.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Subculturas Alternativas: Consumo, Imagem e Moda (Parte 3)

24 de maio de 2012

Subculturas Alternativas: Consumo, Imagem e Moda (Parte 3)

A Monocultura, tema do post anterior, se baseia na idéia de o capitalismo ter chegado ao ponto extremo de abraçar as subculturas como parte do mainstream, já que estas deixaram de fazer resistência aos valores da cultura dominate. O capitalismo é a chave de entrada desta postagem. Para isto, foquem nos valores comerciais, econômicos e visuais dos dias de hoje; pensem em comportamento consumidor. Vivemos numa sociedade em que absolutamente tudo é fabricável, desejável e comprável. 

                    Subculturas Alternativas: Monocultura
                 
Vivemos na Era da Imagem
Não é preciso ler, mas é preciso ver! A prova é a quantidade de blogs e redes sociais que surgiram nos último anos. Tumblr é um blog cujo formato tem foco na publicação e re-publicação de imagens muitas vezes sem suas fontes de referência, um formato que passa a idéia de um mundo (de imagens) sem dono. As redes sociais Pinterest, I (heart) it, Instagram, Flickr, DeviantArt, Picasa, Fotolog, 500px, TweetPic, Orkut, Google + e Facebook, também tem foco na publicação de imagens. Quem nunca ouviu frases do tipo “tirou foto só pra postar no Orkut/facebook”? E honrando o nome do capitalismo: Fashiolista! A rede social onde as pessoas postam imagens das roupas e acessórios que desejam comprar. Até a plataforma Blogger se rendeu à era da imagem, vejam o Moda de Subculturas em versão flipcard:

O Alternativo se Apoderando de Hábitos de Consumo da Cultura Dominante
Quando pensamos em subculturas como a punk, a gótica e a rock/metal, lembramos de suas origens de jovens rebeldes, contestadores, questionadores, avessos às regras impostas pela sociedade e em alguns casos, com atitudes anti-capitalistas. Ser alternativo não era simplesmente ficar com o lado divertido da vida, era também buscar uma nova forma de evolução humana. As roupas entravam como expressão da criatividade, uma novidade estética proposta por estes grupos que não necessariamente visavam serem “aceitos”, mas mostrarem diferença de idéias.
A customização de roupas entre os punks era de praxe. A moda gótica tinha seus estilos de moda bem dividos - hoje, na moda gótica, há mais do que nunca a mistura de estilos. Estilo Heavy Metal? Antes uns spikes, botas e camistas pretas; hoje, existem marcas que fazem roupas específicas pra esse público que sempre disse “odiar moda”. Um novo segmento de moda alternativa surgiu no exterior, a “high alternative”, marcas que investem em roupas semi-alta costura, materiais caríssimos e algumas vezes conceituais. Quem diria que a moda alternativa se renderia ao luxo?
Roupa é uma linguagem que as pessoas empregam para se comunicar uns com os outros indicando interesses comuns ou envolvimento com atividades semelhantes. Individualidade e mente aberta são características da moda alternativa, porém, em algumas cenas alternativas, estar “bem vestido” é algo que dá status (assim como na moda dominante).
Se a proposta do alternativo é ir contra ou num caminho paralelo ao que o mainstream impõe como moda a ser seguida, porque está absorvendo o mesmo estilo de vida e de consumo? É inevitável? É parte da monocultura? Na sociedade de consumo "ter" é "poder". Se você tem a estética ou o produto do momento, você tem status, é popular, admirado e copiado. O que você consome forma a sua imagem perante os outros.

Blogs Alternativos x Publicidade e Consumo
Recentemente, populares blogs alternativos passaram a oferecer publicidade paga, o que mostra como certos blogs são tão acessados diáriamente que as marcas viram neles janelas para seus produtos. Como resultado, os blogs alternativos se profissionalizam através do patrocinio das marcas e conseguem oferecer aos leitores um conteúdo mais seletivo. Nestes blogs há espaço para publicidade paga ou patrocinada nos lugares mais atraentes da primeira página levando o leitor a clicar num banner e ser redirecionando para lojas de roupas, acessórios e maquiagens. O que nossas blogueiras preferidas usam, confiamos, queremos e compramos! Seja para ficar igual à elas, para ter o produto do momento e ter status, para satisfazer um desejo de consumo. Seria o impulso do sonho de se tornar alguém que não se é comprando a mesma coisa que elas? Seria o consumo pela vontade, pela pessoa linda e maravilhosa que o produto diz te transformar? Ou seria apenas o consumo por indução?
Também há um novo segmento de blogs alternativos cujo foco são testes de produtos cosméticos, “compras da semana ou do mês”, os já famosos “look do dia” em fotos deliberadamente montadas e planejadas. Os objetos de consumo que a blogueira compra, refletem suas idéias, personalidade, desejos materiais e sua classe social; afinal, quantas blogueiras postam que compraram determinado produto especialmente caro ou importado sabendo que algumas de suas mais fiéis leitoras nunca poderão comprá-lo, apenas desejá-lo e admirá-las por seu poder consumidor?
- Há Algo de Podre no Reino dos Blogs de Moda e Beleza  (não é uma matéria sobre blogs alternativos, mas dá idéia do ponto que os publiposts chegaram).
Blogs alternativos costumavam ser fonte de conteúdo diferenciado, novo ou inovador e se tornaram adeptos do consumo pela “imagem e desejo”. Hoje mais forte que a preocupação de ser “ser” é a de “ter”, e é cada vez mais raro encontrar blogs com conteúdo autoral ou inédito já que quando um formato ou tema de um blog faz sucesso, logo aparecem outros com conteúdo igual ou semelhante.
Neste mundo de consumo, existe também a publicidade velada e gratuita do “curta”, “tweete” e “compartilhe” o link de uma loja e seu sorteio. Nestes sorteios, você divulga uma marca em troca de uma chance de ganhar um produto. No instante em que você “curte” ou “compartilha” o sorteio, você promove a marca e lhes fornece mais “seguidores”; ao mesmo tempo, você arranja centenas de concorrentes e suas chances de ganhar o produto caem drásticamente. Antes um sorteio dependia apenas de sua participação, a divulgação do mesmo era por conta da marca. Hoje, depende de você divulgá-lo para poder concorrer. É um marketing muito barato para as lojas, já que é você quem faz o trabalho de divulgação de graça em troca de uma chance de ganhar um objeto de desejo.

E isso tudo são coisas más?
Não necessariamente. Isto é apenas um reflexo dos hábitos de comportamento e de consumo dos alternativos atuais, cada vez mais dispostos a consumir e a vender. Cada vez mais dentro da máquina que faz o mundo girar. Será mesmo que a monocultura nos engoliu e agora não repudiamos mais hábitos da cultura de massa?

Estética Alternativa Fabricada em Massa
A moda alternativa existe há pouco mais 30 anos e atualmente está no seu auge de fabricação em massa, variedade e acesso ao público. As marcas se desenvolveram muito na última década com a ajuda da Internet e com a mão de obra barata de países asiáticos como Camboja, Vietnã, Paquistão, Bangladesh e Índia que confeccionam roupas e acessórios a preços extremamente baixos. Já a China fabrica de tudo um pouco e em muita quantidade e Taiwan produz a preços baratos imitações das marcas alternativas de Harajuko e de grandes grifes européias.
Até o começo dos anos 90 houve criação e inovação estética na moda alternativa. Mas de lá pra cá, pouco foi criado em relação ao que foi reciclado e torna-se cada vez mais comum a apropriação de tendências da moda dominante. Tínhamos a idéia de que criações alternativas são únicas, exclusivas e especiais, completamente ao contrário dos produtos massificados e produzidos em grande quantidade que as marcas “normais” tentam vender.
Com a moda alternativa sendo fabricada em grande quantidade e a proliferação das imagens das mesmas através de blogs, redes sociais e a Internet em geral, o que se vê é uma moda alternativa globalizada: a estética pin-up retrô se espalhou pra todas as áreas; dançarinas burlescas pipocam aqui e ali; todas as mulheres sonham com um corset; cabelos em cores fantasia estão mais populares do que nunca; tattoos de caveiras mexicana deixam todos com o mesmo desenho na pele; o Steampunk deu um salto de popularidade; moda inspirada em épocas antigas nunca esteve tão em voga. Todas as estéticas se proliferam num click! Todos querem ser diferentes, autênticos e individuais, mas aparentam mais iguais do que nunca antes foram.

Marcas Alternativas Desejando o Público Mainstream
Recentemente, uma corsetmaker alternativa, postou em suas redes sociais que estava super feliz porque Lady Gaga usou uma peça sua e isto poderia trazer muitos mais consumidores pra ela. Durante sua carreira, a estilista teve seu foco no público underground e alternativo. Qual o motivo de uma corsetmaker de sucesso no meio alternativo desejar que sua marca seja reconhecida pelo mainstream? Reconhecimento de seu talento e de suas peças? Isso ela conseguiu através dos anos na cena alternativa que divulga sua marca em diversas mídias. A resposta pode ser “satisfação financeira”.  Em nossa sociedade entendemos que ter sucesso ou ter seu talento reconhecido está ligado à dinheiro. Foi se o tempo em que corsetmakers criavam apenas pro mini-nicho do tight-lacing, para as góticas, se satisfaziam e viviam felizes contribuindo com o cenário alternativo underground. Hoje é preciso também desejar um público abrangente para que haja cada vez mais vendas.
Marcas alternativas de maquiagem como Stargazer, Illmasqua, Sugar Pill, Lime Crime, entre outras, tem estampado páginas de revistas mainstream. Será que há a possibilidade de que estas marcas optem por adequar parte de seus produtos ao mainstream para alavancar vendas?

A Moda Alternativa Copiando A Moda Alternativa, alguns exemplos:



- A moda de rua japonesa influencia a moda alternativa européia e americana. O que se vê nas ruas de Tóquio, alguns meses depois terá sua versão européia/americana; com tecidos diferentes e modelagem adaptada ao corpo ocidental.






- Uma marca asiática faz vestidos aos estilo 50 e tem escritório em Londres. Estes vestidos de estética retrô fabricados em massa são vendidos em lojas alternativas americanas, inglesas, alemãs, polonesas, suecas, australianas e lojas brasileiras que as importam. Praticamente todas as lojas, independente do país vendem as mesmas peças. O sucesso foi tanto que outras marcas alternativas passaram também a fazer vestidos retrôs em grande escala como forma de  concorrência; mesmo que algumas destas marcas sempre tenham tido foco na moda gótico-romântica...



- Iron Fist: A marca seguiu o princípio do conceito da moda alternativa que é: “criar algo novo ou ousado”. Criou sapatos de salto fino estampados. E claro que deu certo! Não havia algo semelhante no mercado! O público alternativo quer coisas diferentes! Por conta do sucesso dos produtos da marca, várias marcas alternativas copiaram a idéia da Iron Fist. Inclusive marcas cuja estética sempre foi focada em plataformas darks e futuristas que nunca focaram em salto fino por ser “mainstream e normal demais”.


- Um caso dramático já abordado aqui no blog, um caso de cópia não apenas de uma idéia, mas da assinatura de um estilista, o “corset camafeu” de Louise Black. Lojas européias e asiáticas já produzem diversos produtos (bolsas, blusas, cintos) oriundos de uma criação única e original: o corset da Louise. Não é bizarro que a própria Louise não fabrique as bolsas, cintos e blusas de “corset camafeu” e sim outras marcas que apenas pegaram a idéia e copiaram? A artista que teve a idéia inovadora não está lucrando nada com isso, já que ela optou por trabalhar com peças exclusivas e sob medida e não com fabricação em massa como as cópias que visam o lucro.
  - Project Runaway e Louse Black
  - Cópias na Moda Alternativa

Devemos considerar estranho ver uma marca alternativa copiando outra marca alternativa, ou esta atitude tão “moda dominante - lucro a todo custo” veio pra ficar? Não é no alternativo em que a criatividade total e sem amarras é liberada? Porque uma marca alternativa copia a outra? Creio que pela certeza de retorno financeiro já que é comprovado que determinada estética vende. Copiar o que deu certo com outra marca, fazer sua versão e vender, independente de ser um produto autoral ou não. Todos querem um pedaço do sucesso (e vendas) alheio. 

Concluindo:
Já debatemos muito neste blog que na era pré Internet era mais difícil encontrar roupas alternativas, tudo evoluía de forma forma lenta, embora existissem estilos variados. A Internet melhorou a comunicação e divulgação, temos acesso à todo tipo de informação e imagem. Há estilistas alternativos criando produtos super diferenciados e criativos e enquanto eles não caírem nas redes sociais e forem compartilhados ao extremo, sua arte será única e não massificada. A partir do momento que um público maior as conhecer, as cópias serão inevitáveis.
No Brasil, temos como referência de moda as tendências estrangeiras. Sempre foi assim porque eles são uma temporada à frente de nós. O mesmo acontece com a moda alternativa/underground: copiamos o que eles produzem. Mas não precisa ser assim, a Austrália, embora sofra influencias da moda européia e japonesa, é um país de clima peculiar e sua moda alternativa tem várias características próprias, adaptadas ao clima e ao público. O mesmo fez a Alemanha, Inglaterra e EUA que criaram versões para a moda de rua japonesa adaptados ao público e às particularidades climáticas de seus países. E no Brasil, espera-se que este seja o futuro de nossa moda alternativa, olhar pro exterior, mas criar de forma autoral, de acordo com nossos hábitos, clima e nossa criatividade sem esquecer do empreendedorismo, característica fundamental de líderes de negócio.

A criatividade deve sempre avançar e não regredir nem estagnar. O consumo da moda das subculturas deve ser um reflexo da criatividade e originalidade do público e não um consumo baseado na fuga de problemas, na ilusão de que um produto vai te fazer ser que não se é, essa é uma característica de consumo da cultura dominante.
Mas uma coisa eu sei, é característica do underground se refazer de tempos em tempos e sempre surpreender com algo nunca feito antes.


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18 Comments

  1. É bem complicado isso, infelizmente todo mundo depende do dinheiro na sociedade moderna... muitas vezes as subculturas possuem publico restrito e não dão o retorno financeiro necessário no quesito vendas... é aí que as pessoas acabam "se vendendo". Não culpo, porque que opção elas tem? Estamos aprisionados no nosso próprio sistema! Podemos discordar, odiar e criticar... mas no fim todo mundo precisa pelo menos pagar as contas básicas.
    Sobre as petticoats por enquanto só tenho esses 2 looks, estou meio corrida com a faculdade mas depois vou fazendo outras peças com mais calma.
    Bjs!

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    1. Oi Dhy! Entendo seu ponto de vista como dona de marca. ^^
      Mas é nestas que se vê que talvez o conceito da Monocultura não seja tão absurdo quanto parece, tem um fundo de verdade.
      A meu ver, é apenas no underground e nas marcas que insistem em ser undergound que ainda encontramos traços fortes dos primórdios do conceito do alternativo. =)
      Bjs

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  2. Oie Sana,
    Acho que não é nem só a questão de marca, tenho muitos amigos que acabaram mudando o visual porque precisavam de um emprego por exemplo.
    Mas sabe que percebi que muita gente pensa diferente, é alternativo e não está explícito, conversando com as pessoas acabei conhecendo muitas que possuem a mesma linha de pensamento mas por x ou y não podem externalizá-la (na forma de se vestir por exemplo)... pode parecer bizarro mas é uma coisa muito interessante de rempente começar a encontrar os diferentes "disfarçados de socialmente aceitos"... como eu brinco agora que estou loira "esse é meu disfarce de pessoa normal" rs
    Bjs!!

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    1. É isso mesmo que comentei com a Emilia no post passado, de como em 30 anos o comportamento alternativo mudou!
      Imagina quando se assumia ser um rocker ou um punk nos anos 50/70: era-se expulso de casa, ninguém dava emprego, não se topava amenizar o visual de jeito nenhum. Nestas décadas recentes essa atitude mudou, hoje todos topamos nos amenizar pra poder trabalhar; apenas os que insistem a permanecer no underground se mantém nessa de não aceitar a amenização.
      Claro que, depende de qual subcultura a pessoa é parte/se identifica. Como já comentaram nos outros posts, há subculturas que não focam em visual só em ideologias ou estilos de vida, pra estes, é bem mais fácil ainda se disfarçar "de normal" rsrsrs! =D

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  3. oi Sana! Muito boa essa série de posts.
    Percebo duas coisas.

    Primeiro me parece que o capitalismo nunca esteve tão selvagem, as pessoas loucamente fazem de tudo apra alcançarem o que desejam, mesmo que tenham que deixar completamente de lado a ética e a moral. Acredito que esse comportamento chegou nesse ponto por um motivo, nunca a sociedade foi tão individualista. As pessoas se isolaram em seus cantos (trabalhando ou se divertindo no seu computador).
    Esse comportamente acaba destruindo o conceito de coletividade, de que existem outras pessoas ao redor que precisam também sobreviver como vc.As pessoas não são vistas mais como iguais mas sim como concorrentes, existe então uma idéia de "tenho que passar por cima dele antes que ele o faça comigo".

    E o segundo ponto que percebo muito é uma espécie de "preguiça" e "medo" de lutar pelo que se acredita. como vc mesma falou, antigamente os Punks eram expulsos de casa, não podiam trabalhar e era bem mais complicado antes. Mas as pessoas naquela época, batiam o pé e faziam o que achavam certo, protestavam, e faziam questão de mostrar que não concordavam com o que era imposto pela sociedade. Hoje não vejo as pessoas tomarem atitudes, muitas vezes já vem com discursos derrotistas do tipo " ah! que diferença vai fazer?" ou "é melhor não, se não posso perder meu status social..." ou coisas do gênero.
    Elas sempre deixam passar ou arranjam uma forma de se adequar sem perder muito a identidade, mas já perdendo, pela falta de atitude.
    =/

    Espero que não tenha sido muito agressivo o texto, mas como vc já sabe, olhar para a forma que as coisas caminham, me angustia muito.

    Beijos!
    Realmente gostei muito do seu post =)

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    1. Oi Rebecca!
      Rsrsrss! É, a moda alt. abraçou o capitalismo selvagem! (salvo excessões)
      O individualismo está muito forte mesmo e principalmente a questão do status através das roupas e produtos que se compra também parece ter crescido.

      Não achei seu texto agressivo, mas compreendo a angústia que você sente, é aquela coisa da "rebeldia interior" que nunca morre que nos faz sentir angustiado. ^^

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  4. Olá ^^
    O começo do texto me lembrou um livro que eu estou lendo chamado "O Império do Efêmero" e uma das características que o livro fala sobre a moda é que ela é cheia de antíteses,com o encontro do "fútil mas do cultural" e tantas outras.Acredito que no capitalismo é de suma importância ter dinheiro no final do mês para pagar as contas,o problema é que alguns blogs se deixam a mostrar apenas pelo lado "luxuoso" e algumas vezes o leitor não vai se lembrar que é preciso ralar muito para comprar tal produto,assim como o capitalismo manda.
    Acho que é importante para um estilista ou uma marca mesmo ganhar com suas obras mas como se é de tempos e tempos e como já dizia uma frase parodiada de um filósofo...infelizmente..."nada se cria,tudo se copia" pois a partir do momento que tal coisa faz sucesso...de acordo com a lei de oferta e procura,mais gente procurará e assim mais vão faturar e mais copias vão surgindo.
    Agora o caso da hibridação...se puder chamar assim...entre alternativo e mainstream é algo que eu aprovo em partes,pois assim como disse a "lógica da moda" como o livro citado acima diz,são quase que "antíteses" mas o que me impressiona mesmo é a falta de criatividade...se puder chamar assim e as cópias de tantas marcas e grifes e tudo mais.
    Infelizmente com a globalização...posso dizer que "nada é de ninguém".
    Gostei muito dessa série de posts.
    Beijos :D

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    1. Pois é Tsuki, O Império do EFêmero é um livro de leitura obrigatória pra quem estuda Moda, a gente já lê ele logo no primeiro ano do curso e carrega ele embaixo do braço a faculdade inteira rsrsrs!
      Como o próprio Império do Efemero e você diz, na Moda "normal", isso é natural: o descarte, a futilidade.
      Mas e porque a Moda Alternativa abraçou isso? Porque agora na moda alternativa "nada é de ninguém", mais do que nunca?
      É impressionante como principalmente nessa última década, a moda alternativa está cada vez mais se parecendo/se comportando com a moda normal. ^^

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  5. Temos que considerar que a forma como as pessoas se relacionam com o alternativo também mudou, como foi comentado no texto, um punk nos anos 70 era completamente diferente de hoje...mas por que? Antes a estética servia a uma ideologia...hoje é só a estética por ela mesmo, sem ideologia nenhuma ;(

    A maioria das pessoas muda de estilo, mas não de mentalidade...muitos dos que se dizem ligados a um "meio" underground continuam com uma lógica de consumo/comportamento do mainstream (ou seja, capitalista/materialista ao extremo)! Como o interesse pelo undergraund será efêmero, é desta maneira que eles vão se relacionar com a moda alternativa, infelizmente muitas vezes tratada como "fantasia". Por que as marcas vão se comprometer com qualidade se não é isso que o publico procura? Ao menos essa é a realidade que eu observo em Porto alegre, e aqui no RS de modo geral!

    Muito bom os posts! Discussão super pertinente. Que bom que temos ainda alguns (poucos) espaços na blogosfera comprometidos com conteúdo e não apenas com anúncios! Alias esse assunto valia um estudo antropológico...
    quem sabe um dia ^^

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    1. Oi Jaque =)
      Mudou mesmo! Hoje tudo é mais rápido, mais efêmero mais voltado à consumo, são reflexos de nossa época, da sociedade com um todo.

      Que bom que gostou do tema! Também acho que valia um estudo sério sobre o tema com muita pesquisa de campo, entrevistas, observação de público, análises de consumo...

      Bjs!

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  6. isso que a rebecca comentou faz muito sentido e os dois conceitos acabam se justificando... como vamos lutar por um movimento se hoje somos extremamente individualistas?!!

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    1. É verdade... é a tal "monocultura" citada no texto anterior, cada vez mais individualistas devido à internet e ao prazeres efêmeros...

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  7. Queria parabenizar o blog pela sequencia de posts. Além de terem sido bem escritos nos fazem sobre muitas questões envolvendo alternativo e mainstream.

    Tudo parece mais aceitavel atualmente. Se tornou facil para a maioria, principalmente para um galera mais nova, ser rebelde e "diferente". Ser alternativo se torno discurso.

    Tenho que dizer que esse assunto até me deu ideia para o meu tcc.

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    1. Obrigada Mari! Foi uma pesquisa exaustiva de meses, muita leitura, resumos e mais resumos até chegar num ponto em que a escrita ficasse fácil de ler e entender, sem rebuscamentos. Até gostaria de ser mais sucinta mas eu gosto de passar informações, detalhes e (in)felizmente os textos ficaram grandes, mas bem... pelo menos eu sei que quem teve a disposição pra tirar 15 minutos e ler tudo é porque se interessou pelo tema. =D

      O mainstream sempre sugou o alternativo mas em tempos recentes isso se tornou imensamente normal e em mais quantidade e frequencia.

      Que ótimo que te deu idéia pro seu TCC, como a Jaque escreveu ali em cima, daria um belo e aprofundado estudo aos que tiverem tempo e disposição pra pesquisar esse assunto tão amplo!

      Bjs!! ^^

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  8. Olá novamente. ^^
    Não sabia que esse livro era uma leitura obrigatória na faculdade de moda,resolvi ler pois pretendo trabalhar nessa área de estética,mas eu faço faculdade de filosofia e estou tentada a fazer uma pesquisa no futuro sobre esse tema.^^
    Como comecei a ler/pesquisar agora,talvez a moda alternativa esteja tentando entrar nesse tipo de "estágio" se puder chamar assim,por causa do próprio capitalismo.
    É engraçado falar isso pois para mim a moda alternativa,até onde eu sei pois sou muito nova,é como o termo diz,é alternativo as coisas que a moda mainstream impõe para nós.
    Novamente,parabéns pelos posts.
    Beijos. ^^

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    Respostas
    1. Exatamente! Se ela é "alternativa" porque está tentando entrar nesse tipo de estágio? A moda alternativa é muito ampla mas basicamente seria uma moda que não acompanha a estética da moda dominante e tem uma liberdade criativa absoluta enquanto que a liberdade criativa da moda dominante é podada pelas "tendências".

      Sim, O Império do Efêmero é um livro que mostra bem como a moda funciona na pós modernidade, é um reflexo do consumo e da imagem na sociedade pós guerra, uma referência pra quem trabalha/estuda moda. =)

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  9. É bem isso, Sana, aquela rebeldia interior que me move as vezes =)
    O que acaba me consolando as vezes é pensar que da mesma forma que as coisas são efêmeras, essa mentalidade e comportamento também será. Afinal de contas pode-se observar na história que até comportamento das pessoas tem seus resgates adaptados para o momento em que se vive.

    As pessoas se tornaram individualistas, mas espero muito que chegue o momento em que todos se cansem disso e encontrem o equilíbrio se unindo contra esse comportamento de devastação =).

    Vou atrás desse livro que você comentou, provavelmente devo encontrar em algum sebo (espero =] )
    Beijos!

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  10. As pessoas e muitas marcas infelizmente estão sem "originalidade" e visam apenas o consumo.

    Muitos que tem talento e criatividade acabam sendo prejudicados por, digamos, uma "pirataria da moda"...é o famoso inspirado ou cópia mesmo só que em grande escala e com qualidade menor.

    Vale apena pagar caro por uma peça exclusiva, mas como vc mesma já falou num post anterior, tem gente pagando caro por peças de menor qualidade, massificadas, sem perceber que nem se comparam com as originais.

    bjs e paz!

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