.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Maio 2014

27 de maio de 2014

O artesanal na Moda Alternativa: o trabalho de Karen de Souza

A moda alternativa sempre teve elementos artesanais, pois durante um bom período, não existiam lojas especializadas e quando passaram a ser criadas cobravam-se altos valores para um consumidor que em sua maioria vinha de classe operária, realidade até não muito distante de agora.

Foi então que, pelo difícil acesso, seja de preço ou da não existência, se tornou normal alternativos confeccionarem ou customizarem suas próprias peças. Isso também ampliou outra forte característica do segmento: mesmo fazendo parte de uma subcultura, criando suas roupas você pode se diferenciar do grupo, tendo assim uma moda individual.
Esse tipo de pensamento se aflorou nos anos 1970 com o movimento punk. Além da atitude, a ideia de transmitir o sentimento de revolta também passou para a estética, foi quando surgiu o “Do it yorself” (Faça você mesmo), onde os próprios aplicavam patches, zíperes, alfinetes, tachas e o que mais adquiriam de aviamentos para incrementar as peças. Aliás, até hoje, tem muito punk que implica ao saber que a roupa foi comprada pronta. Provavelmente por serem do anti-establishment.

No Brasil, nem se fala. O nicho sempre foi muito atrasado aqui, então quem não tinha condições de comprar fora, era obrigado a criar o que gostaria de vestir. Para se ter uma simples estampa de caveira, tinha que se pintar o desenho à mão. O estilista Alexandre Herchcovitch confidenciaria numa entrevista: “A primeira peça que fiz de roupa, eu tinha um pouco menos de 15 anos, era uma camiseta com caveira estampada. Eu queria muito uma camiseta de caveira na época, não encontrava onde comprar, então eu mesmo fiz”.  

Em recente visita ao Brasil, Suzy Menkes, a maior jornalista de moda em atividade, declarou: "Um dos grandes luxos do século 21 é ter artigos que foram tocados por mãos humanas, algo feito com cuidado e amor que virou um produto bonito”.

Apesar do crescente desenvolvimento de marcas alternativas no país e no mundo, ainda há pessoas que apreciam o artesanal na moda. Ao contrário do que se possa pensar, consumir roupa ou acessório confeccionado manualmente nem sempre custa tão caro, há muitos criadores pequenos da qual se encontram peças incomuns e com valores bem acessíveis. 
 
É o caso da nossa entrevistada, Karen de Souza, que tem uma marca de camisetas onde ela própria desenha e pinta todas as estampas à mão a escolha do cliente. Fomos bater um papo com essa empreendedora de 25 anos para saber sua visão de mercado no meio alternativo.

Quando e como começou a sua imersão pela cultura alternativa? Tem preferência(s) por qual estilo musical? 
Karen: No inicio da minha adolescência, quando comecei a ter contato com diferentes “tribos urbanas”, principalmente do rock (e suas diversas vertentes). Gosto de Rock, Pop e Eletrônica.

Qual sua formação?
K: Minha formação artística é pela faculdade de Belas Artes na UFRJ, estou no ultimo ano de licenciatura em Artes Plásticas e também fiz curso de Visual Merchandising e acabei de terminar um curso no Museu Nacional de Belas Artes.

Como surgiu a ideia de criar estampas e pintá-las artesanalmente em camisetas? Já tinha vontade de vender ou isso veio depois?
K: Inicialmente eu fazia retratos em papel, também trabalhava dando aula de pintura e produzia artigos para “moda casa”. Foi a partir do último que comecei a ter contato com a técnica de pintar em tecidos, mudar para a camiseta foi uma questão de tempo e de percepção do mercado, meu sócio e namorado me ajudou nesta questão e me ajuda em outras. Ele fez network em 2011, com uma loja chamada Estação do Rock e eu passei a ser uma fornecedora da loja. Somente no início desse ano, passei a ter minha própria clientela a partir da minha fan page, estendendo a venda para todo o Brasil ganhando visualização internacional.


Karen executando seu trabalho artesanal

Você tem alguma influência de desenhos, de algum artista ou escolhe o tema de acordo com o gosto do cliente? 
K: Determinados produtos têm referência da Disney e personagens de filmes (geralmente clássicos), mas em outros modelos não tenho nenhuma influência clara, sempre me atualizo quanto aos produtos do mercado, como também pela produção artística e isso influência o meu trabalho de alguma forma, mas procuro trabalhar com um mercado personalizado, logo utilizo o tema escolhido pelo cliente, sempre deixando o meu estilo expresso em cada estampa, muitas vezes descaracterizando personagens até de temática retrô, como Marilyn Monroe e Audrey em bonequinha de luxo, que ganharam um estilo mais moderno com modificações corporais.



Já tem planos futuros para sua marca? Pretende vender só para o nicho alternativo ou quer atingir um público maior?
K: Atualmente vejo um aumento e valorização do mercado alternativo, um exemplo claro eram as caveiras que estavam em alta em 2012, tornando-se tendência na moda atingindo diferentes nichos e “tribos” da sociedade.
Esse crescimento já acontecia antes, mas eu não estava inserida no mercado ainda, creio que eu atinja outros públicos, seja pela “popularização” do alternativo como citado acima ou por meu diferencial com a personalização da estampa a partir do desejo do cliente.



O que acha do mercado alternativo, tanto como consumidora e empresária?
K: Como consumidora, vejo a possibilidade de encontrar diversidade e facilidade na compra de produtos nesse estilo, tendo em vista a acessibilidade de preços e variedades de lojas disponibilizando esse tipo de produto no mercado.
Como empresária, observamos (falo por mim e meu sócio) que com a valorização desse segmento houve o aparecimento de muitas lojas no mercado tendo esse público como alvo o que é positivo, já que tempos atrás não se tinha um investimento nessa área, facilitando então a minha inserção e permanência no mercado, criando algo personalizado em pouco tempo e de qualidade com um valor acessível à maioria do publico.

No exterior, é comum que desenhistas e artistas plásticos criem estampas para grandes marcas alternativas. A empresa entra com as peças prontas e o artista cria estampas adaptadas para roupas e acessórios. Você já fez esse tipo de trabalho para alguma loja? Se não, gostaria de fazer?
K: Já recebemos propostas para a revenda das peças, assim como para compra de minha Arte, mas as empresas não puderam arcar com os custos.
Hoje não investimos intensivamente no mercado atacado, procuramos atender o varejo, até porque a produção é artesanal, o que requer tempo e esforço. 
Voltando na questão da venda da Arte, poderá ser possível desde que o contrato não seja prejudicial, mas por hora esta não é a nossa prioridade, estaremos abertos a uma proposta interessante.




Além de designer, você trabalha também como modelo alternativa. O que acha dessa profissão no Brasil?
K: Hoje a modelo com um estilo mais alternativo vem ganhando espaço no mercado, as empresas estão em busca de modelos que fujam dos padrões de beleza impostos, que trazem uma atitude em seu estilo e aparência que converse com o público alvo.

Recentemente, foi lançado fotos de sua campanha. Foi interessante notar que não foram escolhidas somente meninas de corpos mainstream para posar. Qual sua visão sobre o meio alternativo que vem padronizando a beleza feminina em vez de aceitar o diferente?
K: Querendo ou não, com a massificação do alternativo, o mercado acabou padronizando esse "estilo", já que ainda é perceptível o uso de modelos com padrões inatingíveis, só que agora com uma imagem alternativa. Mas percebemos que as modelos plus size, entre outras, estão ganhando destaque na mídia e isso é bastante positivo, mas creio que o preconceito ainda exista e ele deve ser quebrado.  


Para os leitores que quiserem comprar seus produtos, qual forma de contato? Aceita encomendas fora do Rio de Janeiro?
K: Atualmente só estou trabalhando com a fanpage no facebook (https://www.facebook.com/karensouzart). E sim, aceito encomendas de todo o Brasil.

Entrevista por Lauren Scheffel.

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O Moda de Subculturas não tem fins lucrativos, dedicamos horas de pesquisas para oferecer conteúdo autoral. Sempre tentamos trazer assuntos inéditos e interessantes para os leitores! Sua ajuda na divulgação de artigos que gostou pode fortalecer a moda alternativa, já que informação acaba com a ignorância. Nós lutamos para que ela seja levada à sério e tratada com o devido respeito! 
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Nova TAG: Mercado Alternativo!

Criamos este post pra apresentar uma nova TAG no blog, chamada 
"Mercado Alternativo".

Essa tag tem o objetivo de tentar estudar e analisar o mercado alternativo brasileiro para que possa se desenvolver e se tornar tão grande e profissional como as versões canadense, americana, australiana, japonesa e europeia.

Dentro dela, apresentamos entrevistas com pessoas do meio e que tem eventos, projetos, marcas ou lojas e estão dispostos a fazer a diferença e compartilhar conosco suas experiências e opiniões!

Nós já tínhamos quatro entrevistas aqui no blog relacionadas ao tema e já as adicionamos à nova tag, para ler basta acessar: Mercado Alternativo.

26 de maio de 2014

Mãozinhas de Esqueleto: Quando uma criação supera o criador.

É sempre muito difícil dizer quem criou o quê quando se trata de Moda. Isso porque nem sempre quem leva a fama é o criador. E diz a lenda que quando você tem uma idéia, outras 6 pessoas ao redor do mundo tem a mesma, igualzinha. Acaba que em Moda as coisas acabam sendo de domínio público, exceto quanto a criação de um designer se torna a marca registrada dele, aí sim as cópias ficam mais restritas e quem ousa vender algo semelhante acaba com o carimbo de "cópia descarada" em suas versões.

Esse post apresenta outra mini-pesquisa autoral do blog, sobre a origem dos clips de cabelo em formato de mãos  de esqueleto



Na pesquisa, consegui chegar até o ano 2004 quando uma pessoa (dos EUA) chamada Cherish (não descobri mais detalhes sobre nome/sobrenome) começou a fazê-los artesanalmente adornados com uma flor de plástico, com o sucesso, em 2007 essa pessoa passa a vender pelo Ebay. 



Agora, vamos rapidamente ao ano de 2006 quando surge a pequena marca alternativa inglesa Kreepsville 666, focada em fornecer acessórios e roupas com temática de terror, horror e gore, pro público conhecido como psychobilly e horror punk.

Pulamos então para o ano de 2010, quando caveiras e esqueletos ganham seu auge na moda mainstream. No post Esqueletos no Armário falo sobre o bracelete de mãos de esqueleto, criado por Delfina Fendi e que logo ganhou cópias-versões de lojas alternativas. A peça fez grande sucesso e estampou editoriais. Logo depois, Delfina lançou o Skeleton Belt, também copiado por lojas alternativas posteriormente. [Neste post] temos mais exemplos de criações e cópias que circulam entre o mainstream e o alternativo.

Seria aquela coisa de 6 pessoas ao redor do mundo tendo a mesma idéia ou um se inspirou no outro? Não sabemos, pois as pessoas não revelam estas coisas, mas é verdade que entre 2009 e 2011 a atmosfera estava muito propícia para a fama dos esqueletos! Eles não assustavam mais ninguém.

Voltamos à Kreepsville...
Desde sua criação, a marca tem tido um constante crescimento exatamente por ser a loja alternativa que deu fama mundial às presilhas de mão de esqueleto quando começou a fabricá-las sob sua etiqueta e revender para lojas alternativas de todo o mundo.



Não demorou para que as mãozinhas ganhassem popularidade no Japão, como todo o mundo fica de olho no que se usa lá, a fama da peça só aumentou. Existem lojas no Japão que importam Kreepsville e daí pra cada loja asiática passar a criar as próprias mãozinhas foi um passo. Assim, depois de passar pelas cenas "billys" e pelos góticos, as mãos logo caem nas graças das adeptas do pastel goth. E como nunca antes na história desse mundo, as mãos de esqueleto foram tão fofas e populares, suas cópias existem de todas as cores, de vibrantes à pastel, de compridas à curtas, de com glitter à com unhas desenhadas!



A Kreepsville anuncia em seu site que é "sempre imitada mas nunca superada pela qualidade". Eles podem não ter sido os criadores das mãozinhas, mas lhes deram fama. A marca acabou de lançar a versão zumbi delas em formato de colar, bem capaz que esta também se torne um sucesso de vendas!



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25 de maio de 2014

Moda Alternativa: as tendências de 2014!

Há dois anos começamos esta sessão com a intenção de adiantar o que anda rolando lá fora em termos de criação e tendências alternativas. Claro que tendências são palpites, algumas pegam, outras não e outras demoram pra pegar. Por exemplo, no Urb Tradeshow, evento de tendências streetwear ocorrido em março em SP, foi dito que as marcas nacionais de street e skatewear vão investir em estampas ocultistas e em meiões nas próximas coleções. Ora, já havíamos postado sobre essas tendências no blog há um tempão. É interessante notar como demorou pras marcas nacionais de street style começarem a trazer estes temas pras suas lojas.
Pra este ano o que temos observado é uma imensa referencia à década de 1990. Praticamente tudo que se usou naquela década está sendo relido de alguma forma. Citarei alguns exemplos:

- Estampas em contraste preto e branco e estampas coloridas com tons fortes. Os temas alternativos estão nas estampas, mas as cores são contrastantes e vibrantes!


- Saltos plataformas imensos (usados nos 90's por cybers, clubbers e streetwear japonesa). 
Há também uns sapatos femininos com plataformas e saltos mais grossos que lembram os anos 70. Mas temos que ter em mente que a moda relê tendências no mínimo à cada 20 anos, sendo assim, as plataformas e saltos dos anos 70 foram relidas nos anos 90 e agora são relidas novamente na década de 2010.


- o ocultismo - demos vários exemplos aqui - pernanece.


- transparências em malha de tela, tule ou organza, como já vimos aqui.


Esportividade: na década de 90 houve um afrouxamento da sobriedade, tudo era muito informal, mesmo as roupas mais "elegantes" tinham referências esportivas. Alguns devem se lembrar que se usava tênis pra tudo. As opções de sapatos e sandálias eram super poucas. E usar tênis pra trabalhar, por exemplo, era comum, não era algo deselegante.

- Tênis: na moda alternativa, os tênis retornam com muito estilo.



E se tem tênis, tem meiões! Meias 3/4 ou 5/8 dão as caras, sendo algumas com cores fortes.


Essa informalidade dos 90s, se reflete nas salopetes - muitas meninas que foram teens naquela década tiveram uma! 
Na segunda imagem, vemos uma blusa com a já citada transparência com referência esportista e um gorro - que também retorna por influência inclusive, do grunge. E a calça bailarina, um clássico da minha adolescência, no exterior, está sendo vendida com o nome "yoga pants".


- Mochilas: quem diria que elas voltariam tão estilosas?

 

Acessórios: 
- Bonés são a cara do streetwear atual e as gargantilhas - acessório deixado de lado por uns anos - retornam tanto nos modelos tradicionais, de couro com spikes e tachas, quanto no colar tatuagem. Eu não tive na época, mas algumas colegas tinham. O curioso é que esse colar tatuagem foi muito ridicularizado uns anos atrás e agora, será que quem riu dele vai usar porque é tendência?


- Plástico: Eu tive diversos acessórios de plástico nos anos 90 e eles retornam bem semelhantes aos da década. A sandália ao estilo Melissa é muito parecida com uma original da época que ainda tenho guardada.


- Cabelos na altura média, curta ou raspados de alguma forma. Cabelos longos eram incomuns na década de 90, mas como eles são muito populares na cena alternativa atual, não sei dizer até que ponto as garotas vão querer cortá-los e mudarem um pouco.


Vamos ver quais destas tendências vão pegar mesmo e/ou quanto tempo elas vão demorar pra chegar no Brasil.

23 de maio de 2014

A Coleção "Malévola" da Hot Topic

Ja faz uns dois meses que a loja Hot Topic lançou algumas peças de roupa inspiradas no filme Malévola que estréia nos cinemas semana que vem.
A Hot Topic é uma mega loja alternativa americana, como lemos [aqui], que tem má fama entre muitos alternativos e músicos do rock. O que aconteceu foi que a loja tirou o preto de sua decoração e investiu em uma aparência menos trevosa pra atrair clientes não alternativos. Outra questão é que ela vende "modinha alternativa", que dizer, ela cria peças de acordo com tendências mainstream ou licenciamentos. Digamos que ela seja uma loja alternativa com o tamanho e poder de uma loja de departamento mainstream.
A Hot Topic também é dona da Black Heart Lingerie e de uma linha de Esmaltes e Maquiagens

A mais nova empreitada da marca, foi criar algumas peças inspiradas no filme que é a sensação do momento: "Malévola". Nada mais é do que aproveitar uma onda e lucrar, certo? Esse é um dos pilares do capitalismo que os americanos sabem tão bem como lidar (sendo alternativo ou não).

Estas foram algumas peças da The Maleficent Fashion Collection. Eu curti várias! E acho que muitas delas (especialmente os vestidos abaixo) nem precisariam do filme em si pra serem criadas, já que tem um estilo muito usável e inspiração medieval já é algo parte da moda alternativa. 
Dentre as camisetas, tive uma queda pela branquinha, que diz "Aurora". É porque esse é o significado de meu nome, que significa "aurora do dia; o amanhecer" e por saber disso, quando novinha eu curtia a Bela Adormecida, mas adorava mesmo a Malévola, porque o lado negro da força era bem mais interessante. 


20 de maio de 2014

Cabelos Coloridos: Entrevista com Naína Monsores, especialista em coloração fantasia

É incrível pensar que, até poucos anos, achar uma tintura com coloração fantasia era bem difícil no país, o máximo que se disponibilizava eram tons avermelhados. Tanto que, para se conseguir cor diferenciada, ou comprava no exterior, ou recorria as fórmulas mais baratas e fáceis, como a combinação de creme para pentear + anilina de madeira, além da violeta genciana e o azul de metileno. Hoje encontramos no mercado (ainda bem!) diversas marcas especializadas, não só internacionais, mas também “made in Brazil” [aqui].

Com o crescente interesse pelo tema, fomos procurar por dicas rápidas de como proteger os fios e que cuidados tomar durante todo o processo de tingimento para quem quer passar pela experiência. Antes, lembramos que se tiver oportunidade, procure sempre um profissional. Corte químico é algo sério e causa um amargo arrependimento!
Para responder as questões, convidamos Naína Monsores, cabeleireira carioca especializada em coloração fantasia, que pinta seu próprio cabelo desde os 15 anos. Ela foi super gentil em compartilhar seus conhecimentos com o MdS. Portanto, aproveitem!

Por falta de dinheiro ou por variedade da cor, é muito utilizado a fórmula de "creme + álcool + anilina". Você acha que ainda vale a pena fazer isso ou usar tintura?
Naína: Não digo por falta de variedade de cores, pois hoje em dia a variedade é enorme, tanto em colorações nacionais como internacionais. A anilina de madeira, como o azul de metileno e a violeta genciana são mais usados pelo valor ser muito baixo. Mas tem seus prós e contras, alguns especialistas dizem que o AM e o VG a longo prazo causam danos à saúde do usuário. E a anilina, apesar de colorir bem, impregna no fio fazendo com que sua remoção seja muito mais complicada.

Naína e seus cabelos avermelhados

O que aconselha para quem tem cabelo virgem e aos que tem química?
N: Gostaria de frisar bastante a importância do teste de mecha. Hoje em dia, infelizmente, existem muitos cabeleireiros que dizem que passaram um produto no cabelo do cliente e passaram outro, ou até mesmo para ter a sua fidelidade não dizem o que passaram, o que é errado, a pessoa tem o direito de saber exatamente o que foi aplicado.
A descoloração em cabelos com químicas (guanidina, tioglicolato, entre outros) é mais complicada, portanto não aconselho de maneira nenhuma ser feita sem ajuda de um profissional.
Procure sempre descolorantes bem conhecidos e bem indicados. Mas depende muito de cabelo pra cabelo. O que está mais em alta e com excelentes indicações é o Igora da Schwarzkopf. É sempre importante ter paciência! Descoloração não é algo tão simples. Tem cabelos que mesmo sendo virgens ficam muito danificados por serem muito finos. Outra coisa muito importante é sempre seguir as instruções do produto. Deixar além do tempo indicado só vai danificar mais ainda seu cabelo.

Naína foi finalista do Concurso Belladonna's do Brasil 2013

Depois disso vem à coloração, que acredito ser do mesmo jeito que as tinturas de farmácia. O único problema aí é acertar a cor desejada.
N: De certa forma, a coloração fantasia é bem mais fácil de aplicar e acertar o tom do que coloração permanente. Como não é misturada com oxidante, não tem alteração de cor do que está no tubo para o que vai ao pote. A cor que está ali é a cor que vai ficar seguindo é claro, a descoloração correta. É só seguir algumas poucas dicas como, para se conseguir um azul o cabelo tem que estar no loiro claro quase branco, senão fica verde. É possível fazer um cabelo branco com coloração roxa.

Algumas das várias cores fantasia que Naína usou

É necessário também hidratação. De quanto em quanto tempo? Pintar desse modo resseca mais do que o normal?
N: A coloração fantasia em si não resseca o cabelo o que resseca é a descoloração. A durabilidade da cor também é influenciada de acordo com o estado do cabelo. Dependendo do cabelo, os tratamentos de reconstrução podem ser feitos de 15 em 15 dias e a hidratação semanalmente. Gosto de dar uma dica sempre: Não tem tempo de ficar hidratando o cabelo? Compre uma boa máscara de hidratação e substitua tirando o condicionador, use sempre que for lavar o cabelo. Ajuda bastante pra quem não tem tempo de hidratar. Gosto bastante da linha Absolut Repair da L’Oréal. Se você sentir que seu cabelo ficou pesado é só alternar com o condicionador.

Um lindo tom de verde e mecha azul

Por último, quanto tempo dura a cor, o retoque é feito só na raiz ou precisa ser feito no resto?
N: O retoque é simples. Descolorir a parte crescida, passar a coloração na raiz e puxar para as pontas para tonaliza-las. A durabilidade depende muito da cor (vermelhos e rosas tendem a durar mais), da marca da coloração e do estado do cabelo.

Quem é do Rio e quer tingir o cabelo com uma expert, fica a dica de contato da Naína. Nas palavras dela "trabalho com essas colorações cobrando o valor que eu acho justo.
Então, aproveitem! Ela trabalha também com Candy Color. 
Contato Neslue: https://www.facebook.com/neslue.candycolor?fref=ts

Entrevista por Lauren Scheffel.

18 de maio de 2014

Breve história do Cabelo Rosa

Ano passado fiz uma pesquisa sobre a origem dos cabelos coloridos e em tons pastel, pois eles estavam muito na moda. Publiquei a pesquisa sob os títulos de "Cabelos em tom pastel no século XVIII" e "Cabelos e perucas coloridas na primeira metade do século XX". Ambas as pesquisas eram, até o presente momento de suas publicações, temas inéditos no Brasil. Em menos de um ano pra cá, estes dois posts já serviram de referência pra textos em outros blogs e até plagiados. É curioso quando publicamos artigos neste pequeno blog alternativo e um dia damos de cara com um artigo semelhante em sites maiores, nos mostra que tem gente de olho na cena alternativa e em temas que blogs desta área apresentam. É a comprovação que a moda alternativa é importante e influencia a moda dominante, embora muita gente a trate com preconceito! O mesmo fizemos com o texto a seguir, tentamos trazer o máximo de informações novas em português.
Como vimos nos artigos linkados acima, é muito difícil delimitar uma data pelo interesse da moda e das pessoas pelos cabelos coloridos e especificamente pelo cabelo rosa. No século XVIII, na década de 1910, nos anos 1930, nos anos 1950 há registros de cabelos em tons fantasia.


Por que a cor rosa? 
O rosa forte é uma cor associada ao amor romântico (tanto sexual quanto emocional), ou seja, dá pra brincar muito em torno destes temas em filmes, looks e editoriais de moda. É também uma cor associada à feminilidade, já que vestem meninas desde cedo com os tons. Quando usada no tom pastel é ligado à pureza e inocência e o conteúdo sexual diminui à medida que o tom de rosa clareia. Por isso, quando vemos por exemplo, meninas que seguem o estilo pastel goth com seus cabelos em tons desbotados, notamos nelas uma ausência de sex-appeal e uma grande aura de inocência. É uma cor muito ligada ao afeto e pouco ligada à paixão. O rosa é pouco associada aos homens, e quando estes usam, se destacam, pois rompem com os padrões.

Podemos dizer que Shirley MacLaine no filme "A Senhora e seus maridos" de 1964 tenha sido um grande momento midiático para o cabelo rosa. O filme ganhou prêmio por melhor figurino. Ainda nesta década, a sex-symbol Brigitte Bardot aparece com uma peruca rosa chanel.



Na década de 1970, o rosa invade a cabeça de membros da cena punk, Vivienne Westwood tinha uma modelo com a cor no cabelo. A estilista Zandra Rhodes, que começou a carreira nos anos 60, usa a cor até hoje. Surpresa mesmo é ver a atriz Sharon Tate num cabelo em tons degradê.



Na década de 1980, começa a popularidade entre os artistas da cena rock e pop. Baby do Brasil, Nina Hagen, Toyah Willcox, Cindy Lauper (que usou a cor de novo recentemente)...



...Madonna em 1984 ostentanva uma peruca rosa enquanto cantava "Like a Virgin" num programa de TV britânico, mas a mesma usou mechas durante um período da década.





Na década de 1990, passado os exageros da década anterior, a cor diminui um pouco de popularidade e permanece mais comum entre os artistas e em subculturas como Cyber e Clubber.


Ícones do grunge, Kurt Cobain e Courtney Love usaram e mais recentemente a filha, Frances Bean.

Drew Barrymore: cabelo rosa, tiara de flores... engana-se quem pensa que hipsters atuais 
foram originais ao usar esta combinação.



A moda, num geral, demonstra pouco ou quase nenhum interesse pela cor de cabelo, até que no fim da década, em 1998, a supermodel Kate Moss, desfila com a cor para Versace, na época encarado como excentricidade.



Assim, em 2000 Gwen Stefani que já era influente na moda (vivia nas capas e páginas de revistas de moda), 
começa uma breve tendência...


... depois de aparecer de cabelo rosa bem forte no vídeo "Ex-Girlfriend", o que provocou uma aumento nas vendas de bindis, mechas falsas e tintura no tom fluorescente.



Aos poucos, a cor volta a  aparecer. Em 2001 Selma Blair usa mechas em Storytelling. Em 2003, Scarlett Johanson uma uma peruca em "Lost in Translation" e em 2004 é a vez de Natalie Portman usar um modelo semelhante em "Closer".



Flea, Jared Leto e Heitor Werneck são dos poucos homens que adotaram a cor do começo de 2000 até hoje.

Christina Aguilera (ela voltou a usar a cor recentemente, mas em tom pastel) e Avril com mechas. Pink já carrega a cor no nome, vira e mexe muda o tom. Lily Allen, Katy Perry e Demi Lovato levam a cor à um público mais jovem e pop.



Quando falamos de cabelos rosa na cena alternativa desta última década, temos Audrey Kitching Jeffree Star, que saíram do meio Scene Kids.

Além de Audrey, outras que parecem ter nascido pro rosa é a Kat do Rock n' Roll Bride e a designer Tarina Tarantino. Alguém ainda se lembra da polêmica Barbie tatuada que tinha um chanelzinho rosa bebê?



Kelly Osbourne, MariMoon e Vixyn...

... Kerli, Adora e Xanthia Pink!

Grimes, que teve em um de seus clips a participação de Brooke Candy, também de cabelo rosa...

Lady Gaga, gêmeas Olsen, Nicki Minaj, Scarlet Johanson e as modelos Daphne Groeneveld e Charlotte Free.


E tem cabelo rosa no filme Jogos Vorazes na estilosa personagem EffieTrinket e até na novela da Globo, onde a atriz Bruna Linzemeyer usa um tom pastel na novela "Meu Pedacinho de Chão", combinou bastante com a delicadeza de seus traços.


A atriz Helen Mirren, de 67 anos, em fevereiro deste ano optou por usar a cor depois que viu num programa de TV que o pigmento saía com lavagens. Ela ficou linda, me lembra as senhoras da geração Baby Boomer.


Ter cabelo rosa é tão "cool" atualmente que se você circular pela web encontrará diversos blogs e vídeos "ensinando" como adquirir a cor pra um público que não é alternativo ou pra quem quer algo bem temporário mesmo. Não faltam marcas lançando tonalizantes que duram pouquíssimas lavagens, pras que tem medo de optar por uma cor mais duradoura.
Reflexo de algo "diferente" que chegou às massas.
Se antes a cor de cabelo dizia quem eram os ousados e os rebeldes, hoje com a cor nas cabeças de artistas ou celebridades do momento, pra não sermos "apenas mais um" de cabelo rosa no meio da multidão temos que investir em nossos estilos pessoais pra ter diferenciação.

Ainda hoje nos chegou a informação de que Rihanna, Kesha e Rumer Willis são as mais novas adeptas do rosa! Chegamos a conclusão que o rosa é a cor mais quente deste ano! 


Mas hey! E nós?? Mas vejam só que curioso, a Sana e a Lauren, autoras do blog, também tem o rosa na cabeça desde fevereiro. A Sana tem usado Candy Color e a Lauren uma peruquinha básica num corte chanel. ;-D

E você, tem ou teria cabelo rosa?


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