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31 de outubro de 2017

Conheça SABAT, a revista especializada em Bruxaria

Na década de 1990, houve uma intensa redescoberta pela bruxaria, a qual resultou em filmes como Jovens Bruxas e séries iguais a Charmed, Buffy, A Caça Vampiros e Sabrina, Aprendiz de Feiticeira. Essa atmosfera retornou há pouco tempo, tomando força pelo crescente interesse da nova geração pelo Feminismo. A união desses elementos acabaram impulsionando o nascimento de uma revista: a Sabat.

Revista sobre bruxaria - A Donzela
The Maiden

A ideia tinha formato de zine no início, e pertencia ao mestrado de jornalismo de moda da norueguesa Elisabeth Krohn no renomado London College of Fashion. Sabat acabou então evoluindo para revista, sendo lançada impressa em Março de 2016 com quase duzentas páginas sobre bruxaria e feminismo, arquétipos femininos e arte contemporânea. Surgindo na hora certa, a publicação ganhou notoriedade de forma orgânica, sendo apresentada em diversas matérias de mídias alternativas britânicas.

Revista sobre bruxaria - A Mãe
The Mother

Krohn já revelou em entrevistas que a Sabat é uma revista que fala de bruxaria encorajando e orientando os leitores a encontrarem seus poderes dentro de si. Com olhar moderno, utilizou o Instagram como sua maior fonte de pesquisa e a #witchesofinstagram serviu de inspiração para Elisabeth perceber o interesse ao tema, entrando em contato com pessoas envolvidas com o movimento, o que a ajudou a descobrir diferentes tipos de feitiçarias, ampliando o seu conhecimento e recebendo contribuições de bruxas ao redor do mundo. 


A bruxa é uma figura de resistência?  
Sim e uma poderosa. O que realmente gosto da bruxa é que em qualquer encarnação, ela mantém um senso de individualismo e independência, de ser o estranho ou o arquétipo ambivalente necessário que desafia o status quo em suas políticas, pensamentos, práticas ou simplesmente no seu modo de vida. Elisabeth Krohn para We Are Grimoire.

Cada publicação envolveu buscas que levassem a visões alternativas sobre o feminino. Por isso a criadora tinha o objetivo de lançar apenas três revistas, seguindo a concepção da Deusa Tríplice: Donzela (The Maiden), Mãe (The Mother) e Anciã (The Crone), nomes que batizam cada edição e refletem a tradição pagã dos três estágios da mulher. "Maiden era uma bruxa adolescente que encontrou os seus poderes. Com a Mother e Crone, acho que fomos capazes de mergulhar mais a fundo no mundo da feitiçaria, mas também em aspectos mais complicados da existência feminina."

Revista sobre bruxaria - A Anciã
The Crone

Entre os assuntos abordados está incluída a Moda, porém esta sendo apresentada tentando fugir do esteriótipo "witchy", evitando marcas especializadas nesse tipo de vestuário e colocando outras, como Céline e Acne. A última publicação saiu em Março de 2017, fechando o ciclo. O resultado positivo, além do esperado, abriu espaço para novos projetos. A segunda edição ganhou um prêmio de design da D&AD e o mais legal é que o Diretor de Arte - e fundamental no apoio para existência da ideia de Krohn - é o brasileiro Cleber Rafael de Campos.



Ficamos a espera de novidades e quem sabe, que elas possam chegar até o Brasil, já que aqui existe uma rica história de rituais e tradições religiosas e que infelizmente vem sendo apagada por puro desconhecimento e intolerância.

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3 de julho de 2017

Moda Alternativa Japonesa: o fim da revista Kera Magazine e da Gothic & Lolita Bible

Em fevereiro deste ano, foi anunciado o fim da revista japonesa FRUiTS que era focada no street style alternativo do distrito de Harajuku em Tóquio. O motivo do fechamento segundo seu editor, Shoichi Aoki, foi a gentrificação do bairro e o consequente desaparecimento dos jovens alternativos estilosos do local. No fim de março foi anunciado a finalização de outras duas importantíssimas publicações de moda alternativa, a KERA e a Gothic & Lolita Bible (uma lenda), o que partiu o coração de fãs ao redor do mundo.

Antes da internet, a forma de conhecer mais sobre moda alternativa era através de revistas que divulgavam lojas e tendências. E estas duas publicações são icônicas.

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KERA, fevereiro 2015 / Gothic & Lolita Bible #40

A KERA surge em 1998 focada em rock e moda punk, cada edição trazia além de editoriais de moda, fotos dos estilos de rua. A última edição foi em maio. Já a Gothic & Lolita Bible era publicada desde 2001 focando em um público específico, direcionada à subcultura Lolita e seus subestilos e trazendo moldes de roupas. O músico e estilista Mana foi um dos mais famosos divulgadores da publicação.

Mana nas páginas da Gothic & Lolita Bible

Ambas as revistas tiveram grande responsabilidade no desenvolvimento da moda alternativa japonesa ao redor do mundo. De lá pra cá apesar das mudanças no mundo, da "virtualização" de tudo, estas publicações ainda eram referência para admiradores do street style de Tóquio.

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Páginas da KERA mostrando a diversidade estética da moda de rua japonesa.

Ao contrário da FRUiTS que praticamente acabou - seu autor está apenas divulgando fotos em sites -, a KERA acaba sua versão física e se torna digital, ou seja, deixa de existir fisicamente e agora só existe virtualmente; já a GLB está suspensa e sua última edição foi na primavera japonesa. Dizem que hoje existem mais Lolitas fora do Japão do que dentro dele, sendo a China o novo ponto da subcultura. A mídia tem buscando formas de expressão nessa nova sociedade rápida de informações onde noticias se tornam obsoletas em apenas algumas horas. Estamos numa era de transição e o fim físico destas revistas é um reflexo disto tudo, desta mudança social. No Brasil, temos a sorte de ter uma revista alternativa circulando, é a Gothic Station, a primeira revista brasileira dedicada à sub gótica.

harajuku-street-fashion
KERA, dezembro 2014

Algumas fãs foram às lágrimas pelo fim das edições físicas. Eu as compreendo e creio que o chororô não foi por "uma revista" e sim por toda a simbologia histórica que aquelas publicações carregavam. Parte da história de uma subcultura acabou. Revistas alternativas são tão raras que é possível criar um culto ao redor delas que eram uma espécie de abrigo e reservatório de conhecimento das apaixonadas adeptas de moda alternativa.  

Gothic and Lolita Bible #40- #52

E não, a moda alternativa japonesa não acabou, mas está numa fase de mudanças. São tempos diferentes os que vivemos em termos de culturas juvenis. Claro que jovens continuam ousando em seus estilos pelas ruas, talvez um pouco mais ocidentalizados (?), com visuais menos extremos, menos impactantes, mas quando uma moda alternativa se ameniza muito, não duvide que um tempo depois tudo vire tédio e uma nova geração traga ousadia e extremismo de novo! É aguardar os futuros capítulos da história da moda alternativa.

E vocês gostavam da KERA e da Gothic & Lolita Bible?



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12 de fevereiro de 2017

Street Style: O fim da revista japonesa FRUiTS


"Não existem mais jovens estilosos para fotografar"
- Shoichi Aoki editor da revista FRUiTS


Fundada em 1997, a revista FRUiTS foi a mais influente publicação sobre Street Style japonês. Com foco no bairro de Harajuku, ajudou a levar fama mundial às subculturas que frequentavam o local, como as Gothic Lolitas, Gyarus, Decoras, Cyberpunks, o kawaii... e refletia um registro histórico confiável de toda uma geração que não seguia regras e nem rótulos ao vestir, comportamento tipico da geração X e dos primeiros millennials. O grande lance da FRUiTS era fotografar pessoas reais e autênticas, não modelos que estavam vendendo moda em páginas de revista.

ultima edição da revista FRUiTS
A última edição da FRUiTS

Shoichi Aoki começou a fotografar quando notou que os jovens japoneses estavam se vestindo de forma diferente ao invés de estarem seguindo tendências americanas e europeias. Estes jovens estavam customizando elementos da vestimenta tradicional japonesa (kimono, obi e sandálias geta) e combinando-os com  peças artesanais, de brechó e de moda alternativa, assim ele lança a publicação mensal FRUiTS, que se torna um fanzine cult com seguidores internacionais. Com o sucesso da publicação, jovens estilosos se direcionavam ao bairro para serem fotografados em referências estéticas que seriam imitadas no mundo todo. 



É impossível falar da moda dos últimos 20 anos sem citar a importância do Street Style. Até meados da década de 1990 quem ditava o que vestir eram as grandes grifes aliadas às modelos (Top Models) e revistas de moda. Quando a fotografia de Street Style aparece, todos os olhos da moda se viram às subculturas e aos jovens que não seguem tendências. A partir disso, os grandes estilistas passam a cooptar a moda de rua que vira um "boom" no mundo inteiro. Aoki relata que observou uma queda de "cool kids" que se encaixariam no padrão da revista e que isso se intensificou nos últimos anos. Mas quais os motivos disso acontecer?


O alternativo foi substituído pela gentrificação
De Gwen Stefani à embaixadora Kyary Pamyu Pamyu, o bairro de Harajuku se tornou um dos mais conhecidos do mundo nas últimas décadas, virando um local turístico saturado. Uma das características do consumidor japonês é a preferência por qualidade e não quantidade, a partir do momento em que ocorre a gentrificação de Harajuku devido ao investimento estrangeiro na região, os preços subiram e jovens designers alternativos não puderam mais manter suas lojas lá. Visando os turistas e seu poder de compra, houve no bairro uma inclusão de redes fast fashion como Uniqlo, H&M e Forever 21 (peças de baixa qualidade para o padrão japonês), assim os turistas preferem o status de comprar nelas (marcas conhecidas) do que nas lojas menores que tinham o espirito autêntico de Harajuku. Jovens também alegam que esse processo de estrangeirismo acabou com os espaços onde eles costumavam sentar e relaxar (e serem vistos e fotografados).


O Futuro do Street Style Japonês
Após 233 edições documentando subculturas e tribos de estilo em Harajuku, o fechamento da FRUiTS é mais um reflexo do que há anos falamos no blog: o esvaziamento de um conceito quando o capitalismo o abraça. A cooptação estética das subculturas pode parecer democrática, mas lá no fundo destrói as culturas alternativas independentes.
Esse caso também levanta o questionamento sobre o retorno do domínio europeu e americano na estética alternativa. Dos estilos Lolita ao Decora, passando pelas nail arts, a popularização dos cílios postiços e até a bolsa carregada no antebraço, tudo isso passou pelo universo alternativo de Harajuku, e hoje, quando pensamos em moda alternativa nos vem à mente que as maiores influências não são pessoas e sim marcas como Killstar, Dolls Kill e Iron Fist. Ao redor do mundo alternativos estão usando as mesmas marcas e as mesmas roupas que se massificaram, tornando as estéticas menos autênticas e individuais como no passado. Roupas massificadas contribuem para que estilos individuais entrem em decadência. Os jovens fotografados na FRUiTS não seguiam tendências, consumiam peças que tinham a ver com sua personalidade e praticavam DIY. Se analisarmos, mesmo no ocidente está se tornando mais difícil encontrar alternativos com estilos únicos.


Jovens coloridos como as cores das frutas. O fotógrafo Shoichi Aoki  pensa em doar seus arquivos fotográficos a institutos de moda ao redor do mundo.
 
A era FRUiTS chegou ao fim, a moda de rua no Japão agora vive nova fase.

Referências da pesquisa:
Spoon Tamago //  Tokyo Fashion Diaries // NYMag  // UNRTD // ID Vice



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1 de janeiro de 2017

Votação: Melhor Blog de 2016 - Moda de Subculturas

A revista alternativa Auxiliary está elegendo o melhor blog de 2016 e convido vocês a votarem no Moda de Subculturas!
O voto é para o "melhor blog de cultura e subcultura alternativa, único e independente"! 
Pra votar é só acessar este link bit.ly/bestblogmds (até o dia 11 de janeiro), clicar em "Moda de Subculturas".
É a primeira vez que participo de uma votação e quem se sentir à vontade pra votar, fica aí o convite!
Muito obrigada e neste novo ano continuaremos trazendo muito mais matérias sobre moda e subculturas pra todos vocês! ♥ ♥ 

http://bit.ly/bestblogmds


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3 de junho de 2015

Sassy: a revista adolescente que revolucionou a década de 1990

Talvez pra quem seja muito jovem hoje, fique difícil entender, mas nas décadas de 1980 e 1990 o mainstream e a cultura alternativa eram entidades muito distintas. Eram mundos que não se misturavam.
Existiam praticamente dois tipos de revistas adolescentes: as que focavam em arranjar namorado e mantê-lo e as que te ensinavam a se vestir de forma adequada.

E então surgiu a revista Sassy. Não era uma revista adolescente comum, trazia assuntos como suicídio, doenças sexualmente transmissíveis e autoaceitação. Tudo de forma muito destemida e com linguagem coloquial. Foi o início de um movimento juvenil que reinventou o que era a cultura adolescente da época. 


Kurt Cobain e Courtney Love na capa de abril de 1992

Em março de 1988, a feminista australiana Sandra Yates lançou a revista, cujo nome significa "audaciosa", "petulante". Tinha como editora-fundadora Jane Pratt, e uma equipe de colaboradores da Austrália e Estados Unidos.
A Sassy era uma revista adolescente feminista para fãs de música alternativa e indie rock. Foi o departamento de moda da revista que descobriu a atriz Chloë Sevigny. Quando a viram na rua, a contrataram como estagiária, segundo Pratt "porque ela tinha um estilo próprio que exalava uma extrema noção de como se vestir, ao contrário de outras meninas da idade dela".

Muito comum revistas despontarem anônimos para o sucesso, é o caso da Chloë Sevigny que depois estreou a carreira de atriz no polêmico filme Kids

Inicialmente com uma circulação de 250.000 exemplares, esse número dobrou no ano seguinte. A história de Sassy está intrinsecamente ligada às transformações sociais que ocorreram no final dos anos oitenta e início dos anos noventa. Naquele tempo, a AIDS era uma ameaça real e as taxas de gravidez na adolescência eram imensas. Quando a Sassy introduziu uma nova maneira de as meninas pensarem a sua sexualidade, a publicação ganhou um adversário de peso: a direita religiosa. 

 A revista ganhou a simpatia de diversos artistas da época, entre eles Johnny Depp, Neve Campbell, Mila Jovovich e Mayim Bialik dividiam as capas com modelos.

Milla Jovovich bem novinha num editorial...

Gwen Stefani era inspiração pras meninas da época

Courtney Love, Liv Tyler, Angelina Jolie... todas passaram por suas páginas.

Com as vitórias da Segunda Onda Feminista e as ideias da Terceira Onda ganhando força, as meninas tinham agora uma revista que falava de sororidade e misoginia. Além dessas pautas, trazia colunas sobre sexo, homossexualidade, drogas, política, rock n roll, moda e beleza. E também artigos de cozinha e editoriais temáticos, além de vários dilemas da Geração X.

A revista já apresentava Street Style de outras cidades do mundo e tutoriais que ensinavam a customização. Abaixo, um vestido é feito de uma fronha de travesseiro.

A revista queria bater de frente com as normas mainstream. Enquanto as outras publicações incentivavam a fazer dieta, a Sassy dizia pra você se aceitar como era, ser você mesma, usar o cabelo da maneira que quisesse, ser o tipo de mulher que você quer ser, e acima de tudo que fosse "audaciosa" (sassy). 
Vemos essa vibe feminista na matéria intitulada "Você é linda":

"Talvez você seja uma eco-chic, uma rebelde ou a rainha do glamour. Não importa; você é linda porque você é você. Agora deixa de ser boba e comece a mostrar isso.

Haviam mulheres negras em suas capas e editoriais de moda, algo que as revistas mainstream raramente faziam...

...meninas com cabelos lisos, cacheados, louras, morenas, punks, góticas...(clique pra aumentar).

Sassy foi uma dos primeiras publicações a falar sobre as Riot Grrrls e entrevistar bandas como Bikini Kill, L7, Sleater-Kinney. Repare abaixo: uma menina com uma guitarra na capa, algo que não se vê nem hoje em dia em revistas para mulheres! Uma matéria explicando como se tornar uma baterista e outra com L7.


Como era tudo muito empoderador, a Sassy entendia que suas leitoras tinham cérebros pensantes e alimentava isso oferecedo matérias com conteúdos sérios sem ser enfadonho, além de ter incentivado as meninas a criarem suas próprias mídias, como fanzines, por exemplo.

 Matéria sobre sororidade e outra questionando como a TPM era tratada na sociedade.

As meninas amavam tanto a publicação que eram chamadas de Sassy Girls, tamanha devoção.
Sassy dava às garotas a possibilidade de ver o mundo de outra forma que não as das revistas tradicionais, criando um novo tipo de persona feminina abrindo caminho para mulheres ousadas conquistarem seu espaço. Esse pioneirismo inspirou o surgimento de outras mídias com viés feminista dentre elas a revista Bust e a Bitch. E Jane Pratt é hoje editora chefe do site xoJane.


O fim
Em 1994 a publicação foi vendida ao donos da revista Teen (atualmente Seventeen) e toda equipe de jornalismo que criavam os artigos empoderadores foi demitida. Os leitores se revoltaram porque a Teen era uma exemplo de tudo que era errado com os jovens da cultura americana.
Seis curtos anos, mas revolucionários. 

Ainda hoje a revista ganha fãs e tem um verdadeiro culto de adoração pelas garotas que as liam na época. E não apenas isso. Com o revival da década de 1990 e com o interesse renovado pelo movimento Riot Grrrl, não é difícil encontrar meninas da Geração Y  divulgando imagens de Sassy na web. Talvez por uma carência de representação nas publicações adolescentes atuais ou por saberem o quanto Sassy era vanguardista.

Em abril de 2007, Kara Jesella e Marisa Meltzer, editoras da Teen Vogue, lançaram o livro "How Sassy Changed My Life: A Love Letter To The Greatest Teen Magazine Of All Time" (Como a Sassy mudou a minha vida: Uma carta de amor à maior revista adolescente de todos os tempos). O livro fala como a revista influenciou o mainstream e outras revistas alternativas femininas e inclui entrevistas com os jornalistas originais.


Rookie Mag: A Herança da Sassy
Um dos exemplos desse interesse da nova geração pela publicação é a blogueira prodígio Tavi Gevinson.
A americana sempre foi apaixonada pela revista, e foi assim que conheceu Jane Pratt, editora da Sassy, que sabendo do fascínio de Tavi, entrou em contato e a ajudou a montar a Rookie Mag. Nós achamos isso o máximo! Um exemplo de solidariedade, ou no caso, sororidade, que nós adoraríamos ver acontecendo aqui no Brasil. A Rookie é aquele tipo de website para meninas adolescentes que empodera, informa e questiona assuntos sérios, tem matérias de experiência pessoal (como bullying ou preconceito) e diverte.


Num mundo onde revistas femininas e adolescentes continuam repetindo os mesmos conceitos ultrapassados de décadas atrás, é notável o vácuo editorial para mulheres que pensam e questionam, por isso é  cada vez mais necessário buscar os exemplos empoderadores do passado e do presente para nos sentirmos representadas e assim continuarmos na luta por mudanças. Como Tavi, e milhares de outras espalhadas pelo mundo, somos todas Sassy Girls!

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10 de março de 2015

A primeira negra na capa da revista Gothic Beauty

A modelo Dolly Vicious acabou de fazer história. Se tornou a primeira negra a ser capa da atual edição da revista americana Gothic Beauty.


 Dolly Vicious tem 26 anos e começou a modelar em 2009.
Já fez fotos pra diversas lojas alternativas.


O fato é que, sendo uma revista mundialmente conhecida na cena, a Gothic Beauty, fundada no ano 2000, demorou 15 anos (!!) pra colocar uma negra em sua capa. Em 2009, na edição número 28, Amanda Tea se tornou a primeira negra a estar nas páginas da revista. Isso porque a própria, decidiu escrever para a publicação questionando o fato de nenhuma afro americana ter estampado as páginas da maior revista gótica do país. Assim, o editor decidiu publicar algumas fotos dela e uma pequena biografia.

 Amanda em 2009, nas páginas da revista e em trabalhos recentes como modelo:

A veneração da palidez na subcultura Gótica tem diversas razões não raciais, uma delas é o desejo de aparentar como um cadáver/vampiro. Quem tiver interesse em se aprofundar no assunto, esse texto da Gothic Station é uma ótima referência de leitura. 

Eden Lost, entrevistada na matéria
Voltando à edição recente da Gothic Beauty, a revista entrevistou três góticos negros. A modelo e estilista Eden Lost, Vincent  Alexander (dono de um clube gótico) e a escritora e atriz Lary Love Dolley, da qual são indagados se preferem ser chamados de "Afro Goths" ou de apenas "Góticos". Os entrevistados dizem que o termo é um grande leque que une góticos negros assim como o Afro Punk, mas que não é um rótulo definitivo. 
Na matéria, os entrevistados também falam sobre as críticas que recebem de outros negros por "ouvir música de branco" e de serem acusados de "tentar serem brancos" por não abraçarem sons normalmente associados com a raça, como reggae ou hip hop. E a mesma estranheza ocorre do outro lado: brancos que os encaram por não viverem o estereótipo da pessoa negra. Eden relata que se sentiu intimidada no festival WGT quando passou perto de Nazis e outra coisa que a preocupa é o crescimento no continente Europeu do nacionalismo e da extrema direita.

Mas tanto Eden quanto Vincent e Lary, falam da invisibilidade, da dificuldade de ver outros negros na cena gótica mais mainstream. Mas notam que na cena mais underground há um sentimento maior de inclusão especialmente na cena da cidade de Los Angeles, onde tem muitos latinos, asiáticos e mistura de raças. "Nós precisamos desafiar a ideia de que pele pálida é o epítome do gótico" diz Eden. "Precisamos deixar de supor que raças são um indicador do gosto de uma pessoa". "Não somos diferente de qualquer outro gótico, nós só queremos ser aceitos como somos", diz Vincent.

No final da matéria a revista Gothic Beauty anuncia que está aberta a falar e mostrar cada vez mais negros em suas páginas e redes sociais. 
Vamos acompanhar!!


5 de maio de 2014

Editorial Alternativo: Punk!

Esse editorial super gracinha é da revista japonesa de moda alternativa Kera. Eu acompanho essa revista todos os meses e é minha preferida! Gosto de ver a criatividade da moda alt. japonesa assim como os editoriais super cheios de dicas de peças e looks inspiradores.

Esse editorial tem tema "Punk", deve ter algo mais escrito ali em japonês mas eu não faço a mínima idéia, se alguém souber traduzir, fiquem à vontade. O que eu curti na sugestão de peças é que eles fizeram um editorial mostrando roupas atuais com referência punk, mas não é aquele cliché fácil e óbvio que a gente costuma ver em revistas mainstream onde o punk é minimizado ao estereótipo de preto, correntes, couro, moicano.

Esse editorial pega elementos fundamentais da moda punk como as animal prints, cores fortes e estampas, listras, cintos de tacha, calças com pernas em cores contrastantes, coturnos, a bandeira da Inglaterra. E tem também o lado pin-up que super faz parte da cena punk mais recente: bolinhas, cerejas, saias rodadas...
As roupas com tela arrastão, sapato boneca, creeper, couro (ou a imitação do mesmo), xadrez, calças rasgadas, plataformas, spikes e por aí vai...
Não me estranha que seja exatamente no Japão, o país que tem exportado moda alternativa pro mundo, que todos esses elementos que formam a moda punk tenham sido muito bem lembrados e muito bem representados em peças contemporâneas. É bom demais pra quem ama as subculturas e suas modas dar de cara com editoriais como este: tão criativos e respeitosos com a herança fashion que o punk nos deixou.



23 de fevereiro de 2014

Como se vestir alternativamente no calor?

Esse é o tipo de pergunta que muitos de nós fazemos: como se manter no estilo alternativo em dias muito quentes?
Esse post tá meio atrasado mas é que só agora eu percebi que ainda não tinha escrito! Na verdade, já dei várias dicas aqui no blog de que tipo de roupa usar em dias quentes e isso foi sugerido dentro de editoriais, dicas de moda, desfiles, mas não num post específico. Bom, eu vou dar aqui as dicas que sempre dou, inclusive quando o tema foi abordado no grupo Moda Alternativa.
As dicas valem também pra quem só usa preto! Então, minhas dicas de como continuar se vestindo alternativamente no calor, seriam:

  • Usar/priorizar roupas em tecidos naturais.
Como fazer isso? Crie o hábito de checar as etiquetas de composição das roupas antes de comprá-las. 
- Tecidos naturais: algodão, cambraia e malha de algodão são os mais comuns. Tem também seda e linho, mas estes são tecidos naturais mais caros. E rami, juta e cânhamo que são mais incomuns. Tem a viscose/raion que é uma fibra artificial mas que é feita de material natural (celulose), sendo assim, ela é sempre fresca. 

Exemplos de Vestidinhos de Malha

Se você costuma fazer suas roupas, já deve ter notado que o metro dos tecidos 100% naturais costumam ser mais caros, como agregam bem estar, o preço se justifica.

- Tecidos sintéticos e artificiais: quanto mais sintético o tecido, mais quente é a roupa. Mas existem alguns tecnológicos como os usados em roupas esportivas e o poliéster oco que deixam as peças mais frescas. Dentre os tecidos sintéticos eu sugeriria os que são transparentes como crepe, chiffon, organza, rendas (tem renda de algodão também).

Eu tenho e amo blusinhas daquelas malhas mais finas e sintéticas, mas evito ao máximo usar elas em dias quentes. Muitas das minhas compras são feitas baseadas no tecido, já deixei de comprar peças legais porque sabia que não ia rolar usar no verão.
Então, sempre leiam a etiqueta de composição e optem pelas peças com porcentagem maior de tecido natural.

Saia de Malha da DARK FASHION


  • Optar por modelos de roupas mais soltas e fluidas no corpo.
Em dias muito quentes, quem puder deixar o jeans um pouco de lado, eu recomendo. Optem por modelos de calças, shorts ou bermudas em algodão (existem muitos modelos); peças em malha radiosa (não gruda e não aquece); leggings de malha de algodão.
Saias e vestidos em algodão ou com sobressaia em tela, crepe, chiffon, nem precisa recomendar, né?

Vestido de Chiffon com caveirinhas da MINIMINOU


  •  Preto x cores claras
A cor preta atrai luz e absorve calor, se você faz questão de usar preto, opte por peças com tecidos já citados acima porque, embora a cor esquente, os tecidos naturais fazem a pele respirar.



Se você AMA preto, não aprecia cores, mas não consegue usar preto no calor, é possível optar pelo branco. O branco reflete a luz. Preto e branco é sempre uma combinação clássica, não tem erro!

 Look gótico em branco; preto e branco não tem erro.


  • Acessórios
Acessórios indispensáveis no verão: leque e sombrinha! Se você mora numa cidade que venta muito - o que impossibilita o uso de sombrinhas - use chapéu.

Sombrinha feita ao gosto da cliente pela loja DEVAS

  • Calçados
Evite os modelos fechados, escolha sandálias abertas, leves e soltinhas porque os pés incham ao longo do dia com o calor, se puder, evite saltos.

Sandália da BLACK FROST

O pessoal que mora em cidades quentes, se quiser acrescentar algo, basta comentar! =)




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Editorial Alternativo: In a Dream

Alguém por favor me dá essa peruca?? Nunca uma peruca à la século XVIII me enlouqueceu tanto quanto esta!! =D
Roxo, azul, verde e rosa em tons suaves se compravam como uma das combinações mais bonitas que eu já vi e claro, as peças estão lindas! Repare que a underwear é mais anos 50. Nunca imaginei que uma mistura de rococó + anos 50 desse tão certo.
Aliás, vocês já leram meu post sobre o fato de que no século XVIII as mulheres (e alguns homens) usavam tons pasteis nos cabelos? Então corre, leia e se impressione, este é o link: Cabelos em tom pastel no século XVIII.
 

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