Destaques

28 de agosto de 2016

The Gothic Shoe Company: sapatos góticos feitos à mão

The Gothic Shoe Co é uma marca de sapatos inglesa direcionada em grande parte ao público gótico, mas também possui foco no retrô. A empresa é um negócio familiar que existe desde meados dos anos 1990, com peças feitas artesanalmente na fábrica localizada na região leste de Londres. 


Por serem fabricadas à mão - uma forte característica de empreendimentos alternativos - os calçados possuem alta qualidade de produção. O carro-chefe são as pikes shoes, que atrai músicos e turistas do mundo todo. Os produtos são feitos em couro ou camurça preta e podem ser produzidas em cores mais chamativas. Os pares são baseados nos calçados originais das décadas de 1950, 1960, 1970 e 1980, com ajustes apenas nas formas para que fiquem mais confortáveis ao uso atual. 


Original Pikes é modelo mais emblemático da marca. As botas remetem as famosas poulaines (leia mais aqui), que eram os sapatos medievais com pontas enormes, podendo chegar até 60 cm. Esse acessório era um clássico utilizado por góticos oitentistas devido a influência do período vitoriano, época da qual fez resgate ao medievalismo. 


Como a produção é artesanal, as peças possuem diversas opções de tamanho, estampas, cores, número de fivelas e diferentes aviamentos.

Fivela em forma de morcego, caixão e pentagrama

Versões de número e tamanho de fivelas

Diferentes estilos de Gibson Shoe

Modelo Chelsea Boot

Um mais lindo do que o outro. Difícil até de escolher qual o favorito!

Visite a marca:


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23 de agosto de 2016

O estilo de Elke Maravilha

"Cada um chama atenção como pode, não é, querido? Eu boto uma caveira aqui [ela aponta para o acessório que usa]. O que significa a caveira? O inexorável. Daqui a pouco, eu vou ser assim. Para eu me lembrar. E é uma caveira bem-humorada, porque ela tem uma florzinha; é rock and roll, que eu adoro; é o inexorável mesmo."


O estilo de Elke Maravilha era só dela. Parece algo óbvio a se dizer – afinal, todo mundo tem algum estilo. Só que no seu caso, a estética se desenvolveu de tal forma que se tornou única, sendo a irreverência e seus sinônimos um dos poucos adjetivos a defini-la. Gostando ou não, a artista não passava despercebida. “Comigo as coisas potencializam”, diria.

Assim como Bowie, Elke era também uma colecionadora. A diferença perante o cantor inglês estava em suas inspirações voltadas à sua própria história. A origem russa e alemã encontravam-se facilmente nas vestimentas e adornos. A infância na cidade de Itabira-MG, fomentou sua paixão pela cultura negra da qual costumava transmitir pelos penteados e acessórios. Na juventude, resolveu conhecer o mundo e trouxe em sua bagagem de conhecimento referências de países que logo seriam composição de seus looks e maquiagens, como o Teatro Kabuki do Japão. E vejam só, referência igualmente para David Bowie.

O uso de chifres era simbólico:
 Elke é o animal sagrado dos vikings, o alce, o símbolo da nutrição. 

Tudo era influencia para Elke. Tudo tinha um significado. E ela os interligava através do misticismo. A Mãe Natureza lhe guiava desde pequena as perguntas e respostas sobre a vida, aprendizado que viria de seu pai. Era comum o uso de analogias com animais quando questionada sobre algum comportamento seu ou do ser humano. O estudo de religiões, culturas, tribos e o ocultismo seria forte presença também em seus diálogos. Explicaria certos fenômenos da humanidade pela Astrologia antes mesmo de ser modismo. Aliás, o que ela não fez antes de ser moda? "Eu já usava a estética punk antes do punk gostar dessa própria estética", diria a Antônio Abujamra. 

Colar feito de muiratinga:
 galhos de árvore que nascem em formato de falos. 

Várias entrevistas tentaram desvendar a moda de Elke. Poucos conseguiram ir a fundo. No vídeo abaixo, seu ex-marido, Sacha, diz que por muito pouco Elke não cai no burlesco, no ridículo. Ótima observação: o que faz uma pessoa com estilo extravagante não virar uma fantasia de carnaval? Muitos irão apontar que é a essência. E de fato é um fator importante, mas não sei se suficiente. Elke afirmava que gostava de aparecer, ser comparada a uma árvore de natal não era uma ofensa, pelo contrário. A estética casava perfeitamente com sua personalidade. Mas tinha algo a mais. Quando alguém se destaca visualmente, é natural que chame a atenção e nessas horas o que você tem a dizer também se sobressai. Se a roupa e a fala não se encaixam, automaticamente aquela estética se esvazia por não ser real, podendo chegar a interpretação arrogante do “querer aparecer por aparecer”. É uma linha muito sutil.


Um estilo fora do comum infelizmente acarreta em reações que fogem ao controle: de elogios à violência física ou verbal. Elke passou pelos mesmos perrengues que todo alternativo vive, e comentaria sobre: “Perguntam-me como criei este estilo, este visual que me caracteriza. Digo que sempre busquei compor este jeito, claro que não era assim como agora, pois hoje a coisa é mais abrangente, com o tempo venho me descobrindo muito mais por dentro e colocando o que descubro para fora. Costumo dizer que sempre fui assim, só que com o tempo estou piorando! Na realidade, sempre fui um trem meio diferente, sabe? Ainda adolescente resolvi rasgar a roupa, desgrenhei o cabelo, exagerei na maquiagem e sai na rua... Levei até cuspida na cara. Mas foi bom porque entendi aquela situação como se estivessem colocando-me em teste. Talvez, se meu estilo não fosse verdadeiramente minha realidade interior, eu teria voltado atrás. Mas sabia que nunca iria recuar. Eu nunca quis agredir ninguém! O que eu quero é brincar, me mostrar, me comunicar”.

Ter nascido com o espírito transgressor fez com que Elke quebrasse qualquer barreira de preconceito. Tem gente que pode não acreditar, e por mais que seja chocante a se pensar, existe sim uma retaliação violenta da sociedade diante do que ela considera diferente, mesmo que a pessoa tenha alguma posição de privilégio. Por que é necessário coragem para usar o que se gosta? "Acho tão gozado precisar de coragem para isso. As pessoas têm coragem de matar, né? Tem coragem de umas coisas estranhíssimas, e não tem coragem de se enfeitar!", questionaria surpresa. 

Para muitas mulheres a maquiagem pode ser uma prisão, porém Elke a transformou numa forma de expor quem realmente era. 
Uma verdadeira lady drag. Mais uma vez saindo a frente do tempo. 

À medida que os anos foram passando, contrariando aqueles retrógrados pensamentos de que “é só uma fase”, “você não está velho demais para se vestir assim?", a evolução de Elke não ficava só no físico. Era também uma constante transformação espiritual e mental. Esse era talvez um dos motivos de não ficar ultrapassada, algo que detestava. "Se a gente não quebrar estruturas enrijecidas, quebrar velhas estruturas, doa a quem doer. Doa a gente, doa a quem doer. A gente não tem possibilidades de novas...possibilidades. Nem dentro nem fora da gente, né? É a tal coisa, ficar velho é muito bom, mas ficar antigo é problema, ficar ultrapassado é problema"

Chegando ao mundo no dia 22 de Fevereiro, setenta e um anos depois, em 16 de Agosto, Elke deixava o nosso plano menos colorido. Ali também finalizava um de nossos projetos: entrevistar e conhecê-la pessoalmente. Mas seus pensamentos eram tão fortes que mesmo de longe nos alcançaria. Entre acordos e desacordos sobre suas opiniões, uma delas nos instiga até hoje a reflexão: "Temos uma liberdade sim, a de escolher a prisão que a gente quer ficar". Por fim, um último desejo: que a exposição Elke Quântica Maravilha retorne e percorra outras cidades do país. Diante de tantos retrocessos, o Brasil precisa respirar mais Elke. 


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11 de agosto de 2016

Exposição "Japanarchy" reúne fotos da cena punk underground de Tóquio

O fotógrafo Chris Low passou cinco anos imerso no underground de Tóquio acompanhando a cena punk local. O resultado é uma exposição de 40 fotos chamada "Japanarchy". 


Desde os 10 anos Chris Low tem interesse em subculturas e suas manifestações, nesta idade, em 1979 ele foi em seu primeiro show punk. Aos 12 anos começou um fanzine e posteriormente uma banda anarcopunk. Hoje, além de tocar bateria em diversas bandas, ele escreve para o site Vice e contribui para diversos livros sobre punk.
Chris foi bem recebido no underground de Tóquio e diz que a cena japonesa é mais ativa e vibrante do que qualquer outra que ele já frequentou no ocidente. É uma subcultura que existe e floresce em face da tradicionalmente conservadora sociedade japonesa. Punks no Japão são outsiders não apenas pela aparência mas por oposição anarquista à autoridade do Estado. Protestam contra a ascensão da extrema direita nacionalista de Tóquio, fazem oposição ao comércio excessivo da sociedade mainstream, fazem protestos antinucleares, especialmente relacionados à Usina de Fukushima. Segundo Low, a história do underground punk japonês é fortemente influenciado por bandas como Discharge e Disorder. Assim como no ocidente, o punk é um estilo de vida com suas próprias crenças e gostos musicais e continua uma subcultura desafiante como sempre foi.



Uma das coisas que o surpreendeu em suas visitas ao Japão foi a infraestrutura de shows, festas, lojas e bares que emergiram para acompanhar a cena underground mantendo, inclusive, o ethos punk do Do it Yourself: feito de punks, para punks.
Chris diz que vê fotos de punks de Tóquio em revistas de Moda mas que eles parecem "sem vida", segundo ele, existe uma fetichização do ocidente à respeito de grande parte da cultura japonesa, e ele queria mostrar como realmente é a cena, onde existem até restaurantes punks! 


Low diz que não existem os elementos da hierarquia e do "ego" no underground punk de Tóquio. É comum chegar e encontrar um nome famoso ou conhecido interagindo e cooperando com anônimos. 

A estética da subcultura japonesa é visivelmente inspirada pela do punk britânico, como as jaquetas de couro, cabelos espigados, moicanos e peças rasgadas, spikes e o visual utilitário dos anarcopunks.

Punk é uma subcultura que engloba todas as idades


Atualmente Chris Low está trabalhando com Nicholas Bullen (ex-Napalm Death) num livro sobre a apresentação gráfica e visual da cena anarcopunk de 1980 a 1984. E ele continua fotografando todos os punks que encontra. :)

A exposição é no The Red Gallery em Londres 12 a 28 de agosto, depois a expo partirá pra Los Angeles e Nova Iorque. Quem mora ou vai estar lá por esse época, fica a dica!

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1 de agosto de 2016

O feminismo vendido como produto + Spice Girls e Girl Power

Há um tempo tenho observado diversas marcas usando frases como "Girl Power" e outras mensagens feministas como produtos de moda. Não há nada de errado em blusas com frases de efeito, na verdade isso é uma técnica de protesto através da Moda que eu apoio. A questão levantada aqui é o uso de pautas feministas pura e simplesmente por modismo descartável produzido em massa e que passam longe do conceito da empresa.  

Quando pautas feministas viram produtos comercializados em massa ou fora de propósito, tem seus significados esvaziados e logo perdem força. Uma das formas do sistema dominante tirar a força de uma causa é se apropriando dela. É um "truque" muito bem elaborado. Não apenas o feminismo mas outras causas sociais de igual importância costumam ter suas lutas cooptadas quando começam a se sobressair.


Muitas mulheres estão engajadas com o feminismo no dia a dia, seja politicamente, em grupo ou solitárias. O feminismo tem sido debatido em diversos sites ao redor do mundo conscientizando cada vez mais. Atento à isso, as empresas visando ganhar a simpatia destas mulheres passam a fazer campanhas de marketing e criar produtos que reflitam pautas da ideologia. Assim como grandes empresas, marcas alternativas também tem embarcado nessa pra acompanhar as trends. 

Mas deixo um alerta: não se pode dar um passo maior que a perna e vender algo que não possam sustentar. A partir do momento em que se é dono de uma marca e usa-se do marketing para divulgar as peças, deve-se evitar esvaziar o significado de qualquer causa social que esteja em evidência. Deve-se ter responsabilidade sobre o que está vendendo especialmente se seu público alvo é muito jovem.

Desde o último ano, centenas de lojas online apareceram com o mesmo tema de coleção: anos 90, pegada Clubber, Kawaii, Riot Grrrl e "empoderamento feminino". No embalo destas tendências querem aliar a imagem da marca ao estilo "cool" mas acabam prejudicando de alguma forma os movimentos sociais e políticos.


Como lidar quando uma loja anuncia que vende "looks para todos os corpos" com modelos "plus size" na foto de marketing, mas ao analisar o catálogo, a maioria absoluta das roupas vendidas
vão apenas até o tamanho G?
@gypsywarrior

O movimento Riot Grrrl que informava sobre feminismo e incentivava meninas a terem suas bandas, também tem seu conceito vendido como produto de moda.
@gypsywarrior

Colar "Riot Grrrl" da Disturbia. A marca sempre focou no gótico e no ocultismo, sendo uma das lançadoras desta tendência. O que os fez vender um produto tão diferente do que costuma ser seu catálogo? Oportunismo comercial?

@Disturbia Clothing

Não há inocência no mercado. O mercado quer vender. Se uma marca está vendendo “girl power" ela precisa oferecer produtos que cheguem à todas as mulheres (Helena do blog Garotas Rosa Choque escreveu um post sobre blusas "empoderadoras" que só vem em tamanho P).
Se uma marca quer empoderar mulheres, que tomem como exemplo outras marcas que já fazem sem utilizar a banalização do feminismo: reestruturando seus conceitos e visões de mercado. Se engajando pessoalmente em movimentos ideológicos que se identifica, assim a mudança pessoal se refletirá naturalmente no trabalho sem precisar reproduzir um estereótipo vazio de significado.
Não dá pra vender girl power se a marca não abraça e dá "poder" às mulheres que visa como público alvo. Um exemplo muito conhecido dessa confusa mistura de moda, feminismo e comércio  são as Spice Girls. 




Em meio as comemorações dos 20 anos do single "Wannabe", tem se falado muito sobre o girl power do grupo pop que influenciou diversas meninas. Pra falar sobre isso vou levantar alguns fatos daquela década:
- Fundada em 1988, a revista feminista Sassy é lida por adolescentes até seu fim, em 1994.
- Em 1991 surge o movimento Riot Grrrl que perdura até 1997.
- Em 1995 a banda Shampoo lança seu álbum chamado Girl Power [video].
- Gangs de meninas estavam em voga na mídia, como as Patricinhas de Beverly Hills, Jovens Bruxas e em grupos como TLC, Salt-N-Pepa: garotas de atitude e de sexualidade agressiva.

Foi na década de 1990 (como abordamos aqui) que a cultura alternativa passou a ser cooptada em definitivo pelo mainstream. De lá pra cá, o sentimento e o comportamento de grupo perdeu lugar para o individualismo. Este comportamento de grupo era típico dos movimentos feministas dos anos 1960, 1980 e das Riot Grrrls. O “feminismo” das Spice Girls sugeria uma “sisterhood”, onde amigas se ajudavam a serem mais autoconfiantes. Mas esse tipo de mensagem pouco fez efeito em mudanças sociais, pois elas já estavam na onda individualista, tanto que cada uma tinha um estilo próprio. Muitas meninas tiveram contato com essa abordagem de empoderamento individual, mas sem o engajamento político nas causas feministas. 


As Spice Girls e o Girl Power como produto
As Spice eram um grupo concebido por empresários e Geri Halliwell era a mais envolvida nas composições. Elas tinham essa ideia maravilhosa de "fraternidade feminina" que infelizmente foi abafada pela imensa dimensão comercial que elas tomaram como artistas. De repente aquele Girl Power empoderador virou diversos produtos: pirulito, bolsa, chiclete, Pepsi, maquiagem, bonecas (veja lista aqui), roupas, um "feminismo" divertido e fofo sem criticas sociais e de gênero, tudo dentro das tendências de consumo do mercado adolescente. 




Wannabe” é uma canção que prega o valor da amizade entre mulheres mas segundo o documentário feminista "Atitude Cor de Rosa" [teaser aqui], peca na parte principal, quando as garotas dizem o que querem:

“tell me what you want, what you really, really want” 
(me diga o que você quer, o que você quer muito, muito mesmo)
"I wanna, I wanna, I wanna, I wanna, I wanna really Really really wanna zig zig ha."
(eu quero, eu quero, eu quero, eu quero, eu quero muito muito mesmo zig zig ha)


As mulheres querem muito, mas muito, muito mesmo tantas coisas, mas na letra elas querem justamente algo que não significa nada: "zig zig ha". É um exemplo do esvaziamento de fala de mulheres quando chegam na posição de dizer o que querem e o que pensam. Quando elas finalmente estão com toda atenção para si, com as roupas certas e atitudes certas, o que sai de suas bocas é um desejo vazio de significado que ninguém entende. É como colocar uma mulher pra discursar num palanque mas quando ela abrir a boca, ao invés de um discurso eloquente, sair um monte de balõezinhos de blablabla e mimimi. Ou como o estereótipo da mulher linda e burra que não fala nada com nada ou da intelectual chata que precisa ser silenciada.

O “zig zig ha” é como uma metáfora de tudo isso, porque visualmente o estilo e o comportamento das Spice tinha atrevimento e provocação. Era comum na década de 1990 a ideia de “ter atitude". Isso diferenciava uma garota 'normal' de outra mais ousada ou alternativa. As Spice eram desbocadas, Victoria não sorria nas fotos, Geri quebrou o protocolo num nível altíssimo quando apertou a bunda do Príncipe Charles. Elas batiam de frente com a ideia de garotas serem Barbies ou Princesas Disney, tanto que Mel C tinha um visual bem moleque. Eram sensuais sem neuras quanto às suas sexualidades, sem se preocupar com julgamentos. E naquela época ainda era tabu falar abertamente de sexo. 
Mas feminismo é um movimento de engajamento político e isso elas não tinham.



A formação da mentalidade de consumo feminino através da Moda.
As Spice fizeram um bom trabalho influenciando garotas à sua maneira. Mas hoje, percebemos que aliar consumo a feminismo não é um bom negócio. É bom problematizar um pouco quando começamos a perceber como o patriarcado vende as mulheres para mulheres. 

O marketing quando usado em parceria com a música pop tem um alcance que o alternativo não tem. Ele consegue atingir justamente quem necessita ouvir esse tipo de mensagem. A cantora Shirley Manson e Kathleen Hanna (uma das criadoras do movimento Riot Grrrl) elogiam Miley Cyrus, o que nos deixa intrigadas sobre algum lado da Miley que não conhecemos. O pop e o alternativo podem ter relação sim, especialmente se há ideologias em comum. Kathleen Hanna hoje dá entrevistas para veículos que jamais daria na época de Riot Grrrl, porém, nunca a vimos dar um elogio sequer às Spice.

As Riot Grrrls, criadoras* do termo Girl Power, eram contra o feminismo sendo usado como mercadoria a ser consumida e hoje consigo entender o porquê: porque feminismo é uma causa política muito séria que envolve mudanças comportamentais e sociais muito grandes que nem todos estão dispostos a fazer. E justamente estes que não estão dispostos a ceder seus privilégios ou que podem ser prejudicados é que ajudam a abafar lutas sociais de mudanças de mentalidade e comportamento.

A moda é uma das indústrias mais poderosas do mundo, ela molda os gostos das pessoas. Ela dita comportamentos. A moda decide o que você vai comprar neste verão. Diz o que você deve exibir pra ganhar status. A moda tem um poder absurdo na formação da mentalidade de consumo das mulheres. A moda sabe que mulheres compram o que é vendido de forma “certa”. 
A moda prega o individualismo. Só que qualquer mudança social que quisermos não faremos sozinhas, individuais, só faremos reunidas em grupo. E garotas jovens buscando esse individualismo são o consumidor foco dessa indústria poderosíssima que não está interessada em ideologias, mas sim em lucros. 


* criadoras no sentido em que conhecemos hoje, aliado ao feminismo.

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