.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Maio 2017

24 de maio de 2017

40 anos do Estilo Gótico: quais modelos de calçados foram usados?


Pikes, plataformas, coturnos, creepers e saltos altíssimos foram alguns dos calçados diferenciados usados pelos góticos nos 40 anos de existência da subcultura. Chegou a vez de analisar mais um video de Liisa Ladouceur sobre a evolução da vestimenta gótica feminina!


Liisa Ladouceur é autora de livros como Encyclopedia Gothica e How to Kill a Vampire, além de escrever sobre cultura para revistas e jornais e prestar consultoria sobre música. Reside em Toronto no Canadá, é gótica na vida real e está fazendo uma série de documentários sobre os "40 anos do estilo gótico" que você pode ver o vídeo sobre a moda gótica feminina aqui e o da moda masculina aqui.
 
Segue o novo vídeo sobre calçados femininos:




Diferente dos outros vídeos, neste, Ladouceur colocou a data gigante na tela, isso porque especialmente no primeiro vídeo (de moda feminina) muitas pessoas não notaram a data no canto da tela e julgaram o trabalho dela de uma forma absurda não observando uma linha do tempo. 
Na descrição do vídeo, a autora colocou a lista de calçados. É importante dizer que assim como com as roupas, a autora fez uma pesquisa histórica antes e tentou achar os calçados originais da época (em brechós) ou modelos atuais retrô ou muito semelhantes, num comentário ela diz que não encontrou um modelo com a personagem Emily Strange, muito comum no começo da década de 2000, portanto mesmo muito comum na época, a peça não aparece no vídeo. Vamos à eles: 

1980s
1. Patent skull winklepicker boots by http://goth-pikes.com/
2. Vintage 8-hole Doc Martens style 1460
3. Vintage suede granny boots, brand unknown
4. Red creepers by John Fluevog
5. Vintage patent '80s heels
6. Classic winklepickers by the Gothic Shoe Company

O uso de scarpin pelas góticas não é tão comum hoje em dia nem pra quem adota um visual gótico retrô, assim como as meias calças coloridas. Outro ponto é a adoção de botinhas de inspiração vitoriana e claro, os coturnos super gastos de tanto usar no dia a dia. Os classic winklepickers  da Gothic Shoe Company, vocês podem conferir neste post que fizemos da marca.


1990s
1. New Rock motorcycle boots
2. New Rock heel boots
3. Patent Munster-style knock-offs
4. Demonia platform Mary Janes
5. 14-hole vegan Doc Martens in Oxblood
6. 8-hole Blue velvet Doc Martens
7. Tank Girl combat boots
8. Silver heel patent platforms
9. Stretch velvet knee-high boots
10. The glorious "Grand National" boot by John Fluevog

Na década de 1990 é observável a popularização das plataformas e das botas de cano longo e saltos altos assim como a adoção de marcas como Demonia e New Rock. Todas estas peças bastante adornadas, seja com amarrações, fivelas ou detalhes em metal. Entra aqui uma peça que adoramos: o sapato boneca. Os coturnos em diversos formatos nunca saem de cena. Repararam nas meias listradas e franzidas em cima das botinas?

2000s
1. Demonia Platform Boots with Straps
2. Transmuter Boots (with and without funfur)
3. Swear shoes
4. Mary Janes
5. "Rocking Horse" shoes by Vivienne Westwood
6. "Kitty Face" Mary Janes by Anarchy by T.U.K.
7. "X-Ray" skeleton ballerina flats by Funtasma
8. "Iris" platform ankle strap sandals by Ellie Shoes
9. "Teaze" red cheetah print platform heels by Bordello
10. "Stack" platform boots by Demonia
11. Strappy Wedges by Y.U.K.

Na virada para os anos 2000, o salto anabela faz uma aparição já nos chamando a atenção nesta década para a variedade de modelos adotados. O tamanho das plataformas aumenta imensamente e ganha adornos; os canos das botas também se diversificam apresentando pêlos e texturas. O sapato boneca ganha influência da estética Lolita junto com a sandália Rocking Horse de Vivienne Westwood. Entram em cena também o sapato boneca sem salto com estampa de gatinho e a sapatilha; ao mesmo tempo que os saltos fetichistas e os pumps retrôs (muito usados pelas pinups) também são adotados pelas góticas.

2010s
1. "Lita" spiked boots by Jeffrey Campbell
2. "Zombie Stomer" platform heels by Iron Fist
3. "Swing 185" knee-high boots by Demonia
4. "Nightwalk" suede heels by Jeffrey Campbell
5. "Anglomania Lady Dragon Skull" slingbacks by Vivienne Westwood for Melissa
6. "Rockefeller" bootie by United Nude
7. "Stetchen" vegan buckle boot by Hades
8. "Kera-21" vegan pink ankle boot by Demonia
9. Velvet wedge creepers by T.U.K.
10. "Poison 25-2" hologram caged bootie by Demonia
11. "Night Stalker" bat heels by Iron Fist

Na década de 2010 a diversidade calçadista permanece embora marcas tradicionais como Demonia continuem presentes. É observável a adoção de grifes como Jeffrey Campbell e sua Lita Boots que veio das Hipsters, Hades e Melissa (me surpreendi de ver o modelo Lady Dragon Skull ali). A Iron Fist entra com as cores de seu clássico Zombie Stomper  e os calçados sem salto ou com saltos diferenciados dividem espaço com o pastel goth cor de rosa e o holográfico que é a moda do momento. E claro, como não lembrar dos Bat Shoes?


Agora é aguardar os blogueiros e youtubers góticos fazerem suas análises. Acredito que não será tão criticada quanto nos vídeos anteriores pois agora todos já devem ter compreendido a abordagem ampla que Liisa Ladouceur faz sobre moda.
Ah gente, muito importante: a Liisa pede que não façam download do vídeo e upem  suas páginas e sim, que compartilhem o link original. Assim como nós, ela produz o conteúdo de forma independente e nada mais do que justo respeitar o direito autoral dos vídeos dela, certo? ;)

Digam o que acharam do vídeo e da escolha dos calçados! :D



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21 de maio de 2017

Conheça GOTHIC STATION a primeira revista gótica do Brasil e saiba onde comprá-la!

Estou muito feliz com o lançamento da GOTHIC STATION a primeira revista feita por góticos brasileiros e dedicada inteiramente a falar da subcultura no Brasil!


A revista é de autoria de Henrique Kipper, autoridade sobre subcultura gótica no Brasil, na cena há mais de duas décadas, divide seus conhecimentos no site Gothic Station.

Se você gosta dos artigos aqui do Moda de Subculturas, talvez aprecie saber que sou colunista de Moda da revista e nesta primeira edição, fiz uma matéria sobre a influência da Era Vitoriana na estética gótica. É um artigo exclusivo pra revista e não tem nada semelhante aqui no blog. A matéria tem seis páginas com imagens maravilhosas selecionadíssimas por mim e pelo Kipper. Na matéria, conto um pouco sobre quais características da moda vitoriana foram adotada pelos góticos e como eles adaptaram a estética.


Vocês lembram de dois artigos que publiquei, um chamado "Adultos em Idade Produtiva: Criatividade tem limite de idade?" e o outro  "Subculturas não tem idade: Adultos que adentram no mundo alternativo"? Nestes artigos falo sobre como subculturas são associadas à juventude, só que  tá cheio de adultos dentro delas e nem por isso eles são "infantilizados" ou "não querem crescer", pelo contrário, são pessoas responsáveis e criativas. Na revista vocês vão encontrar uma matéria com o sociólogo britânico Paul Hodkinson falando um pouco sobre isso, o processo de envelhecimento dos participantes de subculturas. Também vão encontrar uma matéria introdutória sobre Cybercultura da Adri Amaral que, caso vocês não conheçam o trabalho dela, recomendo muito!


 

Tem entrevistas com bandas como Clan of Xymox, Lacrimosa, Das Projekt, Alex Twin do selo Wave Records, além dicas de lançamentos musicais, vocês vão encontrar também os artigos sobre Famílias Góticas (matéria de capa), as gerações de música gótica (que ficou muuuito legal!), filmes que influenciaram a subcultura e uma matéria sobre o romance gótico.

Lembrando que essa é apenas a primeira edição da revista e todos os assuntos serão mais e mais detalhados a cada futura edição! Eu tenho um montão de coisa que quero escrever sobre moda gótica!

Clique na imagem para aumentar. 

É muito importante que vocês comprem e divulguem a revista, pois este é um projeto independente e precisa de apoio para continuar ativo, portanto, vou deixar aqui o link para compra. A revista tem 48 páginas e custa R$34,00 já com o frete incluído para todo o Brasil! 
Se você quer revender, na loja existe a opção de compra de várias edições. Se você conhece alguma banca de revista de sua cidade que possa ser interessada na venda, que tal avisar o proprietário sobre a existência da revista dando o link para ele?






Se lamentamos pela falta de cultura alternativa disponível no país, agora podemos apoiar quem está dando um passo à frente e ampliando as opções de lazer e conhecimento sobre as subculturas. 
Contem se gostaram de meu artigo (e dos outros) e nos vemos na próxima edição! ;D


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18 de maio de 2017

KILLSTAR: Cupom de Desconto // KILLSTAR discount Coupon

Imaginem a minha felicidade quando a KILLSTAR oferece um CUPOM DE DESCONTO pros leitores do Moda de Subculturas? ♥

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É ótimo poder retribuir de alguma forma todo o respeito e consideração que vocês tem com o blog! Sei que muitos não compram em lojas estrangeiras pelo preço, então por isso mesmo um descontinho é sempre bem vindo, é um presente! É uma forma de tentar tornar as marcas alternativas mais incríveis da atualidade mais perto do alcance de todos.


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 Cupom de Desconto / Discount Coupon:
SUBCULTURAS 


KILLSTAR é uma marca britânica, mais especificamente de Glasgow, Escócia (isso mesmo!) relativamente nova, fundada em 2010, inicialmente com o nome de "To KIll a Star" sendo uma das pioneiras a trazer a temática do ocultismo para a moda alternativa atual.


A marca surge para suprir um nicho que até então era inexplorado: as fãs de bruxaria, misticismo e ocultismo. Tanto que até hoje, a lua, a tábua ouija e símbolos do oculto não saem de catálogo devido ao sucesso. Peças de destaque são os vestidos inspirados na personagem Vandinha Addams (que se fosse um pessoa real, com certeza usaria a marca). No último Halloween, teve até parceria com Marilyn Manson! E como recentemente anunciamos no nosso Instagram, agora a loja tem peças em tamanho plus size.


A KILLSTAR foi uma das que fizeram parte de toda uma mudança estética ocorrida nos últimos anos em relação à moda gótica. Liisa Ladouceur mostra isso em seu vídeo sobre os 40 anos do estilo gótico, dizendo que ser gótica hoje é usar roupas confortáveis: sem corsets, sem peças que apertam, e sim roupas que são urbanas, permitem movimentos sem deixar de lado a obscuridade.

As bolsas conceituais da marca.

Como várias outras marcas alternativas, a inspiração vai além de uma só subcultura, Punk, Heavy Metal e rebeldia estão entre os temas que inspiram os designers. E pensar que a marca nasceu fazendo somente camisetas e suéteres e hoje já vende calçados, diversos acessórios e até velas, afinal, ocultista que é ocultista não fica sem velas, né? Haha :D


Então sempre que fizerem compras na KILLSTAR, usem o cupom! E se você tem amigo/as que curte a marca compartilhe a novidade!


 

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15 de maio de 2017

Dica de Loja: Spookies

Hoje a dica é de mais uma loja alternativa nacional, a Spookies!
A primeira coisa que me chamou a atenção foi o nome, que adorei! "Spookies" seria algo como "assustadores" (tem inclusive filme de terror com esse nome). Vamos conhecer um pouco do conceito da marca: 


Com sede em São Paulo,a Spookies visa quem ama se vestir de forma diferente ou seja, o público alternativo. A marca trabalha com dois tipos de produtos: os criados por eles e os importados.
As peças importadas são selecionados de acordo com o perfil da empresa. Já as criações autorais passam por um processo de escolha ou desenvolvimento de estampas exclusivas, amostragem, confecção e produção em pequena escala. São poucas peças disponíveis de cada modelo, então ao mesmo tempo que a loja apresenta peças em formato de semi exclusividade (os produtos que acabam não são repostos), quem gostou tem que comprar logo senão fica sem! Eu pude comprovar isso, nas últimas duas semanas acessei o site algumas vezes e algumas peças que eu havia gostado (vestido Ouija e bolsa conceitual) já se esgotaram.

Minhas dicas: blusa de tela, ótima pra compor looks punks, deathrock ou gótico! E o vestidinho preto com mãozinhas de esqueleto, sem mangas, de decote fechado e comprimento nos joelhos. Quem mora em cidade com pouco frio é só vestir um casaco e meia calça e tá pronto pro outono.


Para quem gosta de estilo retrô, a blusa de manga longa e ombros de fora é uma boa opção pra usar com saias godês de cintura alta. E pra quem quer fazer o estilo Divas do Terror, seja Vampira ou Elvira e mostrar as pernocas numa fenda, que tal a saia longa em veludo?


Para as sereias e fãs de unicórnios: tem moda alternativa irreverente!

É sempre muito bom ter este espaço no blog, afinal super justo a gente ser um intermediário entre as lojas alternativas e os leitores que podem se tornar consumidores! Não deixem de acompanhar o Instagram da loja, que está cheio de dicas de looks! Link aí embaixo! ;)

Instagram: https://www.instagram.com/spookiesbr/


*postagem publicitária


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11 de maio de 2017

Boots and Braces: A História da Subcultura Skinhead

A subcultura Skinhead é uma das mais mal interpretadas graças à informações difundidas de forma generalizada, associando todo o grupo com o nazismo. Neste artigo, conto um pouco sobre sua origem e porque é tão associada com violência.

© Symond Lawes Photography

A subcultura Skinhead surgiu da união de elementos de outras duas: os Mods e os Rude Boys. Em dado momento da década de 1960, a subcultura Mod se dividiu em grupos, uma parte se aproximaria dos Hippies e outra parte se tornou os "hard mods”, uma turma agressiva famosa pela rivalidade com os Rockers. A fama de brigões dos hard mods se espalhava por todo o Reino Unido. Fãs de Lambrettas, sua estética adotava roupas de marcas genuinamente britânicas como Fred Perry, Crombie e coturnos Dr. Martens simbolizando o orgulho da origem na classe trabalhadora. Adotaram cabelos bem curtos, várias vezes raspados. Naquela época cabelo raspado tinha um significado muito contracultural, apenas soldados e religiosos os usavam, se tornando assim um genuíno símbolo outsider.

Hard Mod e sua Lambretta

Outro grupo que influenciou os skinheads foi a cultura caribenha, especialmente as gangues jamaicanas, chamadas de Rude Boys. Eles ouviam rocksteady, reggae e um estilo chamado “Skinhead Reggae”, conhecido também como “Ska”. Usavam gravatas finas, chapéus trilby e porkpie influenciados pelos gângsters. O cantor jamaicano Desmond Dekker, considerado “O Rei do Ska” foi o responsável por adicionar os suspensórios segurando as calças jeans Levi´s que possuíam a barra dobrada revelando os Dr. Martens. Nesta época, já haviam muitos skinheads negros. Sendo fãs do estilo musical, os Hard Mods frequentavam as festas dos Rude Boys.

Desmond Dekker, “O Rei do Ska”
Laurel Aitken e o Skinhead Reggae ou Ska

Da união destas subculturas se formam os skinheads.
black-and-white-skinheads

skinhead-fashion-style
black-and-white-skinheads
black-and-white-skinheads

A estética que é a junção dos Hard Mods e dos Rude Boys, pouco mudou dos anos 1960 para cá: além das já citadas marcas acima, inclui-se as camisas Ben Sherman e calças Lee ou Wrangler desbotadas para ficarem com aparência de desgaste. Estas marcas na época, eram de valor muito acessível para a classe trabalhadora, não tinham o status cult que tem hoje. Os Skins, além de fãs da música, adotam o jeito de andar e as danças dos Rude Boys. Apesar do nome, não era obrigatório um skinhead ter cabeça raspada, cabelos curtos ou cortados nos estilos militares (raspado embaixo e/ou dos lados) eram usados também.

Nos pés, coturnos ou Dr Martens 
skinheads
Gavin Watson para Dr Martens

"Boots and Braces": coturnos e suspensórios são forte característica estética.
estilo-skinhead
estilo-skinhead-london-street
© Terence Spencer

Em 1966 a Inglaterra vence a copa do mundo e apesar do Holliganismo ser algo muito antigo, foi inevitável associar os skinheads (fãs de futebol e cerveja) aos hooligans. Já o ano de 1969 passa a ser considerado icônico para eles, pois depois deste período a subcultura se fragmentou em extremismo político. Os que rejeitavam o racismo em favor do estilo caribenho se denominavam Trojan Skinheads em homenagem à gravadora homônima. E os trojan começaram a denominar os skinheads com tendências nazistas de "bonehead". Também outro ramo surge, os “suedeheads”, com visual menos extremo: ternos, cabelos maiores e brogues nos lugar das botas. Essa época foi denominada posteriormente como Spirit of 69, ou Espírito de 1969


© Derek Ridgers

As garotas Skinhead usavam a estética sessentista, adotando saias ou minissaias com meia calça/arrastão e como os garotos, camisas, camiseta polo, suspensórios, meias acompanhadas de além dos Dr. Martens, botas curtas e sandálias também da marca. Os cabelos sempre curtos ou médios com o corte feathercut (ou chelseacut): franja e cabelos longos na lateral e embaixo, o que lhes dava os apelido de skinbirds. Quebravam assim as definições de beleza exigidas das mulheres como a de cabelos longos e não usavam sapatos de salto.

Apesar de seguir a moda sessentista, o visual feminino tinha elementos em comum com o masculino como camisas de botão e polo, suspensório, jeans (em calças ou saias) e coturnos.
skinhead-girls-style

 A marca Lonsdale é popular entre os skinheads, uma herança dos Hard Mods.

Se os rapazes usam cabelos raspados, para as garotas, a franja, os cabelos laterais e os de baixo são mantidos. Um dos visuais alternativos mais únicos que existem!
Chelsea haircut
Ilustrações em referência aos cabelos femininos


A evolução da subcultura nos anos 1970 coincide com o lançamento do filme Laranja Mecânica, cuja violenta gangue do personagem Alex DeLarge, inspirada nos Skins, os torna cults. No fim daquela década medidas de austeridade econômica são impostas, havia alto índice de desemprego e o Reino Unido vivia uma onda de violência, ocorrendo o crescimento da direita racista. Assim, no começo da década de 1980, surge no underground punk o gênero musical Oi!, capitaneado por bandas como Sham69 e Cockney Rejects. Estas bandas cantavam sobre futebol, brigas de rua e pubs, com cabeça raspada ou moicanos coloridos mais a tradicional vestimenta skin como botas e suspensório e por vezes tatuagens faciais, os Oi! se diziam apolíticos, no entanto seus shows se tornaram violentos quando passaram a ser frequentados por skinheads de extrema direita.

Devido à repercussão destes shows, na década de 1980, a cena passa a ser associada com o nazismo, surge então um movimento de resgate às origens com um revival ska e um retorno ao estilo rude boy: o 2-Tone (ou two tone), tendo destaque a banda The Specials, a característica destas bandas era ter um vocalista negro e outro branco.
A banda “The Specials”
 2 Tone (ou Two Tone): Jovens brancos e negros dançando ska
O som dos Rude Boys é a trilha sonora Skinhead

Naquela década, surgem também os Skinheads Against Racial Prejudice (S.H.A.R.P.), pois havia chegado no ponto em que se um skinhead não verbalizava ser anti-nazi as pessoas os acusavam de ser nazi. Até hoje existem skinheads de todos os segmentos políticos: R.A.S.H. (comunistas e anarquistas), Redskin (esquerdistas), Boneheads (White Power), Hammerskins (nazistas) e de todo tipo: negros, brancos, asiáticos e até gays, mas eles muitas vezes não são lidos como skinheads pelas outras pessoas, que criaram um imaginário que apenas os nazi-skins são os “verdadeiros’.

Ilustrações relacionadas aos Trad Skins, parcela da subcultura
que rejeita a ligação com o nazismo e o racismo.
espírito-de-69-skinheads-trad-skins


Símbolos dos S.H.A.R.P (Skinheads contra o preconceito racial)


Garota Skinhead beija Muhammad Ali em Dublin (Irlanda) na década de 1980.


Muitas informações sobre as subculturas vem da mídia mainstream, é importante ficar alerta para as que podem vir distorcidas. Os Skinheads talvez sejam a subcultura que mais foi punida com informações difundidas de forma incorreta. Quando posto imagens de skinheads no Instagram do blog, ocorrem comentários generalizados de que "são nazistas", sendo que muitas vezes, não são. É importante compartilhar informações para que uma subcultura inteira não seja julgada por uma parcela dela. Tentem divulgar artigos de mídia alternativa ou de quem conhece e/ou convive com os movimentos. Informação é a melhor arma contra a ignorância.


Roddy Moreno, fundador do movimento S.H.A.R.P. britânico diz:
“Um verdadeiro skinhead não pode ser racista. Sem a cultura jamaicana skinheads não existiriam, foi a cultura deles misturada aos britânicos da classe trabalhadora que fizeram os skinheads serem o que são.”


E finalizo com uma imagem de um casal que possivelmente viveu
o começo da subcultura. Para eles não foi só uma fase. ;)



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5 de maio de 2017

Roller-Zoku: Fotógrafo registra a subcultura japonesa que mistura Rock n´ Roll e Rockabilly

O fotógrafo Denny Renshaw cresceu na cidade americana de Jackson, berço do Rockabilly e recentemente lançou uma série de fotografias que retratam os Roller-Zoku, uma subcultura japonesa que tem como referências o Rock n´ Roll e do Rockabilly das décadas de 1950 e 1960.


Na década de 1970, as bandas Cools e Carol foram as pioneiras do Rockabilly no Japão liderando o revival musical do estilo: o neo rockabilly, que havia chegado ao país e foi aí que os Roller-Zoku tiveram início. Naquela época, as gravadoras japonesas não diferenciavam rock n´ roll e rockabilly, por isso a moda dos Roller-Zoku mistura características dos dois estilos. "Zoku" pode ser traduzido como "tribo" ou "clã".


Acadêmicos e o senso comum, enxergam subculturas como algo "para jovens" mas isso não ocorre com os  Roller-Zoku, nas gangs há a presença de membros de todas as idades.

 

A estética é uma mistura de rock n´ roll, rockabilly e motocicleta; tatuagens,correntes, spikes, jaquetas de couro e cabelos escuros com imensos pompadours são as características mais marcantes.


O grupo se reúne no Yoyogi Park, em Harajuku, distrito de Tóquio para dançar ao som de American Graffiti fazendo movimentos que incorporam rock n' roll e acrobacias que beiram o teatral, no local existe até uma estátua de bronze de Elvis Presley. Mas as gangs podem ser vistas por toda a cidade.


O fotógrafo relata que não foi fácil fotografá-los, eles não tem sites nem redes sociais sendo necessário um trabalho de busca que envolvia horas de caminhada pela cidade, visitando lojas de discos, shows e bares num processo que ocorreu em 5 semanas espalhadas ao longo dos anos de 2013 e 2015 que resultaram num set de fotografias em preto e branco que documentam os quase 40 anos de existencia da subcultura.


Lançado em 2009, o vídeo para a música "Nothing To Worry About", de Peter Bjorn registra os Roller-Zoku dançando no parque Yoyogi.


Veja também o post da exposição fotográfica Japanarchy, sobre a cena punk underground do Japão e o artigo sobre a decadência dos estilos alternativos em Harajuku culminando no fim da revista FRUiTS.




Fontes consultadas: 



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