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30 de dezembro de 2020

Entrevista com a modelo alternativa Sarah Amethyst - "não resisto ao caricato e ao exagero"

Sarah Amethyst, 25 anos é produtora de moda e uma das principais modelos alternativas da atualidade, tem como marcas a versatilidade e a criatividade. Nessa entrevista exclusiva cedida em 2019 para a edição comemorativa dos 10 anos do blog Moda de Subculturas, ela revela detalhes de seu processo criativo, de seu desenvolvimento estético e pessoal. Entrevista feita por Sana.


Créditos das fotos:

Modelo: Sarah Amethyst: @thequeenofhurts
Fotos: Carol Sakuma @carol_sakuma e Matheus Pinheiro @omatheuspinheiro
Cabelo: Rodrigo Lima @rodrigo.circus e Ellen @thehellstylist
Maquiagem: Rafaella Saldanha @ellasaldanha
Assistentes: Patricia Saito @patisaito e Ilka Rehder @starduztz


Como foi sua inserção na cultura alternativa?

Isso já faz tanto tempo que eu sinceramente não consigo puxar um ponto exato na memória, mas lembro de desde muito nova sentir uma sensação de deslocamento muito grande que e que essa sensação de inadequação me levou a ler, ouvir, assistir e conhecer outras coisas. “Tudo que amei, amei sozinho”, sabe? Sempre fui muito de ler e utilizei muito bem a era da internet pra procurar (e criar) um mundo com o qual eu me identificasse. Muito nova me lembro de ser fascinada por figuras excêntricas como a Elke Maravilha, Brody Dalle, Siouxsie, as drags brasileiras, mulheres como a Dita Von Teese, os trabalhos da Vivienne Westwood, esbarrar no Visual Kei e cultura pop japonesa, sua moda de rua, as subculturas, a cultura LGBT. Foi um abrir de olhos muito grande encontrar pessoas que também eram esquisitinhas e que criaram a si mesmas do jeito que queriam, que eram bonitas segundo seu próprio parâmetro. Uma vez que pintei parte do cabelo de colorido (isso aos 11 anos) nunca teve volta, só fiz puxar o fio cada vez mais.


Por que “Sarah Amethyst”/Haus of Amethyst? Conta a história de seu nickname!

O Amethyst é pela minha identificação com a história da pedra ametista ao longo do tempo: Tradicionalmente as pedras eram divididas entre preciosas e semipreciosas. As preciosas são rubi, esmeralda, safira e diamante, mas a ametista já fez parte dessa categoria como uma grande favorita e podia ser encontrada em joias importantíssimas como as da coroa britânica, por exemplo. Ela perdeu seu posto quando grandes jazidas foram encontradas no Brasil e isso diminuiu seu valor de mercado. A pedra continuava a mesma em beleza e propriedades, a única coisa que mudou foi a percepção das pessoas sobre ela.

Eu sou uma pessoa comum, não nasci princesa, herdeira, predestinada a grandes feitos, excepcionalmente bonita ou habilidosa nem nada do tipo. Nunca fui considerada um ‘diamante’ pela vida, mas isso nunca me impediu de brilhar e de fazer o que eu queria: eu me construí, preguei strass, costurei, maquiei, posei e improvisei até chegar onde estou. O valor que as outras pessoas me deram, seja ele alto ou baixo, nunca definiu o que eu poderia ser. A Haus nasce daí, também, dessa vontade de mostrar pra quem me acompanha que ninguém precisa nascer diamante pra poder se permitir ser o que quiser. Somos pessoas comuns se criando de maneiras fantásticas e brilhando na feirinha hippie da mesma forma que brilharíamos pra rainha, igualzinho uma ametista que, aliás, é a pedra da transmutação e transformação. Todo mundo que tiver a vontade de se criar e transformar é bem vindo na Haus of Amethyst.


Quando foi que você desistiu de estilo mainstream e resolveu abraçar o alternativo? Com quantos anos você descobriu seu estilo?

Eu comecei a experimentar bem novinha (lá pros meus 11 anos) mas jamais descobri meu estilo: sigo descobrindo ele a cada dia e a cada dia ele se reinventa. Eu acho que nunca desisti de ter um estilo mainstream porque a última vez que tive um era quando a minha mãe me vestia. Nunca foi uma escolha minha. Assim que eu comecei a ter minha autonomia e a escolher as coisas que usava foi quando eu comecei a criar asas pra voar.




Por que escolheu a graduação em Moda? O que achou do ensino?

Eu brinco que não escolhi a moda, a moda me escolheu. Nos meus primórdios eu era muito envolvida com a moda de rua japonesa e isso numa época onde não havia facilidade na importação e nem lojas nacionais especializadas. Eu desenhava meus croquis sonhando com as coisas que não conseguia vestir e gambiarrava todas as minhas produções, fui adquirindo prática e referência. Não sei exatamente quando foi, mas um dia percebi que essa construção era uma parte tão imensa da minha identidade que eu não conseguiria abrir mão por um emprego convencional e tinha que encontrar um lugar em que eu pudesse explorar isso: a moda apareceu como consequência: eu já tinha algum conhecimento e gostava, por quê não?

O ensino foi bem abrangente, na verdade. Claro que tenho minhas críticas, mas num geral a faculdade me ensinou um pouco de tudo na área da moda. Meu ensino foi mais voltado pro lado comercial, então senti falta de poder ser mais liberal com as minhas excentricidades e conceitos (que é justamente onde eu brilho), mas levando em consideração o fato de que eu não quero passar fome pra mim tá ótimo.


Como foi o processo de pesquisa acadêmica do seu TCC e qual o tema?

Foi a subversão da moda histórica através da moda alternativa: em linhas gerais, sobre como a moda histórica traz certos itens que funcionam como identificadores sociais de poder/riqueza e como esses itens muitas vezes restritivos ou considerados exclusivos são subvertidos como signos de identidade/inconformismo pela moda subcultural depois. Tem toda uma problemática sobre como é a transição da pessoa alternativa da adolescência pra idade adulta, como a sociedade coloca a identidade alternativa como ‘coisa de jovem ‘, em como é frustrante deixar a identidade que se construiu a adolescência toda para trás e em como remendar essa frustração através de roupas mais adequadas a rotina adulta sem perder a questão da identidade visual. Sinceridade? O tema foi aceito aos trancos e barrancos, todo mundo me falava que dava pra fazer e era ousado mas que ia ser pedrada primeiro porque eu claramente sou ligada ao tema e meu próprio público-alvo (tabuzíssimo) e segundo porque a visão que a academia tem da moda alternativa muitas vezes não condiz com a experiência que nós, inseridos nas subculturas, temos. Aliás, a palavra ‘subcultura’ é outro tabu. A pesquisa acadêmica felizmente contou com uma orientação competentíssima que me ajudou a encontrar material, mas muitas vezes o material de fato contradizia minha experiência: tipo a vez em que estava procurando referências sobre as lolitas e um dos poucos livros que as mencionavam por meio parágrafo chamavam a moda lolita inteira de ‘lolitas góticas’, termo tosquíssimo e datado que ignora a existência dos outros trocentos subestilos lolita e tradução que causa tremedeira em qualquer pessoa que já fez ou faz parte da comunidade. Quase tive um AVC mas sobrevivi e terminei o TCC (sem essa citação, claro. Tenho meus brios).


Como graduada em moda, você deve ter um olhar crítico ao tema, como enxerga a moda alternativa brasileira hoje?

Vejo que felizmente está em expansão. Já é um mercado melhor do que quando eu comecei. Aos poucos cresce a vontade do consumidor de entender melhor o que compra e há uma resposta legítima das lojas que se mostram mais profissionais e querem entender o consumidor, se preocupam mais com a construção de imagem de moda, qualidade das peças, produções fotográficas e mídias sociais como forma de se aproximar do seu público e apresentar a ele o melhor que podem oferecer. É muito incrível perceber que uns anos atrás a nossa mentalidade era ‘eu quero ter o que as gringas têm e nunca chega aqui’ e que agora o foco já não é mais tanto perseguir a tendência gringa, seguir a modelo gringa, querer o sobretudo de inverno da modelo gringa porque é sua única referência mesmo estando num país quente. Estamos conversando muito mais entre nós, tendo referências brasileiras, seguindo modelos brasileiras, desejando peças brasileiras. Finalmente começa a aparecer a vontade de criar pro nosso público levando em consideração o nosso clima e particularidades e eu estou amando cada segundo.



Por que e quando decidiu se tornar modelo alternativa?

Já na era das camerazinhas mequetrefes de celular eu decidi registrar algumas coisas que eu fazia de maquiagem e experimentações de moda pra mim mesma, só pra guardar minha evolução. Fui me soltando, postando pros amigos e depois de um tempão (anos mesmo) alguns acabaram entrando pra ramos artísticos e queriam colaborar comigo, conheci gente na internet e trombei fotógrafos que me chamaram pra posar as primeiras vezes bem naquele esquema me-ajuda-que-eu-te-ajudo. Peguei gosto. Lembro de que na adolescência eu era muito parada na rua por gente que fazia pesquisa pra marcas e pelos ‘coolhunters’ (aquele pessoal que caça tendências e tira fotos de looks interessantes nas ruas pra repassar o que viram pra designers de moda criarem em cima disso) e comecei a pensar: se todo mundo tá ganhando e criando em cima do meu estilo, por que eu mesma não faço isso? Daí foi ladeira abaixo, corta pra 2019 e eu estou aqui hoje dando uma entrevista pra você porque decidi fotografar minhas maquiagens de batom preto feito de lápis de olho e roupas de cola quente um dia


Você já usa cabelos coloridos há um bom tempo, o cabelo azul virou uma marca registrada. Conte sobre suas inspirações capilares e como desenvolve seus penteados e maquiagens.

Doze anos de colorido. Dia desses fiz as contas e percebi que meu período de colorido já é maior que o tempo que passei sem pintar, já tive todas as cores (exceto loiro) e embora azul seja minha favorita eu gosto de acreditar que minha marca registrada não é uma cor, é justamente a capacidade de usar os cabelos tão bem que aquilo imediatamente se torna parte da minha identidade. Minhas referências de penteado e make foram muito diversas ao longo da vida, mas sou muito inspirada por história da moda então viajar pelas eras é minha grande inspiração: todas as décadas do século XX, o período rococó, enfim, trazer o passado pro futuro e o futuro pro passado. O processo de desenvolvimento é mais um processo de adaptação na verdade, eu tô sempre buscando referências do que quero fazer e pensando em como adaptar isso pra mim e com o que tenho em casa, isso pra make e penteado. É quase impossível encontrar um tutorial que funcione pra mim por causa da franjinha e das laterais raspadas, daí preciso improvisar muito. Até penteado barroco já saiu nele, tudo é possível.


Seu trabalho era bastante associado à cultura pin-up e boudoir, o que te levou a partir pra um lado mais diversificado?

Na verdade foi bem o inverso. Eu comecei a fotografar sozinha na época em que eu era apenas uma jovem que cortava e raspava o cabelo multicolorido na pia de casa(um chanelzinho que parecia cortado no liquidificador com um moicano embaixo) e eu trazia com força essas referências new wave, góticas, pop art, drag, club kid, visual kei, lolita, tudo. Calhou de pin-up e burlesco ser realmente a última coisa que tive coragem de fazer porque não me sentia convencionalmente ‘bonita’ de um jeito adulto como espera-se de uma, foi a fronteira final que eu realmente só fui romper depois de um bom tempo (e justo na época onde eu estava me estabelecendo fotograficamente). O que faço hoje em dia na verdade é um resgate dessa força criativa diversa e dessas referências que eu tinha no passado, inclusive várias fotos de hoje são recriações de coisas que fiz nessa época. Ainda considero pin-up como meu carro-chefe atualmente e tenho fases de me empolgar mais com uma coisa ou outra mas eu quero sempre explorar e misturar todos os meus lados, pois são todos verdadeiros.




Você acompanha tendências e modas alternativas, desenvolvendo visuais ou ensaios com as novidades do mercado. Com tanta informação, como você arranja tempo de ser manter atualizada e faz a seleção de peças que valem a pena o investimento?

Eu só não jogo nada fora. A moda é muito cíclica, vez outra vejo uma peça que peguei pra mim do guarda-roupa da minha mãe nos anos 80 ascender ao posto de it-coisa e só dou risada. Meu acervo é até mais reduzido do que vocês pensam, ele só é extremamente versátil. Como uso redes sociais pro meu trabalho acabo sempre vendo o que o pessoal da minha bolha usa e não estou acima de ser influenciada pelo inconsciente coletivo e pelas tendências atuais (especialmente porque hoje em dia recebo coisas de lojas também), mas grande parte do tempo é mais um ‘nossa, eu tenho isso no guarda-roupa e esqueci!!’ e ‘dá pra fazer isso se eu juntar x e y que já tenho e fizer um acessório Z’ do que ‘preciso comprar.’ Aliás eu tenho ressalvas muito grandes em comprar coisas, sempre espero um período de pelo menos 3 meses pra decidir se eu quero realmente algo ou se só quero porque vi muita gente usar: enquanto isso pesquiso, vejo resenhas, pergunto a quem comprou se vale a pena.


Você desenvolve visuais inspirados na era Rococó, porque esse período te atrai?

Eu não resisto a um caricato e a um exagero, e esse período foi simplesmente insuperável. Até hoje fala-se do quão ultrajantes eram os trajes do período, da importância que a moda teve inclusive na própria revolução francesa e em Maria Antonieta, considerada a rainha mais opulenta pagando por isso não só com a própria cabeça como também com a fama eterna de rainha vil que mandava plebeu comer brioche se faltasse pão (citação falsa, aliás). É toda essa fantasia muito louca de que a vaidade e consumismo de uma única mulher foi capaz de afundar um país inteiro, essa ideia de como o abuso fashion e hedonista da aristocracia rompeu tanto limite que só poderia acabar de maneira trágica. O filme da Sofia Coppola veio depois da minha obsessão, mas admito que aquela trilha sonora toda trabalhada no 80’s (outra década de exagero e cabelos enormes) só aumentou meu amor.


Você sempre posta sobre suas visões de moda e conceitos dos ensaios. A cultura de moda é restrita a uma pequena 'elite da moda', acha que existe ainda um longo caminho na compreensão de que moda também tem sua importância social que vai além de marcas e modismos? 

Com toda certeza. A intenção de expor o que tem atrás da cortina nos meus ensaios é uma tentativa de democratizar um pouco esse conhecimento de moda e, também, de me diferenciar num mercado que produz milhares de imagens estonteantes por segundo como é o das redes sociais. Eu acredito que meu trabalho fale por si, mas por que permanecer silenciosa sobre ele só porque os arautos da moda convencionaram que é adequado? Quando me abro sobre isso dou a chance de outras pessoas também saberem o quanto me esforço e tenho paixão pelo que faço e esse entusiasmo é capaz de trazer as pessoas pra perto da moda. Quando seu público vê que existe esforço, amor, conhecimento, estudo e paixão que gerou essa imagem ele se fascina pelas coisas que você trouxe e te vê como bem mais do que uma foto bonita ou uma “influenciadora” que ele gosta porque indica tendências, seu público te vê como uma pessoa que é referência e um ponto de partida pra quebrar preconceitos que ele tinha. Perdi as contas de quantas vezes ouvi que meu trabalho fez alguém perceber que modelos e trabalhos na área da moda não precisam ser fúteis: podem ser arte, história, discurso muito além de tendência e marca. É pra isso.




Além de modelo, produtora de moda você também é performer e DJ. Ser multi-artista é uma das formas de se manter atuante na cena alternativa já que esse é um ambiente onde muita gente aparece e depois simplesmente some? Qual a importância de marcar presença e se fazer lembrada por sua arte?

Multi-artista, até emocionei HAHAHAH. Acho que todo alternativo tem um quê de faz tudo porque nossa raiz é DIY, é ir lá e fazer roupa, maquiagem, festa, conteúdo, deixar uma contribuição onde quer que você frequente e de conseguir seu espaço num mundo onde tudo é meio volátil. Eu já tinha o estilo, daí ‘por que não fazer foto?’ frequentava os espaços e ‘por quê não o palco?’ e recentemente ‘por quê não discotecar?’ e assim fui indo. Viver ‘da cena’ sempre foi algo muito distante da realidade e por mais que pareça mais estável hoje do que 20 anos atrás nós ainda vemos marcas, artesãos e casas com dificuldade em se manter no mercado e longe do sustento, daí você tira como é instável a vida da pessoa que tem como portfolio uma rede social que pode simplesmente desaparecer amanhã. A importância de marcar presença é saber que se o instagram morrer meu estilo segue como sempre foi, meus gostos também, meus amigos idem e continuarei trabalhando no que quer que seja: palcos, pickups, fazendo eventos e pronta pra levar meu portfolio, identidade e conhecimento de moda pra qualquer outra plataforma onde ele caiba.


Conte nos o que foi/é o Concurso Miss Pin-up e como foi seu processo de participação saindo de lá vencedora.

O concurso que eu participei duas vezes era o Miss Pin-up The Sailor, até então o mais tradicional daqui de São Paulo. Eu sempre fiz meus estudos de cabelo, make, looks e fotos pin-up muito sozinha. Nunca me vi como potencial participante de concurso de miss mas eu queria conhecer mais as pin-ups daqui, consolidar meu trabalho como uma e me sentir mais inserida no meio de alguma forma. Eu adoro um palco, um desfile, performar, servir um look e toda essa aura de RuPaul’s Drag Race, então deu muito certo e eu me diverti pra caramba. O ambiente é totalmente diferente do que se imagina de um concurso de miss tradicional e conheci muita gente.

Ganhei na segunda vez que participei e nunca acreditei muito no meu êxito, não por achar que não tinha talento mas por achar que não fazia o perfil. Existe aquela imagem da pin-up estonteante e perfeita e eu passei anos lutando contra a minha vontade de me ver como uma porque me sentia uma esquisitona querendo um papel que não cabia, sabe? Fui pela diversão. Levei um vestido que era criação minha pro desfile e praticamente tudo que eu usei foi criado, feito ou customizado por mim, nos desfiles só fiz o que sempre faço. Acabei levando a faixa pra casa e foi uma sensação muito única de valorização e reconhecimento.


Você mora em São Paulo, cidade que tem locais e espaços incríveis que auxiliam no desenvolvimento e permanência de uma cultura alternativa que ultrapassa gerações. Como é seu processo de pesquisa de temas, cenários e locações?

O processo não é muito linear não, o ponto de partida varia muito. Às vezes a ideia começa por um local que eu gosto muito e eu desenvolvo a temática a partir dele, outras vezes eu tenho o conceito e tento encontrar um cenário que se encaixe na proposta, às vezes é uma peça de roupa que me traz uma associação e eu crio algo em cima dela. Nesse ensaio que trouxe pra capa da revista tudo foi desenvolvido meio em conjunto, surgiu uma ideia e as peças se encaixaram ao mesmo tempo. Meu processo de pesquisa é eterno, tudo que eu consumo, ouço, leio, assisto e descubro acaba sendo guardado e usado mais tarde. Eu trabalho muito com mitos e arquétipos que costumam expressar meu momento atual: a viúva negra, a femme fatale, a bruxa, até guerreira intergaláctica já fui. Acho que o que todos os meus temas têm em comum é essa feminilidade dissidente, até meio perturbadora, meio caótica, meio ameaçadora.



Qual a diferença entre o trabalho para catálogos de lojas e seus ensaios temáticos? 

São mundos de diferença. Enquanto o ensaio (especialmente os autorais) têm como objetivo transmitir certa mensagem e as roupas são parte da criação desse cenário todo, no catálogo a roupa é tudo: você precisa saber posar e interagir com a peça de modo a mostrar o melhor que ela tem e seus diferenciais e ter uma gama de poses e expressões sem o auxílio de qualquer prop ou cenário, sem direito a escolha dos looks ou fotos que mais te favorecem e dando tudo de si em TODAS as fotos, porque se a blusa sair linda e você não pode ter certeza que é a foto onde você tá capenga que vai pro site e você tem que lidar com isso. É você, você mesma, a peça e o fotógrafo. Muita gente entra em pânico mas a equipe tá sempre ali pra auxiliar na direção.


Essa é uma pergunta indiscreta: dá pra viver de ser modelo alternativa? No que investe seu cachê?

Não dá. Pelo menos aqui no Brasil, nossa, não dá mesmo. Todo mundo nesse meio faz alguma outra coisa: é youtuber, influenciadora, blogueira, performer, consegue ter um perfil de modelo que permite ser agenciada e trabalhar no meio mainstream ou só tem um trabalho “normal” de semana. Eu mesma faço freelance de tudo que eu consigo pra garantir a ração dos meus gatos. Nosso mercado está crescendo mas ainda não é o suficiente pra isso: os cachês não são sustento, muitas vezes não são em dinheiro e o volume de trabalhos também não é tão grande. É uma carreira que, pelo dinheiro, ainda não compensa: com certeza já gastei muito mais na vida só pra manter meu estilo do que ganhei posando, só compensa porque o estilo realmente já é meu desde sempre. Pra onde o cachê vai depende da minha necessidade no momento: nos tempos da faculdade ia todinho pros trabalhos, hoje em dia vai pro que for mais urgente na minha vida no momento ou eu só guardo.


Conte-nos sobre o ensaio da capa da revista Moda de Subculturas, que também ilustra esta entrevista.

Esse ensaio foi uma ideia gestada durante muito tempo. Assim que raspei as laterais do cabelo o Rodrigo, do Circus Hair, falou que queria um ensaio com meu cabelo novo tipo um moicano imenso e incrível a la Parma Ham e meu próximo plano já era fazer um ensaio relacionado a uma das minhas designers favoritas, a Vivienne Westwood. Juntei as duas ideias e entre idas e vindas acabamos levando um tempão pra executar. Tudo nesse ensaio é referência as eras que o trabalho dela teve (fetiche, referências históricas, o período punk, a escolha do xadrez como constante no ensaio, os alfinetes de segurança, as mensagens sobre moda consciente e ativismo...) e contou inclusive com peças originais da mesma e beauty inspirado na maravilhosa Jordan, que além de ícone punk também trabalhava na loja de Westwood em Londres. A ambientação não poderia ser mais perfeita, o cenário lúdico e circense é visto no trabalho da Vivienne e ornou com perfeição. Tudo no styling desse ensaio foi amarrado com um imenso carinho por mim e é sempre um prazer explorar lados desconhecidos da minha linguagem corporal e expressão, eu adoro um desafio (e segurar esse cabelo por horas certamente foi um). Quando o convite pra participar da revista chegou, essa ideia estava a caminho de ser finalmente executada e eu achei que não havia projeto mais perfeito e que me representasse mais.




Você tem fotos que ficariam maravilhosas se impressas, já cogitou transformar algumas delas em fotografias enquadradas ou fotos colecionáveis?

Com toda certeza, e já ouvi esse pedido antes. A verdade é que não tenho certeza em fazer isso num mercado como o brasileiro onde esse costume ainda é muito recente e onde geralmente o salário já tem destinos mais certos. Não descarto, mas é algo a ser estudado.


Como modelo e mulher de destaque na cena alternativa virtual nacional, existem situações em que ser modelo é visto de forma negativa, quais são essas situações e como as pessoas enxergam sua atuação profissional?

Enxergam da mesma forma que o mainstream. Existe essa cultura muito forte de que a mulher que comete o erro de se exibir de alguma forma é fútil, burra e vazia então existe todo um estereótipo da modelo ‘cabeça de vento’ que só pensa em compras, vaidades, agradar e atrair homens e outras frivolidades como se uma mulher que passa um batom e tira uma foto fosse incapaz de ser qualquer coisa além de uma imagem. Na bolha alternativa é a mesma coisa mas disfarçada com uma roupagem um pouquinho mais bonita de proteger o meio alternativo de ser massificado através dessas mulheres malditas cheias de visual e escravas de aparência sem essência, conhecimento ou conteúdo. Sempre mulheres. Mulher em subcultura é legal pra decorar flyer de festa, passou disso é um incômodo e precisa ter sua credibilidade, gostos, conhecimentos e capacidade intelectual questionada. Não raro você só ver uma mulher sendo enaltecida pelo que fala quando está sendo comparada a outra mulher.

É sintomático como todas as áreas tradicionalmente vistas como femininas (seja moda, maquiagem ou sei lá) são sempre vistas como uma bobagem menor e nunca como uma forma de expressão ou arte. Cabe a mulher o eterno papel da musa maldita, né? É a mesma dinâmica desde sempre: o artista que pinta um nu pertence a um museu, a modelo que se permitia ser vista nua merecia escárnio. Hoje em dia o cara que te fotografa e te veste é um artista, você é um cabide quando muito, uma escada pra genialidade alheia. Ter uma voz mesmo com o meio ao seu redor insistindo em te reduzir a um objeto segue sendo um desafio.


Quais seus conselhos para quem está interessado em começar a modelar?

Façam fotos em casa e conheçam seus melhores ângulos, acho muitíssimo importante pesquisar e treinar poses sempre que possível, criar um certo conforto com a câmera. Hoje em dia além de gerar bastante conteúdo pra internet eu recomendaria pesquisar um bom fotógrafo e iniciar seu portfólio oficial de modelo com um trabalho de qualidade com alguém que saiba te conduzir e extrair o seu melhor.

Não caiam em canto de sereia. É importante lembrar que esse mercado ainda é pequeno, então qualquer promessa de grandes ganhos, fama rápida e vida perfeita é ilusão. É um trabalho como qualquer outro e é bem ingrato, tem dia que não faz bem pra autoestima e você tem que saber navegar por esses momentos. Recebo um sem fim de mensagens de meninas mais novas que desejam entrar pra esse ramo esperando validação, fama, reconhecimento e o tal do ‘quero ganhar dinheiro e mimos pra ser bonita’ que faz elas se desesperarem por qualquer oportunidade. Isso é um prato cheio pra cair em ciladas de maus profissionais que vão se aproveitar disso, seja pra te pagar mal, não pagar ou assediar. Acompanhem o trabalho de quem vocês querem trabalhar junto, peçam recomendações e relatos de meninas que já trabalharam com essas pessoas. E, ah, levem um acompanhante com vocês. Se o fotógrafo reclamar pode desconfiar, eu sempre levo e nunca tive problemas.




Você resolveu entrar de cabeça na cena alternativa mesmo sabendo das dificuldades, pois muita coisa é feita na raça e de forma independente. Você sente uma melhora na cena na questão de espaço e profissionalismo? O que acha que falta e que precisa melhorar?

A melhora está vindo, mas ela é lenta e gradual. Alguns anos atrás o conceito de modelo alternativa fashion era quase desconhecido pro grande público (era tudo mais voltado pro sensual e nu a la Suicide), hoje já temos algumas figurinhas carimbadas que de forma independente foram abrindo caminho na cena, amanhã esperamos que esse mercado cresça e se abra mais ainda pra comportar mais gente. Eu acho que a mudança na questão do profissionalismo já está acontecendo, mas é preciso lembrar que todo mundo nesse mercado tá desempenhando um trabalho e tentando viver dele. As lojas estão produzindo vestuário, as modelos estão lá pra apresentar esse vestuário da melhor forma possível, as influenciadoras estão divulgando essa marca pra que ela chegue no cliente e todas essas etapas envolvem esforço, dedicação e profissionalismo. Eu sinto que a cultura das redes sociais tem trazido uma dinâmica muito nova e que as vezes pode ser prejudicial, esse negócio de achar que porque tudo está facilmente disponível nada é trabalho e tudo é de graça: modelo, produto, divulgação, fotógrafo, criação. Torçamos pra que isso melhore, né?


Em 2019 saiu uma pesquisa dizendo que o Instagram é a rede mais nociva em termos de saúde mental. Como a pressão de números na rede social te afeta? Como é o processo de se manter visível e relevante nas redes sociais e ao mesmo tempo manter sua saúde mental?

É uma relação muito interessante a de trabalhar usando redes sociais de portfólio porque ao mesmo tempo que você depende delas é preciso saber que elas são instáveis e podem mudar ou desaparecer a qualquer minuto. Você está o tempo todo lutando contra uma plataforma que quer que você fracasse na divulgação do seu trabalho pra vender anúncio e isso é BEM cruel. A pressão de número existe sim, infelizmente faz parte do trabalho porque as marcas e clientes querem saber das suas métricas e estatísticas antes de fechar negócio e algumas nem te olham duas vezes se você não bate uma certa cota de seguidores. Lido com isso tentando desassociar meu trabalho dessa corrida insana o quanto conseguir. Mantenho a frequência de postagens tentando não desrespeitar o meu ritmo nem perder qualidade, tento me manter afastada de certas tendências estéticas e fotográficas que não me deixam confortável e foco nos meus projetos e em executá-los da melhor forma possível pra me comunicar com as pessoas, expressar minhas ideias, angústias e paixões nas fotos. Criar essa conexão e humanidade entre a minha alma inquieta com a alma inquieta de quem me acompanha é a coisa que mantém minha sanidade. Já ouvi algumas vezes que meu conteúdo não é facilmente digerível por ser muito diversificado e difícil de definir, mas eu não abrirei mão disso, de transmitir o que eu preciso pra quem precisa (mesmo que isso signifique demorar pra crescer e fazer menos coisas).


Vivemos numa sociedade machista. Os homens podem ser  “mulheres exageradas" e/ou caricatas na cultura drag. Você já disse algumas vezes que se inspira muito na cultura drag. O que você pensa sobre a questão da mulher na sociedade não poder ser ‘exagerada’ em seu dia a dia; ser controlada na forma de usar maquiagem e ter um visual dentro de um limite aceitável e, caso esta decida se elaborar ou exagerar, tenha que ter justificativas para seus atos?

Penso que é hipócrita e aprisionante. Desde muito novas nós somos absurdamente cobradas em relação a beleza e feminilidade. Lembro-me de crescer sentindo que era inadequada porque essa bênção da beleza natural não acontecia comigo, até conhecer o drag e descobrir que todo mundo podia ser uma mulher estonteante: até um homem de meia idade que tem um trabalho de escritório de dia e coloca cílios e peruca de noite. Mudou minha vida, foi como puxar a cortina do mágico de Oz, sabe? Você podia ser o que quiser, uma supermodelo, um monstro, homem, mulher, nenhum, ambos. Sua beleza podia ser menos sobre genética e mais sobre a capacidade de criar. Foi radicalmente diferente da experiência de ser mulher onde sempre te cobram um meio termo insuportável: tem que “se cuidar” mas não pode ser fútil, tem que ser sensual mas discreta, tem que se maquiar mas não pode exagerar, tem que se vestir bem mas sem ser chamativa, tem que ter o corpo da celebridade (que só conseguiu ele com plástica) mas sem se modificar porque a mulher bonita é “natural”. Lidar com um mundo que cobra que você se mostre mas te pune quando você faz exatamente isso danifica nossa autoimagem, faz a gente minguar. A arte drag me trouxe a possibilidade de ser justamente a mulher proibida: a que dança, bate cabelo, veste o brilho, usa a maquiagem que quiser, se pinta de maneira exagerada, louca ou até monstruosa e diz abertamente que se acha incrível e celebra isso sem modéstia alguma, mostrando tudo no lugar de esconder e fingir que não existe. Impensável!

Quando eu comecei a ir por esse lado ouvi muitas coisas: que eu me estragava com tanta maquiagem, que eu era exagerada, rebelde, ridícula, arrogante, fútil, sem conteúdo, só me importava com o visual, ou que eu ‘me achava artista’. Incontáveis vezes me perguntavam pra onde eu estava indo pra ver se existia uma ocasião que me redimisse do pecado de ser livre. Existe uma citação da Elke Maravilha onde ela diz que uma vez perguntaram a ela ‘por quê tanto?’ e ela respondeu ‘por quê tão pouco?’ e é exatamente isso. Pra quê ser sempre menos? A quem interessa que você se sinta cada vez menor?

Eu me recuso a me justificar e pedir desculpas por fazer o que tenho vontade porque a cabeça das pessoas não consegue conceber que o interesse de uma mulher por maquiagem não anula todos os livros que ela já leu na vida ou a me justificar porque todas as áreas consideradas femininas são tidas como coisas fúteis e de segunda importância mesmo sendo ricas em conhecimento, impactando a nossa existência e carregando um peso cultural enorme (como a moda). Sigo celebrando meu próprio ideal de feminilidade caótica e tentando subverter, exagerar, profanar e transformar todos esses estereótipos e símbolos do feminino no que eu quiser, na potência que eu quiser e se eu quiser.




Fico feliz de ver surgir pessoas criativas como você aqui no Brasil. A minha geração e gerações antes da minha não puderam ter modelos alternativas de forma plena (Iluá Hauck, uma das pioneiras fez carreira no Reino Unido) por não termos acesso à objetos de moda, nem fotógrafos especializados e nem informação na época. Coisa que sua geração tem bastante, com lojas e ajuda da internet. Na teoria, modelar não tem idade, mas na medida que vamos ficando mais velhas vemos que portas se fecham aqui e ali e a prioridade de trabalhos e parcerias ficam pro pessoal mais novo ou pra um determinado tipo de beleza feminina, já que a associação de alternatividade com juventude e magreza ainda é um senso comum. Muito se fala da ausência de modelos negras e gordas, mas nem chegamos ainda no debate do ageísmo no meio alternativo. Como você pensa sua carreira de modelo no médio e longo prazo? Tem projetos a longo prazo em mente?

É muito difícil especular sobre o meu futuro num mercado cuja estrutura ninguém sabe muito bem como funciona nem como funcionará daqui meros 2 anos, que dirá 10, 20. A internet permitiu que todo esse cenário de lojas e modelos independentes aparecesse e ganhasse público, mas a realidade é que nada está tão sólido assim financeiramente e tudo ainda funciona muito mais na base do escambo e troca de favor do que qualquer coisa, daí o próprio conceito de modelo alternativa ‘plena’ ainda é meio desconhecido por essas bandas. Tudo é incerto: dependendo do rumo que a economia toma as lojas abrem ou fecham e gasta-se menos com moda, enfim. Ainda existe essa mesma ideia de que se você quer viver disso precisa sair do país.

A médio prazo eu enxergo esperança: o estilo alternativo sempre foi visto como uma coisa jovem a ser superada na idade adulta, mas vivemos numa era onde estamos arrastando pra idade adulta os interesses, hobbies e aspirações que antes eram considerados coisas exclusivas de ‘jovem’. A cultura pop move multidões de adultos nostálgicos e a juventude ‘rebelde’ de outros tempos já cresceu e entrou no mercado de trabalho tatuada e querendo levar pra vida adulta e profissional seu senso de individualidade e estilo. Já está acontecendo. Já estamos vendo grandes ícones amadurecendo (como a Dita Von Teese, por exemplo) e conhecendo mulheres que já passaram e muito da idade antes considerada ‘adequada’ pra isso sendo fantásticas com estilos incríveis (baddiewinkle, nikkiredcliffe, o blog advanced style, enfim, eu poderia citar umas várias fontes de inspiração). Talvez a tendência de envelhecer com estilo cobre o mercado a oferecer mais representatividade? Veremos.

O que posso garantir pro meu futuro a longo prazo é que eu amo o que faço, amo meus ensaios autorais e esses vão continuar acontecendo independente de qualquer coisa. E, sinceramente? Não vejo a hora de envelhecer. Mal posso esperar pelo acervo, referências e conhecimento que vou acumular até lá!


Você incentiva seus seguidores a usarem o visual que quiserem, a qualquer momento e situação do dia através da hashtag O Evento Sou Eu  (#oeventosoueu). O que te motivou a criar a tag e quais situações te chamaram mais a atenção?

A minha motivação foram os desabafos dos meus seguidores na DM e as coisas que ouvi na vida. Existe essa concepção de que ninguém realmente gosta de “se montar”, que é algo chato e que todo mundo faz por obrigação ou pior ainda: que a maquiagem e roupa é só “pra ser atraente” e “conseguir homem” (e que tudo dentro desse espectro é futilidade e tudo fora dele é errado). Muita gente acha que ter um visual próprio é algo que as pessoas simplesmente nem começam ou abandonam porque é um ciclo natural de amadurecimento na vida. A realidade é que existe muita gente que quer ser um pouquinho mais extra aqui e ali mas que não se sente confortável pra isso porque não vê ninguém fazendo o mesmo, que morre de vontade de ir comprar pão com a maquiagem da Siouxsie Sioux mas tem tanto medo da pergunta “pra quê isso?” que deixam essa vontade morrer. Morrem esperando uma “ocasião especial” onde finalmente vai ser permitido usar a roupa que quiseram usar a vida inteira, que guardaram no armário a vida toda porque finalmente vão ter uma “razão” que justifique e torne aceitável pros outros. Agora imagine você que você não precisa se justificar pra ninguém porque ninguém tem nada com a sua vida? BOOM. Ninguém precisa de ocasião especial pra nada não, você é a ocasião especial e a sua vida é o evento que você tá esperando. Voa. Coragem e conforto não nascem do nada, você cria no processo. Parem de se adiar, por favor.

O que mais me chama atenção é como cada pessoa adapta isso pro seu dia-a-dia e como isso nem é realmente sobre se montar, é sobre não ter medo de vestir o que quer, ser ridículo, se divertir com a moda e de se expressar. Já recebi várias e várias mensagens e fotos de seguidoras que trabalham em empregos formais nos dias úteis mas nos finais de semana “eventam” (sim, já virou verbo) loucamente, de moças que simplesmente desistiram de performar algum aspecto considerado “obrigatório” da feminilidade com medo do que os conhecidos vão falar (rasparam a cabeça, pararam de depilar), de gente que foi de pijama pra balada ou de drag pra aula, de pessoas trans que sentiram forças pra prosseguirem com a transição ou as mensagens sobre como alguém terminou uma relação abusiva ou recuperou a motivação pra reconstruir a autoestima depois de uma. Tem as histórias divertidas mas existem também muitas histórias que são muito maiores do que a minha própria.




Então conta como é manter seu estilo no dia a dia.

Eu tenho essa coisa de sentir genuíno prazer em me arrumar todos os dias. Eu tô sempre fazendo mil coisas, então o tempo que eu uso pra me maquiar, escolher minha roupa e me vestir é um momento sagrado de tranquilidade no meu dia, o momento que eu tenho só pra mim e que me prepara pra encarar um dia cheio com algum ânimo. Atualmente eu já descobri como funciona o meu básico e sei como construir ele pra parecer um luxo e, pra além dele, eu uso tudo que eu tenho no armário (inclusive extravagâncias) porque eu gosto de tudo e sempre fui assim. Eu sigo uma máxima infalível que minha avó me ensinou: “Caixão não tem gaveta. Não adianta guardar as coisas a vida toda porque você não vai levar quando morrer”. Tive vontade de usar? Não vai me prejudicar no que eu estiver indo fazer? Bora. Tem dias onde eu, ridiculamente, decido botar uma calça de vinil e um salto 12 pra ir no mercadinho da esquina e ninguém é capaz de me impedir. Eu pego metrô de corset, já fui na 25 de março de salto e pra faculdade num look de Maria Antonieta moderna com direito a penteado rococó, tudo porque eu já experimentei tanto que sei meus limites e sei o que eu consigo ou não fazer (e com que sapato e roupa dá pra fazer). Meu dia-a-dia é feito de me divertir com a moda e assumir o título de doida do bairro as vezes. Já assustei muito vizinho.


O que te inspira a fazer looks tão criativos?

São as minhas referências e influências que estiverem mais fortes no momento. Tudo que eu consumo de moda, história, ícones, livros, arquétipos, personagens, músicas, arte, filmes acaba sendo transformado em material pra looks.


Qual o melhor jeito de descobrir seu estilo e montar o próprio acervo?

Experimentação. Fazer uma pastinha no Pinterest com coisas que você gosta pra te dar uma direção é muito bom, mas só isso não leva ninguém a lugar algum. O processo de se descobrir envolve fazer coisas, picotar blusinha, customizar, testar, vestir as coisas, provar muita roupa e não ter medo de ser ridícula, não ter medo de tirar do seu armário aquilo que não te agrada só por comodidade. É muito sobre descobrir na prática o que serve pra você porque o conselho dos outros ou as regras estabelecidas muitas vezes não se aplicam. Se eu não tivesse passado batom na cara toda, doado todas as calças jeans que jamais me agradaram e pregado muita pedraria com cola quente nas coisas eu jamais seria quem sou hoje.



Algumas subculturas surgiram de um viés contracultural e/ou underground. Assim, algumas pessoas enxergam o comércio como algo negativo, desencadeado dificuldades em aceitar ou compreender os que fazem uma abordagem mais comercial da cultura alternativa, qual você acha que é seu papel como pessoas de destaque na internet sobre a questão do consumo alternativo?

Penso que esse debate sobre o consumo é importantíssimo, mas que as vezes falta diálogo, especialmente com os profissionais da área da moda. Vejo gente falando sobre um tal ‘consumismo na cena’ que é impulsionado por influenciadoras ou sei lá deixando de comprar suas roupas da lojinha ou brechó que faz parte da cena alternativa pra preferir gastar dinheiro com fast fashion de procedência ignorada e roupas feitas com mão-de-obra desconhecida, provavelmente explorada e que gasta um absurdo em recursos naturais pra ter qualidade duvidosa e encher o mundo de resíduo têxtil. Não é exatamente um protesto muito embasado.

Acredito que o papel de quem tem a visibilidade nas mãos é o de justamente promover o trabalho dos criadores independentes e abrir as portas para que eles sejam mais vistos e desejados pelas pessoas, pra que o público alternativo comece a naturalmente se desintoxicar da mentalidade da fast fashion e suas um milhão de tendências predatórias e fazer os olhares se voltarem para os trabalhos das pessoas de dentro da cena, feitos de nós para nós. Implorar para “apoiar a cena” infelizmente não é efetivo, as pessoas só choram o fim das lojas e dos projetos depois que acabam. Tornar esses trabalhos vistos e fazer com que sejam desejáveis é o que tem trazido a vida de volta aos nossos comércios e projetos e os influenciadores, blogueiras, youtubers e etc tem sim um papel imenso nisso. Não fosse por esse mercado se abrir, eu jamais teria trabalhos de modelo pra fazer.

Existem muitas considerações a serem feitas sobre o tal consumo ético (se ele sequer existe no nosso sistema econômico é uma delas), mas o consumo consciente existe e precisa ser exercitado. Muito provavelmente o seu boicote a uma loja de departamento não fará diferença alguma pra ela, mas a customização que você faz na peça de brechó tirou uma peça do destino de virar lixo têxtil. O dinheiro que você dá ao pequeno criador pra que ele desenvolva uma roupa pra você vai colocar comida na mesa dele hoje. O projeto que você financia hoje vai trazer destaque aos artistas que precisam amanhã. Faz diferença imediata. Apoiar a cena não é só show e balada, é, também, apoiar os artistas, artesãos, curadores e criadores que estão tentando viver dos seus sonhos.


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12 de dezembro de 2020

Sorteio: Revista Moda de Subculturas + Zine Riot Grrrls + marcadores exclusivos

SORTEIO!

 Quer de bandeja a revista Moda de Subculturas + Zine Riot Grrrls 

+ marcadores exclusivos??


sorteio revista moda de subculturas
Imagem de nosso Instagram.


Então clica neste link pra participar! Basta dizer qual sua postagem preferida do blog e porquê! Pode comentar quantas vezes quiser e citar quantas postagens quiser!!


Participe até dia 16/12 às 24h.
O sorteio será dia 17/12 através do site random.org (tela filmada). Cada comentário será equivalente a um número.


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1 de outubro de 2020

Conheça Madeleine Vionnet, a revolucionária estilista que dá nome à saia criada em parceria com a loja Dark Fashion

Nascida em Aubervilliers na França, Madeleine Vionnet (1876-1975) é uma estilista super reconhecida, mas subestimada a respeito de um de seus maiores feitos: a liberação das mulheres do espartilho - fato comumente associado à Chanel ou Paul Poiret. Acompanhe o post e saiba porque a saia que criei para a Coleção Dark Glamour com a loja Dark Fashion recebeu o nome desta estilista que é considerada revolucionária.


Acima, criação de Madeleine Vionnet, note a transparência na saia. Abaixo, saia criada em parceria com a loja Dark Fashion. Para qualquer compra na loja, nosso cupom é SUBCULTURAS




Em 1907 Madeleine fez parte de uma reforma utópica do vestuário, através de roupas com inspiração nas artes gregas clássicas (período Helenístico), criou peças com movimentos livres e naturais que permitiriam às mulheres se libertarem de pesadas roupas de baixo. 

Uma de suas peças com inspiração grega.

Madeleine modelando tecido numa boneca, era sua forma de fazer experimentações.


Abaixo, vestido com pontas assimétricas, como a saia criada com a Dark Fashion.



Trajetória 
Vionnet começou como aprendiz de costureira aos 12 anos de idade trabalhando com lingerie de luxo, já profissional, trabalhou com grandes nomes da época, como Kate O´Reilly, Mme Gerber e Jacques Doucet até que em 1912 abre sua própria Maison luxuosa, criando peças minimalistas. Teve de fechá-la com o começo da 1° guerra mundial quando se muda para Roma para estudar antiguidade grega.

Quando reabre, sua Maison em Paris era decorada com imitações de afrescos de deusas gregas e de mulheres contemporâneas. Sua técnica de costura unia conhecimentos ocidentais e orientais. Utilizava um manequim articulado onde enrolava e cortava o tecido e criou costuras invisíveis decoradas com desenhos de flores e estrelas. Suas peças, modelos soltos, simbolizavam o modernismo dos anos 1930 - ela inclusive foi uma grande divulgadora da frente única. Você pode ler a postagem sobre a história da frente única clicando aqui, é surpreendente! Madeleine se aposenta em 1939 com o início da 2° guerra mundial.



Revolucionária
A revolução de Vionnet estava na forma de corte e costura das peças, que tinham a ilusão de simplicidade (e na verdade eram bem complexas). As peças eram cortadas em viés (ângulo de 45°) e o caimento acompanhava as curvas do corpo das mulheres com as saias terminando em pontas ou lenços. A construção das peças dispensava fechos e resultavam em roupas fluídas e esvoaçantes. As peças, fora do corpo, pareciam amorfas e se revelavam perfeitas ao serem vestidas. Nem mesmo seus vestidos de noite tinham pences, botões ou zíperes!

É com muito orgulho que a saia Madeleine da coleção Dark Glamour homenageia essa mulher revolucionária, algumas das características das criações de Madeleine Vionnet podem ser encontradas na saia, mas claro que dentro de um contexto contemporâneo e aliado à moda alternativa. É uma marca de minhas criações a união entre história da moda e moda alternativa.

  • A saia de Tule “Madeleine” 5035 tem como base uma minissaia em visco lycra e por cima duas camadas assimétricas de tule de altura midi com as pontas adornadas com barrado de renda. O tule, transparente, de caimento fluído e esvoaçante potencializa o ar de mistério. Madeleine Vionnet revolucionou a moda feminina com seus vestidos de saias transparentes que promoviam movimentos livres e naturais.

Pré - Feminista
Outra grande atitude da estilista foi quando em 1922, Vionnet deu às suas funcionarias licença-maternidade, assistência médica, férias remuneradas, creches, refeitório... coisas que ainda hoje são lutas do movimento feminista pois não estão garantidas à todas as mulheres!


É ou não é merecido o nome da saia? Agora que você já conhece um pouco da história de Madeleine Vionnet, compreende um pouco mais do quanto valorizo a cultura de moda em tudo que desenvolvo. Um bom momento pra revisitar a coleção Dark Glamour na loja Dark Fashion!



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12 de setembro de 2020

Primeira edição da revista MODA DE SUBCULTURAS ganha versão impressa!! Saiba como adquirir a sua! (Capa com Sarah Amethyst!)

Lançada em dezembro do ano passado em comemoração aos 10 anos do blog Moda de Subculturas, a revista homônima em versão digital foi acompanhada de zines digitais e físicos apenas para um seleto grupo de pessoas que apoiou o projeto de financiamento.

Foi com grande alegria que neste ano, recebi a proposta de Henrique Kipper (dono do portal Gothic Station) de trabalharmos juntos para transformar a revista MODA DE SUBCULTURAS em material físico, tornando assim, a primeira revista brasileira dedicada à moda alternativa e história das subculturas em versão impressa! E desta vez, a revista está disponível ao grande público!

Sarah Amethyst é capa da primeira edição./ Instagram da Sarah


A forma de adquiri-la, no momento é exclusivamente em parceria com a revista GOTHIC STATION, basta você ESCREVER para algum dos contatos abaixo indicando seu pacote:


Alguns exemplos de pacotes para você adquirir a revista Moda de Subculturas:





Confira TODOS os detalhes sobre os pacotes, CDs e camisetas NESTE link ou acesse AQUI nosso post sobre o financiamento da 5° edição da revista GOTHIC STATION


Você deve fazer sua encomenda de qualquer pacote até 20/10/2020. A formas de pagamento são: à vista por depósito, transferência ou boleto; no cartão de crédito, à vista ou parcelado em até 12x. O envio dos pacotes pelo correio será a partir de 10/11/2020.

Neste momento, não conseguirão comprar a revista comigo, então qualquer dúvida sobre os pacotes, entrem em contato com o Kipper, ok?

Infelizmente, por motivos de viabilidade de produção, a revista teve suas páginas reduzidas de 104 para 52 páginas, mas eu GARANTO pra vocês que muito pouco se perdeu. Nenhuma matéria principal saiu das páginas, houve um redesenhamento do layout. Que sortudos foram os que apoiaram o projeto de aniversário ano passado, que conseguiram garantir a revista com toda a completude com que foi imaginada! Mas tenham certeza que a edição enxuta mantém o alto nível de qualidade e a participação de convidados e parceiros incríveis, como Sarah Amethyst, Marie Devilreux e colaboradoras como Iluá Hauck da Silva, Melissa Souza e Helena Machado. Uma revista idealizada, escrita e ilustrada por mulheres! E isso é muito significativo na história da cultura alternativa brasileira.

Se você tem interesse nos nossos zines físicos, acompanhe o blog que em breve saberá como adquiri-los!


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11 de setembro de 2020

O retorno da revista GOTHIC STATION! Saiba como adquirir sua 5° edição + a revista Moda de Subculturas #1

Depois de dois anos em pausa, chegou a hora de celebrarmos o retorno da revista GOTHIC STATION!




A GOTHIC STATION chega à sua 5° edição! Desta vez, a forma de adquiri-la, assim como seus pacotes, é diferente: você deve ESCREVER para algum dos contatos abaixo indicando seu pacote. Estas são as únicas formas de adquirir a(s) revista(s).

ou envie e-mail para:  henrique_kipper@yahoo.com


Estes são os pacotes disponíveis:



Na 5° edição vai ter lançamentos musicais nos estilos Gothic, Darkwave e vertentes. Matéria escrita por mim (Sana) sobre a história da moda fetichista especificamente na Subcultura Gótica desde os anos 1970 até hoje. Terá literatura gótica lançada no Brasil pelo selo Clepsidra, vamos conhecer casos raros desta literatura em nosso país. Tem entrevistas exclusivas  com as bandas Two Witches, precursores da cena gótica na Finlândia; com Monica Richards da banda Faith and the Muse (Celtic-Folk, Gothic Rock, Darkwave), Eden House (Darkwave, Gothic Rock); com Simon Reynolds, autor de Rip it off and start again e mais...

Outra grande novidade desta campanha tem a ver com o blog! 

A primeira revista MODA de SUBCULTURAS poderá ser adquirida na versão impressa!! A revista tem 52 páginas e matérias exclusivas (que não estão no blog)!
(Mais detalhes sobre ela no post a seguir!)


Você deve fazer sua encomenda de qualquer pacote até 20/10/2020. A formas de pagamento são: à vista por depósito, transferência ou boleto; no cartão de crédito, à vista ou parcelado em até 12x. O envio dos pacotes pelo correio será a partir de 10/11/2020.

Confira TODOS os detalhes sobre os pacotes, CDs e camisetas NESTE link.

Sobre as edições anteriores da revista GOTHIC STATION, você pode adquiri-las também através do Henrique Kipper pelos links acima, se você quer conhecer o conteúdo de cada uma, confira abaixo as resenhas que fizemos:

Resenha GOTHIC STATION #1

Resenha GOTHIC STATION #2

Resenha GOTHIC STATION #3 (tem entrevista sobre o Moda de Subculturas!)

Resenha GOTHIC STATION #4



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11 de fevereiro de 2020

"Dark Glamour" - Conheça a coleção criada em parceria com a loja Dark Fashion

Para celebrar os 10 anos de blog, da parceria entre a loja Dark Fashion e o Moda de Subculturas nasce a coleção “Dark Glamour”, idealizada por Sana e com curadoria de Nívia Larentis, proprietária da marca.

Para Sana, autora do blog Moda de Subculturas, o conhecimento e a alta qualidade técnica da Dark Fashion faz da marca a parceira ideal para o desenvolvimento de uma coleção comemorativa.

Anota o cupom de desconto de lançamento: GLAMOUR
E nosso cupom de desconto na loja/pós lançamento: SUBCULTURAS

Modelo: Sana / Sapato: Reversa / Foto: Bárbara Tomásia Fotografia 

"Dark Glamour" é o termo que desde o início do blog Moda de Subculturas em 2009, tagueia as postagens de alta moda com temática obscura. Nestas postagens, os looks tem uma estética elaborada e sofisticada, inspiração para as mulheres alternativas que querem manter - ou adotar - uma elegância obscura no dia a dia.

A coleção é toda na cor preta. Ao longo da História da Moda, era a cor da nobreza e da aristocracia, pois corantes negros eram extremamente caros. No século 20, o tom se associa à femme fatale, sensual e assertiva. Nas subculturas alternativas, a cor é o símbolo da rebeldia, sendo considerada a cor gótica por excelência.

Nesta coleção, Sana associa o Dark Glamour ao gótico e ao romantismo obscuro resultando numa coleção super diferente do que já foi produzido pela Dark Fashion até então, unindo conforto, qualidade e impacto visual nos designs das peças.

Foram criados 8 (oito) modelos: 4 vestidos; 2 blusas; 2 saias.
Dois dos vestidos podem se tornar dois modelos diferentes. As 2 (duas) blusas e as 2 (duas) saias combinam entre si. Algumas peças são oferecidos em até 3 (três) tecidos diferentes, para várias ocasiões e estações. Nestas variações de tecidos, chega-se à 11 peças e pelo menos 14 combinações entre entre elas! 

As inspirações vieram de fontes diversas: da moda gótica, da moda clássica, passando pelas Dark Pin-ups e nas desejadas marcas alternativas estrangeiras inacessíveis para muitas brasileiras. Com a consultoria de Nívia orientando sobre costurabilidade e viabilidade, ambas tornaram as peças adaptadas ao nosso estilo e clima, mantendo a conexão com a identidade da marca Dark Fashion.

Um dos desejos era que todas as peças além da qualidade do material e acabamento, tivessem um design atemporal, ou seja, peças que nunca sairão de moda e que poderão ser usadas por muitos anos, tendo um ótimo custo-benefício respeitando o investimento da cliente.


O Ensaio

No ensaio fotográfico para a coleção Dark Glamour, o brilho e a luminosidade contrastam com o visual dark da coleção. Vivemos num país tropical, de luz brilhante a maior parte do ano e nada mais apropriado do que apresentar as peças dentro de nossa realidade. Um jardim simbolizando nossa natureza real e exuberante, a casa na praia simbolizando o conforto tanto das peças quanto do nosso lar. Nas unhas, um tom de roxo, cor preferida da Nívia e sempre usada na publicidade da loja.

Podemos ter um grande estilo vivendo num país tropical, não é necessário recriar uma luz estrangeira, utilizar um cenário elitista/colonizador ou tentar copiar paisagens distantes. Temos nosso próprio brilho e criatividade exatamente como as peças de roupas produzidas pela Dark Fashion.

Como esta é uma coleção especial, comemorativa, Sana foi a própria modelo. Mas todas as peças estarão disponíveis em tamanhos maiores, logo você poderá vê-las nas meninas “plus size” parceiras e clientes da Dark Fashion.

As fotos foram tiradas por Bárbara Tomásia, talentosa retratista. Fotógrafa em início de carreira, esse foi seu primeiro trabalho com catálogo de Moda. Quem mora em Santa Catarina, fica a dica desta fotógrafa que também é da cena alternativa.

Modelo: Sana / Sapato: Reversa / Foto: Bárbara Tomásia Fotografia 

Depoimento de Sana sobre a coleção

Eu não poderia estar mais feliz com essa coleção em parceria com a loja Dark Fashion!
O desejo de criar uma coleção em parceria era antigo e o momento finalmente chegou! Meu blog Moda de Subculturas e a loja Dark Fashion completaram 10 anos de parceria - e o blog 10 anos de idade! Um apoio mútuo raro num universo efêmero em que parcerias vem e vão ao longo dos anos. Creio que a mútua admiração profissional justifica essa durabilidade.

Desde que surgiu, a Dark Fashion vem aprimorando sua qualidade. Substituindo tecidos que não funcionam mais por outros mais respiráveis, confortáveis, naturais e com mais qualidade. Sempre tentando manter preço justos. Sobre a qualidade técnica da modelagem, só podemos nos orgulhar da profissional excelente que a Nívia é, também alterando as modelagens quando necessário e anualmente criando novas peças e coleções. A Dark Fashion faz roupas em todos os tamanhos de corpos e sob medida desde o começo e sem cobrar mais por isso (veja entrevista)! Por tudo isso, é a marca perfeita para a minha coleção que tem desde peças casuais pro dia a dia até peças mais elaboradas, transmitindo desde traços de rebeldia até uma distinta elegância.

As coleções da Dark Fashion sempre trazem algumas peças atemporais e "sem idade". A Moda Alternativa direciona boa parte de seu foco na juventude. Mas todas nós ficaremos mais velhas e queremos continuar apoiando marcas alternativas, então nada mais interessante encontrar nas lojas alternativas peças "sem idade", onde alternativas que ‘envelheceram’ vão encontrar looks mais “adultos”. Quando mais velhas, com um estilo de vida diferente da juventude, nem sempre podemos ou queremos sair com um visual mais ‘edgy’, às vezes queremos manter a diferenciação usando peças com design (esse é também o segredo das famosas senhoras que aparecem no Advanced Style: o design!).

Modelo: Sana / Foto: Bárbara Tomásia Fotografia

Como puderam ver, fui modelo da minha própria coleção. Não apenas porque eu saberia melhor comunicar as peças que criei usando como plano de fundo a casa na praia e o jardim, mas também porque sou uma mulher com mais de 30 anos - cada dia mais próxima dos 40. Ter me tornado uma adulta alternativa me fez lembrar das alternativas que ‘envelheceram' e o quanto elas não são representadas na mídia e moda alternativa mesmo que continuem consumindo o segmento (e recorram à marcas mainstream ou fazem suas próprias roupas por não se identificarem tudo com o que as marcas alts vendem). Nós, mulheres alternativas com 30, 40, 50... anos, existimos! E Podemos ser modelos, podemos representar marcas, podemos ser estilosas  e unir nossas forças com a energia inovadora da juventude que é uma grande inspiração sempre! Não vivemos só uma fase  mas toda uma vida alternativa!

Adoraria que as peças que criei fossem vestidas por mulheres de todas as idades, cada uma delas usando as peças à seu estilo.  Dito isso, mantenham-se autoconfiantes e não deixem o passar do tempo desanima-las. Façam de todas as fases da vida uma oportunidade de explorar suas melhores
mudanças!

Modelo: Sana / Sapato: Reversa / Foto: Bárbara Tomásia Fotografia

Com a Dark Fashion, pude trabalhar da forma que amo:
Buscando minhas referências na própria moda alternativa, no melhor do mainstream e na História da Moda. A História da Moda tem grande influência no meu processo inspiracional, mas não gosto de usá-la de forma óbvia e literal, deixemos o passado no passado. Gosto de referenciar essa História poderosa nos detalhes, nas nomenclaturas, alinhavando a moda alternativa.

O peso da moda alternativa nesta coleção também foi grande, busquei principalmente manter um dos pilares da Dark Fashion, que é a cor preta e seus materiais de trabalho habituais (tecidos, ilhóses…) me inspirando também em marcas estrangeiras que são inacessíveis para maioria dos brasileiros, buscando o que parecia ter mais funcionalidade no Brasil.

Criei algumas peças com traços românticos. Eu adoro romantismo e ele sempre some das lojas nacionais quando 'sai de moda', o que é uma pena. Mas o tema tem retornado ao interesse cada dia mais. Aproveitei que a Dark Fashion tem em seu histórico outras peças românticas, ou seja, tem essa abertura ao tema e criei algumas peças.

A blusa de alças cruzadas não é novidade no mercado nacional, mas eu diria que o diferencial das criadas por nós é o conforto, a qualidade do tecido e possibilidade de regulagem de alças. Algumas blusas de outras marcas não tem a regulagem ou não tem elasticidade, o que pode complicar para meninas com busto maior ou menor. Ela está disponível em três tecidos diferentes. E precisávamos disso no mercado.

E por fim, o mainstream. Quando surgiu em 2009, o maior diferencial do blog Moda de Subculturas e que o fez chamar a atenção de muita gente era a conexão entre moda mainstream e moda alternativa. Mostrando como os dois mundo se conectam. Por isso essa coleção, chamada “Dark Glamour”, leva o nome da tag do blog para mostrar peças de grifes mainstream que tinham uma estética obscura.


Conheça as peças e seus detalhes:

Assim como outras marcas, a Dark Fashion não dá nomes fantasia à suas peças. Perguntei se podia dar nomes à elas e optei por nomes de mulheres inspiradoras nas mais diferentes áreas da cultura. Mulheres da moda, da literatura, da mitologia, da fantasia, do cinema, música e da cultura alternativa. Mulheres que impactaram o mundo a seu jeito, assim como as peças desta coleção tem seu impacto tanto na minha vida quanto na das clientes e admiradoras.


  • “Lisbeth” 5091 é o vestido com harness (arreio), um acessório fetichista que ascendeu ao mundo graças à subcultura pós punk. O vestido é em viscolycra preta, com busto forrado e saia assimétrica em duas camadas. Possui alças em courano com regulagem por ilhóses, onde você pode aumentar ou diminuir o decote de acordo com o tamanho de seu busto ou sua vontade.
    O harness, também em courano, é removível, tornando o vestido um modelo 2 em 1: com o harness é um vestido punk/goth estiloso e sem o harness, se torna um vestido preto básico confortável para todas as ocasiões. O harness pode ser aplicado em outras peças da Dark Fashion que possuem alças afiveladas. O nome “Lisbeth” homenageia a personagem Lisbeth Salander criada por Stieg Larsson, a personificação de uma mulher alternativa e segura de si, assim como a cliente da Dark Fashion.
  • “Doro” 5090 é o nome do vestido em viscolycra com sobresaia em tule. Suas alças são reguláveis na parte de trás e cruzadas na frente com ilhóses. O decote tem ilhóses e amarração. O nome do vestido remete à cantora Doro Pesch, que tem como forte marca de seu estilo pessoal o uso de corpetes com amarrações.
    Este vestido tem o busto forrado, saia mullet e sobressaia em tule também mullet em comprimento mais longo que a base em viscolycra. É um vestido super fresco, ideal para dias quentes. A saia fluída balança ao caminhar, delineando de forma maravilhosa todos os tipos de corpos, fornecendo um visual etéreo. A parte superior com as tiras de ilhós e amarração tem grande impacto visual. Um vestido super diferente e a cara da Dark Fashion!
  • “Dita” 5092 é o nome do vestido tubinho com alças cruzadas reguláveis. Inspirado na estética de começo de carreira da dançarina burlesca Dita von Teese, um ícone alternativo de mulher sensual porém elegante, justamente a proposta deste vestido. O modelo está disponível em duas versões de tecido: lycra cirré e veludo.
    Mas o vestido Dita surpreende: ele acompanha uma saia godê em tule com o cós ou em veludo ou em cirré. A saia de tule é uma peça emblemática na cultura alternativa e usada em cima do ajustado vestido 'quebra' sua sensualidade, trazendo um visual sofisticado e diferente. Perfeito pra quem quer sair do óbvio num vestido tubinho.
    Tecnicamente, o vestido “Dita” também vai te surpreender, pois a Dark Fashion é uma marca que preza por qualidade e também pelo conforto da cliente, fazendo o vestido ser forrado. Isso mesmo! Tanto o modelo em cirré quanto o modelo em veludo são forrados com viscolycra, fazendo com que o vestido apesar de justo, não marque de forma deselegante sua roupa de baixo e os detalhes de seu corpo. Não se preocupe que os tecidos são respiráveis! É bastante raro uma marca nacional pensar em forrar das peças e isso só demonstra a atenção aos detalhes da Dark Fashion. Não poderia haver elegância maior num vestido chamado “Dita”.
  • O vestido “Aurora” 5093 é certamente a peça mais impressionante que você verá nesta coleção. Um modelo super diferente do que é vendido no mercado alternativo nacional e leva este nome por parecer ter saído de um conto de fadas, podendo se tornar, com alguns ajustes, um vestido de noiva dark. Este vestido em viscolycra, tem decote império (logo abaixo do busto) franzido no decote, com detalhe em cirré logo abaixo do busto. Cirré também é o tecido de suas alças reguláveis. O brilho ‘molhado’ do cirré em contraste com a viscolycra e o tule, tornam a peça um modelo único.
    A saia do vestido é composta de duas camadas assimétricas de tule, longas e volumosas, dando à peça um ar etéreo, sublime, romântico, como se fizesse parte de um “dark fairytale”. Peças românticas são caracterizadas por tecidos fluídos e historicamente inspirados (neste caso, um modelo Império). Este vestido remete à uma imagem de fuga para o campo, para um mundo mágico e por vezes fantástico. O vestido perfeito para encontrar beleza nas sombras, seja na floresta, num castelo em ruínas ou no seu próprio palácio assombrado.
  • A blusa com tiras cruzadas, leva o nome de “Maya” 2029, homenageando toda a elegância do estilo Dark Pin-up. A blusa de alças cruzadas aparece na história da moda em meados do século 20 e desde então, se mantém como uma peça incomum e que aparenta muita distinção.
    A blusa está disponível em 3 (três) tecidos diferentes, cada um para uma ocasião. A levíssima viscolycra para o dia a dia, o veludo para um momento elegante e a lycra cirré para os momentos de lazer. Com certeza você vai querer possuir todos! A blusa possui alças reguláveis e é forrada na parte frontal, garantindo a elegância.
  • A saia de Tule “Madeleine” 5035 tem como base uma minissaia em visco lycra e por cima duas camadas assimétricas de tule de altura midi com as pontas adornadas com barrado de renda. O tule, transparente, de caimento fluído e esvoaçante potencializa o ar de mistério. O nome é uma referência à estilista Madeleine Vionnet que revolucionou a moda feminina com seus vestidos de saias transparentes que promoviam movimentos livres e naturais.

  • “Dóris” 2030 é o nome da blusa frente única em veludo com com decote princesa e detalhe em renda. Sua amarração se dá na parte traseira do pescoço com tira em veludo. Sem dúvida uma peça marcante! O nome homenageia as divas de Hollywood como a atriz Doris Day. Estas atrizes, fascinavam com seus ombros e costas de fora ajudando a popularizar o modelo frente única, peça que também está na história das subculturas sendo um dos modelos preferidos pelos jovens alternativos da década de 1960. 
  • A saia de renda “Olympia” 5034 tem como base uma minissaia em viscolycra, por cima possui uma camada assimétrica de renda de altura midi adornada nas pontas por um barrado de renda. A renda de caimento encorpado balança ao caminhar, resultando numa peça de sofisticada de beleza impactante. O nome é uma referência ao Monte Olimpo, local de morada dos deuses gregos, afinal esta é uma peça digna de uma mulher-deusa!
Modelo: Sana / Sapato: Reversa / Foto: Bárbara Tomásia Fotografia

Tecidos
A coleção Dark Glamour trás o conforto da viscolycra, a ousadia e a sensualidade do cirré e o clássico veludo, tendo como complementos a renda, o tule de malha e o courano envernizado.
A viscolycra (93% viscose, 7% elastano) é respirável, super confortável, macia e perfeita para os dias quentes.
A lycra cirré (85% poliamida, 15% elastano) fornece um brilho envernizado efeito látex ou brilho molhado (Wet Look), sendo uma malha resistente e confortável que não esquenta por conter fios de poliamida em sua composição. 
O veludo irlandês (95% poliéster, 5% elastano) trás o conforto por conter elastano e sendo um material mais encorpado é perfeito para dias amenos, locais com ar condicionado ou eventos e saídas à noite.
A renda (90% poliamida, 10% elastano) e o tule (90% poliamida, 10% elastano) são os tecidos que trazem a transparência, caimento fluido, remetendo a criações luxuosas sendo super adequados ao nosso clima.
O courano envernizado (material sintético) se destaca nos detalhes com ilhóses e tiras.


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Essa coleção mostrar um pouco do meu lado de estilista de moda alternativa. Unindo os universos que amo junto com uma grande marca brasileira do segmento. Adoraria conhecer a opinião de vocês sobre a coleção!




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