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22 de abril de 2019

Trapezia: moda retrô, pin-up e vitoriana | + Cupom de Desconto

Uma das sessões que mais gosto aqui no blog é a de entrevista com as marcas alternativas. Tenho a oportunidade de saber mais sobre quem está por trás das lojas brasileiras, do que gostam, o que pensam, de onde tiram suas ideias, quais as visões de mercado... conhecer o lado que não vemos quando acessamos os sites das lojas.

Esse espaço também é importante para dar voz aos empreendedores, para que eles falem sobre suas criações. Como blog alternativo, promover esse tipo de conexão entre as lojas e seus possíveis clientes - nossos leitores - é fundamental. Quem tem mídia alternativa ou quem tem visibilidade, faz bem em promover um segmento que tem chances baixas de aparecer na grande mídia (e muitas vezes nem quer) e que tem uma luta diária pela independência. A cultura alternativa sobrevive assim, com um apoiando o outro, não tem outra forma!




Hoje trago a entrevista com Thaís Viana, dona da Trapezia. Foi a última parceria que fechei antes de dar uma pausa (em parcerias, não no blog rs). Não imaginava ter tantos pontos em comum com ela. Daí vejo como é legal conhecer mais sobre quem está por trás de tudo! Se não rolasse essa entrevista talvez eu demorasse a saber que Thaís gosta das mesmas bandas que eu quando se trata da música da década de 2000. Senti uma conexão ao ler suas respostas e esse é o tipo de situação que valorizo muito!


A Trapezia
Antes de ir pra entrevista de fato, vale uma apresentação da loja e de nosso cupom de desconto:


CUPOM: SUBCULTURAS 


Cropped Top Caveiras by Trapezia


A marca surgiu em 2012 e tem duas formas de produção: à pronta entrega e peças sob encomenda que devem ser solicitadas pelo email: pedidos@trapezia.com.br O foco vai desde retrô/pin-up (vestidos super bem cortados!), passando pelo vitoriano (steampunk), rock/goth (acessórios) e cosplay (sob encomenda). 

À frente de tudo está Thaís, uma "menina mulher de 28 anos com carinha de 18 e de muita personalidade" que tinha o sonho de ser cantora e era parte de uma banda de rock que cantava covers de Epica, Lacuna Coil e Evanescence. Mas uma de suas maiores inspirações estéticas é Emilie Autumm, que como comentamos lá no #desafiodos10anos no insa do blog, foi uma das personalidades mais influentes na moda alternativa da década de 2000! 

Mas nem tudo é só peso na vida da Thiis, como é chamada pelo amigos, a estilista também tem um lado ligado ao romantismo do século 19, que se reflete em rendas, babados, meias calças e interesse em roupas de época, diz ela “Costumo dizer que nasci na época errada pois, sou apaixonada por roupas de época e todo aquele volume mas, gosto mesmo é da Era Vitoriana”.

Quem nunca teve a fase "dark" que todo mundo achava que ia passar? A da Thaís não foi uma fase, e seu caminho foi direcionado para Moda quando aos 15 anos aprendeu a costurar e foi criando peças à seu gosto. E foi através da costura que adentrou no universo do Cosplay - uma cultura onde pessoas se fantasiam de personagens e os interpretam - e passou a criar de uma outra forma: ao invés de corpos reais, agora criava para corpos fictícios.

Mas nada melhor do que ela mesma contar sua história com as próprias palavras, acho que vocês vão amar a conversa e a personalidade dela! Acompanhe:


Moda de Subculturas: Na biografia no site da loja, você diz que fez parte de uma banda de rock e chegou a fazer cover de bandas como Epica, Lacuna Coil e Evanescence. O rock foi o responsável por te inserir na cultura alternativa? Conta como você adentrou nesse universo.  

Thaís: Definitivamente sim, desde os meus 13 anos minha família não entendia o que me levou a curtir rock n' roll pois ninguém da minha família curte esta sonoridade. O pessoal gosta mais de música brasileira, no máximo meus tios ouviam Legião Urbana, Los Hermanos, Paralamas do Sucesso, foi o que eu cresci ouvindo na verdade. Mais tarde com uns 13 anos comecei a ouvir variados estilos de rock, Metallica, Nirvana, System of a Down, dentre outros... até ouvia o que não era rock (clipes que passavam na MTV), por exemplo Avril Lavigne hahaha... (gostava muito do estilo das roupas), mas na verdade verdadeira mesmo eu queria ser a Amy Lee, passava horas buscando referências de roupas dela e mandava fazer algumas coisinhas em costureiras de bairro pois, quem é dessa geração 2000, sabe muito bem que marcas internacionais e estilo alternativo não eram tão acessíveis. Em consequência, Evanescence me levou às bandas de Melodic Metal, o que me fez ficar fascinada por corpetes e por toda aquela atitude e estilos destas cantoras, pelo qual amo até hoje!


Thaís, estilista e proprietária da Trapezia

MdS: Você tem alguma formação na área de moda? O que estudou para criar a marca? 
T: Me formei na Faculdade Belas Artes em 2013/14, mas antes fiz curso de desenho com 15 anos e definitivamente desenho não é pra mim! Também fiz curso de costura com a mesma idade e fiquei um pouco revoltada com a máquina de costura hahaha (hoje somos amigas novamente!) e depois da faculdade fiz cursos de modelagem (pra mim é a parte que mais curto, a parte de criação e desenvolvimento). Quando estava prestes a me formar encontrei uma oportunidade de ter minha própria marca - parentes, amigos e até estranhos na rua sempre elogiavam meu estilo. Contei com a ajuda de um tio meu que é formado em Desenho Industrial e que ama tipografias. Na época meu briefing foi a Emilie Autumn (cantora, compositora e violinista que uma amiga do colégio me apresentou e que amo até hoje). A partir de algumas fotos e conceitos de marcas que apresentei para meu tio, chegamos no nome Trapezia e na tipografia do logo. Foi estudado o mercado alternativo superficialmente e alguns potenciais concorrentes, tivemos o cuidado de fugir do óbvio e de usar nomes que prendessem a marca a somente um estilo.


Bolsas da Trapezia


MdS: Sua loja lida com a estética de subculturas bem diferentes e às vezes até contrastantes, como retrô, cosplay, vitoriano e steampunk. Como é seu processo de criação, de pesquisa e referências para desenvolver as peças? 
T: O público de cosplay foi um dos que me motivou a criar a marca, encontrei uma oportunidade por gostar muito de figurinos de teatro e filmes e comecei a fazer o nome da marca desta forma. Antes de ter a loja online, eu prestava serviços de criação para este público. A inspiração da marca com certeza é a marca queridinha por mim, a Hot Topic, vejo um mix de produtos que sonho em ter um dia. As inspirações e processo das criações variam muito de coleção para coleção. Atualmente temos os vestidos e outras peças inspirados no estilo das pin-ups, mas num futuro próximo penso em agregar nas coleções muito mais do meu gosto pessoal e me inspirar total nas cantoras das quais admiro tanto.





MdS: Você tem paixão pela era vitoriana assim como muitos alternativos, porém roupas neste estilo são raras de encontrar nas lojas alternativas brasileiras. Você pretende um dia desenvolver alguma coleção releitura só com essa temática? Quais são as dificuldades de adaptar esse visual ao clima brasileiro? 

T: A pesquisa de história da moda nunca acaba, é fascinante! Mais especificamente comecei a curtir corsets e a história deles através das cantoras de melodic metal que o usam de uma forma moderna ou seja, em forma de releitura. De todos os períodos históricos, o que mais me identifiquei foi com a Era Vitoriana (tem muita coisa representativa e de valor neste período na minha opinião), o meu TCC da faculdade foi o tema "The Tudors - Dinastia Inglesa na Era Tudor" (tem no site o ensaio). Com certeza é uma meta, fazer ensaios e coleções com temas históricos, mas pode ser que demore um pouquinho no atual cenário da marca. Dificuldade total para quem mora em cidade onde o clima quente prevalece na maior parte do ano, mas brasileiro é guerreiro e nada nos impede de irmos a encontros vitorianos e steampunk não é mesmo?





MdS: Você desenvolve figurinos cosplay, em quê vestir personagens é diferente de vestir pessoas?  
T: O cosplay tem algo muito mais fantástico na maior parte do tempo, dificilmente me pedem personagens sociais, que usem roupas para usar no dia a dia. A modelagem, desenvolvimento e até os tecidos são bem diferentes do que quando desenvolvo uma coleção para a marca. Por exemplo, fazer figurinos e cosplays me permite ter uma liberdade de escolha de tecidos e texturas que às vezes para desenvolver uma roupa mais duradora e com maior conforto, em uma coleção não seria possível, como usar tecidos de tapeçaria ou plástico e e.v.a. Alguns cosplays precisa-se usar espuma, arames, a estrutura é bem diferente de uma roupa comum.





MdS: O nome Trapezia remete ao universo circense e você é fã dos visuais de Emilie Autumm, que mistura essa ideia de circo vitoriano com “boneca quebrada”, se você tiver que falar sobre estas duas paixões aos leitores, o que você falaria, por que eles te inspiram?   

T: Tem coisas que às vezes é difícil de explicar porquê exatamente temos algumas paixões, neste caso também não tive nenhuma influência de amigos ou parentes, simplesmente foi assim. Acho lindo também os freak toys, tenho uma mini coleção de Monster High (adoro o estilo das roupinhas), mas se eu tivesse espaço e pudesse, teria aquelas bonecas assustadoras que eu acho lindas, não sei exatamente porquê hahaha... Também sempre gostei de filmes de terror, principalmente os asiáticos... os filmes do Frankenstein, Drácula dentre outros, já assisti todos! E por outro lado também curto o estilo dos circos de antigamente, filmes como Chocolate e o Rei do Show. Gosto muito de toda esta parte histórica. Enfim, são mil e uma referências, acho que quando se trata de arte, para quem é artista uma coisa acaba levando à outra. Gosto de coisas fofinhas e também de coisas um pouquinho estranhas.




MdS: Quais são as suas dificuldades como empresa pequena para se manter em funcionamento? Quais os pontos altos de ter uma marca alternativa?  

T: A maior dificuldade é financeira, não conseguir atualmente desenvolver e poder ter marcas licenciadas como faz a Hot Topic por exemplo (um sonho), para criar muita coisa e viajar legal nestes temas. A outra dificuldade que o pequeno empreendedor enfrenta também é que ao produzir pouca quantidade de qualquer produtos (algumas vezes por não ter dinheiro para investir em alta quantidade e também por não ter onde armazenar muito estoque), é que tudo sai muito mais caro, o custo do produto fica muito mais caro do que grandes empresas. A vantagem de ter uma marca alternativa é de poder viajar nas criações e trabalhar com temas e assuntos que você ama, trabalhar em algo que se identifica não tem preço!


MdS: O que acha do mercado alternativo brasileiro atualmente?  
T:Trapezia está com a loja online em funcionamento desde 2017, ainda estamos amadurecendo com esta experiência mas existem muitas marcas brasileiras que já estavam em ação antes de 2013 e que agora estão colhendo os frutos e isto dá um orgulho enorme. Acredito que nós marcas brasileiras estamos conquistando nosso espaço. Ainda temos muito o que amadurecer para encontrarmos uma identidade, mas o cenário atual é de um público alternativo que consegue consumir moda alternativa muito mais fácil do que anos atrás.




MdS: Uma das questões que o blog aborda é sobre manter o estilo alternativo quando adulto. Você sente ou já sentiu alguma pressão para mudar de estilo por causa da idade?  

T: Ainda não senti na pele uma cobrança diretamente. Por trabalhar com moda as pessoas meio que esperam de mim um estilo alternativo, mas acredito que familiares e certas funções durante o ambiente de trabalho, a cobrança é hard. Mas minha família não fala muito não, minha avó já se conformou em ter uma neta meio doidinha haha, eu até que sou "comportada", não tenho nem tattoo e nem piercing (tenho problema de cicatrização e fibromialgia e confesso que tenho um pouquinho de medo de dar cagaditas haha), mas às vezes a maior cobrança vem de nós mesmo e esta sim é a mais difícil de conviver e lidar. Mas quanto a mudar meu estilo no momento não, se fosse pra ter alguma pressão seria "você precisa ousar mais". Acho demais as velhinhas que usam roxinho no cabelo e deixa roxo de propósito, acho demais senhoras que são rock n' roll, que tem um corte de cabelo diferente e etc... Acho que hoje em dia, as possibilidades são inúmeras e para as pessoas mais "evoluídas" e sem preconceito, nada disto mais importa.

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Para quem quer adentrar na moda retrô, mas com peças superadequadas ao nosso clima, pode dar os primeiros passos com as peças da Trapezia. De algodão leve apropriada ao calor brasileiro, os vestidos da marca são uma ótima opção. Destaco esse modelo com caveira dourada:




Eu já recebi o meu e me encantei com a peça, que serviu perfeitamente mesmo sendo um tamanho padronizado. Acho importante quando marcas alternativas se preocupam com o tecido, a modelagem, acabamento e uso da técnica, pois é isso que as torna peças de qualidade. 





Espero que vocês tenham gostado da entrevista! 

Não deixe de visitar o site da loja e me digam o que vocês acharam da Trapezia e se já tem peças da marca.



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Artigo original do blog Moda de Subculturas. 
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