.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: Entrevista: MAD Alternative Models (agência de modelos alternativas)

9 de novembro de 2015

Entrevista: MAD Alternative Models (agência de modelos alternativas)

Existe grande interesse pela atividade de Modelo Alternativa/o aqui no Brasil mas infelizmente, pouco mercado (ou disperso) e pouca informação disponível. Pensando nisso, publico uma recente entrevista que fiz com Estrella, uma das responsáveis pela agência MAD Alternative Models, pioneira nesse segmento por aqui e que pretende ser um local que reunirá e intermediará o contato entre modelos e empresas interessadas. O agenciamento é um dos caminhos para a profissionalização da atividade.
Na entrevista diversos pontos são abordados, incluindo
como participar da seleção para o casting da MAD Alternative Models. Fiquem agora com a entrevista e depois nos contem se vocês são ou tem interesse em ser modelos alts e o que acharam da proposta da agência.


 
MdS: A MAD Models veio para suprir um nicho do mercado no Brasil. Como e quando foi que você teve interesse em trabalhar com esse segmento?
Estrella: Estilos alternativos e contracultura sempre foram assuntos de meu interesse, desde que eu me descobri parte desta vertente social. A ideia inicial da MAD Alternative Models surgiu em 2013 em razão de meu convívio com pessoas de diferentes gêneros e idades que adotam diversos estilos pelas ruas mais populares de São Paulo. Ao conversar com estas pessoas, percebi que haviam muitos procurando oportunidades de trabalho que explorassem e exibissem positivamente suas peculiaridades físicas, e que alguns inclusive já haviam procurado se agenciar em agências convencionais sendo dispensados justamente por causa das modificações corporais. A MAD Models visa aproveitar a oportunidade de inovar no mercado de comunicação e da moda, abrindo uma porta às pessoas alternativas que estão procurando uma chance de trabalhar através de expressão corporal, estilo, gênero e individualidade.

Quais são os pré-requisitos básicos que um candidato ao agenciamento precisa ter, qual é o critério de seleção? O que uma modelo alternativa precisa ter em mente sobre o trabalho?
Ao avaliar aspirantes a modelo para seleção, levamos em conta qualidades como visual (roupas, cabelo, modificações, etc.), atitude e aptidão em frente às câmeras. O mais importante, porém, é quão bem esta pessoa consegue demonstrar a qual estilo pertence. Todo MAD Model deve trazer algo diferente e único para a agência, fazendo com que cada modelo tenha sua singularidade. X candidato deve ser uma pessoa dotada de autoconfiança no que faz e no que veste, pois este trabalho inspira as pessoas a seu alcance a tomar decisões semelhantes e adotar um estilo de vida que realmente queira e tenha significado para si. Xs modelos tem uma função técnica, que é cumprir sua tarefa profissional de maneira eficaz, seja ela em passarela, fotografia, vídeo ou evento, e outra função mais implícita, que ocorre quando o talento de X modelo excede o necessário para os trabalhos e ele acaba se tornando um ícone inspirador de uma geração. Seja em pequena ou larga escala, inspirar pessoas é influenciar pessoas, é uma tarefa de responsabilidade e deve ser lidada com consciência.


Qual a demanda do mercado publicitário e de eventos no Brasil para as pessoas alternativas? Está aumentando o interesse pela diversidade estética?
Pelo que pudemos perceber em um ano de mercado de trabalho, o mercado alternativo está crescendo consideravelmente em torno da cultura da tatuagem (empresas de moda, acessórios, barbearias, revistas e mídia, entre outros), porém ele está pouco mesclado com os mercados que atingem as massas. Empresas do mercado alternativo são mais propensas a contratarem nossos modelos do que empresas tradicionais, e queremos mudar isto. O interesse pela diversidade estética cresce junto com a condição mais maleável da sociedade atual que não mais teme e passa a entender o que é diferente, porém ainda está longe de ser o ideal. Estamos caminhando para que possamos contribuir ao misturar a contracultura e o alternativo na mídia de massa, representando com mais precisão a geração atual.

No Brasil, temos pouca mídia (blogs, revistas, sites) com foco em moda alternativa ou editoriais, que seriam espaços onde modelos alternativos teriam participação. E poucas lojas que podem arcar com cachê. Em contrapartida, temos centenas de eventos alternativos de grande público cujos flyers estampam modelos gringas. Como reverter esse cenário?
Todo mercado e/ou sistema que funciona há um certo tempo de modo estável mostra-se resistente a acatar mudanças. Contar com o que é “garantido” sempre parece ser a opção mais simples para se obter sucesso. Para que uma inovação seja aplicada com eficácia, ela deve vir acompanhada de fatores socioculturais que as fortaleça, mas não veremos nada acontecer se não tomarmos atitudes atrevidas. Considerando que nosso movimento pela quebra de estereótipos está em fase inicial, buscamos poder contar com a força de empresas aliadas do mercado alternativo que compartilham com nosso objetivo e também de movimentos sociais, como, por exemplo, o feminismo, que se mostra mais relevante e tem voz mais alta a cada dia. Se pudermos contar com o apoio destes, sempre dando o melhor em nosso serviço e mostrando que ser modelo não é ser um cabide, e sim alguém inspirador e cheio de atitude, gradativamente conseguiremos força para reverter este cenário que boicota tantas oportunidades promissoras.


Você cita o feminismo como uma possível ferramenta de mudança e empoderamento, como você enxerga a objetificação do corpo feminino seja por sites ao estilo Suicide Girls, por fotógrafos (homens) ou por aspirantes a modelos que pensam que essa é uma forma mais "rápida e fácil" de ganhar popularidade? Você tem uma preocupação em selecionar trabalhos que não objetifiquem tanto as meninas ou isso ainda não é possível?
O feminismo é uma ferramenta importantíssima para o empoderamento da mulher e dos outros gêneros que são minoria, e acredito que o trabalho da agência MAD em promover a beleza sem padrões está de mãos dadas com a causa. Por outro lado, não vejo o trabalho de empresas como a SG como algo equivocado, pois é da escolha da mulher modificar e exibir o corpo como quiser. O errado é generalizar, pois quando uma empresa de apelo sexual cresce tanto que domina a visibilidade às massas, os "não entendedores" passam a julgar todas as mulheres tatuadas da única forma que já viram e o preconceito cresce. A MAD foca em ser o mais neutra possível no processo do agenciamento para que no catálogo as modelos sejam vistas sem apelo sexual, e que sejam apreciadas e possivelmente contratadas pelo seu estilo e individualidade. Se elas eventualmente forem chamadas para trabalhos de ensaios nus/seminus, ou eventos que as exibam em roupas curtas, cabe a cada uma decidir se aceita ou não a proposta. É uma escolha particular e a agência não interfere nisso, apenas intermedia os trabalhos.

De uns anos para cá, tem se criticado que modelos alternativas de sucesso estão cada vez mais padronizadas, com aparência de modelos mainstream (magras e brancas) sendo que o grande lance de ser alternativo é não seguir padrões corporais e estéticos. Enquanto isso, grandes agências mainstream tem contratado pessoas diferentes para ser modelos. Você acha que essa padronização ocorre porque o meio alternativo está muito influenciado pela cultura mainstream, por preconceito ou por algum outro motivo? E será que o mainstream tem percebido um "algo a mais" nas pessoas diferentes que o meio alternativo tem descartado?
Acredito que a quebra de padrões está acontecendo de modo gradativo. Por exemplo, o sucesso da predominância de tatuagens, piercings e cabelos coloridos nas modelos “magras e brancas” em empresas como Suicide Girls, apesar do foco no apelo sexual, foi o início do interesse pela cultura alternativa na mídia de massa e da construção do valor agregado ao status de ser modelo. Atualmente, está se estabilizando um grande interesse pelas modelos plus size, pois está acontecendo uma revolução em relação a este tópico (vide revista ELLE com a campanha #VocêNaCapa e sucesso da modelo alternativa americana Tess Holiday). O que acontece na moda e na sociedade não dependerá apenas da MAD, e sim de um grande movimento no qual pretendemos estar fortemente presentes. Ao crescermos como empresa, teremos um alcance social maior e maior influência na mídia. Conforme isto acontecer, temos o objetivo de implantar a liberdade da beleza saudável, o valor da autoestima e o bem-estar que ela proporciona.


_ _ _

Esperamos que a MAD consiga atingir seus objetivos e trazer uma grande diversidade de corpos e estilos para seu casting. Se vocês leitores e leitoras tem interesse em participar da seleção para o Casting da MAD, entre em contato com a agência através do email (casting@madmodels.com.br) ou pelo facebook que, em seguida, um responsável responderá com o passo a passo para que sua candidatura ao agenciamento seja feita. 
E gostaria que vocês ficassem ligados no blog pois estou terminando um outro post sobre Modelos Alternativas que será publicado em breve.


*Todas as fotos são propriedade da agência Mad Alternative Models. As montagens foram feitas por mim.
 

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9 Comments

  1. Eu achei a proposta deles bem bacana!
    Já faz um tempo que conheci a MAD pelo facebook mesmo e fiquei interessada, mas é uma pena que eles trabalhem com pessoas só de São Paulo por enquanto.
    Quem sabe futuramente eles não abram uma filial por aqui ou então eu não vá para São Paulo, né... ^^
    Adorei a entrevista!
    E já fico no aguardo do próximo post sobre o tema!
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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    1. Mone, acredito que você não precise morar em SP pra fazer o teste de casting.
      Contata eles e eles vão marcar um data, no dia, você vai pra SP e faz seu teste. Se for aprovada, quando tiver trabalho com o teu perfil eles vão te chamar. Escreve pra eles e tira suas dúvidas, não perde a oportunidade ;)

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    2. Eu já fiz isso Sana ^^
      Na época que conheci a MAD eu entrei em contato com eles e perguntei se eles agenciavam pessoas de outros estados também porque eu era de Minas e tal. Mas eles falaram que era só com o pessoal de SP mesmo que eles estavam trabalhando. Não sei se agora isso mudou. ^^
      bjin

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    3. Mone, talvez isso se dê pela disponibilidade de tempo pra você chegar aos trabalhos. De qualquer forma, é ótimo ver que um primeiro passo já foi dado, vamos torcer pra dar certo e pro conceito se espalhar. :)

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  2. Conheci a MAD por meio da Akasha, e apesar de ainda termos (nós alternativos) muito a conquistar,ter uma agência direcionada a esse tipo de modelo já é um grande passo.O que é uma conquista,é poder mostrar ao Mundo (seja dentro e fora da subculturas),que não é preciso seguir um padrão para ter autoconfiança.Afinal de contas,somos pessoas com mentes e corpos diferentes.Ando lendo/assistindo muitas coisas sobre distúrbios alimentares e problemas psicológicos causados por padrão estético, e vejo o quão triste e difícil é a vida de uma pessoa,que tenta se encaixar a um padrão que não existe.Torço imensamente que esse tipo de proposta cresça, e que quebre os padrões impostos tanto no Mainstream como no Underground .

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    Respostas
    1. É um grande passo mesmo Marcela, vamos torcer pra dar certo e que a agência abrace mesmo as diferenças.

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  3. É maravilhoso saber como a estética alternativa vem crescendo no Brasil, um país discriminante e preconceituoso... É inspirador! ♥

    Adorei a entrevista. No aguardo para a próxima publicação sobre o assunto.

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    Respostas
    1. Marcela, é verdade!
      Mas durante a divulgação da entrevista, já vi uns comentários de pessoas que não entenderam o conceito da MAD e nem de modelos alternativas, pelo jeito, precisaremos abordar esse assunto novamente porque no Brasil ainda falta muita informação!

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