora BatBrat, Claire Amaranth e Chien são algumas das modelos estrangeiras na faixa dos 40 anos que fazem trabalhos profissionais para fotógrafos e lojas. Idade não é limitação.


Modelagem alternativa não é estar dentro de uma caixa padronizada, não é sobre ser uma caricatura, é sobre ser única!


COMO SER UMA MODELO ALTERNATIVA?
(não são regras de conduta, são apenas dicas que peguei aqui e ali contando com minha experiência de trabalho em agência de modelos).

* Defina seu nome. 
Vai usar seu nome verdadeiro? Ou um nome artístico?

* Defina seu estilo.
Qual estilo de você faz? É gótica? É metal? É fetiche? É punk? É pinup? Vários deles?
Você tem uma personalidade? Mostre-a!

Modelo pinup; fetiche, punk (sem tatuagens) e psychobilly


* Crie fotos para seu portifólio.
Não encha seu portifólio com 500 fotos iguais do mesmo photoshoot. Escolha as melhores que tiver, duas no máximo, se tiver sido um trabalho excepcional, até pode ser 3, mas estas fotos precisam mostrar seu melhor  naquele shoot, ou seu melhor rosto ou melhor ângulo. O recrutador não tem tempo de ver 15 fotos iguais, ele só precisa ver sua potencialidade através de suas melhores fotos.

O seu portifólio pode ser também virtual. Faça um wix, um blog, um site, whatever, mas não esqueça de colocar marca d´água com seu nome pra  proteger o direito autoral e também pra saberem quem você é, caso desejem te contratar.
Se vc tem blog: separe a vida pessoal da profissional. Crie um blog-portifólio profissional, voltado à apenas exibir seus trabalhos. É esse que você deve apresentar às lojas e fotógrafos.

Antes de contratar um fotógrafo profissional pra criar as fotos de seu portifólio, que tal chamar um amigo/a e fazer diversas fotos como treino pra, na hora que você pagar o fotógrafo, já saber qual suas melhores poses e olhares? Pra quem é de SP, no blog temos parceria com a Sookie, fotógrafa da Framed in Blood Art. Basta usar nosso cupom  exclusivo, o código é MODASUB, que o valor dos ensaios sai por R$250,00 por 35 fotos editadas. Taí uma chance de começar! 
Também é preciso lembrar que a foto sempre pertence primeiramente ao fotógrafo e este colocará seu logo na imagem

* Tenha noção do seu corpo
Parece bobeira dizer isso, mas tenha noção de como seu corpo se movimenta, como ele se dobra, sinta quais partes formam ângulos ou curvas, com qual posição você aparenta estar suave ou agressiva ou sensual ou qual posição é incômoda ou incomum... tudo isso ajuda na hora de trabalhar com o contratante.

* Precisa ser um pouco/ator/atriz
Enquanto as modelos mainstream costumam ser telas em branco ou meros cabides, a modelo alternativa pode colocar sua personalidade nas fotos se assim for desejo da empresa ou do fotógrafo. Além disso, precisa ser um pouco atriz/ator pra interpretar um personagem que é a cara da marca.

Modelos agenciados do Reino Unido


* Precisa saber vender.
Querendo ou não, modelo - quando não faz trabalho meramente artístico - é também uma vendedora, precisa saber vender o produto que veste. Tá modelando pra marca de calçado? Faça poses que mostrem o calçado. Tá modelando acessório, anel, brinco? Faça poses que mostrem eles. Tá modelando roupa? Como é a roupa? Tem cauda, tem detalhes laterais, tem fenda? Faça poses e ângulos que mostrem a particularidade de cada roupa. Em  fotos para loja, mostrar o produto tem que ser mais prioridade do que mostrar sua beleza.
É muito importante também pesquisar sobre a empresa para a qual se vai modelar, entender a história e o conceito da mesma para poder passar a mensagem corretamente.


* Quais são os pré requisitos fundamentais para ser modelo alternativa?
Além dos já citados neste post, algumas coisas ajudam, como ser curiosa à respeito de artes em geral (arte, teatro, literatura, música, arquitetura) vai evitar uma limitação mental e aumentar sua imaginação e criatividade à respeito de trabalhos. Ser modelo alternativa com conteúdo cultural lhe dará várias possibilidades interessantes que ligam moda e arte, música, teatro, etc, que se aproveitadas, dão muito mais seriedade à sua carreira.
Gostar de subculturas e cultura alternativa em geral. Tenham um "algo a mais" (alguns chamam de carisma ou edgy ou cool) e outros talentos que sejam um diferencial/uma atração. Não seja mais do mesmo.
Fiquem atentas e por dentro do meio alternativo, mantenham contato com profissionais da Moda e com estudantes, pois muitos precisam de modelos para eventos de faculdade.
O que  pesa bastante  para ser uma modelo alternativa é o seu estilo pessoal e sua atitude. Vocês já repararam que muitas das modelos alts que se destacam seja aqui no Br seja lá fora TEM um ESTILO PESSOAL marcante? Não necessariamente um estilo único, inédito ou original, mas um estilo que, combinado com a atitude, estilo de vida, comunica bem a personalidade delas.
Por isso é importantíssimo que você se auto conheça e expresse seu estilo pessoal sem limitação.

Gótica, retrô, deathrock e hard rock: seus estilos próprios refletem nos trabalhos.

A partir do momento em que houver mais mídia e eventos alternativos, a consequência é ter mais trabalho pras modelos. É importante apoiarmos nossas lojas nacionais, para que elas cresçam e façam uso de nossas modelos. Por enquanto ainda estamos começando nosso longo caminho.
Modelos alternativas que leram este post, fiquem à vontade pra também comentar e acrescentar!



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15 de novembro de 2015

Necromancy Cosmetica: a nova marca alternativa de maquiagem

A Necromancy Cosmetica é uma empresa alternativa de make supernova no mercado. Ela reflete o forte crescimento que esse setor está tendo no exterior, principalmente por focar em um público alvo não convencional. No caso, nós! Das poucas informações sobre o empreendimento, parece que foi lançada no início do ano e o mais legal, a criação é de um casal de Porto Rico: Des e Zvl.


De origem latina, a marca diz oferecer um cosmético 100% vegano. A referência em artes ocultas é logo observado nos nomes que carregam os produtos, uma bela sacada de marketing. A última coleção foi batizada de We Are The Weirdos, famosa frase do filme Jovens Bruxas. 



Ainda iniciante, os únicos produtos disponíveis até agora são os batons que chegam influenciados pelo revival dos anos 90, entre eles os coloridos da era clubber e os avermelhados e terrosos da fase dark da década.


Outra coisa que chama a atenção é a beleza da embalagem: em forma de caixão! Tem coisa mais perfeita???

coffin box lipstick
coffin box lipstick 1

É uma pena que ainda não podemos passar review sobre a qualidade dos produtos, mas pelos relatos de blogueiras gringas, tem sido elogiado. Caso alguém já tenha experimentado, compartilhe a impressão com a gente! ;)


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12 de novembro de 2015

Maquiagem Dark anos 90

Assim como as roupas, maquiagens também são influenciadas por modismos. E muitas cores de batons que temos visto se destacando atualmente é por causa dessa febre noventista. Através do nosso mural "Dark anos 90" no Pinterest, deu para perceber bem o resgate dessa estética. É impressionante a quantidade de marcas que lançaram coleções em tons iguais ou semelhantes. Pode ser empresa mainstream ou alternativa, estão todas voltadas aos looks dessa década. Aqui vai uma rápida análise:

Tons avermelhados

O vermelho vivo que a gente ama! Muito usado por ser um clássico. Tirando a Madonna, o olho não era tão carregado igual aos anos 80. A ênfase ficava mais na boca com a escolha do batom.

Liv Tyler, Rose McGowan, Winona Ryder e Madonna:

Além dele, o vermelho escuro - ou melhor, vinho - era o top queridinho pois chegava mais perto do efeito dark, remetia muito ao famoso visual vamp e foi o favorito de atrizes de Hollywood e também por cantoras de rock.

Nancy de Jovens Bruxas


 Angelina Jolie

Drew Barrymore

 Bjork, Shirley Manson

 Reese Winterspoon e Shannen Doherty

Tons terrosos

O nude - ou marrom claro - compunha uma versão bem interessante, pois meio que quebra o pensamento de que para fazer uma make dark é necessário usar tons escuros. O bom é que se tornou uma opção mais básica para se manter o efeito, é uma maquiagem boa para ir numa entrevista de emprego sem perder sua essência, por exemplo.

Drew Barrymore, Reese Winterspoon

Fiona Apple e Alicia Silverstone

O marrom escuro foi outro que se sobressaiu e está voltando com tudo. Tem alguns tons que são quase vinho, portanto espero que o olho não tenha falhado na escolha de imagens.

Angelina Jolie e Shannen Doherty

É visto que o minimalismo característico de 1990 também influenciou a maquiagem, o rosto era quase limpo dando destaque ao batom o que aproveitava para carregar no pigmento. Uma ótima versão a ser usado no dia a dia ou para aquelas horas de preguiça em fazer algo muito elaborado. ;)


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9 de novembro de 2015

Entrevista: MAD Alternative Models (agência de modelos alternativas)

Existe grande interesse pela atividade de Modelo Alternativa/o aqui no Brasil mas infelizmente, pouco mercado (ou disperso) e pouca informação disponível. Pensando nisso, publico uma recente entrevista que fiz com Estrella, uma das responsáveis pela agência MAD Alternative Models, pioneira nesse segmento por aqui e que pretende ser um local que reunirá e intermediará o contato entre modelos e empresas interessadas. O agenciamento é um dos caminhos para a profissionalização da atividade.
Na entrevista diversos pontos são abordados, incluindo
como participar da seleção para o casting da MAD Alternative Models. Fiquem agora com a entrevista e depois nos contem se vocês são ou tem interesse em ser modelos alts e o que acharam da proposta da agência.


 
MdS: A MAD Models veio para suprir um nicho do mercado no Brasil. Como e quando foi que você teve interesse em trabalhar com esse segmento?
Estrella: Estilos alternativos e contracultura sempre foram assuntos de meu interesse, desde que eu me descobri parte desta vertente social. A ideia inicial da MAD Alternative Models surgiu em 2013 em razão de meu convívio com pessoas de diferentes gêneros e idades que adotam diversos estilos pelas ruas mais populares de São Paulo. Ao conversar com estas pessoas, percebi que haviam muitos procurando oportunidades de trabalho que explorassem e exibissem positivamente suas peculiaridades físicas, e que alguns inclusive já haviam procurado se agenciar em agências convencionais sendo dispensados justamente por causa das modificações corporais. A MAD Models visa aproveitar a oportunidade de inovar no mercado de comunicação e da moda, abrindo uma porta às pessoas alternativas que estão procurando uma chance de trabalhar através de expressão corporal, estilo, gênero e individualidade.

Quais são os pré-requisitos básicos que um candidato ao agenciamento precisa ter, qual é o critério de seleção? O que uma modelo alternativa precisa ter em mente sobre o trabalho?
Ao avaliar aspirantes a modelo para seleção, levamos em conta qualidades como visual (roupas, cabelo, modificações, etc.), atitude e aptidão em frente às câmeras. O mais importante, porém, é quão bem esta pessoa consegue demonstrar a qual estilo pertence. Todo MAD Model deve trazer algo diferente e único para a agência, fazendo com que cada modelo tenha sua singularidade. X candidato deve ser uma pessoa dotada de autoconfiança no que faz e no que veste, pois este trabalho inspira as pessoas a seu alcance a tomar decisões semelhantes e adotar um estilo de vida que realmente queira e tenha significado para si. Xs modelos tem uma função técnica, que é cumprir sua tarefa profissional de maneira eficaz, seja ela em passarela, fotografia, vídeo ou evento, e outra função mais implícita, que ocorre quando o talento de X modelo excede o necessário para os trabalhos e ele acaba se tornando um ícone inspirador de uma geração. Seja em pequena ou larga escala, inspirar pessoas é influenciar pessoas, é uma tarefa de responsabilidade e deve ser lidada com consciência.


Qual a demanda do mercado publicitário e de eventos no Brasil para as pessoas alternativas? Está aumentando o interesse pela diversidade estética?
Pelo que pudemos perceber em um ano de mercado de trabalho, o mercado alternativo está crescendo consideravelmente em torno da cultura da tatuagem (empresas de moda, acessórios, barbearias, revistas e mídia, entre outros), porém ele está pouco mesclado com os mercados que atingem as massas. Empresas do mercado alternativo são mais propensas a contratarem nossos modelos do que empresas tradicionais, e queremos mudar isto. O interesse pela diversidade estética cresce junto com a condição mais maleável da sociedade atual que não mais teme e passa a entender o que é diferente, porém ainda está longe de ser o ideal. Estamos caminhando para que possamos contribuir ao misturar a contracultura e o alternativo na mídia de massa, representando com mais precisão a geração atual.

No Brasil, temos pouca mídia (blogs, revistas, sites) com foco em moda alternativa ou editoriais, que seriam espaços onde modelos alternativos teriam participação. E poucas lojas que podem arcar com cachê. Em contrapartida, temos centenas de eventos alternativos de grande público cujos flyers estampam modelos gringas. Como reverter esse cenário?
Todo mercado e/ou sistema que funciona há um certo tempo de modo estável mostra-se resistente a acatar mudanças. Contar com o que é “garantido” sempre parece ser a opção mais simples para se obter sucesso. Para que uma inovação seja aplicada com eficácia, ela deve vir acompanhada de fatores socioculturais que as fortaleça, mas não veremos nada acontecer se não tomarmos atitudes atrevidas. Considerando que nosso movimento pela quebra de estereótipos está em fase inicial, buscamos poder contar com a força de empresas aliadas do mercado alternativo que compartilham com nosso objetivo e também de movimentos sociais, como, por exemplo, o feminismo, que se mostra mais relevante e tem voz mais alta a cada dia. Se pudermos contar com o apoio destes, sempre dando o melhor em nosso serviço e mostrando que ser modelo não é ser um cabide, e sim alguém inspirador e cheio de atitude, gradativamente conseguiremos força para reverter este cenário que boicota tantas oportunidades promissoras.


Você cita o feminismo como uma possível ferramenta de mudança e empoderamento, como você enxerga a objetificação do corpo feminino seja por sites ao estilo Suicide Girls, por fotógrafos (homens) ou por aspirantes a modelos que pensam que essa é uma forma mais "rápida e fácil" de ganhar popularidade? Você tem uma preocupação em selecionar trabalhos que não objetifiquem tanto as meninas ou isso ainda não é possível?
O feminismo é uma ferramenta importantíssima para o empoderamento da mulher e dos outros gêneros que são minoria, e acredito que o trabalho da agência MAD em promover a beleza sem padrões está de mãos dadas com a causa. Por outro lado, não vejo o trabalho de empresas como a SG como algo equivocado, pois é da escolha da mulher modificar e exibir o corpo como quiser. O errado é generalizar, pois quando uma empresa de apelo sexual cresce tanto que domina a visibilidade às massas, os "não entendedores" passam a julgar todas as mulheres tatuadas da única forma que já viram e o preconceito cresce. A MAD foca em ser o mais neutra possível no processo do agenciamento para que no catálogo as modelos sejam vistas sem apelo sexual, e que sejam apreciadas e possivelmente contratadas pelo seu estilo e individualidade. Se elas eventualmente forem chamadas para trabalhos de ensaios nus/seminus, ou eventos que as exibam em roupas curtas, cabe a cada uma decidir se aceita ou não a proposta. É uma escolha particular e a agência não interfere nisso, apenas intermedia os trabalhos.

De uns anos para cá, tem se criticado que modelos alternativas de sucesso estão cada vez mais padronizadas, com aparência de modelos mainstream (magras e brancas) sendo que o grande lance de ser alternativo é não seguir padrões corporais e estéticos. Enquanto isso, grandes agências mainstream tem contratado pessoas diferentes para ser modelos. Você acha que essa padronização ocorre porque o meio alternativo está muito influenciado pela cultura mainstream, por preconceito ou por algum outro motivo? E será que o mainstream tem percebido um "algo a mais" nas pessoas diferentes que o meio alternativo tem descartado?
Acredito que a quebra de padrões está acontecendo de modo gradativo. Por exemplo, o sucesso da predominância de tatuagens, piercings e cabelos coloridos nas modelos “magras e brancas” em empresas como Suicide Girls, apesar do foco no apelo sexual, foi o início do interesse pela cultura alternativa na mídia de massa e da construção do valor agregado ao status de ser modelo. Atualmente, está se estabilizando um grande interesse pelas modelos plus size, pois está acontecendo uma revolução em relação a este tópico (vide revista ELLE com a campanha #VocêNaCapa e sucesso da modelo alternativa americana Tess Holiday). O que acontece na moda e na sociedade não dependerá apenas da MAD, e sim de um grande movimento no qual pretendemos estar fortemente presentes. Ao crescermos como empresa, teremos um alcance social maior e maior influência na mídia. Conforme isto acontecer, temos o objetivo de implantar a liberdade da beleza saudável, o valor da autoestima e o bem-estar que ela proporciona.


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Esperamos que a MAD consiga atingir seus objetivos e trazer uma grande diversidade de corpos e estilos para seu casting. Se vocês leitores e leitoras tem interesse em participar da seleção para o Casting da MAD, entre em contato com a agência através do email (casting@madmodels.com.br) ou pelo facebook que, em seguida, um responsável responderá com o passo a passo para que sua candidatura ao agenciamento seja feita. 
E gostaria que vocês ficassem ligados no blog pois estou terminando um outro post sobre Modelos Alternativas que será publicado em breve.


*Todas as fotos são propriedade da agência Mad Alternative Models. As montagens foram feitas por mim.
 

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