.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: We Wear Culture: a ferramenta de Moda do Google e os erros a serem corrigidos

14 de junho de 2017

We Wear Culture: a ferramenta de Moda do Google e os erros a serem corrigidos

Essa semana a timeline foi cheia de compartilhamentos sobre a mais nova plataforma do Google, a We Wear Culture. Trata-se de um espaço onde história e cultura de moda podem ser acessados por qualquer um interessado em saber mais sobre os temas. No entanto, há um erro pavoroso que tem deixado historiadores de moda muito incomodados e observei também na questão da subcultura punk, a inserção de um vídeo polêmico.



O que é We Wear Culture
Segundo o próprio Google, o We Wear Culture trás informações sobre "3.000 anos de moda" para contar as histórias que estão por trás do que vestimos. Isso foi possível com a digitalização de acervos dos maiores museus do mundo, parte deste acervo não é exposto ao público e agora ganha visibilidade através da internet. Existem artigos ao estilo que fazemos aqui no Moda de Subculturas e no História da Moda, contando a história de itens de moda e possui também vídeos educativos com a intenção de mostrar para o mundo que moda é cultura.



3.000 anos de história da Moda?
Aqui lanço minha crítica e a de historiadores de moda: foi divulgaldo uma informação imensamente errada de que moda existe há 3 mil anos. Acredito no intuito de chamar a atenção, de causar sensação, de mostrar a grandiosidade do projeto, mas é válido ensinar errado as pessoas e os estudantes que usarão o site como referência?

Se você é interessado em moda, já deve ter visto por aí alguns textos ou livros escritos assim "história da indumentária" ou "história da indumentária e da moda". A indumentária é influenciada pela sociedade em que está inserida, já a moda é um fenômeno social surgido no fim da Idade Média ligada ao surgimento da burguesia e da diferenciação de classes sociais. Então queridos leitores, a Moda não tem três mil anos de idade, vamos deixar isso claro.




Punk: confiável ou desconfiável?
Minha segunda observação é um artigo sobre o Punk que lá está disponível. A matéria não tem tanto texto quanto as outras matérias de moda (mas você pode conhecer a história do Punk através de nossos textos clicando aqui) e sim vídeos. É aqui que entra meu questionamento pois os vídeos do Capitain Zip lá indicados como referência  são controversos.
Capitain Zip alega que seus vídeos foram feitos em 1978, no entanto várias pessoas (punks inclusive) apontam discrepâncias entre as roupas vistas nos punks e as lojas presentes no vídeo, contestando a data divulgada. E uma das comprovações disso seria uma cena em que aparece ao fundo a loja World´s End de Vivienne Westwood que só abriu suas portas em 1980.

Para aqueles - principalmente estudantes - que buscam fontes confiáveis para seus trabalhos de subculturas, é bom dar uma consulta dos livros de história da moda disponíveis conferindo informações que lhes causarem dúvidas. 


Particularmente adorei as seções sobre moda asiática e afro americana, pois são áreas que praticamente não temos material em português.

Desde o começo do blog gosto de mostrar o outro lado da moda, o lado "com conteúdo", o lado com história, com cultura. Moda pra mim é muito mais do que a roupa em voga momento, por isso ler informações incorretas sobre o tema me incomoda tanto, entendo o poder da comunicação e sei que uma informação errada ferra o trabalho certo de muitos que estão nos bastidores querendo mostrar a importância desta área tão incrível.

Você já deve ter visto em algum lugar - talvez até aqui no blog mesmo - a roupa sendo usado como reflexo de uma época ou de uma situação. Lembra das postagem das Sufragistas? Ou da relação da moda com o feminismo? Quem lembra de nosso post sobre o preconceito com a Melissa Ballet? Você já foi à um Museu e saiu de lá sabendo coisas novas? Com a Moda é assim também, quando você liga moda com cultura, sua bagagem de conhecimento cresce! Só que moda tem seu lado efêmero sim, não à toa tantos modismos, tantas discussões sobre a necessidade de adotar o Slow Fashion. Só não podemos pensar que moda é futilidade, é reducionismo demais. Então,

que venham logo as atualizações do We Wear Culture
com o conteúdo corrigido e ampliado!



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